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sábado, 13 de junho de 2015

RIGOLETTO - Royal Opera House, Londres — Outubro 2014

(Text in English below)


Assisti à última récita da ópera Rigoletto de Giuseppe Verdi com a produção que a ROH estreou 2001 de David McVicar.

A encenação de McVicar já aqui foi comentada pelo Fanático Um numa récita de 2012.
Diria que o 1.º acto, transportando-nos para uma total orgia, distrai-nos exageradamente da música. Se é verdade que se tratava de uma festa orgiástica, o facto de nos expor deliberadamente (e em vários planos) a cenas de nudez e sexo explícito hetero e homossexual em simultâneo pode tornar-se para alguns espectadores desconfortável, o que, no meu ver, é desnecessário. Acresce que os figurantes se movimentam em palco ruidosamente e aos gritos histéricos... Em todo o caso, é realista.

(orgia do Acto I)

Depois, toda a acção se desenrola em torno de um plano inclinado rotativo que permite tornar vivas as restantes cenas, e fá-lo de um modo sublime e com um jogo de luzes muito bem conseguido, pois transmite muito bem a tensão e o sombrio desta ópera. O guarda-roupa é extraordinário e a direcção de actores muito eficaz. Trata-se, pois, de uma excelente encenação.

(visão geral do cenário rotativo)


Simon Kneelyside foi Rigoletto. A sua presença em palco foi excepcional, encarnando um corcunda rude, altivo e vingativo. A sua voz tem um timbre óptimo para o papel e uma excelente amplitude e projecção, pelo que se faz ouvir facilmente em qualquer plano da sala. O seu Cortigiani, vil razia dannata foi excelente. Tem uma prestação exemplar e é, pois, um Rigoletto desejável em qualquer sala.


Saimir Pirgu foi o Duque de Mantua. Tem uma voz com um timbre muito bonito que projecta bem e com modulações fáceis. Esteve muito bem nas árias mais famosas como Ella mi fu rapita! ou La donna è mobileAlém disso, a sua boa figura e idade jovem, fazem dele um dos mais convincentes Duques da actualidade.


Aleksandra Kurzak foi Gilda. Óptima voz de uma limpidez cristalina, boa projecção e segurança técnica, Kurzak brilhou como Gilda e fez levitar as notas de Verdi. Só se lhe podendo apontar uma falha mínima e muito bem disfarçada numa das notas altas do seu Gualtier Malde!, esteve sublime em toda a récita e o seu final no último acto foi arrepiante.

Destaque ainda para a Maddalena de Justina Gringyte que esteve em bom plano vocal e cénico e, sobretudo, para o Sparafucile de Brinkley Sherratt que teve uma performance de nível muito elevado.

A orquestra da ROH foi muito bem dirigida por Paul Griffiths, não destoando minimamente do nível elevado da récita e o Coro da ROH teve, igualmente, um bom desempenho.

(Simon Kneelyside)

(Saimir Pirgu)

(Aleksandra Kurzak)

Foi, de facto, uma récita memorável com uma qualidade de topo num dos melhores e mais belos locais para se ver ópera: a Royal Opera House de Londres.

Fica um vídeo dos aplausos no final.


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(Text in English)

I attended the last recitation of Giuseppe Verdi's Rigoletto with David McVicar production ROH premiered in 2001.

The McVicar scenario has already been commented on by Fanatic One in a 2012 recital.
I would say that the 1st act, transporting us to a complete orgy, distracts us overly music. If it is true that it was an orgiastic party, the fact that deliberately expose ourselves (and in several scene planes) to nudity and explicit heterosexual and homosexual sex at the same time can become uncomfortable for some spectators, which, in my view, is unnecessary. Moreover, the extras move on stage loud and hysterical screaming ... In any case, it is realistic.

Then, all the action takes place around a rotating inclined plane that allows make alive the remaining scenes, and it does so in a sublime way and with a very successful set of lights , that transmits very well the tension and the darkness of this opera. The wardrobe is extraordinary and the direction of actors  very effective. It is therefore an excellent staging.

Simon Kneelyside was Rigoletto. His stage presence was exceptional, embodying a rude , proud and vengeful hump. His voice has a wonderful tone for the role and excellent amplitude and projection, so it is easily listen in any room of the hall. His Cortigiani, vil razza dannata was excellent. Has an exemplary performance and is therefore a desirable Rigoletto in any opera hall.

Saimir Pirgu was the Duke of Mantua. He has a voice with a beautiful tone that projects well and easily modulates. He did it very well in the most famous arias as Ella mi fu rapita! or La donna e mobile. In addition, his good figure and young age make him one of the most convincing Dukes of today.

Aleksandra Kurzak was Gilda. She has a great voice of a crystalline clarity, good projection and is technically secure, Kurzak did shine as Gilda and made levitate the Verdi notes. It can only pointed minimal flaws namely a minimal and very well disguised fault in one of the highest notes of her Gualtier Malde! But she was sublime throughout the recital and the final in the last act was creepy.

Also noteworthy was the Maddalena by Justina Gringyte who was in good voice and scenic plan and, above all, to Sparafucile by Brinkley Sherratt who had a very high level of performance.

The orchestra ROH was very well led by Paul Griffiths, not clashing minimally the high level of recitation and the ROH Choir has also performed well.

It was indeed a memorable recital with top quality at one of the best and most beautiful places to see opera: Royal Opera House in London.

sábado, 28 de setembro de 2013

GIULIO CESARE, METropolitan OPERA, Nova Iorque, Maio de 2013 / New York, May 2013 – Primeira Récita / First Performance

(in english below)

Giulio Cesare é uma ópera de G. F. Haendel com libreto de Nicola Francesco Haym. Esta produção da Metropolitan Opera foi vista numa transmissão directa MetLive e comentada neste blogue aqui, pelo camo_opera que foi o único de nós que viu a transmissão. O seu texto refere o enquadramento histórico e muitas outras informações interessantes.
Eu tive o privilégio de ver, ao vivo, duas récitas.


 A encenação de David McVicar é muito vistosa, variada, colorida e cheia de acção. Nem os cantores são poupados. Cantam nas mais diversas posições e a movimentação em palco é muito exigente e, no caso do Tolomeo, acrobática. A acção atravessa diversas épocas históricas. No fundo do palco há 4 cilindros que giram continuamente simulando o movimento do mar, efeito usado no passado mas com grande impacto visual. Por lá vão passando, ao longo da récita, navios de diversas épocas históricas, outra opção muito interessante e de grande beleza estética.



 Mas ainda mais importante que a encenação foi a música. A Orquestra barroca foi dirigida pelo maestro inglês e cravista Harry Bicket. Em palco, no 2º acto, o excelente solo de violino foi tocado por David Chan. Toda a interpretação musical foi excelente. E os solistas não poderiam ter sido melhores:


Romanos:
O contratenor norte americano David Daniels foi Giulio Cesare. Já o ouvi ao vivo várias vezes e, mais uma vez, gostei. Tem uma voz bem audível, de timbre agradável e bem colocada. Esteve bem cenicamente, a interpretação é exigente mas, dada a concorrência, não sobressaiu.


 Cornelia, viúva de Pompeu, foi interpretada pelo mezzo irlandês Patricia Brandon. A voz é ampla, bem audível, expressiva e sempre afinada, e a cantora teve uma interpretação muito convincente.


 O mezzo inglês Alice Coote foi o Sesto Pompeo, filho de Cornelia. Foi uma das melhores intérpretes da noite, embora seja difícil a escolha. Coote tem uma voz com invulgar qualidade e projecção em toda a sua extensão. Foi insuperável. Já a vi várias vezes, quase sempre a fazer papéis masculinos, que lhe assentam muito bem, dadas as suas características físicas e vocais.


 Egípcios:
Cleópatra foi interpretada pelo soprano francês Natalie Dessay. Foi assombrosa. Já há muito tempo que não assistia a uma interpretação de Dessay com esta qualidade. É uma actriz que canta e fá-lo como poucas outras cantoras. Tem uma figura excelente, as suas qualidades dramáticas são insuperáveis e a voz esteve ao seu mais alto nível, sem denotar qualquer sinal de desgaste que já lhe ouvi em outras interpretações. E a exigência cénica do papel não é para uma qualquer. Uma grande Senhora da ópera!


 O contratenor francês Christophe Dumaux foi o seu irmão Tolomeu, rei do Egipto e um dos vilões da ópera. Não o conhecia e fiquei boquiaberto com a interpretação. Vocalmente foi o melhor dos contratenores, com uma voz de beleza assinalável, sobretudo no registo mais agudo que é sempre perfeitamente audível e manteve qualidade insuperável ao longo de toda a récita. Não bastasse a voz, o homem é também um atleta e fez de tudo em palco com uma agilidade estonteante e aparente facilidade (até um salto mortal). McVicar tirou o maior partido das invulgares capacidades físicas do cantor, que nos proporcionou uma interpretação como raramente se vê em ópera.


 O terceiro contratenor em cena foi o marroquino Rachid Ben Abdeslamm que interpretou o Confidente de Cleópatra Nireno. Foi outra boa interpretação, cénica e vocal, apesar de o papel ser relativamente pequeno.


 Finalmente o barítono italiano Guido Loconsolo foi um Achilla à altura dos restantes intérpretes. A voz é bem timbrada e o cantor interpretou o papel de forma firme e segura. Também tem uma figura muito adequada à personagem, algo que foi uma constante em todos os solistas.


 Um Giulio Cesare de luxo que, ao contrário do que tinha planeado, me fez ver a ópera duas vezes nesta semana em que estive em Nova Iorque.









 Dentro de dias publico fotografias da segunda récita.

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GIULIO CESARE Metropolitan Opera, New York, May 2013

Giulio Cesare is an opera by G. F. Handel with libretto by Nicola Francesco Haym. This production of the Metropolitan Opera was seen in a direct MetLive transmission and was commented on this blog, by camo_opera. In his text you can find the historical background and many other interesting information.
I had the privilege to see, live, two performances.

The staging by David McVicar is very showy, varied, colorful and full of action. Not even the singers are spared. They sing in various positions and the movement on stage is very demanding and, in the case of Tolomeo, acrobatic. The action passes through different historical periods. In the back of the stage there are 4 cylinders that rotate continuously simulating the motion of the sea, an effect used in the past but with great visual impact. There navigate, along the performance, ships from various historical eras, another very interesting option of great aesthetic beauty.

But even more important that the staging was the music. The Baroque Orchestra was directed by British conductor and harpsichordist Harry Bicket. On stage, in the 2nd act, the excellent violin solo was played by David Chan. All musical performance was excellent. And the soloists could not have been better:

Romans:
North American countertenor David Daniels was Giulio Cesare. I've heard him live several times, and once again I enjoyed. His voice has a broad, pleasant timbre and is well projected. The singer was well on stage, the performance is demanding, but given the competition, he did not excelled.

Cornelia, widow of Pompey, was interpreted by Irish mezzo Patricia Brandon. Her voice is very audible, expressive and always in tune, and the singer had a very convincing performance.

English mezzo Alice Coote was Sesto Pompeo, son of Cornelia. She was one of the best performers of the night. Coote has an amazing voice with an unusual quality in all its extension. She was unsurpassed. I've seen her several times, almost always doing male roles that fit her very well, given her physical and vocal characteristics.


Egyptians:
Cleopatra was interpreted by French soprano Natalie Dessay. She was astonishing. It was one of the best interpretations of Dessay I have attended. She is a singing actress and she performs like few other singers. She has an excellent figure, her dramatic qualities are unsurpassed and her voice was at its highest level without any sign of fatigue that I have heard in other interpretations.
And the staging demand of the role is remarkable. A great Lady of the opera!

French countertenor Christophe Dumaux was his brother Tolomeo, king of Egypt and one of the villains of the opera. I did not know him and I was awestruck by the interpretation. He was vocally the best of countertenors with a noticeable beautiful voice, especially in the high register that was always well audible. He maintained the top quality throughout the performance. Besides the voice, the man is also an athlete and did everything on stage with a dizzying speed and apparent ease (even a somersault). McVicar took the most of the unusual physical abilities of the singer, who gave us an interpretation rarely seen in opera.

The third countertenor was Moroccan Rachid Ben Abdeslam who played Cleopatra's confidant Nirenus. He was another good performer, artistic and vocal, though the role is relatively small.

Finally, Italian baritone Guido Loconsolo was an Achilla at the same level of the other soloists. The voice has a pleasant timbre and the singer was firm. He also has a very suitable figure for the character, something that was constant in all the soloists.

A luxury Giulio Cesare that, contrary to what I had planned, I saw twice in the week I was in New York.

In a few days I will post some pictures of the second performance.

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domingo, 28 de abril de 2013

GIULIO CESARE de G. F. Handel — MET Live in HD, FCG — 27.04.2013


A ópera Giulio Cesare de Georg Friedrich Handel tem libreto de Nicola Francesco Haym e foi estreada no King’s Theatre em Londres no ano de 1724.

A história remonta ao ano 48 a.C. quando a guerra civil de Roma leva César em perseguição de Pompeu que, ao chegar a Alexandria, acaba morto por Ptolomeu, adolescente à frente do Egipto e irmão de Cleópatra, desencadeando um rebuliço geo-político-militar que se tornou um dos episódios iconográficos da história da decadência da república romana. Poderão lerão uma sinopse aqui.


A encenação de David McVicar pertence à Glyndebourne Festival Opera. Põe a acção base no período imperial inglês na Índia do século XIX. O palco está adiantado em relação ao habitual com cinco colunatas sucessivas. Ao fundo, quatro cilindros giratórios representam o mar da baía de Alexandria onde aparecem diversas frotas de barcos de diversos tipos e períodos históricos. Essa transversalidade histórica fica bem patente também no guarda-roupa muito variado. A encenação permite um acompanhamento muito eficaz da obra e expõe todo o espectro de emoções desta ópera que é cómica, trágica, romântica e dramática ao mesmo tempo. A direcção de actores, sempre muito adequada à música e ao texto, é absolutamente complexa e extremamente exigente do ponto de vista físico para os cantores, com imensos números acrobáticos e coreografias.


Giulio Cesare foi o contratenor David Daniels. O seu papel é vocalmente muito exigente e o encenador exigiu-lhe, também, uma enorme entrega física. O contratenor tem uma voz ampla, e encorpada e foi muito regular, oferecendo uma interpretação vocal de muito bom nível e uma enorme disponibilidade física.


O mezzo-soprano Patricia Bardon foi Cornélia. Apresentou-se com uma voz quente bem projectada e cenicamente em muito bom nível, sendo de destacar os seus duetos com Sexto.


Sexto, filho de Pompeu, foi interpretado pelo mezzo-soprano Alice Coote. Tem uma voz com um timbre belíssimo, sempre muito afinada e com uma amplitude muito bem controlada e com agudos perfeitos. Cenicamente esteve muito bem, tendo sido muito coerente e expressiva ao longo de toda a récita. No meu entender, foi o melhor e mais consistente cantor da récita.


O soprano francês Natalie Dessay foi Cleópatra. É um soprano que nos tem habituado a interpretações cénicas de excelência, o que se verificou hoje. Esteve sublime nesse componente. O papel era extremamente exigente e o encenador obrigou-a a fazer quase tudo no palco: até a mudar de roupa! Vocalmente é dotada de uma voz com um timbre muito agradável e, apesar de uma ou outra falha no ataque a uma ou outra nota aguda, teve uma interpretação de óptimo nível. Hoje, se havia dúvidas, demonstrou ser imbatível do ponto de vista cénico: é sobretudo uma actriz de mão cheia com uma voz enorme!


Ptolomeu foi interpretado pelo contratenor Christophe Dumaux. Dos contratenores em palco foi aquele de cuja voz mais gostei: tem um agudo muito bonito e bem sustentado e esteve em muito bom nível vocal. Cenicamente foi, também, uma revelação: faz tudo até piruetas e acrobacias de nível muito atlético. Ele e Dessay teriam nota artística elevada em provas de ginástica artística!


O barítono Guido Loconsolo foi Achilla. Tem uma envergadura física impressionante o que o ajudou cumprir eficazmente do ponto de vista cénico. A sua voz tem um timbre convencional, mas esteve técnica e interpretativamente muito bem. Teve, pois, uma excelente estreia no MET.


O contratenor Rachid Ben Abdeslamm foi Nireno. O seu papel não é muito extenso, mas é extremamente cómico. Fê-lo na perfeição vocal e cenicamente, tendo sido mais uma óptima estreia no MET.


Harry Bicket foi o maestro que dirigiu a Orquestra do Metropolitan e foi também o intérprete do cravo. O nível foi óptimo com um som de orquestra barroca assinalável, muito elegante e brilhante. Foi acompanhado, também, por David Chan, o violinista que sob ao palco para acompanhar Giulio Cesare: além da sua óptima interpretação, acompanhou de modo sublime Daniels com uma expressividade corporal assinalável.

Assistiu-se, portanto, a um conjunto de excelentes interpretações vocais e orquestrais secundados por uma encenação de grande qualidade. Que óptima maneira de acabar a temporada do MET Live in HD!

domingo, 20 de janeiro de 2013

Maria Stuarda de Gaetano Donizetti — Met Live in HD na FCG, 19.01.2013


(Review in English below)

A ópera trágica em dois actos Maria Stuarda de Gaetano Donizetti com libreto de Guiseppe Bardari baseado na peça Maria Stuart de Schiller, faz parte de uma triologia que o compositor dedicou ao período conturbado dos Tudor em Inglaterra (Anna Bolena, Maria Stuarda e Roberto Devereux).
Foi estreada no Scala de Milão em 1835 e, incrivelmente, estreia-se no MET apenas nesta temporada.

(imagens da internet)

A história não tem base histórica verídica e trata da disputa de poder entre as primas Maria, rainha da Escócia, e a rainha Elizabeth I de Inglaterra. Poderão ler uma sinopse no site do MET.


A encenação de David McVicar utiliza vestuário de época detalhado a contrastar com cenários muito simples e pouco recheados de elementos. Destaca-se a caracterização de Elizabeth muito masculina, desajeitada e áspera e uma direcção de actores pobre. É uma encenação que segue o enredo, mas que não enche o olho em nenhum aspecto, chegando a ser até bastante amorfa.


Elza van den Heever, soprano sul-africana, foi Elizabeth I. Caracterizada com um estilo muito masculino e desajeitado, por vezes quase medonho, a sua interpretação foi cenicamente convincente. Quanto à prestação vocal, em termos interpretativos esteve bem e, embora tenha uma voz poderosa e tenha estado afinada, a sua voz não tem um timbre especialmente agradável, sendo, muitas vezes, um pouco áspero.


Joyce DiDonato, meio-soprano norte-americana e muito querida no MET, foi Maria Stuarda. Embora o papel tenha sido escrito para voz de soprano, a qualidade vocal e técnica de DiDonato permitiu-lhe assumir este papel que é vocalmente extremamente exigente, sobretudo no segundo acto. De notar o tremor das mãos e cefálico que apresentou no segundo acto, a denotar a idade 10 anos mais avançada em que este acto se passa relativamente ao primeiro. Esteve em grande nível com excelentes interpretações vocais e cénicas e foi absolutamente sublime no 2.º acto.  Sem dúvida e de longe, a melhor da noite! Esperamos vê-la em grande forma na FCG no próximo mês.

Matthew Polenzani, tenor norte-americano, foi Leicester. É verdade que o timbre da sua voz é agradável, mas isso não faz dele, em minha opinião, um tenor de alto nível. Interpretativamente, quer vocal, quer cenicamente, é sempre muito amorfo e não transparece emoção, vida ou entusiasmo. Foi portanto muito regular e teve uma ou outra falha na abordagens às notas mais agudas.

Joshua Hopkins, barítono, foi um Cecil com um timbre adequado ao papel e cumpriu bem. Matthew Rose, barítono, foi um Talbot excelente quer vocal, quer cenicamente, e é dotado de um instrumento com um timbre muito agradável e potente. Maria Zifchak, meio-soprano, tem um papel menor e cumpriu bem.

Maurizio Benini foi o maestro de serviço e conduziu a Orquestra do MET em mais uma excelente demonstração da sua qualidade. O Coro do MET esteve, igualmente, fantástico, como é aliás habitual.

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(Review in English)

Maria Stuarda is a tragic opera in two acts by Gaetano Donizetti with libretto by Guiseppe Bardari based on Schiller’s play Mary Stuart. It is part of a trilogy which the composer dedicated to the turbulent period of Tudor’s England (Anna Bolena, Maria Stuarda and Roberto Devereux) .
It was premiered at La Scala in 1835 and, incredibly, debuts at MET just this season.

The story has no verdical historical basis and addresses the true power struggle between the cousins Mary, Queen of Scots and Queen Elizabeth I of England. You can read a synopsis on the MET website.

The staging by David McVicar uses detailed classic wardrobe contrasting very simple and empty scenarios. We highlight the characterization of Elizabeth in a very male, awkward and rough way and a poor actors’ direction. The scenarios follow well the plot, but it was not magnificent in any way, even getting to be quite amorphous.

Elza van den Heever, South African soprano, was Elizabeth I. She was characterized in a very masculine and clumsy style, sometimes almost ghastly, but her interpretation was scenically compelling. Respecting vocal interpretation she did well, but, although she has a powerful voice and has been in tune, her voice has a timbre not particularly pleasant, and it often a little rough.

Joyce DiDonato, beloved American mezzo-soprano at MET, was Maria Stuarda. Although the role was written for soprano voice, DiDonato’s vocal and technical qualities allowed her to take this role that is vocally very demanding, especially in the second act. Note the tremor of the her hands and head that she presented in the second act, denoting the more 10 years old relatively to the first act. She was at great level with excellent vocal and scenic performances and she was absolutely sublime in second act. Undoubtedly and by far the best of the show! We hope to see her in a good shape in the next month at FCG.

Matthew Polenzani, American tenor, was Leicester. It is true that his vocal timbre is nice, but that does not make him, in my opinion, a tenor of high standards. Interpretively, whether vocal or scenically, he is always very amorphous and not apparent emotion, life and enthusiasm. In spite of these facts, he was very regular and failed some approaches to higher notes.

Joshua Hopkins, baritone, was Cecil and he has an appropriate tone to the role he performed well. Matthew Rose, baritone, was a Talbot with an excellent vocal or scenic skills and he is equipped with a vocal instrument with a very pleasant and powerful timbre. Maria Zifchak, mezzo-soprano, has a minor role and performed well.

Maurizio Benini was the maestro who conducted the MET Orchestra in another demonstration of its excellent quality. The MET Choir was also fantastic, as is usual in fact.