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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

UMA OBRA... VÁRIOS ESTILOS (5) - ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Há por aí - tem havido através dos tempos - quem julgue que “Alice no País das Maravilhas”, é uma obra literária para crianças... Que insensatez! Que triste é tanta incapacidade de tantos adultos que jamais perceberam ou percebem o feroz sarcasmo de Carroll, quando escreveu genialmente este impiedoso texto onde ridiculariza políticas e sociedades.
Quando o vulgo que por esta vida se arrasta não percebe patavina que o Astérix e a Mafalda (exemplos soltos) não são séries que tenham a ver com as criancinhas... Pois, pois!
Ora vamos a alguns (certamente existirão muitos mais) exemplos desta obra na Banda Desenhada.
Nomes/talentos mais notáveis: para além de Alex Blum e do nosso Fernandes Silva, sinalizamos Jun Abe, François Amoretti, a brasileira Erica Awano, Rebecca Dautremer, e um álbum colectivo francófono, onde são notórios os traços de Dany e de Turk, assinando como Daluc (em parceria com Dupa) e Turbo (em parceria com De Groot).
“Alice no País das Maravilhas” é a obra de honra do escritor inglês Charles Lutwidge Dagson, conhecido pelo seu pseudónimo Lewis Carroll, nascido a 27 de Janeiro de 1832 (cumprem-se hoje, precisamente, 184 anos!) e falecido a 14 de Janeiro de 1898.
Muito e muito se pode apreciar e discutir ante as belas adaptações à 9.ª Arte de “Alice no País das Maravilhas”... É ao gosto, fácil ou não, de cada um!...
Por nossa parte, temos como “pontos altos” algumas versões, a saber:

ALEX BLUM, em “Classics Illustrated” #49, e depois no Brasll, em “Edição Maravilhosa” #30 (1950).
  


WALT DISNEY - Os Estúdios Disney (que, durante anos, nunca creditavam os nomes dos verdadeiros autores das histórias), publicou na revista "Mickey Mouse" uma versão em banda desenhada, sendo que a primeira prancha foi publicada praticamente em simultâneo com a estreia, nas salas de cinema, do filme animado "Alice in Wonderland", que os mesmos Estúdios produziram.


CHIQUI DE LA FUENTE - Este prolífico autor espanhol, que passou à BD inúmeros clássicos da literatura infanto-juvenil (alguns deles publicados no nosso país) trabalhou também, como não poderia deixar de ser, este tema com guião dele próprio (embora na primeira prancha apareça o pseudónimo "José Luís").



FERNANDES SILVA, esse especial e quase olvidado artista nosso (autor do famoso herói-BD “O Ponto”, que criou para a revista “Cavaleiro Andante”, logo a partir do #1) realizou uma das mais belas, quiçá a melhor de todas, adaptações à BD deste clássico literário.
Incrível que nenhuma editora portuguesa se tenha interessado por este assunto!... Continuamos a desrespeitar os nossos talentos, o nosso público bedéfilo e a nossa Cultura, só pensando nos cifrões a aboletar facilmente...
Curiosamente, no telejornal da SIC, a 21 de Abril de 2015, numa reportagem cultural de Portugal em Macau, escutámos uma pertinente afirmação do Dr. Pedro Machado, Presidente da Câmara Municipal de Lousada: "Com a Cultura não se gasta dinheiro. Com a Cultura, investe-se".


DALUC E TURBO (ou sejam, Dany, Greg, Bob De Groot, Dupa e Turk), num álbum colectivo, publicado em 1973, pelas edições Lombard, reeditado em 1987 pela M.C. Productions. Teve também uma edição em português, pela SEL, em 1980. 
Capa e prancha da primeira versão (Lombard, 1973)...

...e capa da segunda versão (M.C. Productions, 1987)

DAVID CHAUVEL E XAVIER COULLETTE, numa edição lançada em 2010 pela Drugstore e incluída na colecção "Romances Gráficos".



Rodapé - Cerca de uma dezena de adaptações para o Cinema/TV têm sido feitas desta famosa obra de Lewis Carroll. Indicam-se alguns exemplos: o primeiro foi realizado em 1933 por Norman Z. McLeod e o último (até ver) em 2010 por Tim Burton. Na Animação e pelas Produções Walt Disney, em 1951, aconteceu o filme realizado por vários, como Clyde Geronimi e Wilfred Jackson.
Também Jesus Blasco ilustrou, sem ser em Banda Desenhada, uma edição espanhola de “Alice no País das Maravilhas”.

Nosso agradecimento a Carlos Gonçalves pelo seu amigo apoio.
LB

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

NOVIDADES EDITORIAIS (26)

LE VOYAGE DU SAGITTAIRE - Com edição Delcourt, "Le Voyage du Sagittaire", é o nono tomo da tão interessante quão intrigante série "Zodiaque". Como norma nesta série, o argumento é de Corbeyran e a capa de Thomas Ehretsmann. O grafismo, desta vez, é do italiano Luca Malisan.
Curiosamente, este é o álbum onde o personagem central se conota acentuadamente com as características astrológicas do signo a que pertence, simbolizado pelo centauro: não bastando ter o apelido Chevalier (Cavaleiro), Vincent gosta de andar a cavalo, de praticar tiro ao arco, tem o poder de voltar atrás no tempo e o de curar os males dos outros. Mas não todos: não cura a morte, pois uma morte salva implica outra no seu lugar...
Aqui se trata da narrativa de uma tragédia amorosa, bem capaz de causar as devidas emoções aos leitores.

OSÍRIS - É o primeiro tomo de uma das séries curtas (até agora, apenas três álbuns), "Kéos", imaginadas por mestre Jacques Martin e aqui, com o notável grafismo de Jean Pleyers.
Tudo se passa no Antigo Egipto, com os seus enigmas e as suas irresistíveis seduções. Uma bela visita ao passado, com a História recontada com alguns pontos de vista (ou interpretações) pessoais de Martin. A ler!
A edição é da catalã NetCom2 Editorial, que recentemente passou a publicar também em português a BD franco-belga, para colocação de vendas em Portugal e no Brasil. Aplausos!

LA GUERRE DES BOULONS - Em Maio de 1968, o saudoso Dupa (aliás, Luc Dupanloup), criou a série bem divertida "Cubitus", esse gordo canino, tão matreiro como asneirento e sentimental. A série chama-se agora "Les Nouvelles Aventures de Cubitus", sendo "La Guerre des Boulons" o oitavo tomo.
Com edição Lombard, tem argumento de Erroc (aliás, Giles Corre) e traço de Michel Rodrigue.
Alguns outros personagens têm entrado na série, donde, e desde o princípio, Semáforo (o "dono" e companheirão humano), o gato Senechal (ora adversário ora aliado de Cubitus) e outros mais, como os que participam neste álbum: o caracol Médor e o anãozinho de barro de jardim, Helmut.
Ora toca lá a soltar essas gargalhadas!

MEXICO'N CARNE - Com edição Lombard, "Mexico'n Carne", é o terceiro tomo da série "Narcos", com argumento de Emmanuel Herzet e traço de Giuseppe Liotti.
Violenta e impiedosa, a série relata-nos as aventuras de dois agentes secretos, Enrico Riva e Matthew Deadrick.
Aparentemente rivais e com modos paralelos de actuação, estão porém juntos no combate à produção e ao tráfico da droga exportada a partir de certos países da América Latina, como o México e a Colômbia.

ULM.1805 - A 20 de Outubro de 1805, Napoleão Bonaparte, aceitou a rendição das 23 mil tropas austríacas comandadas pelo infeliz general Karl Mack. Este esperou em vão o apoio das aliadas tropas russas sob o comando de Mikhail Kutuzov... As tropas francesas tinham em coligação, forças militares da Baviera. Napoleão contava ainda com os seus notáveis generais, como Ney, Loison, Murat, Soult, Saint-Cyr, Massena, Lannes... Estratega por excelência, organizou bem as escaramuças de "diversão" para confundir os austríacos, vindo tudo a culminar com a rendição em Ulm. Mas tudo isso teve a inteligente e ardilosa actuação do cidadão Karl Ludwig Schulmeister (1770-1853), totalmente devotado a Napoleão, pelo que é cognominado de "o espião do Imperador".
Pela Joker Éditions, o álbum "Ulm.1805", é o primeiro tomo da série "L'Espion de l'Empereur", com argumento do francês Bruno Falba e grafismo do sérvio Sibin Slavkovic, onde se narram as acções deste notável personagem a soldo de Napoleão Bonaparte. Obviamente, aconselhamos a leitura desta série.