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sábado, 8 de outubro de 2022

CAPAS (32) - JOSÉ PIRES

José Pires, em 2013
José Pires, de nome completo José Augusto Direitinho Pires, nasceu em Elvas a 10 de Outubro de 1935 e faleceu em Lisboa a 15 de Julho de 2022.
Nosso parceiro neste blogue, Carlos Rico, aqui editou uma digna e sentida homenagem a 27 de Julho deste mesmo ano.
Ficou-nos para sempre uma imensa saudade, tal como já existe ante outros notáveis da nossa BD, como: Fernando Bento, Vítor Péon, Fernandes Silva, Artur Correia, José Garcês, José Antunes e outros mais.
José Pires que chegou a desenhar argumentos dos francófonos Jean Dufaux e Benoît Despas, também foi editado na Bélgica e em França. 
Com uma admirável obra em várias vertentes da 9.ª Arte, foi homenageado ao vivo na Sobreda, Moura, Viseu e em Lisboa. Está merecidamente citado no BD Gest, na Bedeteca Portugal e na Lambiek Comiclopedia.
Complementando o post acima citado, aqui se registam algumas capas de sua autoria quer versam histórias que ele desenhou.

LB

quarta-feira, 27 de julho de 2022

JOSÉ PIRES (1935-2022): MEMÓRIAS DE MOURA

Faleceu, no passado dia 15 de Julho, José Pires, nome grande da BD portuguesa, mas sobretudo um amigo de quem guardo muitas e gratas recordações. É sobre estas que aqui vos venho falar.

Sempre tive uma grande empatia pelo José Pires, logo desde que o conheci, nos primeiros salões da Sobreda que visitei, lá pelos inícios dos anos 90.
Lembro-me que, quando cheguei à Sobreda, eu era um “miúdo” algo complexado, 
no meio daqueles craques todos que idolatrava há anos. 
Com o tempo e a convivência, claro, fui percebendo que os autores de BD mais consagrados falavam comigo de igual para igual, sem quaisquer tiques de vedeta.
Era este, também, o caso do Pires, sempre impecavelmente vestido (em vez de gravata, gostava de usar um elegante lenço ao pescoço) e com uma mala ao ombro (onde normalmente  trazia, entre canetas e lápis, o mais recente número do "Fandwestern") e sempre bem falante. 
Sendo ambos alentejanos e gostando do mesmo tipo de banda desenhada (os clássicos ingleses e italianos, entre outros), a amizade foi crescendo, naturalmente, entre nós. 
À direita, eu e José Pires, assistindo à sessão solene da Sobreda / BD 1999,
no Solar dos Zagallos

Por sugestão do Luiz Beira, indiquei o nome de José Pires à Câmara Municipal de Moura como o autor a homenagear no salão Moura BD 98, algo que ele aceitou meio encavacado pois nunca se considerou um desenhador de excelência no mundo da BD. Considerava-se apenas, com modéstia, um simples “fazedor de bonecos”, como, aliás, disse numa entrevista relativamente recente a este blogue.
José Pires, homenageado no Moura BD 1998
Obviamente que José Pires foi um extraordinário autor de banda desenhada e, por isso, foi premiado com o Troféu Balanito, com todo o merecimento. Mas, mais do que troféus e distinções, o que agradava a Pires verdadeiramente era o convívio entre os amantes da BD, e esse ambiente ele encontrou-o em Moura e cativou-o para sempre.
Tanto que, a partir desse ano, passou a ser uma visita assídua ao salão mourense e, com o tempo, acabou mesmo por se tornar num dos mais assíduos de sempre. Exceptuando o Luiz Beira (que terá falhado uns três ou quatro salões apenas) e o Geraldes Lino, José Pires, desde que visitou o salão em 1998 raramente falhou uma edição. Vinha sempre no seu carro, acompanhado por um grupo de amigos. Partiam de manhã, almoçavam em Moura, durante a tarde visitavam as exposições, assistiam à sessão de entrega de prémios e regressavam no final do dia. Sempre o mesmo ritual e quase sempre o mesmo grupo, também: ele, o Dâmaso Afonso, o Nuno Simões Nunes e o Luís Salvado. Por vezes, o lugar que sobrava era preenchido pelo Jorge Magalhães, pelo Zé Manel, pelo João Amaral ou pelo Luiz Beira. Em duas ocasiões diferentes, trouxe também, e para surpresa geral, a mãe - uma senhora já com idade avançada mas cheia de genica e de boa disposição - e a esposa, esta na última edição do Moura BD, em 2013. 
Com o seu grande amigo Jorge Magalhães, observando pranchas no salão Moura BD, dedicado ao western, uma das suas grandes paixões (Novembro de 2000).

Numa foto de grupo, durante o salão Moura BD (Novembro de 2001)

Durante o almoço-convívio, no Moura BD 2007

Com a esposa, durante o almoço-convívio do Moura BD 2013, última edição do salão.

O Pires estava sempre a elogiar o salão e as suas publicações. E sempre que podia, ajudava-nos de alguma forma. Por exemplo, em 2000, o Moura BD deu destaque ao western, um tema muito querido por José Pires (co-criador de personagens como Will Shanon e Irigo, entre outros, e editor do fanzine “Fandwestern”, que manteve durante anos, reeditando histórias dos mais conceituados autores do género).
Entusiasmado, José Pires predispôs-se, desde logo, a emprestar-nos algum material que coleccionava para incluirmos nos cenários que o salão iria produzir.
Lembro-me que, quando fomos buscar a sua casa alguns chapéus, coldres e cartucheiras, assim como réplicas de “colts” e “winchesters”, tinha uma bela colecção de livros sobre o tema, que certamente lhe terão servido de auxílio gráfico para muitas das suas histórias. Cheio de orgulho, abriu alguns desses livros e, enquanto me mostrava fotografias de Sitting Bull, Crazzy Horse ou Gerónimo, explicava detalhes sobre a vida daqueles personagens, as suas lutas, as suas conquistas e os seus trágicos destinos. Uma brevíssima aula de História que, até hoje, recordo com nostalgia.
Uns anos depois, em 2002, o tema escolhido foi “O Terror” e o José Pires também nos emprestou algum material para expor (pranchas de revista Creepie em grande formato).
As armas, coldres e cartucheiras emprestados por José Pires para o salão Moura BD 2000...
...e as pranchas da revista Creepie, expostas no Moura BD 2002

Em 2009, Pires participou com um belo trabalho (texto e desenhos) no álbum colectivo “Salúquia: a Lenda de Moura em Banda Desenhada”.
Lembro-me que o Pires (junto com o José Ruy, o Baptista Mendes e o Augusto Trigo – e talvez mais um ou outro autor que agora não recordo) se mostrou desde logo muito entusiasmado, quando a ideia do álbum surgiu, durante a inauguração do Festival Amadora BD, em 2004, junto ao metro da Falagueira. Uma ideia que surgiu ali e ali teria morrido, certamente, não fora o entusiasmo com que foi acolhida por estes autores.
Durou cinco anos até o álbum ser uma certeza mas, no dia do lançamento e da inauguração da exposição de pranchas originais, fez-se uma grande festa a que muitos dos autores participantes compareceram, tendo o José Pires também marcado presença, onde autografou alguns álbuns. Faltou o meu pois, na confusão do momento, nem me lembrei de tal…
Muito solicitado, autografando o álbum "Salúquia: a Lenda de Moura em Banda Desenhada" (Junho de 2009)

Mantivemos sempre um contacto muito próximo, quer por telefone (o Pires cumprimentava-me sempre de forma efusiva, com a sua característica voz aguda: “Olá, meu querido amigo Carlos Rico!”), quer por e-mail (longos e cheios de conteúdo, como se estivéssemos a conversar cara a cara), quer nos diversos salões e festivais de BD que visitávamos (Amadora, Viseu, Beja… e Moura).
Entretanto, desanimado por não encontrar uma editora que lhe publicasse os álbuns que tinha prontos (creio que eram três!), o José Pires decidiu enveredar pela publicação em fanzine de séries de que gostava desde miúdo, e que ele lia no “Mosquito” e noutras revistas do género.
Restaurou séries emblemáticas como “O Gavião dos Mares”, “O Capitão Meia-Noite”, “Rob the Rover”, “Matt Marriott”, entre outros.
Recentemente optara por publicar trabalhos de Eduardo Teixeira Coelho, não só restaurados como também… coloridos por si, num gesto polémico e pouco consensual entre o meio bedéfilo. Contudo, José Pires defendia-se dizendo que o próprio ETCoelho teria preferido publicar as suas histórias a cores, se na época tivesse tido à disposição os meios que hoje temos. Enfim, nessa parte sempre discordámos. De forma elegante e civilizada, como dois verdadeiros amigos, cada um de nós tentava convencer o outro do seu ponto de vista mas sem efeitos práticos de parte a parte. Em todo o caso, sempre lhe gabei a paciência e o trabalho que tinha para recolher todo o material necessário para reeditar obras como as que referi acima. E – mérito lhe seja dado – por vezes acrescentando material (leia-se pranchas ou vinhetas) que em anteriores publicações tinha sido mutilado ou adulterado.

Algumas das publicações que Pires editou com material por ele restaurado

Em 2019, a Câmara de Moura, a de Viseu e o Gicav co-produziram uma exposição sua intitulada “A Portuguesa: História de um Hino”. A exposição inaugurou em Moura e José Pires veio – pela derradeira vez – até esta cidade alentejana, à boleia com um sobrinho.
Durante a inauguração da exposição "A Portuguesa: História de um Hino",
no Cine-Teatro Caridade, em Moura (Abril de 2019)...

...e observando a mesma exposição. 

A exposição seguiu posteriormente para Viseu, onde voltámos a encontrar-nos, mas, depois disso, creio que nunca mais nos vimos pessoalmente. O Covid e as medidas restritivas não deram tréguas e, durante dois anos, apenas trocámos e-mails e alguns breves telefonemas, mas até estes começaram a deixar de acontecer.
Estranhei não ter notícias do José Pires há algum tempo (ele sempre me enviava, por mail, as novidades que incansavelmente produzia em forma de fanzine…) e resolvi escrever-lhe para saber se estava tudo bem. Como não me respondesse, resolvi telefonar mas também não atendia. Consegui, enfim, um contacto através da amiga em comum, Catherine Labey.
Atendeu a filha, Teresa, enfermeira e cuidadora. Percebi que a situação não era boa. 
Combinei com a Teresa uma visita na semana seguinte mas, lamentavelmente, já não foi possível…

Duas coisas vão fazer-me muita falta quando me recordar do José Pires. Aquela troca mais ou menos regular de e-mails, cheios de conversa, como se estivéssemos cara a cara; e aquela voz fininha e musicada, a cumprimentar-me do outro lado do telefone: “Olá, meu querido Amigo Carlos Rico!”
Até um dia, meu querido Amigo José Pires!
CR

domingo, 5 de setembro de 2021

NOVIDADES EDITORIAIS (223)

OS MAIAS - Edição Levoir /RTP. Autores: Eça de Queiroz, com adaptação/guião de José de Freitas e Canizales, arte do colombiano Harold Jiménez Canizales. E um precioso dossiê final por José Vieira.
Este álbum tão anunciado e tão adiado, surgiu finalmente no final de Agosto último. Apre, que tardou!
Um senão: a grafia de um nome jamais deve ser alterada. O apelido é Queiroz e não Queirós!... Tino, senhores editores! Não se muda levianamente o modo original como se escreve o nome, sobretudo quando não há o consentimento do visado.
Alguns dos seus contos foram adaptados à Banda Desenhada por Eduardo Teixeira Coelho ("A Aia", "O Defunto", "A Torre de D. Ramires", "O Tesouro" e "Suave Milagre"), por José Morim ("O Defunto") e por José Manuel Saraiva ("Singularidades de uma Rapariga Loira"). Dos seus romances, registavam-se até agora, apenas três, criados além-Atlântico (Brasil e Argentina), a saber: "A Relíquia" por Francisco Marcatti, "A Ilustre Casa de Ramires" por C. Raineri e "O Mandarim" por Enrique Vieyter. Agora temos finalmente "Os Maias", sob o grafismo peculiar de Canizales. Será que o exigente Eça de Queiroz iria gostar desta adaptação?...



INIMIGOS ÍNTIMOS - Edição Ala dos Livros. Autor: Luís Louro.
Aqui temos mais uma espectacular aventura de "O Corvo", por Luís Louro, magnífico como sempre. O sonhador herói, quase épico e um tanto desastrado, é um tão simpático personagem com duas vivências: de dia, ele é o banal "Vicente"; à noite, é o super-herói "O Corvo".
Mais: nunca sabe quem é e o que faz durante o dia!... Adora e devora chamuças, que lhe provocam umas intoleráveis azias.
Quem é o pior inimigo do "Corvo"? Ao que tudo indica, é apenas o seu acidentado passado que não o larga.
Façam o favor de ler este belo álbum e animem-se com a sua sedutora beleza.
Parabéns ao Luís Louro e à editora.


ALEXANDRE DUMAS, O DEMÓNIO NEGRO - ​Edição Serafim & Malaqueco, Inc. Colecção "Fandaventuras" (número especial). 
Autor: José Pires.
Este belo e biográfico álbum foi publicado em França em 2010. Tardava em português!... Nosso estimado amigo José Pires, lá cedeu finalmente a publicá-lo no nosso idioma. Parabéns!
Antes de se ler o álbum, pelo título que apressadamente notamos, logo surge um precipitado engano: idealiza-se ​o Alexandre Dumas, Pai ("Os Três Mosqueteiros", "Vinte Anos Depois", "A Tulipa Negra", "O Conde de Monte Cristo", "O Homem da Máscara de Ferro", etc.) ou o Alexandre Dumas, Filho ("A Dama das Camélias", etc.). Mas não é nenhum destes, antes um antecessor (Alexandre Dumas, "Avô"), que foi um bem notável e destemido militar francês. A BD também nos ensina e esclarece!...
Muito obrigado, José Pires, por esta tua achega à nossa cultura e pela beleza da obra. A tiragem foi muito curta (apenas 40 exemplares!). Os interessados deverão contactar com o autor, para: gussy.pires@sapo.pt


HOMEM-GRILO & SIDERALMAN - Edição: FA. Autores: Cadú Simões e Will. 
Agora o Homem-Grilo e o Sideralman encontram-se no mesmo universo, trazendo um crossover entre os dois super-heróis.
O Homem-Grilo & Sideralman mostra os super-heróis às voltas com vários dos seus inimigos, numa aventura com muita ação, lutas, explosões, pancadaria, humor... ou talvez não!
Além disso, também uma aventura do Cricket Rider, a versão tokusatsu, manga ou mangá (como queiram teimar) do Homem-Grilo.
Disponível em várias lojas e plataformas on-line,
 em formato físico e digital. Pontos de venda em: https://fabd.weon.pt/
LB/CR

quinta-feira, 29 de julho de 2021

BREVES (96)

LAMIRÉS E ZUNZUNS
EUGÉNIO SILVA vai ser reeditado. De fonte fidedigna, soubemos que a Câmara Municipal do Seixal está em negociações com este desenhista para lhe reeditar o álbum "A História do Seixal em Banda Desenhada", que está esgotado. Aproveitando esta boa onda, fazemos votos para que alguma atenta e sensível das nossas editoras lhe reedite os álbuns "Inês de Castro" e "Matias Sandór", também esgotados. Será?

Consta que JOSÉ PIRES está a acertar com a Âncora para a edição em álbum de alguns dos seus trabalhos que têm saído no "Fandaventuras". Oxalá!...

​Em Viseu, talvez lá para Novembro, deverá haver uma exposição e a merecida homenagem pública, referente a LUÍS LOURO. Até que enfim!


CARLOS ALMEIDA ESTREOU-SE NO ROMANCE
Carlos Alberto Almeida é um dos enérgicos fundadores do GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu). Além de professor, é também poeta, pintor, cronista e, ainda, um entusiasta pela Banda Desenhada e pelo Teatro de Marionetas.
Com edição do próprio, estreou-se agora numa corajosa aposta no romance histórico: "Lafões, o Despontar de um Reino".
Um belíssimo trabalho, onde junta a lenda com uma intensa pesquisa histórica. Uma obra que merece bons aplausos e que, pelos leitores, certamente suscitará algumas salutares divergências.
A capa do livro é da autoria de seu filho Dani Almeida, por norma, ilustrador e desenhista-BD. A ambos, pai e filho, as nossas plenas felicitações.


ANIVERSÁRIOS EM AGOSTO


Dia 01 - Andrei Ariniuchkine (bielorrusso)

Dia 03 - Miguel Montenegro
Dia 06 - Manuel Caldas
Dia 08 - Derib (suíço), Lu Ming (mongol)
Rolf König (alemão)
Dia 10 - João Neves e Chistophe Blain (francês)
Dia 13 - Enrico Marini (italiano)
Dia 15 - Tozé Simões e Pedro Massano
Dia 17 - Álvaro
Dia 18 - Xabel Areces (espanhol)
Dia 27 - Nuno Saraiva
Dia 28 - Joann Sfar (francês)
LB

terça-feira, 10 de setembro de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (179)

CASEMATE / 128 - ​Como habitualmente nos verões, este exemplar ​abrange os meses de Agosto e Setembro.
Em destaque, interessantes e esclarecedoras ​entrevistas com David Chauvel, Jean-Jacques ​Chapuzet, Xavier Dorison, Charles Berberian, ​Christophe Arleston e Jean-Pierre Autheman.
​Este exemplar inclui ainda um dossiê com vinte e uma ​pranchas comentadas por Ailan Ayroles e Juanjo ​Guarnido, os autores de "Les Indes Fourbes".




​​SOLO - ​Edição Casterman. Autor: Gilles Rochier, e Philippe Ory como responsável pelas cores.
​É uma sátira amarga relatando a bizarra personalidade ​de um indivíduo que, na sua solidão, anda sempre a tocar uma corneta, seja na rua ou, sobretudo, no telhado do prédio onde habita.
No seu refúgio e na solidão, tem necessidade de dar espectáculo, de encontrar um confidente e um público, um leitor e um amigo, alguém para escutar e reconhecer a melodia do solo na cacofonia…
A arte de sublimar uma onda de falsas notas, para fazer face aos acontecimentos, à realidade e ao absurdo...




A PORTUGUESA: HISTÓRIA DE UM HINO - Edição: Gicav/Câmara Municipal de Viseu. Autor: José Pires
Eis um trabalho que estava pronto há alguns anos, aguardando pacientemente por uma editora que se abalançasse a publicar este tema que tanto diz a nós portugueses: a história do Hino Nacional.
Chegou, por fim, essa hora, não por iniciativa de uma editora "profissional" mas antes fruto da sensibilidade e aposta do Gicav (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu) e da Câmara Municipal de Viseu, entidades que souberam perceber - e muito bem! - a importância que esta obra pode ter, por exemplo junto dos mais jovens.
Com pesquisa, texto, desenho, cor, legendagem e paginação de José Pires (o homem dos sete ofícios da BD, como sabemos), esta é uma edição a não perder por todos aqueles que desconhecem como surgiu o nosso hino e que apreciam a arte de um dos autores portugueses mais prolíficos.
Os interessados podem fazer pedidos directamente para luismacua@gmail.com
LB/CR

sábado, 31 de agosto de 2019

A REPORTAGEM DA EXPO-BD "A PORTUGUESA"

Conforme foi anunciado e divulgado, realizou-se em Viseu, a 25 do corrente (data em que este ano se comemorou o "Dia de Viriato"), a inauguração da exposição versando "A Portuguesa", hino surgido ainda durante a Monarquia (por Henrique Lopes de Mendonça e Alfredo Keil) em forte indignação contra o Ultimato inglês de triste memória.
Foi adoptado como Hino Nacional no início da República.
A exposição, que estará patente até 19 de Setembro, tem as pranchas em tamanho original, executadas por José Pires, relativas ao álbum "A Portuguesa, História de um Hino", lançado oficialmente nesta mesma data.
Com muito e caloroso público, a sessão oficial foi aberta por Jorge Sobrado (Vereador da Cultura da C.M. de Viseu) e por Filipa Mendes (actual presidente do GICAV). Também tomou a palavra, Carlos Almeida (um dos fundadores do GICAV e que aqui é o responsável pelo sector da Banda Desenhada). Igualmente pela Câmara Municipal de Viseu, o Dr. Luís Fernandes, professor e investigador.
Da esquerda para a direita: Carlos Almeida (responsável pelo sector BD do Gicav), Jorge Sobrado (Vereador da CM Viseu), Filipa Mendes (Presidente do Gicav) e José Pires (autor homenageado).
Jorge Sobrado, no uso da palavra, perante uma boa assistência
O Vereador da Câmara de Viseu reafirmando a disponibilidade da autarquia viseense em apoiar a 9.ª Arte.
Foi então entregue a José Pires, o Troféu Anim'arte (atribuído pelo GICAV), sob bom tempo de aplausos. No final desta ​sessão de abertura, José Pires esteve a autografar muitos ​exemplares do seu álbum.
Filipa Mendes entregando o Troféu Anim'arte a José Pires.
Presenças gratas e destacáveis:
- Álvaro Azedo, Presidente da Câmara Municipal de Moura;
​- pelo CPBD (Clube Português de Banda Desenhada): Carlos ​Gonçalves, João Mimoso, Carlos Moreno, Pedro Bouça e ​Rui Domingues;
​- pelo GICAV: Luís Mendes e família, Carlos Almeida e família (donde seu filho, Dani Almeida, também desenhista), Nicole Almeida, Agostinho Pereira e Ricardo Ferreira;
- Desenhistas notáveis: Carlos Baptista Mendes (de ​Lisboa), António Lança Guerreiro (de Torres Vedras) e ​Paulo Medeiros (de Viseu);
​- o BDBD faz-se apenas representar por mim, Luiz Beira, uma vez que Carlos Rico não ​pode estar presente, mas que foi devidamente lembrado.

O Presidente da Câmara de Moura, Álvaro Azedo, mais uma vez marcou presença, reforçando, assim,
uma parceria de longa data entre a autarquia mourense e o Gicav.
Aqui o vemos na companhia de Luís Filipe Mendes (do Gicav) e de Luiz Beira (do BDBD).
Dois Carlos trocando fanzines: Carlos Gonçalves (do CPBD) e Carlos Almeida (do Gicav)
Lança Guerreiro conversando com José Pires e folheando um álbum.
Luís Filipe Mendes, Filipa Mendes, José Pires, Jorge Sobrado e Carlos Almeida,
os grandes artífices desta Festa-BD de Viseu
José Pires explicando um detalhe a Carlos Almeida
Aspecto geral da exposição
Em paralelo, também uma exposição de cartunes alusivos ao tema, onde, para além de "A Portuguesa" por Baptista Mendes e em duas pranchas, se contam trabalhos de Mara Mendes, Carlos Rico, Dani Almeida, Eugénio Silva, José Ruy, Rafael Sales, Nicole Almeida, Miguel Rebelo, Carlos Almeida, Pedro Emanuel e outros mais.
Ilustração de Eugénio Silva
Cartune de José Pires
Ilustração de José Ruy
Ilustração de João Amaral
Cartune de Daniel Almeida
Cartune de Lança Guerreiro
Cartune de Miguel Rebelo
Cartune de Carlos Rico
Foi uma bela festa, culminando com um jantar para muitos convidados.

Pormenor intrigante: nenhuma das editora-BD portuguesas se fez representar.
Sem comentários!...
PARABÉNS, VISEU!


Nota: agradecemos ao fotógrafo José Machado a cedência da maior parte das fotos que ilustram este post.
LB