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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Recital In Questa Tomba Oscura

Assisti ao recital In Questa Tomba Oscura da série Humor & Horror do Sesc Vila Mariana. Apresentaram-se a cantora Adélia Issa, o pianista Ricardo Ballestero e o violonista Edelton Gloeden. Vocês sabem o quanto eu gosto de fantasminhas no cinema e devem imaginar como fiquei radiante de ouvir obras eruditas desse gênero. Que repertório maravilhoso. A obra que dava nome ao recital é de Beethoven e muito escura como mesmo diz o nome. Gostei que colocaram em um telão as letras das músicas, então pudemos compreender os textos.
Crédito da foto: João Pires

A de Fernando Sor era de humor, já que dizia que as mulheres e as cordas são parecidas, precisam estar sempre afinadas e se apertar demais estouram. Muito triste a canção de Schubert com texto do Goethe, da criança que diz ao pai que os Elfos estão querendo levá-lo embora. A obra de Henri Duprac com texto de Gautier parecia que eu via os filmes que gosto. Nos divertimos muito com a última canção de Rossini, a canção do bebê, que inclusive teve bis, é uma canção do bebê, engraçadíssima. Edelton Gloeden quis dar mais um  toque cômico e no final da execução colocou uma chupeta, muito divertido. Adorei o repertório. Incrível que esses compositores foram tão criativos seja no humor ou no horror para escrever essas obras, como a música erudita é rica e maravilhosa! O recital foi gratuito.
Crédito da foto: Gal Oppido 

Programa completo:

Ludwig Van Beethoven (1770-1827) - In questa tomba oscura (Giuseppe Carpani)
        
Erik Satie (1866-1925) - Chanson du Chat (Léon-Paul Fargue)

Fernando Sor (1778-1839) - Las mujeres y cuerdas (texto popular)

John Dowland (1563-1626) - In darkness let me dwell (anônimo)

Gioacchino Rossini (1792-1868) - Assez de memento: dansons para piano solo

Hugo Wolf (1860-1903) - Ich hab in Penna einen Liebsten wohnen (texto popular)

Franz Schubert - Erlkönig (J. W. von Goethe)

John Dowland (1563-1626) - Fine knacks for ladies (Anônimo)

Francisco Tárrega (1852-1909) - Gran Vals para violão solo

Franz Schubert (1797-1828) - Der Zwerg (Matthäus von Collin)

Enrique Granados (1867-1916) - El Majo Discreto (Fernando Periquet)

Antonio Carlos Gomes (1836-1896) - Conselhos (Carlos Gomes)

Henri Duparc (1848-1933) - Connaissez‑vous la blanche tombe (Théophile Gautier)

Emmanuel Chabrier (1841-1894) - Scherzo-Valse para piano solo

Felix Mendelssohn (1809-1847) - Hexenlied (Ludwig Hölty)

Cândido Inácio da Silva (1800-1838) - Lá no Largo da Sé Velha (Araújo Porto-Alegre)

Gioacchino Rossini (1792-1868) - La chanson du Bébé (Émilien Pacini)

Coloquei vídeos com outros intérpretes de duas canções do repertório e depois vídeos com os intérpretes mas com outras obras.


Beijos,

Pedrita

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Fausto

Assisti Fausto (2011) de Alexander Sokurov no Telecine Cult. Esse filme é baseado no texto de Johann Wolfgang Von Goethe e é uma obra prima. No início Marcelo Janot falou do filme, que o tom sépia é feito pelo mesmo do filme Amélie Poulan. Eu não li essa obra do Goethe, só li o Dr. Fausto do Thomas Mann que é apaixonante. Eu vi alguns trechos do texto que foram musicados em um recital. Em 2011, vi A Arca Russa desse mesmo diretor e comentei aqui.

Criador e criatura se encontram. Um médico disseca corpos para tentar descobrir onde está a alma. Até que encontra um mercador muito rico e começam a caminhar juntos. É aí que a musa aparece e o desejo de possuí-la. Tudo nesse filme é fascinante. No elenco estão: Johannes Zeiler, Isolda Dychauk, Anton Adasinsky e Georg Friedrich. Fausto é vencedor do Festival de Veneza.

Beijos,
Pedrita

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Silêncio e Sombras

Assisti ao curta Silêncio e Sombras (2008) de Murilo Hauser e Henrique Martins no Canal Brasil. Descobri esse curta por um acaso. Zapeando, vi que começava, como amo animações, resolvi ver. É livremente inspirado em um poema do Goethe. Melancólico e lindo, Silêncio e Sombras emociona. Um menino acaba viajando com um homem e um cavalo. O pianista é Felipe Valério. É muito lindo!
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Recitais Eubiose - Marivone Caetano e Daniel Gonçalves

Fui aos Recitais Eubiose com a soprano Marivone Caetano e com o pianista Daniel Gonçalves. Um belo recital com um repertório lindíssimo de obras de Schubert e Strauss. Linda a voz de Marivone Caetano e gostei muito do pianista Daniel Gonçalves. Antes da interpretação de cada canção uma gravação declamava em português os poemas que iam ser interpretados. Era uma livre interpretação dos poemas originais para ajudar na compreensão. Alguns lieds traziam poemas de Goethe e Henckel.


Franz Schubert (1797-1824)

1. Fr. Schlegel: Der Fluss
2. M. v. Collin: Nacht und Träume
3. Rückert: Du bist die Ruh
4. Goethe: Rastlose Liebe
5. Goethe: Lied der Mignon
6. Goethe: Der Musensohn
7. Goethe: Gretchen am Spinnrade

Richard Strauss (1864-1949)

1.Felix Dahn: Kornblumen
2. Karl Henckel: Liebeshymnus
3. Karl Henckel: Ich schwebe
4. A. v. Arnim: Der Stern
5. A. Fr. Graf v. Schack: Schön sind, doch kalt die Himmelssterne
6. A. Fr. Graf v. Schack: Breit’ über mein Haupt…
7. A. Fr. Graf v. Schack: Barkarole

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O Salão Russo

Assisti ao recital O Salão Russo na Pinacoteca. Continuação dos recitais da série Os Salões Históricos de curadoria de Anna Maria Kieffer. Eu gosto demais de música russa, literatura russa, das artes russas e fiquei fascinada por esse recital, repertório maravilhoso. As canções foram interpretadas pela mezzo-soprano Vesna Bankovic, pelo tenor Mauro Wrona e pela pianista Dana Radu. Como sempre Anna Maria Kieffer falava trechos dos poemas que iam ser interpretados e percebemos o quanto a música russa tem suas peculiaridades. Uma serenata mais parecia uma parada militar. As músicas de amor, mesmo que com um texto alegre, eram melódicas e tristes.

Segue o repertório completo: Michail Glinka (Novospasskoye, 1804 – Berlin, 1857)
Bolero (Kukolnik)
(Minha maravilhosa querida, sou tão feliz com teu amor...
mas... e se me traíres? ...O amor é como um sonho alado - esperança, felicidade - perdoa tudo).
Rimsky Korsakoff (Tikhvin, 1844 – Lyubensk, 1908)
Nie veter, veia svisoti
(Não é o vento que sopra do alto: Tocaste a minha alma e ela está como as folhas ao vento...como alaúde de cordas rasgadas, cobertas com a neve fria de minh’alma; e tu a tocas como o vento das noites de maio)
Vostocny romans
(Romance Oriental : Manhã e noite o canário canta para a rosa, refletindo a beleza desta canção...Um jovem canta para sua donzela que não entende porque é tão triste a canção dele)
P. I. Tchaikovsky (Kamsko, 1840 – S. Petersburgo, 1893)
Moi anguiel, moi druk (A.A. Fet)
(Meu anjo, meu amigo, proteja-me silenciosamente)
Kak nad gariatshiu zaloi ( F.J. Tiutschew)
(Como o fogo consome as cartas de amor, minha vida se consome)
Piesn, Minioni – Niet, tolka tot, kto znal ( Goethe / L.A. May)
(Canção de Mignon: Só quem já passou por isso sabe o quanto sofro, esperando este encontro; sem força. Espero por aquele que está longe...e minh’alma queima)
Sriet schumnava bala (A.K. Tolstoi)
(No turbilhão do baile vejo, trêmulo, aquele rosto que tanto amei)
Sirinada D. Juan (A. K. Tolstoi)
(Serenata de D. Juan sob o balcão de Nisieta)
Ni otziva, ni slova, ni privieta (A. N. Apuchtin)
(Nem uma réplica, nem uma palavra : Entre nós há um deserto e minha pergunta continua sem resposta...entre a raiva e a saudade, sei: tudo passará, como o som da canção esquecida, como uma estrela cadente no meio da noite.)
Snova, kak prejde (A. M. Rathaus / B. Tutenberg)
(Novamente como antes: Estou sozinha, cercada de saudades...sob a luz da lua as folhas sussurram: onde estás?...Reza por mim, amigo, como rezarei – sempre - por ti)
M. Mussorsky (Karevo, Psoc, 1839 – São Petersburgo, 1881)
Das canções de danças da morte (A. A. Golenishtchev –Kutusov)
Trepak
(A tempestade de neve dança com um pobre bêbado)
Sirinada
(A morte faz uma serenata à uma donzela enferma)
S. Rachmaninoff (Semionovo, Novgorod, 1875 – Beverly Hills, 1943)
Son ( A. N. Pleshcheyev sobre Heine)
(Sonho: a utopia de um mundo perfeito)
Poliubila ia na petchal svaiu
(Me apaixonei por minha tristeza: Miserável estou: essa é a vida que me foi dada: levaram-no embora, e agora somos dois soldados solitários...mas essa á a vida que me foi dada)
O niet, maliu, nie uhadi
(Imploro: não me deixes: Nenhuma dor se compara à desta separação...dize-me : te amo...eu fraca e pálida, preciso tanto do teu amor...estejas comigo...não me deixes)

Youtube: N.Rimsky-Korsakov. "The Snow Maiden". Julia Lezhneva


Bejios,


Pedrita

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Salão Germânico

Assisti ao recital O Salão Germânico na Pinacoteca do Estado. Essa apresentação trazia um repertório alemão na voz dos solistas Martha Herr e Walter Weiszflog, acompanhados ao piano pelo Achille Picchi. A curadoria é de Anna Maria Kieffer. Eu gostei demais do repertório, não só bonito musicalmente, como divertido.

Uma dessas canções falava sobre a pulga. O rei adorava a pulga e a promoveu a ministro, que se tornou nobre, bem como toda a sua família. Os nobres não podiam nem se coçar, nem tentar matar as pulgas. Engraçada também a canção sobre os pais que devem segurar os seus biscoitinhos em casa, já que os homens são safados e as moças inocentes. Foi um belíssimo recital e gratuito.

Segue o repertório:



Sigismund Neukomm (Salzburgo, 1778 – Paris, 1858)
Fantasia Brasileira
Joseph Haydn ( Rohrau, 1732 – Viena, 1809)
Das Leben ist ein Traum (J. W. Gleim)
Eine sehr gewöhnliche Geschichte (Christian Weisse)
Guarda quì che lo vedrai (Carlo Francesco Badini)
Saper vorrei se m’ami (Carlo Francesco Badini)
Wolfgang Amadeus Mozart ( Salzburgo, 1756 – Viena, 1791)
Abendempfindung (Joachim Heinrich Campe)
An Chlöe (Johann Georg Jacobi)
Als Luise die Briefe ihres ungetreuen Liebhabers verbrannte (Gabriele von Baumberg)
Warnung (Anônimo)
Friedrich Zelter (Berlim, 1758 – 1832)Wo gehts Liebchen? (Goethe: Mailied)
Ludwig van Beethoven (Bonn, 1770 – Viena, 1827)
Adelaïde (Matthisson)
Aus Goethes Faust (Goethe)
Franz Schubert ( Viena, 1797 – 1828)
Der Hirt auf den Felsen (Wilhelm Müller)
Sigismund Neukomm
Addio agli amici del Brasile


Youtube: von Otter - Als Luise die Briefe ihres ungetreuen Liebhabers verbrannte (Mozart)



Beijos,



Pedrita

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Fausto de Goethe

Fui ao recital com composições do Fausto de Goethe na CPFL em Campinas. Essa apresentação está inserida na série O Mito do Fausto no Tempo e começou com a exibição de um trecho de uma série alemã baseada no livro Dr. Fausto de Thomas Mann que é maravilhoso. Passaram o trecho que o Fausto conta que vendeu a alma ao diabo para realizar o seu sonho de compositor.

Foi um recital maravilhoso, fiquei várias vezes emocionada, arrepiada. Não só pelos belíssimos poemas de Goethe (foto), como pela música e principalmente pela interpretação magnífica dos músicos que eram: Adélia Issa, soprano, Marcos Tadeu, tenor, Carlos Eduardo Marcos, baixo e Ricardo Ballestero (foto: crédito - João Pires), pianista. Magistral!
Adélia Issa (foto) interpretou sempre Margarida ou Gretchen, Marcos Tadeu, Fausto e Carlos Eduardo Marcos, Mefistófeles.

Fiquei muito surpresa de ver quantos compositores fizeram música para o Fausto de Goethe. No repertório do recital estavam os compositores: Beethoven, Schubert, Berlioz, Wagner, Wolf, Boito, Stravinsky e Gounod. Composições, estilos e idiomas diferentes. No palco projetavam os poemas de Goethe que eram interpretados. Achei ótimo porque podíamos acompanhar a dramaticidade de cada momento. Me surpreendi muito com a frieza do público, era um espetáculo de tirar o fôlego, maravilhoso, com interpretações incríveis, mas eles somente aplaudiam.

Não consegui localizar especificamente os poemas que foram interpretados, mas escolhi alguns para ilustrar o post.
Trechos do Fausto de Goethe em que Margarida está sozinha:
Sinto o coração pesado.
Dias de paz, onde estais?
Ai, descanso abençoado,
nunca, nunca, nunca mais!
Inda não quitei a vida,
e já ’stou na sepultura.
Quem nasceu tão sem ventura,
melhor não fora nascida.

Trago esvaído o juízo,
o coração como louco.
Sempre durastes bem pouco,
horas do meu paraíso.

Mefistófoles:

Agora toca a ver se desfazemoso encalhe da soleira.
Quem nos deradente de rato aqui!...
Pedi-lo e tê-lo, tudo foi um; já lhe oiço a roedura;
não tarda uma unha negra. Esconjuremo-lo!

«O Senhor dos ratos, murganhos e moscas,
«das rãs, percevejos e mais sevandijas,
«ordena que roas as figuras toscas,
«que ele unta de azeite nestas pedras rijas.

Beijos,

Pedrita