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quarta-feira, 13 de outubro de 2021

CAPAS (26) - HERMANN

Foto: Patrick Fouque/Paris Match
Gigante entre os gigantes desenhistas veteranos belgas, Hermann (ou seja, Hermann Huppen), para além do seu não questionável talento nos textos e na arte gráfica, é também um impecável e leal amigo de seu amigo. 
Domina vários idiomas, para além dos oficiais do seu país natal, como o inglês, o castelhano (entende o português) e o italiano. 
Por curto tempo, trabalhou em Montreal (Canadá) e em Nova Iorque (Estados Unidos). Foi seu cunhado, Philippe Vandooren, que o "arrastou" para o vasto e maravilhoso mundo da Banda Desenhada.
Em várias ocasiões, fez parceria com os argumentistas Yves Duval, Van Hamme e Michel Greg. Ultimamente, para além de ser autor total de algumas séries, tem colaborado com seu filho Yves Huppen, este como argumentista.
Tem diversas histórias curtas, álbuns de tomo único ("Sarajevo Tango", "Monsieur Vandisani", "Caatinga", "Lua de Guerra", "Abominable", etc) e as séries admiráveis, como "Nic" (para a infância), "Comanche", "As Torres de Bois-Maury", "Duke", "Jugurta", "Bernard Prince" (um dos seus heróis inesquecíveis), "Le Diable de Sept Mers", "Jeremiah" (outro dos seus heróis inesquecíveis), etc.
Grande parte da sua encantadora obra tem sido editada em português, mas ainda faltam alguns exemplos mais... 
Veio três vezes ao saudoso Salão-BD da Sobreda (Almada), onde deixou amizades e estimas, e foi ao festival Comicon Portugal (Porto), festa que detestou, embora tenha gostado dessa nossa cidade nortenha. Hermann também participou num dos salões da Amadora (donde não ficou com uma opinião muito positiva) e ao de Beja, que lhe agradou bem...
Aqui e agora, apenas algumas das suas belas capas com a sua arte, com votos absolutos para que em breve torne a visitar Portugal. Não é assim, Hermann? As amizades não se agradecem, apenas se aceitam e se cumprem.
Viva Hermann!
LB

quinta-feira, 19 de março de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (194)

ZÉ DO TELHADO - ​Edição Calçada das Letras. Autor: Eugénio Silva.
Aí está, finalmente, o tão desejado e esperado "Zé do Telhado, de Lanceiro a Salteador"!...
Foi, por diversas e desnorteantes circunstâncias, um "parto" difícil e arrastado… O impecável autor levou largo tempo para terminar esta obra, pois volta não volta, esmorecia e quase desistia dela. Não lhe faltaram insistentes incentivos de minha parte (LB), para além de colegas seus, como o argumentista Jorge Magalhães e os desenhistas José Antunes, Artur Correia, Baptista Mendes, Vassalo de Miranda, João Amaral...
Lá terminou, mas após isso, não acertava nas negociações com várias editoras…
Por fim, belo milagre surgiu com a editora Calçada das Letras…

Eugénio tem vivido e sofrido injustas situações que atentam amargamente contra o seu talento, e aí está agora com uma bem merecida vitória.
Sabemos que Eugénio Silva é um esmerado artista e muito exigente, a começar por ele próprio, em relação ​às suas criações. Ele aposta em si próprio, investiga ao máximo tudo e mais tudo…
​Maravilhoso e raro exemplar na sua (e nossa) 9.ª Arte, Eugénio, estamos contigo!
​Um caloroso aplauso a Eugénio Silva, à corajosa editora Calçada das Letras e ainda, ao sensato apoio que foi por aqui prestado, pela Câmara Municipal de Penafiel.
Alegrem-se pois, bedéfilos portugueses, que a tão almejada obra aí existe!...




UN HOMME QUI PASSE - ​Edição Dupuis. Autores: Daniel Lapière (argumento) ​e na arte. Dany (alias, Daniel Henrotin).
​Que obra tão maravilhosa, seja qual for a interpretação que se lhe dê, pois, como diz o povo, "cada cabeça sua "sentença"...
De Daniel Lapière, ​já conhecíamos alguns argumentos ​de alto valor… em parceria com outros valorosos desenhistas. Aqui e agora, apostou-se em alta força.
Quanto a Dany, o assunto fia agora mais fino e mais grandioso. Ele, volta n​ão volta, surpreende-nos com a ​sua arte tão cativante. Na sua bibliografia, constam ​alguns títulos, alguns infelizmente não editados em ​português, como a belíssima série "Olivier Rameau" (apenas editada na revista Tintin).
​Agora, cilindra-nos com este belo tomo único, "Un ​Homme Qui Passe". Bravo!
​Um homem maduro, pintor e somador de aventuras ​sexuais, Paul, e uma jovem, Kristen, "conhecem-se" ​sob uma terrível e assustadora tempestade, nas ​perigosas margens de uma ilha da Bretanha (França).
​É um encontro fabuloso em que, de certo modo, ambos tentam explicar-se e justificar os seus actos… Um ​encanto de argumento de Lapière, muito bem ​marcado pela arte de Dany. Tudo numa atmosfera bem ​dramática, quase violenta.
​Conselho: a ler sem perda de tempo em francês, ou talvez em necessária edição portuguesa.


COMANCHE, INTEGRAL/3 - ​Edição Ala dos Livros. Autores: Greg (1931-1999) no ​argumento, e arte de Hermann.
​Esta novel editora-BD nacional tem força e atenção ​bem apostada. Bem-haja!
​Desta vez, comemorando os 50 anos da vigorosa ​série "Comanche", a editora apostou com toda a ​consciência e galhardia, em reeditar integralmente em ​três tomos, a dita cuja série. Deste terceiro e último ​tomo (com alguns episódios inéditos), constam: "E o ​Diabo Gritou de Alegria", "O Corpo de Algernon ​Brown", "O Prisioneiro", "Lembra-te, Kentucky…", ​"O Palomino" e duas histórias em prancha única: ​"Falta de Respeito" e "Casamento Cor-de-Rosa".
​E mais: a ideia ultra positiva de reproduzirem estas narrativas de Hermann no fascinante preto-e-branco, ​donde o melhor e válido sistema de se apreciar ​devidamente o traço do desenhista, sem as fantasias ​ofuscantes de hollywoodescas cores…
​Sinceros e emotivos parabéns à Ala dos Livros!


​​​O NASCIMENTO DOS DEUSES - ​Edição Gradiva. Sob orientação do historiador Luc ​Ferry, tem guião de Clotilde Bruneau, arte de Dim D., ​Federico Santagati e Scarlett Smulkowski, capa de ​Fred Vignaux e tradução de Maria de Fátima Carmo.
​Devia ser por este tomo, mesmo no original em francês, ​que esta magnífica série devia ter começado, pois é ​a Origem. Não foi assim em França nem em Portugal, o ​que não implica que qualquer um não saiba, com o ​tempo, ordenar os tomos na sua estante…
​Muitas vezes, desde a nossa apardalada infância, que ​se aprendia que "no princípio era o Verbo" na linguagem judaico-cristã, mas lá se foi corrigindo esta tonteria para ​"no princípio era o Caos"... Pois, pois!... As prepotências religiosas, praticamente todas, coincidem de um modo ​mais ou menos fantasista e conveniente num determinado ​plano…
​Por este pertinente tomo da série "A Sabedoria dos Mitos", ou seja, "O Nascimento dos Deuses", a narrativa apaixonante ​vai do Caos até à tomada do poder no lendário Monte ​Olimpo, de Zeus (ainda relativamente jovem), como deus ​dos deuses…

Uma pergunta intrigante se impõe: se no ​princípio era o Caos, quem criou esse dito cujo Caos?!...
LB

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (185)

A VOZ DOS DEUSES - ​Edição Arcádia. Autor: segundo o romance homónimo de João Aguiar, tem arte e argumento (coadjuvado por Rui Carlos Cunha) de João Amaral.
Estão todos de parabéns o João Amaral, o Rui Cunha e a editora Arcádia (do grupo Babel), por esta belíssima publicação. Era e é, a tão esperada reedição, agora ​numa bela apresentação e num louvável preto-e-branco.
​A primeira edição, em 1994 pela Asa, se bem que ​esgotada, era a cores... assustadoras. Agora sim, tem ​toda a merecida força.
​Brilhantemente, teve apresentação pela escritora Alice ​Vieira, que aqui tem também calorosa ovação, no ​Festival Amadora BD/2019, a 2 de Novembro.
​Vogando pelos heroicos feitos do mais célebre dos ​Lusitanos viriatos, do qual nunca se soube o verdadeiro ​nome, talvez por isso e com toda a lógica interpretativa ​de Amaral, nunca se vê o rosto do herói.
​Muito se tem escrito e feito sobre aquele que, para ​facilitar, denominamos como Viriato, como os nossos ​escritores Teófilo Braga, Luna de Oliveira e Aquilino ​Ribeiro, onde são romanticamente fantasistas. No ​entanto, há dois escritores-investigadores espanhóis, ​que foram mais concretos e, quiçá, mais apelativos: Maurício Pastor Muñoz com "Viriato" (ed. Esfera dos Livros) e Fernando Barrejon com "O Colar dos Deuses" (edição Ésquilo/2004), onde "descobre" o verdadeiro nome de Viriato...
Agora, leitores bedéfilos, tenham o bom senso e o bom gosto de ler e acarinhar este álbum que - este sim - está mesmo vaticinado a esgotar.



LES DOUZE TRAVAUX - ​Edição Glénat. Autores, segundo a série-colecção ​"La Sagesse des Mythes", concebida e escrita por ​Luc Ferry, tem argumento de Clotilde Bruneau, traço de Carlos Rafael Duarte, cores de Ruby e capa ​de Fred Vignaux.
​Na belíssima e impecável caminhada editorial, que felizmente já está a ser publicada em português pela Gradiva, este "Les Douze Travaux", é o segundo tomo da trilogia "Héracles".
Héracles (Hércules em romano e em português), é um herói imenso que enfrentou doze "trabalhos" que lhe seriam fatais (qualquer deles). Mas ele era filho, se bem que bastardo, do supremo Zeus...



LA BÊTE - Edição Dupuis. Autor: Hermann.
O "terrível" belga Hermann (aliás, Hermann Huppen) é uma tremenda força viva na BD Europeia. 
Conhecemos bem o quase total da ​sua variada obra, nem sempre devidamente ​acarinhada e publicada em português… No entanto, ​Hermann, gosta imenso de Portugal, que já visitou ​em diversas circunstâncias.
​Em vários temas, trabalha com seu filho (Yves) como argumentista. Não é o caso da impecável e "feroz" ​série "Jeremiah", onde é um intocável autor total, ​goste-se ou não. Mas que é impecável na 9.ª Arte ​Europeia, lá isso é!...
​"La Bête", é o 37.º tomo desta "agressiva" série que ​a todos importa conhecer. Desunhem-se, bedéflos!


RIJO COMO GRANITO -Edição Escorpião Azul. Autor: Rafael Sales.
​Há muito que se aguardava a continuação das ​aventuras do herói, o Beirão. Pois aqui está o ​segundo tomo, "Rijo Como Granito", lançado no ​"Amadora BD/2019".
​Nesta aventura, plena de mistérios, medos e ​simpáticas loucuras, Rafael Sales, entusiasma-nos ​por todo o enredo (mas não só), através de situações ​surreais, onde um enigmático "Sr. Eusébio" vive ​isolado, mas sempre atento, nos arredores de uma ​aldeia beirã…
​Contudo, quando há alguma crise, ele veste-se e ​actua bravamente como o herói "Beirão", e faz das ​suas.
​Jovem e talentoso vintão, Rafael Sales, natural e ​residente em Penalva do Castelo, tem dado várias ​e positivas provas do seu talento. Há que compensá-lo ​com justiça e lucidez, com o nosso total apoio!

LB

domingo, 21 de julho de 2019

HERÓIS INESQUECÍVEIS (65) - JEREMIAH

Pelo sempre avassalador talento de Hermann (aliás, Hermann Huppen ), este herói, mais o seu constante amigo e cúmplice Kurdy Malloy, nasceu em 1979,
estreando-se curiosamente na revista alemã “Zack”.
Foi um êxito imediato! Em brevíssimo tempo, os países francófonos (sobretudo da Europa) o adoptaram em pleno.
Hermann
Mas Jeremiah logo foi enveredando também por uma bela carreira do “soma e segue”, em Espanha, Itália, Holanda, Portugal, Canadá, Estados Unidos, etc.
É um herói-série de exclusiva criação de Hermann, argumentos e arte gráfica.
Actualmente, no idioma francês, conta já com 35 álbuns, cuja série talvez seja, de momento, a favorita do seu autor.
Em Portugal, editaram-se até agora, 13 álbuns.
Capa de "A Noite das Aves de Rapina" - Ed. Meribérica/Liber
Em periódicos, nossos, chegou a ser fugazmente publicada no “Jornal da BD” e nas “Selecções BD.
Num mundo angustiante, cruel e caótico, de um pressuposto tempo “após o Apocalipse”, dois amigos, Jeremiah Kurdy Malloy, atravessam os Estados Unidos, montados nas suas motas ou em cavalos... Têm personalidades diferentes mas são, contudo, bem unidos: Jeremiah, um loiraças musculado, será destemido e um tanto romântico; Kurdy Malloy, mestiço de europeu e índio, é mais frio e, por isso, aparentemente mais insensível.
Zelam um pelo outro e procuram sobreviver corajosamente, não deixando, de certo modo, de serem uma espécie de Cisco Kid modernos e funcionando nas suas fúrias, consoante os ambientes, que combatem a voragem e a volúpia dos perigos que os vão envolvendo.

No ano 2008, os correios da Bélgica editaram um selo em homenagem a Jeremiah e Kurdy Malloy - atenção, filatelistas bedéfilos!
Selo postal belga com Kurdy e Jeremiah
O pior, a traição, é quando o Cinema/Televisão tentam adaptar este ou outros temas similares: foi o caso do seriado “Jeremiah” (2002-2004), inventando com mau gosto, fantasias contra o tema original. As eternas e intoleráveis americanices!...
O actor Luke Perry faz de Jeremiah, mas em nada se aproxima da figura da BD; porém, pior é o caso de um actor negro, Marcel-Jamal Warner, a interpretar Kurdy?!... Um crime, digo eu!... Então, nos tais EUA, não há actores índios (estes é que são os autênticos norte-americanos)?... Não há?! Ou esta substituição racial no elenco é mera e hipócrita penitência dos senhores de Washington (e quiçá, também de Otava) e seus apaniguados, ante os horrores que usaram com a escravatura negra?... Será?
Uma vez demonstrei ao meu bom amigo Hermann, o meu desagrado ante o que os americanos fizeram. Mas ele sossegou-me (por ele próprio), que os direitos para a adaptação da série à Televisão tinham sido vendidos e, quanto a isso, ele já não era tido nem achado. Acatei e calei-me, mas não gostei nada desta troca... e muitíssimos bedéfilos também não.
Hermann (ele é que sabe...) devia ter cuidado melhor pelo tratamento que os gananciosos de além-Atlântico fariam (e fizeram), aos estes seus “filhotes”. Adaptações, podem-se fazer, aqui ou ali, no enredo; mas na troca das características dos personagens, isso nunca!
A terminar, recordo (isto foi autêntico): nos tempos da nefasta e sufocante ditadura de Salazar em Portugal, os norte-americanos quiseram fazer um filme sobre “Pedro e Inês”... Salazar proibiu (desta vez, concordo com o “monstro”), pois os dizimadores das nações norte-ameríndias, iriam certamente aldrabar a História de Portugal, coisa que ele não admitia (salvo quando, bem inter nós, as lendas se iam sobrepondo...).
Até lá, “Bravo Hermann”! E “Bravo, Jeremiah e Kurdy (Uhg!) Malloy”!
LB