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domingo, 15 de junho de 2025

Sonhos Roubados

Assisti Sonhos Roubados (2009) de Sandra Werneck no BrasilianaTV. Sempre quis ver esse filme. Conta a história de três adolescentes interpretadas brilhantemente por Nanda Costa, Kika Farias e Amanda Diniz.

Sem perspectivas, elas vivem como adultas, com dilemas adultos, mesmo tão jovens. As três vão a escola, mas vivem sem aulas por falta de professores, greves. E elas vivem a vida adulta muito antecipadamente. A mais velha, com 17 anos, tem uma filha e vive com o avô de Nelson Xavier que conserta bicicletas. Ela divide a guarda com o pai da criança, de Silvio Guindane e tem que lidar com a avó da criança, religiosa que não pratica os preceitos básicos de qualquer religião. Ela é interpretada por Zezeh Barbosa.
A do meio se apaixona por um bandido, Guilherme Duarte, que monta casa pra ela. As duas mais velhas aceitam esporadicamente fazer sexo por dinheiro e ganhar uns trocados.

A menor vive com a tia, Lorena da Silva, e o marido dela, Daniel Dantas. Ela está prestes a fazer 15 anos e o sonho é uma festa onde ela vai dançar valsa com o pai, Ângelo Antônio, que não quer saber da filha. Ela é abusada pelo tio. Marieta Severo tem um salão e ela começa a ajudar a jovem a realizar seus pequenos sonhos e ensinar o ofício do salão pra ela.

Em um desses encontros é que a mais velha conhece um preso de MV Bill. É com ele que ela começa a construir uma relação mais equilibrada e consegue ajuda de um advogado para lutar pela guarda da filha. Quando o preso for solto ele tem sonhos e a inclui, ela não sabe se vai seguir, espero que tenha conseguido ir com ele e ter uma história melhor.

Beijos,
Pedrita

domingo, 19 de janeiro de 2025

Ainda Estou Aqui

Assisti no cinema Ainda Estou Aqui (2024) de Walter Salles. Finalmente consegui assistir! É tudo e mais um pouco do que dizem. Contido, sem melodrama, o filme causa um silêncio ensurdecedor! 

O filme conta a história de Eunice Paiva. O roteiro se baseou no livro de seu filho, Marcelo Rubens Paiva. Ela era dona de casa, como ela mesmo dizia, cuidar de cinco filhos. Ela tinha uma funcionária que ajudava na casa. Uma belíssima casa a beira mar no Rio de Janeiro.

Gostei que o filme contextualiza a história da família. Rubens Paiva (Selton Mello) era -ex-deputado e engenheiro. Ele se debruçava na construção da casa da família. Calorosos, afetuosos, recebiam muito em casa. Essa foto é em uma das festas. A filha (Valentina Herzage) ia viver nos Estados Unidos. Eles também adoravam tirar fotos, tinham uma caixa lotada delas. Interessante que no futuro, olhando as caixas, eles não lembram que dia foi esse, como acontece mesmo, já que eles viviam tirando fotos. Nesse período atuam Luiza Kosovski, Bárbara Luz, Pri Helena, Dan Stulbach, Humberto Carrão, Caio Horowicz, Augusto Trainotti, Carla Ribas, Maite Padilha, Charles Fricks, Thelmo Fernandes, Camila Márdila, Daniel Dantas, entre tantos outros.

Até que Rubens Paiva é levado pra depor. Ele vai no carro dele mesmo. Eles não conseguem saber quem o levou para depor. É quando o silêncio ensurdecedor se instala. Com crianças pequenas, Eunice escolhe o silêncio. Homens armados ficam alojados na casa dela, vários. Ela inventa uma história pros filhos. Dá muita angústia os filhos interagindo com os bandidos. A personalidade da Eunice era incrível. Ela oferece as refeições, eles dizem não precisar, mas ela faz questão. Ela não se intimida, pede que eles escondam as armas, fala que é uma casa de família.
Ela e a filha de 15 anos são levadas pra depor como em um sequestro, capuz preto, algemas. Desesperador a angústia de Eunice querendo saber da filha. A filha passa uma noite e é liberada. Nenhuma das duas são torturadas, o que normalmente acontecia. Ficar sozinha em uma sala fétida, sem banho, sem informação, sem direito a advogado, é uma tortura desesperadora. Nem assim Eunice se intimida. Ela pergunta sempre sobre o marido, sobre a filha e consegue de seu carcereiro a informação que a filha já foi pra casa.  Imagine o desespero dessa mãe. Os filhos de uma hora pra outra ficaram sem os pais, só com a funcionária, sem ter notícias.
Ela começa a ter problemas financeiros. O marido desaparecido, nada pode-se mexer. E claro, os sequestradores negam que levaram o Rubens Paiva e que ele nunca mais saiu. Falam que ele fugiu com terroristas. Em um determinado momento, um conhecido em sigilo, conta que tiveram a informação que Rubens Paiva está morto. Ela começa a lutar pelo corpo como Zuzu Angel e para que o exército assuma o seu crime. Ela viu o carro do marido no pátio quando foi presa, consegue ir buscar, ela vai incomodando como pode. Diferente da Zuzu, ela não é assassinada para ficar calada. É nesse período que ficamos sabendo que aquela casa maravilhosa era alugada. Ela pega os cinco filhos e vem para São Paulo para a casa dos pais dela.
Eunice passa a trabalhar com tudo o que pode, traduções. Volta a estudar e se forma em advocacia aos 47 anos. Além de trabalhar pela liberação de presos políticos, informações sobre desaparecidos, ela se torna indigenista. No filme mostram uma palestra dela sobre a viagem que fez a floresta amazônica para denunciar os massacres indígenas na construção, muitas vezes irregular, da Transamazônica. Fernanda Torres está maravilhosa, que atriz! Mas eu concordo com a atriz em seus discursos, o filme só chegou onde está, pela Eunice, é a personalidade dela que espanta todos no filme. Corajosa, nunca calada, mas sempre estratégica na proteção dos seus.
Eunice Paiva levou 25 anos para receber o atestado de óbito de Rubens Paiva. Somente 25 anos depois que o exército admitiu ter torturado e assassinado Rubens Paiva. Ela sorri e fala que é estranho sorrir por um atestado de óbito e fala do sofrimento que é a família de um desaparecido. Quem já mexeu com inventário sabe muito bem o que ela estava falando. Sem falar na porta aberta de sentimentos com um desaparecido. Uma jornalista pergunta se não há questões importantes pra ser resolvidas para retomar ao passado. Eunice é rápida e categórica, não, enquanto os culpados não foram julgados e punidos por seus crimes, tudo pode acontecer novamente. Ao fundo está Marcelo Rubens Paiva, já escritor e autor do livro Feliz Ano Velho na época.

Eunice Paiva teve Alzheimer e ficou uns 15 anos com a doença. No final Fernanda Montenegro aparece como Eunice. Outros nesse elenco são Antonio Saboya, Maeve Jinkingis, Marjorie Estiano, Maria Manoella, Olivia Torres e Gabriela Carneiro da Cunha.  A trilha sonora é incrível e tem no Spotify. A mais reverberada é a linda de Erasmo Carlos, 
Eunice e Rubens Paiva.

Essa foto foi feita para uma matéria da revista Manchete.

Eu acabei assistindo no meu cinema preferido de São Paulo, o Espaço Augusta que agora finalmente ganha patrocínio da Petrobras. Fiquei muito emocionada porque o cinema ficou sem patrocínio e indefinição por bastante tempo, era muita angústia. E fiquei muito emocionada quando entrei perto da hora do almoço e estava lotado. Um amigo até perguntou se eu tinha conseguido comprar ingresso pra esse filme porque semana passada não tinha. Infelizmente eu não pago mais meia porque antes era Espaço Itaú de Cinema. Acham que o Itaú talvez continue dando desconto com alguma fidelidade. Assim espero porque fiquei bem irritada com o banco de deixar de apoiar esse cinema.

Beijos,
Pedrita

sábado, 26 de março de 2022

Um Lugar ao Sol

Assisti a novela Um Lugar ao Sol (2021-2022) de Lícia Manzo na . Eu amava essa novela que sofreu bastante com a pandemia. O começo foi gravado antes da pandemia, aí parou, depois tiveram que fazer ajustes pra poder finalizar.

A trama dos gêmeos era ótima, Cauã Reymond brilhou nos três personagens, três porque Christian como Renato também era outra pessoa. Abordava muitas questões. Um Lugar ao Sol falou muito sobre adoção em inúmeros personagens. Os dois eram do interior de Goiás. Como se fazia muito antigamente e ainda um pouco infelizmente, mesmo sendo ilegal, uma família vai buscar uma criança ainda não registrada de uma família pobre. Eram dois irmãos, um estava doente. A família só quer o que está melhor. Um cresce em uma família rica, a mãe o mima demasiadamente e o sufoca. Pra se libertar de toda a pressão, torna-se alcoólatra e usa drogas. Sem moral alguma vai comprando tudo e a todos. Christian é criado em orfanato, estudioso, sonha uma vida melhor e para o seu irmão de orfanato Ravi (Juan Paiva), bem mais novo que ele. Muito interessante que Christian toma o lugar do Renato e vai se parecendo cada vez mais com o irmão, mas não tanto, tem características diferentes. O final da novela desandou, Infelizmente a grande espera virou uma espera demais para a revelação de que Renato era Christian. No último capítulo, em um corre corre ruim, o que mais se esperou foi engolido em tão pouco tempo. 
Eu adorava o casal Rebecca e Felipe (Gabriel Leone). Andréa Beltrão estava majestosa. Ele, namorado da melhor amiga da filha (Fernanda Marques), ela modelo, com dificuldade de conseguir trabalho na área aos 50 anos. Pena que a autora não bancou a relação. E não foi por influência do público porque a novela começou já terminada. Todo o discurso que amor não tem idade foi por terra separando o casal. Até fez uma volta relâmpago em um momento mas mais fake impossível. A novela infelizmente teve muitos problemas de continuidade quando precisou ser esticada e muitos furos. Bom, ninguém usava whatsapp, tudo mundo aparecia na porta da casa, novela nunca tem porteiro, sem avisar. Felipe vai atrás de Rebecca, mas ela está voltando de um encontro. Teria que ser noite, ela foi dançar, como o rapaz vai sem avisar de madrugada? E o Alzheimer de Elenice que desapareceu. Ela já vinha com confusões mentais, esquecendo muita coisa., mas conseguiu fugir da clínica, achar a casa da Bárbara, lembrar em detalhes tudo o que ia dizer e um tempo depois no tribunal também lembrava de tudo. Essa autora ama doenças, fato que me manteve distante na exibição de outra novela sua. Em Um Lugar ao Sol a autora extrapolou nesse quesito. Até Felipe teve um câncer muito raro em jovens no intestino, nem se deu ao trabalho de escolher algo mais condizente com a idade dele. Os doentes em geral tinham maus raríssimos, precoces, que pouco se via, pra ser bem dramático. Doentes que ficaram ou já estavam eram a mãe da Rebecca (Débora Duarte), Felipe, Bárbara (Alline Moraes) e a mãe que já tinha morrido, só aparecia nos diálogos, Elenice (Ana Beatriz Nogueira), Santiago (José de Abreu), Túlio (Daniel Dantas), Gesiel (Antonio Pitanga), a gravidez da Ilana (Mariana Lima), sempre com maus raríssimos, onde teve uma escolha de Sofia, qual bebê ia querer salvar. José Renato (Genézio de Barros) que fica doente e morre. A parente da Elenice. O pai do Breno (Luiz Serra) sempre foi tratado como doente, mas nunca pareceu que necessitava de cuidados exagerados que impedissem sua filha (Claudia Missura) de ter uma vida própria. E após acidentes como com Ravi  e Aníbal (Reginaldo Faria). Elenice e Teodoro (Fernando Eiras) morreram de Covid, mas só comentaram, não mostraram. Dois adictos Júlia e (Denise Fraga e Eduardo Moskovis), não bastava um. E com várias cenas, demasiadas, no AA. Enquanto algumas cenas que desejávamos mal apareciam, outras ganhavam tempos absurdos. No começo queríamos ver mais em detalhes a transformação de Christian em Renato, depois a revelação. Mesmo a trama da Thaiane foi atropelada, resolvida a parte jurídica em conversas em voz baixa em um show.
Foi lindo demais o amor entre Ilana e Gabriela (Natália Lage). Ilana teve muita dificuldade de admitir que estava apaixonada por sua amiga de adolescência. Ilana teve um casamento muito difícil com Breno (Marco Ricca), que era imaturo. Ela que bancava as contas, trabalhava demasiadamente, mas ele cobrava um filho depois de muito tempo de casados. Ela aceita, engravida, e novamente parece que teria que gerir tudo sozinha. Gabriela veio pra somar, pra amar e dividir tudo, obstetra bem sucedida, poderia não só ajudar na criação da filha, mas como dividir as despesas e funções da vida adulta. Já Breno se encontrou e se uniu com outra imatura, a cansativa Julia.
As mulheres em geral eram fortes e batalhadoras. A avó Noca (Marieta Severo) ensinou a neta (Andréia Horta) a lutar por seus anseios. As profissionais (Stella Freitas, Ju Colombo e Georgina Castro) competentes do cantinho da Noca. A personagem Janine (Indira Nascimento) fez uma participação. Ela era uma talentosa escritora que se vê envolvida em uma trama sórdida de liberar direitos autorais. A professora (Betty Gofman) que interfere ajudando a aluna a ter coragem de lutar pelos seus textos e direitos. Ilana uma produtora de sucesso, com uma empresa no ramo da moda. A psicóloga (Regina Braga) que sabia mais ajudar os outros do que se ajudar e ter empatia. Até mesmo a amoral Ruth (Patthy de Jesus), que por meios errados era uma bem sucedida executiva. Cecília (Fernanda de Freitas) que era personal trainer e criava muito dignamente seu filho. Até mesmo a competente governanta (Ângela Figueiredo) que se perde quando vem uma nova chefe na casa.
Eu gostava da trama da Nicole (Ana Baiard) com o Paco (Otávio Muller). As cenas nas dublagens eram ótimas. Gostava dos dois serem do meio artístico, dois atores que complementam sua renda na dublagem. A filha o Paco foi interpretada por Samanta Quadrado e a mãe dela por Claudia Mauro. Tinham alguns ótimos personagens que apareceram na trama atuados por Renata Gaspar, Danilo Grangheia, Danton Mello, Isio Ghelman e Lara Tremouroux.
Fiquei bastante triste e frustrada com os atropelamentos na trama no final, as excessivas doenças, mas no geral eu gostei demais de Um Lugar ao Sol
Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Tudo Bem

Assisti Tudo Bem (1978) de Arnaldo Jabor no Canal Brasil. Esse eu não tinha visto, eu adoro esse diretor. Falam que é o melhor filme dele e é genial! Tudo Bem faz uma crítica a classe média brasileira. Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo arrasam. Há anos casados, ele evita a esposa. Ela, sedenta, fica insistindo ao amor. Incrível a cena que ela fala da suposta amante e ele vai ficando empolgado. Que atores, que entrega!

O apartamento está em obras. Que agonia! Um monte de operários, cheio de comediantes e atores famosos. Stênio Garcia dá um show. Ainda integram esse grupo José Dumont, Anselmo Vasconcelos e Alby Ramos.

Os filhos do casal são interpretados por Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães. É ator que não acaba mais. O marido tem três amigos imaginários: Fernando Torres, Jorge Loredo e Luiz Linhares

Zezé Motta interpreta a empregada. Ela é prostituta à noite, mas quer aumentar seu faturamento. Mente, dá o telefone de uma amiga pra forjar referência. Há dois números musicais com ela maravilhosos! Muitos atores aparecem, vários na festa de inauguração da casa após a reforma, muito engraçado o apartamento sempre lotado, abarrotado. Alguns que ainda aparecem são: Daniel Dantas, Álvaro Freire, Paulo César Pereio, Wellington Botelho e Guilherme Karam.
 
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Novo Mundo

Assisti Novo Mundo (2017) de Thereza Falcão e Alessandro Marson na TV Globo. Direção geral de Vinícius Coimbra. Que novela!!! Além de falar de um importante período histórico brasileiro, ainda teve discursos incríveis sobre escravidão, índios, política, condição feminina. Foi tão impressionante e inesquecível que já estou com muita saudade.

Sim, fizeram algumas licenças poéticas, mas não tanto quanto o que falavam. Mostraram sim os inúmeros envolvimentos de Dom Pedro (Caio Castro). A novela começou com a vinda da Leopoldina (Letícia Colin) ao Brasil para casar com Dom Pedro. Eu tinha comprado antes da novela começar A Biografia  Íntima da Leopoldina de Marsillo Cassotti que comentei aqui. Só depois que soube da novela e aí resolvi ler. Logo que Leopoldina está vindo ao Brasil, Dom Pedro estava se envolvendo com uma dançarina (Luísa Micheletti). Eu acho que ele amou a Leopoldina. Pessoas sedutoras gostam de fazer os outros caírem de amores. Dom Pedro era tão sedutor quanto Domitila (Agatha Moreira), os dois eram muito parecidos. Cheguei a achar que o envolvimento do Pedro com a esposa (Joana Solnado) de Avilez (Paulo Rocha) fosse licença poética, mas não foi. Tinham rumores que ele teria se envolvido com a esposa do oficial realmente.
Foi emocionante demais o Dia da Independência. A novela mostrou ainda o Dia do Fico. Muitos falavam se iam mostrar Pedro passando mal com diarreia, não deixaram claro se era diarreia, mas ele passou muito mal caminhando. Ele tentava voltar ao Rio de Janeiro e passou mal no caminho. 

Logo que a novela começou passaram a dizer que Leopoldina era gordinha. Há um grande equívoco nessa informação. Leopoldina chegou no Brasil com 20 anos, casou e logo engravidou. Morreu com 29 anos e nesses 9 anos esteve grávida 7 vezes, sendo que cada vez são 9 meses e a mulher leva um pouco para desinchar após dar a luz. Algumas vezes, muito provavelmente antes mesmo de terminar a amamentação e desinchar ela estava grávida de novo. Gostei que Novo Mundo mostrou a importância política de Leopoldina. No livro vi que o pai dela era um grande diplomata austríaco. Ela aprendeu com ele a gerenciar conflitos e era ela que auxiliava muito Dom Pedro a resolver os inúmeros problemas que tiveram nesse período conturbado. Leopoldina foi determinante, bem como Bonifácio (Felipe Camargo).

As pessoas ficaram indignadas com a novela ter insinuado que Bonifácio teria se apaixonado por Leopoldina. Quem garante que não? Em tudo o que se lê sobre os dois sempre vem a frase que Leopoldina e Bonifácio estavam sempre juntos, que eles se identificavam muito porque os dois eram muito cultos. Que tinham altas conversas. Não podemos esquecer que princesas e rainhas sempre eram protegidas, quase imaculadas com raras exceções. Leopoldina era amada pelo povo, jamais deixariam qualquer insinuação manchar a sua imagem até por uma estratégia real. Mas quem garante que eles não tivessem nutrido algum sentimento? Sim, Leopoldina era católica demais, jamais aceitaria um envolvimento fora do casamento como se posicionou na novela. Mas achar que Leopoldina não seria uma mulher pulsante, é machismo.

Eram muitos personagens incríveis. Gostei demais de terem criado uma taberna suja, com poucos móveis. Essa reconstituição de época foi incrível. Era muito difícil ter móveis na época, roupas, os personagens repetiam muito as roupas, mesmo os do palácio. E banho não era algo comum. Era raro. Os personagens eram sujados. Licurgo (Guilherme Piva) e Germana (Viviane Pasmanter) foram inacreditavelmente incríveis. Licurgo criava pratos, inventou a feijoada, o frango a passarinho que ele enganava e era de pombo na verdade, pipoca e muitos outros pratos. Mas ele cozinhava muito, mas muito mal. E adoravam ter escravos brancos. Sempre davam um jeito de contratar funcionários sem pagar, explorando mesmo.

Eram tantos casais que eu amava. Wolfgang (Jonas Bloch) e Diara (Sheron Menezes) era um deles. Ela era escrava, ele a comprou e a alforriou. É linda a transformação dela. Inicialmente ela queria ser uma dama, com roupas exageradas cheias de babados. Ela sempre foi escrava de dentro. Quando descobre a violência dos escravos das plantações, resolve se vestir conforme suas origens. As mensagens subliminares de Novo Mundo eram muito impressionantes e inteligentes. Eu tenho curiosidade para saber se Ferdinando (Ricardo Pereira) ficaria com Diara em um primeiro momento. Gostaria de saber se mudaram, porque a rejeição a separação do casal Wolfgang e Diara foi imediata, eu queria o tempo todo os dois juntos e não queria que Wolfgang morresse. E gostei do final que deram ao Ferdinando, muito coerente.

Adorava também o casal Amália (Vanessa Gerbelli) e Peter (Caco Ciocler). Ele era médico e como homem das ciências era cético. Era ainda republicano. Muito interessante os textos dele que não acreditava em nada, tinha divergências com Dom Pedro, Bonifácio. O tempo todo eles falavam em respeitar a opinião do outro, de tolerância. Novo Mundo fez várias pontes com o momento político atual, estimulando a temperança, o diálogo. Até a abertura era muito inteligente, mostrando o caminho do ouro.
Outro casal que adorava era Cecília (Isabella Dragão) e Libério (Felipe Silcler). Ele um importante jornalista dono de um jornal, ela uma mulher a frente do seu tempo, como a maioria da novela, as mulheres em Novo Mundo eram muito fortes e determinadas. Cecília escrevia artigos contundentes sob pseudônimo contra a escravidão, sobre os direitos das mulheres. Mesmo sendo filha de um rico comerciante que enriqueceu com o tráfico de escravos, inclusive ilegal. Apesar de ser uma novela na escravidão, os textos falavam muito de igualdade. Os escravos não era submissos. Eram guerreiros, queriam sempre se juntar a grupos para libertar os irmãos e levá-los a quilombos. 

Boa parte dos empregados eram brancos. Raros eram os negros escravos ou em funções de menor remuneração. Libério era escritor e jornalista, Diara esposa de um rico fazendeiro. Alguns piratas em cargos altos, eram os ricos e davam ordens. Os escravos de ganho, raramente mencionados na ficção, tinham função determinante na trama. Eles ajudavam sempre os bons a levarem e trazerem informações. Amava o trio de empregados do palácio, Dalva (Mariana Consoli), Lurdes (Bia Guedes) e Patrício (André Dias), esse de caráter totalmente duvidoso que odiava Leopoldina, idolatrava Carlota Joaquina (Débora Olivieri) e Domitila. No final juntou-se a esse grupo Nívea (Viétia Zangrandi). Adorei o final que deram as esses personagens.

Adorava os piratas, desde o começo da trama eles se misturavam nas histórias, saqueando, criando aventuras. Fred Sem Alma (Leopoldo Pacheco), Hassan (Thiago Tomé), Jacinto (Babu Santana) e a bela Miss Liu (Luana Tanaka) que nos proporcionou maravilhosas lutas.

Inclusive com a guerreira Jacira (Giulia Buscaccio), que episódio. Jacira é índia, se apaixona por Piatã (Rodrigo Simas), mas ela quer ser guerreira, ele ia ser pajé e não queria saber de caçar. Piatã foi dado ao pai de Ana e viveu em Londres ou viajando com o pai.

Eu gostei bastante também do núcleo dos índios. Os textos foram muito atuais sobre a matança em massa que os portugueses fizeram aos índios na colonização, mas também das violências sofridas nos dias de hoje. Interessante como as tramas se misturavam. Com elenco enxuto, volte e meia alguma trama se encontrava. No início os índios encontram Joaquim quase morto e o tratam. Ele passa a ajudar os índios e se torna Tinga. 

Inclusive o botânico Ferdinando, após perder a sua amada (Maria João Bastos), passa a viver na mata e fazer pesquisas. Ele também vai a aldeia. E fica um tempo por lá.

Joaquim (Chay Suede) e e Anna (Isabelle Drummond) eram o casal ficcional. Eles tem um filho e acabam criando o Quinzinho (Theo de Almeida). Que ator fofo. No início Quinzinho era mudo, depois ficou muito tagarela, grande filho, grande ator. Fofo demais. Adorei que no final o texto brincou com a pieguice do casal. Mas mesmo Anna sendo a mocinha, ela lutava com espada, era heroína também. 

Eram muitos personagens fortes. Sebastião (Roberto Cordovani) estava em todas as conspirações contra Dom Pedro. Queria enviar Dom Pedro de volta a Portugal, permanecendo o Brasil Colônia e sob ordens das cortes portuguesas. Excelente personagem. Sua escrava (Dhu Moraes) tinha sido abusada por ele quando jovem e tinha um filho bastardo, Matias (Renan Monteiro). Ela era praticamente a única negra conformada ao seu destino. A única que acreditava que não deviam irritar o patrão, que tinham até uma vida boa como escrava de dentro. Todos os outros escravos eram contrários a sua condição. Bela negra que casou depois com Matias, a Luana (Jeniffer Dias). Muito bonito que Novo Mundo teve casamentos católicos, indígenas e afros. Várias vezes tinham festas e danças afros.
Eram muitos personagens que adorava. Chalaça (Romulo Estrela), Thomas (Gabriel Braga Nunes), Padre Olinto (Daniel Dantas), Elvira Matamouros (Ingrid Guimarães), Greta (Julia Lemmertz), (César Cardadeiro), Tibiriçá (Roney Villela), Felício (Bruce Gomlevsky), Jurema (Jurema Reis), Dom João (Léo Jaime) e Comandante Millman (Ney Latorraca). Gostei muito de terem intercalado atores que adoramos com outros pouco ou quase desconhecidos em papéis de destaque como Ubirajara (Allan Souza Lima), Francisco (Alex Morenno), Rosa (Aline Morena), Shultz (Ruben Gabira) e Maria Benedita (Larissa Bracher). Novo Mundo foi uma novela que não subestimou o público, sempre indo além do que podia para fazer pensar, questionar, apaziguar e informar.

Beijos,
Pedrita