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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

HERÓIS INESQUECÍVEIS (43) - TOMAHAWK TOM

Ora pois, fazendo uma visita a todos os “Heróis Inesquecíveis” que eu e o Carlos Rico temos colocado nesta já longa (e bonita também) lista, deparei que, por estranho “vazio”, só três desses heróis pertencem a Portugal: O Ponto, Jim del Mónaco Ted Kirk!... Um lapso involutário que, a pouco e pouco, será corrigido.
Vítor Péon (1923-1991)
Hoje e com toda a justiça, aqui calha a vez ao famosíssimo Tomahawk Tom, do tão saudoso Vítor Péon, também criador de Ted Kirk, já aqui focado.
Registamos a nossa gratidão a Jorge Magalhães (“Vítor Péon e o Western”), a quem, ousadamente, fui buscar alguma informação bem necessária. Kanimambo, Jorge!
Tomahawk Tom, apareceu pela primeira vez, em 1950, na revista “Mundo de Aventuras”, numa inusitada apresentação do personagem, com este a saltar do papel montando o seu cavalo Furacão e seguindo pradaria adentro em busca de aventuras, perante o olhar estupefacto dos seus criadores, Vítor Péon e Edgar Caygill (pseudónimo, como sabemos, de Roussado Pinto).

"Tomahawk Tom, o Aventureiro", in "Mundo de Aventuras" #62 (19.10.1950)
Ao que se apurou, há quinze aventuras de Tomahawk Tom, espalhadas por Mundo de Aventuras, Colecção Condor, Colecção Audácia, Jornal do Cuto e Vítor Péon Magazine. Algumas narrativas chegaram a ser reeditadas noutras publicações, incluindo o jornal regional "O Louletano". 
Mais: algumas delas foram dignamente publicadas em França.

Quanto a álbuns - é incrível! - só há dois, praticamente esgotados: “O Regresso de Tomahawk Tom”, edição do autor em 1975, que é afinal a narrativa “Tempestade no Dakota Sul”, publicada em 1978 no “Mundo de Aventuras”, e que chegou, sem efeito, a estar programada para sair em França...
Capa de "O Regresso de Tomahawk Tom" - edição de autor (1975)
E também, com capa de Augusto Trigo e sob edição da Futura, “O Espírito de Manitu”, que é o tomo 18 da colecção Antologia da BD Portuguesa.
Capa (de Augusto Trigo) do #18 da Colecção "Antologia da BD Portuguesa",
dedicado a Tomahawk Tom, Edições Futura (1987) 
Vítor Péon teve como seu constante argumentista e não só para o Tomahawk Tom, Edgar Caygill, pesudónimo do ilustre Roussado Pinto.
Vitor Péon, tal como Fernando Bento, tem o seu nome, desde 2002, na toponímia da Vila da Sobreda (concelho de Almada), graças à pressão do Grupo Bedéfilo Sobredense, à Junta de Freguesia de Sobreda e Município de Almada. Esta “pressão” também já foi insistente, em relação aos nomes de outros desenhistas nossos que foram homenageados nos Salões-BD da Sobreda: Manuela Torres, José Antunes e Fernandes Silva... mas, dir-se-ia que foram “esquecidos”!... Se calhar, é porque isso não dá votos...
A  terminar, abaixo se indicam por ordem cronológica (segundo Jorge Magalhães) os títulos das aventuras de Tomahawk Tom:
“Tomahawk Tom, o Aventureiro (1950)
“Reg Tooper, o Renegado” (1951)
“Colt City, a Cidade Sem Lei(1951)
“Luta Sem Tréguas” (1951)
“O Rodeo de Palma City” (1951)
“O Espírito de Manitu” (1952)
“O Rapto de Jenny” (1953)
“O Enigma do Cavalo Negro” (1953)
“O Mistério da Diligência” (1954)
“Carrer Lee, o Invencível” (1954)
“A Estrela de Oito Pontas” (1971/2, reeditada em 1976)
“Começou no Barbeiro” (1975)
“O Rancho do Deserto” (1975)
“Tomahawk Tom Contra Tomahawk Tom” (1975)
”O Regresso de Tomahawk Tom ou Tempestade no Dakota Sul” (1975).
LB
Capa do "Mundo de Aventuras" #105 (1951),
onde se conclui a primeira aventura de Tomahawk Tom
Prancha de "Carrer Lee, o Invencível", in colecção "Audácia" (1954)
Capa e prancha de "O Rancho do Deserto", in "Vitor Péon Magazine" #1 (1975)
Capa e pranchas de "Estrela de 8 Pontas", in "Vitor Péon Magazine" #3 (1975)


terça-feira, 29 de março de 2016

EVOCANDO (19)... JOBAT

José Baptista (Jobat) (1935-2013)
José Baptista (ou Jobat, como também chegou a assinar os seus trabalhos) faleceu faz precisamente hoje três anos.
Algarvio, nascido em Loulé, a 18 de Dezembro de 1935, José Baptista trabalhou durante muitos anos na Agência Portuguesa de Revistas (APR), como paginador e retocador de revistas. Nestas funções, tratava de adaptar os espaços que as séries americanas - publicadas num formato diferente do adoptado pelas revistas da APR - ocupavam, tendo que, para isso, cortar ou "acrescentar" desenho a algumas vinhetas, uma prática comum naquela época, nas revistas portuguesas.
Fez a sua estreia como banda desenhista em 1956, ao adaptar "Ulisses" (Colecção Condor, 6.º volume, fascículo 57), mais tarde restaurado e reeditado no jornal "O Louletano" (2004) e nos "Cadernos Moura BD" #5 (2005).
Prancha 4 de "Ulisses", conforme foi publicada na Colecção Condor (à esquerda)
e nos "Cadernos Moura BD" (à direita)

Continuou, depois, com "A Conquista de Santarém" (para a Colecção Audácia) e com "O Voto de Afonso Domingues" e "Luís Vilar" (ambos em 1958, para o Mundo de Aventuras). Deste personagem, publicou, no mesmo ano, outra aventura no Condor Popular.
Prancha de "Luís Vilar", in "Mundo de Aventuras" #454

Ainda para a APR, ilustrou na Colecção Miniatura alguns clássicos da literatura como Os Fidalgos da Casa MouriscaOliver Twist (reeditados, anos depois, já a cores, sob a forma de cadernetas de cromos), Uma Família Inglesa ou A Morgadinha dos Canaviais.
No anos 70, fez parte da equipa do Jornal do Cuto, tendo criado algumas capas e diversas ilustrações para textos de Raul Correia e Rousado Pinto (Edgar Caygill).
Capas para o "Jornal do Cuto" #8 e #28
Ilustrações para a série "Cantinho de Um Velho", com textos de Raul Correia
(in, "Jornal do Cuto")
Ilustrações para um conto de Roussado Pinto (Edgar Caygill), in "Jornal do Cuto" #46

Aí assinaria, pela primeira vez, como Jobat, quando publicou "Trinca-Fortes" (uma breve história sobre a vida de Camões).
Pouco depois, desenharia uma versão mais alargada ("A Vida Apaixonada e Apaixonante de Camões"), com texto de Michel Gérac, publicada inicialmente no Diário Popular e, mais tarde, em álbum, numa edição francófona, e n' O Louletano (2003).
Prancha de "A Vida Apaixonada e Apaixonante de Camões"

Em Inglaterra publicou algumas bandas desenhadas sob temática da Segunda Guerra Mundial.
Um ano depois da Revolução dos Cravos, publicou no jornal Diário Popular uma BD em continuação, em formato de tiras, intitulada "25 de Abril: Réquiem por uma Ditadura", que deixaria incompleta.
Tira de "Réquiem por uma Ditadura"
Salazar e Carmona, numa vinheta de "Réquiem por uma Ditadura"

Durante anos, fez centenas de ilustrações (magníficas) a preto e branco, em revistas de temática western (como "6 Balas" ou "Cowboy"), uma faceta pouco conhecida e ainda menos divulgada na carreira de José Baptista e da qual, em breve, voltaremos a falar, com mais pormenor, aqui no BDBD. 
Trabalhou, também, como decorador em desfiles no famoso Carnaval de Loulé (onde, este ano, foi postumamente homenageado), dedicou-se ao Ensino (Educação Visual) e dirigiu, durante alguns anos, para O Louletano, a rubrica "9.ª Arte - Memórias da Banda Desenhada", onde publicou artigos e bandas desenhadas de alguns dos autores portugueses de maior curriculum (José Antunes, Augusto Trigo, Eduardo Teixeira Coelho, etc).
Em 2005, foi homenageado na décima quinta edição do salão Moura BD, tendo recebido o Troféu Balanito de Honra, pelo conjunto da sua obra. 
Faleceu a 29 de Março de 2013, deixando a banda desenhada portuguesa muito mais pobre.
CR
José Baptista, recebendo o Troféu Balanito de Honradurante o salão Moura BD 2005
Ilustrações para um conto de Raúl Correia, in "Jornal do Cuto" #43

Outras três ilustrações para a rubrica "Cantinho de um Velho", com textos de Raul Correia,
(in "Jornal do Cuto")