Terminei de ler Eu Sou um Gato... (1905) de Natsume Soseki da Estação Liberdade. Ganhei esse livro e o marcador de uma amiga. Foi bem estranho ler um livro escrito por um homem depois de vários de mulheres e ainda de um homem oriental do início do século passado.
Na capa a obra Cem vistas de Edo (1857) de Utagawa Hiroshige
Obra Towada Lake Nenokuchi (1933) de Hasui Kawase
Logo no início um gatinho filhote sobre uma violência. Um adolescente o pega e fica brincando de modo violento e depois o arremessa longe da família ao lado de um lago. O gatinho procura um abrigo e entra em uma casa, é enxotado várias vezes pela empregada, mas retorna. O dono vê e diz que se o gato quer ficar que fique. Essa relação antiquada e pavorosa com animais me horroriza. O gato passa a ser o narrador da obra então, ele nos relata o que vê, como uma pessoa, entende tudo o que os humanos falam e até filosofa.
Obra Flor de Cerejeira de Toyohara Chikanobu
É a primeira obra de Soseki e foi publicada em capítulos na revista Hototogisu, então cada capítulo praticamente se encerra. Mesmo que seja o período que o gato vive nessa casa, há uma história contada e fechada a cada capítulo. Sarcástico e espirituoso, o autor critica a intelectualidade japonesa, já que o dono do gato é um professor. Vários autores são mencionados e a edição coloca todos os detalhes e referências. Machistas, os japoneses só diminuem e desqualificam as suas mulheres. O professor trata muito mal a esposa. Tanto a esposa, bem como seus filhos, são praticamente invisíveis, quando são mencionados é para fazer alguma crítica. Só as gueixas são enaltecidas, bem compreensível, já que as gueixas são educadas para agradar aos homens e atender aos seus desejos.
Obra de Kobayashi Kiyochika
O gato nem nome tem. Inicialmente ele tem dois amigos gatos de casas vizinhas. Engraçado quando uma família visita o professor, e o gato resolve conhecer a rica casa deles. Até então o gato gostava de sua casa, mas quando conhece uma casa luxuosa, espaçosa, passa a olhar com desdém a casa que vive. Odiei o final.
Beijos,
Pedrita