Assisti
The Post (2017) de
Steven Spielberg no
TelecinePlay. Não entendi porque esse programa entrou direto no
Now. Talvez tenha passado na programação. Eu acho filmes históricos fundamentais. Sempre ouvi dizer que a Guerra do Vietnã foi um grande erro dos Estados Unidos, mas o filme mostra que foi um erro absurdo. Os governantes já sabiam que a guerra vinha sistematicamente dando errado, que os Estados Unidos vinham perdendo violentamente, que os soldados morriam assustadoramente, mas eles continuavam dizendo a população que era um sucesso e levando milhares de jovens ao front. O roteiro é de
Liz Hannah e
Josh Singer.
Um homem que esteve na guerra vê o fracasso. fala em reunião com os líderes sobre o fracasso e todos concordam, mas na hora do líder falar a população em coletiva só faz elogios aos grandes resultados da guerra, que estão perto de vencer, quando não há resultado positivo algum, só negativo. Esse homem fica revoltado com tanta mentira aos americanos, resolve roubar relatórios ultra secretos que mostravam que os governantes dos Estados Unidos sabiam do fracasso da guerra mas encobriam, mentiam e continuavam levando milhares de jovens ao front para morrer. O filme passa a ser a luta jornalística para que conseguissem publicar essas mentiras do governo e da guerra, já que o governo tenta de tudo para a democracia não ser respeitada e tenta impedir a imprensa de colocar a lama nos jornais.

Além dessas questões fundamentais, ainda aparecem várias outras. A dona do Washington Post é uma mulher interpretada brilhantemente por Meryl Streep. O jornal é de sua família. Era de seu pai, foi para o seu marido e agora ela que dirige. Ela estuda tudo já que quer abrir o capital do jornal para que possam sobreviver, mas é ignorada nas reuniões onde todos são homens. Há uma cena muito emblemática. Inúmeras mulheres aguardam do lado de fora, secretárias, braços direitos dos líderes dos bancos, mas na reunião só homens. A dona do Washington Post é a única mulher e os diretores não a deixam falar. Tom Hanks interpreta o diretor de redação do jornal. Outra questão fundamental abordada incessantemente no filme é a liberdade de imprensa. Os diálogos dos dois são impressionantes. Os dois eram próximos de líderes dos governos. Em geral jornalistas são abordados mesmo por líderes por vários motivos. Os jornalistas porque buscam informações exclusivas. Mas é fato que muitos líderes tentam manipular os jornalistas conforme os seus interesses. Os dois sabem dessas manobras e os dois questionam um ao outro se realmente não se deixaram manipular. São incríveis esses diálogos. Uma verdadeira aula de cidadania, liberdade de imprensa e poder.

Também o filme mostra toda a responsabilidade de um jornal ao publicar uma matéria. Que há equipes que debatem sobre o conteúdo, advogados para avaliar as implicações legais das notícias. Tudo é pensado milimetricamente. No Brasil não é diferente. Talvez se as pessoas vissem esse filme conseguiriam entender que as decisões de dar ou não uma notícia não são levianas. Sim, um jornal pode se omitir ou só publicar algo que favoreça a alguém, mas nada é tão superficial como muitos adoram insinuar. Sim, exigir maior imparcialidade, clareza, mas atacar a imprensa é no mínimo leviano. A imprensa é fundamental no estado democrático e o filme reforça isso inúmeras vezes. Pressionar imparcialidade da imprensa, questionar aproximação e possível manipulação de grupos, sim, mas desejar o fim da imprensa é crime. O elenco é muito extenso e muito bom: Jesse Plamons, Rick Holmes, David Cross, John Rue, Michael Ciryl Creigthon, Bruce Greenwood, Bradley Whitford, Pat Healy, Sarah Paulson, Bob Ondekirk, Carrie Coon e Luke Slatery.

Beijos,
Pedrita