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segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

NOVIDADES EDITORIAIS (250)

LENDAS JAPONESAS - Edição Polvo. Autores: Wenceslau de Moraes (texto) e José Ruy (arte gráfica). Capa de Bruno Porto (com ilustração de José Ruy).
Quando dois firmes valores da Cultura portuguesa fazem maravilhosa parceria, o resultado é este: a muito digna edição de "Lendas Japonesas", graças ao gesto atento de Rui Brito, o responsável da editora Polvo.
Do saudoso mestre José Ruy (aliás, José Ruy Matias Pinto, 1930-2022) já muito temos falado e continuaremos ocasionalmente a falar. Foi, inclusivé, um frequente colaborador do BDBD.
Quanto a Wenceslau de Moraes (aliás, Wenceslau José de Sousa Moraes), a situação é ainda mais encantadora: nasceu em Lisboa a 30 de Maio de 1854 e veio a falecer em Tukushima (Japão) a 1 de Julho de 1929. Foi oficial da Marinha Portuguesa, esteve colocado em Macau... Aqui, foi companheiro de uma jovem chinesa, donde dois filhos (que foi feito deles?). Em 1889 escalou terras nipónicas. Mais tarde chegou a ser Cônsul de Portugal na cidade de Kobe e, pelo Japão que o "converteu" se deixou ficar até falecer. Foi no seu tão amado Japão que a sua segunda e última companheira, a famosa O-Yoné, tanto o incentivou para a escrita. E assim foi! Wenceslau observou e canalizou para os seus belos textos, toda a ternura de hábitos e costumes da sua pátria de adopção.
"Lendas Japonesas" é uma obra em qualquer das versões, que está ignorada pelos nossos (todos!) Ministros da Cultura e da Educação. Até quando?! (Quosque tandem?, no original em latim).
Este álbum foi oficialmente apresentado no Festival-BD de Beja, em 2023, mas, infelizmente, nosso estimado José Ruy já não estava fisicamente entre nós!...
ARIGATO (Obrigado em japonês) Wenceslau de Moraes, José Ruy e Rui Brito!...


LAÇOS DE FAMÍLIA - Edição Ala dos Livros. Autores: Nuno Markl (enredo) e Luís Louro (arte gráfica). Álbum da série "O Corvo".
Pela primeira vez, em notável parceria, dois gigantes das "artes e letras": o Markl e o Louro, com uma aventura "feroz" e desnorteante do famoso e desastrado "O Corvo".
Um verdadeiro delírio a apelar para uma rigorosa leitura.
Aplausos, muito bons aplausos!

LB

sábado, 8 de abril de 2023

NOVIDADES EDITORIAIS (248)

TOMIS - Divertido e didáctico álbum romeno, com edição do Museu de História Nacional e Arqueologia de Constança. Tem argumento de Octav Ungureanu e arte de Alexandru Ciubotariu, Stefan Buturugã e Bogdan Buturugã.
É a história de Tomis (actual Constança) e tem como personagem central e narrador, o escritor romano Ovídio, aliás Publius Ovidius Naso.
Uma obra muito interessante com humor e heroicidades.


PEDRO E O IMPERADOR - Edição Polvo. Autores: a parceria de Batista (brasileiro) e Joana Afonso (portuguesa).
Aplausos plenos para esta obra invulgar, cheia de emoções e algum grato humor, através de uma longa conversa entre D. Pedro IV de Portugal (D. Pedro I do Brasil) e o filho, Dom Pedro II do Brasil.
Parabéns à editora e aos dois autores pelo encanto desta obra que muito agradará aos bedéfilos do Brasil e de Portugal.


A ADOPÇÃO - Edição Ala dos Livros. Autores: argumento de Zidrou e arte de Arno Monin. Tradução de Helena Romão.
Num belo volume integral (na versão original francófona abarcava dois tomos) relata, com força e comoção quanto baste, a história de Quinzya, uma garota peruana que, sendo órfã e com quatro anos de idade, é adoptada por uma família francesa.
Depois, é a grande viagem pela vida e o encontro com o amor. Daí que na contracapa do álbum se cite em alerta: "O amor não se rouba. O amor não se compra. O amor merece-se"
"A Adopção" é uma obra que sugere muita atenção e aplausos.

LB

sábado, 18 de fevereiro de 2023

NOVIDADES EDITORIAIS (247)

POVESTI DIN ISTORIE - Esta divertida obra, "Povesti Din Istorie" (Histórias da História), é uma criação do jovem talentoso romeno Ionut Popescu. Desde já lembramos que Ionut Popescu foi o primeiro desenhista romeno publicado em
português. Aconteceu em duas mini histórias no "Almada-BD Fanzine" nos números 12 (1994) e 14 (1996).
E assim está registado na pagina 248 do "Dictonarul Benzii Desenate din România" da autoria de Dodo Nitá.
Neste recente álbum, agora a cores, contam-se alguns temas muito interessantes, como: "Dominatori Români", "Caritas", "Sputnik, Laika, Gagarin", "Pancho Villa", "Uriasul" e outras mais.
Parabéns, Ionut Popescu!



O TERROR NEGRO - Edição Polvo. Autor: Jayme Cortez, com um prefácio de apresentação por Fabio Moraes. Também sob autoria de Moraes, o álbum encerra com "A Vida de um Mestre".
Magnífico álbum, é a versão integral das narrativas sob o tema de terror, da autoria de Jayme Cortez, nascido em Lisboa a 8 de Setembro de 1926, que faleceu em S. Paulo (Brasil) a 4 de Julho de 1987. Era já e desde há muito, cidadão brasileiro.
Jayme Cortez foi e será sempre, um talento extraordinário dedicado à Banda Desenhada nos mais diversos esquemas. Por aqui, abarcou também os temas de terror, que Portugal, finalmente, fica a conhecer com este álbum, graças ao entusiasmante empenho de Fábio Moraes e de Rui Brito. Parabéns!


AS FEITICEIRAS DA NOITE - Edição Asa. Autores: argumento de Yann e arte de Romain Hugault. É o primeiro tomo da série "O Grão-Duque".
Primeiros tempos, bem gelados, do ano de 1943, durante a Segunda Grande Guerra Mundial... A saga desta breve série narra-nos as proezas entre elementos da Alemanha de Hitler e a Rússia de Estaline, sobretudo com ferozes duelos aéreos.
O tenente aviador Wulf, aos comandos do seu avião por ele baptizado de "Grão-Duque", não tolera o demente Hitler e, por isso, não usa a cruz suástica, atitude que lhe vai valendo alguns dissabores. Mas ele é apenas um militar a defender a sua Alemanha, não a de Hitler. Nesses combates, enfrenta a terrível e valorosa esquadrilha russa, pilotada por jovens mulheres, as apelidadas "Feiticeiras da Noite". O ódio e os respectivos patriotismos acirram as duas forças em confronto, ambas bem empenhadas em coragem total na guerra que lhes foi imposta pelo Destino...


PÁSSARO - Edição Ala dos Livros. Autores: Diogo Campos (argumento) e Hugo Teixeira (traço).
Uma bonita, comovente e poética narrativa, com uma garota e um atento pássaro, como personagens centrais.
Com alegria, vemos o regresso de Hugo Teixeira ao panorama da Banda Desenhada. Parabéns aos autores!
LB

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

NOVIDADES EDITORIAIS (246)

CONTOS POPULARES PORTUGUESES - Edição Polvo. Autor: Artur Correia (1932-2018), com capa de Bruno Porto.
Esta editora está de especiais parabéns, pois está a incluir no seu catálogo obras dos nossos veteranos desenhistas. Enquanto prepara três álbuns de José Ruy, teve o bom senso de editar, em versão integral, os seis contos populares portugueses, em tempos publicados isoladamente e que estavam esgotados, sob a arte divertida de Artur Correia. Bem-hajas, Polvo!
Os textos foram escritos por Adolfo Coelho (1847-1919) e passaram à Banda Desenhada com todo o encanto e humor de Artur Correia. Uma obra (este álbum) para ler e/ou reler!...
E de Artur Correia ainda há muita obra dispersa a exigir recuperação digna em versão álbum como "Tufão", "Tufão no México", "O Filho de Robin dos Bosques", "A Ilha Encantada", "Sua Alteza nos Bastidores", "Madrepérola em Vaso", "O Moinho do Diabo", "O Pirilampo Agradecido", etc.
Artur Correia não foi apenas homenageado na Amadora, pois também o foi na Sobreda, em Moura, Viseu e Beja, pelo menos.


QUADERNI UCRAINI - Edição: Oblomov Edizioni. Autor: Igort.
É um relato-reportagem, chocante e bem dramático, cujo título original completo é "Quaderni Ucraini, Diario di Un'Invasione", pela demência ambiciosa de um tal Putin...
Quem domina, mais ou menos, o idioma italiano pode ler esta na versão original. Caso contrário, aguardemos que por cá apareça uma edição em português.
Nosso reconhecimento a Mary Bartolo Andreoli, nossa correspondente em Itália, que teve a gentileza de nos enviar um exemplar deste álbum.


O UIVO DE CIBELE - Edição Gradiva. Autores, segundo Jacques Marin: argumento de Valérie Mangin, traço de Thierry Demarez e cores de Jean-Jacques Chagnaud. Tradução de Ana Maria Pereirinha.
"O Uivo de Cibele" é o quinto tomo da magnífica série "Alix Senator". 
Kephren, o jovem filho do príncipe egípcio Enak (que aparentemente está desaparecido) e que foi adoptado por Alix, convence-se que merece a eternidade, segundo uma lenda versando a "deusa" Cibele.
E o jovem vai ao Egipto nessa busca. Profana assim o misterioso santuário, gesto terrível que, praticamente, o condena à morte...


O MONSTRO DE SUTTER CAMP - Edição Ala dos Livros. Autores: argumento de Xavier Dorison, traço de Ralph Meyer e côr de Caroline Delabie. Tradução de Paula Catalão. Um Caderno Gráfico encerra o álbum, que é o terceiro da série "Undertaken".
Uma bela e bem agitada obra com todas as jamais estafadas características do estilo "western". E cá vamos, na Europa, a singrar acocorados ao bizarro "património cultural" dos Estados Unidos da América do Norte...
LB

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

​NOVIDADES EDITORIAIS (240)

DOUTOR MENGEL - Edição Asa. Autor: Jean-Yves Delitte. Tradução de Pedro Vidal e coordenação de Carlos Pessoa. "Doutor Mengel" é o primeiro tomo (de quatro) da intrigante e bem inquietante série "U-Boot".
A narrativa saltita por épocas diferentes: 1945, 1951, 2059... Um submarino alemão (da Alemanha nazi) navega pelo Oceano Atlântico rumo às zonas antilhanas. Transporta uma enigmática "encomenda" que é apenas do conhecimento do respectivo comandante. Uma violenta tempestade força o submarino a entrar no rio Amazonas, com a tripulação em pânico pois, entretanto, um jovem marinheiro é encontrado morto e dilacerado: acidente, assassinato ou sabe-se lá o quê?!... Porém, no futuro, em 2059, a italiana Veneza está quase que completamente seca!...
Que pavorosos e misteriosos factos envolvem sem piedade toda esta narrativa?


LITTLE TULIP - ​Edição Ala dos Livros. Autores: J. Charyn (argumento) e François Boucq (arte).
O pesadelo arrastado de um jovem no clima, em todos os sentidos, num "gulag" soviético. É um constante e dramático sufoco pela sobrevivência... e o jovem Pavel virá a ser um implacável lutador...
Há aqui, também, a admirável arte do famoso Boucq.
Uma leitura desafiadora a bedéfilos com os nervos seguros.


ESCUTA, FORMOSA MÁRCIA - ​Edição Polvo. Autor: Marcello Quintanilha.
Numa zona pouco recomendável do Rio de Janeiro, vive a lutadora Márcia, enfermeira e mãe solteira, que, com todos os sacrifícios, tenta educar exemplarmente a sua filha Jaqueline.
Esta, é rebelde e caprichosa e só faz o que bem lhe apetece, o que vai complicar a existência, pois envolve-se com o crime organizado.
E, então, Márcia, arroja-se destemidamente a tudo fazer para salvar a filha da embrulhada em que se atolou...
Marcello Quintanilha é um notável jovem autor brasileiro que reside em Barcelona. Tem sido editado em Portugal, que já visitou várias vezes.


A CICATRIZ - ​Edição Escorpião Azul. Autores: Renato Chiocca e Andrea Ferraris. Tradução de Jorge Deodato.
Um dramático relato (reportagem?), seco e sombrio, localizado na fronteira do México e dos Estados Unidos da América do Norte.
Muita amargura e terríveis consequências, mas onde também se encontram espaços de luz e de ocasional humanismo.
Vale bem a pena apostar na leitura deste álbum.


NESTE BAIRRO, LATINO NÃO ENTRA - ​Edição Asa. Autores: vários, consoante as três narrativas que compõem o álbum, com tradução de Helena Guimarães.
São as seguintes: "A Bola da Borrasca" (texto de Yves Coulon e arte de Philippe Fenech), "Fluctuat N-Hic! Margitur!" (texto de Mathieu Choquet e arte de Jean Bastide) e "Labieno, Não Passarás!" (texto de Jerome Erbin e arte de Philippe Fenech).
Rebuscada na popular série "Astérix" de Goscinny e Uderzo, desta vez e a divertir-nos bem, o herói central é o ousado cachorrinho de Obélix, o Ideiafix.
Os gauleses mal aparecem, mas os romanos bem desejam livrar-se das diabruras de Ideiafix e seus aliados e amigos: a elegante cadela Turbina, o possante buldogue Glutonix, a doce gatinha Ladina, o mocho espertalhão Noturnix e o passarito traquina Bronquitix.
Em boa hora, nesta dose de Novidades Editoriais, um álbum sem violências sanguinárias nem pesadelos sufocantes, mas sim, com muita diversão e salutar humor.
LB

quarta-feira, 4 de maio de 2022

NOVIDADES EDITORIAIS (236)

CO.BR.A - OPERAÇÃO GOA - ​Edição Ala dos Livros. Autores: Marco Calhorda (argumento) e Daniel Maia (arte).
Eis um álbum que faltava, pelo que narra em relação à História de Portugal nos tempos mais recentes: a queda de Goa por invasão das forças da Índia, de 17 a 19 de Dezembro de 1961. O caturro ditador português António Salazar assim "quis"!...
Foi quase num ápice que as forças militares da "pacífica e pacifista" Índia, sob o governo der Nehru, acabaram com o domínio português de pouco mais de quatro séculos, nessa região. Bons tempos antes, em 1787, sob a famosa "Conjuração dos Pinto", a região tentou ser independente, mas a conspiração falhou... E Portugal lá se foi mantendo, mais ou menos firme, com holandeses e ingleses sempre a rondar e a intrigar por lá. Sacrossantas ambições!
Em 1954, os indianos abarbataram-nos os inúteis enclaves (na região de Damão) de Dadrá e Nagar Aveli. Começou então a inquietante bagunça!...
Tudo terminou em 1961, com a anexação rápida e absoluta pelas forças de Nova Delhi sobre Goa, Damão, Diu e a ilha de Angediva. Só pelo Exército, eram 45 mil indianos contra 3.300 portugueses! Se o intragável Salazar pensava numa reedição de Aljubarrota, falhou redondamente ou, se calhar, quadradamente também. Adiante!
Neste álbum, muito conseguido, para além de uma ligeira ficção, aparecem vultos da nossa História: para além do já citado ditador, o famoso engenheiro Jorge Jardim, Baltazar Rebelo de Sousa (pai do nosso actual Presidente da República), o general Vassalo e Silva, etc. Mas esqueceu-se o gesto heróico do comandante Aragão que, na zona de Goa, preferiu afundar a fragata que comandava a entregá-la aos invasores!...
Vários episódios da História "recente" de Portugal e em cenários diversos, foram desenhados por José Garcês, Augusto Trigo, Pedro Massano e Vassalo de Miranda, pelo menos.


VIRIATUS IV - ​Edição GICAV.
Com uma bonita capa de José Pires, aqui está o belo n.º 4 do fanzine "Viriatus", com empenhada coordenação de Carlos Almeida. Parabéns!
Aqui, para além dos registos em relação às editoras Ala dos Livros e A Seita, focam-se os desenhistas Álvaro, Luís Louro, José Ruy, Nuno Saraiva, Paulo Monteiro e o italiano Enrico Marini. Encerra o fanzine, um breve original de Lança Guerreiro.
Os interessados devem contactar com Carlos Almeida (do Gicav) para o seguinte
e-mail: cara.almeida60@gmail.com


DOBRO OU NADA EM QUITO - ​Edição Gradiva. Autores: Matz (argumento), Philippe Xavier (traço) e Jérôme Maffre (côr). Tradução de Jorge Lima.
Tango e o seu amigo Mário, aportam a Quito, capital da República do Equador, na América do Sul... Enfim, vão fazer doces férias da vivência no iate e dormir num bom hotel em terra firme e pacífica. Isso pensavam eles!...
As confusões e violências não os largam nem por nada. E nós também não abandonamos os aplausos por esta tão notável série.


A REVOLTA DA VACINA - Edição Polvo. Autor: André Diniz.
Este jovem autor, que é brasileiro mas reside em Portugal, bem sabe, como todos nós, que a História se repete de um modo geral. Eis aqui um caso-narrativa: tudo se passa no Brasil - mas que até podia bem ser noutra qualquer geografia de politica similar -, esse Brasil admirável que não é só Carnaval, samba e frevos, praias e florestas encantadoras, sexo livre, etc. É também um país que já amargurou ditaduras, repressões, fome, extremas misérias, pandemias e tudo mais, tudo sempre muito bem condimentado com a poderosa hipocrisia política.
Se o nosso saudoso cantante António Variações firmou bem o verso "o corpo é que paga", nós dizemos agora que "o Povo é que paga", pois sempre assim foi também.
Neste álbum, dramático e realista, a vacina em causa nos inícios dos anos 1900, e imposta pela pandemia da varíola no Brasil, mas que quase se repete neste século por quase todo o mundo por causa de um tal Covid-19...
Ora bem: leiam, leiam com atenção, este alertante e avisador álbum!
LB

quinta-feira, 11 de março de 2021

NOVIDADES EDITORIAIS (214)

A DANÇA DOS ABUTRES - Edição Ala dos Livros. Autores: Xavier Dorison (argumento), Ralph Meyer (traço) e Caroline Delabie (cores).
"A Dança dos Abutres" é o segundo tomo da premiadíssima série "Undertaker", que é um "western" invulgar e muito especial.
Jonas Crow, um cangalheiro muito estranho (e também justiceiro) vai numa viagem quase impensável, na companhia da governanta inglesa Rose, da serviçal chinesa Lin e, ainda, de um fiel e ferido abutre. Vão cumprir a última vontade do milionário Joe Cusco, que desejou ser enterrado na mina de oiro que o enriqueceu. Ainda por cima, o rico mineiro engoliu o seu oiro antes de morrer. Este gesto é descoberto pelos outros mineiros que, furiosos, querem apossar-se do cadáver e apanhar a riqueza que ele encerra...
Sem contemplações, a narrativa segue de violência em violência, sugerindo outros bizarros mistérios que tocam os personagens.
Uma obra admirável que exige uma leitura atenta.


​L'HISTOIRE SECRÈTE DE LUCKY LUKE - ​É uma edição extra da revista "LIRE, Magazine Littéraire", com textos de vários responsáveis desta publicação.
Um trabalho maravilhoso e exaustivo, devidamente ilustrado com desenhos e fotos, focando tudo ou quase tudo o que importa saber sobre o impagável pistoleiro que atira mais rápido que a sua própria sombra, ou seja, Lucky Luke.
Não falta aqui o relato da colaboração de Morris e Goscinny, a definição do cavalo poeta e filósofo Jolly Jumper e do cão idiota Rantanplan, a indicação de actores célebres que serviram de modelo a determinados personagens, como Lee Marvin, Lee Van Cleef, Jack Palance, Louis de Funès, Sean Connery, David Niven, Alfred Hitchcock, etc.
E há muitos e muitos outros preciosos registos sobre este herói-série.


MORRO DA FAVELA - Edição Polvo. Autor: André Diniz, alguma fotos de Maurício Hora.
Considerado um dos melhores trabalhos do brasileiro Diniz, donde até alguns prémios (no Brasil), nada nos faz, desta vez, tecer grandes elogios... Quase nada bate certo com a nossa apreciação e bom gosto.
Paciência, mas nem sempre calha... Acontece!
Isto não implica que o autor deixe de ter o seu razoável número de admiradores.
LB

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

NOVIDADES EDITORIAIS (213)

RETOUR SUR ALDEBARAN / 3 - ​Edição Dargaud. Autor: Leo.
A espantosa saga de ficção-científica "Les Mondes d'Aldebaran", parece que chegou ao fim. Tem cinco ciclos: "Aldebaran" (5 tomos), Betelgeuse (5 tomos), "Antares" (6 tomos), "Survivants" (5 tomos) e por fim, "Retour Sur Aldebaran " (3 tomos).
É uma saga fascinante e fantástica que o brasileiro Leo (aliás, Luís Eduardo Oliveira) nos propõe com os seus enredos e a sua arte. Leva-nos a mundos (planetas) bem distantes da Terra, onde os personagens vão viver e sofrer por situações e encontros inesperados.
Recorde-se que Leo, que é casado com uma madeirense, vive em Paris e que foi homenageado ao vivo na "Sobreda-BD/2000".
Agora, há que aguardar que esta saga tenha a sorte de aparecer com edição portuguesa...


FOLIA DE REIS - ​Edição Polvo. Autor: Marcello Quintanilha.
Nascido em Niterói (Brasil) em 1971, Marcello Quintanilha, reside em Barcelona (Catalunha) desde 2002. Tem obra sua editada em Espanha e na Bélgica. Já esteve no Festival-BD ​de Beja. A sua oba tem sido publicada entre nós pela Polvo. Tem uma arte cativante, realista e dramática, onde nos vai relatando muitos aspectos do Brasil real e sofredor, bem distante das imagens turístico-carnavalescas. É um Brasil amargo, mais autêntico no dia-a-dia.
Importa bem conhecer e continuar a acompanhar a arte deste talento brasileiro.


STRANGER THINGS EM CHAMAS - ​Edição Asa (Leya). Autores principais: Jodi Houser (argumento), Ryan Kelly (traço), Triona Farrell (cores) e Kyle Lambert, que nos apresenta uma belíssima capa. Tradução de Luís Santos.
Com base na série televisiva da Netflix, a obra oscila entre o fantástico e o terror e agarra bem o leitor desde o início. Muita aventura, muito mistério, muita angústia e muito sufoco. Para quem gosta do género, é uma obra imperdível. 
Trata-se de uma boa aposta das edições Asa, que no entanto, não se livra das nossas amigas perguntas: para quando a publicação de desenhistas portugueses, mesmo em outros temas e estilos? Vamos apostar?...
LB

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

NOVIDADES EDITORIAIS (211)


PLANETA PSICOSE - Edição Escorpião Azul. Autor: Ricardo Santo.
É loucura, loucura e tremenda loucura!... O português Ricardo Santo (aliás, Ricardo Santo Encarnação Machado), nascido em Leiria e a residir e a laborar em Barcelona, é um abençoado e "doidão" criador de Banda Desenhada.
Fantástico e convulsivamente a sacudir intensamente a pasmaceira idiota em que todos chafurdamos, com esta sua obra, "Planeta Psicose", tem a força bem atenta de agitar as massas que não estejam ainda fossilizadas ou encarneiradas por umas constantes e perigosas rotinas sócio-político-económico e culturais.
Todo o esquema desta magnífica narrativa com momentos um tanto desafiadores, deixa-nos sem fôlego. Tudo é confusamente diferente e, digamos, apavorante. Mas Ricardo Santo não está a "dormir na forma". Com um certo tipo de sarcasmo, desmonta todas as situações.
Para já, com plenos aplausos, apenas acrescentamos que é um verdadeiro fenómeno na BD Portuguesa. 
Parabéns, Ricardo Santo!


A LOJA - Edição Polvo. Autor: Derradé (aliás, Dário Rui Duarte).
Um autor espantosamente sarcástico, mordaz, irónico... significados de todo um mesmo. Um digno continuador, à sua maneira, das "ferocidades" de Aristófanes, Voltaire, Eça de Queiroz, Bernard Shaw, etc. E sem tréguas nem entretantos!
Nesta obra, Derradé, arrasta-nos para o mundo da Banda Desenhada com um delirante humor fora de série. Bravo, Derradé!
E não faltam por aqui, caricaturas do próprio, de Geraldes Lino, de José Freitas, de Álvaro, de Rui Brito, etc. E também, uns palavrões necessários e em conformidade com o nosso dia-a-dia. Mas outros "palavrões" parecem ser uma notória crítica ao "apagar" do idioma português: as expressões e palavras do imperialista idioma inglês...
Uma obra a ler por qualquer bedéfilo que se preze!


TINTIN, C'EST L'AVENTURE/6 - Edição Geo/Moulinsart.
É o n.º 6 desta ultra preciosa publicação (volumosa, confirme-se) trimestral, que abrange Novembro-2020 a Fevereiro-2021.
Este exemplar leva-nos para o mundo de "Tintin" a diversos e bem discutíveis aspectos do Insólito. Estranhos e bizarros fenómenos, terrestres ou extraterrestres, estão lá. Há que topá-los! 
Também com destaque neste exemplar: a bedê inédita (curta) de Romain Renard, a entrevista com Erik Orsenna, os registos de viagens por Jacques de Loustal e a belíssima e imperdível reportagem "Les Peuples de l'Himalaya".
Força, bedéfilos!


DOI ANI DE VACANTÁ - Edição Revers. Autora, segundo Jules Verne, Livia Rusz.
O francês Jules Verne é, sem dúvida, um dos mais universais autores de romances de aventuras, e não só, pois qual "vidente", criou no seu tempo e nos seus textos, espantosas situações e inventos que vieram a acontecer... Foi quase, um continuador de Leonardo da Vinci e de Nostradamus... Não acredita
?!... Se não acreditam, é porque vigora uma infeliz casmurrice nas vossas meninges. Dixit!
Quanto ao romance "Dois Anos em Férias", em Portugal, foi adaptado à BD por mestre Fernando Bento para a revista "Diabrete" (1941/1942).
Nesta versão, cabe-nos agora a vez de divulgar o álbum romeno "Doi Ani de Vacantá", pela talentosa Livia Rusz.
Admirável desenhista romena, nasceu a 28 de Setembro de 1930. Que brilhante veterana a tal se atreveu!
LB

domingo, 23 de junho de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (171)

CADAFALSO - Edição Polvo. Autor: Alcimar Frazão.
Alcimar Frazão é um jovem autor brasileiro e teve esta obra lançada no XV Festival BD de Beja. Obra rude, inquietante, dramática… mas com um magnífico grafismo a preto-e-branco abordando diversos e amargos temas.
O afável Alcimar, na gentil dedicatória que pôs no meu exemplar registou: "A vida é absurdo e revolta. Lutemos!".

E por que não? Em frente, Alcimar!
Este álbum é, apesar do clima pesado, belíssimo.


L'ANGE DE BUDAPEST - Edição Glénat. Autores: os húngaros Gabor Tallai  (argumento) e Attila Futaki (traço), mais as cores por Greg Guilhaumond.
Entre o histórico e a ficção, esta é uma obra bem pertinente através da Banda Desenhada. A narrativa faz-nos viajar de 1988 (em San Diego, na Califórnia norte-americana) a 1956 (na Budapeste, na Hungria)… para um especial e necessário ajuste de contas. É preciso estarmos de mente aberta e não anestesiada ante os facínoras que têm esturrado os povos…
Ora, quando em 1956, o infeliz povo húngaro se quis libertar dos soviéticos (já tinham amargurado com os nazis), as tropas de Moscovo fizeram nesse magnífico país das czardas, uma imperdoável hecatombe. Esta insurreição pela sua justa liberdade, resultou num repugnante massacre de mais de 3000 (três mil) mortos!...
Mas, um certo húngaro, em 1988, procurou fazer justiça por conta própria…


VENHAM + 5, N.º 10 - Edição Bedeteca de Beja. Uma edição coordenada por Paulo Monteiro.
Este exemplar reúne trabalhos de 19 criadores, maioritariamente de Beja, como Ana Maria Campaniço, André Ferreira, Véte, etc., mais outros de locais diferentes, como Mário André, Marcos Oliveira e, até, um inglês (Andrew Smith) e dois brasileiros (Evandro Alves e Rafael Sanzio).
A capa é da bejense Susa Monteiro.


AMAZONIE / 4 - Edição Dargaud. Autores: no argumento, Rodolphe e Leo; no traço, Marchal; e nas cores, Sébastien Bouêt.
Continua para nosso entusiasmo, esta tão intrigante e exótica série. O que nos vai trazer no final? Exotismo, políticas, extraterrestres, paranóias?...
Os autores lá sabem!
LB

sábado, 7 de abril de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (144)

ANTIGONE - Edição Glénat. Autores, segundo a orientação de Luc Ferry, tem como argumentista Clotilde Bruneau e arte de Giuseppe Baiguera.
É mais um tomo da série “La Sagesse des Mythes” e inspirado na famosa tragédia homónima de Sófocles.
Principais personagens: Antígona e sua irmã Isménia (filhas de Édipo e Jocasta), Creonte (tio de ambas e cruel ditador da cidade-estado de Tebas), Eurídice (esposa de Creonte), Hémon (filho destes e noivo de Antígona) e o adivinho cego Tirésias.
Por todo o cruel argumento, paira o intenso dramatismo das famosas tragédias da Grécia Clássica: os irmãos (de Antígona e Isménia) Eteócles e Polínices, morrem numa luta fratricida, pois ambos queriam o trono de Tebas.
Creonte tinha simpatias por Eteócles e decreta que este tenha o funeral honroso e tradicional, e decide que quem quer que seja que dê sepultura a Polinices, seja condenado à morte.
Antígona revolta-se ante esta injustiça e, já condenada a ser emparedada, atira-lhe frontalmente a sua célebre frase: “Nasci para amar e não para odiar!”. Em vão!... Tirésias alerta Creonte para o erro que está fazendo, mas quando o rei cai em si, já é tarde: Antígona enforcara-se  na gruta-cárcere onde estava encerrada e Hémon, sabendo disto, suicida-se tal como sua mãe Eurídice, ao saber da morte do filho...


O ATENEU - Edição Polvo. Autor: Marcello Quintanilha, segundo a homónima obra de honra do romancista brasileiro Raul Pompeia.
O tema é tão agressivo como terno e denunciante, centrado num ríspido e famoso colégio interno para rapazes, onde tudo pode acontecer... É um tema que outras vezes na Literatura já foi abordado. Lembram-se, ao acaso, os romances, “Colégio de Rapazes”, de Carmen de Figueiredo, e “As Amizades Particulares”, de Roger Peyrefitte. Não são obras convergentes, mas os assuntos destes três romances são marcadamente paralelos...
“O Ateneu” de Raul Pompeia já teve outras adaptações à Banda Desenhada, mas com esta versão de Quintanilha (que já esteve num dos festivais-BD de Beja e que reside em Barcelona), a obra ganha e encanta com um novo fôlego. Se a firmeza da arte de Marcello Quintanilha é incontestável, nota-se neste seu peculiar empenho o convite para uma leitura obrigatória.
Que se esqueçam os “Tio Patinhas”, os Mangá e/ou os Super-Heróis (que o tresloucado do Donald Trump deve adorar...) e que se aposte na leitura bedéfila que tem 100%  de qualidade!...


LE MIRAGE ITALIEN - Edição Delcourt. Autores: argumento de Thierry Gloris, traço de Jaime Calderon e cores de Felideus. É o primeiro tomo da série “Valois”.
A grandiosa época histórica da Renascença teve tanto de bela e grandiosa (nas Artes) como de sinistra, nas ambições e aberrantes crimes.
E, por esta série, tudo se indica com alta classe gráfica, tendo como fio condutor a amizade e a rivalidade dos heróis de ficção, o francês Henri Guivre de Tersac e o catalão Blasco de Vilallonga.
De resto, estão lá as batalhas impiedosas, os assassínios “por conveniência”, as furiosas ambições políticas, tanto de lado da França como do Vaticano, sem esquecer os hipócritas climas sexuais...
E todos à mistura, como que numa bizarra e repulsiva orgia, lá estão os Bórgia, os Della Rovere e a variada nobreza francesa toda bem desaguisada... Que delícia!
“Valois” é mais uma vigorosa e bela série a ler e a acompanhar com uma apurada atenção.
LB

quarta-feira, 28 de março de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (143)

LA CITÉ DU DRAGON - Edição Glénat. Autores: argumento de Willy Duraffourg e Philippe Thirault, traço de Federico Nardo e cores de Aretha Battistutta.
“La Cité du Dragon” é o primeiro tomo da série “Macao”.
Quem viveu, visitou ou reside em Macau (ex-território português) vai certamente gostar desta obra, onde a região está bem marcada, a par do enredo no mundo do jogo e de incómodas intrigas.
Não é a primeira vez que Macau figura na Banda Desenhada (francófona), pois há, pelo menos: “Rendez-vous à Macao” (43.º tomo da série “Michel Vaillant” por Jean Graton) e “L’Empereur de Macao” (27.º tomo da série “Bob Morane” por William Vance).
Na recente obra, León Chung é um jovem jornalista hongkonguês que se desloca a Macau para reportar os sinuosos e perigosos bastidores do mundo do jogo e não só. É “apanhado” pelo poderoso e misterioso Sr. Kwan Taoque o contrata “à força”, para que o jornalista escreva as suas memórias ou talvez, a sua lenda.
León, não vai ter a vida fácil... embora com muitas benesses.


OLIMPO TROPICAL - Edição Polvo. Argumento de André Diniz e arte gráfica de Laudo Ferreira, ambos brasileiros.
O Rio de Janeiro já não é bem a lendária e deslumbrante “Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil” de sedutoras praias e de carnavais espectaculares... O autêntico Rio de Janeiro de agora, assustador e avassalador, é onde impera a violência constante com roubos, torturas, mortes e droga. Um temível e imparável inferno que, das famosas e imensas favelas, domina a seu belo prazer toda a
incauta grande cidade que envolvem.
Com “Olimpo Tropical”, os autores revelam-nos um retrato bem cruel, porém realista e sem fantasias doces para se sonhar.
É uma obra de peso e amarga que, no entanto, é muito conveniente que se leia.
Um aplauso pleno ao talento e à coragem de André Diniz e de Laudo Ferreira.


L’OR DES CAÏDS - Edição Dargaud. Autores: argumento de Vincent Brugeas, traço de Ronan Toulhoat e cores do próprio argumentista.
Este é o primeiro tomo da série “Ira Dei”.
Por volta do ano 1040, toda a zona do Mediterrâneo andava infestada (situação que, parece, nunca amainou...) pelos mais diversos povos e crenças religiosas. As guerras e os massacres são implacáveis. Com desmesuradas ambições e raivosas violências, ninguém pode confiar em ninguém. As vinganças cruéis sucedem-se.
Arte gráfica com belas e apreciáveis cenas.
LB

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (141)

50 NUANCES DE GRECS / 1 - Edição Dargaud. Autores: Jul (arte) e Charles Pépin (argumento). É uma nova investida desta acertada e bem inspirada parceria, com as cores de Zar Amir-Ebrahimi.
Desta vez, é o primeiro tomo de “50 Nuances de Grecs”, da breve série “Encyclopédie des Mythes et des Mythologies”.
Devastador e malicioso, este tomo é um espanto! Com um atento e culto desafio: voltar a dar vida à Mitologia projectando-a ao mesmo tempo ao nosso quotidiano moderno... Quem sabe, sabe!
Há telemóveis, televisores, uma deusa furiosa (Hera) que abate à metralhadora as tantíssimas amantes do marido (Zeus), há tanta hilariante loucura que, numa determinada prancha, Lucky Luke, aparece a trocar opiniões com um Centauro...
O fenomenal humor assenta nas páginas com BD, honrando outras, só texto, com interpretação de tais mitos, da parte de Pépin.
Esta obra terá um segundo tomo, mas é já um imperdível delírio!
Vá, leitor, “acorde o herói que tem dentro de si” e... ria-se!


A MAIOR DAS SUBVERSÕES - Edição Polvo. Autor: Henrique Magalhães.
Com “A Maior das Subversões”, segundo tomo da série “Maria”, o brasileiro Henrique Magalhães volta ao ataque com o seu humor saborosamente crítico e acutilante.
A sua heroína Maria, atrevida, revolucionária ante o que estupidamente está “estabelecido”, um tanto inteligente anarca, abala a nossa provável e entupida sisudez.
Se o leitor tem, secretamente, inconfessáveis e reservadas culpas na sua cobarde ou basáltica consciência (se a tem...), não leia este álbum. Caso contrário, é de toda a conveniência que o leia e se liberte das suas diárias perturbações.


EQUATÓRIA - Edição Geomais, Lda. Autores: argumento de Juan Diaz Canales e arte de Rubén Pellejero.
Depois do genial e saudoso Hugo Pratt, o seu herói-série Corto Maltese (um inapagável ícone da BD mundial), tem sido continuado (ainda bem!) pela parceria espanhola Juan Diaz Canales e Rubén Pellejero.
“Equatória” é o segundo tomo (14.º em português) desta parceria atenta, valorosa e cuidadosa. Uma parceria que segue e respeita toda a linha imaginada pelo mestre italiano Pratt. Aplausos!
Curioso: por esta narrativa existe uma aventura-investigação focando o lendário “Prestes João das Índias”, mito ou não, que está bem registado na História de Portugal...
Um álbum de leitura conveniente, sobretudo para os maltesófilos!


BUG - Edição Escorpião Azul. Autor: Miguel Angel Martin.
O autor de “Bug” é castelhano (Castela é que continua a inventar e a impôr uma “coisa” a que chamam “Espanha”...). Contos largos!...
Pois o M. A. Martin, como desenhista, é famoso e tem sido varias vezes premiado (Barcelona-1992, Roma-1999 e Nápoles-2003)...
No entanto, que me desculpem o autor e editor (meu pessoal amigo), mas não há opinião possível, pois desafiou-nos à indiferença e ao bocejo. Tenham paciência.
LB

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (140)

A ÚLTIMA NOTA - Edição Escorpião Azul. Autores: argumento de André Mateus e arte gráfica de Filipe Duarte.
A nova geração portuguesa dedicada à Banda Desenhada tem estado a marcar pontos positivos. É o caso desta parceria, A. Mateus e F. Duarte, com esta obra dramática, onde os dois personagens centrais, e Alexandre, tentam salvaguardar a sua amizade de sempre, apesar de no passado terem amado, em vão, a mesma mulher...
No decorrer da narrativa, o drama adensa-se e... bem, tem um final trágico, quiçá lógico neste tipo de histórias... Contudo, a obra é bela e de leitura aconselhável.

NEM TODOS OS CACTOS TÊM PICOS - Edição Polvo. Autora: Mosi, que é mais um valor jovem da nossa Banda Desenhada, com destaque especial para o facto de ser uma desenhista. E com demonstrado valor!
Com esta narrativa muito bem construída, há um clima de poesia, ternura, amor e encanto entre duas amigas. E há a necessária crítica social.
Aplausos plenos!

FUTURO PROIBIDO - Edição Escorpião Azul. Autor: Pepedelrey.
Pois: é uma das raras tentativas, pela nossa BD, abordando a ficção científica, ou o futurismo, ou o que lhe quiserem chamar...
Gostaríamos, sinceramente, de lhe atribuir uma calorosa ovação, mas não é possível. Apesar do esforço e da tentativa do autor, que já tem apresentado bons trabalhos, desta vez tudo nos pareceu um “déjà vu”... Paciência!

OS BRINCALHÕES DO TRIÂNGULO CINZENTO - Edição Gailivro (grupo Leya). Autor: Pedro Leitão.
Pedro Leitão (que nasceu em Luanda em 1965) é um caso raro na BD Portuguesa, pois fugindo às diversas linhas criativas desta Arte, dedica-se, com entusiasmo e de uma forma construtiva e pedagógica, a criar 9.ª Arte para os leitores mais pequenos, para os petizes. Bravo!
Neste tomo, o 11.º da série “As Aventuras de Zé Leitão e Maria Cavalinho”, através do “mundo da Magia” e da diversão, aponta-se para se aprender a conhecer o “feitiço” e a importância do Alfabeto.
LB