| buñuel por man ray |
Eu morava em Barcelona quando se comemorou o centenário de nascimento de LUIS BUÑUEL (1900 - 1983. Calanda / Espanha). Publicações, exposições, documentários, debates, cursos sobre o seu estilo inimitável, recuperação virtual do seu arquivo particular, seminários e retrospectivas na tevê e em cinematecas - com a presença do roteirista Jean-Claude Carrière, que colaborou com o comunista convicto em vários filmes e o ajudo a escrever suas memórias, a excelente auto-biografia “Meu Último Suspiro” (1982) - celebraram vida e obra do considerado maior cineasta espanhol de sempre. Neste ano festivo, aproveitei para conhecer sua fase mexicana e algumas fitas francesas posteriores que há muito tinha vontade de assistir, concluindo que o papa do surrealismo não me empolga o suficiente, embora aprecie duas ou três obras-primas suas. No entanto, concordo que sua trajetória artística é bem incomum.
Seu filme de estréia, “Um Cão Andaluz / Um Chien Andalou” (1928), realizado com o dinheiro materno e co-autoria de Salvador Dalí, chocou o público com cenas como a que mostra um olho sendo cortado por uma navalha e virou moda nas conversas de intelectuais, frustrando o jovem cineasta rebelde. “Esse Obscuro Objeto do Desejo / C’est Obscur Objet Du Désir”, de l977, foi o seu último trabalho, contando a inquietante relação sadomasoquista entre um casal que nunca consegue fazer sexo, principalmente devido às artimanhas da protagonista, vivida simultaneamente por duas atrizes que se revezam em cena, a francesa Carole Bouquet e a espanhola Angela Molina. Nesses quase 50 anos de carreira premiada, ele concluiu 32 filmes, produzidos em diversos países, sendo os mais recordados: “Os Esquecidos / Los Olvidados” (1950), “O Anjo Exterminador / El Angel Exterminador” (1962) e “A Bela da Tarde / La Belle de Jour” (1967).
Seu filme de estréia, “Um Cão Andaluz / Um Chien Andalou” (1928), realizado com o dinheiro materno e co-autoria de Salvador Dalí, chocou o público com cenas como a que mostra um olho sendo cortado por uma navalha e virou moda nas conversas de intelectuais, frustrando o jovem cineasta rebelde. “Esse Obscuro Objeto do Desejo / C’est Obscur Objet Du Désir”, de l977, foi o seu último trabalho, contando a inquietante relação sadomasoquista entre um casal que nunca consegue fazer sexo, principalmente devido às artimanhas da protagonista, vivida simultaneamente por duas atrizes que se revezam em cena, a francesa Carole Bouquet e a espanhola Angela Molina. Nesses quase 50 anos de carreira premiada, ele concluiu 32 filmes, produzidos em diversos países, sendo os mais recordados: “Os Esquecidos / Los Olvidados” (1950), “O Anjo Exterminador / El Angel Exterminador” (1962) e “A Bela da Tarde / La Belle de Jour” (1967).
Controverso, sempre fiel a si mesmo e pouco compreendido em seu país, LUIS BUÑUEL com o passar do tempo tem expandindo sua legião de admiradores. Filho de uma abastada família que a princípio pensou que ele se tornaria um religioso, perdeu a fé aos 15 anos, abandonando o colégio dos jesuítas e por toda vida se autodefinindo como “ateu graças a Deus”. Falecido em l983, no México, a pátria dos seus melodramas, o diretor levou uma vida inusitada. Fugiu do franquismo, foi denunciado por Dali em Nova York como comunista e se mudou para o México com 40 dólares no bolso, uma esposa e dois filhos, adaptando-se as humildes condições do cinema do país nos anos 40/50.
Somente após os 50 anos de idade alcançou o reconhecimento internacional e verdadeiras possibilidades de trabalho, filmando com estrelas como Gérard Philiphe, Catherine Deneuve, Simone Signoret, Jeanne Moreau, Monica Vitti e Michel Piccoli. “A marca de Buñuel está em todos os seus filmes. Mesmo nos ruins que fez no México. Sempre há uma cena, um detalhe, que diz este é um filme de Buñuel”, garante o escritor mexicano Carlos Fuentes, concluindo: “Ele é a afirmação do cinema como expressão pessoal, histórica e política. É uma virtude sua única, particular, assim como Orson Welles em “Cidadão Kane” e Jean Renoir em “A Grande Ilusão”. Buñuel é fenomenal. Está entre os cinco grandes cineastas do século 20”.
Somente após os 50 anos de idade alcançou o reconhecimento internacional e verdadeiras possibilidades de trabalho, filmando com estrelas como Gérard Philiphe, Catherine Deneuve, Simone Signoret, Jeanne Moreau, Monica Vitti e Michel Piccoli. “A marca de Buñuel está em todos os seus filmes. Mesmo nos ruins que fez no México. Sempre há uma cena, um detalhe, que diz este é um filme de Buñuel”, garante o escritor mexicano Carlos Fuentes, concluindo: “Ele é a afirmação do cinema como expressão pessoal, histórica e política. É uma virtude sua única, particular, assim como Orson Welles em “Cidadão Kane” e Jean Renoir em “A Grande Ilusão”. Buñuel é fenomenal. Está entre os cinco grandes cineastas do século 20”.
Ele tentou ser engenheiro agrônomo, boxeador, músico e poeta - como seu amigo Federico García Lorca, com quem conviveu na famosa Residência de Estudantes de Madri, nos anos 20 -, mas em Paris descobriu o cinema e nunca mais o deixou, primeiro como assistente de direção de Jean Epstein e depois à direção com “Um Cão Andaluz” e “A Idade do Ouro / L´Âge d´Or”, que gerou um enorme escândalo, com um grupo de manifestantes invadindo a sala de projeção, jogando bombas de fumaça e quebrando tudo. A censura proibiu o filme, mas a essa altura o diretor estava nos EUA, estagiando na M-G-M. Durou pouco, com Buñuel sendo expulso de Hollywood ao chamar a atriz Lili Damita de prostituta.
Depois de rodar um documentário na Espanha, o cineasta ficou sem filmar cerca de 15 anos. No México, no final dos anos 40, reiniciaria sua carreira, sendo a seguir laureado com o prêmio de direção no Festival de Cannes de 1951 com “Os Esquecidos”. Onze anos depois levaria a Palma de Ouro no mesmo festival com o espanhol “Viridiana”, censurado e resultando numa nova expulsão do cineasta do seu país natal. A sua fase final mostra filmes reconhecidos unanimemente pela crítica, mas com pouco êxito de bilheterias. Em l972, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com “O Discreto Charme da Burguesia”. Sobre ele disse o patrício Carlos Saura: “O cinema de Buñuel bebe suas fontes em um anarquismo visceral como reação a uma Espanha conservadora, prisioneira de um passado dominado pela igreja e pela mediocridade dos políticos”. De carreira consolidada, numa fórmula jocosa e sutil, criticando a burguesia e a religião católica, LUIS BUÑUEL criou uma obra poética, visionária e irreverente, que lhe garantiu um lugar na galeria dos melhores cineastas de todos os tempos.
Depois de rodar um documentário na Espanha, o cineasta ficou sem filmar cerca de 15 anos. No México, no final dos anos 40, reiniciaria sua carreira, sendo a seguir laureado com o prêmio de direção no Festival de Cannes de 1951 com “Os Esquecidos”. Onze anos depois levaria a Palma de Ouro no mesmo festival com o espanhol “Viridiana”, censurado e resultando numa nova expulsão do cineasta do seu país natal. A sua fase final mostra filmes reconhecidos unanimemente pela crítica, mas com pouco êxito de bilheterias. Em l972, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com “O Discreto Charme da Burguesia”. Sobre ele disse o patrício Carlos Saura: “O cinema de Buñuel bebe suas fontes em um anarquismo visceral como reação a uma Espanha conservadora, prisioneira de um passado dominado pela igreja e pela mediocridade dos políticos”. De carreira consolidada, numa fórmula jocosa e sutil, criticando a burguesia e a religião católica, LUIS BUÑUEL criou uma obra poética, visionária e irreverente, que lhe garantiu um lugar na galeria dos melhores cineastas de todos os tempos.
10 FILMES de BUÑUEL
Os ESQUECIDOS
(Los Olvidados, 1950)
(Los Olvidados, 1950)
elenco: Estella Inda, Miguel Inclán e Roberto Cobo
ENSAIO de umCRIME
(Ensayo de Un Crimen, 1955)
(Ensayo de Un Crimen, 1955)
elenco: Ernesto Alonso, Miroslava Stern e Rita Macedo
NAZARIN
(idem, 1958)
(idem, 1958)
elenco: Francisco Rabal, Marga López e Rita Macedo
VIRIDIANA
(idem, 1961)
(idem, 1961)
elenco: Silvia Piñal, Francisco Rabal e Fernando Rey
O ANJO EXTERMINADOR
(El Angel Exterminador, 1962)
(El Angel Exterminador, 1962)
elenco: Silvia Piñal, Augusto Benedico e José Baviera
O DIÁRIO de uma CAMAREIRA
(Le Journal d’une Femme de Chambre, 1964)
(Le Journal d’une Femme de Chambre, 1964)
elenco: Jeanne Moreau, Georges Geret e Michel Piccoli
A BELA da TARDE
(Belle de Jour, 1967)
(Belle de Jour, 1967)
elenco: Catherine Deneuve, Jean Sorel, Michel Piccoli
e Pierre Clementi
TRISTANA, uma PAIXÃO MÓRBIDA
(Tristana, 1970)
(Tristana, 1970)
elenco: Catherine Deneuve, Fernando Rey e Franco Nero
O DISCRETO CHARME da BURGUESIA
(Le Charme Discret de La Bourgeoisie, 1972)
(Le Charme Discret de La Bourgeoisie, 1972)
elenco: Fernando Rey, Delphine Seyrig, Michel Piccoli,
Stephane Audran e Jean-Pierre Cassel
ESSE OBSCURO OBJETO do DESEJO
(Cet Obscur Objet du Désir, 1977)
(Cet Obscur Objet du Désir, 1977)
elenco: Angela Molina, Carole Bouquet e Fernando Rey