Mostrar mensagens com a etiqueta José Luis Salinas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Luis Salinas. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 25 de maio de 2015

UMA OBRA... VÁRIOS ESTILOS (2) - AS MINAS DO REI SALOMÃO

Descendente de uma família dinamarquesa, Henry Rider Haggard, nasceu em Inglaterra a 22 de Junho de 1856, onde faleceu a 14 de Maio de 1925.
De 1875 a 1882, viveu na África do Sul, onde exerceu cargos de cariz político. Mas foi sobretudo um notável romancista, de cuja obra se salientam alguns títulos: “She”, “Cleópatra”, “Nada the Lily”, “Ayesha”, “As Aventuras de Allan Quatermain, “A Filha de Montezuma”, “O Anel da Rainha de Sabá”, etc, tendo como “cereja no topo do bolo”, o admirável romance “As Minas do Rei Salomão”, com primeira publicação em 1885.
Esta obra teve (e terá?) várias adaptações, muito bem aldrabadas, diga-se em boa verdade, ao Cinema e à Televisão.
Com correcto rigor, a Banda Desenhada também tem adaptações diversas  deste romance de aventuras. Destas, salientamos as três mais dignas de aplausos.

HENRY C. KIEFER adaptou para a série anglófona “Classics Illustrated“ #97, "As Minas do Rei salomão" (depois publicada em português no Brasil na colecção da EBAL, “Edição Maravilhosa” #85).
"As Minas do Rei Salomão", por Henry C. Kiefer (in "Edição Maravilhosa" #85, EBAL, 1954)

Porém, em beleza gráfica e de melhor fidelidade à obra original, ombro a ombro, registam-se as criações do argentino José Luís Salinas e do português Fernando Bento.
JOSÉ LUIS SALINAS, o mesmo que desenhou “Cisco Kid”, tem uma bela versão em álbum, editada em Espanha em 1982, pela Totem Comics na “Coleccion Grandes Maestros”.
"Las Minas del Rey Salomón", por José Luiz Salinas (Edição "Totem Comics", 1982)

FERNANDO BENTO, numa admirável criação que incompreensivelmente ainda não existe em álbum, publicou no “Diabrete”, do #716 ao #817 (1950-1951), a sua versão com o seu atento e elegante estilo. Um encanto que um bom e honesto bedéfilo não se cansará de reler (ou descobrir)... no “Diabrete”, claro.
"As Minas de Salomão", por Fernando Bento (in "Diabrete" #716 a #817, 1950-51)

Já este post havia sido editado, quando descobrimos mais alguns desenhistas ante este mesmo tema. Um deles foi o espanhol Angel Pardo (1924-1995), que elaborou o #156 da série “Joyas Literarias Juveniles”, sob edição Bruguera.
"Las MInas del Rey Salomón", por Angel Pardo (in "Joyas Literarias Juveniles" #156, Ed. Bruguera)

Uma nota também para os Estúdios Disney que, sem surpresa, também já adaptaram esta obra. Por curiosidade, deixamos aqui apenas duas capas (com pouca resolução, infelizmente) das quais desconhecemos os autores.
Capas de "Tio Patinhas e as Minas do Rei Salomão", por Walt Disney (editora Abril - Brasil)

Por último, descobrimos neste excelente blogue uma versão inédita, desenhada por Frank Bellamy, projectada para a revista Eagle mas que não chegou a ser publicada.
"King Solomon's Mines", por Frank Bellamy (inédito)

Rodapé:
1 - O nosso Eça de Queiroz traduziu tão admiravelmente esta obra, que alguns “tontos” se atreveram a exagerar e a especular que “As Minas do Rei Salomão” era da autoria de Eça e não de Haggard!...
2 - O Cinema e a Televisão, de um modo mais ou menos espalhafatoso, fizeram adaptações em 1937, 1950, 1985 e 2004, para além de uma versão inglesa em Cinema de Animação em 1986.

Registamos o nosso agradecimento pelo apoio prestado por Carlos Gonçalves.
LB

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A BD A PRETO E BRANCO (7) - As escolhas de Luiz Beira (7)


JESÚS BLASCO (1919-1995). 
Espanhol, é o mais famoso dos irmãos Blasco, que se dedicavam à Banda Desenhada. Será o mais internacional de todos. Abordou os mais diversos temas, incluindo o "western", e a série do seu pequeno herói "Cuto", é mais do que simplesmente admirada. Numa narrativa curta, "Jack, o Estripador" mostra bem a beleza do seu traço.
Prancha de "Jack, o Estripador"
 Prancha de "Garra de Aço", que Blasco desenhou magistralmente



JIJË (1914-1980). 
Belga, de nome próprio Joseph Gillain, é um dos fabulosos mestres da Banda Desenhada europeia. 
Do humor ao realismo, foi um guia inspirador e influenciador de tantos outros desenhistas. Participou em séries como "Jean Valhardi", "Barbe Rouge", "Tanguy et Laverdure", "Blondin et Cirage" e/ou, em tomos especiais, como "Baden Powell", "Don Bosco", "Charles de Foucauld" e "Christophe Colombo". 
Mas o ponto mais alto e mais aclamado de toda a sua imensa e marcante carreira assenta na série "Jerry Spring".
Prancha de "Jerry Spring"
Prancha de "Jean Vallardi"




JOSÉ LUÍS SALINAS (1908-1985).
Argentino, com um traço fino, elegante e pormenorizado, é bem conhecido pelo "seu" herói "Cisco Kid", série que tão bem desenhou. Mas há que lembrá-lo também por outras correctíssimas obras suas: "Hernán, el Corsario", "As Minas de Salomão", "Dick, o Goleador", "Os Três Mosqueteiros", "Capitan Tormenta"...


"Cisco Kid", o herói por excelência de Salinas
Primeira prancha de Cisco Kid
Nota: A rubrica "A BD a Preto e Branco" é subdividida entre as escolhas pessoais de Luiz Beira (10 posts e 30 autores) e de Carlos Rico (idem), num total de 60 autores! As duas imagens que ilustram a obra de cada autor foram criteriosamente escolhidas por Luiz Beira e Carlos Rico e por esta ordem serão sempre apresentadas.

domingo, 21 de julho de 2013

HERÓIS INESQUECÍVEIS (15) - CISCO KID

O romancista norte-americano William Sydney Porter (1862-1910), que usou o pseudónimo O. Henry, escreveu, em 1907, a novela "The Caballer's Way", que teve grato sucesso na época. É aqui que aparece o famoso Cisco Kid.
O. Henry (1862-1910)
No entanto, aqui, ele é (ou era) um cruel fora-da-lei, apostado na violência e no crime.
É no Cinema, sobretudo no segundo filme, "In Old Arizona", realizado por Irving Cuimmings e Raoul Walsh, em 1928, que Cisco se vai transformando em herói, assemelhando-se na sua conduta ao lendário Robin dos Bosques.
E, pelo Cinema e pela Televisão, vários foram os actores que (talvez invejavelmente) viveram este sedutor personagem: Warner Baxter (norte-americano), Duncan Ronaldo (romeno), Gilbert Roland (mexicano), Cesar Romero (de origem cubana) até ao mais recente, em 1994, Jimmy Smits ( filho de mãe do Porto Rico e de pai do Suriname). Também a Rádío, em 1942, transmitiu um folhetim radiofónico com Cisco Kid.
É, porém, a Banda Desenhada que dá toda a notabilidade e popularidade a Cisco Kidjusticeiro e namoradeiro por excelência (toda a donzela se apaixona por ele), sempre apoiado pelo gorduchão e divertido Pancho e pelo tão fiel e inteligente cavalo Diabo.
Alberto Giolitti (1923-1993)
As primeiras abordagens deste herói da 9.ª Arte surgem nos primeiros tempos do anos 40, pelos grafismos "titubeantes" de John Giunta e de Bob Jenney. E ainda, muito mais marcante, pelo italiano Alberto Giolitti, que viveu vários anos na Argentina e que, mais tarde, também desenhou o "western" Tex.
Cisco Kid em "La Venganza de Cass Rankin", com desenho de Alberto Giolitti
(história publicada na revista mexicana "Domingos Alegres", n.º 296, de 29.11.1959)

O grande "boom" acontece, porém, em 1951!... A famosa organização-editora estado-unidense King Features Syndicate quis então criar uma série que rivalizasse com a de Zorro, que pertencia a uma organizadora-editora concorrente.
Reed e Salinas
Optando pelo já conhecido Cisco Kid, escolhe e contrata para a devida elaboração o argumentista Rod Reed e o brioso desenhista argentino José Luis Salinas (1908-1885).
Esta encantadora série-BD, na linha "western", durou de 15 de Janeiro de 1951 a 5 de Agosto de 1968.
A Arte esplendorosa de José Luis Salinas... a preto e branco.

Em Portugal, Cisco Kid conheceu, até hoje, apenas dois álbuns(?!), sob edição da extinta Edições Futura. No entanto, estreou-se a 12 de Abril de 1951, no n.º 81 do "Mundo de Aventuras".

Cisco Kid na Colecção "Antologia da BD Clássica", editada pela Futura,
nos anos 80, com desenhos de capa de Augusto Trigo e José Luis Salinas.

É também - necessário e pertinente registo... - nos anos 50 que a série começa a ser publicada semanalmente no suplemento "Notícias Infantil" (do matutino "Notícias" de Lourenço Marques - Moçambique), nas edições às quintas-feiras (a par da publicação de "Mundos Gémeos"). Na edição aos domingos, entre outros, publicavam-se, por exemplo, as séries Príncipe Valente, Tarzan, Capitão Águia, Flash Gordon... e, até, o Pato Donald!
Mas, entretanto, por este nosso Portugal, foi sendo editado, avulsamente e, por exemplo, nas revistas "Condor Mensal", "Colecção  Audácia", "Tigre", "Heróis Inesquecíveis" e "Jornal do Cuto".
Cisco Kid na "Colecção Audácia"

 
   

É lastimável que, em Portugal, este tão cativante herói-BD (como outros) não tenha sido editado com a devida atenção e o devido cuidado e respeito editorial, cronológico e integral, para se poder acompanhar de um modo menos desnorteado, o elegante e impecável grafismo de José Luis Salinas. Sobretudo no seu perfeito e deslumbrante traço na beleza do grafismo a preto-e.-branco. Não dêem cores a "Cisco" nem à impecável Arte de Salinas!
Viva Cisco Kid e... as suas garotas! E viva, José Luis Salinas!
Cartaz do filme "The Return of the Cisco Kid" (1939)

"The Cisco Kid and the Lady", filme realizado em 1939, com Cesar Romero no papel principal

Episódio radiofónico n.º 49 de Cisco Kid: "Pancho and the Parrot" (06.01.1953)