Mostrar mensagens com a etiqueta René Goscinny. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta René Goscinny. Mostrar todas as mensagens

domingo, 21 de março de 2021

HERÓIS INESQUECÍVEIS (74) - ASTÉRIX, OBÉLIX e... Companhia

O pequeno e valentão gaulês (mais a tribo a que pertence), Astérix, não se verga nem se deixa vergar. Pela histórica Gália - hoje França -, ele e os seus companheiros tornaram-se notáveis através de um outro império, via BD e o Cinema.
No expansionismo guloso do Império Romano, no norte da Gália existia uma irredutível aldeia. Aqui, um mundo de heróis invencíveis deram água pela barba aos ávidos romanos.
​Pela parceria do argumentista René Goscinny (1926-1977) e arte de Albert Uderzo (1927-2020), a 29 de Outubro de 1959 nasceu a impagável e imparável série humorística "Astérix", onde este herói mais o seu inseparável e anafado amigo Obélix (e o seu terno cachorrinho Idéfix) nos deixam plenos de riso pelas quase inconcebíveis paródias.
René Goscinny e Albert Uderzo

Primeiro álbum e primeira prancha de "Astérix"
Capa de "Astérix Legionário" (Ed. Dargaud, 1967)
Prancha de "Astérix Legionário"

Capa de "Astérix na Hispânia" (Ed. Hachette, 2000)
Prancha de "Astérix na Hispânia"

A série foi-se afrouxando após o passamento de Goscinny, pois Uderzo não tinha o devido estofo criativo para os enredos. Mas depois arrebitou com os continuadores...
Capa de "A Odisseia de Astérix", uma das aventuras do pequeno gaulês
onde Uderzo foi o autor de texto e desenhos.
Prancha de "A Odisseia de Astérix". De notar a caricatura de
Sean "James Bond" Connery...
Capa de "Astérix entre os Pictos", com texto de Jean-Yves Ferri e desenhos
de Didier Conrad (que mimetizou praticamente na perfeição a arte de Uderzo)
Prancha de "Astérix entre os Pictos"

Com crítica sócio-política muito capaz, personagens "terríveis" desfilam por esta série dos quais notificamos uns meros exemplos: Paronamix (​o druída), Júlio César (o senhor do Império Romano), Cleópatra (a rainha do Egipto), Abraracourcix (o chefe da aldeia), Assurancetourix (o sempre amado e sacrificado bardo), Falbala (a bela e boazona, apaixonada por Tragicomix), Decanonix (o enérgico quase centenário), Bonemine (a "primeira dama" da aldeia), Cétautomatix (o ferreiro), Ordralfabetix (o peixeiro) e tantos e tantos outros. Não se esquecem os infelizes piratas que são afundados sempre que esbarram com os gauleses.
Astérix e os seus companheiros de aventuras gauleses
Decanonix, Idéfix, Falbala, Panoramix, Ordralfabetix, Cétautomatix e Assurancetourix, alguns dos impagáveis personagens desta maravilhosa série

As narrativas de Astérix e seus parceiros têm sido editadas por uma boa dose de países, com Portugal incluído. 

Para além de ser editado em álbum, Astérix foi publicado
em revistas portuguesas como "Tintin" e "Jornal da BD"
Edições italiana e espanhola

Edições austríaca e inglesa
Edições chinesa e russa

E também chegaram ao Cinema e ao Cinema de Animação, onde não damos os totais aplausos...
Pelo Cinema de Animação (erradamente dito Desenhos Animados), existirão, não estou certo, cinco filmes: "Astérix, o Gaulês" (1967), "Astérix na Bretanha " (1986), "Astérix et le Camp du Ménhir" (1989), "Astérix in America" (1994) e "O Segredo da Poção Mágica" (2018).
"Astérix, o gaulês", filme de animação produzido em 1967

No Cinema com actores de carne e osso, constam quatro longas metragens, todas com o actor francês (hoje cidadão russo) Gérad Depardieu como um certíssimo Obelix: "Astérix e Obelix Contra César" (1999), "Missão Cleópatra" (2002), "Astérix nos Jogos Olímpicos" (2008) e "Ao Serviço de Sua Magestade" (2012). Por aqui, saliento a participação do actor Alain Delon como "Júlio César", no segundo filme mencionado, e o fiasco em "Ao Serviço de Sua Magestade" com um tão mau uso da grande actriz Catherine Deneuve...
À esquerda: Alain Delon como "Júlio César" no filme "Astérix nos Jogos Olímpicos".
À direita: Gerard Depardieu, o excelente e eterno Obélix

Heróis desta série também se registaram na Filatelia.

Em 2020, em Paris, foi inaugurada uma estátua em homenagem a René Goscinny. Esta escultura é, na verdade, uma réplica exacta de uma obra produzida para a entrada do Colégio Regional René Goscinny, em Drap (Nice).
Estátuas de Goscinny em Drap e Paris, respectivamente.
​Consta que, lá para Outubro do decorrente 2021, vai aparecer mais um álbum desta série. Venha ele!
​LB

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

NOVIDADES EDITORIAIS (105)

LUDIVINE - Edição Glénat. Autores: argumento de Erroc e Rodrigue, e arte gráfica de Dany.
O que se pode esperar desta tribo de autores, sempre pronta para a paródia? O resultado é uma  sucessão de gargalhadas.
Ludivine é o que se pode definir em vocábulo corrente, uma sedutora boazona.
Oh, se é!... Com o apoio do seu amigo (e secretamente apaixonado por ela) Jean-Baptiste, ela tenta desenvolver uma tese sobre a influência do sexo através da História. Um arrojo divertido e maroto que, por misteriosa partida do computador, a arrebata e “aprisiona” através de várias épocas.
Trogloditas da Idade da Pedra, Júlio César e Marco António, Joana d’Arc, Henri IV de França, Molière, os “Sans-Culotte”, Toulouse-Lautrec, etc, com todos se vai encontrando a irresistível Ludivine, por muito que Jean-Baptiste se esforce por resgatá-la de dentro do computador.
Enfim, muita risota e um divertido erotismo!...

LE DERNIER ACTE DE LUDWIG.LONDRES - Edição Lombard. Autores: Stephen Desberg (argumento), Magda (traço) e Jérôme Maffre (cores), segundo os personagens criados por Griffo e Desberg.
É o sétimo tomo da série “Sherman”, plena de mistérios inquietantes, desde um assassinato (o do tenor Ludwig Melchior) por desvendar, e todas as conotações políticas que ensombram a família Sherman...

L’ÉPOUSE BARBARE - Edição Casterman. Autores: argumento de Blandine Le Callet e arte de Nancy Peña. “L’Épouse Barbare” é o terceiro tomo da série “Medée” (Medeia).
O mito da princesa (e feiticeira) da Cólquida (onde hoje se situa a República da Geórgia) tem a grande popularidade graças à bela tragédia teatral de Eurípides. Não esqueçamos que para além de Eurípides e de autores clássicos como Apolónio de Rodes e Apolodoro, muitos outros abordaram este tema através dos tempos.
Medeia também se registou em força na Escultura, na Pintura (com Paul Cézanne, por exemplo), na Ópera, no Teatro (no Brasil, por exemplo, num texto de Chico Buarque e Paulo Pontes) e no Cinema... Pela 7.ª Arte, há duas fabulosas versões: a do italiano Pier Paolo Pasolini em 1972, com Maria Callas e a do dinamarquês Lars Von Trier, em 1988, com a actriz Kirsten Olesen.
Há muitas versões sobre o mito de Medeia, bela, apaixonada, conspiradora, feiticeira e e repulsivamente cruel.Todas as versões, mais ponto menos ponto, vão coincidindo. Todavia, agora nesta versão em Banda Desenhada, vamos encontrar a história-lenda por ela “própria” narrada...
Parabéns às corajosas autoras!

DEMOCRACIA - Edição Bertrand. Autores: argumento de Abraham Kawa, arte de Alecos Papadatos e cores de Annie Di Donna. Tradução de Joana Neves.
Quanto ao correctíssimo desenhista grego Alecos Papadatos, já aqui fizemos referência quando de “A BD da Grécia” e da sua obra em português, “Logicomix” (Ed. Gradiva). Agora, calha-nos uma obra de alto valor: “Democracia”.
Esta digna formatação política e genialmente inventada pelos Gregos de antanho, é muito ideal e bonita... mas será que funcionou bem através dos tempos? Tem funcionado mesmo?!...
Papadatos e seus “companheiros de estrada”, nesta obra, são magníficos. Sem esquecer uma certa e subentendida ironia...
Obra de leitura obrigatória!

OS XII TRABALHOS DE ASTÉRIX Edição Asa. Autor: Albert Uderzo, consoante texto do saudoso René Goscinny.
Apesar do belo e luxuoso aspecto deste álbum, desta vez não aplaudimos. Porquê?
Pois em consciência, estamos fartos de por dá cá aquela palha, surjam edições especulativas só para engordar a vaidade e a conta bancária do senhor Uderzo. Não, não e não! Não pactuamos com a fábula da raposa e o corvo!... Entendem?
E com tanta obra-BD, nacional e estrangeira, à espera de justas edições, acontecer esta... Por favor, haja Deus!
LB

terça-feira, 27 de setembro de 2016

BREVES (33)

EXPOSIÇÃO SOBRE HERGÉ
A obra de Hergé, uma vez mais, é revisitada numa bela exposição que inaugura amanhã, dia 28, em França, no Grand Palais de Paris.
A mostra, que se prolonga até 15 de Janeiro, contempla a exibição de filmes e documentários, workshops, conferências e, a 20 de Novembro, o programa específico "Tintin à l'Opéra" (com a interpretação das árias de ópera que surgem nos álbuns de Tintin). Um programa recheado de bons motivos para visitar a cidade-luz nos próximos tempos...
Mais informação pode ser consultada no site oficial da exposição.





GOSCINNY EVOCADO EM LEIRIA
A propósito dos 90 anos do nascimento de René Goscinny a 14 de Agosto de 1926, está patente na Biblioteca da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria, uma exposição evocativa da vida e obra deste argumentista francês.
A exposição foi inaugurada a 12 de Setembro e encerra a 29 de Outubro.





ESTÃO ABERTOS OS CONCURSOS DO AMADORA BD
Os interessados em participar nos Concursos de Banda Desenhada e Cartune promovidos pelo 27.º Amadora BD já têm o regulamento disponível.
Subordinado ao tema "Ponte 25 de Abril - 50 anos a ligar destinos", o concurso tem como prazo limite para entrega de trabalhos o próximo dia 17 de Outubro.
Informação mais completa e detalhada pode ser consultada aqui. 





Christophe Simon



CHRISTOPHE SIMON PREMIADO
Há pouco  tempo, noutra frequente rubrica nossa, falámos do mais recente álbum da série “Corentin”, desta vez, sob arte de Christophe Simon.
Pois bem: pelo seu digno (no traço) empenho, ele acaba de receber (segundo informação das Éditions du Lombard, Bélgica), o belo Prix Saint Michel de la Presse 2016,  justamente por este seu trabalho.
Parabéns, Chistophe Simon!





Jukka Murtosaari (1963-2016),
durante o salão Moura BD 2004

ADEUS, JUKKA!
Faleceu, nos primeiros dias de Setembro, Jukka Murtosaari, banda desenhista e ilustrador finlândes, de apenas 53 anos.
Dono de um traço extremamente versátil (desenhava cenas humorísticas e realistas com idêntica facilidade), Jukka trabalhou em filmes de animação nos Estados Unidos e realizou capas para os Estúdios Disney, também nos EUA, para revistas como Duck Tales, Roger Rabbit ou Uncle Scrooge.
Nascido em Helsínquia, a 2 de Janeiro de 1963, Jukka Murtosaari fixou residência em Portugal, na cidade de Almada, desde 1999 quando foi homenageado nas jornadas BD da Sobreda (onde recebeu o Troféu Sobredão).
Foi, também, homenageado no salão Moura BD, em 2005, onde recebeu o primeiro Troféu Balanito de Honra outorgado a um autor estrangeiro.
Mantinha colaboração regular com editoras finlandesas, suecas e holandesas.
R.I.P. Jukka!











ANIVERSÁRIOS EM OUTUBRO
Dia 02 - Joe Sacco (maltês)
Dia 08 - Yoann (francês)
Dia 10 - José Pires
Dia 12 - Siro (francês)
Dia 16 - José Carlos Fernandes
Dia 21 - Rui Pimentel
Dia 22 - Yuri Jigunov (russo)
Dia 24 - Ziraldo (brasileiro)
Dia 27 - Mauricio de Sousa (brasileiro)
Dia 31 - Claudio Villa (italiano)

sexta-feira, 24 de junho de 2016

HERÓIS INESQUECÍVEIS (40) - OS QUATRO MAIS "LOUCOS"

Não figuram normalmente no pódio dos fabulosos heróis bem divertidos da Banda Desenhada, mas são, afinal, altamente populares entre os bedéfilos. São talvez os quatro mais terríveis a encantar-nos com as suas loucas peripécias: Gaston Lagaffe, Marsupilami, Rantanplan e Nabuchodinosaure. Talvez pudéssemos aqui acrescentar um quinto, o Flagada, mas esse fica para outro tempo...


GASTON LAGAFFE
Mais conhecido entre nós como Gastão das Broncas, é criação do mestre belga Franquin (1924-1997) e surgiu pela primeira vez no n.º 985 da revista "Spirou", a 28 de Fevereiro de 1957. Aparece de repente na redacção desta revista e... bom, acaba por ficar encarregue da manutenção dos extintores, o que não o livra de provocar aparatosos incêndios.
Dorminhoco, distraído por excelência e romântico, qualquer gesto (ou não-gesto) seu pode provocar uma catástrofe. Das suas acções, nenhuma sai certa!
Adora inventar coisas esquisitas, dedicando-se, também, à Música (safam-se os surdos) e à Culinária (só para quem tem estômago de aço).
Estimado, mas também temido dado às suas constantes trapalhadas, vive apaixonado (sendo correspondido) pela sua colega Mademoiselle Jeanne. Quem não pode com ele, é o Sr. Aimé de Mesmaker, que não consegue triunfar nos seus negócios graças às "gastonices".
Apaixonado pela Natureza, vai ao ponto de alojar no seu gabinete na redacção da revista, animais como o gato Dingue, uma gaivota caprichosa e sem nome, o ouriço Kissifrot, o ratinho Cheese, o peixinho Bubulie, um papagaio, uma lagosta (que ele salvou de um tacho com água a ferver), um camaleão, um cavalo, etc, incluindo uma vaca que ele recebe de presente de um tio provinciano; só
não leva para lá o elefante Marajá, que ele visita com frequência no Zoo...
Este herói, cedo e merecidamente ganhou a sua própria série, que tem sido editada em Portugal (Arcádia, Meribérica e Asa/Público).
Em 1981, Paul Boujenah realizou a longa-metragem "Fais Gaffe à la Gaffe!", com Roger Miremont no papel principal.




RANTANPLAN
Criado por Goscinny e Morris, Rantanplan, classificado como o cão mais estúpido do Oeste, apareceu pela primeira vez no n.º 1138 da revista "Spirou", a 4 de Fevereiro de 1960, na aventura de Lucky Luke, "Na Pista dos Dalton". Logo captou a atenção dos bedéfilos. A sua popularidade subiu e daí, o ter ganho a sua própria série, com mais de uma vintena de álbuns, com vários deles editados em português. Um triunfo merecido.
Em 1983 e em 2006, pelo Cinema de Animação, também se notabilizou na Televisão.




MARSUPILAMI
É um pândego, divertido e heróico animal... não definido.
Criação de André Franquin, o Marsupilami, apareceu pela primeira vez na revista "Spirou" n.º 720, a 31 de Janeiro de 1952, numa aventura de Spirou e Fantásio, "Spirou et les Hèritiers". 
Claro que, com o tempo, o Marsupilami acabou por ganhar a sua merecida série própria, com sete álbuns editados entre nós pela Asa e, recentemente, pela parceria Asa/Público.
Obviamente, a Televisão e o Cinema não olvidaram este espantoso herói, com diversas séries televisíveis e, em 2012, com a longa-metragem de Alain Chabat, "Na Pista do Marsupilami".





NABUCHODINOSAURE
Para os íntimos, ele é apenas Nab. Em português,bem o poderíamos tratar por Nabo (que em francês é navet), pois este personagem, impagavelmente irresistível, cretino e cómico, é mesmo "um grande nabo"!...
O seu nome deriva de uma junção inventada pelos seus criadores do nome do rei babiloniano Nabucodonosor e a palavra dinossauro, ou seja, o argumentista Herlé e o desenhista Roger Widenlocher (que já esteve presente nos Salões "SobredaBD/1995" e "ViseuBD/1999")... Aliás, em verdade, Roger é um verdadeiro "tratado de bom e constante humor" .
Nab apareceu pela primeira vez no mensário "Je Bouqine", em 1989, e os seus autores foram premiados em 1993 na famoso Festival de Angoulême. A série, completamente inédita em português (?!!...), conta já com catorze álbuns.
Mas... quem é o Nab? Existindo na Terra antes da Pre-história, é um pacífico, pequeno e esverdeado dinossauro que "vive" para além do seu tempo. Considera-se como o primeiro ser dotado de uma inteligência capaz e superior e sente-se incompreendido pelos seus pares. Claro que tudo isto provoca hilariantes e imperdíveis situações... Um delírio!
Até hoje, ainda não fomos capazes de entender porque é que esta tão divertida série jamais foi editada em Portugal!... Será que os nossos editores-BD são mais nabos que o bom do Nab?!...
LB

domingo, 8 de novembro de 2015

NOVIDADES EDITORIAIS (82)

O PAPIRO DE CÉSAR - Edição Asa. Argumento de Jean-Yves Ferri, traço de Didier Conrad e cores de Thierry Méburki, segundo a série criada por René Goscinny e Albert Uderzo.
“O Papiro de César” é o 36.º tomo da série “Astérix”. E não há dúvida que esta série volta a brilhar em cheio. Albert Uderzo não tem força como argumentista, se bem que o tenha tentado após a morte de Goscinny. Porém, essas histórias eram um tanto insípidas e sem força, tanto na sua crítica sócio-política como no seu humor.
Com “O Papiro de César”, onde há insinuações divertidas às “novas tecnologias”, a hilaridade está sempre presente. E, por sua vez, o traço de Conrad em nada se afasta do de Uderzo.

 
LES TERRES RARES - Edição Lombard. Argumento de Luc Brunschwik e Aurélien Ducoudray e traço de Dimitri Armand.
Este é o primeiro tomo da série “Bob Morane: Renaissance”, onde há uma autêntica reviravolta na linha da série e tudo parece começar do zero, renascer...
O novelista belga Henri Vernes em boa hora, em 1953, criou o herói Bob Morane no romance “O Vale Infernal”. Cedo passou a ser também o argumentista para a BD, em adaptações dos seus romances e/ou com textos originais. É quase infindável o número de álbuns existentes!
Quatro notáveis desenhistas tomaram conta dos respectivos grafismos: o italiano Dino Attanasio, os belgas Gérald Forton e William Vance e o espanhol Felicisimo Coria, tendo havido ainda os efémeros e fracos exemplos desenhados por Victor Simek, Jacques Géron e Frank Leclercq.
E agora, sem a participação de Vernes, um outro e respeitável desenhista, Dimitri Armand. Com esta nova equipa, a aventura é reinventada e o traço de Armand tem uma linha mais forte e vigorosa, onde as fisionomias bonitotas de Bob Morane e de Bill Ballantine passam a mais realistas e, quiçá, necessariamente amadurecidas. E muito bem!
Só não se confirma ainda se Bob Morane vai continuar em duas séries paralelas ou se a primeira terminou...

LA MORT DANS L’ÂME - Edição Lombard. Argumento de Serge Le Tendre e grafismo de Jérôme Lereculey.
“La Mort dans l’Âme” é o quarto e último tomo da série “Golias”.
O jovem príncipe grego Golias, tal como o lendário Odisseus (Ulisses, para os romanos ), erra por terras e mares, sofrendo os caprichos dos deuses do Olimpo, uns que o protegem e outros que o querem aniquilar.
Mas, Golias, de uma vez por todas, está decidido a recuperar o trono de Akinoé, usurpado pelo cruel e ávido Polynos, seu tio e assassino de seu pai...

 
CAPITAINE PERDU / 1 - Edição Glénat. Autor: Jacques Terpant; e um elucidativo prefácio de Jean Raspail.
A famosa Guerra dos Sete Anos, entre a França e a Inglaterra, terminou em 1763 com a derrota dos franceses. Como consequência, a França devia entregar aos ingleses grande parte dos seus territórios extra Europa, muito especialmente os vastos da chamada “América Francesa”.
Acontece que os franceses não só eram muito estimados pelos diversos povos ameríndios, como se haviam misturado consanguineamente, pois haviam constituído família e descendência com casamentos mistos. Como seria doravante, que passariam a ser “ingleses”?...
capitão Saint Ange, casado com uma índia da tribo dos Illinois, não pensa retornar a França e tão pouco quer trair as ordens de seu rei (em Paris) e joga com todo este drama sócio-político e familiar. Por sua vez, o bravo líder índio Pontiac, reúne todas as nações ameríndias para fazer frente aos ingleses...
LB

sábado, 5 de setembro de 2015

HERÓIS INESQUECÍVEIS (38) - LUCKY LUKE


LUCKY LUKE: o “cowboy” mais rápido do que a própria sombra

Criado em 1946 pelo belga Morris (pseudónimo que advém da pronúncia do primeiro nome do artista Maurice De Bevere), Lucky Luke é um dos personagens mais célebres da banda desenhada e um dos poucos dentro do género western/humorístico (a par de Chic Bill, outra série europeia criada pelo frânces Tibet).
Em 1955, René Goscinny (notável criador de argumentos humorísticos, e co-autor de, entre outros, Astérix, Iznougud, Spaghetti ou Humpá-Pá) juntou-se a Morris, ficando este responsável apenas pelo desenho. Esta fase, que só terminou com a morte de Goscinny em 1977, é considerada a melhor da série.
Apesar de ser um cow-boy (isto é, um vaqueiro), Lucky Luke actua na maior parte das suas aventuras como guia, explorador ou guarda-costas de alguém. 
Sempre acompanhado por Jolly Jumper, o cavalo mais esperto do Mundo, e, por vezes, por Rantamplan, o cão mais estúpido do Universo (que, mais tarde, se tornaria protagonista das suas próprias aventuras em álbum), Lucky Luke encontra, com regularidade, personagens míticos do velho Oeste como Billy The Kid, Calamity Jane, Jesse James, Bufallo Bill, Sarah Bernhardt, ou os Irmãos Dalton. Estes últimos, que Morris, pela mão de Lucky Luke, decidiu eliminar da série (Lucky Luke mata os Irmãos Dalton durante uma aventura naquela que é a primeira e a única vez que o cow-boy utiliza o seu revolver de forma tão radical) acabarão por regressar sob a forma de mais quatro irmãos Dalton, primos dos primeiros. Morris emendou, assim, a mão, quando percebeu a enorme potencialidade destes impagáveis personagens (cujo gag mais famoso talvez seja aquele em que os quatro irmãos, presos na mesma cela, decidem abrir quatro buracos na parede para se evadirem!).
Alguns dos personagens da série: Rantanplan, Billy the Kid, Calamity Jane, Jolly Jumper, Lucky Luke e os impagáveis irmãos Dalton (Averell, William, Jack e Joe)
Outra nota curiosa da série prende-se com o cigarro que Lucky Luke usou durante anos ao canto da boca e que Morris substituiu, em 1983, por uma palha. Este gesto valeu-lhe uma medalha outorgada pela Organização Mundial de Saúde, nas Jornadas Mundiais Sem Tabaco, em 1988.
Morris faleceu em 2001 mas Lucky Luke continua a viver novas aventuras pela mão de outros artistas como Achdé, Bob De Groot, Jean Léturgie, etc…
Em 1995, numa tentativa de atrair um público mais jovem, Léturgie e Pearce criaram "Kid Lucky", uma versão das aventuras de Lucky Luke enquanto criança.
Em Portugal a série estreou em 1958, no "Cavaleiro Andante" #340. Desde essa altura, Lucky Luke tem sido publicado em revistas como "Zorro", "Nau Catrineta", "Flecha 2000", "Jornal da BD", "Tintin" ou "Selecções BD" (2.ª série). 
Têm sido também publicados álbuns com regularidade por várias editoras portuguesas (Editorial Íbis, Bertrand Editora, Méribérica, Público/Asa), bem como pelo jornal "Correio da Manhã".
Duas pranchas de "O Esconderijo dos Dalton", com texto e desenhos de Morris, in revista "Tintin" #9 (1981)

Em 1985 as aventuras de Lucky Luke foram adaptadas ao cinema de animação.
"Billy, the Kid", um episódio completo da série de animação dos anos 80

Nos anos 90, Lucky Luke (em carne e osso) estreou-se nos ecrãs através de uma série televisiva e de dois filmes protagonizados por Terence Hill.
Em 2004, novo filme, desta vez com Til Schweigwe a dar corpo ao personagem.
Em 2009, foi a vez de James Huth realizar e Jean Dujardin interpretar "Lucky Luke".
Passados que estão quase setenta anos(!) desde que foi criado por Morris, Lucky Luke continua a fazer-nos rir com as suas hilariantes aventuras.
Um caso muito sério de longevidade (e de popularidade) na banda desenhada europeia e mundial.
CR
"La Mine d'Or de Dick Digger" e "Arizona", os dois primeiros álbuns de Lucky Luke.
Note-se a fisionomia do personagem, bastante diferente ainda da sua imagem actual.

Pranchas de "O Grão-Duque", com texto de Goscinny e desenhos de Morris, in revista "Tintin" #14 (1974)
Pranchas de "O Grão-Duque", com texto de Goscinny e desenhos de Morris, in revista "Tintin" #15 (1974)
"La Caravane", publicado em 1964, talvez o melhor álbum da série.
Cartaz do filme "Lucky Luke", realizado por James Huth, com Jean Dujardin como protagonista.
Lucky Luke cavalgando Jolly Jumper, com o Sol a por-se no horizonte.
Uma imagem de marca que perdura desde que a série foi criada.