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domingo, 31 de março de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (167)

EDMOND - Edição Rue de Sèvres. Autor: Léonard Chemineau, numa adaptação da peça teatral de Alexis Michalik. Esta é uma narrativa sobre a vida de Edmond Rostand…
Nasceu em Marselha em 1868 e faleceu em Paris em 1918. Seu nome completo: Edmond Eugene Alexis Rostand. Diplomado em Direito, nunca ​exerceu a profissão, pois a sua absoluta paixão ​era a escrita, especialmente para o Teatro. Mas ​não foi fácil, pois as suas peças ou eram recusadas ou iam à cena com pouco êxito, mesmo quando a fabulosa actriz Sarah Bernhardt interpretou três delas: "La Princesse Lointaine", "La Samaritaine" e "L'Aiglon". Até que, em 1897, se estreou em Paris "Cyrano de Bergerac", que foi um estrondoso triunfo e que, devido a ele, Rostand se tornou num verdadeiro ídolo do público francês e o levou a tornar-se membro da Academia Francesa, em 1904.
"Cyrano de Bergerac" tem conhecido diversas adaptações ao Cinema e à Banda Desenhada.
Por sua vez e em tempos mais recentes, Alexis Michalik escreveu a peça biográfica "Edmond", que resultou num grande êxito teatral e já adaptada também ao Cinema.
Este álbum-BD, "Edmond", com arte de Léonard Chemineau, é a adaptação desta mesma peça. A ler com entusiasmo!



O INDULTO - Edição Geomais Lda. Autor: Milo Manara.
"O Indulto", é a segunda e última parte de "Caravaggio", uma recente criação de Manara.
Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610), ​foi e é, um dos maiores e invejáveis pintores europeus. ​Genial, fascinante e revolucionário na Pintura, mas ​também, namoradeiro, brigão e beberrão, se  teve ​quem o protegesse, não lhe faltaram inimigos ​invejosos…
Muitas das suas obras, demasiado vivas, ​se perderam!...
​Caravaggio morreu com 38 anos de idade, assassinado ​ou vítima do agravamento de um ferimento sofrido ​num duelo, não se sabe ao certo… Mesmo assim, só ​em 2010 seu corpo terá sido encontrado e identificado ​por uma equipa de cientistas e universitários, num ​cemitério de Monte Argentario (Toscana, Itália)…
​Esta obra-BD, "Caravaggio", em dois tomos, merece ​os mais calorosos aplausos.
A vida de Cravaggio também ​tem passado ao Cinema, especialmente em 1986 (com ​Nigel Terry) e em 2007 (com Alessio Boni).



LE SYNDROME DE MARACAMBA - ​Edição Lombard. Autores: Iouri Jigounov (ou Yuri Jigunov) ​no argumento e Chris Lamquet, na arte.
​Trata-se do 13.º álbum da série "Alpha", várias vezes ​anunciado e várias vezes adiado, até que finalmente ​viu a luz do dia.
​Desta vez, o russo Jigunov deixou o traço para ser ​apenas o argumentista.
​Mas o nosso entusiasmo esmoreceu, pois se o ​argumento é interessante e agitado, a arte gráfica ​de Lamquet não tem o vigor devido que se notam ​aqui nos personagens, principalmente o central, como ​quando o actual argumentista era um justo e cativante ​desenhista…



A BORDO DO BEAGLE - Edição Gradiva. Autores: Christian Clot (argumento), ​Fabio Bono (traço) e Dimitri Fogolin (cores).
​Trata-se do primeiro tomo de "Darwin", relatando a ​vida do inglês Charles Darwin (1809- 1882), que ​aparentemente estava destinado à vida religiosa, mas ​que, em 1831, como que "por acaso" embarca, como ​cientista, a bordo do navio "Beagle" para uma viagem de ​cerca de cinco anos.
​As suas descobertas e respectivos estudos vão resultar numa autêntica revolução e mudança nos conceitos que ​o mundo tinha sobre a vida: com Darwin, nasce e afirma-se a Teoria o Evolucionismo, contrariando e irritando as teorias ocas das igrejas cristãs.
Obra-BD para ler e meditar.
LB

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

TALENTOS DA NOSSA EUROPA (25) - YURI JIGUNOV (Rússia)

Yuri Jigunov
Com toda a lógica, aportuguesámos este nome da ortografia francesa (Youri Jigounov). Ora vamos lá: nos tempos da nada saudosa União Soviética, esta, ao contrário de dois regimes congéneres e contemporâneos, a China de Mao e a Cuba de Castro, os senhores de Moscovo nada ligavam à 9.ª Arte, antes pelo contrário, menosprezavam-na.
Mas ela, a BD russa, existia, sobretudo no processo underground. Publicaram-se também, na revista “Sputnik”, algumas BD's infantis...
No entanto, esse tão imenso país tinha os seus magníficos desenhistas (quantos deles terão ficado perdidos para sempre?...). Destes, um valor se destaca e é já famoso a nível internacional: Yuri Jigunov.
Nasceu em Moscovo a 22 de Outubro de 1967. Porém, em 1997 instalou-se com a família na Bélgica. Foi a sua gloriosa carta de alforria, para ele e para a sua carreira.
No seu país conseguia acompanhar as edições em francês da revista “Tintin”...
Estudou na Academia da Aviação Civil de Moscovo e nesta cidade, em 1989, colaborou para um estúdio de BD.
Sozinho, havia criado uma narrativa de 46 pranchas, “As Cartas de Krivtsov”. É com esta obra debaixo do braço que se arrisca, em 1993, a viajar até Bruxelas, batendo à porta das Éditions du Lombard, o único endereço que possuía...
O argumentista Yves Sente, então director editorial da Lombard, impressionado ante a maturidade gráfica da obra, aceita publicá-la, o que acontece em álbum em 1995. Claro que esta bela obra teve de ser traduzida e “adaptada” ao sistema editorial do eixo franco-belga.
 
Depois, foi um não parar da sua carreira, não só na Europa como também nos Estados Unidos da América e no Canadá. Em Portugal, foi o entupimento do costume...
Em 1996, com argumentos de Pascal Rénard, passou a desenhar a série “Alpha” (hoje com 15 álbuns); após o falecimento de Renard (1961-1996), prosseguiu com argumentos de Mythic.
Mais tarde, abarca também o seu incontestável talento gráfico à série “XIII” (a partir do 20.º tomo), substituindo William Vance (falecido em Maio deste ano), já muito afectado na saúde.
Depois, na série paralela “Alpha-Premières Armes”, foi dando uma “mãozinha”, mormente na aplicação das cores.
Da actual Rússia e da nossa Europa (vai do Cabo da Roca aos Montes Urais), há pois este grande talento: Yuri Jigunov. Ainda bem!
Spassiba, Yuri!
LB