Este Don Giovanni em Zurique marcou o regresso de Anna
Netrebko a esta cidade. A cantora esteve, como é hábito, sublime no papel de
Donna Anna embora, na minha opinião, este papel já não seja a praia de
Netrebko.
Carlos Alvarez faz um Don Giovanni bom, com algum charme
intrínseco que lhe traz a idade, muito bem nos recitativos masfaltou-lhe algo para ser excelente.
Ruben Drole fez de Leporello e, sinceramente esperava um
pouco mais de comédia por parte deste cantor. Vocalmente muito bem mas também
faltando algo que elevasse o seu Leporello.
Bernard Richter foi um Don Ottavio magnífico, com uma voz de
timbre claro e bonito.
Malin Hartelius fez uma Donna Elvira de bom nível.
Martina Janková, algo estridente por vezes, com um vibrato
ligeiramente incomodativo nos agudos, fez uma Zerlina sem realce especial.
Andreas Hörl como o Comendador e Reinhard Mayr como Masetto
estiveram bem.
A encenação de Sven-Eric Bechtolf, também já imortalizada em
DVD, é moderna e, sinceramente, achei-a muito pouco original. Só para vos dar uma ideia, tudo se passa numa
sala de um apartamento, com alguns motivos “tigreza”, a estátua do Comendador é
uma escultura africana, a falsa serenata de amor de Don Giovanni a Donna Elvira
é feita com ela em cima de um móvel de bar... enfim.... Sabem como prefiro
produções clássicas ou, se modernas, que tragam algo de inovador. Aqui não o
senti.
Espero que a produção de 2012-2013 traga algo de melhor para
esta magnífica ópera.
A direcção de Peter Schneider foi excelente mas não consegui
sentir a gravidade e solenidade no início da abertura.
DON GIOVANNI – Zurich Opera House – November 11, 2011
Another review lost in time ...
This Don Giovanni in Zurich marked the return of Anna
Netrebko to this city. The singer was, as usual, sublime in the role of Donna
Anna, although in my opinion, this role is no longer the perfect place for Netrebko.
Carlos Alvarez is a good Don Giovanni, with some intrinsic
charm brought by age, very well in the recitatives but he lacked something to
be excellent.
Ruben Drole made Leporello, and frankly I expected a
little more of comedy from this singer. Vocally very good but missing something
that would raise his Leporello.
Bernard Richter was a magnificent Don Ottavio, his voice has
a clear and beautiful tone.
Malin Hartelius did a good level Donna Elvira.
Martina Janková, sometimes with a slightly annoying vibrato
in the high notes, did a Zerlina with no special highlight.
Andreas Hörl as the
Commendatore and Reinhard Mayr as Masetto were very good.
The staging of Sven-Eric Bechtolf, also immortalized on DVD,
is modern, and frankly I found it very unoriginal. Just to give you an idea,
everything happens in a room of an apartment with some "tigress" motifs,
the statue of the Commendatore is an African sculpture, the false love serenade
from Don Giovanni to Donna Elvira is done with her over a mobile bar... You
know how I prefer classic productions or, if modern, they must bring something
innovative. Here I did not feel that.
I hope that the production of 2012-2013 brings something
better for this magnificent opera.
The direction of Peter Schneider was excellent but I could
not feel the gravity and solemnity at the beginning of the overture.
Apesar de na foto da fachada da Ópera de Paris, Bastille, estar patente um poster promocional de Eugene Onegin, foi um prometedor “O Holandês Voador” ou “O Navio Fantasma” que me fez ir a Paris. Juntos, 3 cantores wagnerianos de luxo: James Morris, Klaus Florian Vogt e o grande Matti Salminen, servindo de padrinhos à estreia de Adrianne Pieckzonca nesta casa de ópera e no papel de Senta.
Posso dizer que a noite só começou a tomar o rumo de uma noite wagneriana memorável depois do monólogo (“Der Frist ist um”) do Holandês… Analisemos então.
A encenação de Willy Decker é particularmente interessante e dramaticamente coesa, culminando num final altamente dramático fazendo com que, sinceramente e pela primeira vez, sentisse, numa ópera de Wagner, aquela sensação no peito de quem sente que vai ter de começar a chorar.
Habitualmente, esta ópera é interpretada sem interrupção, pelo que o cenário se manteve sempre como o que podem observar na imagem seguinte (perdoem os elementos intervenientes no agradecimento final… isso foi mais para a frente…).
Um quadro com um Mar revoltado e um Navio (o do Holandês) e à direita uma imponente porta de madeira.
O final da abertura deixa ver diante do quadro, Senta mirando intensamente um outro pequeno quadro que guarda na mão (o do Holandês).
Os marinheiros e Daland entram pela porta de madeira e 3 cordas de navio servem para prender o suposto navio de Daland “a terra” no extremo oposto do palco. Através da porta vêm-se ondas personificadas em lençóis com ar contínuo por baixo, imitando ondulação.
Após a balada do homem do leme, todos se deixam dormir no chão do palco. A entrada do Holandês torna o quadro grande em tons de vermelho e o monólogo é feito em palco, por vezes com o Holandês passando entre as referidas cordas suspensas.
No final do monólogo, o Holandês permanece virado para o palco no extremo do mesmo onde as cordas estão presas e tanto Daland como os marinheiros se afastam em receio quando este se volta e deixa transparecer um aspecto pálido. Findado o acordo entre os dois capitães, com um colar de pérolas misturado com outros adornos dourados à mistura como exemplo dos tesouros do Navio Fantasma, Daland oferece uma foto de Senta ao Holandês fazendo aqueles gestos com as mãos de como quem diz “até nem é má parecida…”. Enquanto o Holandês segura essa foto e se dirige para a porta de madeira, à frente do quadro grande esta Senta com a sua foto, virada em sentido oposto – a meu ver, um ponto cénico magnífico.
A transição para o segundo acto é feita com a entrada das mulheres dos marinheiros com cadeiras de madeira banais e sentando-se todas em círculo com um grande lençol que vão depois cosendo à mão com agulha e linha, sob a presença de Mary. Senta sempre com a foto do Holandês. A balada decorre sem pontos particulares. O diálogo com Erik torna-se interessante quando este tenta, com a sua faca de caçador, destruir o quadro com a foto do Holandês, arrancado das mãos de Senta. Ao cruzar os seus olhos com o do Holandês não consegue fazer e a mão cai, síncrona com acorde da Orquestra, e novo acorde síncrono com o deixar cair do quadro no chão – cenicamente perfeito.
A chegada do Holandês e Daland a casa deste inicia-se com a porta de madeira entreaberta, permitindo ver a sombra do perfil do Holandês na parede, e Daland que chega do lado do quadro grande. O diálogo entre Senta e o Holandês, ambos com as fotos, é eficaz e termina num abraço de ambos, desta vez apenas milimetricamente atrasado em relação ao ensemble da Orquestra.
A transição para o 3º acto passa por Mary ver ambos abraçados, pegar no quadro do Holandês e ver que é realmente ele que ali está, deixando cair o quadro aterrorizada. O música que antecede o coro dos marinheiros inicia-se, estes entram com cadeiras e mesas de madeira que dipõem em fila única.
Senta e o Holandês sentam-se, seguidos de Erik que, ao sentar-se, bate com as mãos em desaprovação ao ritmo do “Steuermann laβ die Wacht…”. O Holandês levanta-se e dirige-se para a porta de madeira após fazer um duelo com Erik através do olhar. Erik agarra de novo o seu punhal e tenta atingir o Holandês pelas costas mas rapidamente se acobarda ao ver um olhar por cima do ombro do capitão fantasma. Acaba por apunhalar a mesa e ficar em desespero. Os marinheiros, durante o seu coro, acabam por provocar Erik, inclusivamente chegando a bater-lhe com uns socos no abdómen. Os marinheiros do Navio Fantasma aparecem como sombras simples móveis no quadro grande de novo com iluminação vermelha.
O final foi convincentemente dramático. O Holandês acaba por sair pela porta de madeira, todos fecham a mesma para evitar que Senta o siga e cumpra o seu destino. Ela então agarra a faca de Erik previamente espetada na mesa de madeira e comete suicídio. Em agonia, estende a mão e tenta chegar à foto do Holandês que repousa no chão, não o conseguindo, enquanto todos saem de cena desolados.
A abertura foi muito bem interpretada pela Orquestra residente sob a direcção de Peter Schneider. Apenas realço menos positivamente, o facto de ter optado por não acentuar os 4 primeiros acordes do tema da Redenção (ver em baixo) com retardandos, e me ter parecido demasiado rápido a escolha do tempo para o final da mesma. Mas o fosso parecia uma autêntica tempestade num qualquer Mar do Norte como manda a história. A percussão (timbales) simplesmente surpreendente. Excelente durante toda a récita embora ache que teria aumentado o dramatismo se tivesse prolongado durante mais tempo (e não fazê-lo por apenas cerca de 1 segundo) o silêncio, correspondente à ausência de resposta, quando os marinheiros (e as respectivas esposas) chamam pelos colegas de profissão do Navio Fantasma. Mas, são opções, e o Maestro não sou eu…
A entrada de Matti Salminen como Daland foi fraca. Algo rouco cheguei a pensar que a ideia que tinha deste Mestre se havia esbatido com o tempo e que restava agora apenas uma leve sombra do mesmo. Ouvindo-se apenas ao longe um ténue grave no final de frase, a minha insegurança manteve-se. Assim que terminou esta passagem e se voltou para o cenário, foi audível um “limpar de garganta” que mudou completamente a sua voz. Apareceu o Salminen que eu conheço e esperava, para me encher as medidas nesta minha primeira oportunidade de o ver e ouvir ao vivo. Aquela voz que caracterizo como que vinda do fundo da nuca, ressoando num timbre tão característico dele. Fantástico. Esteve particularmente, quer cénica quer musicalmente, na cena em que apresenta o Holandês a Senta.
James Morris como o Holandês também teve uma entrada pouco impressionante. E que entrada têm esta personagem!… Começa logo com uma das passagens mais emblemáticas desta ópera – “Der Frist ist Um”. Claramente preservando a voz, com tentativas pouco conseguidas de colocar algum dramatismo naquilo que cantava, com maneirismos dramáticos de corpo igualmente pobres, e provocando-me um ou outro curto-circuitos desafinantes nos meus neurónios auditivos na passagem do monólogo em a orquestra pouco suporta a voz, a sua interpretação causou-me novo calafrio após o que tive com Salminen e a ver que a aposta na vinda a este Holandês não tinha sido inteligente. Mas… revelação e crescendo magnífico após este monólogo. O diálogo com Daland e Senta foi vocalmente forte e credível. O final foi com voz à Morris, aliando uma capacidade interpretativa corporal completamente oposta ao do monólogo. Fantástico, juntamente com prestação exemplar de todos os outros.
Klaus Florian Vogt é simplesmente soberbo. Voz de timbre tão claro e de beleza tão profunda! Parece um autêntico menino de coro! Em contraste com excertos de interpretações prévias que havia visto em vídeo e a partir das quais criei uma ideia de que não era muito bom actor, aqui esteve à altura do papel e foi uma excelente surpresa neste aspecto.
Adrianne Pieczonka foi Senta na sua primeira produção e pela primeira vez em Paris, indo cantar este papel em Fevereiro em Viena. Só a tinha ouvido como Amelia Grimaldi na transmissão do Simão Boccanegra do Met com Plácido Domingo e tinha ficado com muito boa impressão da voz. Foi uma Senta simplesmente fenomenal!! Grande capacidade interpretativa do ponto de vista cénico – o modo como deixa cair o colar de pérolas que Daland lhe põe na mão quando lhe apresenta o Holandês (braço para trás e olhar no chão para a frente) diz tudo – não é pelo dinheiro que aceitará o Holandês, é por Amor, é pela Redenção. Em nada transparecendo vaidade ou superioridade na sua entrega. Vocalmente perfeita: dinâmica fantástica, agudos seguros e sobre a Orquestra, e o sentimento na voz sempre presente. Fiquei com vontade de a ouvir a fazer de Sieglinde e Isolda.
Marie-Ange Todorovich foi uma Mary irrepreensível e Bernard Richter um Steuermann à altura.
Em resumo, assistiu-se a um Der Fliegende Holländer em crescendo, culminando num final profundamente dramático. Cenicamente perfeito desde o início, musicalmente fantástico após o monólogo do Holandês, um elenco perito em Wagner e excelentemente escolhido (a idade de cada um dos interpretes esteve adaptada à personagem que interpretaram), adivinham uma grande temporada operática 2010 – 2011.
Der Fliegende Holländer - Paris Opera, Bastille - September 24, 2010
(Please find below the opera review in my best English or should I say… “Portenglish”? I am sorry but it is the best I can...)
Although the photo of the Paris Opera, Bastille, shows a promotional poster about Eugene Onegin, it was a promising Der Fliegende Hollander that made me go to Paris. Three luxury Wagnerian singers: James Morris, Klaus Florian Vogt, and Matti Salminen were the godparents of Adrianne Pieckzonca at her premiere in this Opera House and in the role of Senta.
I can only say that the night began not quite well but moving toward a memorable one after the Hollander´s monologue ("Der Frist ist um”).
The staging by Willy Decker is particularly interesting and dramatically cohesive, culminating in a perfect dramatic ending, leaving me moved to tears.
Usually, this opera is played without interruption, so the scenario was always as you can see in the following picture (this is a curtain call picture so, please try to imagine the sets without the singers for a moment).
A painting of a revolting sea with a ship (the Dutchman's ship) in the center, along with an imposing wooden door.
The end of the Ouverture reveals Senta with a painting of the Dutchman´s in her hands.
The sailors and Daland enter through the wooden door and three ship ropes hold the ship to the set at the other end of the stage. Through the door you could see sheets with continuous air underneath, giving the impression of waves.
After the Steuerman´s ballade, everyone falls asleep on the floor of the stage. The Dutchman´s ship arrival is created by shades of red over the painting and the monologue is done on stage, sometimes with the Dutch going between those suspended ropes.
At the end of the monologue, the Dutchman remains facing the audience where the ropes are attached and both Daland as sailors move away in fear when he turns his face to them and reveals a pale appearance.
After the agreement between the two captains, with a pearl necklace with mixed gold (an example of the treasures of the Flying Dutchman), Daland offers a picture of Senta to the Dutchman, doing those gestures with his hands as if to say "she is not bad at all…”.
While the Dutchman holds this picture and walks to end the stage by the wooden door, in front of the picture, Senta shows up again, opposed to the Dutchman, with his photo in her hand - in my point of view, a fantastic scenic / dramatic moment.
The transition to the second act is done with the entry of the sailors´ wifes, bringing wooden chairs and all sitting in a circle with a large sheet which they sew by hand, in the presence of Mary. Senta keeps her hands in the picture of the Dutchman.
The ballad is sung without any particular remarks.
The dialogue with Erik becomes interesting when he tries, with his hunting knife, to destroy the the photo of the Dutchman, snatched from the hands of Senta.
When he crosses eyes with the Dutchman photo he cannot procede with his quest. His hand falls synchronously with the orchestra chord, and a new synchronous chord is heard with the dropping of the picture on the floor - scenically perfect.
The arrival of the Dutchman and Daland starts with the wooden door slightly open, allowing the shadow of the Dutchmann to be seen on the wall. Daland arrives from the side of the big picture with the revolting sea and a ship. The dialogue between Senta and the Dutch, both with each other photos in their hands, ends with an almost synchronous hug with the orchestra ensemble.
The transition to the 3rd act finds Mary comparing the face of the Dutchman and the man on the picture, seeing that they are the same person. Horrified, she drops the picture on the floor. The sailors enter with wooden chairs and tables. Senta and the Dutchman sit, followed by Erik who claps his hands, in disagreement, on the table, in the rhythm of "Steuermann laβ die Wacht...." The Dutchman gets up and walks to the wooden door after making an eye duel with Erik. Erik grabs his knife again and tries to hit the Dutchman in the back but he loses his courage when the Dutchman looks to him over his shoulder.Erik ends up stabbing the table and getting desperate. The sailors during their chorus, come to provoke Erik, and they even hit him with some punches on the stomach. The sailors of the Phantom Ship appear as mere shadows moving in the big picture again with red lighting.
The final was convincingly dramatic. The Dutchman leaves the set by the wooden door. This is closed by all the others, avoiding Senta´s departure. She then grabs the knife stuck in the wooden table and commits suicide. In agony, she unsuccessfully tries to reach the photo of the Dutchman which lays on the floor.
The Ouverture was very well performed by the resident Orchestra, under the direction of Peter Schneider. I only found less brilliant the fact that he did not made a retardando on the the first 4 chords of the theme of Redemption and the pacing at the end was too much accelerated. But a perfect and quite real storm came from the timbales at the Orchestra pit. During the performance, both the Orchestra and the Conductor were excellent, though I think he could have increased the drama by extending the silence time corresponding to the absence of response from the sailors of the Phantom Ship. But this was his option, and I am not a Maestro…
The entry of Matti Salminen as Daland was weak. A slight hoarsed voice made me fear that he was no longer the singer I knew from so many CD and DVD recordings. But after clearing his voice the true Salminen showed his powerful voice and interpretation. That voice, which I always imagine as coming from the back of the head, and that is his singing mark, remains superb. Fantastic!! HE was particularly well when he introduced Senta to the Dutchman.
James Morris as the Dutchman also had a rather impressive entrance. He clearly preserved the voice in the monologue. The absence of drama in his voice, and his scenic movements were almost never convincing. This monologue, along with the previous entrance of Salminen made me think that my choice had not been very intelligent. But what a positive evolution after the monologue…The dialogues with Senta and Daland was vocally strong and credible. At the end, we heard his voice at its most perfect tone combining an impressive interpretative capacity, quite different from the monologue.
Klaus Florian Vogt is simply superb! His voice is so clear and so profoundly beautiful! My opinion that he was not a very good actor (example from the Lohengrin performance in Baden-Baden) was changed with this performance.
Adrianne Pieczonka was an outstanding Senta in her role debut. She will sing this part in Vienna in February, also with Schneider conducting. I only knew her voice from the Simon Boccanegra transmission of the Met with Placido Domingo and I was already very touched by its qualities. A fantastic actress - the way she drops the pearl necklace that Daland puts in her hand when he introduces her to the Dutchman (arm to the back and eyes forward, gazing the floor) says it all – she accepts the Dutchman not because of money, but because of love, for the redemption. There is no sign of superiority in her deliverance. Vocally perfect: great dynamics, dramatic sound, strong high notes, over the Orchestra sound. I felt like wanting to listen to her as Sieglinde and Isolde.
Marie-Ange Todorovich was a perfect Mary and Bernard Richter a very good Steuermann.
In summary, there was a crescendo in this Der Fliegende Holländer, culminating in a profound dramatic ending. The sets were perfect from the start, the interpretation fantastic after the Dutchman's monologue, and the cast of Wagner experts was superb (the age of each of the singers matched the role they were impersonating.
I believe this was the start of a great operatic season 2010 – 2011.
Pela primeira vez em Viena, e não tendo conseguido bilhetes para La Bohème com Anna Netrebko e Piotr Beczala (pelo menos a preços realistas...) acabei por me manter fiel ao meu compositor idolatrado e passar mais uma Páscoa a ver um Parsifal.
A Ópera Estatal de Viena é uma das mais antigas (se não a mais antiga) da Europa e é um prazer ouvir uma ópera no seu interior. Acolhedora em todos os sentidos, cadeiras confortáveis (pelo menos para quem tem de passar 4 ou 5 horas de uma ópera wagneriana) e a grande inovação e brilhantismo é cada cadeira com pequeno monitor com legendas em inglês (!). Não sei porque a Deutsche Oper ou a Staatsoper Berlim não adoptaram ainda este esquema... Não sei muito de alemão e é sempre agradável, mesmo conhecendo a ópera com a sua história, poder acompanhar claramente o discurso cantado.
Passando à análise sempre modesta e humilde deste Parsifal:
Começo por enaltecer o grande senhor (aliás é já Sir) John Tomlinson. Já nos seus 60s ainda me consegue entusiasmar. Tive a oportunidade de ver o seu Hagen em 2006 e o seu Wotan em 2007 (substituíndo Terfel no célebre Anel da Royal Opera House). Sempre foi dotado de um timbre especial e característico, que o tempo se encarregou de acentuar, dificultando os agudos. As suas tentativas de o som não se perder neste timbre e nos agudos leva-o a fazer posturas e caretas profundamente hilariantes para mim mas que me fazem adorar ouvi-lo em qualquer momento. Esteve muito bem como Gurnemanz. A encenação contudo não previligiou a evolução da personagem em termos cénicos. No fundo passam-se vários anos entre o 1º e 2º acto e Gurnemanz permaneceu igual: aspecto idoso dos 60s de Tomlinson... Quando ele acordou a Kundry no 3º acto e ela grita olhando-o na face ficou como que em transe, em período de ausência epiléptica ao qual não pude deixar, tal como quase todos, de rir. Vá lá Petra Lang, o Tomlinson está velho mas não tem mau aspecto :)
E por falar em Kundry e Petra Lang, esta é uma das melhores mezzos para Wagner na actualidade. Uma Brangane soberba em Novembro 2009 em Berlim, voltou a surpreender neste Parsifal. De voz firme e quente, sem gritar (ao contrário de Waltraud Meier hoje em dia neste papel...), é talvez a melhor Kundry que podemos ouvir hoje me dia. Não é particularmente bonita (aí prefiro Meier) mas não se pode ter tudo...
Christopher Ventris foi Parsifal. Tendo-o visto em Paris em 2008, bem como o DVD com a produção de Zurich (soberba) acho-o mais entrosado com o papel. Não pareceu irritavelmente inocente no primeiro acto e foi capaz de ir sentindo profundamente o que cantava. Tem ainda períodos em que a voz não supera a orquestra e em que parece que se defende embora também aqui ache que está melhor - arriscou mais e não perdeu.
Falk Struckmann também, em linha da Petra Lang, deve ser um dos melhores Amfortas que se pode desejar ouvir. No meu ponto de vista tem o timbre perfeito para o papel. Não exagerou na imagem de sofrimento e cenicamente um grande actor. Vocalmente perfeito.
Ainda estive para falar com os responsáveis da Ópera de Viena, e também com o encenador (estou a brincar claro...) porque deviam ter dado algum retorno do valor do bilhete por me obrigarem a ver Wolfgang Bankl nú da cintura para cima. Celulite em tudo quanto é sítio e um perímetro abdominal adivinhando uma insulinorresistência marcada estragaram visualmente um início do 2º acto, numa encenação que só melhorou quando ficou mais minimalista, por incrível que pareça. Vocalmente o senhor até cumpriu.
A encenação foi minimalista a partir do dueto Parsifal-Kundry no 2º acto e até ao fim. Foi a melhor parte. No início da ópera, umas paredes com lavatórios, uma música da transformação com alusões incomprensíveis (pelo menos para mim), e um início do 2º acto com um "camera man" a filmar em cima de Klingsor e Kundry, sendo a imagem projectada no fundo do cenário, com algumas alusões hitlerianas. Profundamente horrível. Ainda não vi um Parsifal ao vivo em que achasse a encenação aceitável. A cena com as mulher-flor até foi aceitável; vestidas de vermelho, com uma daquelas bolas espelhadas "muito disco"... um autêntico bordel, pelo que dizem.
Peter Schneider dirigiu a orquestra muito bem, embora com umas 5 ou 6 "gafes" minor. Andamento racional e ao meu gosto.
Este Parsifal pode ser revisto na próxima temporada e na mesma altura (Páscoa) com Waltraud Meier como Kundry, Franz-Josef Selig como Gurnemanz, mantendo-se Christopher Ventris como Parsifal e Falk Struckman como Amfortas.