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domingo, 15 de junho de 2025

Sonhos Roubados

Assisti Sonhos Roubados (2009) de Sandra Werneck no BrasilianaTV. Sempre quis ver esse filme. Conta a história de três adolescentes interpretadas brilhantemente por Nanda Costa, Kika Farias e Amanda Diniz.

Sem perspectivas, elas vivem como adultas, com dilemas adultos, mesmo tão jovens. As três vão a escola, mas vivem sem aulas por falta de professores, greves. E elas vivem a vida adulta muito antecipadamente. A mais velha, com 17 anos, tem uma filha e vive com o avô de Nelson Xavier que conserta bicicletas. Ela divide a guarda com o pai da criança, de Silvio Guindane e tem que lidar com a avó da criança, religiosa que não pratica os preceitos básicos de qualquer religião. Ela é interpretada por Zezeh Barbosa.
A do meio se apaixona por um bandido, Guilherme Duarte, que monta casa pra ela. As duas mais velhas aceitam esporadicamente fazer sexo por dinheiro e ganhar uns trocados.

A menor vive com a tia, Lorena da Silva, e o marido dela, Daniel Dantas. Ela está prestes a fazer 15 anos e o sonho é uma festa onde ela vai dançar valsa com o pai, Ângelo Antônio, que não quer saber da filha. Ela é abusada pelo tio. Marieta Severo tem um salão e ela começa a ajudar a jovem a realizar seus pequenos sonhos e ensinar o ofício do salão pra ela.

Em um desses encontros é que a mais velha conhece um preso de MV Bill. É com ele que ela começa a construir uma relação mais equilibrada e consegue ajuda de um advogado para lutar pela guarda da filha. Quando o preso for solto ele tem sonhos e a inclui, ela não sabe se vai seguir, espero que tenha conseguido ir com ele e ter uma história melhor.

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Arábia

Assisti Arábia (2017) de João Dumans e Affonso Uchoa no Brasiliana. Eu queria muito ver esse filme, já tinha ouvido elogios. Gostei demais! O filme ganhou inúmeros prêmios e está também no MUBI.

Um jovem (Murilo Caliari) vive precariamente com o irmão mais novo. Onde moram é distante de tudo! A tia é assistente social e passa de vez em quando para ver os meninos. Os pais pouco os visitam. É o garoto adolescente meio que cuida de tudo. Um homem é levado ao hospital e é o nosso protagonista. A tia pede ao jovem que busque roupas e documentos onde o enfermo mora. Na casa desse homem, o jovem encontra um caderno com páginas e páginas escritas a mão. O protagonista escreveu a sua história nesse caderno. Entediado, essa páginas de caderno, desvendam um mundo até então desconhecido pra ele. Como a literatura pode transportar alguém de uma vida entediante para um mundo imenso.
A história então tem o narrador, que fala as palavras escritas no caderno. Ele começa dizendo que não sabia se tinha algo a dizer, mas que quando começou a escrever, descobriu que tinha muito o que contar. A capacidade de contar histórias é fascinante. Aristides de Sousa está incrível. O personagem é daquelas pessoas que não tem medo de trabalho e não param de trabalhar. Ele viaja pra tudo quanto é lugar, fazendo todo o tipo de trabalho, uma infinidade de sub empregos exaustivos, mal remunerados e na maioria, insalubres . Ele fala que sempre tem que começar de novo. A cada mudança, ele tem sempre uma pequena muda de roupas e uns trocados. Um infinito recomeço. A última parada é onde o jovem vive. Lá ele trabalha em uma fábrica de minérios, como ele diz, ele tem minérios no pulmão, no sangue, é provavelmente dessa intoxicação que ele vai morrer muito jovem.
Beijos,
Pedrita

sábado, 26 de outubro de 2024

O Cinema das Mulheres

Assisti ao documentário O Cinema das Mulheres (2020) de Vanessa de Araújo Souza do CurtaOn no Brasiliana TV. Eu adoro filmes históricos. Esse fala um pouco da presença da mulher no cinema brasileiro. Fiquei surpresa quantas mulheres dirigiram, produziram filmes, antes mesmo do cinema ser falado. Quem conta boa parte dessas informações é a chefe de um arquivo, Alice Gonzaga. Ela é de uma geração de arquivistas. O documentário conta que as mulheres foram aparecendo nos bastidores desde o cinema mudo, que o Brasil tem um número expressivo de técnicas desde o início do cinema.

O documentário homenageou Ruth de Souza que assistiu a alguns filmes e falou de filmes onde mulheres foram protagonistas. Li uma matéria que as mulheres são minoria como protagonistas de filmes, a matéria falava inclusive de filmes de super heróis. Após a matéria eu passei a prestar a atenção em filmes que tem protagonistas mulheres. Eu vejo muitos filmes dirigidos por mulheres e filmes com mulheres protagonistas, talvez por ter maior identificação, então não consigo analisar com esse distanciamento. E talvez atualmente tenham mais profissionais em destaque na direção. 

O documentário mostrou trechos do filme Sinhá Moça, com Ruth de Souza assistindo. A atriz contou que concorreu ao Leão de Ouro, foi a primeira atriz brasileira a concorrer ao prêmio junto com Katharine Hepburn e Michelle Morgan.
O documentário termina com a retomada do cinema brasileiro marcado pelo filme Carlota Joaquina de Carla Camuratti que dá entrevista no filme.
No Brasiliana TV o documentário está com ótima qualidade de imagem. Diferente desse vídeo.
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 30 de julho de 2024

São Bernardo

Assisti São Bernardo (1972) de Leon Hirszman no Brasiliana TV. Um amigo foi na peça do Othon Bastos que comentou sobre esse filme. Meu amigo disse que é um dos filmes mais lindos que já viu. Fui no Brasiliana TV descobrir essa preciosidade. Que filme maravilhoso! Está entre os melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Bom, é inspirado no livro homônimo de Graciliano Ramos que amei e comentei aqui. O filme foi restaurado pela Petrobras.
 

Othon Bastos está majestoso. Tem vezes que é só a narração com a voz dele e textos do livro. Ambicioso, ele vai dando um jeito de chegar onde quer. A forma como ele compra a propriedade de nome São Bernardo é vergonhosa. É tanta manobra, revoltante. Ele vai prosperando e enriquecendo, sem escrúpulo algum. A fotografia maravilhosa é do Lauro Escorel. As locações são em Alagoas.
Ele decide que precisa casar e escolhe a bela Madalena, na pela de Isabel Ribeiro. Ele faz uma péssima escolha. Ela é professora, escreve artigos em jornais, ele vai se irritando com a personalidade e inteligência dela. Ele é implacável com os funcionários e ela solidária, amiga e próxima deles. O elenco é incrível, ainda estão Jofre Soares, Mário Lago, Nildo Parente, Rodolfo Arena Vanda Lacerda

Que filme bonito! Que planos e enquadramentos lindos! Obra de arte,

Beijos,
Pedrita

sábado, 9 de março de 2024

Açúcar

Assisti Açúcar (2017) de Sérgio Oliveira e Renata Pinheiro na Brasiliana TV. Descobri esse canal no Now, em Canais. É novo! E achei esse filme, eu adoro a Maeve Jinkings.


 

Que filme desconcertante, cheio de símbolos metáforas! Muitas cenas são surreais e fantásticas! E que locação! Foi realizado em um engenho pernambucano. A protagonista chega de barco que anda pela terra. Incrível como foram gravadas as cenas, parece mesmo que o barco está na água. Como chegaram os colonizadores. E sim, é uma decadente fazenda de cana-de-açúcar.

Ela fica na casa grande caindo aos pedaços. Linda a casa, tudo antigo e detonado. Aos poucos entendemos um pouco. Ela não pagou a energia, não tem dinheiro, está falida. Um morador fala que os donos da casa grande estão com inúmeros processos trabalhistas na justiça. E ela comenta com a tia que os antigos funcionários tiveram a posse de um pedaço de terra, provavelmente pra pagar as dívidas deles. E pelo jeito não foi suficiente porque tem muitos processos trabalhistas ainda. O ódio que elas, a dona da casa grande a a tia, dos que ganharam por direito a terra é assustador. Os novos donos do pedaço de terra criaram um centro cultural e recebem dinheiro da Europa pra cultivar "plantas exóticas". Eles então conseguem com esses trabalhos ter renda, manter a terra produtiva. Os da casa grande só conseguem ter dívidas. A dona da casa grande contrata uma funcionária pra limpar a casa. É abominável como ela trata a moça. Reclama do preço, acha que a moça ter que fazer mais do que lhe é designado sem pagar adicional. Em uma briga ela diz que eles, os funcionários, deviam ser gratos, porque a família sempre deu teto e comida. Isso mesmo, acham que podem explorar a mão-de-obra só porque a pessoa vive na terra do outro, e isso tem nome né? A ótima Dandara de Morais é a funcionária. O outro vizinho é Zé Maria.
É tudo sutil e com poucos diálogos. A tia comenta do empréstimo pra plantar chuchu. Isso mesmo, a proprietária achou que poderia ter lucro com chuchu. Eles não sabem o que fazer com a terra. Ela não tem horta, nada pra a subsistência, não tem dinheiro, mas acha que algo milagroso vai acontecer. Que não pode abrir mão do pedaço de terra que sobrou, mesmo não sabendo o que fazer com ele. A tia é a maravilhosa Magali Biff, ela canta em alguns momentos, não tinha ideia que cantasse tão bem. A trilha sonora é incrível. Tem inclusive algumas músicas de Mário de Andrade. É um filme desconcertante!


Eu descobri o Brasiliana TV por um acaso. Não tão acaso assim já que tem um tempo que não assisto mais a programação na hora que passa. Faço como na Netflix, vou ao streaaming e escolho. O Brasiliana TV é um produto do Canal Curta! Será gratuito por três meses e tem uma acervo nesse momento de 87 filmes brasileiros. E séries. Em séries estão programas de entrevistas e vários sobre o segmento. Boa parte dos filmes eu já vi, tem Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil, Quatrilho, Marvada Carne, Inocência, entre outros. Há vários documentários, esses não vi vários, mas vejo pouco documentário. Ao todo serão 340 produtos. Não sei se todos já estão lá, se contaram todos os segmentos. Pra assistir tem que ir no Now, em Canais, que o Brasiliana TV está lá, sem custo adicional, com os outros canais. 

Beijos,
Pedrita