Hoje e agora, atrevo-me a um certo “libelo acusatório”, dado que sou frontal por hábito e feitio. E, neste caso, afronto as nossas editoras-BD, apesar de tudo com a minha sincera amizade e gratidão.
Já dizia um certo filósofo da Antiguidade, “se queres um amigo, bate-lhe”...
Pois há por aí (em Portugal) uma data de valorosos álbuns da nossa 9.ª Arte, que estão “encalhados”, “pendurados”, “engavetados” ou o que lhes quiserem chamar.
É um desrespeito total aos nossos tão dignos desenhistas e ante os infindáveis leitores bedéfilos que temos!
De um modo solto (mas não rigoroso), aponto alguns exemplos, referindo-me apenas a alguns exemplos veteranos:
Mestre ARTUR CORREIA, tem várias obras inéditas, donde e ao acaso, cito: “A Nau Catrineta”. Uma relíquia que se está a perder... Que mágoa!
EUGÉNIO SILVA, tão meticuloso e notável desenhista, não vê forma do seu tão esperado “Zé do Telhado” sair publicado!... Que estranho!...
De BAPTISTA MENDES, bizarramente, emperraram as anunciadas obras, “A História de Guimarães” e “Camões”! Sem comentários!...
De ARLINDO FAGUNDES, a tão esperada terceira aventura do famoso Pitanga, “O Colega de Sevilha”, não há forma de ver a luz do dia!... Um “esquecimento” infeliz!
JOSÉ ABRANTES, tem várias obras completas e inéditas, mas dele pouco se ouve falar!...
O imparável JOSÉ RUY, tem obras concluídas, que bem aguardamos ver editadas... tal como as de SANTOS COSTA.
AUGUSTO TRIGO e CATHERINE LABEY... Como é?
E PEDRO MASSANO, andará também um tanto desiludido?...
E o RICARDO NETO, lembram-se dele?....
E chego a JOSÉ PIRES: tem seis álbuns inéditos, dos quais destacamos “A Portuguesa - História de um Hino”...
...e “A Morte do Lidador” (esta, publicada na revista belga “Tintin” em 1992).
Tem já um álbum publicado no Brasil: “Gil Eanes, o Herói de Lagos”. Mas há mais: no idioma fancófono, em 1991, foi publicado, pela Lombard, “Les Templiers, le Sang et la Gloire”; em 2009, com edição Orphie, foi publicado o álbum “Alexandre Dumas, le Diable Noir”. Estes dois últimos, estranhamente, jamais entusiasmaram (!!!) as editoras portuguesas. Ele há coisas!...
Grandes e apreciáveis editoras nossas (Asa, Gradiva, Âncora, grupo Babel, Bertrand, Porto Editora, Plátano... e talvez mais nenhuma), têm assobiado para o lado, ante este pertinente e justo assunto, bastas vezes com desculpas devidas e de modo algum convincentes... Diríamos, “esfarrapadas”. Da vero?
Todavia, há as heróicas editoras, ditas “menores”, que se esforçam nesta tão aplaudível lide. Sem desprimor por outras, destaco o valoroso trabalho da Polvo (coordenada por Rui Brito) e da Escorpião Azul (coordenada por Jorge Deodato).
Contra ventos e marés, não entram em estranhas jogadas e desafiam, corajosamente, as prováveis adversidades...
Mais: é notável, pois apostam sobretudo (mas não só) na BD Portuguesa! Bravo e bravo!... Os respectivos álbuns são publicados e é fácil vê-los nos escaparates, com procura e venda, mormente nas livrarias da Fnac.
De resto, ò grandes editoras nossas, é muito fácil contornar as sempre vossas lamurientas e apontadas “dificuldades”, desde que tenham a devida sensibilidade cultural, ou não?!... Depois, caríssimos e “scroogeanos” editores, quem não arrisca, não petisca!...
Para vós todos, editores-BD da nossa Pátria e pela nossa Cultura, Feliz 2018!
Dixit!
LB