Terminei de ler
Solar (2010) de
Ian McEwan da
Companhia das Letras. Faz tempo que comprei esse livro em uma dessas promoções de 50% em datas específicas. A edição é exatamente dessa capa lindíssima. Além da beleza da imagem, a capa é texturizada. Nosso protagonista é um físico ganhador de Prêmio Nobel.
Obra de Leonora Carrington
Nosso protagonista é um ser desprezível. Quando jovem ele descobriu um grande feito baseado na teoria de Einstein, ganhou o Nobel e tornou-se um profissional burocrático e pouco ético. Passou a receber um salário para estar na lista de professores de uma universidade, para atrair alunos com a ideia que haveria um belo corpo de profissionais, mas ele nunca lecionou lá. Dava palestras, sempre com pouca preparação e muita, mas muita má vontade. O protagonista fala muito com o leitor sobre a hipocrisia do aquecimento solar. Que as pessoas reduzem um ou outro item, compram carro popular, mas não querem ir muito longe das restrições, de perder o conforto. Ele mesmo está incluído nesse círculo.
Obra Tempo e Maré (2004) de Simon Patterson
Solar começa com nosso protagonista em crise no seu casamento. Os dois estão separados, mas moram ainda na bela casa. Sua esposa está em um relacionamento com profissional hidráulico que fez a reforma em sua casa. Seu ex não entende como ela foi se apaixonar por um homem tão rude. Os dois encontram com quem se relacionam na própria casa. Ele fica sempre muito incomodado. Aos poucos ficamos sabendo que sua esposa traiu uma vez só, mas o marido inúmeras vezes, sete no mínimo.
Obra Mexilhões (2012) de Ansel Krut
Por que um urso polar na capa do livro? Nosso protagonista aceita então uma viagem com outros profissionais para analisarem o aquecimento global. Sim, o livro fala bastante do aquecimento da terra, do degelo. Todos acham incrível, mas ele só aceitou porque ficará em um navio com muito conforto, a viagem será curtíssima, com pouquíssimos passeios em campo. Ele finge para a classe científica que será uma grande viagem, muito importante, esconde a falsidade do evento. Na viagem, eles saem em carrinhos de andar no gelo, param pra olhar, quando ligam os motores o dele não liga, os outros seguem, ele fica, e o urso polar dá um tabefe nele.
Obra Metamorfoses (1966) de Bryan Organ
Nosso protagonista é desprezível demais e só piora. Ele faz algo medonho, comete um crime, mas consegue colocar a culpa em outro. Ian McEwan é sempre irônico. Na parte seguinte do livro, o físico é cruelmente perseguido baseado em uma armação e até ficamos com pena dele. O físico se prejudica por algo que não fez, mas consegue escapar de responder por algo muito mais grave que fez. Essa ironia constante do autor é que é sempre tão fascinante.
Beijos,
Pedrita