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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Diabo com Tetas

Assisti Diabo com Tetas de Dario Fo no Teatro Commune. Me diverti demais e tive várias gratas surpresas! Dario Fo é ganhador de Nobel de Literatura em 1997, exatamente o ano desse texto. Seu texto é denso, ágil, inteligente, mordaz e repleto de surpresas. A direção geral é de Augusto Marin, o diretor é Armando Liguori Jr. e a codireção de Matheus Melchionna.
 
O roteiro é muito sagaz e divertido! Um juiz inabalável e incorruptível está dando muita dor de cabeça para a comunidade. Ele tem uma dedicada empregada porque ele nunca arruma tempo pra nada, trabalha demais. Estão ótimos todos do elenco. Augusto Marin faz o juiz e Natália Albuk a divertidíssima empregada, e que personagem difícil, dois em um praticamente.

Foto de Fabi Meireles

O diabo então resolve corromper esse juiz rígido. Prepara o diabinho para entrar no corpo do juiz. Ele vai entrar no juiz pelo orifício dos dejetos. E como é comédia, já imaginam que tudo dá errado. O diabinho entra por engano na empregada que ganha um enorme par de tetas e outros atributos sedutores. Ela, uma reservada empregada, fica pra lá de espevitada. A montagem ainda escolheu ela trocar o sotaque paulista pelo baiano quando o diabo toma conta dela. Divertidíssimo! Os diabos estão muito hilários, Juliano Dip e Fabrício Garelli. Amei os figurinos, principalmente os deles, feitos por Maria Ezou e Augusto Marin. Há também máscaras da Commedia Dell´Arte.

Fotos de Lu Ortiz

E claro que por ser uma comédia tem personagem que não acaba mais, são 11 atores no palco, alguns fazem mais de um personagem.

Carlos Capelette está no elenco e com um personagem hilário, um cardeal. Divertidíssimo quando ele vai comer uns bolinhos pra acompanhar com o vinho. Paulo Dantas atua e integra o grupo musical junto com Pedro Mendes e Fabio Godinho. Uma surpresa foi descobrir que além dos textos, Dario Fo compunha músicas para seus espetáculos, tem no Spotify algumas, não desse espetáculo. Pra essa montagem o Commune contratou Sérvulo Augusto pra fazer as adaptações e as músicas. Os números musicais são muito, mas muito bons. 
No elenco as ótimas Isabela Prado e Mariana Blanski, elas fazem as funcionárias da casa do juiz, as diabinhas e outros personagens.

Além da parte musical, Fabio Godinho interpreta alguns personagens como o soldado.


Armando Liguori Jr. faz o padre, a pobre funcionária o procura angustiada pela mudanças que sofreu nos últimos tempos.

Diabo com Tetas fica até 28 de junho. É preciso comprar os ingressos com antecedência porque tem lotado.
Beijos,
Pedrita

sábado, 25 de abril de 2026

O Acontecimento de Annie Ernaux

Terminei de ler O Acontecimento (2000) de Annie Ernaux da Fósforo. Eu queria muito ler essa autora desde que ganhou Nobel de Literatura. Acabei vendo o filme antes. Eu comprei esse livro na última Festa do Livro da USP. Em geral o Brasil só publicava livros de autoras depois do Nobel, que bom que mudou um pouco. Os livros de Annie Ernaux só chegaram ao Brasil após o Nobel.

Amei que o livro veio com um marcador da obra. Só descobri depois que tirei o celofane.

O livro é autobiográfico. Em 1963 Annie Ernaux era estudante de literatura. Tem um breve envolvimento com um jovem de outra cidade, usa tabelinha, mas engravida. Na França da época o aborto era proibido como ainda é no Brasil. Na França passou a ser permitido em 1975. Ela procura médicos homens que desconversam e começa a fazer uma infinidade de manobras pra conseguir o seu intento. É sufocante ela tentando resolver e não conseguindo indicações, com quem conversar. Desde cedo ela já escrevia e tinha esboços. Esse sofrimento dessa época ela vai anotando no diário que se torna parte desse contundente livro publicado bem depois. Não é uma leitura fácil. Como ela tem muita dificuldade de localizar as fazedoras de anjos, ela se põe em risco várias vezes com procedimentos caseiros, é enganada por médicos, um show de horrores. Ela localiza uma mulher que fazia o procedimento de modo muito rudimentar e como sempre caríssimo. Tudo que é ilegal fica com preço abusivo. A mulher não avisa que a gravidez está em estágio avançado, que é perigoso demais. A jovem faz duas tentativas e as duas é terminar o procedimento sozinha onde vive, que é em um alojamento. Gosto de autoras que tocam em temas difíceis. Que bom que na França, desde 1975, são as mulheres que decidem o que fazer com seus corpos. Qualquer decisão já é dificílima imagine sendo fora da lei. Obra urgente!
Foto da Annie Ernaux jovem.
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Projeto Wislawa

Assisti a peça Projeto Wislawa de Cesar Ribeiro no Teatro Paulo Eiró. Queria muito ver esse espetáculo e fiquei muito impactada com a montagem.


Eu queria ver porque adoro o trabalho de Clara Carvalho e Vera Zimmermann, elas estão majestosas, que atrizes. Wislawa Szymborska (1923–2012) foi uma escritora polonesa, ganhadora de Nobel de Literatura em 1996. Os textos da peça falam de morte, há uma personagem que é assassinada no espetáculo, mas os textos falam da morte da arte, da poesia e da repressão que a autora viveu no período da Segunda Guerra Mundial. A forma como contaram essa história é absolutamente genial. A personagem de Clara Carvalho diz que não matou. Ela só usou a faca no corpo que estava ali. É tudo simbólico, complexo!

A cenografia de J.C. Serroni é brilhante. Amei as rosas que descem do teto. Tudo é milimétrico. Gostei da equipe técnica estar no palco, dos objetos. Os figurinos de Tellumi Hellen que parecem mudar tão pouco e mudam tanto. E o visagismo de Louise Hélene é ótimo.



Impactante a iluminação de Rodrigo Palmieri. O diretor ainda assina a dramaturgia e a trilha sonora excelente. Consegui descobrir algumas músicas, procurando outras.
Trecho do poema A Vida na Hora de Wislawa Szymborska

Despreparada para a honra de viver,
mal posso manter o ritmo que a peça impõe.
Improviso embora me repugne a improvisação.
Tropeço a cada passo no desconhecimento das coisas.
Meu jeito de ser cheira a província.
Meus instintos são amadorismo.
O pavor do palco, me explicando, é tanto mais humilhante.
As circunstâncias atenuantes me parecem cruéis.

Projeto Wislawa fica em cartaz até 1º de março. Os ingressos custam somente R$ 20,00.
 

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 1 de abril de 2025

Camponeses

Assisti Camponeses (2023) de DK Welchman no Max. Não tinha ideia desse filme, fui até pesquisar antes. É literalmente uma obra de arte. As cenas do casamento são deslumbrantes! Há muita dança e música belíssimas que tem inclusive no Spotify.

O filme foi realizado, depois mais de 100 pintores fizeram a animação. Nos créditos vi que eram pintores da Sérvia, Ucrânia, Lituânia e Polônia. O efeito é inacreditável!

Fiquei atônita também em ver que o filme extremamente transgressor é baseado no livro homônimo (1904-1909) de Wladyslaw Reymont que ganhou Prêmio Nobel por esse livro que não tem no Brasil e é em vários volumes. Eu fiquei bem chocada do livro ser de 1900 e tão transgressor. Uma jovem é cobiçada por toda uma aldeia e tem má reputação. Um homem mais velho acaba de ficar viúvo e ela é obrigada a se casar com ele.
Mas ela está apaixonada pelo filho dele. Eles tem um romance, mas ele é casado e com filhos. A aldeia maltrata demais essa mulher, é um absurdo o que fazem com ela, mas os homens, esses não, a culpa é sempre dela. Como o filme é pintado posteriormente, há um ótimo elenco, ela é a belíssima Kamila Urzedowska, pai e filho são Miroslaw Baka e Robert Gulacyzyk.
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 30 de abril de 2024

Mudança de Mo Yan

Terminei de ler Mudança (2009) de Mo Yan da Cosac Naif. Tenho amigas que recebem livros para doar, elas me passam as listas e eu escolho alguns. Esse foi um desses e eu não tinha ideia do que se tratava. Assim que comecei a postar a imagem da capa e avisar que estava lendo, vários conhecidos disseram já ter lido obras dele e adorado.

Marcador de livros magnético.

Mo Yan é um autor chinês, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. É uma belíssima edição da Cosac Naif. O livro é curtinho, com 8 capítulos, 7 sobre a história do autor. Ele conta que sugeriram que ele escrevesse sua história. Ele não escreveu. Até que a mesma pessoa disse que ele escrevesse o que viesse a cabeça. E ele escreveu então esses capítulos.


 

Obra de Wong Wai Win

Começa com o protagonista na escola, ele é expulso por uma questão banal. Por querer muito estudar, ele volte e meia entra na escola e assiste as aulas. Ele sabia que as oportunidades de trabalho seriam melhores concluindo os estudos.

Obra de Qiu Zhijie

Como isso não acontece, ele resolve entrar para o exército só que em uma unidade quase abandonada. Então ele almeja ser motorista de caminhão. Ele acaba participando de algumas seleções, estudando por conta própria e vira professor. Ele acaba conseguindo escrever para um jornal e a escrita passa a ser sua profissão. Até que consegue ser promissor e renomado na área de literatura. 

Obra de Zeng Fanzhi

O estilo dele é incrível. Econômico, conta só um viés do que vai se lembrando, e naquelas poucas palavras, vamos compreendendo sua vida. É incrível e brilhante! Que texto!
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

A Esposa

Assisti A Esposa (2017) de Björn Runge no TelecinePlay. Eu adiava ver esse filme porque me confundi com a sinopse. É excelente! E bem o gênero de filme que gosto. O filme é baseado no livro de Meg Wolitzer que quero muito ler.

O marido é um grande escritor e ganha o Prêmio Nobel de Literatura, o casal segue para a Suécia para ele receber o prêmio. Que filme genial! Eles são perseguidos sistematicamente por um homem (Christian Slater) interessado em escrever a biografia do autor, mas o casal se recusa sempre. O marido é bem grosseiro, além de ser muito, mas muito promíscuo. A esposa sempre fingiu não ver ou relevou as traições. Glenn Close simplesmente arrasa, gosto muito também do Jonathan Pryce. Gostei de uma crítica que diz que apesar de ser o marido o escritor, só pelo título entendemos que é nela que devemos prestar atenção. Exato, é isso mesmo!
Em um momento o ego do pai fica mais evidente. Eles vão conhecer o ganhador de Nobel de Física e a família dele. Esse vencedor é muito orgulhoso dos filhos, em cada apresentação enaltece a capacidade de cada um. Uma vai descobrir a cura do Alzheimer e para cada um dá poderes inacreditáveis para suas profissões. O escritor diz que o filho (Max Irons) é um escritor em aperfeiçoamento.
Beijos,
Pedrita

domingo, 23 de maio de 2021

O Falecido Mundo Burguês de Nadine Gordimer

Terminei de ler O Falecido Mundo Burguês (1966) de Nadine Gordimer da Art Editora. Comprei esse livro em um sebo! Nadine Gordimer é ganhadora do prêmio Nobel. Que impressionante! Grandes autores fazem milagres com a escrita. Nadine relata um dia da nossa protagonista, isso mesmo, o livro é um dia só. Começa de manhã no café e termina ela indo dormir de madrugada. Sim, um dia conturbado. E sim, conforme vai passando o dia, pelos acontecimentos, vai lembrando de sua história. É um livro culto, mas tão repleto de conteúdo, impressionante!

O marcador de livros ganhei de um amigo. são cartas antigas em cartolina.

Obra Bété Legends (2007-2011) de Fréderic Bruly Bouabré

A protagonista é avisada logo cedo que seu marido suicidou-se. Ela está tomando café com seu atual companheiro. Eles se encontram de vez em quando, não vivem na mesma casa. Ela então resolve seguir para contar ao seu filho que vive em um colégio interno. Com isso ela vai lembrando como começou o casamento e a questão política que envolvia a vida deles na época. O marido, um milionário, de uma família muito importante, entra na clandestinidade pra lutar pelos direitos de todos. Na época, ela trabalhava na parte interna do grupo. Eles tiveram um filho muito cedo, mas o marido não queria saber. Como ele começou a precisar entrar na clandestinidade, aos poucos foram se separando.

Obra Birds (1964) de Maggie Laubser

Depois a protagonista vai visitar a avó com problema de memória em um asilo. Enfim, o dia a dia vai passando e as memórias se misturando. Fantástico! Que capacidade de contar histórias, entrelaçar os fatos, misturar os tempos. 

Eu já havia lido dela um biográfico, Tempos de Reflexão - De 1954 a 1989 (2012).


 

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 4 de maio de 2021

Radioatividade

Assisti Radioatividade (2019) de Marjane Satrapi na Netflix. Eu queria muito ver esse filme. A biografia da Madame Curie permeou a minha infância. O livro era da família e estranhamente não li. É muito bom ver filmes sobre cientistas e ciência. Madame Curie ganhou dois Prêmios Nobel, mas é menos lembrada que Einstein. Ela descobriu a radioatividade. Esse vidrinho do pôster ela carregava pra tudo quanto é lugar, levava na cama, pra ver no escuro o efeito, não se sabia ainda os riscos da radioatividade ainda.

O filme romanceia um pouco, eu achei uma matéria que esclarece o que foi de fato verdade e vou colocar aqui. Como acontece com muita mulher,  Maria Salomea Skłodowska, seu nome de solteira, foi retirada de um laboratório que trabalhava. Ela começa a procurar outro laboratório pra trabalhar e assim que conhece Pierre Curie. Ele era físico também e infelizmente era uma época que a mulher precisava do apoio de um homem. Ele era muito brilhante também, e leva Maria para o seu laboratório e lá que ela descobre a radioatividade. O primeiro Nobel é Pierre que ganha, outro erro monumental, ela ganharia em conjunto com ele, mas a pesquisa era dela. Ela não quis patentear o produto, quis que toda a humanidade pudesse se beneficiar da radioatividade, o que facilitou outras pesquisas, mas não rendeu lucros a cientista. O filme mostra os benefícios da radiologia, mas bem mais os malefícios como a bomba atômica. Infelizmente focam mais no pior. Sim, muita evolução da ciência pode ser usada para o mal, mas são fundamentais para o avanço da medicina e de outras ciências. E péssima a cena da Curie em transe, vendo os mortos do futuro que iria causar, culpando-a da má utilização de suas descobertas, quando ela nem era mais viva.
Seu marido teve uma morte trágica. Ela continuou com as pesquisas. Eles tiveram duas filhas, a mais velha foi enfermeira e continuou com seu marido as pesquisas da mãe e ela e o marido também ganharam Prêmio Nobel. Curie montou com a filha umas ambulâncias com raio-X para tratar de doentes nos campos de batalha. Curie nunca aceitou que a radiologia fazia mal. Já iniciam pesquisas sobre os malefícios, mas ainda não eram conclusivas. Curie morreu de anemia dos efeitos da radiologia que acaba com elementos do sangue. Rosamunde Pike está muito bem. Seu marido é interpretado por Sam Riley. Sua filha quando está mais velha por Anya Taylor-Joy.


Beijos,
Pedrita