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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

HERÓIS INESQUECÍVEIS (45) - BOB E BOBETTE

O artista belga (flamengo) Willy Vandersteen (aliás, Willebrod Vandersteen) é mestre criador de uma larga obra de Banda Desenhada: “Bob et Bobette”, “Bessy”, “Safari”, “Thyl Ulllenspiegel”, “Prince Riri”, “Le Chevalier Rouge”, “Robert et Bertrand”, etc.
De toda as séries que criou, o fenómeno reside em “Bob e Bobette”, série desde logo tão popular que ainda não terminou e que já conta com mais de 300 álbuns e mais 39 na versão integral.
Willy Vandersteen (1913-1990)
Vandersteen nasceu em 1913 e faleceu em 1990.
Exactamente em 2013, quando do primeiro centenário do seu nascimento, Moura e Viseu, organizaram uma exposição alusiva com um panorama geral da sua obra.
“Bob et Bobette” surgiram a 30 de Março de 1945 no jornal flamengo “De Nieuwe Standaart”, com os nomes de “Suske en Wiske”, e só em 1948 aparecem em francês na revista “Tintin”. O êxito da série foi tamanho, que Vandersteen acabou por criar um estúdio e uma equipa de assistentes-colaboradores. A revista “Tintin”, em paralelo, tinha a edição flamenga, “Kuifje”.
Claro que com a extensão da quantidade, nem todas as narrativas são merecedoras de aplausos, mas salientam-se fenomenais “loucuras”, como: “Le Fantôme Espagnol” (publicada em Portugal na revista “Diabrete”, do n.º 730 ao n.º 866, com o título de “O Mistério do Quadro Flamengo”), “La Trompette Magique” (publicada no nosso País como “A Corneta Mágica”, em “Mundo de Aventuras”), “Le Cheval d’Or” (publicada em Portugal no suplemento “Nau Catrineta” do matutino “Diário de Notícias”, como “Pepita, a Égua Dourada”), “Les Martiens Sont Là!” (também publicada na “Nau Catrineta”, com o título de “O Mistério dos Discos Voadores”), “La Casque Tartare”, “La Clef de Bronze”, “Le Tombeau Hindoue”, “Le Poignard d’Or”, etc, etc.
"A Corneta Mágica", numa capa do "Mundo de Aventuras"
Capa e prancha de "Le Fantôme Espagnol"
Capa e prancha de "Le Cheval d'Or"
Capa e prancha de "Les Martiens Sont Lá"

A primeira aventura chama-se “Ricky et Bobette”, sendo Ricky o irmão mais velho de Bobette, vivendo ambos com a tia Sidonie.
Capa de "Ricky et Bobette",
a primeira aventura da série
No segundo episódio já surge Bob, que tomará lugar principal ao lado da jovem, enquanto Ricky desaparece da série. Depois, mais três personagens vêm engrossar a "família" desta série: o Sr.Lambique (destemido e trapalhão), o atlético Jérôme e o sábio Prof. Barabas.
Em Portugal, só se publicaram dois álbuns pelas Edições Bonecos Rebeldes: “O Paraíso dos Cães” (Le Paradis des Chiens) e “A Dama de Ouros” (La Dame de Carreau), que, infelizmente, não são episódios muito valorosos da série.
Capas de "O Paraíso dos Cães" e "A Dama de Ouros", Edição Bonecos Rebeldes

Entretanto, outros nomes foram prosseguindo a série, como os desenhistas Paul Geerts, Luc Morjaeu e Marc Verhaegen.
A série “Bob e Bobette” não ficou esquecida pelo Cinema/Televisão: uma série com fantoches (1955) e outra em Cinema de Animação (1975/1976) e ainda, também em Animação, em 2009, o filme “Les Diables du Texas”. 
"Bob et Bobette: Les Diables du Texas" - filme completo

Mas antes, em 2004, foi feito um filme com actores, “Le Diamant Sombre”, com realização de Rudi Van Den Bossch e como protagonistas Joeri Busschots (Bob), Céline Verbeeck (Bobette), Dirk Roofthooft (Lambique), Peter Van Den Begin (Sidonie), Stany Crets (Jérôme) e Tuur De Weert (Barabas).
"Bob et Bobette: Le diamant sombre" - filme completo

Na Bélgica, há estátuas alusivas em Antuérpia, Middelkerke e Kalmthout. Aqui, precisamente, existe o Museu de Bob e Bobette, que é altamente visitado.
LB

Capa e prancha de "Le Diamant Sombre"
Capa e prancha de "Le Monstre de Cuir"
Inauguração da exposição comemorativa do Centenário de Willy Vandersteen, durante o salão Moura BD 2013.
A exposição foi uma produção conjunta entre a Câmara Municipal de Moura e o Gicav (Viseu)
Estátua de Willy Vandersteen com os seus personagens mais famosos, Bob e Bobette.

domingo, 6 de janeiro de 2013

EVOCANDO (3)... WILLY VANDERSTEEN

2013: O ANO WILLY VANDERSTEEN

O ano que se iniciou - 2013 - marca o primeiro centenário do nascimento de diversas figuras ligadas à Banda Desenhada, a saber: os norte-americanos Walt Kelly, John Boome (argumentista), Elliot Caplin, Fred Guardineer e Joe Oriolo, o alemão Manfred Schmidt, os romenos Traian Popescu-Tracipone e Eugen Taru, os portugueses Maria Amélia Bárcia (argumentista) e Oskar (aliás, Fernando Óscar Pinto Lobo), os franceses Marc-René Novi, Jean Quimper e Henri Caouissin e, como figura mais famosa entre todos, o belga WILLY VANDERSTEEEN.
Willy Vandersteen (1913-1990)
Nasceu em Antuérpia a 15 de Fevereiro de 1913, tendo como seu nome completo Willebrord Jan Frans Maria Vandersteen. Faleceu em Edegen (Bélgica) a 28 de Agosto de 1990.
Ficou registado como uma das figuras mais representativas da Banda Desenhada flamenga. O próprio Hergé, com quem colaborou, apelidou-o de "o Breugel da Banda Desenhada". Vandersteen, ainda garoto, já desenhava histórias na calçada do bairro onde vivia. Depois, durante a 2.ª Grande Guerra, começou a publicar "umas coisas". E Hergé vem a chamá-lo para a sua equipa da série "Tintin", mantendo Vandersteen a continuação da sua mais famosa série, "Bob et Bobette".
Documentava-se muito e desenhava sempre, primeiro, a lápis. Com um estúdio próprio, veio a formar uma grande equipa de colaboradores/discípulos, tendo alguns destes prosseguido com várias séries que criou. "Thyl Ullenspiegel", foi êxito assim que se publicou. Relata a biografia de um herói lendário da Flandres.
"Thyl Ullenspiegel"
A série "Bessy" é claramente inspirada na famosa cadela Lassie do cinema norte-americano e algumas destas narrativas foram publicadas em português no "Cavaleiro Andante".
Prancha de "Bessy"
 "O Prícipe Riri" (Son Altesse Riri)é uma divertidíssima série de "gags" com um jovem e traquina principezinho. Delirante!
"Son Altesse Riri"
"Robert et Bertrand", "Le Chevalier Rouge" e "Safari", são algumas outras séries, das mais fundamentais, criadas pelo incansável Vandersteen.
   
Todavia, a sua verdadeira coroa de glória é a série "Bob et Bobette", triunfal êxito de inesgotável popularidade, que ele desenhou de 1948 a 1959. 
Depois, foram os seus sucessores que lhe deram e mantêm a continuidade (sem o mesmo encanto, confessemos), pelo que a série já tem mais de três centenas de álbuns(!).
Já deu origem a um filme com actores e em Kalmthout (Bélgica) existe o Museu de Bob e Bobette.
O 320.º álbum da série Bob et Bobette,
o mais recente da série.
Nesta popular série, para além dos corajosos miúdos Bob Bobette, englobam-se também outros personagens bem pândegos, como Monsieur Lambique, a tia Sidonie, Prof. Barabas e o atlético Jérôme.
Em 1950, estreou-se em Portugal na revista "Diabrete": era (e é) uma das mais conseguidas narrativas, "Le Fantôme Espagnol", que entre nós se chamou "O Mistério do Quadro Flamengo".
"O Mistério do Quadro Flamengo" (Diabrete, 1950)

Em 1954, o "Mundo de Aventuras" publicou "A Corneta Mágica" (La Trompette Magique) e, mais tarde, o suplemento "Nau Catrineta" (do matutino "Diário de Notícias") publicou "Pepita, a Égua Doirada" (Le Cheval d'Or) e "O Mistério dos Discos Voadores" (Les Martiens Sont-Là).
"A Corneta Mágica" (Mundo de Aventuras, 1954)
Há pouco tempo, as edições Bonecos Rebeldes publicaram finalmente dois álbuns: "O Paraíso dos Cães" e "A Dama de Oiros", que, no entanto, não são dos mais felizes da série. Deveria ter começado por qualquer dos títulos que entre nós se publicaram semanalmente... Mas há outros (inéditos entre nós) com muita força na sua comicidade, como por exemplo: "Le Poignard d'Or", "Le Gladiateur Mystère", "Le Casque Tartare", "Le Tombe Hindoue" ou "La Clef de Bronze"...
Dois reparos ainda: na versão álbum de "Les Martiens Sont-Là", foram eliminadas algumas sequências soltas que figuravam na versão original publicada na revista "Tintin".
Em "Le Cheval d'Or", as cenas "baléticas" de Pepita e o Sr. Lambique terminando com uma maravilhosa e vitoriosa espargata, são um verdadeiro e pândego achado.
"Le Cheval d'Or", o centésimo álbum da série Bob et Bobette
Repetimos: neste 2013, comemora-se o primeiro centenário do nascimento de mestre Willy Vandersteen. Festejemo-lo pois, que bem o merece!




"Le Fântome Espagnol", que em português se chamou "O Mistério do Quadro Flamengo"

Museu de Bob e Bobette, em Kalmthout (Bélgica)

Mural numa rua de Bruxelas que homenageia as personagens de Vandersteen