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sábado, 14 de outubro de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (129)

A VIDA DE CHE - Edição Levoir / Público. Argumento de Héctor Germán Oesterheld. Grafismo de Alberto Breccia e Enrique Breccia. Apresentação e biografia dos autores por João Miguel Lameiras, e prefácio por Ernesto Sábato.
O Cinema tem explorado bem a figura de Che Guevara e vários actores de nomeada o viveram na tela, como os espanhóis Francisco Rabal e Eduardo Noriega, o egípcio
Omar Sharif, o mexicano Gael Garcia Bernal e o portorriquenho Benício Del Toro. Com mais ou menos fantasia, todos procurando dar o melhor...
Na Banda Desenhada, há uma novela gráfica, “Che Guevara”, pelos italianos Marco Rizzo e Lelio Bonaccorso, mas por cá só conhecíamos a edição da Casterman (2006), “Libertad! - Che Guevara”, com argumento de Maryse e Jean-François Charles e arte de Olivier Wozniak.
Agora, finalmente em português, a obra por excelência em BD, versando a vida admirável e sofredora do médico argentino Ernesto Guevara de la Serna, dito, Che Guevara. Uma obra espantosa e comovente!
O argumento é do frontal Héctor Gusmán Oesterheld, raptado e assassinado pelas forças argentinas de então. O cilindrante grafismo a preto-e-branco, pertence ao incontornável Alberto Breccia (nascido no Uruguai e que, ainda petiz, foi com a família, viver para a Argentina), com a colaboração, em estreia, de seu filho Enrique Breccia, agora a residir em Itália.
No tocante prefácio, Ernesto Sábato (Junho de 1911 a Abril de 2011), este, de um modo claro e directo, em certos aspectos, compara Che Guevara a D. Quichote e a Jesus Cristo... Nada errado, nestes pareceres!
Este “A Vida de Che” é uma extraordinária obra-BD de excepção, sugerindo uma rigorosa, atenta e obrigatória leitura, nestes 50 anos sobre o assassinato de Che Guevara.


DIÁRIO DE ANNE FRANK - Edição Porto Editora. Autores: Anne Frank e a parceria Ari Folman (argumento) e David Polonski (arte).
Neste 2017, evoca-se, nesta obra, a vida e o martírio da jovem judia (holandesa) Anne Frank, assassinada pelos energúmenos nazis sob as ordens do paranóico austríaco Adolf Hitler.
Anne Frank, pelo seu diário que, felizmente, foi descoberto e salvo, permitindo que ela se tornasse num comovente ícone, vítima de um dos piores e infames massacres que o bicho-homem tem efectuado sobre o seu semelhante.
Loucuras cruéis que são inconcebíveis, mas que aconteceram! Onde pára o Deus Criador, tão vigilante e bondoso?
Pois Anne Frank está agora numa bela versão em Banda Desenhada, num álbum que foi lançado, quase em simultâneo, em França e em Portugal.
Por favor, leiam-no!


A BALADA DA CONQUISTA DE LISBOA - Edição: Gicav (Viseu). Autores: Eduardo Teixeira Coelho (desenho) e Raul Correia (texto).
"A Balada da Conquista de Lisboa" é uma narrativa que faz parte da maior epopeia da BD portuguesa de todos os tempos, "O Caminho do Oriente", história publicada em 1946, na 1.ª série do jornal "O Mosquito", entre o #749 e o #941.
Nela podemos apreciar a espantosa arte de ET Coelho, saudoso desenhador de traço dinâmico e elegante, aliada ao texto de Raul Correia, outro nome incontornável da nossa BD. 
Publicada com as cores originais, "A Balada da Conquista de Lisboa" teve o seu lançamento aquando da inauguração da exposição "Dom Afonso Henriques na Banda Desenhada" (durante a última Feira de São Mateus) e insere-se na linha de álbuns que o Gicav tem vindo a editar nos últimos anos, numa lógica de recuperação de obras clássicas da BD portuguesa.
É um trabalho meritório, só possível devido à sensibilidade e ao amor à causa que esta colectividade viseense demonstra.
Bravo Gicav!
  


LE PACTE D’OBSIDIAN - Edição Glénat. Autores: argumento de Mike Carey, traço de Peter Gross e cores de Fabien Alquier. É o primeiro tomo da série “Le Haute Palais”.
O entusiasmo e a curiosidade ante a ideia anunciada para esta obra, cedo esmorece ante a observação da mesma. A pouco e pouco, vai-se tornando aborrecida e, mesmo, bocejante.
Há uma amálgama  de ideias e de filosofias que já foram usadas e abusadas em diversas e similares obras. Se o enredo vai sendo monótono e aborrecido, o traço e as cores, por sua vez, deixam muito a desejar...
LB

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

NOVIDADES EDITORIAIS (65)

O  ESTRANGEIRO - Edição Arcádia. Segundo a exemplar obra literária de Albert Camus, este belíssimo álbum-BD tem a arte total de Jacques Ferrandez.
Antes de mais: tudo tem o perfume, amargo ou não, da Argélia, quando ainda território francês - a narrativa está aí integralmente localizada, e Albert Camus e Jacques Ferrandez, considerados cidadãos franceses, nasceram ambos nesse território no norte de África.
Lembrarmos aqui o extraordinário e controverso Albert Camus (1913-1960), Prémio Nobel da Literatura de 1957, não terá agora cabimento devido. Há porém  que conhecê-lo e o saber interpretar sem juízos errados, pelos seus livros (romances, teatro, ensaios) com que nos brindou, como “O Estrangeiro”, “O Mito de Sísifo”, “Calígula”, “O Equívoco”, “A Peste”, “Os Justos”, “O Estado de Sítio”, “O Avesso e o Direito”, etc. A sua “incómoda” e atenta filosofia perturba tanta gente frouxa que deambula por este real e perdido mundo...
Por sua vez, Jacques Ferrandez, é um artista soberbo e encantador, notável não só pela sua 9.ª Arte como pelas suas belas aguarelas. Agarrou muito bem este texto de Camus.
Parabéns às edições Arcádia/Babel por esta publicação.
Curiosidade: pelo Cinema, “O Estrangeiro” foi adaptado em 1967 por Luchino Visconti, com Marcello Mastroiani no principal papel, mas teve também conotações, ambas em 2001, com o filme turco “Yazgi”  de Zeki Demirkubuz e com “O Barbeiro”(The Man Who Wasn’t There), realizado por Joel Coen.

A VIAGEM DO ELEFANTE - Edição Porto Editora. Autor: João Amaral, segundo José Saramago. Prefácio de Pilar del Rio.
Não vamos falar mais uma vez do nosso Prémio Nobel da Literatura, pois muito se tem dito e escrito (e vai continuar...) sobre este romancista. O que aqui importa agora, é registar a arte gráfica de João Amaral que se atreveu a adaptar “A Viagem do Elefante” de José Saramago à Banda Desenhada.
O álbum que deu um trabalho exaustivo ao desenhista está muito bem concebido e marca um belo salto em frente na carreira de João Amaral. Felicitamo-lo por esta corajosa e conseguida obra. E felicitamos também a Porto Editora pela sua publicação

CHAPUNGO - Edição Mosquito. Autor: Sergio Toppi.
Num deslumbrante preto-e-branco, pela primeira vez reunidas em álbum, as narrativas “Tzoacotlan 1521”, “San Isidro Maxtlacigo 1850” e, a que dá o título álbum, “Chipungo”.
Sergio Toppi (1932-2012), é um dos mais notáveis valores da BD italiana, embora (tristemente) pouco publicado em Portugal: duas narrativas no “Jacto”, uma no “Jornal do Cuto” e outra nas “Selecções BD”, esta localizada em Portugal e com o título “Algarve 1460”.
Com este álbum, “Chapungo” (em francês), vamos tombar no tremendo e magnifico traço de Toppi. Aqui, o autor transporta-nos com arte e sem piedade, ao mundo histórico-lendário dos Aztecas, cujos deuses, mesmo mortos, estão sempre presentes...
Uma obra belíssima que urge ter edição em português!

LES TAXIS ROUGES - Edição Lombard. Autor: Peyo (grafismo e enredo), com o apoio de Will para os cenários de fundo.
Trata-se de uma reedição muito especial. Muito terna e divertida. O herói, o petiz Benoît Brisefer (já por aqui o referenciámos há pouco tempo) pelo talento criativo de Peyo (aliás, Pierre Culliford, 1928-992), é um super-herói anti super-herói!... Ah, pois é!
Agora adaptado ao Cinema, “Les Taxis Rouges” (Os Táxis Vermelhos) e enquanto não virmos o filme , com vários actores portugueses e rodado em grande percentagem no nosso País, o álbum não perde o seu original encanto e, mais, tem momentos que se situam no Minho e na cidade do Porto. Uma delícia!
LB

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

NOVIDADES EDITORIAIS (23)


L'ÎLE CARPENTER - Com argumento de Christophe Bec e traço de Rafa Fonteriz, "L'Île Carpenter", é o primeiro tomo da série "Le Meilleur Job du Monde", sob edição Soleil. 
Eis uma narrativa bem estranha... Uma entidade australiana propõe um emprego que será pago a peso de oiro: tomar conta de uma ilha paradisíaca, no Pacífico, que não tem população, e apenas ocasionais e breves visitas, mormente de turistas. Doug Ellis vence o concurso e é largado nesse local de sonho, a ilha Carpenter, tendo todo o conforto para tal. Paraíso, doce e invejável paraíso... Mas não é bem assim! A ilha está cheia de mistérios e de estranhos e perigosos desafios...
Doug encontrou mesmo o melhor emprego do mundo?

AS HELVÉTICAS - O popular Corto Maltese, herói bem famoso criado pelo saudoso Hugo Pratt, mergulha numa das mais insólitas das suas aventuras. Que está ele a viver? Uma inesperada realidade ou um sonho bizarro que roça o pesadelo?
Na pacata Suíça, recheada de lendas, Corto Maltese vai enfrentar situações que não esperava alguma vez encontrar, numa das suas mais belas aventuras.
O álbum tem edição Asa.

LE PIÈGE OUZBEK - O suíço Daniel Ceppi, com "Le Piège Ouzbek", apresenta-nos agora o 13.º álbum da série versando as crónicas de um viajante, Stéphane Clément, o seu herói-ícone. Nada é suave nem tranquilo por essas paragens do Uzbequistão, Tajaquistão, Quirguistão... Políticas, religiões, ferozes interesses secretos, etc, embrulham-se neste escaldante clima. Stéphane é dado como morto e tomam-no pelo seu amigo Tèri Slemei (este sim, é que morreu mesmo), pois na altura em que é recolhido, vestia o casaco, onde constavam os documentos de identidade de Tèri...
E vai ser dura a luta de Stéphane para escapar, são e salvo, de toda esta embrulhada.

SANTA CASA DO PORTO - Com o "Livro Quatro", encerra-se a "História da Santa Casa da Misericórdia do Porto", com edição da mesma Santa Casa e o apoio da Porto Editora. Os textos são de Germano Silva e o grafismo é de Pedro Pires. 
Um garoto (ficcionado), o "Tripinhas", serve de fio condutor através desta narrativa didáctica.
Para além de, através destes quatro tomos, ficarmos a conhecer a tão positiva acção desta instituição do Porto, o que na verdade bem nos encantou, foi a belíssima arte gráfica de Pedro Pires ("Senti-a no Braço", "Olivião", "Anjos e Outras Armadilhas", "Trabalhadores do Comércio")que, seriamente, nos deixa maravilhados. Bravo!

O JURAMENTO DOS CINCO LORDS - Com edição Asa, é o mais recente título das aventuras de "Blake e Mortimer" (criação de mestre E.P.Jacobs), agora com argumento de Yves Sente e grafismo de André Juillard.
Todavia, apesar do incontestável valor destes dois autores, este álbum decepcionou-nos. É arrastado e bocejante. Que saudades de "O Mistério da Grande Pirâmide", "Marca Amarela", "O Enigma da Atlântida", "Armadilha Diabólica"!...