Assisti ao documentário
Em Quadro (2009) de
Luiz Antonio Pilar no
Arte 1. Estava começando esse documentário, adoro os atores, e assisti. É muito bom!
Em Quadro entrevista quatro importantes atores negros que adoro:
Zezé Motta, Milton Gonçalves, Léa Garcia e
Ruth de Souza. Muito interessante como cada um lidou e atuou nas produções, Alguns mais engajados, outros nem tanto, uma grande e fascinante diversidade.
Gostei que cada um foi entrevistado individualmente. Zezé Motta contou que onde estudava e morava a maioria era branca, então ela queria o cabelo liso. Quando foi aos Estados Unidos com peruca chanel ficaram horrorizados e foi aí que ela passou a usar o cabelo como é o dela mesmo. Na época se usava muito cabelo black power e foi assim que ela usou nesse período.
Quase todos falam do quanto gostaram de fazer o filme
Filhas do Vento que gostei muito e comentei
aqui. Contam que é um filme sobre uma família, suas dificuldades onde todos são negros. Mas não é um filme sobre racismo. E sim sobre uma família qualquer, que poderia ser de qualquer país.
Alguns dão depoimentos. Gosto demais do pesquisador Joel Zito Araújo que conseguiu resumir algo que tenho tentado dizer para amigas sem sucesso. Ele disse que o negro é escolhido para a dramaturgia para falar de negritude, e que o branco para humanidade. Eu penso assim. O negro é escalado para falar de racismo, preconceito. Só na TV Record acabei vendo novelas onde os atores eram escolhidos pelos personagens independentes de serem negros e brancos. Independente de serem ricos ou pobres. Ando bem cansada na TV Globo com a segmentação que criam. Se vai ter comunidade na novela, serão na maioria negros. Os brancos no asfalto. E só falam de negritude, racismo. E não personagens humanos sobre questões ampliadas. Não vejo a hora desse círculo vicioso se quebrar.

Milton Gonçalves falou bastante de cinema. Falou de Grande Otelo, do filme Macunaíma. Falaram muito também do filme com ele, Rainha Diaba de 1974 que não vi. O diretor Antônio Carlos Fontoura contou como foi. Milton Gonçalves foi apresentado ao roteiro. Vendo o quanto era forte, consultou o filho se ele aceitaria, e o filho aceitou e ele fez. Milton Gonçalves disse que gosta de interpretar bandidos.
Ruth de Souza atuou muito em filmes da Vera Cruz e comentou sobre
Sinhá Moça que comentei
aqui. Os cineastas
Roberto Farias e
Cacá Diegues também dão depoimentos.
Cacá Diegues fala inclusive do belíssimo filme O Maior Amor do Mundo com a
Léa Garcia e claro,
Zezé Mota e
Diegues falam muito do filme Xica da Silva de 1976 que também quero ver eu só vi a novela da
TV Manchete. Não sei se concordo com o samba da abertura. Acho que reforça esteriótipos. Eu vi outro documentário sobre os negros nas artes,
A Negação do Brasil, que igualmente gostei muito e comentei
aqui.
Beijos,
Pedrita