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sábado, 27 de outubro de 2012

NOVIDADES EDITORIAIS (18)

CINZAS DA REVOLTA - E de repente, uma bela e firme surpresa honrando a BD portuguesa: "Cinzas da Revolta". Com edição Asa, teve apresentação oficial a 19 de Outubro, na Livraria Leya na Rua Duque de Palmela (Lisboa). Nesse espaço, uma bela e elucidativa exposição de pranchas e das evoluções da construção desta obra,estava também patente ao público.
O álbum tem arte de João Amaral, que aqui se refugia no pseudónimo de Jhion. O João é um quase veterano pleno de valor e construiu uma belíssima obra com o seu novo grafismo que, ele próprio afirmou, está em fase de mudança de estilo.
A grande e bela surpresa porém, está no argumento de Miguel Peres, um jovem de vinte e cinco anos. Humilde, mas adultamente sabedor do que escreve, propõe-nos, de certo modo indignado, o avaliar do negativismo das guerras...
Não vamos explicar o álbum. Leiam-no, leiam-no!


ORDO AB CHAO -  "O que é que me aconteceu? Onde estou eu? Não há resposta... Como me chamo? Não me recordo! As trevas! O vazio! Uma vertigem infinita! Por Zeus! Quem sou eu?! " - assim começa "Ordo Ab Chao", primeiro tomo da série da Lombard, "Minas Taurus".
Localizada na antiguidade helénica, algures nos territórios da belicosa Esparta, as perguntas do jovem atlético são bem inquietantes e enigmáticas. A obra tem argumento de Thomas Mosdi e arte gráfica do luso-descendente David
Cerqueira, do qual já conhecíamos a trilogia "L'Ombre de l'Échafaud". Notamos agora um traço mais evoluído e mais solto.
"Minas Taurus" é uma série que promete agradar em pleno. Estejamos atentos.


A DOCE - O belga François Schuiten volta ao seu belíssimo grafismo e preto-e-branco, em edição lusa pela Asa.
"12 - A Doce" relata emotivamente a luta resistente de um velho maquinista para conservar e fazer sobreviver o seu grande (e talvez único) amor de tantos anos, uma potente locomotiva a carvão e vapor. É que o progresso, com a electricidade, avança impiedosamente... Numas primeira abordagem, o maquinista Léon Van Bellembra-nos o famoso Velho do Restelo de "Os Lusíadas", mas é só uma primeira e superficial abordagem...
Um álbum pleno de vigor, pleno de emoções e a merecer plenos aplausos.


KALACHNIKOV  DIPLOMATIE - Com edição Lombard, história de Benec (aliás, Benoît Chaumont), traço de Thomas Legrain e cores de Filippo Rizzu, "Kalachnikov Diplomatie" é o quinto tomo da série político-policial "Sisco".
Agente sombra nas altas esferas do governo francês, Sisco fará agora parte da segurança do presidente francês que, em Nova Iorque, irá fazer um discurso na ONU... Porém, tudo se complica e se torna violentamente agressivo porque a máfia albanesa anda a mexer uns sinistros cordelinhos. E mais se agrava a situação quando a irmã de Sisco é assassinada...

ERNESTO - A revelação da actual banda desenhada argentina é agora mostrada à Europa, via a edição da francófona Casterman, com "Ernesto", primeiro tomo da série "Eden Hotel".
Assim, o argumentista Diego Agrinbau e o desenhista Gabriel Ippóliti, apresentam uma bela série baseada em autênticos factos históricos, marcando a juventude de Ernesto Guevara (filho), antes de ser conhecido por "Che".
Os alemães hitlerianos conspiram sinistramente na Argentina, fazendo do famoso  Eden Hotel,o respectivo bastião, um coio onde se conjuram pesadelos. Os Ernesto Guevara, pai e filho, são membros da Acção Argentina, organização de investigação e vigilância sobre as actividades militares nazis no seu país. É aqui que tudo começa, com Helena Werber em confidências com o futuro "Che" e sempre assediada por Raynard, um jovem nazi protegido pelo abominável Goebbels.
Uma série a não perder!

sábado, 20 de outubro de 2012

ENTREVISTAS (4) - JOÃO AMARAL E MIGUEL PERES

João Amaral (Jhion) e Miguel Peres
São de gerações diferentes, combinaram, acertaram, fizeram parceria e daí, resultou um belo e bem aconselhável álbum, "Cinzas da Revolta", do qual falaremos em breve de um modo mais específico.
O desenhista é o João Amaral, que agora prefere ser designado por Jhion (?!...). Nasceu em Lisboa a 14 de Novembro de 1966. Tem quatro álbuns publicados, para além de ter participado no colectivo dedicado a Vasco Granja.
O argumentista é Miguel Peres, que nasceu em Setúbal a 17 de Janeiro de 1987. Tem feito argumentos para histórias curtas, mas agora arrojou-se (e bem !) para uma "longa-metragem".
Claro que este facto justificou a entrevista que se segue, ocasionada numa esplanada e num encalorado sábado, num largo bem histórico de Lisboa. 
E o "Jhion" que nos perdoe, mas indicamos as suas respostas com as iniciais da sua "assinatura" mais conhecida...

BDBD - Como surgiu a ideia de trabalharem juntos?
Miguel Peres (MP) - Inicialmente, tinha uma ideia para uma história de ficção científica e andava à procura de desenhistas portugueses... Deparei com os desenhos do João no seu blog... Desafiei-o, mas o João estava com outros trabalhos e a coisa não deu. Mas ficámos sempre em contacto.
João Amaral (JA) - E foi a minha vez de abordar mais directamente o Miguel, que me disse então que tinha uma nova ideia para um enredo que se passava na guerra colonial em Angola... Sendo eu um desenhador que gosta muito de grandes cenários e que há muito pouca coisa na nossa BD sobre a guerra colonial, manifestei-lhe logo o meu entusiasmo.
BDBD - Portanto, o tema de "Cinzas da Revolta", é a guerra colonial em Angola?
MP - Exactamente.
JA - Mas, atenção, é uma história de ficção.
MP - O contexto histórico é real, mas a história em si, é ficção.
JA - Acho que o álbum, fundamentalmente, foca a estupidez que é a guerra. E poderia passar-se em qualquer guerra. Mas focámos a nossa guerra colonial em Angola, porque é muito recente e é uma ferida que nos toca muito, aos portugueses.
MP - A ideia inicial que eu queria explorar era focar como é que alguém funciona quando passa a pensar segundo as teorias do inimigo ou do adversário... Acabou por resultar mais na denúncia da estupidez da guerra, de qualquer guerra.
BDBD - E depois desta primeira experiência, vão continuar com a vossa parceria?
JA - Gostei muito de trabalhar com o Miguel. Mas para já, tenho outros projectos para avançar e, no futuro, espero voltar a trabalhar com o Miguel, talvez mesmo, arriscando-me pela ficção científica, que não é muito o meu género.
MP - Também gostei muito de trabalhar com o João, que é extremamente profissional. Foi óptimo para eu aprender...
JA - E eu aprender também. Aliás, entre guionista e desenhista, deve haver sempre uma química de apoio e de cumplicidade.

"Cinzas da Revolta" teve apresentação pública ontem, dia 19, na Livraria Leya na Buchholz, em Lisboa. Falaremos dele muito em breve.


Prancha 2 


Prancha 17


Prancha 26