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sábado, 21 de setembro de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (180)


LES ADIEUX DU RHINOCÉROS - ​Edição Glénat. Autores: argumento de Pierre-Roland ​Saint-Dizier, traço de Andrea Mutti e cores de Vladimir ​Popov.
​Desde a lendária, fantasiosa e fatítica cacetada que ​Caim aplicou a seu irmão Abel, que o bicho-homem não ​parou de se agredir e de tentar aniquilar o seu semelhante, ​sobretudo com o brilhantismo repugnante das bombas ​atómicas em Hiroxima e em Nagas​áqui… Um desfilar de ​uma infindável e violenta demência, com vários genocídios ​e crueldades pelo meio, através dos séculos. Um delírio!
​A incrível catástrofe agrava-se quando o dito bicho-homem, passa a destruir a Natureza: árvores e outros bichos. E são: ​lutas de galos, lutas de cães, toiradas, abates de bebés focas, ​tiro aos pombos, etc... Para quê?!…
​Há espécies já irremediavelmente extintas. E há outras, em vias disso: tigres, elefantes, rinocerontes, pangolins, gorilas, ​orangotangos, leões, etc.
​"Les Adieux du Rhinocéros" (Os Adeus do Rinoceronte) é um ​magnífico e angustiante libelo acusatório contra a abominável ​matança do rinoceronte para deles se aproveitar o corno (que ​lhes cortam com eles ainda vivos e agonizantes) que, na estupidez de alguns povos (China, ​Vietname, etc), não só cura o cancro, como acentua a virilidade ​sexual do homem!!!... Não sabem usar o viagra?!… Tanto mais ​que cientificamente, está provado e comprovado, que o corno ​do rinoceronte não tem qualquer propriedade terapêutica!
​Sinistros e poderosos comerciantes, aparentemente ocultos com ​dezenas de caçadores furtivos ao seu serviço, por aqui fazem ​imbecis fortunas, muitas vezes com a cumplicidade corrupta e ​hipócrita de alguns políticos africanos. Neste belo álbum, tão ​revoltantemente chocante como amarguradamente emotivo, ​toda a denúncia feita a uma imperdoável situação em pleno ​século XXI!...
​Hergé, em "Tintin no Congo", já disparatara (ele era ainda um ​tanto ingénuo) pondo Tintin a fazer de herói de caça selvagem.
​Então o abate, por explosão, de um rinoceronte, é um horror!...
Atentem bem, leitores, em "Les Adieux du Rhinocéros", uma obra-BD a exigir uma urgente edição em português. Na edição francesa, apenso na capa, um autocolante convidando ao apoio ao Fundo de Conservação da Associação Francesa dos Parques Zoológicos.
O inacreditável abate de rinocerontes (e não só), não é para matar a fome, mas para, repulsivamente, alimentar demências e vazias vaidades, impensáveis e criminosas. BASTA!...


VIDA Y MUERTE DE FEDERICO GARCÍA LORCA - ​Edição Universal Cómics. Autores: argumento do irlandês Ian Gibson e arte gráfica do espanhol Quique Palomo.
Neste espaço, a 31 de Julho, divulgámos a edição em português de "O Rasto de Garcia Lorca", da editora Levoir e com outros autores. Hoje, aqui focamos novamente Federico Garcia Lorca, que merece sempre, mas agora numa criação mais apurada da biografia do genial escritor (e não só…), martirizado e assassinado durante a Guerra Civil de Espanha nos anos 30 do século passado.
Na BD, uma e outra versão, complementam-se devidamente. Mas esta obra de Gibson /Palomo, que existe apenas e por enquanto no idioma castelhano, é a mais completa e a mais ousada.
Há que ler e comparar sem ideias confusas, as duas publicações e manter a eterna e emotiva admiração pela personalidade marcante e invejável por quem gritou, rasgando-se em dor sentida, em versos como:

Verde que te quero verde.
Verde vento.Verdes ramos;
O navio sobre o mar, o cavalo na montanha...

ou

Prado de sangue vermelho.
Luz de ontem, luz de amanhã.
Céu mortal de relva.
Luz e noite de areia...



QI 157 - Edição: Edgard Magalhães
Recebemos mais um número do "QI", o (muito) interessante fanzine do incansável e dedicado Edgard Magalhães.
Como se não bastasse o bem servido "recheio", com as rubricas habituais, este número trás, sob a forma de encarte, uma bela e justa homenagem de Edgard Guimarães a dois nomes incontornáveis da BD portuguesa: Jorge Magalhães, argumentista, investigador e coordenador editorial (entre tantas outras coisas), que, infelizmente, nos deixou a 1 de Dezembro último, e Augusto Trigo, desenhador de méritos bem conhecidos e parceiro de Magalhães em algumas das melhores páginas desta forma de arte.
Nesse encarte, Edgard teve a gentileza de transcrever partes dos textos que os escribas deste blogue dedicaram a Jorge, aquando do seu falecimento, o que muito nos honra e sensibiliza. 
Mais um número a não perder, como sempre.
LB/CR

sexta-feira, 12 de abril de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (168)

NABUCHODINOSAURE / 2 - Edição Bamboo. Autores: arte de Roger Widenlocher, também co-argumentista com Goulesque, que é também co-colorista com Federico.
Trata-se do segundo tomo da série "Les Nouvelles Aventures Apeuprèhistoriques de Nabuchodinosaure".
Como não podia deixar de ser, é um imenso delírio de situações absurdas e magistralmente divertidas.
O talento de bem nos fazer rir com os desaires de Nab, é notório, sobretudo da parte do sempre pândego e brincalhão Widenlocher.
Uma obra indispensável e salutar para aliviar de imediato qualquer m​á disposição.



A MORTE DO LIDADOR - ​Edição Serafim e Malacueco, Inc. Autor: José Pires, segundo ​Alexandre Herculano, agora na colecção "Fandaventuras".
​Uma bela e impecável criação do nosso veterano constantemente ​activo, José Pires, sempre de parabéns.
​Este tema tem sido abordado pelos nossos mais variados artistas, ​em diversos aspectos, mas pela Banda Desenhada propriamente ​dita, registam-se cinco: Eduardo Teixeira Coelho, José Garcês, José ​Pires, Baptista Mendes e, na vertente humorística, Artur Correia.
​Cremos que dos textos de Alexandre Herculano, é o que até hoje ​tem sido mais "usado" na 9.ª Arte. Outros mais já passaram aos ​"quadrinhos", como "Eurico, o Presbítero", "O Monge de Cister" ​(no Brasil), "O Bobo", "A Dama Pé-de-Cabra" e "O Castelo de ​Faria". Curiosamente, uma das mais fortes narrativas de Herculano, "​O Bispo Negro", nunca foi adaptada!...
O exemplo valoroso do nosso Gonçalo Mendes da Maia, está bem marcado e homenageado na Banda Desenhada Portuguesa. Que pena não haver a mesma (ao menos uma!) abordagem pelo nosso Cinema!...



L'ARMÉE INVISIBLE - Edição Dargaud. Autores: argumento de Raule e arte gráfica de Juan Luis Landa.
Sob a sombra do famoso e enigmático médico e profeta Nostradamus, agora moribundo, os seus discípulos tentam resolver, custe o que custar, sinistras situações onde imperam a magia e a feitiçaria…
Neste quarto tomo da série "Arthus Trivium", ​Arthus, César, Angélique ​e Angulus, correm perigo de vida nos confrontos com a bizarra e ​vingativa raiva da implacável feiticeira Mélusine…
​Um argumento sufocante e um grafismo deslumbrante.



QI / 153 - O número 153 do fanzine "QI" chegou-nos às mãos já depois do número 154, não por culpa do seu competentíssimo editor e nosso amigo Edgard Guimarães, certamente, mas por lapso ou atraso involuntário dos serviços de correio, porventura. Seja como for, nenhum mal vem daí ao Mundo, até porque a leitura do "QI" é sempre motivo de satisfação, independentemente do exemplar que leiamos.
A juntar às rubricas habituais ("Fórum", "Edições Independentes", "Mantendo o Contacto" e "Cartuns e Outros"...) muita e interessante colaboração avulsa mantêm o "QI" num nível bem alto.
Como encarte, o número 10 da colecção de "Artigos sobre Histórias em Quadrinhos" traz mais um belo estudo de Carlos Gonçalves: "Os Pseudo Cow-Boys dos Quadrinhos".

LB/CR

domingo, 18 de fevereiro de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (139)

DES MIETTES AU FESTIN - Edição Soleil. Autores: argumento de Olivier Pery e arte de Francesco Mucciacito. “Cosme 1er, Des Miettes au Festin”, é o 4.º  e penúltimo tomo da apaixonante série “Medicis”.
Interessante da série: tem um “narrador” que é, nem mais nem menos, que a própria cidade de Florença (Firenze), contando a sua agitada história, sobretudo, com o governo da famosa família Médici, uma atrevida, grandiosa e poderosa dinastia política.
No álbum, na contracapa, cita-se: “Nós, os Médici, somos os príncipes de um tempo novo, as nossas acções não têm a grandeza e a nobreza dos de antigamente, mas são a imagem das nossas batalhas. Sórdidas, sem coragem e oportunistas”.
Todos os Médici amaram, profundamente e à sua maneira, a região da Toscânia e a sua principal urbe, Florença. Por essa história, muita intriga (e alguns “convenientes” assassinatos), ambições políticas e não só, pois desta família existiram quatro Papas, e também a paixão e protecção pelas Artes, a par de muita depravação sexual.
Adolescentes, três primos são muito “amigos”: Alessandro (que será assassinado por Lorenzino, que por sua vez será assassinado em Veneza ), Lorenzaccio (o mesmo Lorenzino) e, o mais novo, Cosimo, aparentemente ingénuo e um tanto “gata borralheira” deste trio. Já jovem adulto, Cosimo, lutou por ele e pela sua Florença, sem se importar com os meios para atingir os fins. Foi o segundo Duque de Florença e o primeiro Grão-Duque da Toscânia.
É pois todo este período da sua vida (1519-1574) que é narrado neste tomo, com o belo grafismo de Mucciacito.

HORS D’OEUVRE - Edição Dupuis. Autores: traço de Luc Brahy, argumento de Delphine Lehericey e Fanny Demarès e cores de Bertrand Denoulet.
É o primeiro tomo da série “Étoilé”, a despertar gulosos apetites e com descaradas intrigas  no esquema.
Está na moda, nos jornais, revistas e televisão, falar-se ou escrever-se muito sobre culinária. E até há frequentes concursos televisivos!... Tudo para “encher a pança” e forjar vaidades nas vedetas deste ramo para bem comer...
A  Banda Desenhada tem estado atenta e agarrou o assunto, pelo menos, com uma série muito interessante, “Étoilé”, pela belga Dupuis.
E vai daí, aconselhamos esta obra com a bela arte de Luc Brahy.


LE COSMOS EST MON CAMPEMENT - Edição Delcourt. Autores: segundo a novela de Alain Damasio, tem argumento e traço de Éric Henninot e cores de Gaétan Georges. É o primeiro tomo da série “La Horde du Contevent”.
Notória ficção amarga e seca. Tudo se passa num clima de pesadelo, num planeta árido, constantemente fustigado por ventos implacáveis. Alguns corajosos tentam chegar à fonte dos ventos e estancá-los. Mas...
Na continuação desta série, veremos onde tudo isto vai dar.


QI 148 - Editor: Edgard Guimarães (Brasil).
Recebemos mais um excelente número do fanzine "QI" - um caso raro de publicação amadora com vida tão longa e ininterrupta - e a verdade é que, com quase centena e meia de números editados, nos continua a impressionar pela sua qualidade gráfica e pelo interessante conteúdo. 
Começando pela capa (da autoria do próprio Edgard Guimarães), passando pela rubrica "Fórum" (sempre uma das mais consistentes), a entrevista ao malogrado Fernando Bonini, um interessante artigo de E. Figueiredo sobre "Robin Hood e o seu espírito maçom", o habitual catálogo de edições independentes recebidas e, também, mais um encarte, o 9.º da colecção "Artigos sobre Histórias em Quadrinhos", com texto e pesquisa de Carlos Gonçalves, desta feita sobre a monumental obra "A História do Oeste". 
Como sempre, nota dez para o meritório trabalho do nosso amigo Edgard!
Contacto: edgard.faria.guimaraes@gmail.com
Nota a posterioriO "QI" também pode ser obtido em pdf (embora sem todos os suplementos) aqui.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

NOVIDADES EDITORIAIS (102)

DES HORIZONS DE FEU - Edição Lombard. Autor : Philippe Gauckler.
Com este terceiro tomo, a série “Koralovski” chega ao fim.
Por ela passam acções fortes, rivalidades e ambições desmedidas pelo poder, não só na confrontação de Viktor Koralovski, que se opõe a Vladimir Khanine, o dirigente máximo do governo russo, mas também por atitudes obscuras de outras potências do mundo.
O petróleo é a grande causa, mas também a séria ameaça de um descontrolado e disparatado ataque nuclear... Um enredo escaldante.

PANDORA / 2 - Edição Casterman.
Através de 264 páginas, desfilam obras em histórias curtas, de vários desenhistas de diversos países, como Jean-Marc Rochette, Jirô Taniguchi, Eleanor Davis, Vittorio Guardino, Aapo Rapi, Michel Pirus, Matthias Lehmann, Jean Pleyers, Grégory Panaccione, Nancy Peña, Art Spielgelman, Andrea Cucchi, Jean-Paul Krassinsky, Anthony Pastor, Jenolab, Katsuhiro Otomo e outros mais, cada um nos seus próprios estilos, que deixam o leitor perplexo ante uma escolha de preferências.
“Pandora” é, pela editora, classificada de “revista de Banda Desenhada e Ficção”, mas ultrapassa bem esta humilde definição.
A ler e a coleccionar.

 
SER JOVEM NO MÉDIO ORIENTE - Edição Teorema (grupo Leya). Autor: o franco-sírio Riad Sattouf.
Há muito se aguardava a edição em português deste segundo tomo da série “O Árabe do Futuro”, que agora abrange os anos 1984-1985, da vida do protagonista central que não é outro senão o próprio autor. Dá-se aqui continuidade ao primeiro tomo (período de 1978-1984) editado pela Teorema em 2015.
Narra o quotidiano alucinante da família Sattouf sob a ditadura do presidente sírio Hafez Al-Assad.
Uma obra com grande força, predestinada ao pleno êxito, não esquecendo que o primeiro tomo recebeu honrosos e bem merecidos prémios.
Uma série a acompanhar com o devido entusiasmo.


Q.I. / 140 - Edição: Edgard Guimarães
Mais um número do fanzine "QI", que continua a presentear-nos com artigos e temas de grande interesse.
Neste exemplar, referente aos meses de Julho e Agosto, destaque para a bem recheada secção "Fórum" (com 12 páginas!), onde leitores e editor comentam e trocam opiniões sobre o mundo das HQ's.
Outro belo artigo de fundo é o dedicado ao super-herói brasileiro (também existem, sabiam?!) Raio Negro.
O "QI" continua a transcrever a série de artigos que José Ruy publicou inicialmente no BDBD sobre as revistas infanto-juvenis: o destaque, desta vez, vai para o "Cavaleiro Andante".
As outras habituais secções e um encarte de Carlos Gonçalves sobre "As Histórias em Quadrinhos de Terror" completam o miolo de uma publicação de excelente nível.
Aos interessados em assinar este fanzine, deixamos o contacto do editor Edgard Guimarães: edgard@ita.br

quarta-feira, 25 de maio de 2016

NOVIDADES EDITORIAIS (93)

PANDORA #1 - Foi uma maravilhosa surpresa depararmos com o n.º 1 da luxuosa revista de “Banda Desenhada e Ficção”, publicada em Abril passado pelas edições Casterman.
E que revista! São “apenas” 264 páginas com histórias completas e inéditas. Lá estão todos os géneros e estilos abrangendo mais de uma vintena de desenhistas francófonos, anglófonos, mas também, de Itália, Finlândia e Japão. Na verdade, um luxo admirável. E as narrativas servem todo o público, não importando a idade e/ou o gosto preferencial.
Do lote de desenhistas que participam neste primeiro tomo destacamos alguns (só alguns) talentos notáveis: o japonês Katsuhiro Otomo, os finlandeses Aapo Rapi e Ville Ranta, os italianos Lorenzo Mattoti e Fabio Viscogliosi e... dos outros, Christian Rossi, Michel Pirus, Eleanor Davis, Art Spiegelman, Johan De Moor, Jacques De Loustal, Matz, Bastien Vivés, etc.
A abrir este volume, um editorial do chefe-de-redacção Benoît Mouchart.
Aguardemos que em números futuros, alguns desenhistas portugueses também possam ser seleccionados para colaborar em “Pandora”...
Recorde-se  que Pandora, segundo a mitologia grega, foi a primeira mulher. de certo modo, como a Eva bíblica. Bela e sedutora, era também muito atrevida e curiosa, e guardava uma  caixa (ou cofre) que jamais deveria abrir. Mas não resistiu e abriu-a! Dela saltaram e se espalharam irrecuperavelmente pelo mundo, todos os males (ou seriam os bens?) ...
O número 2 de “Pandora” está programado para sair no próximo Outono.
Parabéns, Casterman!


TALCO DE VIDRO - Edição Polvo. Autor: Marcello Quintanilha.
O talento, como argumentista e como desenhista, do jovem brasileiro (a residir em Barcelona) Marcello Quintanilha, volta a entusiasmar-nos em pleno pela bela e corajosa força das suas criações.
Depois do escaldante “Tungsténio” (também editado pela Polvo), é agora “Talco de Vidro” que sacode em pleno as nossas meninges.
Aqui se narra a vida de Rosângela, uma mulher que tem tudo para ser rotineiramente feliz na vida, até que recebe a visita de uma prima que há muito não via, que não era tão acomodada no quotidiano, sendo porém, muito mais bela, aspecto que irrita Rosângela ... E vem o descontrolo, a queda vertiginosa da mesma Rosângela...
“Talco de Vidro” é um álbum-BD imperdível!


 
L’HOMME-OISEAU - Edição Casterman. Com argumento de Roger Seiter e arte de Régric (aliás, Frédéric Legrain), “L’Homme-Oiseau” é o 27.º tomo da série “Lefranc”, criada pelo saudoso mestre Jacques Martin.
O herói, o jornalista Guy Lefranc, integrado numa expedição científica, vai até à exótica Ilha da Páscoa, no Oceano Pacífico e sob bandeira do Chile.
Mas o súbito achamento no mar de um jovem pascoano que fora assassinado, levanta logo uma situação pesada a Lefranc e a toda a expedição.
E, por esse tempo, cai na ilha uma “nave espacial”, cujo piloto se escapa e que não pode ser apanhado pelas gentes da ilha e muito menos pelo pessoal de um outro navio, sob o comando do sinistro Axel Borg, o eterno  inimigo de Lefranc.
“L’Homme-Oiseau” é um dos mais conseguidos álbuns desta série na fase post-Martin.


Q.I. #138 - O incansável Edgard Guimarães fez-nos chegar mais um número do seu fanzine "Q.I." ("Quadrinhos Independentes"), como sempre com rubricas muito interessantes e colaboração diversa.
De entre estas, salientamos as dos nossos Carlos Gonçalves (que publica um texto sobre o Historial do Clube Português de Banda Desenhada) e José Ruy (que vê, transcrito directamente do nosso blogue, um artigo dedicado ao jornal "O Papagaio").
Duas entrevistas, a Marcio Sidnei e a Eugenio Colonnese; as habituais secções dedicadas às publicações amadoras e à correspondência trocada com os leitores do fanzine; a série "Poeta Viral" e uma mão cheia de colaborações gráficas avulsas, confirmam este "QI" como um caso sério no panorama editorial independente.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

NOVIDADES EDITORIAIS (86)

BOB MORANE, INTÉGRALE 1 - Edição Lombard. Autores: Henri Vernes (argumentos) e Dino Attanasio (arte gráfica) e um dossiê-prefácio por Jacques Pessis.
As primeiras aventuras em BD de Bob Morane e de seu amigo Bill Ballantine, estão já reunidas em álbum na versão integral, primeiro tomo: “L’Oiseau de Feu”, “Le
Secret de l’Antarctique” e “La Terreur Verte”.
Indubitavelmente, três narrativas apaixonantes, cheias de mistérios insólitos e situações arriscadas para os dois heróis.
Na segunda, “O Segredo da Antártida”, há vários momentos que nos fazem lembrar (e bem!) a novela “Viagem ao Centro da Terra” de Jules Verne, o que não é nenhuma sangria desatada.
É de ler e coleccionar os integrais de Bob Morane!


JÚNIOR, JOANA E GÃO, 1 e 2 - Em simultâneo, as edições Polvo publicaram os dois primeiros tomos da série “Júnior, Joana e Gão”: Um Mundo de Aventuras” e “O Outro Mundo”, com textos de Luís Almeida Martins e arte de Pedro Morais.
Suaves e simpáticas pequenas peripécias de dois garotos, Júnior Joana, mais o seu inteligente animal de estimação, o bizarro Gão,que é um misto de gato e cão, que tem um irmão gémeo, o Cato (misto de cão e gato), que vive na Lua e que fala de um modo esquisito... Uma diversão!
Há subtis alusões a factos e/ou personagens de outras bedês. como uma brevíssima intervenção-caricatura a Dupond Dupont...
Parabéns aos autores!


LES PORTES DE FER - Edição Casterman. Argumento de Jerry Frissen e arte do holandês Paul Teng, segundo Jacques Martin.
“Les Portes de Fer” é o 15.º álbum da série “Jhen”, que tem a maioria desenhada por Jean Pleyers. O herói é o arquitecto italiano Jhen Roque, na Idade Média, que foi criado por Martin, apenas para os argumentos.
Sendo uma série belíssima, cremos que jamais foi editada em português, o que é estranhíssimo!...
Neste tomo, Jhen e o seu amigo Venceslas, regressam a França, mas em terras banhadas pelo Danúbio, são apanhados numa guerra sem quartel entre turcos otomanos e fundamentalistas cristãos. É uma feroz confusão cheia de barbaridades de parte a parte...
De notar neste tomo, a espectacular arte de Paul Teng.


QI/136 e PEQUENA BIBLIOTECA SOBRE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS/3 Edgard Guimarães, coordenador do fanzine "QI" (Quadrinhos Independentes), apresenta-nos, mais uma vez, um número recheado de interesse, com muitas colaborações e onde se inclui um artigo de José Ruy (transcrito do BDBD, sobre os jornais "O Mosquito" e "O Papagaio") e outro de Carlos Gonçalves intitulado "Jayme Cortez: um artista português que o Brasil ganhou".
Em paralelo, foi lançado o n.º 3 da colecção "Pequena Biblioteca sobre Histórias em Quadrinhos", excelente encarte com boa apresentação e informação vasta sobre o Suplemento de Quadrinhos da Folha de S. Paulo. 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

NOVIDADES EDITORIAIS (80)

JIM DEL MÓNACO / Especial - Edição Asa /Leya. Argumento de Tozé Simões, arte de Luís Louro e prefácio de Rui Zink.
Bravo, bravíssimo, bravo!...
O admiradíssimo herói Jim del Mónaco (bem como a sua exuberante e sensualona noiva Gina, o astuto servidor Tião e o vilão Aristides) festejam trinta anos em 2015. E parabéns por esta gloriosa efeméride!
Ei-los que são magnificamente “ressuscitados” (tal e qual e acertadamente não envelhecidos) num álbum especial com quatro novas aventuras: “Stalking Dead”, “As Bordabundas”, “O Cemitério dos Elefantes” e “O Macaco de Bili”.
Que maravilha!... Só se fica com pena quando a leitura do álbum chega ao fim...
Mas este tomo tem mais tentadoras “coisas” para além das quatro narrativas e do prefácio de Zink e, de entre elas, que Louro aplicou as cores com o apoio do computador; e, na terceira história, encontramos o humorista Nuno Markl a servir de modelo a um dos personagens. Um delírio!
Por mil e uma razões e mais alguma, é bem obrigatório ler-se este álbum, sendo também mais do que obrigatório que Louro e Simões não “matem” pela segunda vez esta série, bem portuguesa e nossa. Vamos a isso?


BAGDAD INC. - Edição Lombard, na colecção “Troisième Vague”, que aqui se inicia no modelo “álbum único”. Autores: argumento de Stephen Desberg e traço de Thomas Legrain.
Não se perdoa aqui a paranóia do ex-presidente dos EUA, George W. Bush, no seu capricho em inventar as armas de destruição massiva (que não existiam) de Sadam Hussein, só para disfarçar a sua voraz cobiça pelo petróleo iraquiano.
E depois, tudo descamba num ambiente escaldante e destruidor pelos imensos mercenários, agora chamados de forças de segurança privada, a soldo de uma cambada de gente poderosa que se rivaliza e que a todo o custo quer dominar e sugar as riquezas do Iraque. E neste conflito infernal, está uma incorruptível advogada (Chalene Van Evera) aliada a um não vendável “mercenário” (Jackson Baines) para acertarem contas com um fanático assassino em série, fugido e banido do seu país de origem, a República Sul-Africana...
Um argumento denunciante e sem medo e uma arte de pleno agrado.
Uma obra a ler, segurando os nervos!


SOUS LE SOLEIL DE MINUIT - Edição Casterman. Autores: o argumentista Juan Diaz Canales, com a arte de Rúben Pellejero.
É o 13.º tomo da série criada pelo saudoso mestre italiano Hugo Pratt. E é também, o triunfal regresso de Corto Maltese, agora “trabalhado” fielmente e com todo o cuidado , tanto no traço como no espírito desta série-ícone da Banda Desenhada europeia. Bravo!
A “rentrée” de 2015/2016 da BD, começa muito bem com dois maravilhosos regressos: Jim del Mónaco e Corto Maltese.
É proibido não ler este novo tomo de Corto Maltese, que se espera bem, esteja em edição portuguesa muito em breve, o que aliás, é urgente... Para já, parabéns à francófona Casterman e aos hispânicos autores, perfeitos e leais continuadores da obra de Pratt.


ANTARES / 6 - Edição Dargaud. Autor: Leo (aliás, Luís Eduardo Oliveira).
Depois do “ciclo Aldebaran” (5 tomos) e do “ciclo Betelgeuse” (5 tomos), o terceiro “ciclo” (Antares) conclui-se neste belo sexto tomo, sendo todos os “ciclos” partes da espantosa série “Les Mondes d’Aldebaran”, dita de ficção-científica...
Leo, que em 2000 foi homenageado ao vivo no respectivo
Salão-BD Internacional da Sobreda, não só tem o talento gráfico de nos fazer viajar, deslumbrados, por situações e mundos fantásticos, como nos projecta a pertinentes análises dos personagens que atravessam esta maravilhosa série.
Este álbum encerra com uma entrevista a Leo conduzida
por Marc Gauvain.
Obviamente, virá em breve um novo “ciclo” desta série...


"Q.I." #134 - Edição EGO.
Mais um número do fanzine "Q.I." ("Quadrinhos Independentes") que o seu activo editor, Edgard Guimarães, teima (e muito bem!) em publicar com uma regularidade impressionante.
Neste número, para além das habituais rubricas "Fórum", "Edições Independentes", "Mantendo Contato" e "Poeta Vital", temos outros artigos de interesse como o que o próprio Edgard Guimarães dedica ao Capitão América, ou o que o nosso amigo Carlos Gonçalves escreve sobre "Patagónia", a primeira aventura de Tex publicada em Portugal.
Como "brinde" deste número, temos o pequeno mas bastante útil encarte "O Mundinho dos Quadrinhos", onde Edgard aponta e corrige alguns equívocos de "O Mundo dos Quadrinhos", obra de referência nas HQ's brasileiras, de Ionaldo Cavalcanti.

segunda-feira, 18 de março de 2013

NOVIDADES EDITORIAIS (28)

CORTO MALTESE NO TEATRO - Não é inédito! Heróis-BD atrás de heróis-BD, têm-se sucedido no Cinema (está na moda) e em folhetins radiofónicos e, o que é talvez mais difícil e complicado, no Teatro.
Salientamos agora o caso, ou casos, do popular Corto Maltese... 
Aventuras deste personagem, em Itália, já foram levadas à cena com o devido êxito. 
Em Portugal, no filme "Zéfiro" (1993) realizado por José Álvaro Morais, o actor Paulo Pires fez de "Corto Maltese" numa intervenção muito especial.
Porém, o notável, aconteceu com a maravilhosa encenação de Carlos Carvalheiro (Companhia Fatias de Cá, em Tomar e regiões vizinhas), com a peça, "Corto Maltese - Concerto em O Menor para Harpa e Nitroglicerina" (da fase "As Célticas"). Que doideira maravilhosa, bem aproveitada nos cenários autênticos do espaço Teatro Destilaria da Brogueira, em Torres Novas!
Desta vez, "Corto Maltese" é muitíssimo bem vivido pelo actor Paulo Moura, que nos transmite o encanto fleumático e quiçá cínico, desse personagem-BD. 
No elenco desta peça, entre outros, contam-se: Bruno Guerra (Patrick), Joana Jacob (Banshee), Nuno Seixas (O'Sullivan), Filipe Seixas (Ogan) e Carlos Carvalheiro (Sean).
Pois este espectáculo, que às vezes é reposto pelo "Fatias de Cá", está gravado/editado em DVD. Quem o desejar, deverá contactar para: loja@fatiasdeca.net


A MALDIÇÃO DO AQUÁRIO - Edição Delcourt. Tomo décimo primeiro da bela série "Zodiaque", com os habituais autores do argumento e da capa, tendo agora no grafismo Vulkasin Gajic.
Poderá alguém, por estranho poder, transformar-se e até, ser "devorador" de outras espécies vivas?!... Que assustadora maldição é esta, que toca, força e queima os aquarianos?...


VOID 01 - A série, com álbuns autónomos, chama-se "La Grande Évasion". Este tomo, "Void 01", é o terceiro. Tem edição Delcourt, com argumento de Herik Hanna e grafismo de Sean Phillips.
Algures, no distante futuro e no espaço imenso, numa sinistra nave penitenciária, algo de brutal e vitalmente tenebroso acontece... Quem assassina quem? Quem procura, com loucura total ou estranha "consciência", sobreviver e livrar-se numa "grande evasão"?


WHALIGOË 1 - Com edição Casterman, "Whaligoë", é uma narrativa para dois tomos. Tem argumento de Yann e grafismo de Virginie Augustin.
Mistérios atrás de mistérios, localizados na sedutora e não menos misteriosa Escócia, sobretudo quando tudo se passa no "romântico" século XIX... Uma atmosfera no espaço e no tempo que jamais cansa os autores da Literatura, do Cinema, da Banda Desenhada.
Neste clima estranho em que um bizarro casal de Londres se refugia na aldeia que dá pelo nome de Whaligoë, nem mesmo falta a aparição do fantasma de uma bela jovem...
Neste ambiente pesado (a obra começa com um combate de galos), bem marcado pelas lendas e superstições dos celtas, Yann assume-se como um argumentista que sabe bem da poda e Virginie Augustin agrada-nos com o seu traço simples e bem expressivo.
Aqui estão alguns dos positivos ingredientes a seduzir qualquer amante da Banda Desenhada a uma atenta leitura.


QUADRINHOS INDEPENDENTES 119 - O brasileiro Edgard Guimarães edita, desde há muitos anos, o fanzine "QI" (Quadrinhos Independentes). De periodicidade bimestral, o "QI" destaca-se pelo conteúdo (banda desenhada, ilustração, artigos vários, divulgação de fanzines, cartas dos leitores, anúncios, etc) e pelo cuidado grafismo.  Este fanzine foi distinguido 13 vezes(!) com o prestigiado Prémio Angelo Agostini (entre 1995 e 2010) mas Edgard Guimarães (que também é autor das capas e de alguma banda desenhada inserida no "QI") não "abranda o ritmo" e continua a surpreender-nos a cada número que edita. 
O "QI" merece, sem dúvida, uma atenta leitura.