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domingo, 10 de setembro de 2017

D. AFONSO HENRIQUES NA BD - A REPORTAGEM FOTOGRÁFICA

Conforme já tínhamos noticiado, em tempo útil, aqui no nosso blogue, inaugurou no passado dia 27 de Agosto, no Pavilhão Multiusos da Feira de São Mateus, uma exposição intitulada "Dom Afonso Henriques na Banda Desenhada".
Trata-se de uma organização do Gicav - Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu, com o apoio da Câmara Municipal daquela cidade, da Viseu Marca e do IPDJ - Instituto Português do Desporto e Juventude, que vem na senda de um conjunto de exposições que, anualmente, o Gicav tem vindo a promover, e com assinalável êxito.
Estivemos lá, aquando da inauguração, e fizemos a reportagem fotográfica que agora vos mostramos.
Antes da inauguração da exposição no Pavilhão Multiusos, teve lugar, mesmo ali ao lado, num pequeno mas acolhedor auditório, o lançamento oficial do álbum "D. Afonso Henriques - A Balada da Conquista de Lisboa", narrativa extraída da obra "O Caminho do Oriente", com texto de Raul Correia e desenhos de ETCoelho. Desse álbum falaremos em breve, na rubrica "Novidades Editoriais".
A sessão teve início com um curto mas muito interessante vídeo, onde o público visionou imagens virtuais da nova Arena de Viseu, um espaço magnífico, completamente apetrechado para receber eventos culturais e desportivos, que muito em breve tomará o lugar do Pavilhão Multiusos (crê-se que dentro de um ano a obra esteja concluída!).
A sessão de lançamento teve a participação do Director Executivo da Viseu Marca, Dr. Jorge Sobrado, da Presidente do Gicav, Drª. Filipa Mendes, e de Carlos Almeida, o homem do Gicav responsável pela área da BD.
A Dr.ª Filipa Mendes, Presidente do Gicav, no uso da palavra.

Carlos Almeida, do Gicav, comissário da exposição "Dom Afonso Henriques na Banda Desenhada", dirigindo algumas palavras de agradecimento a todos quantos contribuíram para este projecto.

A lotação do pequeno auditório esgotou, mas as condições de iluminação (muita luz no palco e muita escuridão
na plateia) não nos permitiram tirar fotos em melhores condições. Resta a intenção...
Capa do álbum "D. Afonso Henriques - A Balada da Conquista de Lisboa",
de Raul Correia e ETCoelho, edição do Gicav
Após o lançamento do álbum, seguiu-se a inauguração oficial da exposição, um conjunto de vinte painéis em grande formato, com exemplos de praticamente todas as BD's onde a figura do nosso primeiro Rei tem protagonismo. 
Ao centro, Luís Filipe Mendes, do Gicav, o autor Santos Costa (que está tapado) e o Dr. Jorge Sobrado,
da Viseu Marca, conversam, interessados, sobre um dos trabalhos incluído nesta exposição. 

Outra perspectiva da exposição. Em primeiro plano, o trabalho de Santos Costa: "D. Egas Moniz, o Aio".

Baptista Mendes, nome incontornável na banda desenhada portuguesa, observando pranchas de
José Antunes, outro dos "grandes" da nossa BD, infelizmente já desaparecido.
Em primeiro plano, pranchas de "A Balada da Conquista de Lisboa", de ETCoelho.

Lança Guerreiro, Baptista Mendes e Carlos Gonçalves (do Clube Português de Banda Desenhada)
apreciando um dos painéis da exposição.

O autor Santos Costa também esteve presente e fotografou detalhadamente todos os painéis,
para mais tarde recordar. 
Luiz Beira falando para a TV da Feira de São Mateus.

Da esquerda para a direita: Luís Fernandes (da Universidade Católica de Viseu), Jorge Sobrado (da Viseu Marca), Filipa Mendes (meio tapada, do Gicav) e Luís Filipe Mendes (também do Gicav), observando uma das vitrinas com álbuns e revistas (alguns deles, autênticas peças de colecção), versando a temática desta exposição.
Pormenor de uma das vitrinas, com álbuns de José Ruy, Vítor Péon e Filipe Abranches
Outra vitrina, esta com uma peça verdadeiramente rara: a caderneta de cromos "História de Portugal",
com desenhos de Carlos Alberto Santos.
Numa outra ala, a secção de cartunes desenhados, na sua maioria, propositadamente para esta exposição. 
Os cartunes e as ilustrações irão, em breve, ser impressos num calendário de mesa,
que será enviado pelo Gicav, como forma de agradecimento, a todos quantos colaboraram nesta iniciativa.
Outra perspectiva da zona de cartunes e ilustrações.
Trabalhos de Augusto Trigo e Miguel Rebelo...
...Artur Correia e Baptista Mendes...
 ...José Ruy e Lança Guerreiro (que, curiosamente,
desenhou um guerreiro com uma lança...).
Caricaturas de Miguel Salazar servindo - quem sabe? - para tema de conversa
entre José Pires (regressado, finalmente, a estes encontros BD!) e Carlos Almeida.

Após o terminus da sessão, houve oportunidade para tomar uma bebida fresca numa esplanada, ainda dentro do recinto da Feira, e pôr a conversa em dia.
Geraldes Lino (de branco) mostrou-nos o novo fanzine do Clube Português de Banda Desenhada
("CPBDzine"), que coordena.
Luis Beira (de camisa quadriculada, à direita) regressou a Viseu depois de, em Janeiro último,
ter sido alvo de uma homenagem pública na Biblioteca da cidade de Viriato.

Geraldes Lino, Luiz Beira, Dani Almeida (autor do cartaz), Carlos Rico, Luís Filipe Mendes e Lança Guerreiro. 

Depois de duas horas de amena cavaqueira, rumámos a um restaurante da feira, onde a conversa continuou, naturalmente, ainda mais animada.
Carlos Almeida, Luís Filipe Mendes, Lança Guerreiro e Geraldes Lino pediram frango assado com batatas fritas

Carlos Gonçalves e esposa também alinharam no frango assado

Baptista Mendes e José Pires optaram pela caldeirada de enguias

Para terminar a noite, assistimos a uma parte (porque já era tarde e o cansaço apertava) do espectáculo dado pelo grupo viseense "Tocar o Chão", que não conhecíamos mas que foi uma agradabilíssima surpresa. 
O palco onde os "Tocar o Chão" nos maravilharam com a sua música
Geraldes Lino, Carlos Almeida, José Pires, Baptista Mendes, Luiz Beira e Lança Guerreiro assistindo ao concerto.

Depois, foi hora de rumar ao Hotel para descansar e retemperar forças antes do regresso a casa, no dia seguinte.
Para os mais interessados, deixamos a lista de autores participantes na exposição “Dom Afonso Henriques na BD” (que encerra portas no próximo fim de semana, a 17 de Setembro):

Baptista Mendes
Raul Correia / Eduardo Teixeira Coelho
Pedro Carvalho / Eugénio Silva
Oliveira Marques / Filipe Abranches
Pedro Castro
Jorge Miguel
Agostinho Macedo / José Antunes
A. do Carmo Reis / José garcês
José Projecto
Luís Vaz de Camões / José Ruy
Baptista Mendes
Santos Costa
Vítor Péon
António Manuel Couto Viana / Fernando Bento
Pedro Massano
Eugénio Silva
Carlos Alberto Santos
Manuel Pinheiro Chagas / Artur Correia
Carlos Rico

Quanto aos autores que desenharam D. Afonso Henriques para a exposição de ilustração e cartune foram:

José Ruy
José Garcês 
João Amaral
Artur Correia
Lança Guerreiro
Ricardo Ferreira
Augusto Trigo
Rafael Sales
Pedro Emanuel
Ana Verónica
Agostinho Pereira
Carlos Almeida
Daniel Almeida
Carlos Rico
Miguel Rebelo
Eugénio Silva
Alfredo Esteves
Miguel Salazar

Finalizamos com o necessário e justo agradecimento à Joana Mendes, ao Santos Costa e ao Carlos Almeida que nos cederam algumas fotos desta reportagem, e um agradecimento muito especial ao Gicav, na pessoa de Luís Filipe Mendes e de Carlos Almeida, pela excelente (mais uma vez) organização e pelo carinho com que nos receberam.
Bem-hajam!
CR

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (14) - D. AFONSO HENRIQUES

D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal
A verdade e as lendas sobre a vida e a obra do nosso primeiro rei e fundador da Pátria, confundem-se...
Dom Afonso I, mais conhecido como Dom Afonso Henriques (porque filho de Henrique, o conde vindo da Borgonha), ganhou para a História o cognome de “O Conquistador”. Mas, muitas vezes, é mesmo a lenda que se sobrepõe e queima a verdade histórica nas mentes fáceis e pouco pensantes do nosso Bom Povo...
Não há data absolutamente certa do ano em que nasceu, mas a mais “garantida”, é apontada para o ano de 1109.
E onde nasceu? Os historiadores dividem-se entre Guimarães, Viseu ou Coimbra. Com certeza, é porém nesta cidade, na Igreja de Santa Cruz, que está o seu corpo num túmulo com uma estátua jacente.
Nas abomináveis lendas, estão as de que era filho de Egas Moniz e não de D. Henrique e Dona Tareja; a de que ele “bateu na mãe”, quando esta foi apenas aprisionada e depois exilada; e a da visão-milagre antes da Batalha de Ourique (ainda hoje não se sabe onde era esta Ourique...).
Mas o nosso povo (e no interesse de alguns políticos), tão doentiamente apaixonado por folhetins e telenovelas, acredita puerilmente nestas convenientes patranhas, como acredita no “Milagre das Rosas”, nas “Aparições em Fátima”, no “Pai Natal”...
Atendendo a este “romantismo”, afirma-se porém (é verdade!) que “O Conquistador” foi pai de seis filhos legítimos (com sua esposa D. Mafalda, às vezes chamada de Matilde) e mais cinco, ditos bastardos.
D. Afonso Henriques foi de uma invejável coragem combativa pela fundação do Reino e da Pátria, sempre impondo os seus ideais contra Leão-Castela, contra os Sarracenos e até, contra o prepotente Papado (exemplo: o conto “O Bispo Negro” de Alexandre Herculano). E venceu!
Muito se tem escrito sobre o nosso primeiro monarca, donde, por exemplo: Luiz Vaz de Camões (“Os Lusíadas”), Frei António Brandão (“Crónica de D. Afonso Henriques”) e Alexandre Herculano (“História de Portugal”). Mas outros mais autores o fizeram, com realismo e/ou fantasia: José Mattoso, Mário Domingues, Diogo Freitas do Amaral, Cristina Torrão, etc. José Carlos Oliveira escreveu um argumento para Cinema, “D. Afonso Henriques, o Primeiro Herói”, que jamais foi realizado na nossa 7.ª Arte, pois, ao contrário de outros países, evitamos no  Cinema
os nossos verdadeiros heróis e apostamos mais noutros ídolos de ocasião...
Por sua vez, Helder Costa, escreveu para o Teatro, “Afonso Henriques”, que foi levada à cena há algum tempo, pela Companhia “A Barraca”. Frisa-se bem, também aqui, as palavras finais do Conde D. Henrique, então moribundo,
ao seu herdeiro: “Desta terra que te deixo, não percas dela um palmo sequer, pois eu a ganhei com fadiga e trabalho”.
Em “Príncipes de Portugal, Suas Grandezas e Misérias”, Aquilino Ribeiro dedica um capítulo ao nosso primeiro rei... Para ler e rir e depois esquecer, pois devemos estar sempre bem conscientes que Aquilino, se escreveu bem e disso usou o seu sarcasmo, foi também muito venenoso por um estranho rancor pessoal e que até fez parte da conjura que efectivou o repulsivo Regicídio... É bom ter esta verdade em mente!
Afonso Henriques também está representado na Escultura, na Pintura, na Numismática, na Azulejaria, na Filatelia e, logicamente, na nossa Banda Desenhada.
Dos criadores desta nobre Arte (e afins), salientam-se os seguintes casos:

Eduardo Teixeira Coelho e Raul Correia inseriram uma narrativa curta - "A Balada da Conquista de Lisboa" - na grande epopeia "O Caminho do Oriente", banda desenhada de grande fôlego publicada na revista "O Mosquito", mais tarde reeditada a preto e branco pelas Edições Futura (1983). "A Balada da Conquista de Lisboa" foi também publicada a cores pelas Edições Época de Ouro (1996) e pelo Gicav (2017), num álbum lançado em Viseu há poucos dias e do qual falaremos em breve com mais detalhe...
"A Balada da Conquista de Lisboa", por Raul Correia (texto) e Eduardo Teixeira Coelho (desenhos),
in "O Mosquito" #749 (1946) a # 941 (1948)

Vitor Péon publicou primeiro, no "Mundo de Aventuras", "A Palavra de Egas Moniz"...
"A Palavra de Egas Moniz", por Vítor Péon, in "Mundo de Aventuras" #177 a #196 (1953)

...e, três décadas mais tarde, um belo (e raro) álbum: "Gesta Heróica".
"Gesta Heróica - Factos e Aventuras da História de Portugal",
por Vítor Péon (texto e desenhos), Editorial O Livro (1983)

José Baptista realizou, em seis pranchas, para a Colecção Audácia, "A Conquista de Santarém"...
"A Conquista de Santarém", por José Baptista (texto e desenhos),
in "Colecção Audácia" (5.º vol.) #6 a #11 (1957)

José Ruy, por três vezes trabalhou esta temática. Primeiro na notável adaptação da obra-prima de Camões, "Os Lusíadas"...
"Os Lusíadas" - volume 1, por José Ruy (adaptação e desenhos), Editorial de Notícias (1983)

Depois no álbum "Mirandês - História de uma Língua e de um Povo", com coordenação científica de Amadeu Ferreira...
 
"Mirandês - História de uma Língua e de um Povo", por José Ruy (texto e desenhos), Âncora Editora (2008)

...e finalmente nas "Histórias de Valdevez".
"História de Valdevez", por José Ruy (texto e desenhos), Âncora Editora (2016)

José Garcês e A. do Carmo Reis, na "História de Portugal em BD", não poderiam, logicamente, deixar de falar na figura do nosso primeiro rei...
"A Pátria Lusitana" (1.º volume da "História de Portugal em BD"),
por A. do Carmo Reis (texto) e José Garcês (desenhos), Ed. Asa (2003)

...assim como Artur Correia e Manuel Pinheiro Chagas.
"História Alegre de Portugal" (1.º volume),
por Manuel Pinheiro Chagas (texto) e Artur Correia (desenhos), Bertrand Editora (2008)

Seguimos com José Antunes, que desenhou "Ibne Arrink" com argumento de Agostinho Macedo...
"Ibne Arrink, o Conquistador", por Agostinho Macedo (texto) e José Antunes (desenhos),
in "Camarada" (2.ª série) #25 (1962) 

...ou desenhou "Egas Moniz", com argumento próprio...
"Egas Moniz", por José Antunes (texto e desenhos),
in "Camarada" (2.ª série) #21 (1963)

Santos Costa...
"Dom Egas Moniz, o Aio", por Santos Costa (texto e desenhos), Ed. CM Lamego (2003)

Pedro Massano...
"A Conquista de Lisboa" (2 volumes), por Pedro Massano (texto e desenhos),
Ed. Montepio Geral (1.º vol.) e Book Tree (2.º vol.)

Baptista Mendes, numa curta de duas pranchas, a preto e branco...
"A Tomada de Lisboa", por Baptista Mendes, in "Mundo de Aventuras" #91 (1975)

...e num trabalho inédito ("Guimarães"), à espera de ser publicado há alguns anos...
"Guimarães", por Baptista Mendes (inédito, 2012)

Eugénio Silva e Pedro Carvalho...
"Egas Moniz", por Pedro Carvalho (texto) e Eugénio Silva (desenhos),
in "Lições de História Pátria" - Porto Editora (1967)

"O Castelo de Guimarães", por Pedro Carvalho (texto) e Eugénio Silva (desenhos),
in "Lições de História Pátria" - Porto Editora (1967)

Eugénio Silva realizou também, num estilo humorístico, uma prancha onde parodia o hipotético nascimento de Afonso Henriques em Viseu, como alguns historiadores defendem...
"No Tempo dos Afonsinhos", por Eugénio Silva (texto e desenhos), inédito

José Projecto...
"Giraldo, o Sem-Pavor", por José Projecto (argumento e desenhos). Jorge Magalhães (legendas) e
Catherine Labey (na legendagem, composição da capa e paginação) também colaboraram.
Edições Futura (1986)

Jorge Miguel, num trabalho ainda inédito...
D. Afonso Henriques num trabalho de Jorge Miguel que se mantém inédito, por enquanto. 

Pedro Castro...
"Afonso Henriques", por Pedro Castro (texto e desenhos), Colecção "Herói" #2

Filipe Abranches e Oliveira Marques...
"História de Lisboa" (1.º Volume, Séc. I a 1580), por
Oliveira Marques (texto) e Filipe Abranches (desenho), Ed. Assírio e Alvim / CM Lisboa (1998)

...e Carlos Rico, que faz alusão a D. Afonso Henriques, em duas pranchas do seu álbum "A Moura Salúquia"...
"A Moura Salúquia", por Carlos Rico (texto e desenhos), Ed. CM Moura (1995)

Notas finais para António Manuel Couto Viana e Fernando Bento...
"A Minha Primeira História de Portugal", por António Manuel Couto Viana (texto)
e Fernando Bento (desenhos), Edições Verbo (1984)

...e para M. Gustavo (ou seja, Carlos Alberto Santos).
Ilustrações de M. Gustavo (pseudónimo de Carlos Alberto Santos), in "Jornal do Cuto"

Após Viriato e D. Afonso I, são raros os dirigentes máximos de Portugal que se podem exemplarmente registar. Honre-mo-los pois e sempre!

Nosso sincero agradecimento aos apoios que nos foram prestados por José Ruy, Carlos Gonçalves, Luís Valadas, Jorge Miguel, João Manuel Mimoso, Baptista Mendes, Eugénio Silva e Santos Costa.
LB/CR