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terça-feira, 18 de novembro de 2025

Arrastados de Daniela Arbex

Terminei de ler Arrastados (2022) de Daniela Arbex da Intrínseca. Sabia que não seria uma leitura fácil, mas acho fundamental não esquecermos dessas tragédias para pressionar por responsabilidades. Há ainda inúmeras barreiras de rejeitos em risco, que esse horror nunca se repita. 

O marcador de livros é em feltro e lã.

Eu gosto muito como a jornalista escreve e seu apuro investigativo. Ela começa a obra no dia do rompimento da barragem, 25 de janeiro de 2019 com os funcionários se dirigindo ao trabalho, pegando o ônibus, encontrando os colegas, encomendando pastéis com o colega do ponto adiante, falando dos seus trabalhos do dia. E vai mostrando outros funcionários, o que iam fazer. Os trabalhadores falam o tempo todo dos inúmeros protocolos que dão a falsa sensação de segurança.
Até que a barragem se rompe e em minutos vai arrasando tudo. Os bombeiros começaram a ir de onde estavam ao local, depois outros bombeiros de outros estados também seguiram pra lá. Os bombeiros de Minas Gerais estavam com os salários atrasados, mas mesmo assim foram incansáveis. Com salários baixos, muito menos do que a função perigosa merece, nem o pouco que recebem é honrado. Enquanto os que distribuem as verbas só enriquecem. Eu acompanhei pela televisão esse resgate de helicóptero, é uma mulher que está sendo resgatada. Procurei inclusive o vídeo. Foi a TV Record que filmou enquanto eles tentavam tirar a mulher repleta de rejeitos, que escorregava. Chorei de novo. Os rejeitos faziam os acidentados pesarem muito mais, além de escorregarem. Foi muita agonia. Eu sofri demais com a leitura. Em um determinado momento eu resolvi ir até o fim de uma vez, terminar logo, para acabar logo aquele sofrimento. Passei então finalizando o livro no fim de semana.
Eu acompanhei muito na época as investigações, e o livro se aprofunda ainda mais. Em junho de 2018, a empresa que fez a avaliação para dar o laudo disse que estava longe do aceitável. A barragem tinha que ser interditada imediatamente para ações de contenção. A Vale se recusou, usou o laudo anterior que está aceitável e continuou os trabalhos. Descobriu-se depois que duas empresas antes se recusaram a dar o laudo que estava aceitável e foram trocadas. Na avaliação, avisaram que os rejeitos cobririam as regiões rapidamente, que o administrativo e o refeitório seriam soterrados, No dia 25 ao desastre, era hora do almoço, e o refeitório estava lotado, todos morreram. Em 2018, a Vale ignorou, colocou o laudo como aceitável e continuou trabalhando, não podiam parar os trabalhos e as extrações. A jornalista conta também a enxurrada de indenizações que geraram um número enorme de moradores de Brumadinho que surgiram se dizendo ser do local. E vidas não se indenizam. Até hoje a flora e a fauna contém alto índice de rejeitos de minérios, tudo foi destruído. 270 pessoas morreram, algumas levaram anos pra ser encontradas, ainda há desaparecidos. O livro fala do trabalho do IML, da dificuldade em descobrir quem eram as pessoas. Com o tempo ficou pior, porque só se achavam pedaços. Agora mesmo há uma investigação internacional de uma das empresas que trabalham com a Vale. Vi uma entrevista de um acusado dizendo que já tinha sido realizada no Brasil, não tinha sentido ser feito fora do país. Ah, nenhuma investigação será suficiente. E a impunidade no Brasil é notória. Sabiam e mataram 270 pessoas, só pagaram indenizações, os responsáveis não foram presos. A lei no Brasil não é igual para todos.
No último capítulo, Daniela Arbex conta como chegou até escrever o livro. Ela é de Minas Gerais, vivia em Juiz de Fora e no dia do rompimento da barragem seguia para o Rio Grande do Sul porque escrevia o livro da Boate Kiss. No caminho começou a receber uma enxurrada de notícias de Brumadinho. Voltou para Juiz de Fora, falou com o jornal impresso que trabalhava, mas já era época do fim dos jornais e não tinham recursos para enviá-la a Brumadinho. Familiares de vítimas da Boate Kiss ajudaram nos custos e ela seguiu para Brumadinho. Fez a primeira matéria com foco nos familiares que aguardavam informações de seus entes queridos. Os familiares nunca aceitaram a palavra desaparecidos, porque todos sabiam onde eles estavam, embaixo da lama de rejeitos. Pelo livro da Boate Kiss, Daniela falou com a Intrínseca, disse que estava em Brumadinho e eles disseram que só ela poderia relatar o ocorrido e fazer um livro. Um ano depois veio a pandemia, ainda tinham corpos sem localização. Ela tomou todos os cuidados, mas continuou o trabalho. Até saber que seu irmão, sobrinhos, estavam com Covid. Uns dias depois todos estavam bem, exceto seu irmão, saudável e jovem, foi hospitalizado, intubado e morreu 8 dias depois. Lidando com o luto, ela passou a sentir mais ainda a indignação dos familiares e focou muito o livro no relato dos irmãos pela trágica sinergia que passou a sentir. Daniela e o irmão eram muito unidos, se apoiavam profissionalmente. Ele chegou inclusive a fazer o documentário do livro Holocausto Brasileiro que comentei sobre o livro aqui.
Ao final, o livro traz a lista dos 270 mortos e suas profissões.
Desde o desastre de Mariana e suas impunidades eu acompanho matérias sobre o tema. Só recentemente, dez anos depois, é que os desabrigados de Mariana receberam suas casas. Iguais aqueles condomínios pavorosos que vimos em Central do Brasil. Mariana era uma área rural e a cidade fantasma é urbana, sem nada em volta, só casas.
Sobre o desastre de Mariana tem aqui o texto do documentário Vozes de Paracatu e Bento da GloboNews.
Sobre a mineração, suas impunidades e destruição do meio ambiente tem o documentário Lavra.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 29 de março de 2019

Essas Mulheres

Assisti Essas Mulheres (2005) de Marcílio Moraes e Rosane Lima na TV Record. Sempre quis ver essa novela. Não consegui quando estreou, depois reprisaram, estava vendo, mas a TV Record tirou de repente porque não dava ibope. Criticaram inclusive quando a TV Record reprisou agora porque no começo estava mal de ibope, mas não tiraram, felizmente, e pude ver até o fim. Inclusive depois Essas Mulheres passou a ser o produto de maior ibope do horário. Era o tempo que as novelas eram realizadas em São Paulo, então praticamente todo o elenco é de São Paulo.
Essas Mulheres é livremente inspirada em três obras de José de Alencar, Senhora, Lucíola e Diva. Apesar da inspiração ser um autor tão retrógrado e machista, a novela era feminista e abolicionista. Essas Mulheres se passa na época de Dom Pedro II, onde ainda existia escravidão, mas fala-se o tempo todo na libertação dos escravos, de ter dignidade, que o estudo pode mudar a vida de uma pessoa. Essa novela é um clássico folhetim, com a história de três mulheres que sofrem o diabo até a redenção nos últimos capítulos. Amo as atrizes que interpretam as três mulheres: Christine Fernandes,  Miriam Freeland e Carla Regina. Como as novelas de antigamente, tudo fica atropelado no final com todas as tramas se resolvendo. Hoje em dia as tramas vão se diluindo antes do final, não fica tudo para os últimos capítulos.
Repleta de vilanias, Essas Mulheres tinham vilões insuportáveis interpretados por Paulo GorgulhoAdriana Garambone e Roberto Bomtempo. Linda a história de Marli, interpretada pela ótima Ingra Liberato, mais linda que nunca, que ganhou um amor proibido com Lobato (Milhem Cortaz).

Na trama há um jornal onde todos os textos abolicionistas aparecem e ainda a declamação de muitos poemas, inclusive de Castro Alves. Os jornalistas, a maioria abolicionista, estão sempre lutando contra as injustiças. Daniel Boaventura interpreta o dono do jornal. Gabriel Braga Nunes o abolicionista mais famoso. Marcos Breda o de sentimentos liberais. Marcos Winter faz um bon vivant que torra o dinheiro todo da família na Europa e na volta, para sobreviver, torna-se um grande advogado. A trama é bem feita, no começo o advogado é chacota na corte, tem enorme dificuldade, mas consegue superar o início difícil e a falta de experiência.
Mila se apaixona perdidamente por um médico alienista que estudou na Europa, interpretado pelo Alexandre Moreno, outro ator que adoro. Como sempre acontecia nas novelas da TV Record os negros tem personagens expressivos. Simão (Luciano Quirino) amava Jesuína (Valquíria Ribeiro). Simão vivia de pequenos trambiques e acaba sendo fundamental na trama. Sua irmã Raimunda (Lena Roque) era escrava da casa do ministro e vivia lá com seu irmão Martim (Fernando Oliveira). Os quilombos eram muito bem retratados. O líder do quilombo foi interpretado por Gésio Amadeu.

Eu adorei a história da Mariquinhas (Stella Tolbar) que se apaixonou pelo Ministro (Ewerton de Castro). Adoro os atores que fizeram o casal. Nunca tinha visto uma novela tratar com tanto cuidado uma história de amantes. É comum a mulher ser a culpada da sedução de um homem poderoso, hoje em dia ainda fazem a cena do espancamento da adúltera como nos tempos bárbaros. Já em Essas Mulheres o tema foi tratado com muita delicadeza. Mariquinhas era e é dessas mulheres que ficam sem história própria. Na trama ela já passou da idade de casar, não tem dote, então vai ter a função de cuidar dos parentes e sobrinhos, sempre, sem vida própria, vivendo a vida dos outros. Sem querer o ministro e ela vão se apaixonando. Ela resiste. Ele monta uma casa pra ela, que casa mais lindinha. Ela solicita que ele peça a benção a mãe dela e não é que ele pede? Obviamente a mãe fica horrorizada, mas o irmão jornalista tenta fazer a mãe entender que para a Mariquinhas ter um amor, quando não parecia mais possível, é muito bonito e pela vida que ela tem, poderia ser bom ter uma história só dela. Mariquinhas demora para tomar a decisão, mas segue para a sua casa depois. A condução da trama e a maturidade dela foi muito bonita e revolucionária até mesmo para os dias de hoje. Eu fiquei pensando o quanto as novelas falam pouco da família da amante. Muitas vezes a família sabe e as novelas abordam pouco essa questão.
Outro casal que gostava muito era do banqueiro com a professora, dois atores que também gosto muito, Luciene Adami e Luiz Carlos de Moraes. A filha fica horrorizada e faz tudo para acabar com o relacionamento, por sorte a professora não morre com o veneno que toma. Ela era uma mulher culta, tinha sido professora das três protagonistas de canto, piano. Muito injusto as damas da corte não aceitarem só porque ela não era uma mulher de posses, embora mais culta que a maioria. A doçura de Ordália era encantadora e como a atriz está linda.

Também adorava o casal Paulo (João Vitti) e Glória. Mas o barão (Tácito Rocha) que se apaixonou pela cortesã era muito simpático também. uma graça a filha da Gloria, Aninha (Camila dos Anjos), que se apaixona por Pedrinho (Leonardo Miggiorin). Que triste a história do casal Júlia (Raquel Nunes) e Geraldo (Theodoro Cochrane). Atualmente Cochrane tem em uma novela a mesma mãe que em Essas Mulheres, Ana Beatriz Nogueira. Muito engraçado o casal Nicota (Natália Rodrigues) e o paspalho Tadeu (Cássio Reis).

Por ser uma novela de época tinham muitos eventos com música. Gostei de ver Leonardo Fernandes ao piano e Sandro Bodilon cantando, aparecem outros músicos na trama.

O elenco é grande,  A Damiana (Paixão de Jesus), segunda mãe de Aurélia, a Firmina (Tânia Alves), Toquato (Petrônio Gontijo),  Bela (Talita Castro) Rodrigo (Carlo Briani), Nina (Maria Clara), Laura (Maristrani Drech), Emilia (Silvia Salgado), Lucia (Rejane Arruda) e Mateus (Rodolfo Valente). E participações especiais com grandes atores também: Selma Egrei, Celso Frateschi, Sérgio Mamberti, Antônio Petrin e Pascoal da Conceição. Como repararam pelas fotos, Essas Mulheres foram exibidas em vários canais a cabo.


Beijos,
Pedrita

sábado, 30 de junho de 2018

Apocalipse

Assisti a novela Apocalipse (2018) da TV Record. Eu tenho o hábito de ver novelas que estão começando. Algumas vezes só vejo um capítulo, outras uma semana. Gosto de saber quem são os atores, qual a concepção. Não gosto das novelas religiosas em geral, mas estava curiosa sobre Apocalipse. Esse cartaz, que foi o de divulgação da novela, é da fase final quando Sérgio Marone interpreta o Anticristo e seus opositores são interpretados por Juliana Knust e Igor Rickli.

Logo no primeiro capítulo eu não queria perder mais nada. Não deixei de ver um único capítulo. Claro, isso só foi possível porque conseguia gravar quando ia perder algo. Infelizmente a novela não foi bem de ibope e eu tenho uma teoria. Eu acho que Apocalipse tinha textos muito complexos, elenco extenso para o público habituado a novelas bíblicas. Eu sempre dou uma olhada nas novelas bíblicas que passam e os textos são bem simples, com vocabulário fácil, muito explicadinha, maniqueístas, o que não aconteceu com Apocalipse que tinham textos densos, ótimo vocabulário e não claros em relação aos comportamentos, todos tinham vários lados. Os personagens eram complexos, cheios de camadas. Só mesmo o Anticristo era mal, o resto tinham atitudes conflitantes. Debora sofreu demais na primeira fase . Sonhava com uma vida diferente da sua religião, era de uma família de judeus ortodoxos, mas o diferente era estudar, viver no Ocidente, ser livre. E como Manuela do Monte estava maravilhosa. E que lindo o ator que fizeram pra contracenar com ela, Felipe Cunha. Na segunda fase Debora era claramente má, amargurada uma grande personagem para a excelente Bia Seidl. Adriano então foi uma surpresa, mulherengo, irresponsável, passa a ajudar os bons mesmo pondo em risco a sua vida. Ótimo personagem também para Eduardo Lago. O público ficou procurando Adriano no céu no final e reclamaram que não acharam, muito justo. 
Na primeira fase eu comecei a ter dificuldade de entender a trama, muitos personagens. E uma pessoa no twitter me informou que porque a novela ia mal do ibope e que por isso começaram a correr e a picotar a trama, uma pena. Por isso estava tão confusa. Eu tinha que vir ao computador para ver que personagem era e que ator seria ele na fase seguinte. 

Gostava muito das tramas de tecnologia, muito bem feitas. As explicações tenológicas também eram ótimas. E adorei a androide interpretada por Giselle Batista, só perto do final é que descobri que ela interpretou as duas androides, achei que uma tinha sido a irmã gêmea dela.

Gostei que na trama tinham também judeus ortodoxos, mas depois soube que tinham na bíblia também. Mas independente disso os textos eram muito bons, colocaram as tradições. Me aborreci quando na abdução muitos bons ficaram só porque não eram cristãos, como se deus diferenciasse as pessoas pelo livro sagrado que leriam e não por seus atos. Judeus bons não seriam abduzidos porque eram judeus, inclusive uma pesquisadora que estava quase descobrindo a cura do câncer não foi abduzida interpretada por Mônica TorresMuitas mulheres da trama eram fortes e bem sucedidas. Nessa equipe de pesquisa ainda estavam duas outras cientistas interpretadas por Carla Marins e Thaís Pacholek. Lizandra Souto interpretou uma grande médica diretora do hospital.
Uma das minhas personagens preferidas era Bárbara, interpretada por Li Borges. Ela era uma âncora de televisão, tinham várias cenas no telejornal, muito bem feitas também. E por ter focado na carreira adiou a maternidade e tentava de modo independente ter um filho. Seu pai era um grande arqueólogo que vai trabalhar em Jerusalém, ele foi interpretado por Edson Montenegro. A própria Zoe era uma mulher forte, uma importante repórter da TV e depois lutou para proteger seu filho.
Outra atriz que adoro e estava no elenco é Samara Felippo, uma policial destemida que tem um romance com um colega de trabalho casado interpretado pelo ótimo Fernando Pavão. Gosto muito dos atores que estavam nesse núcleo: Roberto Birindelli, Augusto Zachi e Igor Cosso. O serial killer foi interpretado por Jaime Periard.

Dois personagens eram cientistas da Nasa interpretados pelos ótimos Emilio Orcciolo Neto e Marcello Valle. Como tiveram fases, e com a abdução muitos personagens sumiram, o elenco era enorme e famoso: Nina de Pádua, Jussara Freire, Selma Egrei, Flávio Galvão, Castrinho, Sidney Sampaio, Leona Cavalli, Beth Zalcman, Henri Pagnocelli, Claudio Gabriel, Jonatas Faro, Lu Grimaldi, Raphael Sander, Murilo Grossi, Luiza Tomé, Marcos Winter, Adriana Prado, ZéCarlos Machado, Pérola Faria, Paloma Bernardi, Sandro Rocha, Thaissa Carvalho, Jandir Ferrari, Junno Andrade, Flávia Monteiro, Juliana Silveira, Lucinha Lins, Marcelo Argenta, Bruno Daltro, Adriana Londoño, Rafael Sardão, Norival Rizzo, Joana Fomm, Carolina Oliveira, Miguel Roncato, Adriano Garib, Renato Livera, Maitê Pirajibe, Cacau Melo, Brendha Haddad e Juliana Xavier. Gostei demais de alguns atores que não conhecia: Thuany Parente, Andrey Lopes, Fran Elmor e o angolano gato Fredy Costa

Já estou em crise de abstinência dessa novela e de seus personagens. Fiquei inconformada que não mudaram o final e não fizeram uma continuação. 



Beijos,
Pedrita

domingo, 10 de dezembro de 2017

A Fazenda - Nova Chance

Assisti A Fazenda - Nova Chance na TV Record. Eu quis começar a ver porque estava preocupada que uma das irmãs Araújo do último BBB aceitasse participar. Marcos Harther tinha sido convidado e tinha muito receio que elas viessem a sofrer novamente. Fiquei tranquila que elas tiveram a lucidez de recusar e passaram o programa longe das polêmicas.

Mas aí vi que a Monique Amin estava participando. Tinha sido a minha preferida do BBB que ela participou. Embora achasse que ela não tinha chance de ganhar A Fazenda, já que a Record tem um público mais conservador, passei a torcer por ela. E que roupas lindas que ela levou, macacões, pantalonas, amava essa da foto de rosas. E gostei que a Rita Cadilac estava participando. A Rita eu me decepcionei bem rápido. Vivia mal-humorada, reclamava de tudo, achava que ela sempre que ia ser votada, tinha mania de perseguição, afinal raramente era votada. Reclamou da participação no programa do Gugu, ficou insatisfeita com a transformação. Monique Amin levei mais tempo para desencantar. 

Amin passou a perseguir Flávia Vianna sem motivo, na verdade A Fazenda toda passou a perseguir sistematicamente Flávia Vianna, porque a risada era insuportável, porque dançava escovando os dentes, enfim, a menina não podia ser feliz. Eu já gostava da Flávia Vianna e logo virou minha favorita. Era de cortar o coração a perseguição, mas não foi só isso, ela não atacava ninguém. Não desqualificava ninguém. Uma elegância de comportamento admirável. O tempo todo Flávia dizia que as pessoas precisavam se respeitar mesmo que pensassem diferente. Não precisavam gostar, mas tinham que respeitar. Mereceu muito ganhar! Espero realmente que os boatos que ouvi da TV Record querer ela nas novelas se concretize.

Inicialmente eu impliquei muito com o Roberto Justus. A Fazenda - Nova Chance começou com sérios problemas de áudio, algo muito amador para um programa com tantos recursos financeiros. Mas eu tive que dar o braço a torcer depois porque estava gostando da apresentação dele. Foi respeitoso com todos os participantes. Confesso que nas provas me incomodava ele dar dicas, ajudar com palpites favorecendo um ou outro candidato, mas gostei muito do apresentador e mais ainda seus figurinos de super herói. Adorava suas calças de couro, roupas coladas, parecia que ele ia sair voando e salvar algum peão.

Adorei a participação do Matheus. Não tinha gostado dele no BBB, mas ele surpreendeu na Fazenda. Defendeu todas as mulheres das agressões verbais que sofreram. Compreendeu a fraqueza da Minerato e a orientou, sem condená-la por não resistir ao Marcos. Foi o único que disse a Flávia claramente tudo o que diziam dela pelas costas. Nem o namorado da Flávia a protegeu tanto. Ié Ié inclusive, na tentativa de continuar amiguinho de todo mundo, omitiu da Flávia as barbaridades que falaram dela e de quem tinha falado. Matheus não, e ainda defendia a Flávia quando os outros falavam pelas costas. Admirável o seu comportamento, pena que não ficou em segundo lugar.



Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Escrava Mãe

Assisti a novela Escrava Mãe (2016-2017) de Gustavo Reiz na TV Record. Não segui, acompanhei. Complementei com os resumos na internet e os resumos do capítulo antes ou depois. Cheguei inclusive ficar um bom tempo sem ver. Produção caprichosa, excelente elenco, foi uma nova experiência para a TV Record. A Casablanca, uma empresa terceirizada, realizou toda a novela em Paulínia, entregou o produto pronto. Foi inclusive um certo stress já que a novela demorou a entrar no ar e os atores se viram presos, sem poder aceitar outros trabalhos. Mas finalmente estreou.

Gostei de vários personagens. Tenho acompanhado o trabalho da Gabriela Moreyra, linda e talentosa. Foi incrível sua interpretação, até porque a novela anda bastante no tempo. No início, uma adolescente cheia de sonhos, depois uma mulher em luta pela liberdade e pela realização do seu amor. Adorei o português que fez par romântico com ela, Pedro Carvalho, igualmente lindo e talentoso. Há vários segredos em Escrava Mãe e ele traz vários. Ele tenta descobrir a história do pai que foi morto. 

Diferente de muitas novelas sobre escravidão, Escrava Mãe mostrou os negros como lutadores, revoltados de sua condição, com quilombo ativo que aparece várias vezes, inclusive indo atacar os engenhos. Começou na África na festa de casamento da mãe da Escrava Mãe. Lindo o capítulo, muito bem realizado. Chegam então os algozes, eles lutam muito, mas são presos e trazidos de navio negreiro ao Brasil. Aqui alguns conseguem fugir e viver um tempo na floresta, mas o capitão do mato os localiza. Juliana, a Escrava Mãe nasce, a mãe entrega para um garoto que leva a menina a uma fazenda. 

Lá ela é tratada com muito amor por essa família, como se fosse mais uma filha, mas claro, sem alforria, é tudo uma farsa como acontecia muito nas fazendas. Fingiam que o negro era livre, para maltratá-lo caso tivesse um único pensamento livre. Ironicamente a única personagem negra conformada é interpretada por Zezé Motta, logo ela que é tão batalhadora pela igualdade. Mas ela explica sempre a Juliana que o melhor é se conformar. Ela é praticamente uma mãe para Juliana, e sabe que se a menina se rebelar vai sofrer muito na mão de seus donos. Ela é submissa por medo, não porque aceita a sua condição.

Um grande mistério foi a chegada da Condessa, adoro essa atriz, Adriana Lessa. Ela envia para o vilarejo, para preparar a sua chegada, o seu lacaio Tozé, interpretado pelo Cássio Scapin. Adoro esses atores. Eles interagiam com o núcleo cômico, mas também tinham seus segredos. Jaime Periard interpretou um vilão. Uma graça a família da Belezinha, e que graça essa atriz Karen Marinho, gosto muitos dos atores que fizeram os pais dela, Cézar Pezuolli e Adriana Londoño, mas esquisito ser índia a mãe. Não me identificava muito com o núcleo cômico ligado a Jardineira, nem a repetitiva e cansativa rivalidade entre duas grandes atrizes Luiza Thomé e Jussara Freire. Apesar que adorei o romance da dona da Jardineira com o capitão, interpretado muito bem por Junno Andrade. O elenco todo era muito bom: Sidney Santiago, Raphael Montagner, Luiz Guilherme, Marcelo Escorel, Elina de Souza, Robertha Portella, Débora Gomez, Marcelo Batista, Manuela Duarte e Mariza Marchetti.

Incrível a personagem da Esméria interpretada brilhantemente por Lidi Lisboa. Começou ela escrava e invejosa da boa vida da Juliana, uma escrava de dentro e tratada como se fosse filha. Depois ela é a irmã da condessa, fica rica e inicialmente, deslumbrada, quer escravos ao seu serviço, como acontecia muito com escravos que mudavam de status. Nova transformação, ela passa a lutar para libertar a irmã escravizada por uma artimanha do poder e a lutar pelos escravos.

Como adorava o casal Atíla e Felipa. Adoro esses atores Milena Toscano e Léo Rosa. Os dois são grandes defensores do fim da escravidão. 

Adoro Ana Roberta Gualda e belo personagem. Ela é a bela Sinhazinha Tereza, que manca e tem que casar com Almeida, apesar de amar e ser amada pelo filho do coronel rival. Linda a canção tema dela. O pai achava que ela sendo manca não ia conseguir um partido e arranja um casamento com o filho de um amigo dele, sem saber o quanto esse pretendente é mulherengo, boa vida e mal. Os dois rivais são atores que gosto também  Fernando Pavão e Rober Gobeh. O pai da Sinhazinha morre logo no começo e é outro ator que adoro Antonio Petrin.

Eu torcia muito pelo romance de Beatrice e Tito Pardo. Adoro esses dois atores que estavam excelentes Bete Coelho e Nill Marcondes. Tito Pardo mostrou o lado cruel dos patrões, o patrão dele sempre prometeu alforria, o que faziam muito para conseguir obediência. Só que quando faleceu, no testamento disse que Tito Pardo só teria alforria após a morte da esposa. Quanta crueldade. Percebi que não estava previsto os dois ficarem juntos, mas se fosse uma novela aberta, pode ser que ficassem. Esse foi um dos problemas de Escrava Mãe, ser uma novela pronta, sem poder ter mudanças. Uma pena, perdeu muito com isso, não podendo mudar conforme o gosto do público.

A novela tinha um formato antiquado, o que fazia com que eu não quisesse acompanhar. Como muitos produtos da emissora, enrolavam o que podiam. Thaís Fersoza estava incrível, mas suas maldades eram uma repetição só. Na chamada do parto da Juliana diziam que seria em um capítulo, quando fui ver, parou no que a chamada mostrava, mas o parto mesmo ficou para o dia seguinte. Não sei como essa tática velha ainda segura o público agora com tantas opções. E essa prática cometeu os mesmos erros de novelas antigas, enrolou o que pode, mas no último capítulo deixou todos os segredos em um atropelo só. Deixando algumas tramas no ar como a história da Felipa, entre outras. Se tivessem modernizado, os segredos iam sendo revelados semanas antes, para que algumas tramas tivessem desfechos longos e belos antes da trama principal que ficaria só para o último capítulo.

Muito inteligente colocar Escrava Isaura para suceder Escrava Mãe. Foi uma bela produção da TV Record, com elenco incrível. Mas ficou gritante a diferença de qualidade técnica. Eram as primeiras novelas na TV Record, com aqueles figurinos pavorosos. Ficou bem chocante logo após uma produção tão bonita como a Escrava Mãe. E ficou mais estranho porque em Escrava Mãe surge uma Isaura, mais de costas, com um belíssimo cabelo e lindíssimo figurino, ficou meio estranho, mas como marketing funcionou muito bem. Leopoldo Pacheco teve em Escrava Isaura um de seus grandes personagens.
Beijos,
Pedrita