Antes da ópera, o Theatro São Pedro promove com o maestro Leandro Oliveira uma palestra sobre a obra. O músico falou que Oscar Wilde ficou impressionado com o quadro com As Meninas de Diego Velázquez, com a Infanta e suas amigas. Nesse quadro há uma anã. Então escreveu esse texto. Zemlinsky acabou fazendo a ópera que incomoda, o texto incomoda, ficamos muito desconfortáveis. E parece que muitos se sentiram assim, porque se mexiam nervosamente em suas cadeiras. A Infanta encantava o mundo não só pela beleza, mas pela doçura, mas a Infanta do texto do Wilde é perversa. Insuportavelmente monstruosa.
Eu adoro as direções do William Pereira, está entre os meus diretores preferidos. Ele é simplesmente genial em O Anão. Os figurinos do Olintho Maliquias também são fantásticos. Adorei ainda os cenários de Karina Machado. A música é belíssima. A regência é de André dos Santos a frente da Orquestra do São Pedro. Adorei as cantoras que interpretam as serviçais, incríveis: Raíssa Amaral, Raquel Paulin, Marly Montini e Andréia Souza. Alguns cantores são da Academia de Ópera São Pedro. O Anão é interpretado por Mar Oliveira, a Infanta por Maria Sole Gallevi e Don Esteban por Gustavo Lassen. As fotos são de Heloisa Bortz.
A história é tenebrosa. Um sultão envia o anão de presente a infanta. O anão não sabe de sua condição porque nunca viu um espelho. Além de ser anão ele é manco e tem uma corcunda. A infanta perversamente se diverte com isso e brinca com os sentimentos do anão. Monstruoso. O Theatro São Pedro estava lotadíssimo! Ainda há apresentações 26 e 28, mas não sei se já estão lotadas.
e
Beijos,
Pedrita