Mostrar mensagens com a etiqueta Dora Rodrigues. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dora Rodrigues. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 10 de abril de 2019

L’ÉTOILE, Teatro Nacional de São Carlos, Lisboa / Lisbon, Abril 2019



(text in English below)

A opereta L’Étoile de Emmanuel Chabrier estreou em Portugal numa nova produção do Teatro Nacional de São Carlos em Abril de 2019.
A encenação de James Bonas (Desenho de Luz muito eficaz de Rui Monteiro, Cenografia e Figurinos de Thibault Vancraenenbroeck) é simples mas não pindérica, engraçada, muito extravagante no guarda-roupa e caracterização das personagens. O libreto de Eugène Leterrier e Albert Vanloo é ridículo mas cumpre a opereta buffa.


A direcção musical da Orquestra e do Coro foi do maestro João Paulo Santos




Os solistas principais, todos portugueses, estiveram globalmente bem: O tenor Mário João Alves foi o Rei Ouf, a soprano Eduarda Melo foi a princesa Laoula, a soprano Dora Rodrigues foi o vendedor ambulante Lazuli, o barítono Luís Rodrigues foi Siroco o astrólogo do rei, o tenor Carlos Guilherme o embaixador Hérisson de Porc-Épic, a mezzo Maria Luísa de Freitas a sua mulher Aloès, e o tenor João Pedro Cabral o secretário Tapioca.




Foi um espectáculo agradável onde se salientaram nas melhores interpretações Luís Rodrigues, Maria Luísa de Freitas e João Pedro Cabral.





 ***



L'ÉTOILE, Teatro Nacional de São Carlos, Lisbon, April 2019

The operetta L'Étoile by Emmanuel Chabrier debuted in Portugal in a new production of the Teatro Nacional de São Carlos in April 2019.
The staging by James Bonas (Rui Monteiro's very effective lights, Scenography and Costume Design by Thibault Vancraenenbroeck) is simple, funny, very extravagant in costumes and character characterization. The libretto by Eugène Leterrier and Albert Vanloo is ridiculous but complies with the operetta buffa.

The musical direction of orchestra and choir was by maestro João Paulo Santos.


The main soloists, all Portuguese, have been globally well: Tenor Mário João Alves was King Ouf, Soprano Eduarda Melo was princess Laoula, Soprano Dora Rodrigues was the peddler Lazuli, Baritone Luís Rodrigues was Siroco the king's astrologer, Tenor Carlos Guilherme the ambassador Hérisson de Porc-Épic, Mezzo Maria Luísa de Freitas his wife Aloès, and Tenor João Pedro Cabral the secretary Tapioca.

It was a pleasant show where Luís Rodrigues, Maria Luísa de Freitas and João Pedro Cabral stood out in the best performances.

 ***

sábado, 21 de outubro de 2017

TURANDOT, Coliseu dos Recreios, Lisboa, Outubro 2017



A magnífica ópera Turandot de Puccini foi levada à cena no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Há décadas que era hábito haver algumas récitas das óperas em cartaz no Teatro de São Carlos e récitas populares das mesmas óperas no Coliseu. Esse hábito perdeu-se e não se recuperou na abertura da presente temporada, ao contrário do que foi dito, porque a primeira ópera a ser apresentada teve apenas uma récita no Coliseu e nenhuma em São Carlos.

Foi uma experiência globalmente negativa para mim, com vários pontos que gostaria de partilhar.

Começou com algum atraso. A acústica não é boa e houve ao longo da primeira parte grande perturbação com a abertura frequente das portas dos camarotes que, não sendo ruidosa, permitia a entrada de luz na sala, o que perturbava muito.

A Orquestra Sinfónica Portuguesa ocupava a quase totalidade do palco e os cantores tinham apenas um pequeno espaço na parte mais avançada para se movimentarem. (Os coros estavam nas cadeiras laterais nos dois lados do palco).

A encenação de Annabel Arden e Joanna Parker, foi trazida da Opera North. Depois do que vi, fui procurar comentários a esta encenação e o que encontrei foi altamente elogioso. A minha opinião está no extremo oposto! Detestei, acho que esta ópera espectacular de Puccini, que já vi em produções fabulosas (como há poucos meses em Londres como referi aqui) foi assassinada nesta produção!

No palco havia apenas, a meio e sobre a orquestra, uma grande cadeira parcialmente coberta por um pano, e pouco mais. Passámos da China antiga para um local de zombies. Trajos cinzentos ou negros a condizer e nem faltou um esqueleto humano. Os cantores entravam e saíam praticamente sem movimentos cénicos (nem tinham espaço para os fazerem). O príncipe persa que é decapitado no primeiro acto é um membro do coro que despe a camisa e faz gestos a pedir clemência.



Enfim, um espectáculo para ver de olhos bem fechados! Teria sido melhor se apresentado em versão concerto.

A direcção musical, a cargo do maestro Domenico Longo, foi aceitável mas faltou-lhe alguma da energia que esta obra exige.

Felizmente que os cantores salvaram a récita. O Coro do Teatro Nacional de São Carlos esteve bem, melhor esteve o Coro Juvenil de Lisboa. Elisabete Matos, uma cantora que muito respeito, foi uma Turandot respeitável e sempre bem audível sobre a orquestra e coros. O tenor Rafael Rojas tem um timbre bonito e cantou o Calaf com qualidade. Dora Rodrigues interpretou bem a Liù mas nem sempre com a suavidade e doçura que a personagem requer. O Timur do baixo Stephen Richardson foi notável. Diogo Oliveira (excelente!) e Sérgio Sousa Martins impuseram-se como Ping e Pang e, num patamar imediatamente abaixo, esteve João Pedro Cabral como Pong. Carlos Guilherme e Manuel Rebelo cumpriram como Altum e mandarim.



**

quarta-feira, 19 de abril de 2017

DER ZWERG, Teatro Nacional de São Carlos, 04/04/2017



Mais um texto de José António Miranda que muito enriquece este espaço: 

DER ZWERG   (Alexander von Zemlinsky)

Ópera em um Acto (1922)

Libreto de Georg C. Klaren, adaptado a partir da novela de Oscar Wilde, The Birthday of the Infanta

Direcção musical: Martin André
Encenação: Nicola Raab

Cenografia: José Capela
Luzes: Rui Monteiro
Roupas: Mariana Sá Nogueira
Fotografias: José Carlos Duarte

O Anão: Peter Bronder
Donna Clara: Sarah-Jane Brandon
Ghita: Dora Rodrigues
Don Estoban: Nuno Pereira
Primeira Criada: Carla Caramujo
Segunda Criada: Filipa van Eck
Terceira Criada: Carolina Figueiredo
Donzelas: Ana Franco, Carmen Matos

Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos    Dir. Giovanni Andreoli

Produção: Teatro Nacional de São Carlos (2017)


Fotografias de Jorge Carmona / Antena 2 RTP

Der zwerg (O anão) foi apresentada no TNSC como segundo elemento de um programa duplo de que a primeira parte era a muito conhecida Pagliacci de Giacomo Puccini.

Duas pessoas devem ser louvadas antes de mais quando falamos deste espectáculo: a encenadora Nicola Raab e a soprano portuguesa Dora Rodrigues. Vejamos porquê.

Se atentarmos no que consta do trecho introdutório inserido no programa de sala terá sido propósito da direcção artística do teatro fazer deste programa duplo o espectáculo de um só cenógrafo.

Tendo porém o trabalho de encenação sido atribuído a duas pessoas diferentes, facilmente compreendemos como seria muito difícil, senão impossível que, respeitando a intenção anunciada, se conseguisse fazer obra de qualidade.


Com efeito, fazer centrar as ideias de encenação numa proposta cenográfica pode resultar eventualmente bem nos casos, que existem de facto, em que a dupla encenador cenógrafo trabalha habitualmente em conjunto e tem portanto uma cumplicidade e uma metodologia laboral que permitem a fusão fácil das capacidades criativas plásticas, que são tarefa do cenógrafo, com as capacidades criativas conceptuais, próprias do trabalho de encenação.

Pretender que esta seja a regra orientadora de um espectáculo duplo como este sem que se verifiquem aqueles desideratos é no mínimo temerário.

Pois Nicola Raab, a encenadora, logrou a façanha de conseguir que a ópera de Zemlinsky nos fosse apresentada de um modo que, sem utilizar primariamente as características cenográficas da proposta anterior mas sem com ela chocar frontalmente também, permite aceder aos significantes comuns presentes em ambas as obras, que são, muito mais do que a simples roupagem plástica alegadamente unificadora do espectáculo, o seu vínculo definidor.


Para tal a opção por uma cenografia despojadíssima, reduzida a meia dúzia de adereços e à delimitação do espaço através de cortinas que, abrindo ou fechando, ora definem ambientes e locais diversos ora nos mostram ocultando o que o libreto descreve, revelou-se genial.

Porém esta concreta negação do universo plástico da obra anterior com a quase completa ausência de cenários que a caracterizou requeria para resultar plenamente um trabalho muito cuidadoso a nível da luz e dos actores/intérpretes.

E aí a encenadora não terá conseguido as contrapartidas suficientes: seria necessário melhorar muito o desenho da luz e genericamente a interpretação de todos os actores.

Não obstante estes problemas o espectáculo atingiu momentos de grande qualidade formal. Alguns desses momentos merecem assim ser recordados.

É o caso do jogo de posturas proposto para a personagem do anão, brilhante demonstração de um profundo trabalho de actor.


É o caso dos poucos momentos em que a coreografia das três criadas da corte e das donzelas em geral acompanha a música ilustrando-a.

E é o caso, e aqui passamos para o segundo louvor do início deste texto, do desempenho global de Dora Rodrigues, extraordinariamente conseguido sob o ponto de vista dramático e vocalmente o melhor de todos os intérpretes.

Mas o trabalho exemplar desta soprano portuguesa, que conseguiu no final conjugar qualidade formal com grande sentido dramático e uma apurada sensibilidade não foi infelizmente generalizado em palco. A figura da princesa, personagem de recorte ambíguo, não teve aqui qualquer profundidade.

Mas foi sobretudo a nível da coreografia, ou seja do investimento do espaço pelos intérpretes, que mais faltou ao espectáculo o complemento expressivo requerido pela magnífica música de Zemlinsky.

O lirismo e a poesia que se libertam da escrita musical não ficam demonstrados plasticamente por se espalharem pétalas de flores pelo palco ou se declamar poesia.
Essa demonstração deveria ser permanente, como num bailado, e não apenas limitada aos poucos momentos referidos acima.


Der zwerg revela muitas semelhanças com Iolanta de Tchaikovsky pela temática, e com Ariadne auf Naxos de Straus pela música: esta é sobretudo de inspiração straussiana, com momentos de modernismo a recordar Stravinsky.

Infelizmente para nós Martin André conseguiu uma total ausência de subtileza na direcção, cilindrando literalmente a delicadíssima teia emocional que a partitura expressa. Portanto a orquestra tocou sempre forte ou fortíssimo, com claro prejuízo quase sempre para a audibilidade das vozes.

Paralelamente o coro feminino esteve horrível, deixado completamente à solta, num histerismo a roçar por vezes o histriónico, abafando tudo e todos como um rolo compressor musical.

Orquestra e coro deram assim involuntário testemunho do estado a que se encontra reduzido o principal teatro lírico nacional. Que pena!

JAM       12/04/2017

sexta-feira, 7 de abril de 2017

DER ZWERG, Teatro de São Carlos, Abril de 2017



Foi a primeira vez que vi ao vivo a ópera Der Zwerg (o Anão) de Zemlinski com libreto de Georg Klaren. A Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro de São Carlos foram superiormente dirigidos por Martin André. A música é de grande intensidade dramática, fazendo lembrar o Strauss mais pesado.

A encenação de Nicola Raab (Cenografia de José Capela, Figurinos de Mariana Sá Nogueira, Desenho de Luz de Rui Monteiro) é pobre, havendo uma cortina, um sofá, uns degraus e pouco mais. Mas, ainda assim, resultou num espectáculo interessante.



A história, inspirada num conto de Oscar Wilde, é considerada autobiográfica porque espelha a sua profunda dor pela rejeição de Alma Schindler (que viria a casar com Mahler).
A infanta Clara festeja os seus 18 anos e o mordomo (Don Estoban), Ghita e mais 3 criadas apresentam-lhe as prendas de aniversário. Um sultão envia um anão como presente que, contudo, nunca viu a sua figura física. Apaixona-se pela princesa que lhe dá uma rosa branca. Destapa acidentalmente um grande espelho (na encenação resultou bem) que revela a sua deformidade. Tenta um beijo da princesa mas esta repele-o e chama-lhe monstro. Ghita chama-o meigamente à razão mas o desgosto é brutal e morre desfolhando a rosa que recebeu, enquanto a princesa volta para o baile. Na encenação desaparece por trás do espelho, o que não foi uma má opção. Também achei interessante o facto de se levantar quando falava com a princesa (apareceu em palco de joelhos, simulando um anão), permitindo outras interpretações à sua condição, não limitadas ao aspecto físico.
O programa de sala é muito interessante!

O Anão foi interpretado pelo tenor Peter Bronder. É um papel grande, está quase sempre em palco. Gostei muito, a voz sempre bem colocada e afinada, notando-se a experiência do cantor em ultrapassar sabiamente dificuldades.



A Donna Clara da soprano  Sarah-Jane Brandon foi também agradável. Cantora de voz com um timbre não particularmente belo mas boa projecção e boa postura em palco.



A Ghita da soprano Dora Rodrigues foi estridente no início, mas melhorou substancialmente e ofereceu-nos uma impressionante interpretação no final.



O Don Estoban do baixo Nuno Pereira esteve quase sempre afogado pela orquestra e, frequentemente, não se ouvia.



As 3 criadas Carla Caramujo, Filipa van Eck e Carolina Figueiredo tiveram papéis muito pequenos.






****