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sábado, 24 de agosto de 2013

PELO SALÃO "VISEU-BD / 2013"

Com uma pré-abertura na noite de 9 de Agosto (sexta-feira), a 18.ª edição do Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, foi oficialmente inaugurada na tarde de sábado, 10 de Agosto, e vai estar patente até ao dia 22 de Setembro.
E diga-se já, em boa verdade, que houve muito público a visitar este certame da 9.ª Arte, donde também, "gente famosa" ligada à BD, como os desenhistas Artur Correia, Baptista Mendes, António Guerreiro, João Amaral, Álvaro, Fernando Santos Costa, Miguel Rebelo, Pedro Emanuel e Daniel Almeida (estes quatro últimos são residentes na região), o italiano Andrea Venturi, os editores Maria José Pereira e Geraldes Lino, os coleccionadores António Amaral, Pedro Bouça, António Isidro e Rui Domingues, para além de José Carlos Francisco (representante em Portugal das edições Bonelli). Faltaram algumas celebridades que tiveram a franqueza de justificar as ausências devido à malfadada crise.
Uma pose histórica: o italiano Andrea Venturi, João Amaral, Geraldes Lino e Luiz Beira
Depois de uma visita guiada conduzida por Carlos Alberto Almeida (coordenador principal do Salão e elemento da direcção do GICAV), sucedeu a cerimónia de abertura.
Falou Luís Filipe Mendes (outro elemento fundador e da direcção do GICAV), depois o Presidente da Expovis, a Vereadora da Cultura da C.M. de Viseu e a seguir, Carlos Almeida conduziu o resto da cerimónia, vindo logo a dar a palavra a António Mata que apresentou Geraldes Lino (que então recebeu o Troféu Anim'arte), Luiz Beira que apresentou João Amaral (que também recebeu o Troféu Anim'arte) e José Carlos Francisco apresentou o artista estrangeiro convidado de honra, o italiano Andrea Venturi.
 
João Amaral e Geraldes Lino recebendo os Troféus "Animarte", respectivamente
das mãos da Dr.ª Ana Paula Santana (Vereadora da Cultura da CM Viseu)
e do Dr. Luís Filipe Mendes (do Gicav)
Por fim, seguiu-se a bem concorrida sessão de autógrafos (que mais animada seria ainda se por lá houvesse uma banca de venda de álbuns de BD...) por João Amaral, Andrea Venturi, Álvaro, Miguel Rebelo, Pedro Emanuel e Fernando Santos Costa.
Andrea Venturi, João Amaral e Álvaro numa animada sessão de autógrafos.
Indica-se que esta edição do "Viseu-BD /2013" foi organizada pelo GICAV com apoio directo da Expovis (entidade que regula a famosa Feira de S. Mateus, onde o certame está inserido), com mais algumas colaborações, donde a Inovinter e a Câmara Municipal de Moura.
Eça de Queiroz...
... e Willy Vandersteen, no salão de Viseu.
Uma das pranchas expostas de João Amaral
Quanto ao Salão em si, havia um imenso espaço, em duas partes, pleno de Banda Desenhada, talvez mesmo com algumas notariedades a mais... com débil justificação para o facto. Aqui, lamentamos mesmo que se tenha olvidado uma brevíssima evocação ao nosso grande artista José Batista (Jobat) português e falecido este ano, que teve em seu lugar a evocação dedicada a um outro grande artista, o belga Didier Comès, também falecido este ano. Aliás, este ano, já faleceram quatro grandes valores da BD: para além de Jobat e de Comès, também o belga Fred Funcken e o francês (de origem grega) Fred.
Mas, parece-nos que, em consciência, primeiro estão os nossos e depois os outros!...
Até 22 de Setembro, há tempo para uma bem merecida visita ao XVIII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, pois a próxima edição será só em 2015. Força, GICAV!
LB
Aspecto geral das exposições (com João Amaral ao centro da imagem).


A sessão de homenagens esteve bem composta de público.
De pé: António Guerreiro e José Carlos Francisco (do blogue português do Tex).
Sentados na segunda fila: Pedro Bouça, Rui Domingues e António Isidro.
Na fila da frente: Santos Costa, Maria José Pereira e António Amaral.

Dois desenhistas de Viseu, Pedro Emanuel e Miguel Rebelo, e
Cristina Amaral (esposa do homenageado João Amaral)
Olhem que três! Foto captada no jantar-convívio com os "figurões"
Fernando Santos Costa, Pedro Emanuel e (claro!) Luiz Beira
Baptista Mendes e Artur Correia, dois veteranos da nossa BD, também estiveram presentes em Viseu.

Deixamos aqui um agradecimento muito especial a Cristina Amaral e a Carlos Almeida pela cedência de algumas fotos incluídas neste post.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

ENTREVISTAS (9) - MARIA JOSÉ PEREIRA


 
TEM A PALAVRA O EDITOR-BD: MARIA JOSÉ PEREIRA
 
Não é a primeira vez que um dos coordenadores do BDBD (Luiz Beira) aborda esta vertente: entrevistar responsáveis das editoras de Banda Desenhada. Tal aconteceu, em tempos, no semanário de Beja "Alentejo Popular", na respectiva página "Através da Banda Desenhada", onde foram entrevistados José Manuel Vilela (Bonecos Rebeldes), Dr. Baptista Lopes (Âncora Editora) e Dr. José Luís Fonseca (Difusão Verbo). Hoje e aqui, é a vez da Drª. Maria José Pereira, das edições Asa (grupo Leya).
Enquanto o jornalista está na situação ingrata de se colocar "a meio da ponte", é necessária, de qualquer modo, a ligação entre as duas "margens", com o público numa e as editoras na outra. O leitor bedéfilo também deve ser esclarecido de aspectos que ignora... Aí vamos:
 
BDBD - Sabemos que não é a "dona" da Asa, mas é quem dá a cara e a voz, no que toca à Banda Desenhada... Assim pois, quem é mesmo que escolhe as obras BD que a Asa edita?
Maria José Pereira (MJP) - No seio do grupo Leya, as obras são apresentadas pelos respectivos editores a um Comité Editorial composto por vários elementos, nos quais se incluem o Director Comercial, o Director de Marketing, o Director Editorial (entre outros), que as analisa e aprova (ou não). É esse o método que é seguido, também no que respeita à BD.
 
BDBD - Daí, há glórias e há fiascos... Como se justifica a Asa por estes altos e baixos? Há algum critério para as escolhas?
MJP - Eu defendo que o emprego de adjectvos como "glórias" e "fiascos" deve ser contextualizado; estamos a referir-nos a quê? A uma análise da obra em si? A uma análise de exposição e de vendas? Se nos estamos a referir a obras em si, devemos ter em atenção "os olhos que analisam" ou seja, se os critérios seguidos são mais ou menos subjectivos. Feita esta separação, convenhamos que numa actividade comercial, que é uma actividade de risco, é normal que, em termos de vendas, hajam "glórias" e "fiascos". Na verdade, ninguém detém o segredo da poção mágica, e o que é uma excelente obra para uns pode não o ser para a maioria do público leitor.

BDBD - A nível da BD estrangeira, há apostas de alta qualidade que ainda não entraram nas escolhas da Asa. Alguma razão para este passar ao lado?
MJP - Penso que estamos novamente a falar de conceitos, no abstracto (risos). Mas sim, não podemos editar tudo...e editamos muito com uma qualidade da qual me orgulho.
 
BDBD - O álbum "Portugal" pelo Cyril Pedrosa, tal como as séries "Murena", "Blueberry" e as do Enrico Marini, são boas glórias, como exemplos soltos. Mas há muita insistência ou repetição, com Astérix, Lucky Luke, etc, com reedições ou publicações não propriamente como BD. Porquê?
MJP - Um editor não é um crítico, e a tarefa mais difícil é, quiçá, a de pôr de lado os seus gostos pessoais para se colocar no papel do público leitor. Eu não duvido que, se a Asa deixasse de editar Lucky Luke ou Astérix, muitos editores portugueses estariam em corrida para publicar estas colecções. Quanto às outras, talvez sim, talvez não. A pergunta é simples: para quem publicamos? O que quer o público leitor de BD?
 
 
BDBD - Como vê o aspecto de ser a Asa a quase única editora-BD em Portugal, a publicar com uma certa constância? Uma provável concorrência não seria salutar?
MJP - Trabalho na BD há cerca de 25 anos e sempre houve mais do que uma editora a publicar BD em Portugal. Quando eu estava na Meribérica, tínhamos a Asa, a D. Quixote com a "Mafalda", a Futura, a Verbo... e há a Devir, a BDMania, a Vitamina BD, a Tinta da China, a Bertrand, a Plátano... Aliás, assistimos este ano à entrada no mercado de novas editoras: Contraponto (do grupo Bertrand/Porto Editora), Levoir...
(e após uma brevíssima pausa)
Mas há ainda uma outra questão subjacente à edição e que se prende com a comercialização. Eu penso que a questão crucial é a comercialização e nesse aspecto, o que espero sinceramente, é que, unida, a "concorrência" consiga uma maior visibilidade à BD. Se isso não acontecer, temo sinceramente que a médio prazo, as editoras acabem por desistir de publicar BD e só existam no mercado livros importados. Pessoalmente, tenho a consciência de que me tenho preocupado não só em publicar, mas também em dar essa tal visibilidade que penso que é necessária.

BDBD - Louvamos que a Asa já esteja a apostar também na BD portuguesa. É ideia para continuar? Não esquecer os nossos valores veteranos...
MJP - Vai depender de muitos factores, incluindo a disponibilidade, para tal, dos autores portugueses. Reconheço que as tiragens são pequenas e que as vendas expectáveis não pagam o tempo (às vezes anos...) que os autores despendem na criação da obra. Penso que, também na BD, é urgente alargar mercados além-mar. E isso é um trabalho "monumental", pois a maior parte dos mercados é - e foi sempre - economicamente fechado à produção do exterior.

BDBD - Congéneres francófonas, em paralelo às suas normais edições, têm jogado bem com reedições de belos clássicos. A Asa fará esse mesmo e tão aplaudível gesto? Referimo-nos, por exemplo, aos esgotados, "Camões" por Carlos Alberto, "A Casa da Azenha" por Vítor Péon ou a "Inês de Castro" por Eugénio Silva... E há a lembrar ainda, belas obras que jamais apareceram em álbum, do Fernando Bento, do E.T. Coelho, do Fernandes Silva, etc. Certamente não seriam edições fiasco...
MJP - Eu creio que a reedição dos clássicos no estrangeiro é muitas vezes outra forma de rentabilizar as obras que já estavam pagas (fazem-se álbuns duplos, triplos, por ciclos...), dando nova "roupagem" a obras já publicadas. Das obras de autores portugueses que refere, não há nenhuma que se possa comparar ao que se verifica lá fora, pois não temos em "stock" o material, a legendagem, o contrato... Teríamos de encarar com os custos adjacentes a uma obra nova e não com a rentabilização de algo que já temos. Mas também concordo que há obras de autores portugueses que são incontornáveis.