Terminei de ler
Três Mulheres Fortes (2009) de
Marie Ndiaye da
Cosac Naify. É mais um livro que comprei com 50% de desconto quando a editora disse que ia fechar. Essa capa de Martin Woike com foto de Nahua é maravilhosa e que bela edição. E a obra, estou impactada até agora. A autora é francesa de origem senegalesa. Esse é daqueles livros que você quer que todo mundo leia e quer compartilhar suas histórias. Há um grande estranhamento no estilo. As três histórias parecem até que foram escritas por pessoas diferentes, mas ao mesmo tempo todo o horror de ser mulher em terrenos inóspitos estão nas três tramas. Não há saída, não há como fugir as tragédias.
Obra Savanne de Ismaila Manga
Na orelha do livro há um texto de Jean-Claude Bernardet. Ele falou claramente a sensação que tive no livro, como areia movediça, vamos afundando sem perceber até sermos engolidos e nesse caso engolidos por tragédias indissolúveis. A primeira história a filha vai visitar o pai. Ela se surpreende como ele está desleixado, a casa não tem mais nada. E aos poucos vamos conhecendo essa história pavorosa. É insuportável a não possibilidade de solução daqueles conflitos. Eu queria muito que a protagonista fosse atrás das sobrinhas e adotá-las. É a maior história do livro. As três histórias tem tamanhos completamente diferentes.
Obra Tabaski, Sacrifice du Mouton (1963) de Iba N´Diaye
A segunda história tem um homem como narrador. Ele pensa fragmentos do que pode ter acontecido e é por ele que imaginamos um pouco da história da segunda mulher forte. Está com ele todos os pensamentos retrógrados machistas e violentos, as vinganças, o controle. É igualmente assustador.
Obra de Christian Boltanski
Não sei como é possível alguma história ser pior, mas a última é a pior. É a menor história e a mais dilacerante. Uma mulher fica viúva, por nada ter, vai viver na casa da sogra. Ela trabalha arduamente no negócio da família, mas isso não impede da família do marido mandá-la embora. Como ela não reage, um homem a leva embora e a saga monstruosa dessa mulher começa. Acho que essa história nunca mais vai sair da minha pele.
Beijos,
Pedrita