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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

EVOCANDO (24) - FRANÇOIS CRAENHALS

François Craenhals (1926-2004)
Não tendo recuperado de uma operação ao coração, faz hoje precisamente treze anos que François Craenhals nos deixou físicamente. Resta-nos a sua vasta e variada obra e a saudade de sempre pela sua amizade, humildade e salutar humor. Por isso o evocamos hoje, pois esquecido não será jamais.
Nasceu na Bélgica, a 15 de Novembro de 1926, e faleceu em França, a 2 de Agosto de 2004.
Esteve quatro vezes em Portugal, país pelo qual se apaixonou totalmente (tal como o seu compatriota Hermann): três vezes para o Salão-BD da Sobreda (1986, 1990 e 1992) e uma para o de Viseu, em 1998.
Com larga obra em BD, Ilustrações e Cartunes, das suas séries mais notáveis, salientam-se: “Cavaleiro Ardente” (com vinte álbuns, dos quais, apenas cinco foram editados em Portugal)...
Capa de "A Lei da Estepe", edição Difusão Verbo (1985)
Prancha de "A Lei da Estepe", edição Difusão Verbo (1985)

“Pom e Teddy” (com onze tomos, mas nenhum em português!)...
 
Capa e prancha de "Zone Interdite", episódio de "Pom e Teddy",
Colection Jeune Europe #28

“Os 4 Ases” com 43(!), sendo os 40 primeiros com a sua arte; 16 foram editados em Portugal...
Capa e prancha de "Les 4 As et le Vaisseau Fantôme", edição Casterman (1978)

“Fantômette” (com quatro álbuns, dos quais desenhou apenas os três primeiros; destes, dois foram editados em português).
Capas dos três álbuns de Fantômette desenhados por Craenhals

A série “Delta” ficou-se por um único álbum, “Aventura em Sarajevo” (que foi publicado no Número Especial do Cavaleiro Andante, no Natal de 1961).
 
Capa e prancha de "Aventure a Sarajevo",
Collection Jeune Europe #13

No entanto, há histórias suas, longas e/ou curtas, publicadas no nosso país, no “Cavaleiro Andante”, “Mundo de Aventuras”, “Selecções Tintin”, “Tintin” (edição portuguesa) e “Zorro”.
Capa e prancha de "Buffalo Bill contra Mão Amarela", por François Craenhals,
in "Cavaleiro Andante" #195 (1955)

Prancha de "Zona Proibida", in "Zorro" #98 (1964)

Prancha de "O Segredo do Balibach", episódio da série "Pom e Teddy",
in "Cavaleiro Andante" #348
Prancha de "Alarme em Hollywood", episódio da série "Pom e Teddy",
in "Cavaleiro Andante" #490
Amavelmente, colaborou com uma auto-caricatura e cartunes para o “Almada BD Fanzine”, nos números 1, 10 e 11.
Cartunes publicados no "Almada BD Fanzine" #1 e #10, respectivamente.

Nas suas histórias curtas (independentes das que fez com alguns heróis das suas séries), algumas só em francês, destacam-se alguns títulos “A Fuga de Forte Bravo”, “Scaramouche”, “A Oeste de Zanzibar”, “Heidi”, “Charlot”, “David Copperfield”, “Eisenhower”, “Buffalo Bill”, “Ivanhoe”, etc.
Capa e prancha de "Fort Bravo", in revista "Tintin" (belga) #330 (1955)

Capa e prancha de "A l'Ouest de Zanzibar", in revista "Tintin" (belga) #322 (1954)

Capa e prancha de "Comment Chaplin crea Charlot", in revista "Tintin" (belga) #239

Capa e prancha de "David Copperfield", por Craenhals, in "Cavaleiro Andante" #136

Fez capas e ilustrações soltas para obras clássicas, como “L’Espion “ de Fenimore Cooper e “Retour a l’Ile au Trésor” de John Connell.
Capas de "L'Espion" e "Retour a l'Ile au Trésor" (edições Casterman)

Como obra rara fez, em BD, “La Vie de Sainte Bernardette” (Ed. Altiora, 1958)...

...e a Casterman editou em tempos a sua biografia, “Dossier Craenhals”, da autoria de Kriss de Saeger (entretanto, reeditada pela Arboris).
Capas de "Dossier Craenhals", por Kris de Saeger (edições Casterman e Arboris)

Na sua Bélgica natal, na cidade de Enghien, foi inaugurada a Rua François Craenhals, em 2011.
Com a merecida justiça, François Craenhals permanecerá na nossa memória...
LB
Prancha de "Luc Lucette et Fantoche", in "Tintin" (belga) #22 (1956)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

EVOCANDO (23)... FERNANDES SILVA

Fernandes Silva (1931-2010)
Faz hoje precisamente sete anos que Fernandes Silva, um bem notável e inesquecível desenhista da Banda Desenhada Portuguesa, nos deixou.
De seu nome completo António Fernandes da Silva, nasceu em Lisboa a 18 de Agosto de 1931 e faleceu a 30 de Janeiro de 2010. Por alguns poucos anos antes, com frequência o víamos (e conversávamos) pela livraria da Fnac-Chiado ou, aos sábados, pelas feiras dos livros e revistas, na Rua Anchieta, em Lisboa.
Conhecemo-nos em 1977... Nesse ano, eu (LB) era repórter e redactor do semanário “Branco e Negro”, onde também funcionava como cartunista o Victor Mesquita que, amigo e solidário, me deu os contactos que redundaram, com o rodar dos tempos, em belas e infindáveis amizades...
Nesse semanário, havia uma rubrica sob o tema “Profissões”. Numa das vezes que me calhou, deu-me uma veneta atrevida: escolhi o Banda Desenhista!... Tudo começava com um intróito sobre a profissão, seguindo-se um inquérito com gente da causa... O complicado é que, exceptuando o Mesquita, eu não conhecia mais nenhum dos outros... Mas, atrevi-me e desafiei-os a todos a irem à redação do “Branco e Negro”, onde aconteceriam apenas seis perguntas para um inquèrito comum... E foi a maravilhosa loucura!
Nesse artigo-reportagem-inquérito, para além de lógicamente o Victor Mesquita, os restantes foram: Fernando Bento, José Ruy, FERNANDES SILVA, Carlos Alberto, Artur Correia, José Garcês e Vitor Péon.
Foi uma glória para mim, a nível pessoal, e para a BD portuguesa em geral, pois o tema, finalmente, sacudiu e despertou tanta e tanta gente bedéfila que andava apática e senza fare niente pela causa.
E destes, o mais intrigante e emotivo é o caso Fernandes Silva, pois, com o tempo, vim a saber e a ser directamente desenganado, que ele era avesso a “grandes confusões”... Esta reportagem histórica aconteceu no semanário (hoje extinto) “Branco e Negro” n.º 6, a 18 de Janeiro de 1977... Ò tempo!...
Pois Fernandes Silva tinha uma personalidade peculiar; não gostava nada de altos convívios e/ou tertúlias e seguia as suas reservas (respeitáveis) a novos contactos e/ou abordagens... Mas preferia conversar com uma ou duas pessoas que estimasse, como foi o meu caso, pelo que o registo em recíproca estima e na plena saudade...
Estudou na famosa Escola António Arroio de Lisboa. Estreou-se como desenhista no “República dos Miúdos”, suplemento do quotidiano “República”, em 1950.
Colaborou depois, deslumbrando os bedéfilos, em “Diabrete”, “Cavaleiro Andante, Camarada” (2.ª fase) e “Flecha”.
"O Estranho Caso do Dr. Rapioca", in "Diabrete"
"Aventuras de um Trovador", in "Diabrete"

"O Outro Lado da Lua", in "Camarada" (2.ª fase)

"O Ponto - Detective Privado", in revista "Flecha"
Autorizou-me plenamente e com afinco (eu estava ainda à frente das actividades do saudoso GBS-Grupo Bedéfilo Sobredense), a reeditar dele tudo o que quisesse dos seus trabalhos, mas que eu teria de “descobrir” os mesmos, pois não tinha com ele nenhum original...
Embora com a compreensiva ausência física, Fernandes Silva foi homenageado no salão “SobredaBD / 2000”, tendo-lhe sido atribuído o Troféu Sobredão (que lhe foi enviado por correio e que ele recebeu e agradeceu).
Pela Holanda, a notável Lambiek Comiclopedia, bem o menciona e regista.
Que haja alguém com sensibilidade e lucidez - Governos e/ou editoras - que recupere com urgência a sua obra, que é curta mas valorosa, em gesto positivo e consciente pelo património da Cultura Portuguesa!
Até lá, amigo Fernandes Silva, está e estará sempre connosco!
LB


Primeira prancha de "Alice no País das Maravilhas", in "Cavaleiro Andante"

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

EVOCANDO (22)... TIBET

Tibet (1931-2010)
Ele faleceu há sete anos, precisamente a 3 de Janeiro de 2010. Nasceu em França, em Marselha, a 29 de Outubro de 1931, vindo a falecer em Roquebrune-sur-Argens (França). Embora desde muito jovem residente com a família  na Bélgica, nunca deixou a sua nacionalidade francesa.
Veio pela primeira e única vez a Portugal para ser homenageado ao vivo, no salão “Sobreda-BD / 1995”, onde recebeu o Troféu Sobredão.
Tem uma obra imensa de Banda Desenhada, tanto na linha humorística (a sua favorita) como na realista.
De seu nome próprio Gilbert Gascard, ele é o inesquecível TIBET.
Gigante no seu traço claro, também foi um extraordinário caricaturista e cartunista. Como caricaturista, tem o seu álbum “La Tibetière”, abordando figuras de famosos da Política, das Artes e do Desporto, como Charlie Chaplin, Louis de Funès e até, uma auto-caricatura.
 Charlie Chaplin e Louis de Funès caricaturados por Tibet

Quando veio a Portugal, em sua homenagem, o Grupo Bedéfilo Sobredense (GBS), editou-lhe  um mini-álbum extra da série-colecção “Cadernos Sobreda-BD”, onde se reúne uma breve biografia e se reedita a aventura em média metragem de Ric Hochet, “O Traidor Contrafeito”.

Da sua admirável obra, salientam-se as séries “Ric Hochet (94 álbuns)...

“Chick Bill” (60 álbuns)...
 

...e “Le Club Peur-de-Rien” (19 álbuns).

Mas da sua extensa bibliografia, devem-se registar ainda as efémeras séries, “Aldo Remy” (3 álbuns)...

...e “Dave O’Flynn” (2 álbuns).
Pela linha realista, o seu ponto alto recai na série”Ric Hochet”, com argumentos de André-Paul Duchâteau. Felizmente, esta série continua, mas isso agora, é outra aventura...
Em tempos que já lá vão, pelo Cinema, realizou-se a única (até hoje) aventura de Ric Hochet . Foi em 1968, com produção e realização de Raymond Leblanc, a média metragem “Signé Camélion”, com o malogrado actor belga Daniel Vigo no protagonista. 
Este filme “perdeu-se”!... Até o próprio Tibet, quando esteve na Sobreda, nos confessou que não tinha sequer uma cópia deste filme!... Acontece!
Nesse filme, ele próprio e o argumentista Duchâteau participam como dois pândegos polícias...
Até lá... VIVA TIBET!
LB
Ric Hochet e o actor Daniel Vigo que lhe deu corpo no cinema