Assisti
Mil Vezes Boa Noite (2013) de
Erik Poppe no
Max. Eu coloquei pra gravar, antes de começar teve uma entrevista com o diretor que contou que é fotógrafo e foi fotógrafo de áreas de conflitos, de guerras, e que quis fazer um filme sobre isso. Ele escolheu
Juliette Binoche para ser a fotógrafa.
Começa com ela tirando fotos de uma mulher sendo preparada para ser mulher bomba. Se é assim mesmo, é impressionante. Temos ódios de homens bombas, então só os vemos como maus. Há toda uma preparação, como um ritual religioso, muita tristeza, muito respeito. Como se é assim que tem que ser. Um sacrifício por um bem maior. Um horror de qualquer jeito, mas muito diferente do que eu imaginava. Se pensarmos que a guerra não é muito diferente disso, grupos de homens em nome de uma pátria vão atirar em outros de outra pátria. Acho o terrorismo um horror, até porque atacam principalmente inocentes. Na regra da guerra não se atacam civis, embora nem sempre isso aconteça. Mas acho qualquer violência injustificável. A fotógrafa se acidenta, acorda em um hospital em outra cidade com o marido cuidando dela, interpretado pelo Nikolaj Coster-Waldau.

Começa então os conflitos familiares com a fotógrafa. Ela tem duas filhas, uma criança e uma adolescente que está revoltada com as ausências da mãe. O marido também. Não deve ser fácil conviver com pais ausentes e constantemente correndo risco de vida, deve ser um eterno sobressalto. Mas o marido se apaixonou por ela porque admirou a paixão dela por trabalhos em zonas de conflitos, cobrar agora que ela abandone é incoerente. Se ela dissesse ok, abandono, mas eu preciso viver em uma cidade grande, duvido que ele abandonasse o trabalho dele. Eles vivem em uma cidade de praia porque ele trabalha no mar. Não aceitaria viver em uma cidade que não tivesse mar. Ele está confortável no trabalho dele, egoísmo querer que ela abandone tudo pela família, por mais difícil que deva ser viver com alguém que vive em risco. Se ele não suporta mais, deveria pedir a separação, nunca pedir, quase forçar, ela a largar tudo. O desrespeito ao trabalho dela é vergonhoso.

O melhor seria que ela não se casasse, nem tivesse filhos, mas no momento que tem uma família, todos precisam tentar se equilibrar da melhor forma nessa estrutura difícil de lidar. A fotógrafa acredita que as pessoas nas zonas do conflito precisam do trabalho dela pela paz, pela proteção, não dá pra mudar isso. As filhas são interpretadas por
Lauryn Canny e
Adrianna Cramer Curtis. Interessante que recentemente vi o documentário
Sal da Terra, sobre o fotógrafo
Sebastião Salgado e ele comenta no filme a gratidão a compreensão da esposa por tanto tempo de ausências e sobressaltos. Inclusive quando ele está mais velho e cansado, ela que sugere ele modificar o olhar, para fazer fotos de meio ambiente, sugere a publicação dos livros, reflorestar a fazenda do pai. Sugere várias atividades que continuariam o grande trabalho do fotógrafo, mas com redução de riscos.
Beijos,
Pedrita