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quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Oslo

Assisti Oslo (2021) de Bartlett Sher na HBOGo. Eu demorei pra ver esse filme. Sei o quanto esse tema é complexo, sei que precisam de muitos cientistas políticos analisando. E que por mais que eu venha a compreender é sempre pouco diante da complexidade do tema.

O filme é baseada na peça premiada de J.T. Rogers sobre os encontros secretos para definir os termos do Acordo de Paz entre o governo israelense e organizações palestinas. Interpretam os negociadores: Salim Dau, Itzik Cohen, Jeff Wilbusch, Doval´e Glickman, Waleed Zuaiter e Rotem Keinan.
Um casal norueguês resolve reunir em Oslo líderes e estudiosos desses poderes pra escrever um acordo de paz. São conversas tensas, com solicitações de outros mediadores, até chegar o acordo aos líderes e fazerem os últimos ajustes. Eu falei de uma peça sobre esse tema aqui.
Ruth Wilson e Andrew Scott fazem os intermediadores.

Beijos,
Pedrita

domingo, 3 de setembro de 2017

Meu Saba

Assisti a peça Meu Saba de Daniel Hertz no Teatro Sérgio Cardoso. O texto é baseado no livro Em Nome da Dor e da Esperança de Noa Ben Artzi-Pelossof neta do judeu Yitzhak Rabin ganhador de Prêmio Nobel da Paz juntamente com Yasser Arafat pelos Acordos de Oslo, uma série de resoluções para selar a paz entre os povos israelenses e palestinos.

Em 1995, Yitzhak Rabin foi assassinado por um judeu extremista após um de seus discursos. Clarissa Kahane interpreta a neta de Yitzhak Rabin, Noá Ben Artzi-Pelossof que precisa discursar sobre o avô. Ela vai lembrando de seu avô, de sua história e falando da dificuldade que será discursar. Afinal todos lá conheciam os trabalhos políticos de Rabin, enquanto ela conhecia o avô. 

É uma peça muito triste e contundente. Belíssimo espetáculo! Incomoda muito o microfone do discurso, inteligente demais ser uma grande arma. A cenografia é de Bia Junqueira. Tudo é muito bonito. A iluminação além de linda é muito funcional, é a iluminação de Aurélio de Simoni que divide os momentos da narrativa. Tudo é muito preciso. Triste momento de nossa história. Noá fica indignada de ter sido um judeu que matou o seu avô. Além de falar de um fato histórico muito triste, a peça fala de intolerância, tema tão atual nos dias de hoje.

As fotos são de Pedro Fulgêncio. 
Beijos,
Pedrita

sábado, 12 de dezembro de 2015

Inch´Allah

Assisti Inch´Allah (2012) de Anaïs Barbeau-Lavalette no TelecinePlay. Eu não sabia da existência desse filme, vi o poster no Now e fui ver o que era. Um dia me programei para ver. Não é um filme fácil. Nossa protagonista é uma médica canadense que vai trabalhar em um hospital no Ramalah. Ela vive em Jerusalém e todo dia atravessa a fronteira. A amiga dela de Jerusalém é uma oficial. A médica cuida de mulheres grávidas e crianças no hospital. Ela se veste de calça jeans, fuma, se diverte na noite de Jerusalém, a amiga também. Suas pacientes usam lenços e poucas de burca.

A diretora é canadense e o grande trunfo é ela fazer o filme na ótica das crianças, mães e mulheres. Essa médica é uma observadora, com os olhares de quem não está acostumada a aquela realidade. Ela se afeiçoa a uma de suas pacientes grávidas e começam a conviver. Essa família vive do que vende do que pega no lixão. As crianças, mulheres e idosos vão ao lixão buscar o seu sustento. Essa família tem um único homem, o outro está preso. São famílias na maioria de mulheres, idosos e crianças.

Inch´Allah é um filme doloroso, que lança um olhar sob esse universo. E esse é o grande valor do filme, mostra realidades duríssimas, violência, pelo observador. Deixa os questionamentos para nós. Abra um leque para pensar, sem ter a pretensão de julgar. Incrível os atores já que são cenas dificílimas de realizar. A médica é interpretada brilhantemente por Evelyne Brochu. A amiga paquistanesa por Sabrina Ouazani, a atriz é francesa. A amiga oficial por Sivan Levy, a atriz é de Israel.O paquistanês por Yoseuf Sweid, o ator é de Israel. As crianças também estão incríveis no filme. Inch´Alllan ganhou Prêmio de Melhor Filme na categoria Panorama.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

À Procura de Sana

Terminei de ler À Procura de Sana - Duas palestinas, dois deuses (2012) de Richard Zimler da Relume Damará. Foi a Fátima Pombo que me apresentou esse autor e eu li dele Trevas da Luz, que gostei muito. Aí ela me presenteou com esse. Logo no início quase pensei em ler primeiro O Último Cabalista de Lisboa que adquiri recentemente, mas resolvi antecipar esse já que o presente já estava aqui há um tempinho. Eu tinha uma enorme curiosidade de saber porque a Fátima Pombo queria me presentear com esse livro. Durante a leitura volte e meia achava que era por aquele trecho, ou mesmo aquele. Mas a arte é isso, posso ter imaginado algo totalmente diferente do que fez ela me presentear. As possibilidades da arte são tantas, que qualquer suposição pode ser totalmente diferente do que aconteceu. Interessante é que a obra dá essa sensação de que tudo pode ter sido muito diferente, já que são muitos segredos, alguns por proteção, que podem ser bem diferente como relataram.

Obra de Ismail Shammut

Quando Richard Zimler vai participar de um evento conhece uma mulher que se mata no dia seguinte. Ele conhece ela muito rapidamente e ela diz ter lido o livro dele O Último Cabalista de Lisboa. Ele fica muito chocado com o suicídio, ele não tem certeza, mas tudo indica que foi um suicídio e começa e tentar saber um pouco mais dessa mulher. Desse fato então começa À Procura de Sana e uma mistura de ficção e realidade. Conhece então Helena, e é ela que começa a contar um pouco a história dessa mulher. São histórias cheias de mistérios e segredos já que elas nasceram em uma região de muitos conflitos. O tempo todo ficamos na dúvida se realmente o que contam a ele é como aconteceu, porque os segredos é que protegem as pessoas. O fato do Richard Zimler ser judeu, dá muita propriedade a obra. É um judeu falando de palestinos, de violência, contando a história dessas duas mulheres pelo olhos de quem procura. Ele não conta como um judeu, e sim como o relatam, mas o fato dele ser judeu, fortalece a narrativa, já que o interesse dele é tentar entender um pouco o que pode ter acontecido e não de fazer uma apologia a qualquer conflito. Em meio as investigações acontece o ataque a 11 de setembro, o que dificulta muito obter informações, já que aqueles com quem Zimler falava precisam sumir por uns tempos por segurança, mesmo que não estivessem envolvidos, só por serem palestinos.

Obra Paisagem sobre a Lua de Jumana El Husseini

À Procura de Sana é um livro muito triste e dramático. Essas duas amigas passaram maus bocados com a violência a seu povo. Helena, amiga de Sana, acha que não é possível acordos de paz, e com a leitura do livro essa sensação fica bem forte. Há muita intolerância em todos, muito ódio. O que a família de Sana passa é aterrorizador. A violência com a sua mãe e com o seu irmão especial é assustador. Raramente e família é avisada que algum parente foi preso, ele simplesmente desaparece. Basta alguma denúncia, com fundamento ou não, para uma pessoa ser presa, torturada e massacrada. E o ódio vai se expandindo. Os judeus também sofrem com os ataques e a violência, mas o ódio que alguns policiais usam contra palestinos suspeitos é revoltante.

Obra de Sliman Mansour

Em vários relatos fica clara a angústia dos palestinos de não poderem viver em suas terras. Na infância a família dessas mulheres precisa sair de onde vivem. E voltam clandestinamente. Uma família consegue os documentos para se fixar, a outra não. Depois, por questões de segurança, alguns precisam viver em outros países, mas sempre falam do desejo de voltar, de viver entre os seus.

Todos os pintores do post são palestinos.


Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Free Zone


Assisti Free Zone (2005) de Amos Gitai no Telecine Cult. Eu gosto bastante desse diretor e amei esse filme. É um roteiro muito feminino elaborado pelo próprio diretor e por Marie-Jose Sanselme. Free Zone é uma co-produção entre Israel, França, Bélgica e Espanha. Começa com uma música incrível sobre a compra de um cordeiro. A frase da música é repetida várias vezes até que o gato come o cordeiro, repetem várias vezes novamente até o cachorro comer o gato e assim a música vai. É muito interessante como o roteiro é exatamente assim, cíclico, como se não houvesse saída para a cadeia do desenvolvimento, ainda mais em povos em eterno conflito.
Começa com a personagem da Natalie Portman chorando muito em um carro tocando a música. A dor dela é tão sentida que eu me emocionei junto. Mas nós não sabemos porque ela chora e não vamos ficar sabendo nunca. Aí ela fala com uma outra mulher que está no carro, que ela deseja sair daquela cidade. A mulher disse que tem que ir a Jordânia, fala que é uma viagem difícil, mas a outra insiste. Vemos então a cena da fronteira, a dificuldade para conseguirem passar. Não há liberdade e facilidade para transpor outro país. Com muita dificuldade elas conseguem passar. E na Jordânia conhecem a terceira guerreira. Não sabemos muito das história das três, mas me surpreendi com a coragem dessas mulheres. As três várias vezes tiveram que começar do zero as suas vidas, sofreram violentamente, perderam tudo várias vezes e nunca, mas nunca desistiram de lutar. Uma é americana, outra israelense e a última palestina, todas as três com vidas difíceis. A israelense inclusive é uma sobrevivente de Auschwitz. As duas outras atrizes são Hanna Laszlo que está maravilhosa e que ganhou por sua belíssima interpretação o prêmio de Melhor Atriz, no Festival de Cannes e Hiam Abbass. Me surpreendi de ver nos créditos o nome da maravilhosa Carmen Maura, ela aparece nas imagens sobrepostas das memórias da taxista que é a sogra da americana.
Gostei muito da técnica de mostrar a memória das duas, como todos nós em estradas, acabamos lembrando momentos de nossas vidas. Esses momentos vem superpostos a cena da estrada. Brilhante! Mas são poucas memórias. Só mesmo da israelense que conhecemos mais detalhes porque ela conta para a americana. Gostei demais de Free Zone, é um filme incrível sobre pessoas corajosas que lutam para conseguirem sobreviver e não tem medo dos conflitos da região que vivem. Elas vivem os seus cotidianos com coragem, e os conflitos, apesar de serem uma eterna ameaça, vivem ao largo de suas vidas. Os conflitos que elas enfrentam são muito mais de pessoas em crises do que de países em crise, como a do rapaz que põe fogo em toda a propriedade do pai por revolta familiar.


Beijos,

Pedrita

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Violação de Domicílio

Assisti ao filme italiano Violação de Domicílio (2004) de Saverio Constanzo no Telecine Cult. Gosto bastante também do título original, Private. Eu fiquei interessada em ver esse filme depois que li um post no blog do Marcelo Janot. Vou tentar explicar com clareza o filme, mas é melhor vocês assistirem a explicação do Marcelo Janot faz no Telecine Cult antes do filme ou no comentário em vídeo no post do blog dele.

O filme se passa na Palestina, uma família de classe média alta acaba tendo que conviver com soldados israelenses em sua própria casa. E eles não falam o mesmo idioma. Os idiomas do filmes são árabe e hebraico.
Violação de Domicílio mostra, por uma metáfora, a insanidade desse conflito, a pouca lógica dessas guerras. Mas como tenho falo no meu blog há anos, não vejo lógica em nenhuma guerra. Outra questão que sempre ressalto fica igualmente clara em Violação de Domicílio. A mãe acha insano o pai não aceitar ir embora da casa invadida. Ele acha que por dignidade e honra, ele e sua família devem permanecer na casa mesmo vivendo de forma tão ruim e com tanto medo. Sempre falo que a mulher não compreende a guerra como o homem, que elas têm mais dificuldade de lutar e são desistem mais de conflitos.
O mais ilógico de tudo é que em uma explicação do pai porque ele acha que eles não devem ceder partindo, ele fala que os filhos ficarão com idéias distorcidas, que ficar sem destino poderá ser ruim para eles e que a luta sem armas é a saída. Mas nós vemos que ele está enganado, quando um filho, revoltado com a situação, se admira sonhando ser um soldado e se vingando de todos. Também ficamos pensando: ir para onde? abandonar tudo e ir viver onde? É um filme ambígüo, angustiante e complexo, mas muito bom.

Alguns do elenco são: Mohammed Bakri, Lior Miller. Hend Ayoub, Tomer Russo e Arin Omary. Violação de Domicílio é baseado em uma história real e ganhou prêmio da crítica no Festival de São Franciso que teve no júri o Marcelo Janot.


Beijos, Pedrita