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terça-feira, 13 de setembro de 2022

HERÓIS INESQUECÍVEIS (81) - JHEN

Este herói-BD nasceu em 1978, com argumento de Jacques Martin e arte de Jean Pleyers. Inicialmente, chamava-se Xan Larc, publicado pelas edições Lombard com dois tomos: "L'Or et la Mort" (1984) e "Jehanne de France" (1985).
Cedo passou para a editora Casterman, agora como Jhen Roque, nos quais estão as reedições dos dois primeiros tomos, mas agora com o novo e definitivo nome.
Herói de ficção, destemido e generoso, é arquitecto de profissão. Mesmo assim, contracena com personagens reais da História: Joana d'Arc (1412-1431), Carlos VII de França (1403-1461) e com o tão controverso condestável Gilles de Rais (1404-1440). Este último, de quem Jhen era amigo pessoal, tinha tanto de valente militar como um lado negro e
quase incontrolável: era pedófilo, quase sempre em relação a rapazes.
Raptava crianças que eram abusadas por ele e depois mortas e queimadas.
Jhen, tantas vezes tentou trazê-lo para os bons caminhos, mas a tara de Rais era indomável!... Consta que as suas vítimas terão atingido as centenas de casos. 
Um clérigo dominicano denunciou-o e Gilles foi preso e condenado à morte, mesmo ante os esforços do seu amigo Jhen, que bem tentou salvá-lo da execução, mas em vão...
Para além de Jean Pleyers, a série tem alguns tomos que foram desenhados por Thierry Cayman e por Paul Teng.
Admirável série e magnifico retrato da época e da região, não tem, até agora, algum álbum em português! Que pena!...
Talvez um dia... Sabe-se lá!
LB













Jacques Martin e Jean Pleyers, os criadores de Jhen

sábado, 5 de março de 2022

​NOVIDADES EDITORIAIS (233)

L'OEIL DU MINOTAURE - ​Edição Casterman. Autores, segundo Jacques Martin: argumento de Valérie Mangin e arte de Chrys Millien.
Servilia, amante de Júlio César e mãe de Brutus, está a sofrer terrivelmente, pois foi envenenada e vai morrendo lentamente. Mas César acha que o veneno, contido numa pérola negra maléfica, era para ele. Foi um mercador grego quem lho vendeu... Então, envia até à Grécia e no seu encalço, Alix e Enak, que vão acompanhados por Brutus.
Esta perigosa viagem vai arrastá-los até Creta, onde existe o famoso labirinto, habitado pelo lendário e feroz Minotauro...


AREIA VERMELHA - ​Edição Gradiva. Autores: Philippe Xavier e Matz no argumento, sendo o traço também de Philippe Xavier e as cores por Jean-Jacques Chagnaud. A tradução é de Jorge Lima. 
Trata-se do segundo tomo da série "Tango".
John "Tango" vai visitar o seu avô que vive num pequeno e paradisíaco ilhéu nas Caraíbas. Acompanha-o o seu amigo Mário, um ex-polícia. Porém, tal ilhéu, nada tem de paradisíaco, pois é cobiçado por um grupo de traficantes de droga. E o sangue vai tingir as sedutoras areias brancas da pequena ilha.
De notar, a admirável arte de Philippe Xavier.


JEANNE DES ARMOISES - ​Edição Casterman. Autores, segundo Jacqes Martin: argumento de Jean Pleyers, traço de Néjib (aliás, Néjib Belhadj Káceem) e cores por Corinne Pleyers.
Na impiedosa Idade Média vão acontecendo factos pouco sensatos e surgem personagens nem sempre correctos. Funcionam execuções e assassinatos...
Uma jovem que veste uma amadura de combate é salva pelo condestável Gilles de Rais das garras de uns merceários sob o comando do sinistro Rodrigue de Villandrano... Ela diz ao seu salvador que é Jeanne d'Arc, a donzela de Orléans... Gilles desconfia e só se convence quando ela lhe revela um terrível segredo que só ela e Gilles conheciam...
O condestável confia Jeanne à guarda e protecção do seu amigo, o arquitecto Jhen Roque que, a pouco e pouco, lá vai acreditando na história que a donzela lhe conta.
Mas sera mesmo Jeanne d'Arc? Como conseguiu ela escapar da execução na fogueira decretada pelos ingleses?

LB

terça-feira, 30 de abril de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (169)

EUROPA BENZILOR DESENATE - ​Edição Editura Pavcon. Autor: Dumitru-Dodo Nitá.
​Mais uma vez o nosso amigo romeno Dodo Nitá nos surpreendeu com esta preciosa obra que nos transporta com pleno entusiasmo pela Banda Desenhada da Europa.
​E, como era de esperar, não faltam capítulos específicos em relação a Portugal: os salões-BD da Sobreda, de Viseu ​e de Beja, a Bedeteca de Lisboa e Paulo Monteiro (o grande ​líder do Festival de Beja, que já tem obra editada na Roménia).
​Em notáveis passagens, também são mencionados os Salões ​da Amadora, de Moura e do Porto.
Quanto a desenhistas, dos ​quais alguns conheceu pessoalmente nas diversas vezes que ​veio até nós, ou outros dos quais apreciou trabalhos expostos, ​indica Eduardo Teixeira Coelho, Fernando Bento, ​José Ruy, Eugénio Silva, Artur Correia, Mara Mendes, Carlos ​Rico, Vítor Péon, Pedro Massano, Hugo Teixeira, Baptista ​Mendes, João Amaral, Luís Louro, Miguel Montenegro, Susa ​Monteiro, entre outros. E regista ainda outras entidades da BD ​Portuguesa, como: Jorge Magalhães, Geraldes Lino, Jartur ​Mamede, A. Dias de Deus, Luiz Beira e Leonardo de Sá.
​Recorda-se que Dodo Nitá, que é o organizador do grande festival anual de BD na Roménia, já aí expôs trabalhos de ​Fernando Bento, José Ruy e Artur Correia, entre outros; e ​que numa dessas edições, fez uma grande exposição dedicada ​a Eugénio Silva.
​Obrigado, Dodo Nitá!


LE PROCÈS DE GILLES DE RAIS - ​Edição Casterman. Autores, segundo Jacques Martin, grafismo ​de Jean Pleyers, argumento de Néjib Kacem e cores de Corinne ​Pleyers. É o 17.º tomo da escaldante série "Jhen", ainda inédita em Portugal.
Neste tomo se narra o processo e a execução de Gilles de Rais, bravo marechal do exército francês na Guerra dos Cem Anos, tendo combatido ao lado de Jeanne d'Arc, de quem era amigo.
Mas este destemido e implacável herói, tinha tanto de valente como foi autor de abomináveis e cruéis actos… Era doentiamente pedófilo e, depois de abusar das crianças, ela eram mortas e quase sempre queimadas. Seu amigo Jhen, sempre o tentou trazer ao bom caminho, mas em vão.
Gilles de Rais é apanhado pela justiça, com todo o ódio da Igreja Católica: não só pelas centenas de crianças de que abusou e matou, como também é acusado por ter insultado e agredido um bispo e que pactuava com o Diabo. Sem apelo nem agravo, é condenado à forca e a ser queimado vivo, o que aconteceu em Nantes a 26 de Outubro de 1440. Nesta história, seu fiel amigo Jhen (personagem fictício) não teve qualquer hipótese de salvar o herói e criminoso da execução decretada.


LE PHARE - Edição Mosquito. Autor: Joan Boix. Surpreendente e belo álbum a preto-e-branco com a arte de mestre do catalão Joan Boix.
São doze  histórias curtas narradas por Jonathan Struppy. É um velho faroleiro que vive absolutamente só no seu farol, agarrando-se ao seu cachimbo, ao rum e a reler a vasta biblioteca onde se regista toda a história da sua família com notáveis lobos do mar. Jonathan, frustrado, é o único que nunca navegou. Sente que a sua vida está a chegar ao fim, com a certeza que com ele termina a saga da família Struppy, pois não tem descendentes.
Nestes relatos de aventuras no mar sedutor, em várias abordagens, a intervenção do insólito e do fantástico.
"Le Phare " (O Farol), é uma obra a não perder, de jeito nenhum.


ENSAIO SOBRE A INCOERÊNCIA ESTILÍSTICA - Edição Escorpião Azul, em parceria com o Clube Português de Banda Desenhada. Autora: Rita Alfaiate.
"Banda Desenhada, Ensaio Sobre a Incoerência Estilística" é um livro especial, baseado no estudo aturado que a autora fez, e que serviu de alicerce quase total da tese do seu mestrado na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Um trabalho louvável e, quiçá, discutível.
LB

sábado, 20 de fevereiro de 2016

TALENTOS DA NOSSA EUROPA (1) - JEAN PLEYERS (Bélgica)

Nota prévia
Aqui começa hoje um novo tema do BDBD, "Talentos da Nossa Europa" (não exclusiva à confusa União Europeia), donde excluiremos os valores portugueses (que a NOSSA Europa vai do português Cabo da Roca aos russos Montes Urais e da república-ilha da Islândia à república-ilha de Malta), porque os nossos estão sempre constantes nos nossos horizontes e nas nossas apostas concretas. Esclarecidos?
Nestes talentos europeus, focaremos valores-BD que, em certos e maioritários casos, são quase nada conhecidos ou publicados em Portugal, por absoluta miopia das nossas editoras-BD... Queixem-se agora!
Aí vamos com a nossa primeira escolha, que nesta primeira fase, comportará vinte talentos.



Jean Pleyers 
JEAN PLEYERS (Bélgica)
Nascido na cidade belga de Verviers a 27 de Junho de 1943, é um  talento admirável e digno seguidor do estilo de seu mestre, o francês Jacques Martin.
É justamente famoso e digno de admiração pela sua já extensa obra produzida e não só pela sua linha “martiniana”...
Cresceu num mundo artístico: seu pai era escultor e sua mãe era música. Ele, por sua vez, instruiu-se na cidade de Liège, tão famosa pelas suas Artes.
E começou muito cedo a sua aventura entusiasta pela Ilustração e pela Banda Desenhada, com as oportunidades de se ir sempre publicando aqui ou ali, sempre atento a melhorar-se e nuns constantes aperfeiçoamentos.
Um dia, já com obra feita e demonstrada, mestre Jacques Martin reparou nele e encarregou-o de desenhar a série “Jhen” (chamada “Xan” na primeira versão dos dois primeiros tomos), um herói (arquitecto italiano) em plena Idade Média europeia. A série (incrivelmente não apostada pelas editoras portuguesas!), já tem mais de uma dezena da álbuns, com uma maioria desenhada por Pleyers.

Por sua vez, na série pedagógica paralela “As Viagens de Jhen”, apenas um tem ilustrações de Pleyers, o oitavo: “Gilles de Rais”. Justamente,o famoso Gilles de Rais, que foi um tenebroso personagem nos três primeiros tomos desta série (da qual já existe um integral...em francês): De Rais, é figura real, foi amigo pessoal de Joana d’Arc, um condestável heróico e também amigo pessoal do ficcionado Jhen Roque, mas também um cruel e tenebroso pedófilo. Uma realidade terrivelmente amarga, mas histórica!...


Mas Jan Pleyers tem mais obra valorosa.
Ainda sob o “clima Jacques Martin”, apostou-se na série “Keos” (por ora, apenas com três tomos), localizado no entusiasmante Antigo Egipto.



Todavia e mesmo assim, há  outras “loucuras maravilhosas” pela arte de Jean Pleyers:
- “Les Êtres de Lumières”, em dois tomos (“L’Exode” e “Le Péril Extrazorien”), como autor total e versando a ficção-científica.




- “Giovanni”, uma bela e atrevida série “medieval” em três tomos. Olá, se é atrevida!...
 
 

- “Les Crânes de Cristal” é, até agora, o único tomo da série de ficção e insólito, sob o nome de “Salt”. Continuará?...


Quem tem a coragem e o bom senso de editar Jean Pleyers em Portugal?
LB