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terça-feira, 17 de janeiro de 2023

NOVIDADES EDITORIAIS (246)

CONTOS POPULARES PORTUGUESES - Edição Polvo. Autor: Artur Correia (1932-2018), com capa de Bruno Porto.
Esta editora está de especiais parabéns, pois está a incluir no seu catálogo obras dos nossos veteranos desenhistas. Enquanto prepara três álbuns de José Ruy, teve o bom senso de editar, em versão integral, os seis contos populares portugueses, em tempos publicados isoladamente e que estavam esgotados, sob a arte divertida de Artur Correia. Bem-hajas, Polvo!
Os textos foram escritos por Adolfo Coelho (1847-1919) e passaram à Banda Desenhada com todo o encanto e humor de Artur Correia. Uma obra (este álbum) para ler e/ou reler!...
E de Artur Correia ainda há muita obra dispersa a exigir recuperação digna em versão álbum como "Tufão", "Tufão no México", "O Filho de Robin dos Bosques", "A Ilha Encantada", "Sua Alteza nos Bastidores", "Madrepérola em Vaso", "O Moinho do Diabo", "O Pirilampo Agradecido", etc.
Artur Correia não foi apenas homenageado na Amadora, pois também o foi na Sobreda, em Moura, Viseu e Beja, pelo menos.


QUADERNI UCRAINI - Edição: Oblomov Edizioni. Autor: Igort.
É um relato-reportagem, chocante e bem dramático, cujo título original completo é "Quaderni Ucraini, Diario di Un'Invasione", pela demência ambiciosa de um tal Putin...
Quem domina, mais ou menos, o idioma italiano pode ler esta na versão original. Caso contrário, aguardemos que por cá apareça uma edição em português.
Nosso reconhecimento a Mary Bartolo Andreoli, nossa correspondente em Itália, que teve a gentileza de nos enviar um exemplar deste álbum.


O UIVO DE CIBELE - Edição Gradiva. Autores, segundo Jacques Marin: argumento de Valérie Mangin, traço de Thierry Demarez e cores de Jean-Jacques Chagnaud. Tradução de Ana Maria Pereirinha.
"O Uivo de Cibele" é o quinto tomo da magnífica série "Alix Senator". 
Kephren, o jovem filho do príncipe egípcio Enak (que aparentemente está desaparecido) e que foi adoptado por Alix, convence-se que merece a eternidade, segundo uma lenda versando a "deusa" Cibele.
E o jovem vai ao Egipto nessa busca. Profana assim o misterioso santuário, gesto terrível que, praticamente, o condena à morte...


O MONSTRO DE SUTTER CAMP - Edição Ala dos Livros. Autores: argumento de Xavier Dorison, traço de Ralph Meyer e côr de Caroline Delabie. Tradução de Paula Catalão. Um Caderno Gráfico encerra o álbum, que é o terceiro da série "Undertaken".
Uma bela e bem agitada obra com todas as jamais estafadas características do estilo "western". E cá vamos, na Europa, a singrar acocorados ao bizarro "património cultural" dos Estados Unidos da América do Norte...
LB

sexta-feira, 28 de junho de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (172)

LUNE ROUGE - Edição Casterman. Autores (segundo Jacques Martin): argumento de François Corteggiani, traço de  Christophe Alvès e cores de Bonaventure.
Muito bem concebido este "Lune Rouge" (Lua Vermelha), que é o 30.º tomo da série "Lefranc".
O repórter-detective Guy Lefranc é encarregado pelo "Le Globe" de fazer uma investigação sobre os engenhos espaciais experimentais. Tem um ​contacto com o cientista Lukas Eugen Messner, que ​é raptado logo a seguir a tal entrevista… Daí, Lefranc, ​viaja de Paris para a Coreia do Norte e a União Soviética, ​com sérias ameaças para com a sua integridade. Claro ​que o seu eterno inimigo (mas, às vezes, até seu aliado) ​Axel Borg, também está metido neste escaldante enredo.
​E por aqui, a corrida para o espaço está lançada…

Um ​álbum da série "Lefranc", muito bem elaborado.



TANTALE ET AUTRES MYTHES - ​Edição Glénat. Autores: argumento de Clotilde Bruneau, ​traço e guião de Carlos Rafael Duarte (brasileiro), cores ​de Simon Champelovier e capa de Fred Vignaux.
​"Tantale et Autres Mythes de l'Orgueil" (Tântalo e Outros Mitos do Orgulho), é mais um apaixonante tomo da ​série "La Sagesse des Mythes" (A Sabedoria dos Mitos), brilhantemente concebida por Luc Ferry, série esta ​que, lamentavelmente, se mantém ignorada pelas nossas
​editoras-BD, factor a que já nos habituámos…
​Segundo as lendas mitológicas da Grécia Clássica, alguns
​humanos abusaram das deferências dos deuses olímpicos ​e daí, terríveis castigos caíram sobre eles, pois Zeus não ​tinha paciência para quem o desafiava! Aqui, interligados ​no mesmo enredo, estão: Tântalo, Íxion, Niobe e Faéton…
​Saiu-lhes bem caro o terem usado o Híbris: orgulho que ​leva a agir de maneira desmesurada contra as leis divinas!...


​​SI DEUS PRO NOBIS... - ​Edição Delcourt. Autores: argumento de Thierry Gloris, ​traço de Jaime Calderón e cores de Felidus.
​"Si Deus Pro Nobis, Quid Contra Nos?", é o segundo ​tomo da vigorosa série, mais ou menos histórica, ​"Valois".
​Tardou muitíssimo a publicação deste segundo tomo!...
​A ​editora e/ou os seus "construtores", devem ser mais ​lestos e menos lerdos!... Haja respeito pelos leitores, ​tanto mais que a série, no género, entusiasmou os ​bedéfilos atentos logo ao primeiro tomo. Pois na verdade, ​a época da Renascença, abraça em força quem é culto ou ​pretende sê-lo, mas a demora da publicação dos tomos ​desta bela série, é quase imperdoável.
​Claro que "Valois" não terminou neste segundo tomo...

LB

terça-feira, 30 de abril de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (169)

EUROPA BENZILOR DESENATE - ​Edição Editura Pavcon. Autor: Dumitru-Dodo Nitá.
​Mais uma vez o nosso amigo romeno Dodo Nitá nos surpreendeu com esta preciosa obra que nos transporta com pleno entusiasmo pela Banda Desenhada da Europa.
​E, como era de esperar, não faltam capítulos específicos em relação a Portugal: os salões-BD da Sobreda, de Viseu ​e de Beja, a Bedeteca de Lisboa e Paulo Monteiro (o grande ​líder do Festival de Beja, que já tem obra editada na Roménia).
​Em notáveis passagens, também são mencionados os Salões ​da Amadora, de Moura e do Porto.
Quanto a desenhistas, dos ​quais alguns conheceu pessoalmente nas diversas vezes que ​veio até nós, ou outros dos quais apreciou trabalhos expostos, ​indica Eduardo Teixeira Coelho, Fernando Bento, ​José Ruy, Eugénio Silva, Artur Correia, Mara Mendes, Carlos ​Rico, Vítor Péon, Pedro Massano, Hugo Teixeira, Baptista ​Mendes, João Amaral, Luís Louro, Miguel Montenegro, Susa ​Monteiro, entre outros. E regista ainda outras entidades da BD ​Portuguesa, como: Jorge Magalhães, Geraldes Lino, Jartur ​Mamede, A. Dias de Deus, Luiz Beira e Leonardo de Sá.
​Recorda-se que Dodo Nitá, que é o organizador do grande festival anual de BD na Roménia, já aí expôs trabalhos de ​Fernando Bento, José Ruy e Artur Correia, entre outros; e ​que numa dessas edições, fez uma grande exposição dedicada ​a Eugénio Silva.
​Obrigado, Dodo Nitá!


LE PROCÈS DE GILLES DE RAIS - ​Edição Casterman. Autores, segundo Jacques Martin, grafismo ​de Jean Pleyers, argumento de Néjib Kacem e cores de Corinne ​Pleyers. É o 17.º tomo da escaldante série "Jhen", ainda inédita em Portugal.
Neste tomo se narra o processo e a execução de Gilles de Rais, bravo marechal do exército francês na Guerra dos Cem Anos, tendo combatido ao lado de Jeanne d'Arc, de quem era amigo.
Mas este destemido e implacável herói, tinha tanto de valente como foi autor de abomináveis e cruéis actos… Era doentiamente pedófilo e, depois de abusar das crianças, ela eram mortas e quase sempre queimadas. Seu amigo Jhen, sempre o tentou trazer ao bom caminho, mas em vão.
Gilles de Rais é apanhado pela justiça, com todo o ódio da Igreja Católica: não só pelas centenas de crianças de que abusou e matou, como também é acusado por ter insultado e agredido um bispo e que pactuava com o Diabo. Sem apelo nem agravo, é condenado à forca e a ser queimado vivo, o que aconteceu em Nantes a 26 de Outubro de 1440. Nesta história, seu fiel amigo Jhen (personagem fictício) não teve qualquer hipótese de salvar o herói e criminoso da execução decretada.


LE PHARE - Edição Mosquito. Autor: Joan Boix. Surpreendente e belo álbum a preto-e-branco com a arte de mestre do catalão Joan Boix.
São doze  histórias curtas narradas por Jonathan Struppy. É um velho faroleiro que vive absolutamente só no seu farol, agarrando-se ao seu cachimbo, ao rum e a reler a vasta biblioteca onde se regista toda a história da sua família com notáveis lobos do mar. Jonathan, frustrado, é o único que nunca navegou. Sente que a sua vida está a chegar ao fim, com a certeza que com ele termina a saga da família Struppy, pois não tem descendentes.
Nestes relatos de aventuras no mar sedutor, em várias abordagens, a intervenção do insólito e do fantástico.
"Le Phare " (O Farol), é uma obra a não perder, de jeito nenhum.


ENSAIO SOBRE A INCOERÊNCIA ESTILÍSTICA - Edição Escorpião Azul, em parceria com o Clube Português de Banda Desenhada. Autora: Rita Alfaiate.
"Banda Desenhada, Ensaio Sobre a Incoerência Estilística" é um livro especial, baseado no estudo aturado que a autora fez, e que serviu de alicerce quase total da tese do seu mestrado na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Um trabalho louvável e, quiçá, discutível.
LB

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (134)

LA PESTE - Edição Casterman. Segundo a criação original de Jacques Martin, “La Peste”, é o 16.º tomo da belíssima série “Jhen”, que, estranhamente, jamais foi publicada em português (!!...). Este tomo tem argumento de Jerry Frissen e Jean-Luc Cornette e arte gráfica do já notável holandês Paul Teng.
E é mesmo o brilhante grafismo de Teng que aqui se sobressai. Admirável!
O arquitecto Jhen Roque e seu amigo Venceslas, são chamados para colaborar na reparação da sumptuosa catedral de San Nicola di Pellegrino, na cidade de Trani.
É aqui que Jhen reencontra o seu estimado amigo Rafael (ainda jovem, mas já famoso e que será o único personagem autêntico de todo este enredo). Don Saverio é o culto, paciente e humaníssimo governante de Trani...
Todavia, por aqui grassa uma onda mal escondida de anti semitismo, sobretudo da parte da empedernida e fanática esposa de Saverio. O ódio, beato e estúpido, impera sob as intrigas doentias da primeira dama de Trani. E os abomináveis crimes de sangue vão acontecer...
Como se isto não bastasse, a implacável peste toma conta da região.
Um belo tomo de Jhen, a não perder!



LE DÉCHU - Edição Soleil. Autores: argumento de Sylvain Cordurié, traço de Vukic Bojan e cores de Guillaume Lopez. “Le Déchu” (O Destronado) é o 10.º tomo da série “Oracle”, que voga pela sempre interessante Mitologia Grega.
Neste tomo, é o famoso Apolo que cai em desgraça... e tudo se complica nos antagonismos entre os deuses e, à boleia”, com os humanos a apanharem por tabela.
A Humanidade sempre inventou, via certa e oportunista classe social, as religiões (quase sempre inúteis...). Por exemplo: os judaico-cristãos-maometanos acham que Jeová-Deus-Alá, fez o Homem à sua imagem e semelhança (nota-se, não é?); os gregos, espertalhões admiráveis, inventaram os deuses à imagem e semelhança dos homens... Que irónica maravilha!
É por aqui que a amarga série “Oracle” nos sacode com muita pertinência.



LE PRINCIPE D’EISENBERG - Edição Casterman. Prosseguindo a série “Lefranc”, criada por Jacques Martin, aqui temos agora o 28.º tomo, com argumento de François Corteggiani e grafismo de Christophe Alves.
O enredo, bastante misterioso, está assente no “Princípio da Incerteza” do físico alemão Werner Heisenberg (1901-1976), que, entre outros Prémios, recebeu o Nobel da Física em 1932. O seu “Princípio” foca as probabilidades (e perturbações) da Física Quântica...
Nem tudo o que parece, é!... E desta vez, o arrojado jornalista Guy Lefranc, por sua conta e risco, vai investigar crimes da espionagem e da contra-espionagem, passando ao lado da “certeza” dos outros.
Uma aventura invulgar no caminho das que Lefranc tem sofrido e vencido.



LES BATAILLES DE MOSELLE - Edição Casterman. Para a primeira parte (1870 e Primeira Guerra Mundial), o texto é de Marc Houver; para a segunda parte (a Segunda Grande Guerra), o texto é de Jean-François Patricola. O grafismo é de Olivier Weinberg e as cores de Emmanuel Bonnet.
Neste tomo ainda, um Prefácio de Patrick Weiten, antigo deputado e presidente do Departamento da Moselle.
Em relação a Guy Lefranc, este tomo faz parte da série paralela, histórico-didáctica, “Les Reportages de Lefranc”.
A zona de Moselle sempre foi um território de conflitos entre a França e a Alemanha. Conflitos, martírios e heroicidades admiraveis. São estes aspectos, de belo registo histórico, que aqui são marcados numa “reportagem” de Guy Lefranc.
LB

quarta-feira, 25 de maio de 2016

NOVIDADES EDITORIAIS (93)

PANDORA #1 - Foi uma maravilhosa surpresa depararmos com o n.º 1 da luxuosa revista de “Banda Desenhada e Ficção”, publicada em Abril passado pelas edições Casterman.
E que revista! São “apenas” 264 páginas com histórias completas e inéditas. Lá estão todos os géneros e estilos abrangendo mais de uma vintena de desenhistas francófonos, anglófonos, mas também, de Itália, Finlândia e Japão. Na verdade, um luxo admirável. E as narrativas servem todo o público, não importando a idade e/ou o gosto preferencial.
Do lote de desenhistas que participam neste primeiro tomo destacamos alguns (só alguns) talentos notáveis: o japonês Katsuhiro Otomo, os finlandeses Aapo Rapi e Ville Ranta, os italianos Lorenzo Mattoti e Fabio Viscogliosi e... dos outros, Christian Rossi, Michel Pirus, Eleanor Davis, Art Spiegelman, Johan De Moor, Jacques De Loustal, Matz, Bastien Vivés, etc.
A abrir este volume, um editorial do chefe-de-redacção Benoît Mouchart.
Aguardemos que em números futuros, alguns desenhistas portugueses também possam ser seleccionados para colaborar em “Pandora”...
Recorde-se  que Pandora, segundo a mitologia grega, foi a primeira mulher. de certo modo, como a Eva bíblica. Bela e sedutora, era também muito atrevida e curiosa, e guardava uma  caixa (ou cofre) que jamais deveria abrir. Mas não resistiu e abriu-a! Dela saltaram e se espalharam irrecuperavelmente pelo mundo, todos os males (ou seriam os bens?) ...
O número 2 de “Pandora” está programado para sair no próximo Outono.
Parabéns, Casterman!


TALCO DE VIDRO - Edição Polvo. Autor: Marcello Quintanilha.
O talento, como argumentista e como desenhista, do jovem brasileiro (a residir em Barcelona) Marcello Quintanilha, volta a entusiasmar-nos em pleno pela bela e corajosa força das suas criações.
Depois do escaldante “Tungsténio” (também editado pela Polvo), é agora “Talco de Vidro” que sacode em pleno as nossas meninges.
Aqui se narra a vida de Rosângela, uma mulher que tem tudo para ser rotineiramente feliz na vida, até que recebe a visita de uma prima que há muito não via, que não era tão acomodada no quotidiano, sendo porém, muito mais bela, aspecto que irrita Rosângela ... E vem o descontrolo, a queda vertiginosa da mesma Rosângela...
“Talco de Vidro” é um álbum-BD imperdível!


 
L’HOMME-OISEAU - Edição Casterman. Com argumento de Roger Seiter e arte de Régric (aliás, Frédéric Legrain), “L’Homme-Oiseau” é o 27.º tomo da série “Lefranc”, criada pelo saudoso mestre Jacques Martin.
O herói, o jornalista Guy Lefranc, integrado numa expedição científica, vai até à exótica Ilha da Páscoa, no Oceano Pacífico e sob bandeira do Chile.
Mas o súbito achamento no mar de um jovem pascoano que fora assassinado, levanta logo uma situação pesada a Lefranc e a toda a expedição.
E, por esse tempo, cai na ilha uma “nave espacial”, cujo piloto se escapa e que não pode ser apanhado pelas gentes da ilha e muito menos pelo pessoal de um outro navio, sob o comando do sinistro Axel Borg, o eterno  inimigo de Lefranc.
“L’Homme-Oiseau” é um dos mais conseguidos álbuns desta série na fase post-Martin.


Q.I. #138 - O incansável Edgard Guimarães fez-nos chegar mais um número do seu fanzine "Q.I." ("Quadrinhos Independentes"), como sempre com rubricas muito interessantes e colaboração diversa.
De entre estas, salientamos as dos nossos Carlos Gonçalves (que publica um texto sobre o Historial do Clube Português de Banda Desenhada) e José Ruy (que vê, transcrito directamente do nosso blogue, um artigo dedicado ao jornal "O Papagaio").
Duas entrevistas, a Marcio Sidnei e a Eugenio Colonnese; as habituais secções dedicadas às publicações amadoras e à correspondência trocada com os leitores do fanzine; a série "Poeta Viral" e uma mão cheia de colaborações gráficas avulsas, confirmam este "QI" como um caso sério no panorama editorial independente.

sábado, 26 de dezembro de 2015

NOVIDADES EDITORIAIS (85)

LE SUPPLICIÉ - Edição Soleil. Autores: argumento de Sylvain Cordurié, traço de Stéphane Bervas e cores de Guillaume Lopez.
“Le Supplicié” é o sexto tomo da série “Oracle”.
Esta bela colecção-BD continua a fazer-nos viajar pela extensa e maravilhosa Mitologia Grega, se bem que com certas e convenientes variantes.
Em “Le Supplicié” (O Supliciado) conta-se a lenda de Sísifo, o astuto mortal mais odiado pelos deuses do Olimpo. Foi condenado por Zeus a empurrar um pesado rochedo pela encosta acima de uma colina um tanto íngreme e áspera, mas quando quase atingia o cume, o rochedo vinha por aí abaixo e o suplício recomeçava.
Oráculo relata a Homero (então ainda jovem) a história de Sísifo, que arranja artimanhas e determinadas  alianças para combater Zeus e outros deuses aliados...
Muito interessante toda a arte gráfica deste álbum.


PATAGÓNIA - Edição Polvo. Argumento de Mauro Boselli e grafismo de Pasquale Frisenda, e ainda, um prefácio de José Carlos Francisco.
Este álbum é uma deslumbrante surpresa: da interminável série “Tex”, se não é o melhor episódio (bem longo) de todas as narrativas de Tex Willer, anda bem perto disso. Claro que o argumento tem as suas fantasias, “quase anedóticas”, como por exemplo: Tex Willer e seu filho Kit, trocam as pradarias do Far West norte-americano pelas pampas argentinas, onde está em curso uma complicada guerra, na qual não faltam barbaridades e mortes atrás de mortes...
Mas o que há em nobre força neste álbum é o magnífico e espectacular grafismo a preto-e-branco de Pasquale Frisenda, talvez o mais belo grafismo que até hoje encontrámos em relação a Tex. Com um senão: Kit está tão subitamente adulto que, por vezes, mais parece o irmão gémeo e não o filho de Tex...
De resto, aplausos plenos a Frisenda!


HYVER (1709) / 1 - Edição Glénat. Argumento de Nathalie Sergeef e Philippe Xavier, traço de Philippe Xavier e cores de Jean-Jacques Chagnaud.
É uma dramática e extraordinária aposta pela BD de uma situação trágica sofrida pelo povo francês, por esse ano de 1709, no reinado de Louis XIV.
Pior do que a quase interminável guerra em vigência, é o flagelo que castiga a França, um inverno cruel e sem contemplações: o frio, o gelo, a fome, as mortes, a decadência... O inverno é implacável e não escolhe quem vai justiciar!
Nesta breve série que terminará no segundo tomo, o aventureiro Loys Rohan, vai proceder, de certo modo, como um “bom samaritano” e tentar que um carregamento de trigo seja entregue incólume às necessidades urgentes do Reino de França...


MISSION ANTARCTIQUE - Edição Casterman. Argumento de Chistophe Alvès e grafismo de François Corteggiani. É o 26.º álbum da série “Lefranc”, criada por Jacques Martin, da qual ele só desenhou os três primeiros tomos, mantendo-se porém, por largo tempo, como argumentista.
A série”Lefranc” nunca teve o devido impacto popular pelos nossos bedéfilos, sempre só atentos à de “Alix”...
Entre altos e baixos, este é um dos mais conseguidos tomos em relação aos mais recentes. Estará este novo fôlego na consequência perita do argumento de Alvès e da bela arte de Corteggiani? Talvez...
O certo é que “Mission Antarctique” entusiasma bem o leitor. E a velha e lendária ideia, mistificada, de que no subsolo da Antártida existe uma base de extraterrestres, aqui tal “maluqueira” por comprovar, é uma sinistra base de hitlerianos que têm o seu temível “disco voador”!... E, se for assim... Uma hipótese a provocar acesos debates entre os entusiastas do tema.
De resto, por aqui reaparecem, o “eterno” inimigo de Lefranc, que é o famoso e tão desleal Alex Borg  (agora sem barba e de visual um tanto cativante) e o adolescente protegido de Lefranc, Jeanjean.
Porém, será que Lefranc, enquanto sofria as “passinhas do Algarve” na Antártida, só por lá viu, só e apenas...pinguins, como ironicamente afirma na última vinheta?!... 
LB

sexta-feira, 18 de julho de 2014

NOVIDADES EDITORIAIS (56)

BRITANNIA - Edição Casterman. Segundo as narrativas do herói-série "Alix" sob criação de mestre Jacques Martin, "Britannia" é o 33.º tomo, com argumento de Mathieu Bréda, traço de Marc Jailloux e cores de Corinne Billon.
Júlio César tinha tanto de grandeza como de perfídia e caturras teimosias. Em guerras para apaziguar e dominar os gauleses e noutras lutas contra o seu adversário Pompeu, resolve invadir a Britannia (hoje, Inglaterra)... E agora, a ficção deste enredo: a pretexto de auxiliar o jovem príncipe britânico Mancios e de lhe devolver o trono, já como legítimo rei, em Camulodunon (actual Colchester) e dominado pelas adulações de um comerciante e intriguista gaulês, Viridoros, arrasta Alix e Enak para essa temerária aventura, esquecendo-se do vigoroso e resistente orgulho celta...
A aventura é muito interessante, com o senão da letragem ser muito pequena, dificultando a leitura pelos olhos de muito boa gente. Por sua vez, o grafismo de Marc Jailloux está correcto, não traindo o dos seus mestres Jacques Martin e Gilles Chaillet.


 
LE GRAAL - Edição Akileos. Argumento de Jordan Mechner e traço de LeUyen e Alex Puvilland. "Le Graal" é o segundo e último tomo da série "Templiers".
Embora com bastante ficção, a série relata a história  dos Cavaleiros do Templo, os Templários, agora abordando já o fim trágico que tiveram, devido ao carácter sinistro e cruel de Filipe IV de França (dito, O Belo) e à tibieza do papa Clemente V. 
Filipe IV, também conhecido como o "Rei de Mármore" e/ou  "Rei de Ferro", não olhava a meios para conseguir os seus fins. E devidamente apoiado pelo seu ministro não menos cruel, Nogaret... 
Sobretudo queria ouro e outras riquezas para continuar os suas implicativas e constantes campanhas militares. Como régio caloteiro, já devia bons dinheiros aos Templários, mas para resolver a sua desmedida paranóia, nada melhor do que apanhar-lhes tudo e liquidá-los de vez. 
Tudo isto a História regista. E no entanto, o lendário "tesouro dos Templários" jamais foi achado! Há quem afirme, pois, que esse tesoiro não era material, mas era sim o conhecimento que os Templários tinham sobre a Vida, o Mundo, o Universo...
E se estiver aqui a verdade?


 
18 MINUTES POUR SURVIVRE - Edição Bamboo (Grand Angle). Argumento de Patrice Ordas e Patrick Cothias e arte gráfica de Jacques Manini. 
"18 Minutes Pour Survivre" é o segundo tomo (ainda haverá um terceiro) da série "S.O.S. Lusitania", relatando com alguma necessária ficção e romance, um dos mais trágicos episódios nos mares do Atlântico Norte.
Decorria, em 1915, a Primeira Grande Guerra e os Estados Unidos ainda estavam neutros e aquém dos belicosos factos que decorriam na Europa (mas também em África e em zonas asiáticas). Um luxuoso paquete inglês, o "Lusitania", recheado de passageiros das mais diversas idades, ruma de Nova Iorque à cidade inglesa de Liverpool. Um navio de guerra escolta-o, mas cedo deixa o "Lusitania" à sua sorte, sob o comando do experiente e heróico William Thomas Turner. Porquê esse abandono inglês, quando se sabia que os submarinos alemães tinham indicações para torpedear qualquer barco inglês?!... E foi o que aconteceu a 7 de Maio de 1915, por acção do submarino U-20 sob o comando de Walther Schwieger. Em 18 minutos, o "Lusitania" (que afinal também levava muito material de guerra camuflado) afundou-se. Dos 2975 passageiros e 950 tripulantes, apenas 723 pessoas sobreviveram.
Nota sobre este tema: com o título "A Tragédia do Lusitânia", o "Mundo de Aventuras" (2.ª fase) n.º 449 (1982), publicou em quatro pranchas este episódio da História, com argumento de Yves Duval e grafismo de Fernand Cheneval.


KOLIA - Edição Casterman. Argumento de Valérie Lemaire e grafismo de Olivier Neuray. "Kolia" é o segundo e último tomo de "Les Cosaques d'Hitler".
Os cossacos, tradicionalmente povo-nação de muita coragem, valentia e cioso da sua independência, cedo se viram perseguidos pelas caprichosas e cruéis perseguições de Estaline, que nada ficava (nem ficou) a dever às paranóias de Hitler. No sufoco em que estavam, preferiram aliar-se ao líder nazi, então a somar vitórias... Mas Hitler perdeu a guerra e os cossacos ficaram mal, aparentemente protegidos pelos ingleses que, bem cedo e hipocritamente, os entregaram aos soviéticos. Uma canalhice imperdoável, pois os mandantes de Londres sabiam muito bem o que iria acontecer a este povo. Mais um gesto repugnante da parte dos ingleses!
Em "Kolia", sobressai sobretudo, o relato do que sofreram as mulheres e as crianças nos gulags na Sibéria.
Esta curta série é extremamente dramática, comovente e indicada para uma leitura obrigatória.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

NOVIDADES EDITORIAIS (45)

AS ÁGUIAS DE ROMA / 4 - Edição Asa. Autor: Enrico Marini.
Esta magnífica série focando as lutas da Germânia (mais ou menos com os vários povos unidos pelo valoroso Ermanamer ou Arminius) contra o Império Romano, está cada vez mais deslumbrante. E neste quarto tomo, Enrico Marini esmerou-se nas espectaculares cenas de batalhas e no ilustrar sem qualquer reserva, momentos violentos e típicos dessas épocas.
Praticamente em simultâneo com esta publicação em português, editou-se a versão francesa, "Les Aigles de Rome / Livre IV", pela Dargaud Éditeur.

 
DRACULEA - Edição Casterman. Autores: Jerry Frissen e Jean-Luc Cornette como co-argumentistas, traço de Jean Pleyers e cores por Corinne Pleyers.
"Draculea" é o 14.º tomo da série "Jhen", que teve início sob a parceria Jacques Martin-Jean Pleyers. O argumento deste tomo narra a deslocação do jovem e destemido arquitecto Jhen Roque até à Valáquia, região do histórico e lendário Drácula.
Nada indica aqui o mito do vampirismo, mas apenas sobeja crueldade, muito sangue e dementes paixões incontroladas. Não deixa de ser um álbum de aplauso.
Nota: a série "Jhen" continua inédita em português!...

 
LE ROI POURRI - Edição Delcourt. Argumento de Thierry Gloris e arte gráfica de Joël Mouclier.
"Le Roi Pourri" é o terceiro e último tomo da exuberante e escaldante série "Merídia", com momentos bem insólitos e uma alta e atrevida licenciosidade no que toca ao erotismo. Claro que tem cenas chocantes, mas para mentes apardaladas e falsamente moralistas. 
Aplausos plenos!

 
L'ONDE SEPTIMUS - Edição Dargaud / Blake et Mortimer. Continuando a série "Blake e Mortimer" criada por Edgar-Pierre Jacobs, este é o 22.º tomo, com argumento de Jean Dufaux, traço de Antoine Aubin e Étienne Schréder e cores de Laurence Croix.
É como que uma continuação do famoso tomo "A Marca Amarela", que se registou como o melhor de toda a série. E Jean Dufaux agarrou bem esta ideia.
Um pequeno grupo de admiradores e saudosistas do diabólico Prof. Jonathan Septimus, tenta avançar com as pesquisas deste, enquanto que, por sua vez, o Prof. Mortimer, procura o mesmo... São audácias de avanço muito perigosas. O fantasma de Septimus entra em cena e desdobra-se assustadoramente, em busca da sua cobaia por excelência, "Guinea Pig", ou seja, o sinistro coronel Olrik. E por todo este desenrolar, Francis Blake, descobre no subsolo londrino uma grande e enigmática astronave...
Este álbum foi também logo editado em português pela Asa.

MASSALIA! MARSEILLE - Edição Casterman. Continuando a série "Les Voyages d'Alix" de Jacques Martin, Gilbert Bouchard ilustra profusamente a história da cidade de Marselha (França), desde a sua fundação pelos fenícios, que lhe deram o nome de Massália, até à sua conquista por Júlio César, tendo a  cidade tomado então o nome de Massília.
Interessante e didáctico, o prefácio assinado pelo arqueólogo Manuel Moliner.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

NOVIDADES EDITORIAIS (43)

LA MORT, SOUS TOUTES LES FORMES - Edição Lombard. Argumento de Stephen Desberg e traço de Bernard Vrancken. Trata-se do primeiro tomo da série "H.ELL" (claro, um jogo com o termo inglês "hell", que significa inferno).
Num país e num tempo imaginados, o nobre e tão respeitado cavaleiro Harmond Ellander, de repente, cai em desgraça e é banido da corte e despojado de tudo. Até sua esposa Erline, logo o abandona e o jovem nobre fica mesmo proibido de ver os seus filhos, Arthaud (que aceita com entusiasmo sir Allaman, amante de sua mãe) e Helmia (que sofre por não ver o pai).
Mas Ellmander não é condenado à morte nem encerrado numa masmorra. É nomeado pelo rei como questor, encarregado de fazer justiça (ou coisa que o valha) ante os piores criminosos da ralé da cidade. Acerta com as letras do seu nome, e adopta o "nome de guerra" H.ELL. E assim começa a sua turbulenta lenda com muita violência e muito conveniente erotismo.
Maravilhosa arte gráfica complementada com as cores de Mikl.


BD JORNAL / 30 - Edição BD Jornal, sob coordenação de J. Machado-Dias. Este exemplar foi lançado durante o recente Festival da Amadora e vem recheado de belíssimos artigos, contendo também uma entrevista com Nuno Saraiva. E, claro, mais uma vez, uma viagem (já cansativa) ao mundo do herói "Tex", com dezassete páginas, quando, como soe dizer-se, "o que é demais, farta!"...


KAH-ANIEL - Edição Lombard. Com argumento de Yves Sente e a belíssima arte gráfica de Grzegorz Rosinski, "Kah-Aniel", é o 34.º álbum da série "de culto" (assim merecidamente adjectivada pelas maiorias), "Thorgal".
O misterioso (extraterrestre?) Thorgal, feito viquingue por adopção, desta vez embrenha-se pelos desertos escaldantes de zonas mais ou menos arábicas... Acima de tudo, quer salvar e recuperar o seu filho mais novo, o pequenote Ariel, que foi "docemente" raptado pela fanática seita dos "Magos Vermelhos", sendo preparado para ser sacrificado e ser incorporado pelo líder abatido Abdel El Hal...
Curiosos aspectos que aqui se encontram: a bela Shazade terá sido inspirada na famosa Xerazade. A mangnífica cidade Bag Dadh, é muito certamente buscada na actual Bagdad (capital do também actual Iraque).
E, num plano mais sério e cruel, o confronto hipócrita e sinistro entre o Califa Ahmed Al Walond e o Grão Vizir Idriss Bin Hofar será certamente repescado da tão divertida série "Iznogoud"... Estes aspectos serão apenas má interpretação nossa?... Todavia, é um álbum espectacular e a merecer aplausos.


L'OMBRE DES CATHARES - Edição Casterman. Da série "Jhen", criada pelo saudoso mestre Jacques Martin, este é o 13.º tomo, tendo Hugues Payen no argumento e Jean Pleyers no traço e Corinne Pleyers nas cores. Bizarramente, esta vigorosa e controversa (pelos enredos) série, mantém-se rigorosamente inédita em Portugal! Estranha desatenção da parte dos nossos editores de Banda Desenhada!...


GAUGUIN - Edição Lombard. Argumento de Maximien Le Roy e arte gráfica de Christophe Gaultier. Tema: de certo modo, é a biografia do grande pintor (e não só) Paul Gauguin (1848-1903), sobretudo no seu exílio voluntário nas Ilhas Marquesas no Pacífico do Sul, tendo-se então afastado de sua esposa e dos seus cinco filhos, que ficaram em França.
Sempre irreverente e contestatário foi, até ao fim da sua vida, um corajoso rebelde contra muitos aspectos da sociedade, como a polícia, a religião, o casamento, etc. No Pacífico do Sul sentia-se livre, inspirado e feliz, no meio da Natureza e do povo local que bem o estimava.
LB