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domingo, 19 de setembro de 2021

CAPAS (25) - VICTOR HUBINON

Cidadão belga, Victor Hubinon, nasceu em Angleur a 26 de Abril de 1924 e faleceu a 8 de Janeiro de 1979. Chegou a usar os pseudónimos de Charvick e de Victor Hughes. 
Com uma vasta e bem esmerada obra, regista-se como um dos grandes e admiráveis desenhistas europeus.
Também óptimo pintor e colorista-BD, foi professor na Academia de Belas Artes em Liège. 
Colaborou com vários argumentistas (Jean-Michel Charlier, René Goscinny, etc) e colegas seus mais directos, como Eddy Paape e Albert Wenberg.
Raras vezes abordou o humor, como num álbum da série "Blondin et Cirage", com argumento de Jijé. Mas também executou as biografias de Jean Mermoz e de Stanley. Foi editado em diversos periódicos da 9.ª Arte, inclusivé, em Portugal.
Em 1951, com argumento de Charlier e apoios (na arte) de Paape e de Weinberg, marcou grande entusiasmo o seu álbum "Tarawa, Atoll Sanglante". As séries mais curtas, ambas com três tomos e argumentos de Charlier, "Tiger Joe" e "Surcouf", foram bem aplaudidas.
Mas as séries tipo "cereja no topo do bolo", marcam-se com "Barba Ruiva" e "Buck Danny", que têm prosseguido com alguns continuadores.
Abaixo se reproduzem algumas das suas capas, evocando assim a sua bela arte e o seu elegante e vigoroso estilo.
LB

domingo, 13 de março de 2016

OBRAS RARAS (4)

Victor Hubinon (1915-1979)
SURCOUF
Focando a vida e as heróicas proezas do corsário francês
Robert Surcouf, vários têm sido os desenhistas que a ele
dedicaram a sua arte, tal como René Giffey, William Vance e, mais recentemente, o jovem haitiano (radicado em França) Guy Michel. Todavia, a versão talvez mais encantadora, será sem grandes dúvidas, a do grande mestre belga Victor Hubinon (1915-1979).
Este belo “Surcouf” em BD foi publicado no “Cavaleiro Andante” (1957-1959), do nº 302 ao 382. Na versão original em francês (na Bélgica), as Editions Dupuis editaram esta empolgante narrativa em três tomos, em 1951, 1952 e 1953. Depois, em 1975, as Éditions Michel Deligne reeditaram esta história num álbum integral.
Na bibliografia de Victor Hubinon, citam-se obras como as séries “Buck Danny”, “Barbe Rouge”, “Tiger Joe” e “Blodin et Cirage” ou em versão álbum único, “Mermoz”, “Tarawa”, “La Mouette”, “Fifi” e “Stanley”.





Gianni De Luca (1927-1991)
SHAKESPEARE em BD
A vasta obra teatral de William Shakespeare tem sido adaptada à BD pelos mais diversos desenhistas por todo este mundo.Tal já aqui foi focado, mas nunca é demais relembrar este aspecto, tanto mais que ele se integra agora num álbum especial nas “Obras Raras”...
Referi-mo-nos pois ao volume em português (via Brasil), editado em 1977, com a magnífica arte do genial italiano Gianni De Luca (1927-1991), que tem por título “Shakespeare na Banda Desenhada”, e que comporta as tragédias “Hamlet”, “Romeu e Julieta” e “A Tempestade”. Simplesmente maravilhoso!
Da bibliografia de Gianni De Luca, salientam-se títulos como “O Apelo de Roma” e “A Esfinge Negra”, as biografias de “Totó” e de “Marilyn Monroe” e as séries “Comissario Spada” e “”Velthur, o Pacífico”.




Yves Groux (1924)
OS TRÊS MOSQUETEIROS
Os irmãos gémeos franceses William e Yves Groux trabalharam quase sempre em estreita parceria, mas segundo uns “zunzuns”, tudo faz crer que o mais preponderante foi o mano Yves.
A versão que criaram de “Os Três Mosqueteiros” é uma das mais conseguidas adaptações à Banda Desenhada desta famosíssima obra de Alexandre Dumas. Irresistível para leitura e/ou re-leitura!
Em Portugal, num mini-álbum que se pode apelidar de “de luxo”, foi o nº 1 da “Colecção Oásis”, em 1956. Hoje, mesmo nos nossos alfarrabistas, será “milagre” encontrá-lo...
Na bibliografia dos irmãos Groux, registam-se alguns sedutores títulos, como “Capitaine Blood”, “Capitaine Risque-Tout”, “Blanche”, “Les Amours de l’Histoire”, “Les Aventures de Monsieur de la Guerche”, “David Copperfield”, “Guillaume Tell”, “Le Briseur des Banquises”, “Le Pirate”, “Le Comte de Monte-Cristo”, “La Republique des Forbans”, etc.
LB



terça-feira, 27 de agosto de 2013

HERÓIS INESQUECÍVEIS (17) - BUCK DANNY

Um certo cidadão belga, Georges Troisfontaine, era, por esses recuados tempos, o fundador e dirigente da World Productions / World Press, uma agência de distribuição de bandas desenhadas por diversos periódicos. 
Victor Hubinon e Jean-Michel Charlier
Embora sem se conhecerem, Jean-Michel Charlier e Victor Hubinon trabalhavam para ele. Troisfontaine apresentou-os e propôs-lhes um plano: a criação de uma série para a revista "Spirou". Ele próprio já escrevera as primeiras doze páginas. 
Os três eram apaixonados pela aviação e daqui, Charlier concluiu o argumento desta primeira aventura, enquanto Hubinon se dedicou ao grafismo. 
Consta que, fisica e fisionomicamente, o personagem principal teve como modelo o próprio Troisfontaine...
E é assim que nasce Buck Danny, um piloto da Força Aérea Norte-Americana, com a sua estreia no n.º 455 da "Spirou" a 2 de Janeiro de 1947, com a aventura "Les Japs Attaquent", que viria a originar o primeiro álbum. Hoje, já existem 52 e mais três na versão integral.
É na terceira narrativa, "La Revanche des Fils du Ciel", que aparecem Jerry Tumbler Sonny Tuckson. E desde então, os três, Buck, Jerry Sonny, tornam-se inseparáveis companheiros e amigos. Por sua vez, é o no 16.º álbum, "Menace au Nord", que surge pela primeira vez a "inimiga de estimação", a bela e sinistra Jane Hamilton, mais conhecida como "Lady X".
Victor Hubinon vem a falecer em 1979, tendo desenhado os quarenta primeiros álbuns da série. Francis Bergèse é quem o substitui, desenhando as seguintes doze narrativas.
Entretanto, Charlier faleceu em 1989... É Jacques De Douhet quem escreve o argumento  do 45.º tomo, "Les Secrets de la Mer Noire" e logo a seguir, Bergése torna-se criador absoluto da série, Todavia, já garantiu que "Cobra Noir", o 53.º tomo a aparecer em Setembro deste ano, terá novos autores: o argumentista Frédéric Zumbichl e o desenhista Francis Winis.
Francis Bergése, um dos continuadores da série
As aventuras e heroicidades de Buck Danny, Tumbler Tuckson, são marcos de alta popularidade, pelo menos no panorama bedéfilo francófono. Estranhamente, poucas foram as narrativas editadas em Portugal: apenas treze (todas com o traço impecável de Hubinon) e sem nenhum álbum. Buck Danny estreou-se entre nós no "Cavaleiro Andante" n.º 340 (Julho de 1958) com a aventura "O Tigre da Malásia", que é a 19.ª narrativa. Publicaram-se nove no "Mundo de Aventuras", uma na revista "Zorro" e duas na efémera edição portuguesa de "Spirou". Na verdade, ante a qualidade e a popularidade da série, é uma inexplicável bizarria a ausência de muitos mais episódios nas edições em português!...
LB


A primeira aventura de Buck Danny no "Cavaleiro Andante".
Prancha de "Les japs attaquent", a primeira aventura de Buck Danny



Prancha de "Tonnerre sur la Cordillére", por F. Bergése
1.º tomo de "Buck Danny - L'integrale", pela Dupuis, onde se recupera
a primeira aventura deste herói ("Les japs attaquent")
Capa da 53.ª aventura de Buck Danny, com saída prevista para o próximo mês.

domingo, 2 de setembro de 2012

EVOCANDO (1)... VICTOR HUBINON


Auto-retrato de Victor Hubinon
O belga Victor Hubinon (26 de Abril de 1924 - 8 de Janeiro de 1979) é um daqueles grandes desenhistas cujas obras nos dão muito mais prazer apreciar se as lermos a preto e branco. 
Neste aspecto, filia-se naquela genial galeria onde figuram, por exemplo, Milton Caniff, Hal Foster, Franco Caprioli, Fernando Bento, Didier Comès, Vítor Péon, Augusto Trigo, José Luis Salinas, Hugo Pratt, Eugénio Silva, Burn Hogarth, Jesus Blasco, etc.
Hubinon, muito apostado em narrativas pelo mar e pela aviação, não excluindo os temas de guerra ("Tarawa"), também abordou por algumas vezes o humor. 


Para além das biografias aventurosas de "Jean Mermoz" e de "Stanley", as glórias da sua vasta bibliografia assentam sobretudo em quatro séries: " Barbe Rouge", "Buck Danny", "Surcouf" e "Tiger Joe".


 

Destas, a única que conheceu alguns episódios na versão álbum em português, foi a de "Barbe Rouge” (Barba Ruiva), que também teve narrativas publicadas nas revistas "Cavaleiro Andante" e "Mundo de Aventuras". 
Por sua vez, "Buck Danny" teve melhor sorte pois várias das suas aventuras foram editadas em três revistas: "Cavaleiro Andante", "Mundo de Aventuras" e na efémera edição portuguesa de "Spirou".
A obra de Victor Hubinon, na sua generalidade, tem sido reeditada (em francês, claro!), até na versão "integral". No espaço português, porque se olha demasiado para a caixa registradora e quase nadinha para a qualidade da obra, sobretudo a clássica e perene...nada consta.
Parafraseando alguém, é a vã glória de cobiçar!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

HERÓIS INESQUECÍVEIS (1) - BARBA RUIVA



RECORDANDO UM HERÓI CLÁSSICO: BARBA RUIVA
A 29 de Outubro de 1959, nasceu esta série/herói na revista francesa "Pilote", que iria rivalizar com as revistas belgas "Tintin" e "Spirou". 
O entusiasmo dos leitores logo se afirmou por Barba Ruiva (Barbe Rougeno nome original), com guiões de Jean-Michel Charlier e arte de Victor Hubinon, amigos de longa data e que já haviam colaborado para as séries "Buck Danny" e "Surcouf". Um êxito pleno, imediato e merecido.

Victor Hubinon e Jean-Michel Charlier



Barba Ruiva tem o seu famoso navio "Falcão Negro" e por companheiros e cúmplices próximos, o atlético negro Babá e o astuto e filósofo coxo Pata Tripla... Não muito mais tarde, surge o bonitote Éric, que o terrível pirata salvou em criança e que adopta e educa como seu filho.
Barba Ruiva devassa todos os mares e chega, como corsário, a servir a coroa francesa, atacando sobretudo os ingleses e os espanhóis. 
Pelo período em que Hubinon adoeceu, o grafismo foi continuado por Jijé e Lorg (aliás, Laurent Gillain, filho de Jijé). Mas Hubinon vem a falecer e, depois, Jijé.

Então, em vias paralelas, a série continua, agora desenhada por Christian Gaty e por Patrice Pellerin. E é a vez de Charlier também falecer, sucedendo-lhe Jean Ollivier. Ainda surgiu um álbum desenhado pelo filipino Nestor Redondo, com guião de Christian Perissin. 
Todas estas mudanças não travam a tão admirada série. 
Didier Convard escreveu um guião que André Juillard desenhou. 
E assim prosseguindo, os guiões ficam-se por Perissin e o grafismo passa para Marc Bourgne.

Uma série de 26 episódios, em Cinema de Animação, foi realizada em 1997 sob direcção de Jean Chuband. 
Na série-BD "Astérix", Barba Ruiva e os seus companheiros, são frequentemente parodiados.

Em Portugal, este herói tem sido um tanto maltratado. 
Parcas aventuras saíram em algumas publicações e apenas cinco álbuns foram editados, uns pela Íbis e outros pela Meribérica-Líber, editoras hoje extintas. 
Entretanto, a Dargau já publicou, em onze álbuns, a versão integral.