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sábado, 18 de fevereiro de 2023

NOVIDADES EDITORIAIS (247)

POVESTI DIN ISTORIE - Esta divertida obra, "Povesti Din Istorie" (Histórias da História), é uma criação do jovem talentoso romeno Ionut Popescu. Desde já lembramos que Ionut Popescu foi o primeiro desenhista romeno publicado em
português. Aconteceu em duas mini histórias no "Almada-BD Fanzine" nos números 12 (1994) e 14 (1996).
E assim está registado na pagina 248 do "Dictonarul Benzii Desenate din România" da autoria de Dodo Nitá.
Neste recente álbum, agora a cores, contam-se alguns temas muito interessantes, como: "Dominatori Români", "Caritas", "Sputnik, Laika, Gagarin", "Pancho Villa", "Uriasul" e outras mais.
Parabéns, Ionut Popescu!



O TERROR NEGRO - Edição Polvo. Autor: Jayme Cortez, com um prefácio de apresentação por Fabio Moraes. Também sob autoria de Moraes, o álbum encerra com "A Vida de um Mestre".
Magnífico álbum, é a versão integral das narrativas sob o tema de terror, da autoria de Jayme Cortez, nascido em Lisboa a 8 de Setembro de 1926, que faleceu em S. Paulo (Brasil) a 4 de Julho de 1987. Era já e desde há muito, cidadão brasileiro.
Jayme Cortez foi e será sempre, um talento extraordinário dedicado à Banda Desenhada nos mais diversos esquemas. Por aqui, abarcou também os temas de terror, que Portugal, finalmente, fica a conhecer com este álbum, graças ao entusiasmante empenho de Fábio Moraes e de Rui Brito. Parabéns!


AS FEITICEIRAS DA NOITE - Edição Asa. Autores: argumento de Yann e arte de Romain Hugault. É o primeiro tomo da série "O Grão-Duque".
Primeiros tempos, bem gelados, do ano de 1943, durante a Segunda Grande Guerra Mundial... A saga desta breve série narra-nos as proezas entre elementos da Alemanha de Hitler e a Rússia de Estaline, sobretudo com ferozes duelos aéreos.
O tenente aviador Wulf, aos comandos do seu avião por ele baptizado de "Grão-Duque", não tolera o demente Hitler e, por isso, não usa a cruz suástica, atitude que lhe vai valendo alguns dissabores. Mas ele é apenas um militar a defender a sua Alemanha, não a de Hitler. Nesses combates, enfrenta a terrível e valorosa esquadrilha russa, pilotada por jovens mulheres, as apelidadas "Feiticeiras da Noite". O ódio e os respectivos patriotismos acirram as duas forças em confronto, ambas bem empenhadas em coragem total na guerra que lhes foi imposta pelo Destino...


PÁSSARO - Edição Ala dos Livros. Autores: Diogo Campos (argumento) e Hugo Teixeira (traço).
Uma bonita, comovente e poética narrativa, com uma garota e um atento pássaro, como personagens centrais.
Com alegria, vemos o regresso de Hugo Teixeira ao panorama da Banda Desenhada. Parabéns aos autores!
LB

quarta-feira, 29 de junho de 2022

BREVES (107)

ILUSTRAÇÕES DE JAYME CORTEZ EM BEJA
No Museu Rainha Dona Leonor, em Beja, está patente a exposição de ilustração “Jayme Cortez”, com curadoria de Fabio Moraes e Paulo Monteiro.
A mostra, realizada no âmbito do XVII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, permite visitar alguns dos seus trabalhos mais emblemáticos.
Nascido em Lisboa, em 1926, e radicado no Brasil desde 1946, Jayme Cortez atravessou a segunda metade do século XX brasileiro como um cometa. Artista inspirado e verdadeiramente multifacetado, realizou uma obra colossal desenhando cartazes para cinema, capas para livros e revistas, e inúmeras bandas desenhadas. De entre a sua produção, que se iniciou em São Paulo nos anos 50, sobressaem os trabalhos que criou num género pouco comum: o terror. São famosas as capas que desenhou para a revista Calafrio ou as dezenas de histórias de terror que povoaram de espíritos malignos as noites de muitos adolescentes.
Este acervo, que se encontra à guarda do futuro Museu da Banda Desenhada de Beja, constitui um corpo fundamental para o estudo da arte popular deste período.
A exposição estará aberta ao público até 31 de julho.


ANGELI ENCERRA COMO CARTUNISTA... MAS NÃO COMO ARTISTA
Angeli, o grande cartunista da Folha de S. Paulo desde 1973 (há quase cinquenta anos!), criador de personagens icónicos como "Rê Bordosa", "Wood & Stock", "Bob Cuspe", "Mara Tara", "Osgarmo" ou "Os Skrotinhos", luta há alguns anos contra a Afasia Progressiva Primária, uma doença neurodegenerativa que afecta a comunicação, incapacitando o doente na expressão verbal ou escrita.
Por essa razão, Angeli parou a sua actividade enquanto cartunista, algo que foi confirmado pela esposa, Carolina Guaycuru: "O traço dele mudou muito nestes últimos anos, e mais ainda nestes últimos meses. Já não acompanha mais a linguagem do cartum, da tira. Mas se tornou um grafismo mais plástico, mais solto. Por isso, a decisão de parar com a colaboração com o jornal”.
"Encerra como cartunista, mas não como artista. Ele tem ainda muito para mostrar", acrescentou Carolina.
Daqui enviamos um grande abraço a Angeli, convictos de que saberá enfrentar esta adversidade com a esperança e a dignidade com que nos brindou até agora, enquanto artista.


ANIVERSÁRIOS EM JULHO

Dia 03 - Arlindo Fagundes
Dia 07 - Ionut Popescu (romeno)
Dia 10 - Juan Espallardo (espanhol)
Dia 12 - Ricardo Cabrita
Dia 16 - Miguelanxo Prado (espanhol) e Hugues Barthe (francês)
​Dia 23 - Carlos Almeida
Dia 25 - Attila Fazekas (húngaro)
​Dia 30 - Achdé (francês)​
​Dia 31 - Lança Guerreiro
CR/LB

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

BREVES (79)


MOSTRA DE BD DE ODEMIRA CONTINUA A "MOSTRAR" TRABALHO...

A "BDTeca -14.ª edição da Mostra de Banda Desenhada de Odemira" prossegue com a sua interessante programação, no ano em que se assinalam os 20 anos da Biblioteca Municipal José Saramago e se pretende homenagear o seu patrono e a sua obra.
Iniciaram-se estas comemorações no passado dia 8 de Fevereiro com a inauguração da exposição de BD "A Viagem do Elefante", de João Amaral, uma adaptação da obra homónima de Saramago. A mostra ficará patente até 5 de Março, sendo que na próxima sexta-feira, dia 21, cerca das 10:30, haverá uma apresentação do álbum, dirigida ao público escolar, com a presença do próprio João Amaral.
Entretanto, na Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves, mantém-se (até 10 de Março) patente a exposição "ComEdu: Comics for Education", um projeto co-financiado pela Rota Jovem e apoiado pelo programa Erasmus+ e Kuš! Komikss (Letónia). Esta exposição resulta de um projecto que une participantes de três países - Estónia, Letónia e Portugal - e foca-se no uso da BD como ferramenta na educação não-formal, sobretudo com jovens e jovens adultos.
Nos dias 6 e 7 de Março haverá, ainda, workshops de Ilustração ("O teu sítio") e BD ("Banda Desenhada para pessoas que acham que não sabem desenhar"), o primeiro dirigido a alunos do ensino secundário e o segundo ao público em geral.
Mais informações podem ser conseguidas contactando a Biblioteca Municipal de Odemira (283 320 900).


BEJABD 2020 À VISTA!



​Com inauguração na noite de 29 de Maio, terá início o XVI Festival Internacional de ​Banda Desenhada de Beja.
​Para além das participações de Portugal, ​Angola e Brasil, outros países estarão bem ​representados - com predomínio de Espanha - ​como Itália, França e Inglaterra, e, em estreia, ​o Peru (com a presença de Martin López Lam) ​e o Egipto (com a presença de Shennawy).
​O cartaz, como sempre, é da autoria da bejense Susa Monteiro.
​Aqui voltaremos mais vezes a este assunto.




Jayme Cortez (1926-1987)
HOMENAGEM A JAYME CORTEZ EM BEJA

O BDBD, a 5 de Julho de 2015 sentidamente evocou Jayme Cortez, grande senhor da Banda Desenhada, tanto em Portugal como no Brasil, nascido em Lisboa a 8 de Setembro de 1926 e falecido em S. Paulo a 5 de Julho de 1987.
Agora, no Festival BejaBD 2020, vai ser condignamente comemorado (até que enfim!...), graças à correcta atenção de Paulo Monteiro e ao entusiasmo pleno do brasileiro Fábio Moraes, que é especialista na obra do mestre e artista em questão.
Cremos que é a terceira vez que Fábio Moraes vem ao Salão de Beja (onde é sempre bem-vindo). Porém, não vem só. Traz com ele duas emotivas  companhias: Jayme Cortez Filho e Simone Cortez, neta do homenageado.
Desde já, o nosso sincero primeiro forte aplauso.
Até ao momento, fica-se por esclarecer se é desta vez que uma certa editora nossa leva adiante a publicação de obras fundamentais de Jayme Cortez, conforme em tempos deu a entender que tinha essa ideia… Que assim seja!


MEMÓRIAS DE VASCO GRANJA

Até 2 de Maio pode ser visitada na Bedeteca da Amadora, a exposição "Vasco Granja apresenta: Caixa de Memórias".
Depois de ter estado exposta no último Festival da Amadora, esta exposição pretende continuar a viagem pela vida e obra do "pai da Pantera-Cor-de-Rosa".
Vasco Granja (1925-2009) foi um enorme divulgador da 9.ª Arte e do Cinema de Animação, tendo representado Portugal em alguns dos certames internacionais mais prestigiados como o Salão de Lucca (na Itália) ou o de Ângouleme (França).
Responsável por introduzir a expressão "Banda Desenhada" no nosso país, apresentou na RTP mais de mil(!) programas de Animação. Nestes, pudemos visionar, pela primeira vez, heróis norte-americanos como a Pantera Cor-de-Rosa, Droopy, Bugs Bunny ou Daffy Duck, entre muitos outros, para além de filmes produzidos e realizados na Europa de Leste e no Canadá.
Foi, também, fundador e colaborador da revista Tintin portuguesa e editou a segunda série da revista "Spirou".
Foi estas e muitas outras coisas mais... que poderão ser recordadas ou descobertas pelos nossos leitores, enquanto visitarem esta bela mostra.
A Bedeteca da Amadora está incorporada no piso 2 da Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, na Av.ª Conde Castro Guimarães, n.º 6.


JOSÉ RUY AOS QUADRADINHOS



José Ruy continua imparável. Desta vez os seus trabalhos estão expostos na Casa da Cultura - Bedeteca de Beja.
São cerca de cem desenhos e pranchas em exposição, desde os anos 40 até aos nossos dias, mostrando o percurso ímpar de um artista que se dedicou com rara paixão à banda desenhada.
Durante a inauguração - que contou com a presença do autor - houve lugar à projecção de um vídeo realizado por Manuel Monteiro (filho de Paulo Monteiro).
A mostra ficará patente até 18 de Abril.




Claire Bretécher (1940-2020)
FALECEU A ADMIRÁVEL
CLAIRE BRETÉCHER

Claire Bretécher nasceu em Nantes a 7 de Abril ​de 1940 e faleceu no passado dia 11 de Fevereiro.
​Senhora de talento e de um corajoso humor bem ​sarcástico e atrevido, deixa agora a tristeza pelo ​mundo bedéfilo por esta viagem sem regresso.
​Da sua vasta e tão apreciada obra, contam-se ​títulos (alguns são de séries), como "Agrippine", ​"Cellulite", "Le Destin de Monique", "Les Frustés", ​"Moments de Lassitude", "La Vie Passionnée de ​Therèse d'Avila", "Vive la Politique!", etc. Também pintora-retratista, pela BD publicou-se ​em revistas famosas e afins, como "Pilote" e ​"Spirou". Entre outros, trabalhou com Marcel ​Gotlib e Nikita Mandryka, com ambos criando a ​revista "L' Écho des Savanes".
Foi premiada em ​Angoulême, em 1982.
​Agora… Paz à sua alma!



ANIVERSÁRIOS EM MARÇO


Dia 04 - Carlos Baptista Mendes
​Dia 05 - Vítor Borges
​Dia 06 - Paul Teng (holandês)
​Dia 07 - Florence Magnin (francesa) e ​Peter Gross (norte-americano)
Dia 10 - Jorge Miguel
Dia 11 - Marc Bourgne (francês)
Dia 17 - Yves H. (belga)
Dia 23 - Miguel Ramos
Dia 26 - Ângela Gouveia
Dia 31 - Kas (polaco)

CR/LB

segunda-feira, 4 de junho de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (148)

CARAVAGGIO - Edição La Gazzetta Dello Sport, com a colaboração de Corriere Della Sera e Panini Comics. Autor: Milo Manara.
Esta obra do “terrível” Milo Manara já tem, há algum tempo, uma apagada edição em português...
“Cravaggio, la Tavolezza e la Spada” é a primeira parte versando a vida de excessos, angústias, paixões e arte de Michellangelo Marisi da Caravaggio, uma das magistrais figuras da Pintura italiana.
Ninguém melhor que Milo Manara poderia agarrar este trabalho, tão encantador como deslumbrante. É uma edição muito bem cuidada, tendo no final algumas belas pinturas do próprio Manara, no melhor estilo de Caravaggio. Uma edição exemplar!
Ficamos à espera da continuação, ou seja, do segundo tomo...
Registamos já o nosso sincero agradecimento à nossa amiga Mary Bartolo Andreoti, de origem maltesa mas italiana por casamento, que é nossa correspondente do BDBD em Itália. Grazie mille, Mary!


CALDAS DA RAINHA EM BD - Edição: Âncora. Autor: José Ruy.
“Nascida das Águas e o 16 de Março de 1974” é a reedição da história da cidade das Caldas da Rainha (“Nascida das Águas”), agora com um devido acréscimo de mais dez pranchas, relatando o autor a intentona (que não triunfou e que apenas “adiou” por pouco tempo) militar contra a ditadura portuguesa e insuportável, a 16 de Março de 1974... Mas a 25 de Abril o gesto militar triunfou. Já era tempo de acontecer tal alegria aos Portugueses!
Obrigado, amigo José Ruy, por este registo histórico através da sua arte!


O ESPIÃO ACÁCIO - Edição Mundo Fantasma. Autor: Fernando Relvas (1954-2017). Este autor, tão admirado e com notável obra, faleceu antes do tempo, desafiando as “naturais regras cósmicas”... Terá sido ele próprio a “precipitar” esse seu fim, pois gostava de viver sem regras nem grilhetas. Viveu alguns anos na Croácia, onde casou. Sua viúva, Nina Govedarica, reside em Portugal e fala o nosso idioma quase sem sotaque.
Mas vamos lá a esta aplaudível obra, que foi lançada no Festival-BD de Beja-2018: o álbum “O Espião Acácio”, que compila (e muito bem) os episódios deste delicioso personagem, que Relvas em boa hora inventou. Esses episódios saíram na então edição portuguesa da revista “Tintin”. Agora, estão reunidos em álbum. Até que enfim!...


ZODIAKO - Edição Opera Graphiica Editora, com a bem atenta coordenação de Fábio Moraes. Autor: Jayme Cortez (1926-1987).
É muito difícil falar-se deste tremendamente belo álbum, “ZODIAKO Premium”, de tal modo se fica cilindrado e maravilhado ante a leitura consciente e atenta, perante esta espantosamente bela edição!...
Sem palavras ante este terrível encanto! - é mesmo o que, em plenitude sincera, se pode aqui confessar.
Amigo e “cúmplice” de outro grande mestre da 9.ª Arte portuguesa - Eduardo Teixeira Coelho -, por cá teve algumas “coisas” editadas mas, entretanto, em 1947, buscou novos rumos no belo, imenso e sedutor Brasil (onde terá também convivido com o nosso “Tio Tónio”...). Por essas distantes terras, aí se fez e aí foi evoluindo, revolucionando e apostando em invejáveis inovações. Foi, com toda a dignidade, premiado não só no seu adoptado Brasil como em Itália (no exigente Festival de Lucca), por exemplo. Em Portugal... nada!
Portugal que, apesar do 25 de Abril de 1974, continua a chafurdar em tonterias do “sebastianismo”, mais concretamente nas tibiezas do cardeal-rei Dom Henrique I e nas servis traições a Castela (vulgo Espanha) de Cristóvão de Moura e Miguel de Vasconcelos... Adiante!...
Jayme Cortez foi, e é, enorme na Banda Desenhada. No “seu” Brasil, onde criou, evoluiu e foi respeitável mestre. Deve-se a ele, a primeira exposição de Banda Desenhada no mundo, em 1951. Glória cultural imensa que Portugal desconhece, pois tal não dá votos aos imbecis carneiros dos nossos Partidos que só arrotam promessas nas campanhas eleitorais e o resto... ou é demência ou impotência!... Ora pois: se deixámos morrer Camões ou Bocage na mais repulsiva miséria, o que é que se espera agora?...
Na “outra sentida Pátria” de Jayme Cortez, ele criou obra invejável, da qual, alguma coisa (num estilo de incómodos espirros ocasionais) lá se editou efemeramente por terras nossas...
Em “Beja-BD/2018”,  graças a encontro com o amigão Fábio Moraes, assim nos deparámos com uma das mais importantes e ferventes obras do nosso Portugal e do nosso, em simbiose, Brasil...
Obrigado Jayme Cortez! Obrigado Brasil! Obrigado Fábio Moraes!
LB

domingo, 5 de julho de 2015

EVOCANDO (16)... JAYME CORTEZ

Jayme Cortez (1926-1987)
É com grata admiração que hoje evocamos o nosso desenhista Jayme Cortez, pois faleceu precisamente a 5 de Julho de 1987, em S. Paulo (Brasil), vítima de paragem cardíaca.
Nasceu no Bairro Alto (Lisboa) a 8 de Setembro de 1926, sendo então Jaime Cortez Martins, de nome.
No início de 1947 estabeleceu-se no Brasil, pais que o tem em alta consideração e no qual veio a naturalizar-se, tendo também casado com uma cidadã brasileira.
Directa ou indirectamente, foi discípulo de Eduardo Teixeira Coelho, vindo depois a criar os seus próprios e variados estilos gráficos e pictóricos. Tive (eu, LB) a glória de ter convivido com ele, se bem que efémeramente, num jantar bedéfilo em Lisboa em 1986 (a última vez que visitou a sua cidade natal).
Jayme Cortez é um caso muito especial na Banda Desenhada Portuguesa, embora, tal como seus colegas Eduardo Teixeira Coelho e Vítor Péon, tenha desandado do nosso País (só Péon tornou para entre nós vir a falecer).
Cortez começou a sua carreira de desenhista e cartunista em Portugal... aos onze anos de idade (!!) no suplemento infantil do matutino lisboeta “O Século”.
Nos inícios dos anos 40 do século passado, estreou-se em “O Mosquito”, com a história “Uma Espantosa Aventura”. Mas é no imenso e consciente Brasil que ele é considerado com respeito e admiração. Aqui desenvolveu toda a sua carreira (BD, Ilustração, Capas, Pintura, etc.), valorizando bastante as H.Q. no país onde foi adoptado.
Foi mestre de consagrados desenhistas brasileiros, como Eugenio Colonnese, Messias de Melo e Rodolfo Zalla. Chegou a colaborar com o português António Lopes Cardoso, aparentemente esquecido em Portugal e estranhamente “perdido” também pelo imenso Brasil...
Com Álvaro de Moya, Miguel Penteado e Syllas Roberg, Jayme Cortez foi um dos co-organizadores da primeira exposição internacional de Banda Desenhada do mundo, inaugurada a 18 de Junho de 1951 em São Paulo.
Colaborou nas edições do famoso Maurício de Sousa.
É autor de vários livros didácticos: “A Técnica do Desenho”, “Mestres da Ilustração”, “Manual Prático da Ilustração”, etc.
Alguns dos livros técnicos de Jayme Cortez

Foi actor em três filmes de José Mojica Martins: “Delírios de um Anormal”, “Mundo, Mercado do Sexo” e “Perversão-Estupro”.
Foi premiado pela sua carreira de desenhista no Festival de Lucca (1986 - Itália), tendo antes, em 1984, recebido o Prémio Ângelo Agostini (Brasil).
E é neste mesmo Brasil que é criado o “Troféu Jayme Cortez” para determinados e honrosos fins.
Salientam-se ainda as admiráveis capas que Jayme Cortez elaborou para os fascículos ou mini-álbuns, publicados no Brasil, versando as séries-BD “Oscarito e Grande Otelo” e “Mazzaropi”...
Capas de "Oscarito e Grande Otelo" e "Mazzaropi"

...e as edições locais dos textos de Eça de Queiroz adaptados por Eduardo Teixeira Coelho.
Capas de "A Torre de D. Ramires" e de "O Tesouro" (in "Aventuras Heróicas", Edições La Selva)

Da sua curta obra criada em Portugal, sobretudo para o público juvenil, salientam-se “Uma Espantosa Aventura”, “O Vale da Morte”, “Os Dois Amigos na Cidade dos Monstros Marinhos” e “Os Espíritos Assassinos” (esta, reeditada nos “Cadernos de Banda Desenhada” #2, em Março de 1987).
Prancha de "Os 2 Amigos na Cidade dos Monstros Marinhos"

No Brasil, da sua extraordinária carreira, demarcam-se as suas duas primeiras histórias, “O Guarani” e “Caça aos Tubarões”.
Depois, Cortez avançou muito no seu estilo e aprofundou-se notavelmente em temas do insólito e do terror, donde obras como “Zodíaco”, “O Retrato do Mal”, etc, até “Saga do Terror”, publicado postumamente pela Editora Martins Fontes.
Primeira prancha de "O Retrato do Mal"
Prancha final de "O Retrato do Mal"
Que o mundo bedéfilo português não esqueça também este grande valor que foi (e é) Jayme Cortez.
LB


Pranchas de "Os Seis Terríveis" (in "O Mosquito")

Capa e pranchas de "Os Espíritos Assassinos", in "Cadernos de Banda Desenhada" (1987)
Capa para "O Defunto" (in "Aventuras Heróicas" #7 , Edições La Selva)
Capa para "A Aia" (in "Aventuras Heróicas" #10 , Edições La Selva)
Capa para a revista "Capitão Radar" 
Capa para "Almanaque de o Terror Negro"
Capa para a revista "Os 3 Patetas" (Edição Seleções Juvenis)

Capa para o álbum "Zodíaco"
Da esquerda para a direita: António Barata, José Abrantes, Jayme Cortez, José Ruy, Luiz Beira e Differ
(na última vez que Jayme Cortez esteve em Portugal, em 1986)

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

DE ACTORES A HERÓIS DE PAPEL (2) - OSCARITO E GRANDE OTELO

Nas décadas dos anos 40 e 50 do século passado, a cinematografia brasileira apostou em força nas comédias e fitas musicais. Havia um grande naipe de actores talhado para estes géneros de filmes.
Oscarito e Grande Otelo
Daqui, bem acima de todos, marcavam alta popularidade Oscarito (1906-1970, que nascera na cidade espanhola de Málaga) e Grande Otelo (1915-1993, que faleceu em Paris, onde ia para ser homenageado, ao sair do avião).
Participaram juntos nos mais diversos espectáculos, donde se salientam os treze filmes que fizeram em parceria: "Céu Azul", "Fantasma Por Acaso", "Este Mundo É Um Pandeiro", "...E o Mundo Se Diverte", "O Caçula do Barulho", "Carnaval no Fogo", "Aviso aos Navegantes", "Três Vagabundos", "Carnaval Atlântida", "Barnabé Tu És Meu", "A Dupla do Barulho", "Matar ou Correr" e "Nem Sansão Nem Dalila".
Claro que, isoladamente, também participaram em muitos outros filmes: "Está Tudo Aí", "Aí Vem o Barão", "O Homem do Sputnik", etc (Oscarito) e "Futebol em Família", "Assalto ao Trém Pagador", "Macunaíma", etc (Grande Otelo).
A Banda Desenhada no Brasil tinha também então uma grande produção. E à Editora La Selva não escapou a alta popularidade de Oscarito e Grande Otelo e decidiu transpô-los para as "histórias aos quadrinhos", gesto que foi um pleno êxito local.
Os principais argumentistas foram Flávio de Souza, Cláudio de Souza e Alberto Maduar. O desenhista mais constante e famoso foi Messias de Mello. Mas outros mais também ilustraram pela Banda Desenhada as peripécias de Oscarito e Grande Otelo, como João Batista Queiroz, Juarez Odilon e Ailton Thomás.

Digno de reparo - honroso reparo, diga-se de passagem - foram as muitas capas elaboradas pelo nosso Jayme Cortez, então já emigrado no Brasil.



Quatro excelentes capas de "Oscarito e Grande Otelo", por Jayme Cortez

Muito embora alguns filmes com a parceria Oscarito-Grande Otelo tenham sido exibidos em Portugal, é triste constatar-se que quanto às revistas-BD em questão, parece que (não garantimos) elas jamais se venderam no nosso País. Paciência!...
LB