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segunda-feira, 16 de março de 2026

Oscar 2026

Assisti a cerimônia do Oscar 2026. Primeiro no E! e GloboNews para acompanhar os looks que estavam maravilhosos, as entrevistas e depois na TNT que fez exibição simultânea com a HBOMax. Sim, estamos todos meio de luto hoje, o Brasil não trouxe nenhum Oscar e isso foi muito injusto. Mas é fato que O Agente Secreto concorreu em um ano com filmes inacreditáveis de bona, tanto quanto o nosso. Era uma concorrência absurda. Não vi o que ganhou Melhor Filme Estrangeiro, Valor Sentimental e sei que vou achar o nosso melhor, mas isso não significa que venha a achar o filme ruim, mas deixa eu ver depois eu falo. Agora com ranço vou demorar pra ver. Amei que os brasileiros usaram figurinistas e joalheiros brasileiros no figurino do Oscar. Alice Carvalho usou uma roupa Normando. As joias do Wagner Moura e esposa eram de André Lasmar, designer recifense.

Até a atriz portuguesa Isabel Zuáá escolheu usar um vestido da estilista Penha Maia.

Saindo dessa decepção, fiquei muito feliz com quase todos os premiados, muito merecedores. E os discursos foram muito fortes e emocionantes. Michael B. Jordan lembrou os negros que venceram o Oscar antes dele. Ele está maravilhoso em Pecadores em seus dois personagens.

O Oscar foi bem politizado. Tem uns anos que o Oscar vem permitindo mais manifestações e diversas. Vários pediram paz e não guerra, sem ser específicos, eu sou pela paz também. Javier Bardem foi mais específico. Pediu fim das guerras e Palestina Livre. Já teve ator banido do Oscar por manifestações, vamos aguardar.

Fiquei muito feliz que ganhou Uma Batalha Após a Outra. É um filme muito político e necessário. Fala muito de perseguição americana aos imigrantes, violação dos direitos humanos com os imigrantes, higienização e da hegemonia branca.

Autumn Durald ganhou Melhor Fotografia por Pecadores. Foi a primeira mulher negra a ganhar nessa categoria. No discurso ela lembrou a importância desse prêmio para as mulheres. Sim, eu queria o brasileiro Adolpho Veloso por Train Dreams. A fotografia do filme é belíssima e é o melhor do filme já que é muito convencional em roteiro. Mas fiquei muito feliz pela Autumn, a fotografia de Pecadores é belíssima! Merecidíssimo!

Foi emocionante o discurso do vencedor de curta documental, Quartos Vazios. O curta fala sobre os quartos das crianças que foram assassinadas a tiro em escolas. Que muitas famílias mantém o quarto vazio. No discurso trouxeram uma mãe para falar da morte de seu filho. Imagino que seja nos Estados Unidos, ela disse que o maior número de mortes de crianças nos Estados Unidos é por balas em escolas.

Esse ano teve uma categoria nova, Melhor Casting e O Agente Secreto também concorria. Cada ator dos filmes indicados falou do que seleciona elenco. Ganhou Uma Batalha Após a Outra que tem um elenco tão incrível e diverso como o Agente Secreto. Wagner Moura falou o que selecionou casting no filme.

Eu não costumo gostar dos apresentadores do Oscar, as piadas são na maioria das vezes de mal gosto. Gostei de alguns quadros do Conan O´Brie. Fizeram vídeos e criticaram o excesso de comerciais do youtube. A transformação de filmes em vídeos curtos da internet. A solicitação de repetir falas já que as pessoas assistem vendo o celular. Fizeram uma representação de Casablanca com repetições, ficou bem engraçado e crítico. E amei que ao final refizeram com ele a cena icônica do Sean Penn em Uma Batalha Após a Outra. Inclusive Sean Penn ganhou Melhor Ator Coadjuvante que não só não foi como não pediu pra ninguém receber no lugar dele. Agora que achei uma matéria que diz que ele não foi em protesto a guerra contra a Ucrânia. Foi mesmo uma noite muito política. Não há como dissociar a arte da política.

Só teve uma categoria que achei abominável, a da canção com a música esgoelada da K-Pop. É a cara do Oscar, cafona, previsível, que queima cordas vocais. 

Foi infinitamente melhor a canção dos Pecadores e a música é incrível, com uma fusão de ritmos, estilos. A trilha toda é incrível. E protagonista Miles Catons canta muito. E ainda deram um jeito de alfinetar Melamé colocando uma bailarina clássica no meio da apresentação. E cabe, porque tem inúmeros gêneros, é realmente pra mostrar a consagração e fusão de todos os estilos.

Esse ano a cobertura foi incrível. A Globo já tinha conseguido incluir apresentadores no tapete vermelho, Raquel Krähenbühl e Felippe Coaglio. Não é fácil, é uma disputa ferrenha. E com isso foi a GloboNews que conseguiu as melhores entrevistas com os brasileiros. O apresentador contou que só podiam fazer quatro perguntas, mas claro que todos se animavam e falavam mais. Os próprios do Agente Secreto se empolgavam pra dividir conosco tudo o que sentiam. Confesso que eu desconfiei que não íamos levar nenhum Oscar pela ênfase que diziam que o que valia era já estar ali, naquela efervescência do cinema, trocar informações.
Lázaro Ramos foi participar da cerimônia. E foi uma delícia acompanhar os bastidores. A cobertura que ele fez foi excelente.

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Uma Batalha Após a Outra

Assisti Uma Batalha Após a Outra (2025) de Paul Thomas Anderson na HBOMax. Eu só soube desse filme no Globo de Ouro. Muito estranho porque adoro esse diretor e costumo acompanhar produções. O filme ganhou Globo de Ouro de Melhor Filme de Comédia e o diretor ganhou Melhor Direção e Roteiro em Filme, confesso que não achei engraçado e bem dramático. Mas é incrível e urgente! O roteiro é baseado no livro de Thomas Pynchon que quero ler.

Teyana Taylor ganhou Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante em Filme, que interpretação e que personagem. Tecnicamente são quatro protagonistas com pano de fundo na violação dos Direitos Humanos. Leonardo di Caprio e Teyana são revolucionários e ficam juntos. Começam os dois em um grupo indo libertar imigrantes ilegais em acampamentos como campos de concentração.

Sean Penn é o militar dessa ação e enlouquece pela Perfídia. Ela engravida, não sabemos de qual dos dois. A família dela sempre foi de revolucionários que diz ao companheiro que é difícil que a filha pare as ações revolucionárias e é o que acontece. Ela é presa e consegue fugir para o México.

O tempo passa 16 anos. Pai e filha vivem no campo em uma cidade repleta de imigrantes. O militar é procurado para integrar um clube de pureza da raça, mas ele não pode ter nada que o desabone como relações inter-raciais. Ele resolve então usar a máquina do estado para caçar a suposta filha, para apagar essa mancha do seu passado e ingressar no clube. Chase Infiniti está muito bem. Ela é uma adolescente mala e rebelde, mas que foi muito bem treinada pelo pai, é fera no judô, sabe atirar.
Benicio Del Toro faz uma participação, ele é o professor de luta da jovem. Quando o exército invade a cidade, o pai vai pedir ajuda pra ele. Enquanto o ajuda, o professor avisa e ajuda os imigrantes ilegais a se esconderem, inúmeras mulheres e crianças pequenas. O filme o tempo todo mostra essa opressão. Eu só estranhei o final. Pai e filha voltam exatamente para a casa que viviam antes, que o exército já sabia onde ficavam.


Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Trama Fantasma

Assisti Trama Fantasma (2017) de Paul Thomas Anderson no TelecinePlay. Não tinha muita vontade de ver esse filme que recebeu muitas críticas negativas. Realmente não é um grande filme. Amo esse diretor, mas esse filme é muito arrastado. Fala de pessoas neuróticas que quando contrariadas passam do ponto. E não falo da Alma e sim do trio, os dois irmãos e a intrusa.

O irmão é dessas pessoas arrogantes que acham que o mundo existe para eles. Ninguém pode atrapalhar o trabalho, é metódico, perfeccionista, mimado,prepotente e insuportável. O entorno todo tem que ser exatamente como ele deseja para o prazer dele. Usa as pessoas conforme as suas conveniências. Ele tem uma relação simbiótica com a irmã que resolve os "problemas" pra ele. As mulheres são como os pratos, a casa, os vestidos, mero objetos. Quando deixam de ter utilidade, a irmã se livra deles.

Alma vem para desequilibrar esse esquema. Igualmente neurótica e perversa, ela vai encontrando meios para ter esse homem dependente dela. Ela faz algo que já li que algumas mães fazem. Quando seus filhos começam a voar e não serem dependentes dela, o fazem doente. Há um nome essa síndrome. O filme dá a entender que o marido percebe, mas que gosta de se deixar ser adoentado, o que costuma acontecer também. Um neurótico sempre precisa do seu contraponto e de outro neurótico que alimente o ciclo. Ok, todos nós somos neuróticos, há vários graus, mas esse trio ultrapassa um pouco o limite do aceitável. No início eu achei que Alma seria diferente e iria desestabilizar pelo diferente, mas ela é doente e neurótica igual aos irmãos. Quando uma mulher bebe demais em um evento com um vestido dele, Alma não tem a mínima compaixão. Arrancam o vestido dessa mulher. Inclusive a irmã do estilista disse que essa mulher que teve o vestido era a dona da casa que ele estava. Eles continuam se achando acima de todos os outros e das dificuldades dos outros. Não tem o mínimo de empatia com as dificuldades dos outros. Verdadeiros monstros. Os dois estão lindíssimo. Vicky Krieps está impressionante. Todos os seus gestos são leves, calculados e pensados. Ela interpreta uma mulher silenciosa e pensativa. Gosto muito de Daniel Day-Lewis, mas o personagem não existe muito. A irmã é interpretada por Lesley Manville.
A fotografia e a trilha sonora são belíssimas. Os vestidos são bonitos, mas é uma época de exageros que não me agradam muito. É muito bacana ver a equipe de costureiras chegando ao trabalho, o perfeccionismo dos trabalhos. O filme é ambientado em 1950.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Vício Inerente

Assisti Vício Inerente (2014) de Paul Thomas Anderson no Max. Eu adoro esse diretor, quando vi que tinha esse filme coloquei pra gravar e vi logo. É uma piração só, fascinante, confuso e não há interesse em desatar os nós. O roteiro é baseado no livro do Thomas Pynchon que fiquei com vontade de ler agora. Falam que esse escritor é autor de livros longos e complexos.

Nosso protagonista é um hippie na década de 70. Ele recebe uma visita da ex que é amante de um milionário. A esposa tem um amante também e procuram a moça para ela participar em um golpe no milionário. O ex é detetive e ela quer saber se deve aceitar. A bela jovem é interpretada por Katherine Waterston.


O detetive é interpretado pelo Joaquin Phoenix que está incrível. É a época da explosão das drogas, sexo e bebidas. O detetive usa drogas. Nas investigações aceita tudo o que oferecem, ácido, cigarros, bebidas, ficamos o tempo todo na dúvida se realmente descobriu aquele fato ou teve alucinação. Tudo muito inteligente. 

Reese Witherspoon faz uma pequena participação. Ela é a atual namorada do detetive. Eric Roberts interpreta o milionário e aparece muito pouco, apesar de ser o personagem de todas as ações do filme. Serena Scott Thomas, irmã da Kristin Scott Thomas, interpreta a mulher do milionário.

Só quando fui ver as fotos é que me toquei que esse momento era uma paródia a santa ceia. Eu lembro claramente dessa cena, tem uma descoberta importante nela, mas no filme não percebi que era uma ironia com a santa ceia.

Vários bons atores participam de Vício Inerente. Josh Brolin faz um excelente policial perturbado desde que perdeu o seu parceiro. Owen Wilson e Benicio Del Toro interpretam personagens bem importantes na trama. No elenco ainda: Shannon Collis, Martin Dew e Hong Chau. São muitos atores, mencionei só alguns. E claro, a trilha sonora é ótima. A ambientação da década de 70 é incrível, bem como os figurinos.

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Sangue Negro

Assisti no cinema ao filme Sangue Negro (2007) de Paul Thomas Anderson. Eu adoro esse diretor e esse filme é um dos fortes concorrentes ao Oscar. Também adoro o protagonista, Daniel Day-Lewis, que já ganhou o Globo de Ouro e Bafta de Melhor Ator por sua atuação em Sangue Negro e espero que ganhe o Oscar. O filme de Paul Thomas Anderson, Magnólia é um marco na minha vida, como uma divisória de águas, então quis muito ver Sangue Negro que é completamente diferente. Igualmente contundente, mas é baseado livremente no livro Oil!, escrito em 1927 por Upton Sinclair (1878-1968), que relata um pouco da início da exploração do petróleo nos Estados Unidos.

Um período em que muitos fazendeiros não sabiam das perfurações e em terras pouco produtivas vendiam suas fazendas por um preço muito baixo, sem saber que vendiam para exploradores de petróleo que ficavam milionários com as perfurações. O personagem do Daniel Day-Lewis é um grande explorador de petróleo e compra inúmeras fazendas. Ele é egoísta, cruel e um grande empreendedor. No início mostra bem a precariedade dos poços de perfuração, a quantidade elevada de acidentes de trabalho, a forma insalubre como trabalhavam.

Aos poucos as torres vão se profissionalizando, ficando mais produtivas e funcionais. A reconstituição de época das perfurações é surpreendente. Li nos créditos finais inúmeras exploradoras de petróleo que auxiliaram a confecção do filme.

As relações são muito complexas, lembram muito a forma do diretor abordar a complexidade de sentimentos. Amamos e odiamos nosso protagonista que tem uma relação muito forte e conturbada com o filho que ele ama muito, mas que dada a dureza até mesmo da época, tem sérias complicações afetivas. Sangue Negro é muito difícil de assistir, denso, complexo, forte, fiquei bastante chocada com toda a condução da trama, reflexiva, assustada. Excelente fotografia de Robert Elswit, maravilhosa direção e interpretação!

Em paralelo mostra a vida de outro explorador, um homem que se diz religioso e com o dinheiro da exploração do petróleo monta a sua igreja e enriquece explorando os fiéis.
O elenco está maravilhoso. Amei o menino que interpreta o filho do nosso protagonista, o Dillon Freasier, é emocionante o seu desempenho. É a estréia dele no cinema. O pastor é interpretado por Paul Dano. Ele também interpreta seu irmão gêmeo, só que eu só descobri que eram dois quando fui ler as matérias depois. Outros do elenco são: Ciaran Hinds, Mary Elizabeth Barrett, Sydney McCallister e David Willis.

Novamente a trilha sonora de um filme de Paul Thomas Anderson é um personagem, é angustiante e claustrofóbica como o filme. A composição é de Jonny Greenwood. Incrível!


Música do post: Original Music By Jonny Greenwood - Eat Him By His Own Light


Beijos, Pedrita