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sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

NOVIDADES EDITORIAIS (245)

BOOTBLACK, INTEGRAL - Edição Ala dos Livros. Autor: Mikaël.
Maravilhosa e angustiante obra narrando o dia-a-dia sofredor e extenuante dos "miseráveis" que iam construindo a cidade de Nova Iorque.
Nestes construtores com muita esperança e poucas alegrias, em "Bootblack" (Engraxador de Botas), enfileiram imensos migrantes europeus, sobretudo italianos e irlandeses. Um terrível e real desafio constante dos pobres, ainda por cima
vigiados e chantageados por poderosos e mafiosos.
Uma notável obra a agitar as consciências aparentemente vaidosas e/ou apáticas.


JUDE - Edição Asa. Autor: Jean-Yves Dolitte. Tradução de Pedro Vidal.
Neste tomo, o penúltimo da série "U- Boot", adensa-se, cada vez mais, toda a situação de sufoco, mistério e estranhas mortes...
Breve série cuja leitura nos entusiasma plenamente.
Quanto mais avança a narrativa, mais avançam os mistérios interligados através de vários tempos "recentes" e de apaixonantes geografias com muita política a funcionar...


AS MIL E UMA NOITES - Edição RTP/Levoir. Autores "admitidos": argumento de Daniel Bardet, traço de Rachid Nawa e cores de Julien Ducaese. Tradução de Sandra Alvarez.
É uma abordagem relativa à famosíssima, digna e clássica obra da Literatura da antiga Pérsia (hoje, o fundamentalista Irão).
Muitos sabem deste título, mas poucos sabem da sua história. É assim: na histórica e deslumbrante Pérsia, terá existido um tarado rei, sultão ou coisa que o valha, que todas as noites exigia ter relações sexuais com uma bela donzela... Satisfeito ou não, a desgraçada era decapitada na manhã seguinte!... 
belíssima Xerazade, astuta, oferece-se para consolar o tontinho do sultão, mas antes pede-lhe para escutar as suas belas histórias... que foram funcionando durante mil e uma noites, pois, entretanto, o sultão (gordo e parvo) adormecia e, ao fim das mil e uma noites, finalmente morreu. Isto, reza a crónica geral desta admirável obra.
Sempre parcialmente, algumas das "noites" de Xerazade, têm sido adaptadas ao Cinema, ao Teatro e à Banda Desenhada. Neste álbum aqui citado, há apenas duas "noites". Porém, também parcialmente, o nosso saudoso Fernando Bento, teve o belo gesto e saber, de adaptar algumas dessas clássicas "noites"... Sabiam?
LB

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

NOVIDADES EDITORIAIS (243)

O MERGULHO - ​Edição Ala dos Livros. Autores: argumento de Séverine Vidal e arte de Victor L. Pinel. Tradução de Helena Romão.
É uma bem dramática e emocionante narrativa que aborda com arte, verdade e coragem, as bem sentidas angústias de uma octogenária, forçada a deixar de viver sozinha, onde se sentia bem livre e capaz, para ir viver num "lar para idosos"...
Horrível, até certo ponto!
Mas, Yvonne, a citada octogenária, não se rende facilmente e toma uma grande decisão... Qual? Pois façam o favor de ler este álbum!


QUO VADIS? - ​Edição RTP / Levoir. Autores, segundo Henryk Sienkiewicz: guião de Patrice Buendia, traço de Cafu e cores de Martin Martinez. Tradução de Sandra Alvarez.
Deste admirável escritor polaco que foi Prémio Nobel da Literatura em 1905, Henryk Sienkiewicz (1846-1916), Portugal quase nada sabe da sua obra e do seu valor...
Seu livro mais conhecido é, precisamente, este "Quo Vadis?"... Mas, em Portugal e em Espanha, uma outra encantadora narrativa foi adaptada à Banda Desenhada: "Através do Deserto", em Espanha por José Grau e em Portugal pelo saudoso José Garcês, que começou a ser publicada no "Cavaleiro Andante" nº 344. A própria Polónia, até há pouco tempo, não sabia destas duas belas adaptações!...
"Quo Vadis?" também passou ao Cinema, sendo a melhor versão, a de 1951, com realização de Mervyn Leroy e, nos principais papéis, com Robert Taylor, Deborah Kerr e Peter Usitinov. Neste filme, sem nome indicado na ficha técnico-artística, participou o forcado português Nuno Salvação Barreto, falecido a 17 de Dezembro de 1996, que substituiu o actor Buddy Baer, na arena, na luta contra um toiro.


VOLODYMYR ZELENSKY - ​Edição Asa. Autores: argumento de Michael Frizell e arte de Pablo Martinena. Tradução de Cristina Cruz. 
É a biografia em BD de Volodymyr Oleksandrovych Zelensky, o tão popular actor ucraniano que, vencendo eleições, se tornou presidente da Ucrânia.
Muito amado na sa pátria, tem estado heroicamente a confrontar-se contra a demência do líder russo Putin que tem provocado mortandades impensáveis através de invasões ignóbeis na Ucrânia.
LB

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

NOVIDADES EDITORIAIS (241)

20.000 LÉGUAS SUBMARINAS - ​Edição RTP /Levoir. Autores, segundo Jules Verne: argumento de Fabrizio Lo Bianco e arte de Francesco Lo Storto. Tradução de Sandra Alvarez.
Da vasta e maravilhosa obra de Jules Verne, três romances se destacam em popularidade paralela: "20.000 Léguas Submarinas", "A Volta ao Mundo em 80 Dias" e "Viagem ao Centro da Terra", todos eles várias vezes adaptados ao Cinema, Televisão e Banda Desenhada.
Será, porém, "20.000 Léguas Submarinas" que, pelo seu todo de aventura, mistérios e apostas científicas, nos toca em absoluto pelas situações que serão vividas pelo Professor Pierre Aronax, o seu dedicado serviçal Conseil e o bravo arpoador quebequense Ned Land e, claro, o enigmático Comandante Nemo que tudo programa do seu submarino "Nautilus"... 
Sob oceanos e mares, tanta maravilha nos é narrada pelo talento um tanto visionário de Jules Verne.


HERR HIMMEL - ​Edição Asa /jornal Público. Autor: Jean Yves Delitte. Tradução de Pedro Vidal.
"Herr Himmel" é o segundo tomo da imperdível série "U-Boot", submarino da Alemanha nazi que em fuga para a Argentina se vai atolar algures no brasileiro rio Amazonas.
Esta narrativa saltita por diversos anos, de 1945, 1956 e 2059...
Hitlerianos sobreviventes e investigadores de tempos posteriores, andam numa azáfama de furores diversos. E morrem bastantes intervenientes, berm mais que um vulgar "sheltox" abateria moscas e mosquitos...



ALGURES ENTRE AS SOMBRAS - ​Edição Ala dos Livros. Autores: Juan Diaz Canales (texto) e Juanjo Guarnido (arte). Tradução de Paula Caetano e Miguel Sacadura.
E registamos apenas (pois é quanto basta e entusiasma) o facto de voltarmos a apreciar a arte de Juanjo Guarnido e esse admirável personagem que é o "Blacksad".
Parabéns à tão atenta editora!



O CADERNO DA TANGERINA - ​Edição Escorpião Azul. Autora: Rita Alfaiate. Será o terceiro tomo da série "Tangerina", imaginada e criada pelas jovem lisboeta Rita Alfaiate.
Aspectos interessantes pelos sonhos de uma criança, que agradarão a leitores de todas as idades.
LB

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

NOVIDADES EDITORIAIS (229)

ASTÉRIX E O GRIFO - Edição Asa. Autores, segundo Goscinny e Uderzo: Jean-Yves Ferri, Didier Convard e Thierry Mébarki. Tradução de Maria José Pereira e Paula Caetano.
O grifo é um animal mitológico, lendário... às vezes perigoso e assustador, outras benéfico e protector, consoante as crenças dos povos. 
Júlio César toma conhecimento da sua provável existência e deseja-o para a sua colecção de troféus. E lá partem Astérix, Obélix, Panoramix e o Ideiafix, para as distantes e misteriosas zonas geladas do leste europeu e territórios asiáticos vizinhos, na busca do enigmático grifo. Em paralelo, também vai uma convencida força militar romana... 
E começam as mais divertidas trapalhadas, onde também participam as lendárias mulheres-guerreiras, as famosas Amazonas.
Porém, o grande herói acaba por ser o cachorrinho Ideiafix que se trava de animada amizade com os lobos, para grande aflição de Obélix.
Uma narrativa muito cómica e plena de surpresas.


AMOR DE PERDIÇÃO - Edição Levoir/RTP. Autores, segundo Camilo Castelo Branco: argumento de João Miguel Lameiras, arte de Miguel Jorge e cores de Patrícia Búzio e Catarina Quintas. E ainda, um dossiê final por João Paulo Braga, versando o autor do romance.
E nesta curta colecção, Camilo Castelo Branco teve muito mais sorte que o seu confrade Eça de Queiroz em relação a "Os Maias", que ficou desvalorizado na qualidade.
O infeliz Camilo tem imensa e valorosa obra, mas, praticamente, só o romance "Amor de Perdição" tem sido "agarrado" por diversas vezes, pelo Cinema, Televisão e Banda Desenhada. Coisas que acontecem, mas que não se aceitam de ânimo leve!
No nosso post, a 18 de Abril de 2015, aqui no BDBD, focamos a vida e obra de Camilo Castelo Branco. Tentem visitá-lo ou revisitá-lo, para melhor avivarem a memória. Por agora, um pleno aplauso por esta versão em BD com responsáveis portugueses, nossos. Bravo!


NÃO TERÁS OUTRO DEUS... - ​Edição Ala dos Livros. Autores: argumento e traço do francês Joann Sfar e apoio nas cores de Brigitte Findakly.
Com uma crítica acutilante e um corajoso humor, Sfar criou em tempos uma série que logo se tornou muito aplaudida, "O Gato do Rabino". Em Portugal foram editados os cinco primeiros tomos, publicados por outra editora que não a actual. Depois houve um "certo silêncio". Mas eis que agora, via Ala dos Livros, nos surge o sexto e tão esperdo álbum, "Não Terás Outro Deus Além de Mim".
No sarcasmo, na sátira e até mesmo na ternura que Sfar acentua nesta série, o herói central é um gato espantoso e crítico impecável dos humanos. Pois é: ele entende bem os humanos mas os humanos não o entendem devidamente...
É preciso conhecer os gatos e esta delirante série BD!


VOYAGE AU CENTRE DE LA TERRE - ​Edição Glénat. Autores, segundo Jules Verne: argumento de Curd Ridel, traço de Frédéric Garcia, cores de Jacky Robert, capa de Chris Regnault e dossiê final de François Bayle e Agrippine Virgoulon.
O francês Jules Verne e o italiano Emilio Salgari, rivalizaram-se escrevendo uma infinidade de romances de aventuras que, em devido tempo, entusiasmaram uma imensidão de leitores, sobretudo na Europa e outros países "marcadamente europeus" noutros continentes...
Contudo, se, de um modo geral, Salgari seguiu a linha da "aventura pela aventura" (cá por mim, LB, sempre preferi a série "Corsário Negro" à do "Sandokan"), Verne, que até certo ponto vogou na esteira do genial Leonardo Da Vinci, deste marcou nas suas obras aspectos científicos ou profetizantes que foram acontecendo nos futuros que foram chegando...
Cinco títulos, muito em especial, se destacam na vasta obra de Verne: "Vinte Mil Léguas Submarinas", "A Volta ao Mundo em Oitenta Dias", "Miguel Strogoff", "Da Terra à Lua" e "Viagem ao Centro da Terra".
Este último, o mais intrigante, é de quase (senão total) realização. Verne, nas suas apostas visionárias, sabia-o bem mas, mesmo assim, escreveu-o.
Neste romance há um factor que limita (ao que se saiba) qualquer vida: as terríveis e altíssimas temperaturas, onde tudo e todos se derretem ou ficam cinzas para sempre!

LB

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

NOVIDADES EDITORIAIS (228)

ROBINSON CRUSOÉ - ​Edição Levoir/RTP. Autores, segundo Daniel Defoe (1660- 1731): argumento de Christophe Lemoine e arte de Jean-Christophe Vergne. E um dossiê final por Nicole Gabet. Tradução de Júlio Cleto
Estabeleceu-se mundialmente que "Robinson Crusoé" foi o primeiro "náufrago" (pelo menos europeu) numa ilha deserta. Isto deriva do personagem fictício que Defoe criou, inspirando-se na aventura real do marinheiro escocês Alexander Selkirk que, voluntariamente, viveu de 1704 a 1709 no arquipélago das ilhas Juan Fernandez... 
O arquipélago situa-se a cerca de 600 quilómetros da costa chilena e tem a sua economia baseada na pesca da lagosta.
Teve tanto de fenomenal a história do personagem inventado por Defoe, que tal deu origem a que uma das ilhas recebesse o nome de Robinson Crusoé!... Mas é absolutamente falso que Selkirk (figura real) e Crusoé (figura de romance) tenham sido, qualquer deles, o primeiro solitário numa ilha deserta, neste caso, no Oceano Pacífico, pois cerca de dois séculos antes, houve mesmo um militar português que viveu tais agruras na ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico. Foi Fernão Lopes, homónimo do nosso famoso cronista. Aqui viveu cerca de 30 anos e pode ser, pois, considerado como o primeiro "Robinson Crusoé".
Teve durante muito tempo como único companheiro um galo preto que, ainda frango, caiu ao oceano e, espanejando-se, foi dar à costa da ilha. Fernão Lopes recolheu-o, tratou-o, tornando-se num fiel galo que o seguia como um cão amigo, a tal ponto que ambos figuram num selo da filatelia de Santa Helena. Na obra de Dafoe, em vez de um galo há um cão, também negro...
A ilha de Santa Helena foi descoberta em 1502 pelo navegador João da Nova. Era (e é!) território português, situação definida pelo Tratado de Tordesilhas a 4 de Junho de 1494, que estipulava que todas a ilhas descobertas ou a descobrir no Atlântico sul, seriam terras de Portugal. Ocupada até certo ponto pela Coroa Portuguesa, em 1673, num gesto hipócrita e sem vergonha, a Inglaterra invadiu o território e ainda hoje o ocupa como seu!... E Portugal, servilmente, acocora-se!...
Recentemente (a estrear em breve), a RTP produziu uma breve série com o actor Diogo Morgado no papel central, relatando a história deste nosso e autêntico "Robinson Crusoé". O que irá sair daqui?...
Esta versão em álbum-BD, é um tanto aceitável.


ENTÃO, TUDO CAI - ​Edição Ala dos Livros. Autores: argumento de Juan Diaz Canales e arte de Juanjo Guarnido. É a primeira parte de "Então, Tudo Cai", marcando o tão esperado regresso editorial versando as pesquisas do famoso "Blacksad".
Nesta situação de "bichos" em forma de gente, temos pelo menos dois heróis bem populares, mas em caminhos paralelos: o pato "Inspector Canardo", que surgiu em 1978 com autoria do belga Benoît Sokal, numa bem achada caricatura a personagens que foram interpretadas por Humphrey Bogart e por Peter Falk; e depois, o gato "Blacksad" (2000) pelo traço do espanhol Juanjo Guarnido.
"Blacksad" andava um tanto afastado, mas ei-lo que surge a entusiasmar-nos, em "Então, Tudo Cai", primeira parte de um díptico.
Aplausos plenos por esta bela ressurreição!

LB

domingo, 5 de setembro de 2021

NOVIDADES EDITORIAIS (223)

OS MAIAS - Edição Levoir /RTP. Autores: Eça de Queiroz, com adaptação/guião de José de Freitas e Canizales, arte do colombiano Harold Jiménez Canizales. E um precioso dossiê final por José Vieira.
Este álbum tão anunciado e tão adiado, surgiu finalmente no final de Agosto último. Apre, que tardou!
Um senão: a grafia de um nome jamais deve ser alterada. O apelido é Queiroz e não Queirós!... Tino, senhores editores! Não se muda levianamente o modo original como se escreve o nome, sobretudo quando não há o consentimento do visado.
Alguns dos seus contos foram adaptados à Banda Desenhada por Eduardo Teixeira Coelho ("A Aia", "O Defunto", "A Torre de D. Ramires", "O Tesouro" e "Suave Milagre"), por José Morim ("O Defunto") e por José Manuel Saraiva ("Singularidades de uma Rapariga Loira"). Dos seus romances, registavam-se até agora, apenas três, criados além-Atlântico (Brasil e Argentina), a saber: "A Relíquia" por Francisco Marcatti, "A Ilustre Casa de Ramires" por C. Raineri e "O Mandarim" por Enrique Vieyter. Agora temos finalmente "Os Maias", sob o grafismo peculiar de Canizales. Será que o exigente Eça de Queiroz iria gostar desta adaptação?...



INIMIGOS ÍNTIMOS - Edição Ala dos Livros. Autor: Luís Louro.
Aqui temos mais uma espectacular aventura de "O Corvo", por Luís Louro, magnífico como sempre. O sonhador herói, quase épico e um tanto desastrado, é um tão simpático personagem com duas vivências: de dia, ele é o banal "Vicente"; à noite, é o super-herói "O Corvo".
Mais: nunca sabe quem é e o que faz durante o dia!... Adora e devora chamuças, que lhe provocam umas intoleráveis azias.
Quem é o pior inimigo do "Corvo"? Ao que tudo indica, é apenas o seu acidentado passado que não o larga.
Façam o favor de ler este belo álbum e animem-se com a sua sedutora beleza.
Parabéns ao Luís Louro e à editora.


ALEXANDRE DUMAS, O DEMÓNIO NEGRO - ​Edição Serafim & Malaqueco, Inc. Colecção "Fandaventuras" (número especial). 
Autor: José Pires.
Este belo e biográfico álbum foi publicado em França em 2010. Tardava em português!... Nosso estimado amigo José Pires, lá cedeu finalmente a publicá-lo no nosso idioma. Parabéns!
Antes de se ler o álbum, pelo título que apressadamente notamos, logo surge um precipitado engano: idealiza-se ​o Alexandre Dumas, Pai ("Os Três Mosqueteiros", "Vinte Anos Depois", "A Tulipa Negra", "O Conde de Monte Cristo", "O Homem da Máscara de Ferro", etc.) ou o Alexandre Dumas, Filho ("A Dama das Camélias", etc.). Mas não é nenhum destes, antes um antecessor (Alexandre Dumas, "Avô"), que foi um bem notável e destemido militar francês. A BD também nos ensina e esclarece!...
Muito obrigado, José Pires, por esta tua achega à nossa cultura e pela beleza da obra. A tiragem foi muito curta (apenas 40 exemplares!). Os interessados deverão contactar com o autor, para: gussy.pires@sapo.pt


HOMEM-GRILO & SIDERALMAN - Edição: FA. Autores: Cadú Simões e Will. 
Agora o Homem-Grilo e o Sideralman encontram-se no mesmo universo, trazendo um crossover entre os dois super-heróis.
O Homem-Grilo & Sideralman mostra os super-heróis às voltas com vários dos seus inimigos, numa aventura com muita ação, lutas, explosões, pancadaria, humor... ou talvez não!
Além disso, também uma aventura do Cricket Rider, a versão tokusatsu, manga ou mangá (como queiram teimar) do Homem-Grilo.
Disponível em várias lojas e plataformas on-line,
 em formato físico e digital. Pontos de venda em: https://fabd.weon.pt/
LB/CR

domingo, 22 de agosto de 2021

NOVIDADES EDITORIAIS (222)

O FOGO SAGRADO - Edição Ala dos Livros. Autor: Vicente Segrelles.
Quando, neste nosso/vosso blogue, a 10 de Maio e a propósito das "Capas" pelo catalão Vicente Segrelles, sugerimos a necessária reedição da maravilhosa série "O Mercenário", estávamos bem longe de imaginar que a atenta Ala dos Livros já a estava a preparar... Que bela aposta!
E já aí está o primeiro tomo, "O Fogo Sagrado". Parabéns, Ala dos Livros!
Que os nossos autênticos bedéfilos se desafiem agora na "ressureição" do heróico "Mercenário"... 
E atenção absoluta ao dossiê que encerra este tomo.


BOB MORANE, INTÉGRALE 17 - ​Edição Lombard. Autores: argumentos de Henri Vernes e arte de Felicisimo Coria.
Nesta imperdível série de integrais de Bob Morane", juntam-se agora quatro tomos que foram editados, a seu tempo e isoladamente: "Les Dents du Tigre" (partes 1 e 2), "El Matador" e "Sur la Piste de Fawcett".
Tudo bem? Então toca a ler e a coleccionar com entusiasmo estas belas reedições.


NOTRE DAME DE PARIS - ​Edição Levoir/RTP, Autores, segundo Victor Hugo, tem adaptação e guião de Claude Carré e arte de Jean-Marie Michaut. Tradução de Pedro Cleto.
"Notre Dame de Paris " (Nossa Senhora de Paris), tem a celebridade de ser considerada a maior obra deste grande escritor francês, o senhor Vicror Hugo ("Ignez de Castro", "O Último Dia de um Condenado à Morte", "Hernani", "Ruy Blas", "O Homem Que Ri", "Os Miseráveis", "Lucrécia Bórgia", etc).
"Nossa Senhora de Paris", que em certas versões na BD e no Cinema leva o título de "O Corcunda de Notre Dame", é uma belíssima novela romântica, porem bem amarga e trágica. Nos amores sofridos que aqui se desenrolam, conta-se com a bela e sensual cigana "Esmeralda" e o disforme "Quasimodo"...
Victor Hugo foi genial nesta obra, mas esta versão-BD, digamos, é apenas aceitável.


A ARANHA - ​Edição Escorpião Azul. Autor: Carlos Pais.
"A Aranha" é uma estranha (e assustadora ?) narrativa, com dois bizarros personagens: o jovem inquieto "Pigmalião" e uma misteriosa aranha, que também vive sozinha e se interroga...
É toda uma invulgar fábula, toda marcada numa linha simbólica, com poucas palavras, mas muitas interrogações.
Dir-se-ia que tudo é docemente assustador, como as aranhas são bem assustadoras para muito boa gente...
O bedéfilo corajoso que se aventure nesta leitura.
LB

quinta-feira, 8 de julho de 2021

NOVIDADES EDITORIAIS (220)

ORWELL - ​Edição Ala dos Livros. Autores: Pierre Christin e Sebastien Verdier e pontuais colaborações de alguns famosos, como André Juillard, Blutch, Juanjo Guarnido, Enki Bilal e outros.
Esta monumental edição relata a vida do famosíssimo britânico George Orwell (aliás, Eric Arthur Blair), que também chegou a assinar como John Freeman. Nasceu na então Índia Inglesa, a 25 de Junho de 1903 e faleceu perto de Londres a 21 de Janeiro de 1950.
Aventureiro por excelência e bem viajado, fez de tudo um pouco na vida, mas a sua notável celebridade firma-se e afirma-se pelo seu jornalismo e pelos livros que escreveu. Destes, os mais célebres são "O Triunfo dos Porcos" (Animal Farm), que é uma implacável denúncia às ditaduras, e o terrível, sufocante e visionário "1984" ou "O Grande Irmão" (Nineteen Eighty-Fourt), do qual resultou e belo e angustiante filme homónimo com John Hurt e Richard Burton, em 1984, com realização de Michael Radford.
Este belíssimo álbum-BD exige uma atenta e obrigatória leitura.


AS ÁGUIAS DE SANGUE - ​Edição Gradiva. Autores​: com base na famosa série "Alix" criada por Jacques Martin, tem agora Valérie Mangin no argumento e Thierry Démarez na arte gráfica. Tradução de Jorge Lima. "As Águias de Sangue" é o primeiro tomo da série paralela alixiana "Alix Senator".
Estávamos a ver que esta belíssima série ia passar ao lado no nosso panorama editorial, mas, em boa hora, ela aí está por gesto empenhado e consciente da Gradiva, que desde já felicitamos.
Para quem não domina o idioma francês, agora já pode ler e coleccionar esta poderosa série na língua portuguesa. E com os nossos plenos aplausos!
Roma, se bem que sempre bela, devassa e colo de constantes intrigas de sexo e de política (com assassinatos) tem "agora" como imperador Octávio Augusto.....
"Alix" está agora na casa dos cinquenta e é senador. Educa seu filho "Tito" e "Khefren", filho do príncipe egípcio "Enak" (que não aparece neste tomo).
Estranhamente, águias treinadas e com garras envoltas em lâminas de oiro, provocam mortes. Porquê e por quem?!...
É esse bizarro e inquietante mistério que "Alix" vai ter de resolver...


OLIVER TWIST - ​Edição RTP/Levoir. Autores: segundo Charles Dickens, em argumento de Philippe Chanoinat e arte de David Cerqueira. Conta ainda com um dossiê final de Danielle Brouzet. A tradução é de Pedro Cleto.
Será talvez o mais belo e comovente romance de Dickens, uma denúncia frontal aos maus tratos que sofriam os órfãos, que eram bem usados e explorados em trabalhos condenáveis. O sofredor garoto Oliver acabará por encontrar um lar feliz...
Várias vezes adaptado a BD e ao Cinema, pois por esta 7.ª Arte chama-se a atenção para o musical "Oliver!", realizado por Carol Reed, em 1968, onde brilha de todo o elenco, o actor Ron Moody (1924-2015) no papel de "Fagin"...

LB

sábado, 29 de maio de 2021

NOVIDADES EDITORIAIS (217)

DUELOS - ​Edição Asa. Autores, desta nova série criada por Jean Graton: argumento de Denis Lapière, arte de Benjamin Benéteau e Vincent Dutreuil, cores de Antoine Lapasset e capa por Bruno Tatti. Tradução de Ana Cristina Gonçalves.
Michel Vaillant, herói da série com o seu nome, é valoroso nos desportos automobilísticos, com algumas aventuras passadas em terras portuguesas. 
Dos 70 álbuns da primeira série, sete não foram editados no nosso país(!!). Depois, e ainda com Graton vivo, surgiu uma nova série (já com nove tomos), com outros responsáveis criativos.
A família "Vaillant" é, aparentemente, muito unida e orgulhosa dos seus triunfos e do seu património. Principais personagens: Élisabeth e Henri Vaillant (os pais de Michel); Jean-Pierre, irmão de Michel, que supostamente se suicidou e que tem um filho já adulto, Jean-Michel, que colabora com o tio campeão; por sua vez, Michel e Françoise, têm um filho, às vezes caprichoso, de nome Patrick.
No recente álbum, "Duelos", com algumas cenas no Minho português, tudo se centra na disputa pelo pódio do rali mundial. Há um jovem e ambicioso parceiro de Michel, David Farid (que, pelo seu apelido, tudo indica que, apesar de francês, é de origem magrebina). Ao longo da narrativa, Michel Vaillant, vai perceber que o seu adversário não é nenhum dos concorrentes, mas sim o próprio Farid, que o quer "arrumar"!... Mas tudo acabará bem, como soe dizer-se. Por sua vez, o "velhote" Henri Vaillant, cansado e doente, toma a decisão de legar o seu responsável cargo a alguém de alta confiança e, para surpresa de todos, a escolha recai sobre a sua nora Françoise...
Um senão nesta nova série: os personagens fundamentais, Michel Vaillant e o seu amigo norte-americano Steve Warson, e até mesmo Henri Vaillant, aparecem incrivelmente rejuvenescidos, o que lhes retira a devida credibilidade. Bizarria ou incapacidade devida dos novos desenhistas?
De resto, quanto ao argumento, segue de perto a linha melodramática habitual num aceitável acerto.
Esta "nova série" vai continuar.


DOM QUIXOTE - ​Edição RTP/Levoir. Autores, segundo Miguel de Cervantes: adaptação e guião de Philippe Chanoinat e Djan e arte de David Pellet. A capa, no original francês, seria de Chris Regnault, que foi abandalhada na versão portuguesa!...
Desta edição, com tradução de Pedro Cleto, damos o apoio que o "herói" e Cervantes bem merecem, fazendo notar que o álbum foi lançado em Portugal a 23 de Abril, ou seja, no Dia Mundial do Livro.
Recordamos, para devidos efeitos, que o BDBD, publicou a 25 de Novembro de 2016, um post a ler ou a reler aqui, sob o título "Evocando Miguel de Cervantes"...
LB

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (210)

ALICE, 25 ANOS - ​Edição Ala dos Livros. Autor: Luís Louro.
Num gesto bem atento pela nossa Banda Desenhada, esta jovem e bem apostada editora fez agora duas edições especiais, em simultâneo, de "Alice", cada uma com a sua aparência específica.
Foi em 1995 que o nosso admirável Luís Louro criou o fenómeno que foi a série "Alice". Para além da série "Jim del Monaco", com o argumentista Tozé Simões, tão popular e sempre de apetecível leitura, o Luís Louro atreveu-se sozinho
(argumento e arte) com outras e ocasionais séries. Destas, "Alice", logo marcou um tremendo entusiasmo pela parte dos nossos bedéfilos. Uma imensa e delirante doideira, que bem merecia ter edições em francês, inglês, italiano e castelhano, pelo menos. Mas, até lá (não há impossíveis...), existe desde agora a comemorar os seus 25 anos esta especial e luxuosa edição, que inclui um belo e espectacular "poster". A não perder!
Parabenizando o nosso absoluto afecto à Ala dos Livros e ao Luís Louro: Força sempre!...


O GRITO DE MOLOCH - Edição Asa. Autores, segundo Edgar-Pierre Jacobs: argumento de Jean Dufaux, grafismo de Christian Caulleaux e Étienne Schreider, côr de Laurence Croix e tradução de Paula Caetano.
Ora cá temos um feliz regresso da série "Blake & Mortimer
", com o entusiasmo que sempre a todos agita.
Duas figuras mitológicas aqui são mencionadas com a sua força simbólica: Orfeu e Moloch (leia-se Moloque). Orfeu foi um grande encantador (em todos os sentidos) com a sua voz e na mestria divina como tocava a sua lira... Aqui, o seu nome
é aplicado às naves extraterrestres por decisão dos serviços secretos ingleses, enquanto Moloch, uma divindade implacável e infernal, é o nome que é dado ao extraterrestre "apanhado" pelos ingleses, uma vez que tais naves se encontravam no subsolo londrino. Apenas a sétima escapou temporariamente, com este Moloch a destruir tudo quanto baste!...
O famoso e complicado Orlik é a chave para resolver a crise. Será ele o salvador do mundo?... Que bizarro, que o álbum explica!...
Jean Dufaux esmerou-se num argumento fantástico onde há
referências e ligações a narrativas anteriores, como "O Segredo do Espadão", "O Mistério da Grande Pirâmide", "Marca Amarela" e/ou ​"A Onda Septimus". Com muita ficção-científica, aspectos de pavor e estranhas e tenebrosas complicações para a Humanidade em fatal perigo. Quase um sufoco!
Um empolgante e apaixonante álbum!


BLACK PROGRAM - 2 - Edição Gradiva. Autores, segundo a saudosa parceria de Greg e Vance, tem argumento de Laurent-Frédéric Bollée, traço de Philippe Aymond, côr de Didier Ray e tradução de Jorge Lima. Série: "As Novas Aventuras de Bruno Brazil".
Depois da primeira parte, ou seja, do tomo anterior, esperava-se em pleno pela continuação, que aí está agora. E muito bem!... 
A alucinação é quase absoluta e galvaniza-nos. Aos elementos que restam do heróico "Comando Caimão" (Bruno Brazil, Whip Rafale, Gaúcho Morales e Tony Nómada), o chefão Coronel L revela, para espanto total, que os EUA já há muito haviam poisado em Marte!!!...
Mas tão épico, fantástico e secretíssimo feito desencadeou umas terríveis consequências, donde uma situação de amarga loucura. Dos dois astronautas, um está a sobreviver artificialmente, quase como um sofredor zombie. O outro, tresloucou-se e é um ambicioso e feroz a programar-se para destruir a "ínfima" Terra e projecta-se para uma imperial conquista do Cosmos!... Tornou-se num bem perigoso doido varrido. Mas ele escapa-se para o imenso espaço...
A concluir este tomo, outro bizarro mistério: Bruno Brazil tem um filho, Adam, gerado com a sua terrível e agora incapacitada inimiga Rebelle!...
Como é?!... A série continua...


UM COWBOY NO NEGÓCIO DO ALGODÃO - ​Edição Asa. Autores, segundo Morris: argumento de Jul (aliás, Julien Berjaut) e arte de Achdé ( aliás, Hervé Darmenton). Uma hilariante aventura de Lucky Luke.
Imagine-se que este vaqueiro e justiceiro, que dispara mais rápido que a sua própria sombra, de repente, por inesperada herança (por testamento de uma rica e idosa admiradora) toma posse de uma imensa herdade!... E que herdade: extensos terrenos onde se cultiva o algodão, com um luxuoso palacete e uma infinidade de serviçais (ex-escravos) negros. Que loucura!
Ao princípio, os serviçais desconfiam dele, já que é um estranho branco que que veio do Oeste para a Luisiana, onde toda esta estranha fortuna se localiza.
Como e que fazer? O tão pândego cavalo Joly Jumper lá vai fazendo os seus notáveis comentários irónico-filosóficos. Mas há quem queira abater este tão inesperado herdeiro: os desastrosos irmão Dalton (claro!) ​e a sinistra Ku-Klux-Klan, que "esconde" os afrancesados e prepotentes ex-esclavagistas.
Um personagem autêntico aqui figura: Bass Reeves, amigo de Luke e que foi o primeiro "Marsall" negro, sendo um atirador de excepção e impecável incorruptível.
Interessante o encontro de Lucky Luke com os gaiatos rebeldes (da Literatura) Tom Sawyer e Huckleberry Finn, e de nomes alusivos à famosa jornalista Oprah Winfrey e ao presidente Barak Obama, enquanto miúdos sonhadores, e a certas palavras históricas de Martin Luther King...


AO SOM DO FADO - Edição Levoir. Autores: Nicolas Barral, com apoio nas cores de Marie Barral. Tradução de João Miguel Lameiras.
Uma obra que é bem emotiva e fenomenal. Com a conveniente ficção e o marcante registo de uma nossa História. Um álbum que, quando se começa a ler, não admite pausas. Lê-se de uma assentada, tal é a sua força que logo nos envolve.
E, sem dúvida, a grande vedeta desta belíssima novela gráfica é a cidade de Lisboa no seu todo, primorosamente registada pela arte do francês Nicolas Barral. Não é uma obra doce, pois, sempre de passagem, lá estão os registos de situações de amizade, dos amores, de amarguras políticas e, até, as frequentes figurações de um meigo e belo gato branco (porquê sem nome, ò Barral?!...) em 2020.
Mas há também todo um mal estar de violência da política salazarista, mesmo que o famigerado "Botas" já estivesse incapaz de governar, uma vez que o "destino" o fez cair de uma cadeira abaixo...
Esta obra, editada em português, foi publicada ainda em 2020, pois a versão original em francês só será editada em 2021. Que bênção!
Será que a convencida dona da nossa (salvo seja !) Ministra da Cultura (ai, é?!....), a "Senhora Fonseca dos Drink's" percebe alguma coisa destas realidades?
O argumento e a arte de Barral merecem plenos e totais aplausos e, sem qualquer dúvida, exigem que a obra seja lida.
LB

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (209)

L'ESCLAVE DE KHORSABAD - ​Edição Casterman. Autores, segundo Jacques Martin: argumento de Valérie Mangin, traço de Thierry Démarez e cores de Jean-Jacques Chagnaud. É o décimo primeiro tomo da extraordinária série "Alix Senator", ainda inédita em Portugal.
Para desanuviar a sua constante tristeza pela morte de dois entes queridos, o filho de Enak e Lídia, a sua paixão, Alix volta ao Médio Oriente... Um regresso ao seu distante passado na Assíria, melhor ainda, à velha cidade de Khorsabad, fundada por Sargão II, onde chegou a ser um jovem escravo. Tem um fito: recuperar a espada de seu pai, que aí morreu na batalha de Carrhes.
Porém, este seu "turismo" sai-lhe caro: é aprisionado pelo ganancioso rei dos Partos, os actuais donos da região. Em novo cativeiro, encontra dois jovens companheiros/cúmplices: o belicoso assírio Monasés (que se parece com Enak quando jovem) e a sacerdotisa egípcia Tefnut...
Esta narrativa terá conclusão no próximo tomo, "Le Disque de Osiris".


VALHARDI, L'INTÉGRALE 6 - ​Edição Dupuis. Autores: são vários nos textos biográficos e/ou nos argumentos. Pela arte gráfica, o belga René Follet, nascido em Bruxelas a 10 de Abril de 1931 e falecido neste tão amargo 2020, a 14 de Março.
Este tomo 6 é o derradeiro de toda a bela e tão entusiasmante série "Valhardi", que foi desenhada por Jijé, por Eddy Paape e, por fim, por René Follet.
Este tomo final é bem fundamental para quem é admirador deste herói-série, pois inclui as narrativas: "Le Dossier X", "Le Naufrageur Aux Yeux Vides" e "Un Gosse à Abattre". Para além disso, há um dossiê histórico de abertura e, ainda, a biografia de René Follet e a sinopse de "Le Huitième Indice" (que, parece, nunca foi desenhada).
Jean Valhardi será sempre um respeitável e admirável herói-BD, na bela linha clássica, para um qualquer bedéfilo que se preze. Para quando toda esta série em português?...



CHURCHILL -2 - ​Edição Gradiva. Autores: textos de Vincent Delmas, François Kersandy e Christophe Regnault, arte de Alessio Cammardella, cor de Alessia Nocera e tradução de Maria de Fátima Carmo.
É a conclusão do díptico biográfico versando, mais ou menos, a vida e o empenho político de Winston Churchill.
Altamente notável pela salvação de uma Europa em angustiante crise, num dos seus inflamados discursos, terá dito: "Se Hitler invadisse o Inferno, eu apoiaria o Diabo!".
Neste segundo tomo, a obra termina com a fantástica aclamação do povo inglês ao seu líder. Tudo bem, mas falta o resto da sua vida daí para diante, donde, por exemplo, os doze dias que ele viveu na nossa ilha da Madeira (1950), no Funchal e em Câmara de Lobos. Para esta ilha, ele e a família, foram convidados de um hotel de luxo local. Aproveitou esses doze dias para se entregar a uma das suas paixões: a Pintura. Mas, claro, sempre cultivou a sua ternura pelos animais, sobretudo, os gatos.


ODISSEIA - ​Edição Levoir/RTP. Autores: segundo o clássico do grego Homero, tem adaptação e argumento de Christophe Lemoine (francês) e arte de Miguel Lalor Imbiriba (brasileiro) e, um dossiê final e explicativo por Gilles Thierriat e tradução pelo nosso prezado correlegionário Pedro Cleto.
Ninguém reparou (ou tal não quis), mas o herói desta invejável obra clássica, "A Odisseia", que já figurava em "A Ilíada", é aqui usado com o nome que os Romanos lhe deram... O admirável e tão heróico como sofrido rei da Ítaca, de seu nome autêntico e original, é Odisseus e daqui, a "Odisseia". Tal como "A Iliada" vem da cidade de Ílion (Tróia) e, posteriormente, "A Eneida" deriva do escapado Eneias...
Investiguem, meus amigos, investiguem!...
LB

sábado, 24 de outubro de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (205)

LE DIEU SANS NOM - Edição Casterman. Autores, segundo o herói-série "Alix" criado por Jacques Martin: argumento do francês David B. (aliás, Pierre-François Beauchard) e arte pelo italiano Georgio Albertini.
O saudoso Jacques Martin jamais proibiu, antes pelo contrário, que as suas séries se finassem após a sua morte. E aqui temos o 39.º tomo da admirável série "Alix".
"Le Dieu Sans No" (O Deus Sem Nome), pelas suas características bem nos faz lembrar o deus Ares (dos Gregos) ou Marte (dos Romanos). É o deus da guerra, da morte, da impiedade e até, aqui, do canibalismo. O povo é outro: misterioso e feroz, os Androfágios, vivem e actuam no leste europeu, pelas zonas das estepes incógnitas... É com esta sanguinária e repugnante gentalha que Alix e Enak, vão tentar resolver um pedido político de César e, ao mesmo tempo, escaparem-se com vida.
Sem deixar de ter o encanto que a série implica, é um dos episódios mais intensos e violentos. E há algo de novo que aqui se regista: os íntimos amigos, Alix e Enak, por vários momentos, estão recalcitrantes um com o outro!... E neste mesmo mundo de sufoco e estranho, há três personagens femininos que marcam posição: Calisto e Personne (já existentes no álbum anterior "Veni, Vidi, Vici") e agora também, uma guerreira do povo Sarmata que parece apaixonada por Alix, o que provoca uma ciumeira mal disfarçada da parte de Enak...


ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS - ​Edição RTP/Levoir. Autores: segundo o famoso romance homónimo de Lewis Carroll, tem argumento de David Chauvel e arte de Xavier Collette. E ainda, um dossiê final de Jean-Luc d'Asciano, e tradução de Pedro Cleto.
Ainda me lembro de ver na Televisão, quando da recente Feira do Livro de Lisboa, uma brevíssima entrevista com o Dr. Gonçalo Reis (um dos dirigentes actuais da RTP), todo entusiasmado a propagandear esta bela colecção, "Cassicos da Literatura na Banda Desenhada". No entanto, tem umas capas abaixo do horroroso, com umas letras garrafais a citar o autor do romance e o título da obra, apagando quase que totalmente, os desenhos das respectivas capas. Isto não se faz!...
Quanto a esta adaptação à Banda Desenhada, não é a primeira, pois há inúmeras versões. Esta, de Xavier Collette, é muito aceitável. Mas, porém, todavia, contudo... a mais bela que até hoje lemos, foi criada pelo nosso genial e saudoso Fernandes Silva, tendo sido publicada em 1952, logo a partir do n.º 1 da revista "Cavaleiro Andante". E no entanto, nenhuma das nossas editoras a publicou em álbum, o que se pode traduzir por bizarra traição.
Quem imaginou e aprovou esta merdelice de capas para uma colecção tão digna?... Repito: que capas tão pavorosas!



CASEMATE #139 - É o exemplar correspondente a Outubro-2020. Como sempre, esta bela revista mensal, publica muitas coisas boas para deleite dos bedéfilos.
A começar, com chamada na capa, de um importante artigo com entrevista a Romain Hugault, versando o piloto aviador e tão enternecedor escritor que foi Antoine de Saint Exupéry, onde se anuncia pelas Editions Paquet, o álbum "St Ex".
Salienta-se também uma reportagem por Raymond Pellicer, como resultado da sua actuação como jornalista a bordo do porta-aviões "Charles De Gaulle". Há também uma entrevista com Jul e das suas razões (e de Achdé) de inventarem um divertido álbum de "Lucky Luke" na Luisiana, em plena época da escravatura... Demarca-se igualmente neste exemplar, o anúncio do próximo salão BD BOUM, ou seja, a 37.ª edição do Festival de Blois, a decorrer de 20 a 22 de Novembro deste ano.
LB

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (177)

ROSWELL - ​Edição Delcourt. Autores: argumento de Jean-Pierre Pécau, arte gráfica de Igor Kordey e cores de Anubis(!!).
Curiosamente, Anúbis, é um dos principais deuses da Mitologia Egípcia…
​"Roswell" é o 35.º tomo da tão apaixonante como especulativa série "L'Histoire Secrète", cuja respectiva intriga vai prosseguir…
​No início de Julho de 1947, um disco voador caiu no Novo México, perto da localidade de Roswell… e o coronel William Blanchard, da Força Aérea Norte-Americana, após investigação e actuação na zona, anunciou que havia recuperado um disco voador!... E logo nasceu (e prossegue) a balbúrdia de informações, contra-informações, atitudes ambíguas e estranhos secretismos.
Nesta obra-BD, Jean-Pierre Pécau atreve-se a ir mais longe (com a maravilhosa arte do croata Kordey), pois por aqui junta o episódio real do OVNI caído, a Mitologia Egípcia, a mal escondida e secreta Área 51, as teorias de "iluminados" escritores como Carlos Castañeda e René Guénon…
É uma intensa e maravilhosa amálgama de sedutoras teorias.
Serão mesmo só teorias?!...E o que é que os Arcontes, criados pelo deus Thot, andam a fazer e a querer lucrar nesta confusão espantosa?


O TESOURO DO CISNE NEGRO - Edição Levoir, em parceria com o diário "Público". Autores: argumento de Guillermo Corral e arte gráfica de Paco Roca, obra que recebeu em 2018, o Prémio Splash Sagunt. Este álbum pertence à série "Novela Gráfica" (5.ª fase).
Com base num escaldante processo político-jurídico entre o Reino de Espanha e os Estados Unidos da América do Norte, o romancista-argumentista Corral, logicamente, mascarou levemente alguns aspectos: a nau espanhola "Merced " (Nuestra Señora de las Mercedes) que vinha da América do Sul para Espanha, aqui chama-se "Cisne Negro"; pelos ingleses, foi criminosamente bombardeada e afundada, perto de Gibraltar, não em águas internacionais, mas portuguesas…
Depois, ávidos procuradores a abarbatadores de tesoiros de naus no fundo dos mares (norte-americanos, claro!), não pertencem à mencionada "Ithaca", mas à autêntica "Odyssey".
Pior que uma legião de "Tios Patinhas", a nada se poupam para roubar o que a outros pertence… Dólares e dólares, não é assim que tudo importa?!…
Este álbum tem um importante texto de apresentação pelo arqueólogo náutico Alexandre Monteiro.




LES MALÉFICES DE MEDÉE - ​Edição Glénat. Autores, segundo o atento e incansável projecto de Luc Ferry, tem argumento de Clotilde Bruneau, arte de Alexandre Jubran, cores de Scarlett Smulkowski e capa de Fred Vignaux.
Álbum da sedutora e cultural série "La Sagesse des Mythes", que ás vezes, é de tomo único (one shot), mas este é o terceiro (teoricamente o último) do episódio "Jason et la Toison d'Or".
Vamos a uma boa leitura? Cultura não ocupa lugar, mas consola muitíssimo!

LB

quarta-feira, 31 de julho de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (174)

PROMETEU E A CAIXA DE PANDORA - ​Edição Gradiva. Autores: Luc Ferry (coordenador e autor do dossiê histórico), Clotilde Bruneau (guionista), Didier Poli ("story board"), Giuseppe Baiguera (traço), Simon Champelovier (cores),
Fred Vignaux (capa) e Maria de Fátima Carmo (tradução).
Em "Breves (72)" do nosso post de 24/Julho, espevitámos a curiosidade e o interesse dos bedéfilos, anunciando que a série coordenada por Luc Ferry ia aparecer em português. Aí está o primeiro álbum de "A Sabedoria dos Mitos"!
É uma colecção-série magnífica, preciosa, fortemente cultural, diremos, de luxo. À editora Gradiva, os nossos quase infindáveis aplausos por ter tomado esta brilhante iniciativa. Para além de Luc Ferry, Clotilde Bruneau e Giuseppe Baiguera, são os nomes de mais destaque em toda esta equipa.
Zeus, com a sua "divina" família, reina tranquilo (porém, prepotente e quiçá, cruel) no Olimpo. Tudo está em paz e em ordem. No entanto, o tédio vai incomodando os deuses. Para o quebrar, Zeus ordena que o titã Prometeu crie vida, sobretudo o ser humano. Porém, Prometeu, amigo da Humanidade, dá a esta o fogo e as técnicas das artes. Zeus não tolerou esta leviandade, pois previa que os homens, embebidos pela húbris (ou hibris), ambicionassem desmedidamente igualar-se aos deuses… E decretou um sinistro castigo eterno a Prometeu.
E inventou também uma caixa (ou ânfora) que é entregue à enigmática Pandora, caixa essa que jamais deveria ser aberta… A sua curiosidade feminina foi mais forte: abriu a caixa e de lá se soltaram todos os males e pragas que se espalharam pelo mundo…
Luc Ferry, no seu belo texto, baseia-se nos escritos, com interpretações diferentes, de Hesíodo, Ésquilo e Platão. Cada leitor tirará as suas pessoais conclusões…
"A Sabedoria dos Mitos" é uma série de leitura e colecção obrigatórias!


O RASTO DE GARCIA LORCA - ​Edição Levoir, em parceria com o jornal "Público". Autores: ​Carlos Hernandez (que, em 2011, esteve presente na 17.ª edição do salão Moura BD) e Juan Torres. Prefácio de Pilar del Rio e ​Mercedes de Pablo. Tradução de Carlos Xavier.
​Ao abordar-se o genial e humaníssimo Federico Garcia Lorca, seja em que vertente for, parece que já tudo foi dito e ​que nada foi autenticamente dito…

Nasceu em Fuente ​Vaqueros (Granada) a 5 de Junho de 1898 e foi assassinado ​(fuzilado?!…), também em Granada, a 18 de Agosto de 1936.
​A sua morte continua um mistério absoluto, pois não se sabe quem o assassinou e porque motivo tal foi imbecilmente ​feito!!!... Tão pouco se sabe onde está enterrado!...
Há muitas ​teorias onde cada um "puxa a brasa à sua sardinha", mas ​nenhuma conclui todo este enigma sem deixar a mínima ​dúvida, pois são teorias mais ou menos convenientes. Este belo álbum-BD, editado originalmente pela Norma Editorial em 2011, mostra-nos uma dessas teorias.
Em 2018, surgiu outro similar álbum-BD (inédito em Portugal), "Vida y Muerte de Federico Garcia Lorca", com texto de Ian Gibson e arte gráfica de Quique Palomo. No Cinema, destaca-se "Morte em Granada", realizado em 1996 pelo porto-riquenho Marcos Zurinaga e com o actor cubano Andy Garcia no principal papel; o respectivo DVD já foi editado em Portugal.
Garcia Lorca foi (e é) extraordinário poeta (poesia sua está editada em português, traduzida por Eugénio de Andrade e por José Bento) e dramaturgo, cujas peças têm sido postas em palco por todo o mundo: "As Bodas de Sangue", "Yerma", "A Casa de Bernarda Alba", "Dona Rosinha, a Solteira", 
"A Sapateira Prodigiosa", etc.
Há quem afirme que foi assassinado por razões politicas, em plena Guerra Civil de Espanha, pois era claramente um homem de Esquerda, sem nunca se confirmar como comunista. Que estranho, pois Lorca tinha bons e poderosos amigos de ambos os lados da "barricada"! É preciso saber-se esta verdade!...
Outras versões, apontam o seu assassinato ante o facto de Lorca ser homossexual assumido, o que era um "incómodo" para a Espanha conservadora e católica de então… Todo o mistério continua!
Lorca conviveu com Luis Buñuel, Salvador Dali, Pablo Picasso e outros notáveis dessa época cultural. Viajou pelos Estados Unidos, Cuba e Argentina. Foi também um exímio pianista e cantante.
​Terminando este apontamento sobre o álbum "O Rasto de Garcia Lorca
", um dos seus pensamentos: "Olha à direita e à esquerda do tempo, e que o teu coração aprenda a estar tranquilo".



TINTIN E A LUA - ​Edição Asa (do Grupo Leya). Autor: Hergé. Tradução de ​Maria José Pereira e Paula Caetano.
​Comemorando os cinquenta anos da chegada à Lua por astronautas norte-americanos na Missão Apolo 11, a Asa teve o belo gesto de reeditar, agora num só álbum, "Tintin e a Lua", as duas aventuras do popular Tintin, na sua ida e volta ao nosso satélite natural: "Rumo à Lua " (Objectif Lune) e "Explorando a Lua " (On a Marché Sur la Lune).
​Tintin e alguns dos seus habituais parceiros (Comandante Haddock, o cachorrito Milu, o Prof. Girassol e os pândegos ​e trapalhões detectives Dupond e Dupont), chegam e ​poisam e caminham pela Lua, QUINZE anos antes dos ​verdadeiros astronautas tal tenham feito. Nesta ideia, imaginem apenas, Hergé, mesmo involuntariamente, acabou por ser um misto de Nostradamus, Leonardo da Vinci e Jules Verne!
Consta, na contracapa deste álbum, uma curiosa frase que Hergé escreveu: " À força de acreditar nos seus sonhos, o homem converte-os em realidade". Que bela mensagem!...
Estas duas espantosas aventuras, duas das mais belas e conseguidas de Tintin, galvanizaram doidamente os leitores quando, semanalmente, começaram a ser publicadas na revista "Cavaleiro Andante". Bons anos mais tarde, foram
publicadas em álbuns separados, primeiro pela Verbo e depois, pela Asa. Estas versões, estarão (a priori) esgotadas, pelo que este recente gesto da ASA, merece os mais quentes aplausos.
Atenção bedéfilos tintinófilos: esta é uma edição a não perder!

LB