Assisti
Don´t Worry Darling (2022) de
Olivia Wilde na
HBOGo. Que filme! Muito impactada! O excelente roteiro é de
Katie Silberman.
Tudo indica que é aquela época do estilo americano de viver (American Way of Life). Um casal ultra mega apaixonado vive em uma casa deslumbrante. Os dois estão ótimos, lindos e talentosos, Florence Pugh e Harry Styles. O personagem dela é muito complexo. No bairro há outros casais jovens, lindos e bem casados. Os maridos saem pra trabalhar em belos carros conversíveis e coloridos. Elas ficam cuidando do lar, cozinhando, se vestindo deslumbrante pra recebê-los, sempre fazendo festas em piscinas, jantares, ótima comida, muita bebida, ótima música e muita felicidade! Elas sempre estão ouvindo uma rádio local, com textos do prazer do lar, motivacionais. A trilha sonora é maravilhosa e está no Spotify.
Uma moradora do bairro,
Kiki Lanes, está insatisfeita com o lugar. Falam que ela está doente e se recusando ao tratamento. A outra jovem se solidariza e passa a ficar intrigada com o que a jovem diz. Com isso ela passa a questionar e investigar o lugar.
O filme fala muito de feminismo e é desconcertante. A jovem que questiona o lugar passa a ser chamada de louca, que precisa de tratamento, e o mesmo passa a acontecer com a outra que passa a investigar o lugar. Elas são felizes lá, todos dizem, riqueza, luxo, boas companhias, muitas festas, amor. O casal apaixonado não quis ter filhos e ela começa a ser pressionada a querer, deve ser isso que falta pra tirar ela da loucura. A diretora interpreta a melhor amiga da protagonista. Alguns outros do elenco são: Chris Pine, Gemma Chan, Nick Kroll, Sydney Chandler e Tymothy Simons.
Vou falar detalhes dos segredos do filme: Eu fiquei muito horrorizada com o que de fato aconteceu. Ela casou com um marido fracassado. Ela, médica, trabalhava muito, e amava o que fazia. Ela chegava depois de 30 horas de trabalho e ele não tinha feito nada pra ele e ela comerem. Ele diz que não sabia o que ela iria querer. A casa uma bagunça completa, ele desleixado, sem nada fazer.
Cabeça vazia, oficina do diabo. Ele passa a ouvir uns vídeos motivacionais, de que ele é capaz sugerindo outro modo de vida. Aí ele tem a ideia brilhante de, sem o consentimento dela, colocar vídeos nela com ela dormindo, pra levá-la a aquela realidade virtual machista. Os homens trabalham e elas cuidam da casa. Mas é tudo realidade virtual, portanto ele continua não trabalhando. Sim, há furos, mas diante dos horrores violentos contra as mulheres, o filme se torna fundamental. Com os vídeos que colocam nela, ela é programada mentalmente a mudar a história dela. Ela não sabe mais que é médica, acha que sempre foi dona de casa e que ele sempre foi rico e bem sucedido. Todas aquelas mulheres aprenderam que conheceram seus maridos no trem quando um bilhete caía. Todas as histórias parecidas, machistas e de ricos. Mas de fato, ela e o marido deplorável continuavam naquela casa caindo aos pedaços, ele continuava sem asseio algum. E na realidade virtual, ela finalmente era o que o marido vagabundo queria, uma mulher pra viver somente pra ele. Aterrador! Sim, o filme deixa o final aberto. Eu quero acreditar que ela acordou porque há o som dela acordando, e que ela pode retomar a sua vida e se possível casar novamente com um homem trabalhador, batalhador como ela. Acho que esse filme deve ter incomodado muito homens, porque como a maioria da crítica é masculina, eles só se atem a divergência dos dois atores na vida real, no período das gravações.

Beijos,
Pedrita