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segunda-feira, 25 de novembro de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (185)

A VOZ DOS DEUSES - ​Edição Arcádia. Autor: segundo o romance homónimo de João Aguiar, tem arte e argumento (coadjuvado por Rui Carlos Cunha) de João Amaral.
Estão todos de parabéns o João Amaral, o Rui Cunha e a editora Arcádia (do grupo Babel), por esta belíssima publicação. Era e é, a tão esperada reedição, agora ​numa bela apresentação e num louvável preto-e-branco.
​A primeira edição, em 1994 pela Asa, se bem que ​esgotada, era a cores... assustadoras. Agora sim, tem ​toda a merecida força.
​Brilhantemente, teve apresentação pela escritora Alice ​Vieira, que aqui tem também calorosa ovação, no ​Festival Amadora BD/2019, a 2 de Novembro.
​Vogando pelos heroicos feitos do mais célebre dos ​Lusitanos viriatos, do qual nunca se soube o verdadeiro ​nome, talvez por isso e com toda a lógica interpretativa ​de Amaral, nunca se vê o rosto do herói.
​Muito se tem escrito e feito sobre aquele que, para ​facilitar, denominamos como Viriato, como os nossos ​escritores Teófilo Braga, Luna de Oliveira e Aquilino ​Ribeiro, onde são romanticamente fantasistas. No ​entanto, há dois escritores-investigadores espanhóis, ​que foram mais concretos e, quiçá, mais apelativos: Maurício Pastor Muñoz com "Viriato" (ed. Esfera dos Livros) e Fernando Barrejon com "O Colar dos Deuses" (edição Ésquilo/2004), onde "descobre" o verdadeiro nome de Viriato...
Agora, leitores bedéfilos, tenham o bom senso e o bom gosto de ler e acarinhar este álbum que - este sim - está mesmo vaticinado a esgotar.



LES DOUZE TRAVAUX - ​Edição Glénat. Autores, segundo a série-colecção ​"La Sagesse des Mythes", concebida e escrita por ​Luc Ferry, tem argumento de Clotilde Bruneau, traço de Carlos Rafael Duarte, cores de Ruby e capa ​de Fred Vignaux.
​Na belíssima e impecável caminhada editorial, que felizmente já está a ser publicada em português pela Gradiva, este "Les Douze Travaux", é o segundo tomo da trilogia "Héracles".
Héracles (Hércules em romano e em português), é um herói imenso que enfrentou doze "trabalhos" que lhe seriam fatais (qualquer deles). Mas ele era filho, se bem que bastardo, do supremo Zeus...



LA BÊTE - Edição Dupuis. Autor: Hermann.
O "terrível" belga Hermann (aliás, Hermann Huppen) é uma tremenda força viva na BD Europeia. 
Conhecemos bem o quase total da ​sua variada obra, nem sempre devidamente ​acarinhada e publicada em português… No entanto, ​Hermann, gosta imenso de Portugal, que já visitou ​em diversas circunstâncias.
​Em vários temas, trabalha com seu filho (Yves) como argumentista. Não é o caso da impecável e "feroz" ​série "Jeremiah", onde é um intocável autor total, ​goste-se ou não. Mas que é impecável na 9.ª Arte ​Europeia, lá isso é!...
​"La Bête", é o 37.º tomo desta "agressiva" série que ​a todos importa conhecer. Desunhem-se, bedéflos!


RIJO COMO GRANITO -Edição Escorpião Azul. Autor: Rafael Sales.
​Há muito que se aguardava a continuação das ​aventuras do herói, o Beirão. Pois aqui está o ​segundo tomo, "Rijo Como Granito", lançado no ​"Amadora BD/2019".
​Nesta aventura, plena de mistérios, medos e ​simpáticas loucuras, Rafael Sales, entusiasma-nos ​por todo o enredo (mas não só), através de situações ​surreais, onde um enigmático "Sr. Eusébio" vive ​isolado, mas sempre atento, nos arredores de uma ​aldeia beirã…
​Contudo, quando há alguma crise, ele veste-se e ​actua bravamente como o herói "Beirão", e faz das ​suas.
​Jovem e talentoso vintão, Rafael Sales, natural e ​residente em Penalva do Castelo, tem dado várias ​e positivas provas do seu talento. Há que compensá-lo ​com justiça e lucidez, com o nosso total apoio!

LB

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

BREVES (63)

CAPRIOLI RELEMBRADO PELO CPBD
É já amanhã, sábado, dia 20, que inaugura pelas 16:00 horas, na sede do Clube Português de Banda Desenhada a exposição "Franco Caprioli - no Centenário do Desenhador-Poeta", uma produção da Câmara Municipal de Moura e do Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu.
Produzida em 2012 (ano do Centenário do Nascimento de Franco Caprioli), esta exposição - comissariada por Luiz Beira e composta por 16 quadros de grande formato - convida-nos a fazer uma viagem pela obra (magnífica!) de Caprioli publicada em Portugal. 
À venda no local estará também, para os interessados, um excelente fanzine de Jorge Magalhães, com o mesmo título da exposição, editado pela Câmara Municipal de Moura em 2012 (nomeado para os Prémios Nacionais de Banda Desenhada, no Amadora BD desse mesmo ano). 


JOSÉ RUY APRESENTA ÁLBUM
No próximo dia 24 de Outubro, na Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos (Amadora), José Ruy fará a apresentação pública do álbum "Nascida das Águas e o 16 de Março de 1974" (trabalho ao qual já aqui fizemos referência, em devido tempo). A sessão decorre a partir das 18:00 horas e conta com a presença de Otelo Saraiva de Carvalho.
A 6 de Novembro, no mesmo local e à mesma hora, será a vez de apresentar "A Ilha do Corvo que Venceu os Piratas", último álbum de José Ruy que teve, como bem se recordam, uma longa série de artigos, aqui no BDBD.


AMADORA BD QUASE A ABRIR PORTAS
A pouco mais de uma semana da abertura de portas do 29.º Amadora BD, chega-nos um vislumbre da imagem gráfica do certame...
O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora está de volta, entre 26 de Outubro e 11 de Novembro. O núcleo da programação acontece, como é habitual, no Fórum Luís de Camões, onde a par das exposições haverá visitas guiadas, apresentações, lançamentos, sessões de cinema e oficinas para crianças e adultos. Este ano o destaque vai para um convidado muito especial: o Brasil.
Mais informações podem ser consultadas aqui.


PROGRAMAÇÃO DA BEDETECA DE BEJA

A Bedeteca de Beja, dinamizada pela Câmara Municipal daquela cidade, sob a entusiastica e competente direcção de Paulo Monteiro, enviou-nos a sua programação para Outubro.
A juntar ao belo acervo de álbuns/revistas BD e às exposições temporárias, outras valências como os ateliês ou o apoio a professores e alunos mantêm a Bedeteca "viva" todo o ano e convidam-nos para uma visita atenta e demorada, mesmo fora da época do Festival.

Exposições:
Banda Desenhada Portuguesa - 22 autores contemporâneos
Até 31 de dezembro - Exposição de Banda Desenhada.
Com André Oliveira, António Jorge Gonçalves, Diniz Conefrey, Fernando Relvas, Filipe Abranches, Francisco Sousa Lobo, Joana Afonso, João Sequeira, Jorge Coelho, Marco Mendes, Maria João Worm, Marta Teives, Miguel Rocha, Mosi, Nuno Duarte, Nuno Saraiva, Osvaldo Medina, Pedro Leitão, Pedro Moura, Ricardo Cabral, Sofia Neto e Sónia Oliveira.
Nota: esta exposição esteve patente no Pavilhão Internacional da Fête de la BD/Strip Feest - Festival de Banda Desenhada de Bruxelas, entre os dias 14 e 16 de setembro do ano corrente. A exposição resultou de uma parceria entre a Embaixada de Portugal, o Instituto Camões, e o Município de Beja, representado pela Bedeteca de Beja.

Nas trincheiras - Histórias da Primeira Guerra
Até 31 de dezembro - Exposição de Banda Desenhada.
Com Carlos Baptista Mendes, David B., Filipe Abranches, Gipi, Jacques Tardi, Jean-Pierre Gibrat e José Mota.

Tarzan dos Macacos
Até 12 de dezembro - Exposição de Banda Desenhada.
Com Burne Hogarth, Harold Foster, Joe Kubert e Russ Manning.

Ateliês:
Banda Desenhada - Com Paulo Monteiro. Quartas-feiras, 21:30 / 23:00.
Desenho e Pintura - Com Isa Carolina. Terças e quintas-feiras, 15:00 / 18:00.
Ilustração - Com Paulo Monteiro. Quartas-feiras, 21:30 / 23:00.
Jogos de Tabuleiro - Com Pedro Felício. Sábados, 14:00 / 20:00.
Modelismo Estático - Com Simão Matos e João Calado. Sábados, 14:30 / 17:30.

Livros do Mês na Bedeteca:
Cinco mil quilómetros por segundo (Devir), de Manuele Fior
O Espião Acácio (Turbina/Mundo Fantasma), de Fernando Relvas
Os Regressos (Polvo), de Marta Teives e Pedro Moura (argumento)

Apoio a alunos e professores:
Apoio a alunos e professores para a realização de projetos específicos na área da banda desenhada ou da ilustração.


O HUMOR DE MIRANDA
"Humor de Miranda: do mental ao metal" é o título de uma exposição de cartune que inaugura hoje, dia 19, pelas 18:30, no Museu e Igreja da Misericórdia do Porto.
O célebre Miranda do Jornal de Notícias, cartunista portuense que trabalhou no humor durante seis décadas, tem nesta exposição uma bem merecida retrospectiva da sua obra. A mostra inclui, também, visões de outros artistas sobre a obra de Miranda e pode ser visitada até 25 de Novembro.


RAFAEL SALES EXPÕE EM VISEU





Inaugura no próximo dia 3 de Novembro, na Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva, em Viseu, a exposição "Aventuras de um Super Beirão na BD", do jovem Rafael Sales, autor que tem três álbuns publicados até ao momento: "Detective Raton" e "Beirão" (pela Escorpião Azul) e "Real" (uma edição da Junta de Freguesia de Real - Penalva do Castelo).
Produzida pela Câmara Municipal de Viseu e pelo Gicav - Grupo de Intervenção e Cristividade Artística de Viseu, a exposição encerra a 30 de Novembro. 



ANIVERSÁRIOS  EM  NOVEMBRO

Dia 04 - Pedro Brito
Dia 08 - Paulo Monteiro
Dia 10 - Neil Gaiman (inglês)
Dia 14 - João Amaral
Dia 16 - Clarke (belga) e Maikel (espanhol)
Dia 18 - Rui Brito, Ricardo Neto e Alan Moore (inglês)
Dia 21 - Vassalo de Miranda
Dia 22 - Ciryl Pedrosa (francês) e Vítor Teodósio
Dia 24 - Carlos Laranjeira e Horacio Altuna (argentino)
Dia 25 - Jorge Deodato, Luiz Beira e José Vítor Silva
Dia 26 - Juan Giménez (argentino)
Dia 27 - Humberto Ramos (mexicano)
Dia 30 - Marcello de Moraes
LB

sábado, 4 de novembro de 2017

BREVES (49)

VERVE DIGITAL TEM INSCRIÇÕES ABERTAS
No próximo dia 18 de Novembro, na Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana / Bedeteca José de Matos-Cruz, realiza-se uma "introdução à produção de BD, experienciada através da janela do computador", por Daniel Maia e Susana Resende.
As inscrições encontram-se abertas até um máximo de vinte participantes.
Mais informações podem ser obtidas clicando aqui ou pelo telefone 21 481 54 03/4. 



AMADORA BD 2017



Até 12 de Novembro ainda pode visitar o 28.º Festival Amadora BD, no Fórum Luís de Camões (Brandôa).
De entre as várias exposições, salientamos apenas algumas: "O Espírito de Will Eisner", "Jack Kirby - 100 anos de um visionário", "Tudo isto é Fado" (de Nuno Saraiva), "Revisão - Bandas Desenhadas dos anos 70", "Fernando Relvas - retrospectiva / outra perspectiva", "O Rio Salgado" (de Jan Bauer), para além da exposição central "Contar o Mundo - a reportagem em banda desenhada".
Quanto a presenças em sessões de autógrafos amanhã, dia 5, destaque para Marcello Quintanilha, Henrique Magalhães, Jan Bauer, entre outros. 
Pode conferir tudo sobre o Festival clicando aqui.




RAFAEL SALES


O jovem desenhista de Penalva do Castelo, Rafael Sales, está a terminar o 2.º tomo da série “Detective Raton, o Beirão”, a ser editado muito brevemente pela Escorpião Azul. Por sua vez, o GICAV, prepara uma exposição sobre a sua obra, a ter lugar em Viseu, provavelmente em Janeiro próximo.
Força para todos!



CORTO MALTESE EM EDIÇÃO DE LUXO

Sob o genérico “L’Arte di Hugo Pratt”, e incidindo nos 50 anos de Corto Maltese, em Itália, a Biblioteca di Repubblica / L’Expresso, está a reeditar com um certo luxo, a obra de Pratt, insistindo essencialmente nas aventuras de Maltese.
Daqui, por exemplo, o tomo “Le Celtiche”, cuja capa aqui apresentamos. Neste volume, ainda o dossiê “I Sogni Sono d’Oro, la Realtá è di Piombo” por Luca Rafaelli e outro, no final, “L’Universo Femminile di Hugo Pratt” por Michel Pierre.
Recorda-se que Corto Maltese, é também personagem do filme português “Zéfiro”, realizado em 1993 por José Álvaro Morais e com o actor Paulo Pires na pele do famoso aventureiro. Em DVD, este filme encontra-se integrado como “extra”, com o filme “Peixe Lua” do mesmo realizador.
Por sua vez, há poucos anos,a companhia teatral “Fatias de Cá”,com direcção de Carlos Carvalheiro, levou à cena um belo espectáculo (que de vez em quando é reposto), versando o episódio “Concerto em Ó Menor para Harpa e Nitroglicerina”, que pertence precisamente ao tomo “As Célticas”, onde Paulo Moura vive o personagem de Corto Maltese. Este espectáculo está gravado em DVD, com edição da “Fatias de Cá”.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (130)

O ÁRABE DO FUTURO / 3 - Edição Teorema (grupo Leya). Autor: Riad Sattouf.
Sattouf é um autor de grande sucesso, já várias vezes premiado, nascido em Paris, filho de mãe francesa e de pai sírio. A sua vivência, para além de França, tem
passado pela Argélia, Líbia e Síria.
É bem notável esta sua série, “O Árabe do Futuro”, agora no terceiro tomo, onde relata o “ser jovem no Médio Oriente”, neste volume abrangendo os anos 1985 a 1987. É uma apaixonante obra autobiográfica, onde Sattouf não se esquiva a ser corajosamente irónico ante aspectos familiares e das sociedades por onde vai vivendo.
Uma série a acompanhar com sincero entusiasmo.

LA LOUVE - Edição Soleil. Argumento de Patrice Lesparre e arte de Roberto Jorge Viacava. Trata-se do 9.º tomo da série “Oracle”, com as guerras e desafios entre humanos e deuses.
O deus Ares (Marte, para os Romanos) foi exilado do Olimpo e obrigado a sobreviver entre os homens... Mas a sua raiva não sossega e só provoca hecatombes.
É por aqui que surge a tão bela, como corajosa e destemida Thalystridita “A Loba”, vinda da hermética nação das Amazonas, que se atreve a enfrentar o famoso deus da guerra...

REAL - Edição Freguesia de Real. Arte: Rafael Sales.
Este álbum, “Real - Tradições de uma Freguesia Beirã”, está positivamente concebido de uma forma, senão original, pelo menos, àparte os habituais processos.
Incluindo algumas fotografias históricas, todo o resto em Banda Desenhada por Rafael Sales, leva-nos, encantados, a conhecer a história, usos e costumes da Freguesia de Real (Penalva do Castelo), onde os alunos de uma escola e por sugestão de uma professora, relatam o que pensam em relação a cada mês do ano na respectiva localidade.
Obra conseguida e aconselhada sobretudo aos pais, professores e alunos e ainda aos atentos curiosos em conhecer melhor belas zonas e gentes do nosso Portugal. E é um bonito exemplo-desafio às nossas mais diversas Freguesias!
Os interessados em conseguir esta obra deverão contactar para: Junta de Freguesia de Real, 3550.171 REAL.

 
L’ARME PERDUE DES DIEUX - Edição Glénat. Autores: argumento de David Muñoz e arte de Tirso Cons, ambos espanhóis. “L’Arme Perdue des Dieux”, primeiro tomo da série “Les Traqueurs”, é uma obra estranha e inquietante...
Por meados dos anos 1600, espanhóis, ingleses e holandeses, sobretudo, desunham-se para ser os senhores absolutos das Caraíbas e da América Central, mesmo contra os corajosos e resistentes povos ameríndios. Não é nada fácil, pois muito sangue será vertido... Aspectos do fantástico temperam bem este tão escaldante cozinhado.
Os ingleses, sempre ávidos e prepotentes, forjam uma equipa científica para, na região do Iucatão (no actual Mexico), capturarem uma criatura que existe nas lendas do povo Maia, conhecida como “ o cérebro dos deuses”. É um misterioso artefacto extraterrestre ou uma sanguinária e misteriosa criatura?
A ver vamos o que vão confrontar e descobrir este caçadores da arma dos deuses, sendo certo que não se caça a arma dos deuses, pois é ela mesma que vai encontrar os seus “gulosos” caçadores...
LB

domingo, 4 de junho de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (120)

AURORA - Edição Instituto dos Quadrinhos. Autores: Felipe Folgosi (texto), Leno Carvalho (desenhos) e Nelson Pereira (arte-final).
Em pleno alto mar, o pescador Rafael presencia um fenómeno cósmico que mudará a sua história e a de toda a humanidade...
Uma década, foi quanto o actor Felipe Folgosi levou a amadurecer ideias e a juntar informação para escrever o roteiro de um filme. Contudo, a falta de apoio com que se deparou no Brasil, levou-o a readaptar o roteiro para banda desenhada, algo que nunca tinha experimentado na vida.
E em boa hora o fez, já que se trata de um excelente álbum de estreia, com um enredo onde se misturam a ficção científica, astronomia, serviços e sociedades secretas. 
Folgosi soube, também, rodear-se neste projecto de dois bons desenhadores - Leno Carvalho e Nelson Pereira - que, com a sua arte, elevaram este trabalho a um belo patamar.
Ficarão por aqui as incursões de Folgosi no mundo da BD? Tentaremos responder a essa e a outras questões numa entrevista que oportunamente faremos ao jovem argumentista...

BEIRÃO - Edição Escorpião Azul. Autor: Rafael Sales.
As grandes e pequenas coisas do nosso País não acontecem apenas em Lisboa e no Porto, como se o resto de Portugal não existisse ou, como diria Eça de Queiroz, fosse apenas paisagem.
O jovem beirão Rafael Sales, sente e empenha-se em narrar pela sua BD, as vidas e situações da e na sua região. Bem-haja!
Com este seu álbum, “Beirão”, que teve lançamento oficial na abertura do XIII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja (27 de Maio), Sales  vai mais longe: criou uma espécie de super-herói local. E não é que cativa e resulta mesmo?
Há que ler e apreciar devidamente esta obra. Para já, felicita-se o autor e Jorge Deodato, o seu editor.


AÚ, O CAPOEIRISTA - Edição Papel 2. Autor: Flávio Luiz.
Tendo por base a célebre dança-luta capoeira, o sempre afável e divertido jovem autor brasileiro Flávio Luiz, presenteia-nos com uma narrativa terna e bem movimentada, com o capoeirista Aú e a turista francesa Nathalie, como personagens centrais.
É um álbum que agarra e entusiasma o leitor logo a partir do seu início.
A edição é brasileira, pelo que se sugere que, em breve tempo, tenha uma edição portuguesa. A obra e o autor tal merecem, bem como os nossos bedéfilos.
A ver vamos...


LADRÕES DO TEMPO - Edição Asa. Autores: argumento de Tozé Simões e arte gráfica de Luís Louro.
“Ladrões do Tempo” é o nono tomo da tão popular e bem apreciada série “Jim del Mónaco”.
Desta vez, Jim del Mónaco, a sua sensual Gina e o divertido serviçal Tião, por uma experiência com a “máquina do tempo”, vão parar ao perigoso mundo jurássico. E é a grande aventura, plena de acção e com bons e pândegos momentos de humor.
Aviso: é álbum de leitura obrigatória.
Aplausos e aplausos aos sempre jovens e inspirados autores!

domingo, 19 de março de 2017

ENTREVISTAS (24) - RAFAEL SALES

Rafael Sales
Nasceu e reside em Penalva do Castelo (Distrito de Viseu) a 6 de Dezembro de 1993.
Licenciou-se em Artes Plásticas e Multimédia na Escola Superior de Educação de Viseu.
Gosta de animais, preferencialmente, o gato.
Rafael Sales, como freelancer, trabalha em Ilustração, Banda Desenhada, Design Gráfico e Caricatura.
Tem quatro títulos editados, três histórias muito curtas e um álbum, a saber:

ARCADE JOB - foi o seu projecto final no curso. Narra a história de Mary Flowers, uma recém licenciada em artes com dificuldades em arranjar emprego.

UMA CARTA PARA MARIA - focando um tema familiar, este trabalho foi premiado há algum tempo num concurso-BD em Odemira.

RED RIDING HOOD - é uma peculiar paródia ao clássico infantil “O Capuchinho Vermelho” que, em 2016, foi incluída na antologia de Banda Desenhada “H-Alt” #4.

DETECTIVE RATON - é o seu verdadeiro primeiro álbum, com edição Escorpião Azul, da responsabilidade de Jorge Deodato. É uma divertida narrativa num “clima policial”, algures numa aldeia do interior de Portugal.

Aparentemente tímido, Rafael Sales, tem um positivo humor e um apurado sentido crítico. Eis a nossa “conversa”.

BDBD - Ao que se sabe, a tua sedução pelo desenho começou na infância. Houve algo que te despertou então para esta arte?
Rafael Sales (RS) - Quando eu era miúdo, o desenho era só mais uma forma de ocupar o meu tempo livre, mas nessa altura não sabia ao certo porque é que gostava de desenhar. Simplesmente, gostava. No entanto, aos meus 11 anos, comecei a dedicar mais tempo ao desenho e começaram a ser-me dados os primeiros elogios e apoio pela família e amigos, o que me motivou a desenhar mais.

BDBD - Depois, nunca mais paraste (e ainda bem!). Achas que é uma carreira difícil, sobretudo porque vives no interior e longe de Lisboa ou do Porto?
RS - Infelizmente, nos dias que correm, qualquer carreira ligada às artes, e não só, é difícil seja em que local for, mas eu diria que talvez nas grandes cidades, o facto de haver maior oferta cultural e artística, facilita a interacção entre novos artistas e profissionais da área, o que pode ajudar em termos profissionais. Mas hoje em dia a Internet permite aos artistas freelancer trabalharem de qualquer parte do mundo
sem necessidade de deslocação, e esse acaba por ser também o maior meio de promoção do meu trabalho. Para além disso, viver no interior é também uma grande inspiração para as minhas ilustrações e histórias de BD.

BDBD - Onde tens exposto os teus trabalhos, para além de Odemira, Amadora e Viseu?
RS - Tento participar em eventos que estejam associados à Banda Desenhada com uma banca para promover e vender alguns trabalhos da minha autoria.
O mais recente evento foi o Central Comics 2016, em Gaia, onde espero poder participar novamente este ano.

BDBD - Tens um estllo muito próprio, abordando bastas vezes, com uma peculiar linha humorística. O humor é mesmo a vertente que melhor sentes ou também apostarias na linha realista?
RS - Apesar de também esboçar traços realistas (principalmente edifícios), o meu estilo de desenho resulta das tentativas de tornar as minhas personagens e cenários mais expressivos e simples. No meu caso, essa simplificação do traço acabou por aproximar o meu estilo de desenho aos clássicos da BD franco-belga, nomeadamente o traço “cómico” de Uderzo ou Hergé, que sempre foram referências artísticas para mim. Considero que o desenvolvimento de um estilo próprio de desenho por um artista só traz vantagens, nomeadamente a facilidade com o traço que acaba de sair, ou o facto do artista não ter de seguir convenções ou regras, o que lhe dá mais liberdade artística. Para além disso, esse estilo acaba por se tornar uma espécie de “imagem de marca” do artista.

BDBD - Sentes-te influenciado, mesmo indirectamente, por alguns desenhistas profissionais e de renome?
RS - Sim. Quando me “apaixonei” pela BD, foi através da mangá japonesa, nomeadamente com artistas como Akira Toryiama e Masahi Kishimoto. À medida que ia explorando o mundo da BD, encontrava ilustradores e cartunistas com um estilo de desenho diferente que iriam influenciar o meu traço, tais como Bill Watterson, Chris Uminga, Jim Borgman e os irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon. Mais tarde, ao explorar o mundo dos “comics americanos”, encontrei artistas como Jack Kirby, Mike Mignola, Frank Miller e John Romita Jr.
Pelo nosso Portugal, estão na minha lista de favoritos Filipe Andrade, Jorge Coelho e Joana Afonso, entre outros.


BDBD - Na tua maneira de ver e de sentir, o que é para ti a Banda Desenhada? 
RS - Vou tentar não dar a resposta do dicionário de língua portuguesa! Para mim, a BD é uma forma de contar histórias, extremamente desvalorizada e que caiu no estereótipo de ser “bonecos para crianças” (sim, hoje em dia ainda há quem ache isto). Obviamente, não concordo com esta última parte, pois considero a Banda Desenhada uma forma de arte válida e que envolve um processo criativo extensivo, trabalhoso, mas que dá um gozo enorme de fazer. Em apresentações ou tentativas de explicar às pessoas porque é que a BD merece mais respeito, costumo dizer o seguinte: o processo de criação de uma BD pode, seguindo algumas convenções mais comuns, incluir o uso de diversas formas de arte, ou seja, um artista de BD é escritor, pois tem uma ideia e escreve o guião da sua história; é realizador, pois transforma o guião em imagens apelativas; é arquitecto para desenhar os cenários; é designer da moda na concepção de personagens; deve ter noções de composição; e, em alguns casos, é ainda pintor para dar côr aos seus desenhos. Se todo este processo não é o suficiente para convencer as pessoas de que a Banda Desenhada não deve ser tratada como uma coisa descartável e desprovida de criatividade, então não sei o que as poderá convencer. Talvez aconselhando-as a ler algumas BD’s e fazê-las perceber de uma forma mais prática.


Cartune realizado ao vivo por Rafael Sales em Viseu,
em Janeiro último, durante a homenagem a Luiz Beira.
BDBD - É certo que és jovem e que tudo te destina para uma bela e longa carreira através das vertentes da tua arte. Neste campo, acalentas algum sonho muito especial?
RS - Embora não goste muito da palavra sonho, diria que um dos meus objectivos é viver exclusivamente das minhas histórias de BD e ilustrações. Outra coisa que espero poder fazer a longo prazo, é desenvolver projectos livres de Cinema e Música.

BDBD - Gostas de ser o autor do texto nas tuas criações ou aceitarias também, ocasionalmente, trabalhar em parceria com algum outro argumentista?
RS - Nunca aconteceu trabalhar com um escritor, e penso que se deve ao facto de não ser muito bom a trabalhar em equipa. No entanto, gostaria de experimentar fazê-lo um dia. Até lá, ideias para histórias não me faltam.

BDBD - Que caminho preferes: a côr, o preto-e-branco ou ambas as versões?
RS - Não sou muito bom colorista. Tendo a usar cores sólidas e esquemas cromáticos o mais simples possíveis para não se notar muito a minha fraqueza nesse aspecto. Por essa razão, e apesar de considerar que a côr ajuda a contar a história, ultimamente tenho trabalhado a preto e branco por uma questão de rapidez. Respondendo à pergunta: ambas as versões.

BDBD - Qual o teu próximo trabalho a ser editado?
RS - Neste momento estou a trabalhar numa BD chamada “Beirão”, que será lançada ainda em 2017.

BDBD - Muito obrigado, Rafael Sales, pela tua gentileza em responder a esta entrevista. Até breve!
LB