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terça-feira, 30 de setembro de 2025

Traição

Assisti Traição do Núcleo Teatro de Imersão no Polo Cultural Chácara do Jockey. Faz tempo que queria ver esse espetáculo, gosto muito da dinâmica. O público acompanha os atores por cômodos para ouvir a história. 

Fotos de Hernani Rocha

O texto é baseado no de Harold Pinter, adaptado pela Adriana Câmara, que faz um dos personagens. Outros do elenco são Glau Gurgel e Carlos Rahal.

A peça começa em 1968 e vai voltando no tempo. Um casal se encontra depois de anos em um bar para conversar. E vamos acompanhando a história de trás pra frente. É uma trama inteligente sobre traições, cheia de textos subentendidos, como o do tênis. Um é editor de livros, falam de literatura, o texto é ótimo. O bom da peça é ir descobrindo aos poucos. O público era muito divertido também, nos divertimos muito. Começamos com algumas cadeiras vazias, mas pessoas que estavam no local vieram assistir também, inclusive muitas crianças. Foi muito engraçada a interação de todos, tinha tempo que não me divertia tanto.

Ao final Adriana contou que o grupo sempre faz teatro de imersão. Nossa, quero ver outros espetáculos, adoro essa experiência. E que no início era em quartos de um hotel. Uma pessoa do público disse que era o San Raphael no centro. Eu adoraria ver em uma mansão, ou mesmo em algum hotel. Agora o cenário tem divisórias de cada ambiente. Nós ficamos embaixo de uma lona linda demais. Cada espaço já tem as cadeiras para o público e a produção nos encaminha para cada mudança de cena. O simpático cenário é do Hernani Rocha e da própria Adriana. O grupo é muito inteligente. Ao final ganhamos o programa com um QR, onde colocamos nome, email e telefone, assim receberíamos em casa uma cena extra, de personagens que ouvimos falar o tempo todo, mas nunca apareciam. Ótima jogada de marketing, porque podem nos avisar dos próximos espetáculos. Eu amei o extra com a jovem faceira da produção, Amanda Policarpo como Judite e Nando Barbosa, como Camargo.

Outra surpresa foi o Polo Cultural Chácara do Jockey. Tem um tempo que esse espaço passou a ser da prefeitura, depois foi tombado e agora abriga uma escola com atividades culturais.

Tem uma biblioteca para se emprestar livros. Tinha inclusive uma criança pegando emprestado um livro quando eu passava.

Uma galeria de arte, com trabalhos das crianças. Reparem na baia de água para cavalos ao fundo. Eu fiz contato com vários que assistiram a peça e uma me contou que lá em cima, que seria mais perto da av. Francisco Morato, é mais cheio, porque lá tem jogos com bolas, futebol, basquete, pista de skate, então fica cheio de garotada. Onde foi a peça estava mais tranquilo. Mas é um ótimo lugar para caminhar, fazer piquenique. Foi uma tarde muito especial.

O vídeo é de um espetáculo anterior.




Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Arcano 17 - Os Surrealistas e a Guerra

Assisti a peça Arcano 17 - Os Surrealistas e a Guerra no CEU Tiquatira. A direção é de Esther Góes. Eu amo espetáculos com textos literários, nesse são poesias de Guillaume Apollinaire  (1880-1918) e André Breton (1896-1966). Os dois poetas passaram por guerras, então seus textos trazem dramaticidade, dor e densidade.

Fotos de Luciano Alves

Ariel Borghi interpreta brilhantemente os dois poetas que possuem características muito diferentes. Eu tinha visto dois espetáculos com o ator, que comentei aqui, mas não lembrava que ele tem uma voz tão potente com ótima dicção. Gostei muito! Os textos de Breton são ácidos, irônicos. Ele viveu bem mais que Apollinaire e é o escritor do Manifesto do Surrealismo.

Trecho de um poema de Breton

Os perigos anteriores foram ricamente repartidos
e mal extintos os carvões no abrunheiro bravo das
sebes
pela serpente coral que sem custo passa
por um delgado
filete de sangue seco
na lareira profunda
sempre e sempre esplendidamente negra

Apollinaire foi a guerra e sofreu um grave ferimento que teve várias sequelas, muitas cirurgias e tratamentos. O poeta escreveu muito na guerra, em seus caderninhos.

Poema de Apollinaire.


Esse espetáculo tem sempre conversas ao final com Ariel Borghi e Esther Góes. Eles contaram que foi na pandemia que a ideia do espetáculo começou a ser realizada. Como eles não podiam encontrar ninguém, eles tiveram que se bastar, comentou Esther. Ariel Borghi é muito ligado a poesias e poetas, então escolheram esses dois. Apollinaire morreu muito cedo da gripe espanhola.

A peça Arcano 17 - Os Surrealistas e a Guerra vai ser apresentada em vários CEUs da zona leste, no mês de junho, sempre gratuitos. Em julho estará em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, com ingressos a R$ 40.00.

Junho nos CEUS da Zona Leste – Grátis!


Dias 11 e 12 de junho, terça-feira e quarta-feira, às 19h

CEU São Miguel – Luiz Melodia

Rua José Ferreira Crespo, 475 – Jardim São Vicente, Zona Leste, São Paulo-SP – 08021-480

Dia 17 de junho, segunda-feira, às 19h30

CEU Parque Veredas – João Antonio da Silva

Rua Daniel Muller, 347 – Chácara Dona Olivia, Zona Leste São Paulo-SP – 08141290

Dia 19 de junho, quarta-feira, às 19h30

Ceu Parque São Carlos

Rua Clarear, 141 – Jardim São Carlos, Zona Leste, São Paul-SP – 08062590

Dias 22 e 23 de junho, sábado, às 18h30 e domingo, às 17h

CEU Vila Curuçá 

Av. Marechal Tito, 3.452 – Vila Curuçá, Zona Leste, São Paulo-SP – 08160495

Julho

De 5 a 28 de julho

Sexta e sábado, às 19hs – domingo, às 18hs

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno – Ingressos a R$ 40,00 e meia entrada

R. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, Centro, São Paulo – SP, 01326-010


Eu sempre fico encantada com as infraestruturas dos CEUs em São Paulo. Esse é dos grandes que são os mais antigos, sempre tem teatros. São vários prédios, em uma região extensa, muito bonito.
Essa é a Biblioteca Doutor Dirceu de Paula Brasil. O significado de Tiquatira é cisterna amontoada ou caixa d´água, mas o nome do CEU se deve ao Parque Linear Tiquatira, com vegetação da mata atlântica que fiquei muito querendo conhecer, mas tenho que me animar porque é muito longe, mais de uma hora de carro.

Não há vídeos do espetáculo, escolhi um com uma entrevista com Ariel Borghi e Esther Góes.

Beijos,
Pedrita

sábado, 1 de junho de 2024

A Metade de Nós

Assisti no cinema A Metade de Nós (2024) de Flávio Botelho. Eu queria muito ver esse filme desde que vi o cartaz. Sou fã do trabalho da Denise Weinberg. Ela e Cacá Amaral estão gigantes no filme. 

Só depois que li a temática e mesmo sabendo que não seria um filme fácil, continuei querendo assistir, ainda bem, porque é um delicado e sensível filme sobre os que ficam após o suicídio de um familiar. Li que o diretor pensou em fazer o filme após o suicídio de sua irmã. Foram dez anos até o filme estrear. Ele escolheu como personagens os pais de um jovem que se suicida. O filme começa com os pais indo ao psiquiatra do filho tentando entender o que aconteceu.
Como acontece em tragédias, as pessoas sofrem profundas mudanças e não é diferente com esse casal. O pai chora muito, bebe, quer falar no assunto, ver fotos e vídeos do filho, mergulhar em seu universo. A mãe quer o silêncio e fica com a raiva. Apesar de tudo o casal é harmonioso. Em alguns momentos percebemos que eram próximos do filho e entre eles. Com esse descompasso dos dois, o marido resolve ir viver onde era o apartamento que o filho morava. A esposa fica com o cachorro do filho. Parecia que o cachorro era da atriz tanto que ficava perto dela. É linda demais a cena final, com os dois em maior harmonia e menor dor, viajando para uma cachoeira onde o filho amava ir.

Eu sempre tenho uma curiosidade enorme de ver os bastidores dos projetos. Em caso de filmes de baixo orçamento, de saber das locações, escolhas. As principais locações desse filme são uma bela casa e um apartamento. Claramente a casa foi emprestada porque é bem funcional. E o apartamento que o filho vivia e era artista plástico. Parece mesmo que é um ateliê de algum artista. Alguns outros que aparecem no elenco são Kelner Macêdo, Clarice Niskier e Henrique Schafer.
O Brasil tem realizado muitos filmes sensíveis sobre o suicídio. O contundente Por que você não chora? e o documentário Elena, onde a irmã tenta refazer os caminhos da que se foi.
Eu assisti A Metade de Nós no Espaço Augusta, que resiste bravamente. Volte e meia de movimentos para que não seja derrubado ou finalizado. Os cinemas da Augusta são os meus preferidos em São Paulo. Quantas memórias! Fui a inúmeras estreias, com debates no final, onde pude conhecer muitos cineastas. Sempre fico emocionada quando estou lá! E agora com a tentativa de destruir esse local tão precioso, fiquei mais emocionada ainda. Que resista!
 
Beijos,
Pedrita

domingo, 11 de junho de 2023

Parque Alfredo Volpi

Voltei ao Parque Alfredo Volpi. Como comentei, eu fui em uma semana que chovia muito, as trilhas encharcadas, mal pude caminhar. Agora com a seca que está aqui em São Paulo, pude explorar bem mais e como é bonito. As fotos mesmo ficaram mais bonitas porque está um belo dia de sol.

São tantas fotos bonitas que está difícil selecionar algumas. Consegui andar por vários caminhos, gostei como eles se entrecruzam.
Dessa vez cheguei até os banheiros. Não entrei, mas achei o lugar muito simpático. Há uma escadaria enorme ao lado dos banheiros, preferi voltar pela trilha mesmo. E uma outra trilha para outro lado que vou deixar pra outra vez.

Há espaços pra piqueniques, A guarda local disse que mais tarde muitos vão aproveitar esses locais, comemorar aniversários. Eu fui bem cedo. Tinham só algumas pessoas correndo e uma andando.

Eu fico até com medo de cair porque só ando olhando pra cima, é fascinante, a vegetação é deslumbrante.

Eu não parava de tirar fotos. Foi difícil escolher algumas pra postar.



Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Parque Alfredo Volpi

Fui ao Parque Alfredo Volpi. Meu pai me mostrou um jornalzinho de um empreendimento, que não faltam aqui onde moro, e tinha uma mansão. Fui pesquisar no Google, era a Mansão do Safra, mas antes localizei esse parque que eu sabia que existia, já tinha passado em frente, mas nunca tinha ido, que achei um absurdo, já que é tão perto aqui de casa.

Que surpresa maravilhosa! É um oásis de mata fechada duas quadras da Marginal Pinheiros. É a Mata Atlântica! Tem inúmeras trilhas. Como tem chovido bastante, infelizmente não consegui explorar muito, já que eu estava com um tênis que se molharia todo. O solo estava afundando, e demoraria pra secar porque em muitos lugares é tanta mata que não dá pra ver o céu.
Que sensação maravilhosa! Tem lago. Os sons de floresta vão ficar guardados na minha memória. Lembra os bosques que fui na infância.

É um bom lugar para ir com crianças maiores, pra elas conhecerem como funciona uma mata fechada, mesmo que urbana, tem muitas características da Mata Atlântica. As árvores, as plantas, todas se misturando, os insetos, aranhas, passarinhos. Só é melhor ir em época que não chove, pra aproveitar melhor. Tinha uma trilha fechada. Mas são muitas trilhas, de todos os tipos. Tem banheiro que eu ia ver como está mas como disse, meu pé afundou e voltei. Tentei outra trilha, mas só um pedaço também. Só tinha eu no parque, e os seguranças que conseguiam ir pelas trilhas porque estavam de coturnos, fiquei com inveja. O parque tem estacionamento gratuito. Bicicletas não são permitidas. É bom ir em época de seca, porque dá pra aproveitar melhor.
Os empreendimentos vivem de olho nessas áreas. Já tentaram destruir o Parque Burle Marx e não conseguiram. Espero que nunca consigam nesse. E que continue rústico. Com as concessões, os parques tem se transformado com aquela ideia de que tudo tem que ser explorado. Com a visão urbana de "conforto": lugares pra comer, ciclovias disso ou daquilo e perdendo suas características naturais. O bom é sentar nos bancos que existem, na sombra, ouvir os sons da mata, o frescor da vegetação e ficar explorando a fauna e flora. É muito bom ver áreas com vegetação natural seguindo o seu curso, só deixando livres os caminhos.



Obra Grande Fachada Festiva (1950) de Alfredo Volpi

Alfredo Volpi (1896-1988) foi um grande artista plástico brasileiro, que nasceu na Itália. Ele deve ter orgulho de dar nome a um parque que preserva o meio-ambiente, que tem natureza abundante, rústica, com inúmeras vegetações da Mata Atlântica.

Achei um vídeo que ilustra bem o parque.
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 24 de maio de 2022

Biblioteca Parque Villa-Lobos

Visitei a  Biblioteca Parque Villa-Lobos. Há uns anos vi uma matéria, não sabia que o parque tinha uma biblioteca e quis conhecê-la. Existe há 7 anos e eu nunca tinha ouvido falar. Bibliotecas foram as provedoras das minhas leituras por muitos anos, quando não tinha condição alguma de adquirir exemplares. Era sócia de várias. Amei que essa tem muitos títulos novos, lançamentos. Qualquer um pode ser sócio se inscrevendo e pode levar 5 exemplares pra casa e ficar por 15 dias. Pode renovar, mas não peguei detalhes e regras da renovação. Eu não leio um livro a cada 15 dias, com raras exceções, mas para livros infantis que são muitos, é uma ótima opção.

Há internet livre sem precisar logar, computadores pra usar, lugares pra ler. Há salas que podem ser usadas pra home-office, salas com televisão.

No terceiro andar há livros em braile e áudios livros. Também há computadores adaptados para deficientes visuais. Não entendi porque esse espaço não é no térreo, já que não há rampas, só escadas e um único elevador que cabe cadeira de rodas. As escadas são sinalizadas, com vários alertas para deficientes visuais.

No site oficial diz que há um Orquidário, mas não tem vidros como na foto, falam que está em reforma, mas parece totalmente abandonado, com tudo enferrujado. Disseram que tem muito tempo que não existe. No site até falam como cuidam das orquídeas que como vocês percebem não existem. Eu não sou apaixonada por esse parque que não mudou muito. Não há placas de sinalização, foi um custo descobrir que lado estavam o Orquidário e a Biblioteca que é ao lado oposto a região mais arborizada. Deixei pra outro dia seguir para o lado arborizado. Falta de comunicação é uma regra no local. Tudo falta. Tudo tem que adivinhar ou torcer pra achar alguém do parque pra perguntar. Eu levei livro pra ler, não queria ler na biblioteca porque se estava ao ar livre, queria ler ao ar livre, mas nada era aconchegante ou convidativo. Bancos ao sol e mal cuidados, pouquíssimas árvores, alguns poucos guardas, preferi vir embora. O estacionamento custou R$ 6, 50 por meia hora, R$ 13,00 por hora. Então para pegar e devolver o livro pode sair R$ 13,00 ou R$ 26,00, não compensando. Eu iria pegar um único livro a cada 15 dias, aí compensa mais comprar os livros nas feiras virtuais. Dá pra ir de transporte público, mesmo o metrô sendo perto aqui de casa, ia demorar muito porque a mudança de estação para o trem é longa e a caminhada até o parque um pouco longa também e a região perto da estação ao lado do parque não é lá muito segura. Talvez aos fins de semana seja melhor.
Dá pra alugar essas bicicletas coletivas e as tradicionais, não perguntei os preços. Uma família alugou quatro bicicletas, imagino que o passeio deva ficar bem caro. O melhor é estacionar nas ruas próximas, mas sozinho pode não ser muito seguro e levar lanches para um piquenique para reduzir os custos. Há locais pra lanches e alimentos, mas os preços eram bem salgados, muito acima de outros espaços. E os lugares pra comer feios, sem bancos, mesas, ao sol, nada simpático.

Pelo vídeo dá pra ver como o local onde fica a biblioteca é mal cuidado, sem vegetação, sem árvores, feio mesmo.

Beijos,
Pedrita