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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (199)

L'AMOUR EST AVEUGLE - ​Edição Delcourt. Autores: argumento de Alejandro Jodorowsky, traço de Theo e cores por Luca Merli.
Enfim, o quarto e derradeiro tomo da magnífica série "Le Pape Terrible" (O Papa Terrível).
Quando se chegava à leitura da última prancha do terceiro tomo ("La Pernicieuse Vertu"), em 2013, a série deixava pressupor que não terminava ali. Algo não batia certo... A dúvida tinha toda a razão de ser, pois agora sim, com edição em 2019, a espectacular apoteose explicando (será que sim?!...) o final do papa Júlio II. 

Terá nascido em Savona a 5 de Dezembro de 1443, e falecido em Roma a 21 de Fevereiro de 1513.
Seu nome original era Giuliano Della Rovere. 
Esta família italiana era feroz rival da família catalã Borgia, donde o incrível papa Alexandre VI...
Tudo foi num longo tempo "made in Vaticano", onde todas as veleidades eram permitidas, usadas e abusadas, e onde as mensagens de Jesus Cristo eram absoluta letra morta!...O poder, a luxúria, a corrupção, os convenientes e sinistros
assassinatos e toda a devassidão sexual, tudo era mesmo um ver se te avias!
Do argumentista judaico-chileno Alejandro Jodorowsky, que admiramos, para além da total e constante controvérsia que ele provoca nos seus textos, com aspectos históricos autênticos e/ou nos seus exageros mentais, tudo se espera. Da arte gráfica do italiano Theo, só elogios.
O final é inesperado.



TOM SAWYER - ​Edição Glénat. Autores: segundo Mark Twain, nesta versão-BD, tem argumento de Caterina Mognato, traço de Danilo Loizedda e capa de Chris Regnault.
O norte-americano Mark Twain (1835-1910), de nome próprio Samuel Langhorne Clemens, marcou-se com uma vida e uma obra que são de admirar.
As corajosas e atrevidas aventuras dos petizes Tom Sawyer e Huckleberry Finn, a solo ou em parceria, têm sido não só reeeditadas, mas adaptadas "ene" vezes, ao Cinema, à Banda Desenhada, ao Teatro, à Televisão e por aí adiante.
Esta, é mais uma em BD, com o nosso aplauso.
Será que em Portugal, alguma editora se vai sacrificar e apostar nestes "Grandes Clássicos da Literatura em Banda Desenhada"?...



CASEMATE / 136 - ​Compreensivelmente, dado à pandemia, esta revista esteve parada em Abril e Maio. Voltou agora, num exemplar para Julho e Agosto.
E é uma grande aposta no que toca a assuntos diversos, a programações e a seduções a novidades de BD.
Toca a estar atentos!

LB

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (191)

O PACTO DA LETARGIA - ​Edição Ala dos Livros. Autor: Migelanxo Prado; ​Tradução de Ricardo M. Pereira.
​Que encanto reencontrar, com nova obra, o ​talento esmerado do grande artista galego ​Miguelanxo Prado! Com "O Pacto da Letargia" ("El Pacto del Letargo", ​no original), todo o tema é estranho, porém, ​sedutoramente insólito e apaixonante.
Na confusa ​fragilidade entre o Homem e a Natureza, Prado põe-nos ​a assistir a uma eterna briga: há duas forças, ditas ​"ocultas", que se opõem: os prepotentes Demónios ​(que querem aniquilar a Humanidade) e os Puros (que ​protegem a deambulante e tonta Humanidade em ​questão). E por aqui um bizarro objecto, o tríscelo, ​que tem forças mágicas poderosas, que, entretanto, foi misteriosamente roubado, e que Demónios e ​Puros tanto desejam encontrar (ou recuperar)…
​há ainda um jovem investigador universitário que ​mergulha destemidamente nesta embrulhada…
​O resto… por favor, leiam esta tão espantosa e ​bela narrativa!


TOMBÉ POUR LA FRANCE - ​Edição Lombard. Autores (segundo Tibet e Duchâteau): ​argumento de Zidrou, traço de Van Liemt e cores de ​Cerminaro.
​Agora com os continuadores da série original, aqui ​temos o famoso jornalista e investigador Ric Hochet ​em recente narrativa.
​Este episódio, como sempre na linha de "difíceis" ​enigmas, está pleno de acção, mas também a usar ​um bem achado humor.
​Tem um inesperado ponto de partida: a Imprensa, de ​repente e no mesmo dia, divulga em primeira página, ​que Ric Hochet é de falsa integridade, pois se persegue ​a bandidagem, por outro lado, protege seu pai ​Richard, que é um famoso golpista… A polícia vai ​buscá-lo a casa donde, algemado, vai a julgamento.
​Razão um tanto incrível: o nosso herói é preso ​porque faltou ao serviço militar obrigatório e, por ​isso, é considerado desertor!... Se a França estivesse ​em tempo de guerra, seria logo fuzilado; em tempo ​de paz, não escaparia a um prolongado tempo de ​cárcere. Mas os benévolos juízes decretam-lhe uma ​"pena leve": dezasseis meses de serviço militar!... Em ​que grande alhada se foi esparramar este herói?!… Tudo isto onde todos os personagens da série, incluindo o gato (ou gata?) Nadar, entram em ​em cena… Não faltam as divertidas cenas na caserna ​e as insinuadas cenas eróticas de Ric com Nadine...



MES ANNÉES HÉTÉRO - ​Editions  Delcourt. Autor: Hugues Barthe.
​Este relativamente jovem francês, criador de BD, ​sempre nos tem surpreendido positivamente com ​a sua obra frontal, seja com ironia ou com um certo ​"suave" drama, obra esta por norma conotada com ​as complexidades e ambiguidades sexuais de cada ​um… Pois é preciso ter essa coragem!... E Barthe tem-na em pleno! Esta obra é densa e complexa, obrigando-nos a uma boa, vertical e sincera leitura. Topam?...
Já é notável e bem considerável a lista das obras de Hugues Barthe publicadas em França… Uma certa editora portuguesa quis publicar-lhe alguns títulos, mas ficou-se num sonho de promessas e de um real vazio… Que pena.
Hugues Barthe veio, até agora, apenas uma vez ao nosso país, para o Salão MouraBD, em 2013, onde foi bem aplaudido, tendo então recebido o Troféu Balanito. Sempre muito gentil, ficou-lhe na memória o seu grato e constante carinho pelo nosso País.


OS TIGRES - Edições FA; Autor: Flávio C. Almeida.
Depois de "Os Vigilantes - a equipa lusa de Super-heróis" e de "Um só", Flávio Almeida apresenta-nos o seu terceiro trabalho, "Os Tigres".
"Os Tigres" são um grupo de oito amigos que gostam de aventuras. Por isso estão sempre a meter-se em sarilhos mas, com amizade, conseguem ultrapassar as dificuldades e acabar o dia sempre em grande! Numa aventura “aérea”, vão ter que utilizar todo o seu engenho para ultrapassar este desafio.
Em distribuição nas principais e em outras várias lojas e livrarias especializadas online, também em formatos digitais.
FA é o selo editorial do autor mourense Flávio Almeida, em “edição de autor”, cuja página pode ser consultada clicando em www.fa.bdcomics.pt

LB/CR

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (177)

ROSWELL - ​Edição Delcourt. Autores: argumento de Jean-Pierre Pécau, arte gráfica de Igor Kordey e cores de Anubis(!!).
Curiosamente, Anúbis, é um dos principais deuses da Mitologia Egípcia…
​"Roswell" é o 35.º tomo da tão apaixonante como especulativa série "L'Histoire Secrète", cuja respectiva intriga vai prosseguir…
​No início de Julho de 1947, um disco voador caiu no Novo México, perto da localidade de Roswell… e o coronel William Blanchard, da Força Aérea Norte-Americana, após investigação e actuação na zona, anunciou que havia recuperado um disco voador!... E logo nasceu (e prossegue) a balbúrdia de informações, contra-informações, atitudes ambíguas e estranhos secretismos.
Nesta obra-BD, Jean-Pierre Pécau atreve-se a ir mais longe (com a maravilhosa arte do croata Kordey), pois por aqui junta o episódio real do OVNI caído, a Mitologia Egípcia, a mal escondida e secreta Área 51, as teorias de "iluminados" escritores como Carlos Castañeda e René Guénon…
É uma intensa e maravilhosa amálgama de sedutoras teorias.
Serão mesmo só teorias?!...E o que é que os Arcontes, criados pelo deus Thot, andam a fazer e a querer lucrar nesta confusão espantosa?


O TESOURO DO CISNE NEGRO - Edição Levoir, em parceria com o diário "Público". Autores: argumento de Guillermo Corral e arte gráfica de Paco Roca, obra que recebeu em 2018, o Prémio Splash Sagunt. Este álbum pertence à série "Novela Gráfica" (5.ª fase).
Com base num escaldante processo político-jurídico entre o Reino de Espanha e os Estados Unidos da América do Norte, o romancista-argumentista Corral, logicamente, mascarou levemente alguns aspectos: a nau espanhola "Merced " (Nuestra Señora de las Mercedes) que vinha da América do Sul para Espanha, aqui chama-se "Cisne Negro"; pelos ingleses, foi criminosamente bombardeada e afundada, perto de Gibraltar, não em águas internacionais, mas portuguesas…
Depois, ávidos procuradores a abarbatadores de tesoiros de naus no fundo dos mares (norte-americanos, claro!), não pertencem à mencionada "Ithaca", mas à autêntica "Odyssey".
Pior que uma legião de "Tios Patinhas", a nada se poupam para roubar o que a outros pertence… Dólares e dólares, não é assim que tudo importa?!…
Este álbum tem um importante texto de apresentação pelo arqueólogo náutico Alexandre Monteiro.




LES MALÉFICES DE MEDÉE - ​Edição Glénat. Autores, segundo o atento e incansável projecto de Luc Ferry, tem argumento de Clotilde Bruneau, arte de Alexandre Jubran, cores de Scarlett Smulkowski e capa de Fred Vignaux.
Álbum da sedutora e cultural série "La Sagesse des Mythes", que ás vezes, é de tomo único (one shot), mas este é o terceiro (teoricamente o último) do episódio "Jason et la Toison d'Or".
Vamos a uma boa leitura? Cultura não ocupa lugar, mas consola muitíssimo!

LB

sexta-feira, 28 de junho de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (172)

LUNE ROUGE - Edição Casterman. Autores (segundo Jacques Martin): argumento de François Corteggiani, traço de  Christophe Alvès e cores de Bonaventure.
Muito bem concebido este "Lune Rouge" (Lua Vermelha), que é o 30.º tomo da série "Lefranc".
O repórter-detective Guy Lefranc é encarregado pelo "Le Globe" de fazer uma investigação sobre os engenhos espaciais experimentais. Tem um ​contacto com o cientista Lukas Eugen Messner, que ​é raptado logo a seguir a tal entrevista… Daí, Lefranc, ​viaja de Paris para a Coreia do Norte e a União Soviética, ​com sérias ameaças para com a sua integridade. Claro ​que o seu eterno inimigo (mas, às vezes, até seu aliado) ​Axel Borg, também está metido neste escaldante enredo.
​E por aqui, a corrida para o espaço está lançada…

Um ​álbum da série "Lefranc", muito bem elaborado.



TANTALE ET AUTRES MYTHES - ​Edição Glénat. Autores: argumento de Clotilde Bruneau, ​traço e guião de Carlos Rafael Duarte (brasileiro), cores ​de Simon Champelovier e capa de Fred Vignaux.
​"Tantale et Autres Mythes de l'Orgueil" (Tântalo e Outros Mitos do Orgulho), é mais um apaixonante tomo da ​série "La Sagesse des Mythes" (A Sabedoria dos Mitos), brilhantemente concebida por Luc Ferry, série esta ​que, lamentavelmente, se mantém ignorada pelas nossas
​editoras-BD, factor a que já nos habituámos…
​Segundo as lendas mitológicas da Grécia Clássica, alguns
​humanos abusaram das deferências dos deuses olímpicos ​e daí, terríveis castigos caíram sobre eles, pois Zeus não ​tinha paciência para quem o desafiava! Aqui, interligados ​no mesmo enredo, estão: Tântalo, Íxion, Niobe e Faéton…
​Saiu-lhes bem caro o terem usado o Híbris: orgulho que ​leva a agir de maneira desmesurada contra as leis divinas!...


​​SI DEUS PRO NOBIS... - ​Edição Delcourt. Autores: argumento de Thierry Gloris, ​traço de Jaime Calderón e cores de Felidus.
​"Si Deus Pro Nobis, Quid Contra Nos?", é o segundo ​tomo da vigorosa série, mais ou menos histórica, ​"Valois".
​Tardou muitíssimo a publicação deste segundo tomo!...
​A ​editora e/ou os seus "construtores", devem ser mais ​lestos e menos lerdos!... Haja respeito pelos leitores, ​tanto mais que a série, no género, entusiasmou os ​bedéfilos atentos logo ao primeiro tomo. Pois na verdade, ​a época da Renascença, abraça em força quem é culto ou ​pretende sê-lo, mas a demora da publicação dos tomos ​desta bela série, é quase imperdoável.
​Claro que "Valois" não terminou neste segundo tomo...

LB

terça-feira, 17 de abril de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (145)

LES NAUFRAGÉS DE L’ESPACE - Edição Glénat. Autores: argumento de Denis-Pierre Filippi, traço de Vicenzo Cucca e cores de Fabio Marinacci. Primeiro tomo da série “Colonisation”.
Para os apaixonados pelo futurismo, esta série é uma interessante aposta.
O que está em causa? Apenas... o futuro. Daí que se pergunte: “Até onde poderá sobreviver a Humanidade?”...
Pelo século XXIII, a Humanidade terrestre está insuportável e quase esgotada. Naves imensas com milhares de terrestres, buscam outros planetas habitáveis.
Porém, parece que esses corajosos se perderam algures no Cosmos!...
Terá mesmo sido isso?...

LA PISTE DU PRÊCHEUR - Edição Lombard. Autor: Yves Swolfs.
Na linha “western”, o consagrado belga Yves Swolfs é o responsável - texto e grafismo - desta série, “Lonesome”, cujo primeiro tomo aqui se regista, pleno de mistério e de vigor.
Pelo século XIX, no estado do Kansas, impera um clima de violência, dado a estranhos interesses políticos. Um bizarro e cruel pregador, Markham, espalha torturas e mortes. A mando de quem?
Um misterioso e solitário cavaleiro (ou justiceiro?) empenha-se em descobrir a sua verdadeira entidade e em caçar o aberrante pregador.

O MUSEU DAS MARAVILHAS - Edição Asa. Autor: Brian Selznick.
Esta volumosa publicação, com mais de 600 páginas, narra a história comovente de dois jovens em busca das suas origens e da concretização dos seus sonhos.
Sendo de épocas diferentes, eles vão acabar por se encontrar no desenrolar dos seus percursos individuais. Esta história já deu recentemente um filme.
Neste livro, que não é propriamente um álbum-BD, encontramos constantes belas ilustrações a preto-e-branco, do próprio autor.

ICARE - Edição Delcourt. Autores: argumento de Amélie Sarn e arte gráfica de Marc Moreno. Primeiro tomo da série “Dark Blood”, o enredo navega pelo fantástico, tão sinistro como romântico.
Através dos tempos, a narrativa leva-nos até aos primeiros vampiros (humanos) e vai-nos revelando a espantosa origem desta maldição.
Os amantes do género vão aplaudir.
LB

sábado, 7 de abril de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (144)

ANTIGONE - Edição Glénat. Autores, segundo a orientação de Luc Ferry, tem como argumentista Clotilde Bruneau e arte de Giuseppe Baiguera.
É mais um tomo da série “La Sagesse des Mythes” e inspirado na famosa tragédia homónima de Sófocles.
Principais personagens: Antígona e sua irmã Isménia (filhas de Édipo e Jocasta), Creonte (tio de ambas e cruel ditador da cidade-estado de Tebas), Eurídice (esposa de Creonte), Hémon (filho destes e noivo de Antígona) e o adivinho cego Tirésias.
Por todo o cruel argumento, paira o intenso dramatismo das famosas tragédias da Grécia Clássica: os irmãos (de Antígona e Isménia) Eteócles e Polínices, morrem numa luta fratricida, pois ambos queriam o trono de Tebas.
Creonte tinha simpatias por Eteócles e decreta que este tenha o funeral honroso e tradicional, e decide que quem quer que seja que dê sepultura a Polinices, seja condenado à morte.
Antígona revolta-se ante esta injustiça e, já condenada a ser emparedada, atira-lhe frontalmente a sua célebre frase: “Nasci para amar e não para odiar!”. Em vão!... Tirésias alerta Creonte para o erro que está fazendo, mas quando o rei cai em si, já é tarde: Antígona enforcara-se  na gruta-cárcere onde estava encerrada e Hémon, sabendo disto, suicida-se tal como sua mãe Eurídice, ao saber da morte do filho...


O ATENEU - Edição Polvo. Autor: Marcello Quintanilha, segundo a homónima obra de honra do romancista brasileiro Raul Pompeia.
O tema é tão agressivo como terno e denunciante, centrado num ríspido e famoso colégio interno para rapazes, onde tudo pode acontecer... É um tema que outras vezes na Literatura já foi abordado. Lembram-se, ao acaso, os romances, “Colégio de Rapazes”, de Carmen de Figueiredo, e “As Amizades Particulares”, de Roger Peyrefitte. Não são obras convergentes, mas os assuntos destes três romances são marcadamente paralelos...
“O Ateneu” de Raul Pompeia já teve outras adaptações à Banda Desenhada, mas com esta versão de Quintanilha (que já esteve num dos festivais-BD de Beja e que reside em Barcelona), a obra ganha e encanta com um novo fôlego. Se a firmeza da arte de Marcello Quintanilha é incontestável, nota-se neste seu peculiar empenho o convite para uma leitura obrigatória.
Que se esqueçam os “Tio Patinhas”, os Mangá e/ou os Super-Heróis (que o tresloucado do Donald Trump deve adorar...) e que se aposte na leitura bedéfila que tem 100%  de qualidade!...


LE MIRAGE ITALIEN - Edição Delcourt. Autores: argumento de Thierry Gloris, traço de Jaime Calderon e cores de Felideus. É o primeiro tomo da série “Valois”.
A grandiosa época histórica da Renascença teve tanto de bela e grandiosa (nas Artes) como de sinistra, nas ambições e aberrantes crimes.
E, por esta série, tudo se indica com alta classe gráfica, tendo como fio condutor a amizade e a rivalidade dos heróis de ficção, o francês Henri Guivre de Tersac e o catalão Blasco de Vilallonga.
De resto, estão lá as batalhas impiedosas, os assassínios “por conveniência”, as furiosas ambições políticas, tanto de lado da França como do Vaticano, sem esquecer os hipócritas climas sexuais...
E todos à mistura, como que numa bizarra e repulsiva orgia, lá estão os Bórgia, os Della Rovere e a variada nobreza francesa toda bem desaguisada... Que delícia!
“Valois” é mais uma vigorosa e bela série a ler e a acompanhar com uma apurada atenção.
LB

domingo, 18 de fevereiro de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (139)

DES MIETTES AU FESTIN - Edição Soleil. Autores: argumento de Olivier Pery e arte de Francesco Mucciacito. “Cosme 1er, Des Miettes au Festin”, é o 4.º  e penúltimo tomo da apaixonante série “Medicis”.
Interessante da série: tem um “narrador” que é, nem mais nem menos, que a própria cidade de Florença (Firenze), contando a sua agitada história, sobretudo, com o governo da famosa família Médici, uma atrevida, grandiosa e poderosa dinastia política.
No álbum, na contracapa, cita-se: “Nós, os Médici, somos os príncipes de um tempo novo, as nossas acções não têm a grandeza e a nobreza dos de antigamente, mas são a imagem das nossas batalhas. Sórdidas, sem coragem e oportunistas”.
Todos os Médici amaram, profundamente e à sua maneira, a região da Toscânia e a sua principal urbe, Florença. Por essa história, muita intriga (e alguns “convenientes” assassinatos), ambições políticas e não só, pois desta família existiram quatro Papas, e também a paixão e protecção pelas Artes, a par de muita depravação sexual.
Adolescentes, três primos são muito “amigos”: Alessandro (que será assassinado por Lorenzino, que por sua vez será assassinado em Veneza ), Lorenzaccio (o mesmo Lorenzino) e, o mais novo, Cosimo, aparentemente ingénuo e um tanto “gata borralheira” deste trio. Já jovem adulto, Cosimo, lutou por ele e pela sua Florença, sem se importar com os meios para atingir os fins. Foi o segundo Duque de Florença e o primeiro Grão-Duque da Toscânia.
É pois todo este período da sua vida (1519-1574) que é narrado neste tomo, com o belo grafismo de Mucciacito.

HORS D’OEUVRE - Edição Dupuis. Autores: traço de Luc Brahy, argumento de Delphine Lehericey e Fanny Demarès e cores de Bertrand Denoulet.
É o primeiro tomo da série “Étoilé”, a despertar gulosos apetites e com descaradas intrigas  no esquema.
Está na moda, nos jornais, revistas e televisão, falar-se ou escrever-se muito sobre culinária. E até há frequentes concursos televisivos!... Tudo para “encher a pança” e forjar vaidades nas vedetas deste ramo para bem comer...
A  Banda Desenhada tem estado atenta e agarrou o assunto, pelo menos, com uma série muito interessante, “Étoilé”, pela belga Dupuis.
E vai daí, aconselhamos esta obra com a bela arte de Luc Brahy.


LE COSMOS EST MON CAMPEMENT - Edição Delcourt. Autores: segundo a novela de Alain Damasio, tem argumento e traço de Éric Henninot e cores de Gaétan Georges. É o primeiro tomo da série “La Horde du Contevent”.
Notória ficção amarga e seca. Tudo se passa num clima de pesadelo, num planeta árido, constantemente fustigado por ventos implacáveis. Alguns corajosos tentam chegar à fonte dos ventos e estancá-los. Mas...
Na continuação desta série, veremos onde tudo isto vai dar.


QI 148 - Editor: Edgard Guimarães (Brasil).
Recebemos mais um excelente número do fanzine "QI" - um caso raro de publicação amadora com vida tão longa e ininterrupta - e a verdade é que, com quase centena e meia de números editados, nos continua a impressionar pela sua qualidade gráfica e pelo interessante conteúdo. 
Começando pela capa (da autoria do próprio Edgard Guimarães), passando pela rubrica "Fórum" (sempre uma das mais consistentes), a entrevista ao malogrado Fernando Bonini, um interessante artigo de E. Figueiredo sobre "Robin Hood e o seu espírito maçom", o habitual catálogo de edições independentes recebidas e, também, mais um encarte, o 9.º da colecção "Artigos sobre Histórias em Quadrinhos", com texto e pesquisa de Carlos Gonçalves, desta feita sobre a monumental obra "A História do Oeste". 
Como sempre, nota dez para o meritório trabalho do nosso amigo Edgard!
Contacto: edgard.faria.guimaraes@gmail.com
Nota a posterioriO "QI" também pode ser obtido em pdf (embora sem todos os suplementos) aqui.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (137)

JULES: DE L’OR A LA CROIX - Edição Soleil. Autores: Olivier Peru no argumento; Lucio Leoni e Emanuela Negrin no traço; e nas cores, Elodine Jacquemoire.
“Jules”, é o terceiro tomo da contundente e caprichada série “Médicis”. Uma obra bem apostada como série-BD, a seduzir as editoras portuguesas.
Em plena Renascença, tudo se passa na conturbada Europa e, mais marcante, pelos territórios italianos, com guerras, invejas, cobiças e uma infinidade de intrigas.
Vários Papas por este tomo se “exibem”, desde Alexandre VI (Bórgia) ate Júlio II (Della Rovere). Mas, a secundar todos os Médici (os senhores de Florença/ Toscana), circulam nesta apaixonante série e neste tomo em especial, personagens históricas como César Bórgia, Nicolau Machiavel, o famoso monge Savonarola, os reis franceses Charles VIII  e Louis XII, etc...
Histórias da HISTÓRIA!
Este tão intenso tomo será... talvez, e até agora, o melhor que nos relata toda esta época-situação... Ficamos por aqui?...
Típico da época, os Papas, eram e foram grandes protectores das Artes (sobretudo da Pintura e da Esculura), mas também, foram uns grandessíssimos desbragados e devassos...


CHATS, CHATS, CHATS ET CHATS! - Editora Delcourt. Autores: com argumento de Lapuss' e traço de Philippe Larbier, este é o segundo tomo desta divertida  série-BD onde impera a maravilhosa gataria...
Esses impagáveis felinos domésticos, de várias raças e adoráveis caprichos, andam espantosamente através destas pranchas (já em segundo tomo) a encantar-nos!
Felizes, os que gostam, amam e protegem os gatos. Mas, ai daqueles que os detestam e os sacrificam!...
O gato, símbolo doméstico dos felinos da nossa vivência... E o  resto...
Não, não é “o dramático silêncio” do alucinado Hamlet... Há muito mais a acertar na TUA  Consciência!...
Ora então, aprendam a viver e a CONVIVER .


BOB MORANE, INTÉGRALE / 7 - Edição Lombard. Autores: argumentos de Henri Vernes, arte de William Vance e apresentação-prefácio de Jacques Pessis.
Por esta atenta editora belga, a Lombard, continua a aplaudível recuperação em “álbuns integrais”, da série que versa as notáveis aventuras de Bob Morane e seu amigo escocês Bill Ballantinefazendo este sempre questão de frisar que não é inglês, mas sim escocês (Bravo!), e que tem mais valentia e coragem quando se atesta com umas boas goladas de uísque... Ora pois!
Neste tomo, cinco aventuras que, crê-se, são inéditas em edição portuguesa: “Les Yeux du Brouillard”, “Les Poupées de l’Ombre Jaune”, “Les Sept Croix de Plomb”, “Guèrilla à Tumbaga” e “La Prisonnière de l’Ombre Jaune”.
Obrigatório ler e coleccionar, pelo menos... em francês!
LB

domingo, 16 de julho de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (125)

O TESOURO DOS DALTON - Edição Asa. Autores: argumento de Morris, com a colaboração de Vicq; arte gráfica de Morris.
Em português, foi agora finalmente editada esta aventura do famosíssimo Lucky Luke. Pois em boa hora aparece esta edição, dado que a narrativa é uma das mais divertidas desta popular série, com uma situação quase absurda: os famigerados irmãos Dalton querem à viva força ser presos!... Especialmente, numa determinada e específica moderna cadeia... E que cadeia!...
Mas o juiz local é muito “afável” e não dá sentença de prisão. 
Pois então, os quatro manos, desta vez, não elaboram um túnel para se evadirem mas, pelo contrário, escavam um túnel para invadirem a prisão!
Porquê?!... Isso explica-se tudo nas trapalhadas narradas neste álbum... Leiam-no!

NIGREDO, L’OEUVRE AU NOIR - Edição Glénat. Autores: argumento de Alejandro Jodorowsky e arte de Jérémy (aliás, Jérémy Petiqueux). É o primeiro tomo da série  “Les Chevaliers d’Héliopolis”.
Algures, no norte de Espanha, funciona uma poderosa sociedade secreta, protegida e bem escondida na fortaleza-templo dos cavaleiros de Heliópolis...
Jodorowsky, na sua vigorosa maneira de inverter aspectos controversos da História, aqui e à sua maneira, recria a história do enigmático rei Louis XVII, filho de Louis XVI e de Marie-Antoinette, que foram guilhotinados nos furores da Revolução Francesa.
pequeno (dito Louis VII) teria sido morto ainda na prisão... Foi?!...
Por aqui, ele é salvo pelos Cavaleiros de Heliópolis, com a cumplicidade da famosa Charlotte Corday, que assassinou o temível revolucionário Marat e que depois, foi também guilhotinada.
Mas o jovem nobre francês, que terá nascido hermafrodita, é educado pelos Cavaleiros e torna-se num astuto e valente justiceiro...
Pois, pois!

 
TERRE DE FOLIE - Edição Delcourt. Autores: argumento de Leo e Rodolphe, traço de Zoran Janjetov e cores de Zoran Janjetov Jr. É o terceiro tomo da série “Centaurus”.
Desde que a Terra se tornou inabitável, uma monumental nave espacial, com milhares de terrestres a bordo, avança pelo Cosmo em busca de um novo planeta, capaz de acolher a nossa raça...
As gerações sucedem-se nessa quase infindável viagem, até que julgam acertar com o objectivo, no planeta Vega da constelação do Centauro...
Mas Vega está cheio de enigmas, perigos e armadilhas... E será que este planeta Vega é mesmo o autêntico? Não estarão estes atrevidos sobreviventes a ser iludidos e manipulados por um misterioso ser que se infiltrou na nave-cidade-mundo, durante a imensa viagem?

 
LE DERNIER MASQUE - Edição Lombard. Autores: argumento de Jean Dufaux e arte de O. Grenson.
Com este 15.º tomo, “Le Dernier Masque (A Derradeira Máscara), se encerra a série “Niklos Koda”, que cedo entusiasmou os leitores.
Niklos Koda, de aparente ascendência grega, que começou por ser um diplomata e agente secreto francês, muito namoradeiro também (qual um James Bond à francesa), a pouco e pouco, vai-se desviando da linha original das suas aventuras, mergulhando em universos da Magia Negra e da Magia Branca. Terrores que funcionam ou meras fantasias novelescas?...
Nos últimos tempos, Koda, vive perseguido por diversas forças e/ou entidades. E está pronto a ceder, mas antes, o seu objectivo máximo: salvar a sua filha adolescente, Seleni, que, por sua vez, também já é capaz de actuar em pleno pelas vias sinistras das Magias.
E pronto: com Seleni salvaguardada e com o sacrifício de Niklos Koda, a série por aqui se termina.
LB

quinta-feira, 25 de maio de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (119)

LEGIO NOSTRA - Edição Lombard. Autores: argumento de Hervé Loiselet e arte gráfica de Benoît Blary.
Através dos anos, o tema da Legião Estrangeira tem entusiasmado uma multidão de leitores, cinéfilos e bedéfilos. Esta organização militar nasceu a 10 de Março de 1831, no reinado do monarca francês Louis Philippe. Tem actuado em diversas regiões, sendo hoje considerada uma tropa de elite. A sempre saudosa Edith Piaf, num dos seus imensos êxitos, tem a famosa canção “Mon Legionaire”...
Na Literatura, destacamos duas obras biográficas: “Doze Anos na Legião Estrangeira” de Sydney Tremayne e “Chegar É Já Em Si Bastante” de José da Câmara Leme. Mas há também romances fantasistas (alguns deles transpostos ao Cinema e à Banda Desenhada), como “Beau Geste” de Percival Christopher Wren e “Sob Duas Bandeiras” de Ouida (pseudónimo de Maria Luisa de la Romée). Ainda pela 9.ª Arte, conta-se o recente álbum “Camerone - Avril 1863”, sob edição Delcourt.
Agora, pela Lombard, uma muito preciosa obra em BD: “Legio Nostra, la Légion Étangère d’Hier et d’Aujourd’hui”. Trata-se da História deste ramo militar, com uma exaustiva e elucidativa documentação a acompanhar, intercaladamente, as páginas preenchidas com heróicas pranchas.


LE HÉROS - Edição Soleil. Autores: argumento de Patrice Lesparre, traço de Fabio D’Auria e Roberto Viacava e cores de Nuria Sayago.
“Le Héros” é o oitavo tomo da série “Oracle”.
Seguindo uma ideia programada de uma viagem pela Grécia Antiga que narra as vinganças dos mortais contra os caprichosos deuses do Olimpo, não é dos mais conseguidos episódios desta série.
Nota curiosa: no fantasista final, marca-se o surgimento, também fantasista, do vampirismo humano... Doideiras da Banda Desenhada!


HENRIQUET, L’HOMME-REINE - Edição Delcourt. Autor: Richard Guerineau.
Numa França dilacerada por uma guerra de religiões e onde muitas intrigas e conspirações se urdiam, é o ambiente que aqui se retrata...
Foca o argumento a vida complicada, devassa e atrapalhada de Henri III de França, quarto filho de Henri II e da terrível e poderosa Catherine de Médicis, tendo nascido em 1551. Como Henryk Walezy (Henri de Valois), era rei da Polónia, que ele detestava. Pela morte de seu irmão, o rei Charles IX, é secretamente chamado, de urgência, a França...para subir ao trono. Com dois favoritos, sem dizer “água vai” a ninguém do reino que dirigia, foge para o seu país. Mas em França, tudo foi um constante e conturbado desassossego!...
Jovem, belo, caprichoso e politicamente sem qualquer devida orientação, ligava pouco e sem consciência devida à sua função, interessando-se muito mais pelos seus favoritos (os mignons), dado que era quase nada viril, apesar de ter casado em 1575 com Louise de Vaudémont, donde não houve descedência. Em 1589, foi assassinado por Jacques Clément, um fanático monge católico.
Com este tomo, Richard Guerineau, apresenta-nos, jocosamente, um divertido e denso romance gráfico, que revela um período histórico tão complexo como apaixonante.
LB

terça-feira, 18 de abril de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (117)

LE TRIOMPHE OU LA MORT - Edição Casterman. Autores: Rudi Miel e Fabienne Pigière no argumento, e Paolo Grella na arte gráfica.
“Le Triomphe ou la Mort” é o primeiro tomo da série "Libertalia".
Para quem se entusiasma com aventuras nos mares, nos cenários exóticos e onde funcionam piratas ou “profissionais” deste campo, esta série promete bem. Os autores inspiraram-se em textos de Daniel Defoe (o autor do clássico Robinson Crusoé) e trabalharam com afinco para esta narrativa na 9.ª Arte.
Assim, no século XVIII, em Madagáscar, um corajoso grupo de piratas, funda a utópica cidade-país Libertalia. São sobretudo anti-esclavagistas e combatem, quase sem pidedade, os navios traficantes de escravos. Ao comando desta “benemérita” força, está um destemido nobrezito francês, Misson, que está desfazado ante a sua época, e o jovem padre italiano Carracioli, em dissidência total com o próprio clero que vive em faustos e prepotências.
Obviamente, as acções de Misson e Carracioli incomodam seriamente as grandes potências da época...


ÉLOÏSE DE GRAINVILLE - Edição Delcourt. Autores: texto de Fred Duval, traço de Florent Calvez, cores de Delf e capa de Ugo Pinson.
É o segundo tomo da série “Mousquetaire”, que nos encanta plenamente, em especial porque desempoeira o género “capa-e-espada”, dando-lhe uma nova iluminação.
Na corte de Louis XIV, com Versalhes em finais da sua construção deslumbrante, D’Artagnan mantém o seu respeitável cargo na confiança do rei. Mas as intrigas na corte são um constante veneno que aí se respira... O jovem mosqueteiro Alexandre de Bastan, protegido por D'Artagnan, é uma presa fácil nos caprichos da intrigante Madame de Locuste e da sua “servidora”, a bela Éloïse de Grainville, que se arrisca a tudo para uma certa vingança pessoal, mesmo estando apaixonada por Alexandre...


LE CIMETIÈRE DES MACHINES À VENDANGER - Edição Delcourt. Argumento de Corbeyran e Chapuzet, traço de Luc Brahy e cores de Jérôme Maffre.
Terceiro e último tomo da série, policial até certo ponto, “Cognac”.
Chega assim ao fim a teimosa investigação da jornalista Anna-Fanély Simon, para desvendar o trágico assassinato de uma sua amiga de infância. Tudo isto num ambiente nada ligeiro, das vindimas, do fabrico e da comercialização de afamadas aguardentes na região francesa de Charente.
Todavia, nesta escaldante ficção, verifica-se que certos conhaques podem muito bem inspirar os piores procedimentos... Acontece!
LB