Assisti
Paraíso (2023) de
Boris Kunz na
Netflix. Eu fui em categorias e ficção científica, escolhi esse incrível filme alemão. Tive muita dificuldade de ver, parei várias vezes, porque é desconcertante e infelizmente atual.
A ciência descobriu uma forma de fazer as pessoas a viver mais. Incrível o debate sobre quem merece ou não viver mais. Para que alguns escolhidos possam viver mais, outros precisam doar suas vidas. O laboratório passa então a comprar anos de vidas de pessoas pobres, refugiados, para pessoas que consideram mais importantes possam viver mais. O protagonista (Kostja Ullmann) é o funcionário modelo, com ótima capacidade de argumentação, ele é o que mais convence pessoas a vender anos de suas vidas. É tão hábil que é elogiado por convencer pessoas a doar mais anos de vida por mais dinheiro e fazer as pessoas acharem que fazem um bom negócio.
Ele e a esposa (
Marlene Tanczik) se endividam seriamente porque o apartamento pega fogo. Pelo contrato, a esposa tem que doar 50 anos de vida pra pagar a dívida. Ele resolve então sequestrar a cientista (
Iris Berben) pra dar as vidas de volta a esposa. O desfecho é bem impactante, como o filme, provoca muitos questionamentos porque nada sai como o esperado. Ódio gera ódio.
O filme acaba sendo muito atual já que as estatísticas mostram que pessoas com mais recursos vivem mais, porque podem ter alimentação de qualidade, tempo para exercícios físicos e atendimento médico no tempo certo e melhores condições de vida. No Brasil há o Sistema Público de Saúde, mas muitos morrem na espera pelo tratamento. Nos Estados Unidos tudo é pago e há americanos com dívidas impagáveis porque ficaram meses na UTI com Covid. Ou em países em guerra que cortaram energia de hospitais porque a vingança é mais importantes que a vida. Como no filme, o sistema decide quem pode ou não viver mais, quem vai ter direito ou não a recursos para viver mais.
Beijos,
Pedrita