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segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

NOVIDADES EDITORIAIS (250)

LENDAS JAPONESAS - Edição Polvo. Autores: Wenceslau de Moraes (texto) e José Ruy (arte gráfica). Capa de Bruno Porto (com ilustração de José Ruy).
Quando dois firmes valores da Cultura portuguesa fazem maravilhosa parceria, o resultado é este: a muito digna edição de "Lendas Japonesas", graças ao gesto atento de Rui Brito, o responsável da editora Polvo.
Do saudoso mestre José Ruy (aliás, José Ruy Matias Pinto, 1930-2022) já muito temos falado e continuaremos ocasionalmente a falar. Foi, inclusivé, um frequente colaborador do BDBD.
Quanto a Wenceslau de Moraes (aliás, Wenceslau José de Sousa Moraes), a situação é ainda mais encantadora: nasceu em Lisboa a 30 de Maio de 1854 e veio a falecer em Tukushima (Japão) a 1 de Julho de 1929. Foi oficial da Marinha Portuguesa, esteve colocado em Macau... Aqui, foi companheiro de uma jovem chinesa, donde dois filhos (que foi feito deles?). Em 1889 escalou terras nipónicas. Mais tarde chegou a ser Cônsul de Portugal na cidade de Kobe e, pelo Japão que o "converteu" se deixou ficar até falecer. Foi no seu tão amado Japão que a sua segunda e última companheira, a famosa O-Yoné, tanto o incentivou para a escrita. E assim foi! Wenceslau observou e canalizou para os seus belos textos, toda a ternura de hábitos e costumes da sua pátria de adopção.
"Lendas Japonesas" é uma obra em qualquer das versões, que está ignorada pelos nossos (todos!) Ministros da Cultura e da Educação. Até quando?! (Quosque tandem?, no original em latim).
Este álbum foi oficialmente apresentado no Festival-BD de Beja, em 2023, mas, infelizmente, nosso estimado José Ruy já não estava fisicamente entre nós!...
ARIGATO (Obrigado em japonês) Wenceslau de Moraes, José Ruy e Rui Brito!...


LAÇOS DE FAMÍLIA - Edição Ala dos Livros. Autores: Nuno Markl (enredo) e Luís Louro (arte gráfica). Álbum da série "O Corvo".
Pela primeira vez, em notável parceria, dois gigantes das "artes e letras": o Markl e o Louro, com uma aventura "feroz" e desnorteante do famoso e desastrado "O Corvo".
Um verdadeiro delírio a apelar para uma rigorosa leitura.
Aplausos, muito bons aplausos!

LB

sábado, 23 de abril de 2022

NOVIDADES EDITORIAIS (235)

A FÓRMULA - ​Edição Ala dos Livros. Autor: Vicente Segrelles.
Em boa hora a editora Ala dos Livros começou a reeditar a esgotadíssima e magnífica série "O Mercenário" do catalão Vicente Segrelles.
Uma glória que se recupera e, também, que se revela às novas gerações dos autênticos bedéfilos portugueses. Esta nova versão editorial tem uma invejável apresentação, como bem se pode apreciar em "A Fórmula", o segundo tomo da série. 
Série que é obrigatório ler-se e coleccionar.


APOLO - ​Edição Gradiva. Sob coordenação do historiador Luc Ferry, tem guião de Clotilde Bruneau, traço de Luca Erbetta, cor de Scarlett Smulkowski e capa de Fred Vignaux. Consta ainda um dossiê final de Luc Ferry. A tradução é de Maria de Fátima Carmo.
"Apolo" pertence à espantosa série "A Sabedoria dos Mitos", convidando a uma atenta leitura.
Na mitologia greco-romana, Apolo, é sem dúvida o mais popular e admirado dos deuses do Olimpo. Filho de Zeus e de Leto e irmão gémeo de Artemisa, é um belo, corajoso e atlético ser divino, cobiçado e cobiçador dos mais variados amores, como Dafne ou Jacinto.
Deus da Harmonia, fascinante, protegeu também as Belas-Artes e tinha o seu oráculo em Delfos. Tocava exemplarmente a sua lira. Porém, se alguém o irritava, tornava-se colérico...
O melhor de tudo, leitor, é ler este sedutor álbum.


OS COVIDIOTAS / 2 - ​Edição Ala dos Livros. Autor: Luís Louro.
Delirante em absoluto! O nosso Luís Louro, com a sua arte e o seu belo humor, sabe muito bem dar a volta a certas situações dramáticas, que nos vão ensopando com determinados pânicos do dia-a-dia.
Pois essa coisa do Covid-19 tem apavorado o nosso bom povo, agora só com o pânico ultrapassado por um tal Putin, patife e pulha...
Ora toca a ler e a rir com este "Os Covidiotas - segunda Vaga"!...


URLO: GRITO NO ESCURO - ​Edição Escorpião Azul. Autores: Gloria Ciapponi e Luca Conca.
Como é que é?!... Tenebroso, mais medonho que o medonho é em si, seco e sufocante e sabe-se lá que mais de negativo, os seus italianos autores sob que raio de trauma sobrevivem. Aqui, o horror e o repugnante sucedem-se sem pausa. 
Não, desta vez, não aplaudimos, nem sequer minimamente.
Paciência!
LB

domingo, 5 de setembro de 2021

NOVIDADES EDITORIAIS (223)

OS MAIAS - Edição Levoir /RTP. Autores: Eça de Queiroz, com adaptação/guião de José de Freitas e Canizales, arte do colombiano Harold Jiménez Canizales. E um precioso dossiê final por José Vieira.
Este álbum tão anunciado e tão adiado, surgiu finalmente no final de Agosto último. Apre, que tardou!
Um senão: a grafia de um nome jamais deve ser alterada. O apelido é Queiroz e não Queirós!... Tino, senhores editores! Não se muda levianamente o modo original como se escreve o nome, sobretudo quando não há o consentimento do visado.
Alguns dos seus contos foram adaptados à Banda Desenhada por Eduardo Teixeira Coelho ("A Aia", "O Defunto", "A Torre de D. Ramires", "O Tesouro" e "Suave Milagre"), por José Morim ("O Defunto") e por José Manuel Saraiva ("Singularidades de uma Rapariga Loira"). Dos seus romances, registavam-se até agora, apenas três, criados além-Atlântico (Brasil e Argentina), a saber: "A Relíquia" por Francisco Marcatti, "A Ilustre Casa de Ramires" por C. Raineri e "O Mandarim" por Enrique Vieyter. Agora temos finalmente "Os Maias", sob o grafismo peculiar de Canizales. Será que o exigente Eça de Queiroz iria gostar desta adaptação?...



INIMIGOS ÍNTIMOS - Edição Ala dos Livros. Autor: Luís Louro.
Aqui temos mais uma espectacular aventura de "O Corvo", por Luís Louro, magnífico como sempre. O sonhador herói, quase épico e um tanto desastrado, é um tão simpático personagem com duas vivências: de dia, ele é o banal "Vicente"; à noite, é o super-herói "O Corvo".
Mais: nunca sabe quem é e o que faz durante o dia!... Adora e devora chamuças, que lhe provocam umas intoleráveis azias.
Quem é o pior inimigo do "Corvo"? Ao que tudo indica, é apenas o seu acidentado passado que não o larga.
Façam o favor de ler este belo álbum e animem-se com a sua sedutora beleza.
Parabéns ao Luís Louro e à editora.


ALEXANDRE DUMAS, O DEMÓNIO NEGRO - ​Edição Serafim & Malaqueco, Inc. Colecção "Fandaventuras" (número especial). 
Autor: José Pires.
Este belo e biográfico álbum foi publicado em França em 2010. Tardava em português!... Nosso estimado amigo José Pires, lá cedeu finalmente a publicá-lo no nosso idioma. Parabéns!
Antes de se ler o álbum, pelo título que apressadamente notamos, logo surge um precipitado engano: idealiza-se ​o Alexandre Dumas, Pai ("Os Três Mosqueteiros", "Vinte Anos Depois", "A Tulipa Negra", "O Conde de Monte Cristo", "O Homem da Máscara de Ferro", etc.) ou o Alexandre Dumas, Filho ("A Dama das Camélias", etc.). Mas não é nenhum destes, antes um antecessor (Alexandre Dumas, "Avô"), que foi um bem notável e destemido militar francês. A BD também nos ensina e esclarece!...
Muito obrigado, José Pires, por esta tua achega à nossa cultura e pela beleza da obra. A tiragem foi muito curta (apenas 40 exemplares!). Os interessados deverão contactar com o autor, para: gussy.pires@sapo.pt


HOMEM-GRILO & SIDERALMAN - Edição: FA. Autores: Cadú Simões e Will. 
Agora o Homem-Grilo e o Sideralman encontram-se no mesmo universo, trazendo um crossover entre os dois super-heróis.
O Homem-Grilo & Sideralman mostra os super-heróis às voltas com vários dos seus inimigos, numa aventura com muita ação, lutas, explosões, pancadaria, humor... ou talvez não!
Além disso, também uma aventura do Cricket Rider, a versão tokusatsu, manga ou mangá (como queiram teimar) do Homem-Grilo.
Disponível em várias lojas e plataformas on-line,
 em formato físico e digital. Pontos de venda em: https://fabd.weon.pt/
LB/CR

quinta-feira, 29 de julho de 2021

BREVES (96)

LAMIRÉS E ZUNZUNS
EUGÉNIO SILVA vai ser reeditado. De fonte fidedigna, soubemos que a Câmara Municipal do Seixal está em negociações com este desenhista para lhe reeditar o álbum "A História do Seixal em Banda Desenhada", que está esgotado. Aproveitando esta boa onda, fazemos votos para que alguma atenta e sensível das nossas editoras lhe reedite os álbuns "Inês de Castro" e "Matias Sandór", também esgotados. Será?

Consta que JOSÉ PIRES está a acertar com a Âncora para a edição em álbum de alguns dos seus trabalhos que têm saído no "Fandaventuras". Oxalá!...

​Em Viseu, talvez lá para Novembro, deverá haver uma exposição e a merecida homenagem pública, referente a LUÍS LOURO. Até que enfim!


CARLOS ALMEIDA ESTREOU-SE NO ROMANCE
Carlos Alberto Almeida é um dos enérgicos fundadores do GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu). Além de professor, é também poeta, pintor, cronista e, ainda, um entusiasta pela Banda Desenhada e pelo Teatro de Marionetas.
Com edição do próprio, estreou-se agora numa corajosa aposta no romance histórico: "Lafões, o Despontar de um Reino".
Um belíssimo trabalho, onde junta a lenda com uma intensa pesquisa histórica. Uma obra que merece bons aplausos e que, pelos leitores, certamente suscitará algumas salutares divergências.
A capa do livro é da autoria de seu filho Dani Almeida, por norma, ilustrador e desenhista-BD. A ambos, pai e filho, as nossas plenas felicitações.


ANIVERSÁRIOS EM AGOSTO


Dia 01 - Andrei Ariniuchkine (bielorrusso)

Dia 03 - Miguel Montenegro
Dia 06 - Manuel Caldas
Dia 08 - Derib (suíço), Lu Ming (mongol)
Rolf König (alemão)
Dia 10 - João Neves e Chistophe Blain (francês)
Dia 13 - Enrico Marini (italiano)
Dia 15 - Tozé Simões e Pedro Massano
Dia 17 - Álvaro
Dia 18 - Xabel Areces (espanhol)
Dia 27 - Nuno Saraiva
Dia 28 - Joann Sfar (francês)
LB

segunda-feira, 7 de junho de 2021

NOVIDADES EDITORIAIS (218)

BRISA DE MAR - ​Edição: Ala dos Livros. Autor: Hugo Pratt, e um belo e elucidativo prefácio por Jean-Claude Guilbert, que por insistência de Pratt, sempre serviu de modelo para o oficial polaco que é um dos principais da série.
Trata-se do terceiro tomo da empolgante obra "Os Escorpiões do Deserto", série que para nós, ultrapassa a das aventuras do tão popular "Corto Maltese".
Nesta sedutora série tudo é ferozmente escaldante: a zona onde decorre a narrativa, por exemplo, é no quase árido cantinho africano que é hoje a República do Djibuti, com a capital na cidade do mesmo nome. Mas nesse tempo (o da 2.ª Grande Guerra Mundial), também por estas zonas africanas, andavam todos ao "sopapo", olá se andavam: os nativos locais, os italianos, os alemães, os franceses das tendências de Pétain e de De Gaulle, os ingleses, os árabes e... e por aí adiante! Era um ver se te avias e um salve-se quem puder!
Por sua vez, "Brisa de Mar", era o nome de um popular bordel local...
Hugo Pratt passou por aqui, enquanto jovem. Daí o seu impecável registo com fantasia e com realismo nesta admirável série.
Obrigatório ler!


VAZIO - ​Edição Escorpião Azul. Autor: Carlos Páscoa.
O autor é mais um que nos surge da "forja-BD" de Beja. É bem valoroso e chamativo. Todavia, também nos confunde pelo inquietante vazio que nos apresenta. O vazio que nos indica, é árido e sufocante, não sendo uma situação de passagem... É, se bem pensarmos, uma realidade assustadora, quiçá constante.
O que é a multidão tresloucada? O que é estarmos em luta intensa e confusa com a nossa mente?
Parece que, hoje em dia, é bem amargo estar-se vivo!...



OS COVIDIOTAS - ​Edição: Ala dos Livros. Autor: Luís Louro. E um Prefácio de grande e importante leitura, pela Dr.ª Celeste Lopes Gonçalves.
Um álbum muito especial com o aplaudível sarcasmo do Luís Louro, que não necessita apresentações, pois já é, em absoluto, um grande da nossa Banda Desenhada.
Não há hipótese de qualquer tipo de fuga, pois a angústia e a desgraça, sempre nos cativaram para as paródias necessárias... Friso: paródias necessárias!
O nosso tão maltratado planeta Terra, entrou numa aflitiva linha de sobrevivência por causa de uma bizarra e inquietante pandemia (versão Século XXI)... Raio de situação!
Mas ao fim e ao cabo, as pandemias sempre existiram e fizeram 
estragos monumentais sobre a espécie humana que lá foi sobrevivendo até agora, mesmo também ante algumas condenáveis programações executadas pelo próprios humanos: o holocausto nazi, as explosões atómicas em Hiroxima e Nagasáqui, os sucessivos genocídios por aqui ou por ali... Tanta e tanta estonteante porcaria!
Talentosamente e com a sua plena ironia, o Luís Louro, neste álbum delirante, leva-nos a rir contra a amargura do dia-a-dia.
Magnífico e salutar optimismo!!


MESAJUL - ​Edição da Association de Bedephiles de Roumanie, 2021. Autores: argumento de Sandu Alexandru e arte do grande desenhista veterano Puiu Manu.
"Mesajul" ("A Mensagem", em português) é um bonito mini-álbum com uma terna temática pedagógica e ecologista.
Até poderia ter uma válida edição em português... Quem sabe?
LB

domingo, 4 de abril de 2021

CAPAS (18) - LUÍS LOURO


Luís Louro
Com o nome completo de Luís Alexandre Santos Louro, o tão admirado Luís Louro, nasceu em Lisboa a 14 de Junho de 1965. 
É - merecidamente - um dos mais notáveis desenhistas da nossa 9.ª Arte.
Tem o curso técnico de Meios Visuais pela Escola António Arroio (Lisboa). 
Altamente empenhado na BD, 
na Ilustração e na Fotografia (sobretudo animais selvagens), para além das narrativas em que é ele próprio autor absoluto, também tem trabalhado com alguns argumentistas (Rui Zink, João Miguel Lameiras, João Ramalho Santos, etc.), mas sobretudo com Tozé Simões, seu frequente parceiro por excelência. 
Luís Louro e Tozé Simões, encarnando Jim del Mónaco, numa fotomontagem
Fez vários álbuns de diversas séries, tendo também sido editado em Espanha (Ilhas Canárias). 
Já recebeu homenagens e/ou prémios, na Amadora, Sobreda, Lisboa, Braga, Beja... 
Cartaz de Luís Louro,
elaborado para a Sobreda BD/85
Foi o autor do belo cartaz da "Sobreda-BD/1985".
Suas obras mais famosas, a solo ou com argumentistas em parceria: "Jim del Monaco", "Roques e Folques", "O Corvo", "Cogito Ego Sum", ""Alice", "O Halo Casto", "Watchers", "Sentinel", "Fuhrer", "Game Over", "Estupiditia", "Eden 2.0", etc. 
Estreou o até então inédito "O Pesadelo" (sete pranchas) no n.º 89 (2013) da revista trimestral de Viseu "Anim'arte", uma livre adaptação de "A Metamorfose" de Franz Kafka, com guião de Tozé Simões. 
Tem participado em alguns álbuns colectivos. 
Está bem registado em "BD Gest", "Lambiek Comiclopedia" e "Bedeteca Portugal"...
​Eis algumas das suas capas.

                                                LB

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (210)

ALICE, 25 ANOS - ​Edição Ala dos Livros. Autor: Luís Louro.
Num gesto bem atento pela nossa Banda Desenhada, esta jovem e bem apostada editora fez agora duas edições especiais, em simultâneo, de "Alice", cada uma com a sua aparência específica.
Foi em 1995 que o nosso admirável Luís Louro criou o fenómeno que foi a série "Alice". Para além da série "Jim del Monaco", com o argumentista Tozé Simões, tão popular e sempre de apetecível leitura, o Luís Louro atreveu-se sozinho
(argumento e arte) com outras e ocasionais séries. Destas, "Alice", logo marcou um tremendo entusiasmo pela parte dos nossos bedéfilos. Uma imensa e delirante doideira, que bem merecia ter edições em francês, inglês, italiano e castelhano, pelo menos. Mas, até lá (não há impossíveis...), existe desde agora a comemorar os seus 25 anos esta especial e luxuosa edição, que inclui um belo e espectacular "poster". A não perder!
Parabenizando o nosso absoluto afecto à Ala dos Livros e ao Luís Louro: Força sempre!...


O GRITO DE MOLOCH - Edição Asa. Autores, segundo Edgar-Pierre Jacobs: argumento de Jean Dufaux, grafismo de Christian Caulleaux e Étienne Schreider, côr de Laurence Croix e tradução de Paula Caetano.
Ora cá temos um feliz regresso da série "Blake & Mortimer
", com o entusiasmo que sempre a todos agita.
Duas figuras mitológicas aqui são mencionadas com a sua força simbólica: Orfeu e Moloch (leia-se Moloque). Orfeu foi um grande encantador (em todos os sentidos) com a sua voz e na mestria divina como tocava a sua lira... Aqui, o seu nome
é aplicado às naves extraterrestres por decisão dos serviços secretos ingleses, enquanto Moloch, uma divindade implacável e infernal, é o nome que é dado ao extraterrestre "apanhado" pelos ingleses, uma vez que tais naves se encontravam no subsolo londrino. Apenas a sétima escapou temporariamente, com este Moloch a destruir tudo quanto baste!...
O famoso e complicado Orlik é a chave para resolver a crise. Será ele o salvador do mundo?... Que bizarro, que o álbum explica!...
Jean Dufaux esmerou-se num argumento fantástico onde há
referências e ligações a narrativas anteriores, como "O Segredo do Espadão", "O Mistério da Grande Pirâmide", "Marca Amarela" e/ou ​"A Onda Septimus". Com muita ficção-científica, aspectos de pavor e estranhas e tenebrosas complicações para a Humanidade em fatal perigo. Quase um sufoco!
Um empolgante e apaixonante álbum!


BLACK PROGRAM - 2 - Edição Gradiva. Autores, segundo a saudosa parceria de Greg e Vance, tem argumento de Laurent-Frédéric Bollée, traço de Philippe Aymond, côr de Didier Ray e tradução de Jorge Lima. Série: "As Novas Aventuras de Bruno Brazil".
Depois da primeira parte, ou seja, do tomo anterior, esperava-se em pleno pela continuação, que aí está agora. E muito bem!... 
A alucinação é quase absoluta e galvaniza-nos. Aos elementos que restam do heróico "Comando Caimão" (Bruno Brazil, Whip Rafale, Gaúcho Morales e Tony Nómada), o chefão Coronel L revela, para espanto total, que os EUA já há muito haviam poisado em Marte!!!...
Mas tão épico, fantástico e secretíssimo feito desencadeou umas terríveis consequências, donde uma situação de amarga loucura. Dos dois astronautas, um está a sobreviver artificialmente, quase como um sofredor zombie. O outro, tresloucou-se e é um ambicioso e feroz a programar-se para destruir a "ínfima" Terra e projecta-se para uma imperial conquista do Cosmos!... Tornou-se num bem perigoso doido varrido. Mas ele escapa-se para o imenso espaço...
A concluir este tomo, outro bizarro mistério: Bruno Brazil tem um filho, Adam, gerado com a sua terrível e agora incapacitada inimiga Rebelle!...
Como é?!... A série continua...


UM COWBOY NO NEGÓCIO DO ALGODÃO - ​Edição Asa. Autores, segundo Morris: argumento de Jul (aliás, Julien Berjaut) e arte de Achdé ( aliás, Hervé Darmenton). Uma hilariante aventura de Lucky Luke.
Imagine-se que este vaqueiro e justiceiro, que dispara mais rápido que a sua própria sombra, de repente, por inesperada herança (por testamento de uma rica e idosa admiradora) toma posse de uma imensa herdade!... E que herdade: extensos terrenos onde se cultiva o algodão, com um luxuoso palacete e uma infinidade de serviçais (ex-escravos) negros. Que loucura!
Ao princípio, os serviçais desconfiam dele, já que é um estranho branco que que veio do Oeste para a Luisiana, onde toda esta estranha fortuna se localiza.
Como e que fazer? O tão pândego cavalo Joly Jumper lá vai fazendo os seus notáveis comentários irónico-filosóficos. Mas há quem queira abater este tão inesperado herdeiro: os desastrosos irmão Dalton (claro!) ​e a sinistra Ku-Klux-Klan, que "esconde" os afrancesados e prepotentes ex-esclavagistas.
Um personagem autêntico aqui figura: Bass Reeves, amigo de Luke e que foi o primeiro "Marsall" negro, sendo um atirador de excepção e impecável incorruptível.
Interessante o encontro de Lucky Luke com os gaiatos rebeldes (da Literatura) Tom Sawyer e Huckleberry Finn, e de nomes alusivos à famosa jornalista Oprah Winfrey e ao presidente Barak Obama, enquanto miúdos sonhadores, e a certas palavras históricas de Martin Luther King...


AO SOM DO FADO - Edição Levoir. Autores: Nicolas Barral, com apoio nas cores de Marie Barral. Tradução de João Miguel Lameiras.
Uma obra que é bem emotiva e fenomenal. Com a conveniente ficção e o marcante registo de uma nossa História. Um álbum que, quando se começa a ler, não admite pausas. Lê-se de uma assentada, tal é a sua força que logo nos envolve.
E, sem dúvida, a grande vedeta desta belíssima novela gráfica é a cidade de Lisboa no seu todo, primorosamente registada pela arte do francês Nicolas Barral. Não é uma obra doce, pois, sempre de passagem, lá estão os registos de situações de amizade, dos amores, de amarguras políticas e, até, as frequentes figurações de um meigo e belo gato branco (porquê sem nome, ò Barral?!...) em 2020.
Mas há também todo um mal estar de violência da política salazarista, mesmo que o famigerado "Botas" já estivesse incapaz de governar, uma vez que o "destino" o fez cair de uma cadeira abaixo...
Esta obra, editada em português, foi publicada ainda em 2020, pois a versão original em francês só será editada em 2021. Que bênção!
Será que a convencida dona da nossa (salvo seja !) Ministra da Cultura (ai, é?!....), a "Senhora Fonseca dos Drink's" percebe alguma coisa destas realidades?
O argumento e a arte de Barral merecem plenos e totais aplausos e, sem qualquer dúvida, exigem que a obra seja lida.
LB

terça-feira, 14 de julho de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (198)

UNIVERSO NEGRO - ​Edição Escorpião Azul. Autores: Luís Louro (arte) e Tozé Simões (argumentos e prefácio).
Em muito boa hora esta jovem editora apostou na compilação das principais histórias curtas desta notável parceria, que estavam dispersas por várias publicações. Todas elas agora com cor, excepto a primeira: "Führer", "Estupiditia", "Fugitivos", "Alô Moon Fish", "O Pesadelo", "Voodo Dolly" e "Game Over".
Magnífica edição, apenas com dois reparos:
1 - A capa está demasiado escura, ofuscando a mesma que saiu no "Mundo de Aventuras" n.º 556, em 1985.
2 - "O Pesadelo", adaptação livre de "A Metamorfose" de Franz Kafka, teve estreia integral e a preto-e-branco, no n.º 89 (2013) da revista trimestral de Viseu, a "Anim'arte", pormenor que não está mencionado neste álbum.
De resto, tudo bem. Há que "agarrar" este álbum que bem se programa para esgotar.



ESTÓRIAS DA HISTÓRIA / 1 - Edição Ala dos Livros. Autores: textos de Jorge Magalhães, ilustrações e cor da capa por Augusto Trigo (com capa de Paula Catalão, paginação de Catherine Labey e posfácio por Maria José Pereira).
Foi uma bela e tocante surpresa ter recebido e lido (num ápice) este livro!
Por largos anos, eu (L.B.) e o Jorge, cultivámos uma fraterna amizade, tantas vezes cúmplice em ideias... Porém, não lhe conhecia esta sua vertente sobre temas históricos e/ou biográficos!... Descobri agora em "Estórias da História (volume 1), obra que me encantou plenamente.
Depois, o livro tem o magnífico "peso" das impecáveis ilustrações por Augusto Trigo, um desenhista que urge ser recuperado na plenitude da sua criatividade.
Pelo que se depreende, esta "Colecção JM" (Colecção Jorge Magalhães), não se ficará por este primeiro tomo. Ficamos todos à espera dos que se seguirão...
E sugere-se neste livro que há temas que podem resultar em BD, com o Trigo e/ou outros. Apoiamos em absoluto!
Até lá, um grande abraço à Ala dos Livros.




PANDORA / ÉTÉ 2020 - ​Edição Casterman. Autores: é uma infinidade deles, nos mais diversos estilos, que com esta edição de verão, se reúnem num verdadeiro catrapázio de duzentas e tal páginas.
De entre esses tantos: Max de Radiguès, Mattias Lehmann, François Ayroles, Hugues Micol, Morgan Navarro, Blutch, Aapo Rapi, Bastien Vivès, Jirô Taniguchi, etc.
É um vasto panorama que toca a todos os gostos, mas, confesse-se, algumas narrativas são marcadamente bocejantes.

LB

quarta-feira, 17 de junho de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (197)

INCONSCIÊNCIA TRANQUILA - Edição Ala dos Livros. Autor: Luís Louro.
Trabalhando a solo, Luís Louro apresenta-nos agora o quarto tomo da sua delirante série "O Corvo". Três personagens fundamentais: "O Corvo", a sua bicicleta inteligente "Robim" e a cidade de Lisboa numa fantástica visão futurista. Ah, existe também um vilão muito mau, muito mau e muito mau, que insiste em ser chamado de "Combustão"!...
E é a confusão agitada e maravilhosa que vai ​entusiasmando o leitor à medida que a narrativa se desenrola. Pormenor irónico: o "Corvo" tem inesperadas crises de diarreia porque as suas tripas dão-se mal com as chamuças, que ele adora devorar... Tudo muito escaldante.
O álbum tem um interessante prefácio pelo cineasta Leonel Vieira.
Bravo, Luís Louro!


SI MA TANTE EN AVAIT - ​Edição Casterman. Autor: Michaël Sanlaville.
A série do "comissário San-Antonio" surgiu pelos anos 50 do século passado, sob o entusiasmo de Frédéric Dard (1921-2000). Foi sofrendo altos e baixos, aplausos e decepções, no entanto, jamais se extinguindo. Esteve sujeita a várias edições e ao estilo de diversos responsáveis, incluindo o de Patrice Dard (filho de Frédéric), de Franz, etc. Na recente fase, é o francês Michaël Sanlaville, que tem a responsabilidade total do prosseguimento da série. E por aqui, este segundo tomo, "Si Ma Tante En Avait".
E é a grande balbúrdia, com muita acção (espionagem, crimes, pancadaria...), erotismo e frequentes momentos de muito humor. Com estes ingredientes, incluindo a arte de Sanlaville, é uma narrativa aparentemente ligeira, porém muito agradável de se ler.


CASEMATE / 135 - ​Esta grata revista francesa (mensal) esteve suspensa por vontade própria da direcção, devido à repugnante pandemia que ainda por aí paira, nos meses de Abril e Maio. Mas voltou em pleno no mês de Junho, cheia de temas e artigos com muito interesse, donde se salientam as seis páginas dedicadas a Albert Uderzo.


PEPPER E CARROT (Vol. 1) - Pepper e Carrot conta as histórias de uma jovem bruxa, a Pepper, e do seu gato Carrot. Em Hereva, um mundo de fantasia, com poções mágicas e criaturas fantásticas, onde vivem várias aventuras. Uma série de banda desenhada do artista francês David Revoy pelo selo editorial FA em edição de autor, uma chancela de Flávio C. Almeida que edita a publicação.
LB/CR