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maio 15, 2025

* LUISA FERIDA e OSVALDO VALENTI: PAIXÃO e CRIME

osvaldo valenti e luisa ferida em a bela adormecida
 

 
O cinema é a arma mais forte
do regime fascista.
BENITO MUSSOLINI
(1883 – 1945. Predappio / Itália)

 
 
Assisti seis dos dez filmes em que eles atuaram juntos. Tinham carisma, talento e eram famosos no cinema italiano do final da década de 30 e início dos 40. Viveram uma avassaladora história de amor que terminou tragicamente em Milão, 30 de abril de 1945, pouco antes da meia-noite. Chovia muito, a cidade estava deserta e um caminhão parou na Via Poliziano, no Hipódromo San Siro. Alguns partidários da Brigada Pasubio fizeram um homem e uma mulher saírem do veículo. Iluminados pelos faróis, LUISA FERIDA (1914 - 1945. Castel San Pietro Terme, Emilia-Romagna / Itália) e OSVALDO VALENTI (1906 – 1945. Istambul / Turquia) foram executados com rajadas de metralhadora. De uma casa paroquial próxima, o padre Dom Adolfo Terzoli viu a chacina e depois se aproximou, concedendo a extrema unção. Ela segurava o sapatinho de lã do seu filho Kim, que morreu com apenas cinco dias de vida em 1942. Assim terminou um invejado e glamourizado romance, que encheu páginas e mais páginas de jornais e revistas, com o crime causando incômodo na opinião pública daqueles dias confusos.
 
Notável por sua beleza de traços morenos e pela sensualidade de seus movimentos, a presença de LUISA FERIDA permanece como uma das mais relevantes do universo cinematográfico europeu do período de 1939-1945. Filha de um rico proprietário de terras, que morreu quando ela era criança, iniciou sua carreira como atriz de teatro, participando da companhia de Ruggero Ruggeri e Paola Borboni. Em 1935 fez a primeira aparição no cinema em um papel coadjuvante no policial “Flecha de Ouro / Freccia d'oro” (1935). Por causa de sua fotogenia, logo se destacou em filmes como a comédia histórica “Il Re Burlone” (1935), com Armando Falconi. Entre 1937 e 1938, formou uma dupla de sucesso com Amedeo Nazzari. Em 1939, o celebrado diretor Alessandro Blasetti a escolheu como protagonista de “Romântico Aventureiro”. Segundo o cineasta, ela chegou ao set disposta a tudo, deixando claro que “não seria indiferente aos seus desejos como diretor ou homem”. Blasetti pediu a OSVALDO VALENTI que explicasse para ela que de fato era “uma mulher maravilhosa, mas que ele tinha outros interesses sentimentais”. 
 
luisa ferida
O ator passou tão bem a mensagem que, apesar de um caso sexual com a atriz anos antes, ela ainda em início de carreira, resultou em um romance irresistível entre eles. Os dois se tornaram inseparáveis. Assim nasceu a união que pode ser definida como amaldiçoada. Em 1941, filmaram “A Coroa de Ferro”, novamente dirigidos por Blasetti, ao lado de Massimo Girotti, Gino Cervi e Elisa Cegani. LUISA FERIDA interpreta a Princesa Tundra, uma mulher de beleza selvagem, e OSVALDO VALENTI, Eriberto, um feroz príncipe tártaro. Enquanto isso, ela havia se tornado uma das divas mais populares, repetindo na tela muitas vezes o papel de garota má e devassa, e ele o de vilão. Em 1942, continuaram sob a orientação de Blasetti em “A Farsa Trágica”. Outro êxito. Os diretores mais populares ofereceram para eles filmes importantes. Nos primeiros anos de 1940, estavam no auge e desempenharam personagens memoráveis. Estrelaram com Amedeo Nazzari o drama “A Bela Adormecida” (1942), que pertence ao estilo Caligrafismo, bastante expressivo em complexidade e lidando com material literário.
 
Filho de uma família rica, OSVALDO VALENTI estudou Direito em Milão, mas abandonou os estudos para circular por Paris e Berlim. Em 1928, estreou no cinema na Alemanha em “O Iate dos Sete Pecados / Die Yacht der Sieben Sünden”, com Brigitte Helm. Na década de 1930, retornou à Itália, filmando com Mario Bonnard e Amleto Palermi. Dirigido por Alessandro Blasetti fez filmes decisivos para sua carreira, estabelecendo sucesso entre a crítica e o público italiano. Consolidou-se como um dos atores mais requisitados e bem pagos, atuando em filmes de diretores de prestígio como Goffredo Alessandrini, Carmine Gallone, Duilio Coletti e Camillo Mastrocinque. De charme indiscutível e rosto ambíguo vagamente melancólico, era perfeito para papéis de vilão. Conhecido entre os colegas como mitomaníaco e cínico, falava quatro idiomas e mantinha boas relações com fascistas de alto escalão. Inquieto e exagerado, recebia autoridades e suas amantes em seu iate, ancorado em Fregene, Fiumicino, divertindo os convidados com imitações debochadas de Adolf Hitler (ele nunca escondeu seu desprezo pelos nazistas).
 
osvaldo valenti
Quando Benito Mussolini foi deposto em 25 de julho de 1943, o astro comemorou a decadência do fascismo, mas muitos o lembraram de seus laços estreitos com o regime e que futuramente poderia pagar caro pela ostentação de riqueza, enquanto boa parte dos italianos apertava o cinto. Em 1944, em “A Bela Adormecida”, de Luigi Chiarini, teve seu melhor desempenho no cinema. O vínculo sentimental entre ele e a amada seria sempre intenso e violento, principalmente por causa do abuso de cocaína. Em 1942, ela deu à luz um filho, que morreu alguns dias depois. A droga e a insensatez de OSVALDO VALENTI o levaram a percorrer caminhos cada vez mais perigosos, entre o mercado negro e a obsessão por dinheiro que sustentasse seu alto padrão de vida. Ingressou na República Social Italiana (RSI), alistando-se na Décima Flotilha do MAS, comandada pelo príncipe Valério Borghese, com a patente de tenente. Em Veneza, de uniforme oficial militar, foi fotografado para o semanário “La Domenica del Corriere”.
 
As duas estrelas viviam em um luxo desenfreado como em uma pequena corte. Tinham agente, governanta, secretário, mordomo, cozinheiro, garçons, tratador de cães e até mesmo um poeta particular para escrever madrigais para a diva. Por algum tempo, OSVALDO VALENTINI foi comissário de entretenimento e acalentou dirigir seus próprios filmes. No verão de 1943, o colapso do fascismo e os bombardeios aéreos em Roma interromperam a atividade cinematográfica. A indústria foi reativada meses depois, no norte do país, resultando no Cinevillaggio. Eles estavam entre os poucos artistas que acreditaram na recém-criada República Social Italiana. Atuaram em “Notícia”, que foi um total fracasso e o último filme deles. Criticado por sua suposta ideologia fascista, o ator renunciou ao cargo de comissário, enquanto sua parceira abortava acidentalmente um segundo e tão desejado filho. Eles nunca aderiram oficialmente ao fascismo, mas ao decidirem não se mudar para a Espanha, onde continuariam o trabalho como atores, e voltarem a Milão na primavera de 1944, assinaram um trágico destino.
 
Em Milão, atraído pela facilidade de drogas, OSVALDO VALENTI frequentou a sinistra Villa Triste, na Via Paolo Uccello, quartel da unidade especial de polícia política, conhecida como Banda Koch, responsável pela tortura e assassinato de opositores do regime. Devido à sua brutalidade sádica, Pietro Koch revelou-se impopular até em hierarcas fascistas, sendo preso pela polícia de Salò em dezembro de 1944, por ordem do próprio Benito Mussolini. Na ocasião, LUISA FERIDA e o marido viviam no luxuoso Hotel Continental, na Via Manzoni, frequentado por fascistas e nazistas. A guerra estava prestes a terminar, os pelotões de fuzilamento partidários atuavam intensamente, matando suspeitos de fascismo. O casal entregou-se à Brigada Pasubio e foram presos, após a denúncia de um fascista que confessou tê-los visto na Villa Triste. Levados para uma fazenda nos arredores de Milão, ocuparam uma sala e um quarto em um primeiro andar, vigiados por uma mulher denominada Senhora Rossi, que se responsabilizou por uma fortuna em liras e uma caixa de joias da atriz.
 
O partidário Giuseppe Marozin, codinome “Vero”, aparecia com frequência na improvisada prisão dos atores, garantindo: “Vocês estão em boas mãos. É questão de tempo, logo estarão livres.” Quando a rádio divulgou a falsa notícia de que OSVALDO VALENTI havia sido baleado, LUISA FERIDA se apavorou, não saindo mais do quarto, insone e com frequentes crises de choro. O primeiro julgamento do ator durou um dia inteiro até o pôr do sol. Ele confessou que sua relação com Pietro Koch era somente pelo fornecimento gratuito de cocaína, negando a participação ou testemunho em torturas. Ao retornar, tentou tranquilizar a esposa: “Eu pedi uma investigação mais aprofundada, haverá outro julgamento. E em qualquer caso, não precisa ter medo, seu nome nem foi mencionado.” Ele a chamava de Luisina, enxugando suas lágrimas, mas ela repetia: “Eu sei que eles vão nos matar”. Nos últimos dias de abril de 1945, depois de submetidos a um julgamento sumário, acusados de cumplicidade dos horrores cometidos por Koch, foram considerados culpados. Para eles, o triste destino estava selado.
 
Assassinados, LUISA FERIDA, aos 31 anos, estava grávida de quatro meses, e OSVALDO VALENTI tinha 39 anos. Seus cadáveres foram exibidos em público, junto aos de outras vítimas executadas, e depois enterrados um ao lado do outro, no cemitério Maggiore di Musocco, em Milão. Suas malas, deixadas no hotel, cheias de roupas, peles, dinheiro e joias, foram roubadas no dia do crime. Da casa em Milão saquearam um autêntico tesouro, do qual o chefe partidário Giuseppe “Vero” Marozin admitiu anos passados o “confisco”, mas alegando não se lembrar onde esses bens foram parar. Ele declarou também que a execução foi ordenada por Sandro Pertini, mais tarde presidente da república italiana. Na década de 1950, a empobrecida mãe de LUISA FERINA solicitou ao governo uma pensão de guerra, uma vez que sua filha era sua única fonte de renda. Foi, portanto, necessária uma investigação cuidadosa para apurar as reais responsabilidades da atriz. Ao final da qual, se concluiu que ela, injustamente assassinada, não foi culpada de nenhum crime de guerra. Sua mãe, portanto, obteve a pensão, incluindo os valores em atraso.
 
A história infeliz dos icônicos atores, depois de esquecida durante décadas, voltou à tona em 2008 com o filme dirigido por Marco Tullio Giordana, “Sangue de Guerra / Sanguepazzo”, com Luca Zingaretti e Monica Bellucci como o casal trágico, apresentado no Festival de Cinema de Cannes em 18 de maio de 2010. Dias depois, a RAI 1 transmitiu a versão completa em uma minissérie de dois episódios que alcançou grande audiência. Esse amor maldito foi contado anteriormente em um telefilme, em 1993, “Jogo Perverso / Gioco Perverso”, com Fabio Testi e Ida Di Benedetto.
 

FONTES
    “A Fábrica de Sonhos de Mussolini:
o Estrelato do Cinema na Itália Fascista”
(2013)
de Stephen Gundle
 
“Jogo Perverso - a Verdadeira História
de Osvaldo Valenti e Luisa Ferida
entre Cinecittà e a Guerra Civil”
(2007)
de Italo Moscati
 
“Luisa Ferida e Osvaldo Valenti –
a Ascensão e Queda de Duas Estrelas de Cinema”
(2007)
de Edward Reggiani

 
massimo girotti e luisa ferida em a coroa de ferro
LUISA e OSVALDO JUNTOS na TELA
 
01
ROMÂNTICO AVENTUREIRO
(Un'avventura di Salvator Rosa, 1939)

direção de Alessandro Blasetti
elenco: Gino Cervi, Rina Morelli e Paolo Stoppa
 
02
A COROA de FERRO
(La Corona di Ferro, 1941)

direção de Alessandro Blasetti
elenco: Elisa Cegani, Rina Morelli, Gino Cervi,
Massimo Girotti e Paolo Stoppa
 
03
A FARSA TRÁGICA
(La Cena delle Beffe, 1942)

direção de Alessandro Blasetti
elenco: Amedeo Nazzari, Clara Calamai,
Valentina Cortese e Elisa Cegani
 
04
A BELA ADORMECIDA
(La Bella Addormentata, 1942)

direção de Luigi Chiarini
elenco: Amedeo Nazzari
 
05
HORIZONTE de SANGUE
(Orizzonte di Sangue, 1942)

direção de Gennaro Righelli
elenco: Valentina Cortese
 
06
FEDORA
(Idem, 1942)

direção de Camillo Mastrocinque
elenco: Amedeo Nazzari e Rina Morelli
 
07
CAVALEIROS do DESERTO
(I Cavalieri del Deserto, 1942) 
direção de Gino Talamo e Osvaldo Valenti
elenco: Luigi Pavese e Guido Celano
 
08
ENCONTRO SANGRENTO
(Harlem, 1943)

direção de Carmine Gallone
elenco: Massimo Girotti, Amedeo Nazzari, Vivi Gioi
e Elisa Cegani
 
09
A DONA da POUSADA
(La Locandiera, 1944)

direção de Luigi Chiarini
elenco: Armando Falconi, Camilo Pilotto, Elsa De Giorgi,
Paola Borboni e Gino Cervi
 
10
NOTÍCIA
(Fatto di Cronaca, 1945)
direção de Piero Ballerini
elenco: Anna Capodaglio

 

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TELEFONE BIANCHI – o CINEMA FASCISTA ITALIANO
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ÍDOLOS do CINEMA NAZI
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GALERIA de FOTOS 


julho 13, 2024

** TELEFONI BIANCHI - o CINEMA FASCISTA ITALIANO

clara calamai e massimo girotti em obsessão (1943)

 

O cinema é a arma mais forte 
do regime fascista.
BENITO MUSSOLINI 
(1883 - 1945. Predappio / Itália)
 
Entre as novidades da guerra, existe mobilização 
total – material e espiritual – do cinematógrafo. 
O cinema italiano deve ilustrar nossa irresistível 
ascensão, da mesma forma como o cinema francês 
expõe a decadência catastrófica de seu povo.
MINO DOLETTI
(1906 - 1987. Verona / Itália)
jornalista
1940
 
 
O cinema italiano viveu uma época florescente na década de 1910, com épicos histórico-mitológicos e o chamado filme-diva, que fizeram sucesso internacional, graças à complexidade da encenação e o protagonismo de atrizes lendárias como Francesca Bertini, Pina Menichelli e Rina De Liguoro, entre outras. Por volta de 1923, essa tradição entrou em decadência irreversível e apenas 10% dos filmes em circulação eram de origem local. Em 1931 foram produzidos somente 13 filmes no país. O governo fascista reagiu com uma política protecionista, passando a subsidiar intensamente a produção nacional e a limitar a circulação de longas estrangeiros. O fascismo surgiu na Itália em 1919, liderado pelo tirano Benito Mussolini. Chegou ao triunfo após a Marcha sobre Roma, quando manifestantes exigiram que o Rei nomeasse Mussolini primeiro-ministro, e assim foi feito. Esteve no poder entre 1922 e 1943, sendo abolido totalmente em 1945, com a derrota na Segunda Guerra Mundial. Nos primeiros anos, em 1924, Il Duce criou o instituto L.U.C.E (L`Unione Cinematografica Educativa), destinado à criação de documentários educativos e cinejornais exibidos antes do início de qualquer filme.
 
Em 1933, com “Camisas Negras”, dirigido por Giovacchino Forzano, realizou-se o primeiro filme político desse regime. Narra o contexto histórico que a Itália atravessava entre a Primeira Guerra Mundial e a ascensão de Mussolini. Um aspecto que deve ser destacado da produção, além de ter sido financiada pelo governo, é que contou com a participação de Mussolini e de seu filho no roteiro. Ao contrário do que aconteceu na União Soviética ou na Alemanha, o Estado fascista se comportou de modo menos invasivo no setor cinematográfico: os funcionários do regime, no que se refere à censura, agiam orientando produtores e diretores a experimentar certos temas, mas não determinavam conteúdo e escolhas estilísticas.
 
Durante o período 1922-1943 foram produzidos filmes de propaganda ou de revisão histórica, mas a tendência de natureza propagandística não surtiu grande efeito. Acreditando no cinema como veículo de comunicação com as massas, o regime fascista inaugurou em 1932 o Festival de Cinema de Veneza, um palco de estreia de filmes alemães e italianos; em 1935 fundou o Centro Sperimentale di Cinematografia; e o gigantesco complexo da Cinecittà em 1937. As produtoras (Cines, Lux, Manenti, Titanus, ERA, etc.) permaneceram em mãos privadas, mas teriam falido sem os subsídios estatais. Devido aos investimentos, Mussolini obteve um poderoso cinema popular que rivalizava com Hollywood em termos de narrativa e sofisticação estilística. A comédia sentimental escapista, com ambientes luxuosos e personagens bem vestidos, fez muito sucesso. Apelidada de “Telefoni Bianchi”, ocultava problemas sociais, econômicos e políticos do país, hipnotizado o público em um orgulho nacional. Do ponto de vista artístico não foi feliz. Nessa época, considero Alessandro Blasetti e Mario Soldati os cineastas mais significativos. Blasetti, um artesão competente, abordou temas variados, conduzidos por um notável senso cinematográfico. O estilo elegante de Soldati valoriza imagens e performances, evocando dramas de época com verossimilhança. 
 
benito mussollini
Entre as maiores estrelas, destaco Alida Valli, Clara Calamai, Isa Miranda, Doris Duranti e Assia Noris. No star-system masculino, brilhavam Amedeo Nazzari, Fosco Giachetti, Massimo Girotti, Vittorio de Sica, Rossano Brazzi e Andrea Checchi. Uma das atrizes mais bem pagas e estimadas, Doris Duranti, imprudentemente, se tornou amante de um notório e cruel fascista, Alessandro Pavolini, ministro da Cultura Popular. Quando o regime caiu, a atriz fugiu para a Suíça, sendo presa em Lugano e cortando os pulsos na prisão. Pavolini foi capturado e enforcado, ao lado do cadáver de Benito Mussolini. Em 1945, Doris mudou-se para a América do Sul, onde viveu por muitos anos na Argentina e Venezuela.
 
Nesses anos sombrios, floresceu a revista “Cinema”, dirigida por Vittorio Mussolini, filho do Duce. A publicação cinéfila contava em sua equipe com nomes como Gianni Puccini, Giuseppe De Santis, Mario Alicata, Antonio Pietrangeli e Luchino Visconti. O mestre Visconti estrearia nas telas em 1943 com “Obsessão”, representando uma ruptura com a cinematografia fascista e dando início ao Neorrealismo. Acompanha as vicissitudes de um vagabundo e sua amante, cúmplices do assassinato do marido dela. Com uma verdade inédita, denuncia a pobreza e a falta de opções de uma sociedade. Após exibições polêmicas, foi proibido e retirado de circulação. A guerra se mostrou um grande desastre para Mussolini. Destituído em 1943, preso e a seguir solto pelos nazistas, estabeleceu no norte italiano a República de Salò. Derrotado pelos aliados, terminou executado em 1945. Seu corpo ficou pendurado pelos pés, na Piazza Loreto, em Milão. Durante Salò, o governo controlado pelos nazistas planejou construir uma indústria cinematográfica com artistas que não abandonaram Mussollini. O projeto não foi adiante.
 

Utilizados para disseminar as ideologias fascistas e seus projetos políticos, em especial na política externa, os filmes procuravam representar o povo. De uma maneira geral, seus protagonistas eram camponeses ou soldados, ou seja, homens simples, mas alinhados aos ideais fascistas, servindo como uma espécie de modelo. Com o fim da guerra, se formou uma comissão de cinema, com Mario Camerini, Luchino Visconti, Alfredo Guarini, Mario Chiari e Mario Soldati. Eles condenaram a seis meses de suspensão de atividade profissional, por colaboração com o fascismo, os cineastas Goffredo Alessandrini, Augusto Genina e Carmine Gallone. Mesmo demorando a perceber o potencial do cinema para o debate político e não sendo uma indústria cinematográfica tão organizada quanto, por exemplo, a nazista, a soviética ou a norte-americana, o cinema italiano cumpriu um importante papel na disseminação da ideologia fascista, mobilizando as massas em favor dessa causa.
 
FONTES
“A Fábrica de Sonhos de Mussolini: Estrelato 
do Cinema na Itália Fascista” (2013)
de Stephen Gundle
 
“Italian Fascism 1915 - 1945” (2002)
de Philip Morgan
 
“Mussolini at the Movies: Fascism, Film and Culture” (2002)
de Jacqueline Reich
 
“Mussolini e a Ascensão do Fascismo”
(2008)
de Donald Sasson
 
DEZ ATRIZES do CINEMA ITALIANO
sob o REGIME FASCISTA

 
01
ADRIANA BENETTI
(1919 – 2016. Comacchio, Emilia-Romagna / Itália)

Três Filmes:
TERESA VENERDÌ
(Idem, 1941)
direção de Vittorio De Sica
O CORAÇÃO MANDA
(4 Passi fra le Nuvole, 1942)
direção de Alessandro Blasetti
TEMPESTADE no GOLFO
(Tempesta Sul Golfo, 1943)
direção de Gennaro Righelli
 
02
ALIDA VALLI
(1921 – 2006. Pola, Istria / Croácia)

Três Filmes:
ALÉM do AMOR
(Oltre l'amore, 1940)
direção de Carmine Gallone
MANON LESCAUT
(Idem, 1940)
direção de Carmine Gallone
PEQUENO MUNDO ANTIGO
(Piccolo Mondo Antico, 1941)
direção de Mario Soldati
 
03
ASSIA NORRIS
(1912 - 1998. São Petersburgo / Rússia) 

Três Filmes:
Uma ROMÂNTICA AVENTURA
(Una Romantica Avventura, 1940)
direção de Mario Camerini
DUELO
(Un Colpo di Pistola, 1942)
direção de Renato Castellani
CAPITÃO FRACASSO
(Le Capitaine Fracasse, 1943)
direção de Abel Gance
 
04
CLARA CALAMAI
(1909 – 1998. Prato, Toscana / Itália)

Três Filmes:
Os PIRATAS da MALÁSIA
(I Pirati della Malesia, 1941)
direção de Enrico Guazzoni
A FARSA TRÁGICA
(La Cena delle Beffe, 1942)
direção de Alessandro Blasetti
OBSESSÃO
(Ossessione, 1943)
direção de Luchino Visconti
 
05

DORIS DURANTI
(1917 – 1995. Livorno, Toscana / Itália)

Três Filmes:
CIÚME TRÁGICO
(Cavalleria Rusticana, 1939)
direção de Amleto Palermi
TRÁGICA NOITE
(Tragica Notte, 1942)
direção de Mario Soldati
CARMELA, a MULHER DESPREZADA
(Carmela, 1942)
direção de Flavio Calzavara
 
06
ELISA CEGANI
(1911 – 1996. Turim, Piemonte / Itália)

Três Filmes:
CAVALARIA
(Cavalleria, 1936)
direção de Goffredo Alessandrini
ETTORE FIERAMOSCA
(Idem, 1938)
direção de Alessandro Blasetti
ENCONTRO SANGRENTO
(Harlem, 1943)
direção de Carmine Gallone
 
07
ISA MIRANDA
(1905 – 1982. Milão, Lombardia / Itália)

Três Filmes:
SCIPIÃO, o AFRICANO
(Scipione l'africano, 1937)
direção de Carmine Gallone
O PREÇO de um PECADO
(È Caduta una Donna, 1941)
direção de Alfredo Guarini
MALOMBRA
(Idem, 1942)
direção de Mario Soldati
 
08
LUISA FERIDA
(1914 - 1945. Castel San Pietro Terme, Emilia-Romagna / Itália)

Três Filmes:
ROMÂNTICO AVENTUREIRO
(Un'avventura di Salvator Rosa, 1939)
direção de Alessandro Blasetti
A COROA de FERRO
(La Corona di Ferro, 1941)
direção de Alessandro Blasetti
FEDORA
(Idem, 1942)                                                                   
direção de Camillo Mastrocinque
 
09
MARÍA MERCADER
(1918 – 2011. Barcelona / Espanha)

Três Filmes:
O REI se DIVERTE
(Il Re si Diverte, 1941)
direção de Mario Bonnard
RECORDAÇÕES de um AMOR
(Un Garibaldino al Convento, 1942)
direção de Vittorio De Sica
Os NOSSOS SONHOS
(I Nostri Sogni, 1943)
direção de Vittorio Cottafavi
 
10
MARIELLA LOTTI
(1921 – 2006. Busto Arsizio, Lombardia / Itália)

Três Filmes:
A PONTE dos SUSPIROS
(Il Ponte dei Sospiri, 1940)
direção de Mario Bonnard
TEMPESTADE de ALMAS
(I Mariti (Tempesta d'anime), 1941)
direção de Camillo Mastrocinque
A GÓRGONA
(La Gorgona, 1942)
direção de Guido Brignone
 
DEZ ATORES do CINEMA ITALIANO
sob o REGIME FASCISTA

 
01
AMEDEO NAZZARI
(1907 – 1979. Cagliari, Sardenha / Itália)

Três Filmes:
Do MESMO SANGUE
(Luciano Serra, Pilota, 1938)
direção de Goffredo Alessandrini
CARAVAGGIO, o PINTOR MALDITO
(Caravaggio, il Pittore Maledetto, 1941)
direção de Goffredo Alessandrini
ENCONTRO SANGRENTO
(Harlem, 1943)
direção de Carmine Gallone
 
02
ANDREA CHECCHI
(1916 – 1974. Florença, Toscana / Itália)

Três Filmes:
ALCAZAR
(L'assedio dell'Alcazar, 1940)
direção de Augusto Genina
TRÁGICA NOITE
(Tragica Notte, 1942)
direção de Mario Soldati
A CONDESSA CASTIGLIONE
(La Contessa Castiglione, 1942)
direção de Flavio Calzavara
 
03
CARLO NINCHI
(1896 – 1974. Bolonha, Emília-Romanha / Itália)

Três Filmes:
SCIPIÃO, o AFRICANO
(Scipione l'africano, 1937)
direção de Carmine Gallone
CIÚME TRÁGICO
(Cavalleria Rusticana, 1939)
direção de Amleto Palermi
PREDESTINADOS
(Catene Invisibili, 1942)
direção de Mario Mattoli
 
04
FOSCO GIACHETTI
(1900 – 1974. Sesto Fiorentino, Toscana / Itália)

Três Filmes:
ESQUADRÃO BRANCO
(Lo Squadrone Bianco, 1936)
direção de Augusto Genina
VERDI
(Giuseppe Verdi, 1938)
direção de Carmine Gallone
BENGASI
(Idem, 1942)
direção de Augusto Genina
 
05
GINO CERVI
(1901 – 1974. Bolonha, Emilia-Romagna / Itália)

Três Filmes:
ETTORE FIERAMOSCA
(Idem, 1938)
direção de Alessandro Blasetti
O CORAÇÃO MANDA
(4 Passi fra le Nuvole, 1942)
direção de Alessandro Blasetti
DON CESARE di BAZAN
(Idem, 1942)
direção de Riccardo Freda
 
06
LEONARDO CORTESE
(1915 – 1984. Roma / Itália)

Três Filmes:
CIÚME TRÁGICO
(Cavalleria Rusticana, 1939)
direção de Amleto Palermi
Uma ROMÂNTICA AVENTURA
(Una Romantica Avventura, 1940)
direção de Mario Camerini
RECORDAÇÕES de um AMOR
(Un Garibaldino al Convento, 1942)
direção de Vittorio De Sica
 
07
MASSIMO GIROTTI
(1918 – 2003. Mogliano, Marche / Itália)

Três Filmes:
A COROA de FERRO
(La Corona di Ferro, 1941)
direção de Alessandro Blasetti
Um PILOTO RETORNA
(Un Pilota Ritorna, 1942)
direção de Roberto Rossellini
OBSESSÃO
(Ossessione, 1943)
direção de Luchino Visconti
 
08
OSVALDO VALENTI
(1906 – 1945. Istambul / Turquia)

Três Filmes:
ETTORE FIERAMOSCA
(Idem, 1938)
direção de Alessandro Blasetti
A MÁSCARA de CÉSAR BÓRGIA
(La Maschera di Cesare Borgia, 1941)
direção de Duilio Coletti
A FARSA TRÁGICA
(La Cena delle Beffe, 1942)
direção de Alessandro Blasetti
 
09
ROSSANO BRAZZI
(1916 – 1994. Bolonha, Emilia-Romagna / Itália)

Três Filmes:
KEAN, GÊNIO e LOUCURA
(Kean, 1940)
direção de Guido Brignone
O PREÇO de um PECADO
(È Caduta una Donna, 1941)
direção de Alfredo Guarini
MÁSCARA de SANGUE
(I Due Foscari, 1942)
direção de Enrico Fulchignoni
 
10
VITTORIO de SICA
(1901 – 1974. Sora, Lazio / Itália)

Três Filmes:
Os APUROS do SENHOR MAX
(Il SMax, 1937)
direção de Mario Camerini
MANON LESCAUT
(Idem, 1940)
direção de Carmine Gallone
Os NOSSOS SONHOS
(I Nostri Sogni, 1943)
direção de Vittorio Cottafavi
 
DEZ DIRETORES do CINEMA ITALIANO
sob o REGIME FASCISTA

 
01
ALESSANDRO BLASETTI
(1900 – 1987. Roma / Itália)

Três Filmes:
1860
(Idem, 1933)
ETTORE FIERAMOSCA
(Idem, 1938)
A FARSA TRÁGICA
(La Cena delle Beffe, 1942)
 
02
AUGUSTO GENINA
(1892 – 1957. Roma / Itália)

Três Filmes:
ESQUADRÃO BRANCO
(Lo Squadrone Bianco, 1936)
ALCAZAR
(L'assedio dell'Alcazar, 1940)
BENGASI
(Idem, 1942)
 
03
CAMILLO MASTROCINQUE
(1901 – 1969. Roma / Itália)

Três Filmes:
DON PASQUALE
(Idem, 1940)
TEMPESTADE de ALMAS
(I Mariti (Tempesta d'anime), 1941)
FEDORA
(Idem, 1942)
 
04
CARMINE GALLONE
(1885 – 1973. Taggia, Ligúria / Itália)

Três Filmes:
SCIPIÃO, o AFRICANO

(Scipione l'africano, 1937)
VERDI
(Giuseppe Verdi, 1938)
MANON LESCAUT
(Idem, 1940)
 
05
GOFFREDO ALESSANDRINI
(1904 – 1968. Cairo / Egito)

Três Filmes:
Do MESMO SANGUE
(Luciano Serra, Pilota, 1938)
BODAS de SANGUE
(Nozze di Sangue, 1941)
CARAVAGGIO, o PINTOR MALDITO
(Caravaggio, il Pittore Maledetto, 1941)
 
06
MARIO BONNARD
(1889 - 1965. Roma / Itália)

Três Filmes:
A PONTE dos SUSPIROS
(Il Ponte dei Sospiri, 1940)
O REI se DIVERTE
(Il Re si Diverte, 1941)
CADA QUAL com seu DESTINO
(Campo de' Fiori, 1943)
 
07
MARIO CAMERINI
(1895 - 1981. Roma / Itália) 

Três Filmes:
Eu DAREI um MILHÃO
(Darò un Milione, 1935)
Uma AVENTURA ROMÂNTICA
(Una Romantica Avventura, 1940)
Os NOIVOS
(I Promessi Sposi, 1941)
 
08
MARIO MATTOLI
(1898 – 1980.Tolentino, Marche / Itália)

Três Filmes:
DRAMAS da NOBREZA
(La Damigella di Bard, 1936)
PREDESTINADOS
(Catene Invisibili, 1942)
SUBLIME TRAIÇÃO
(Luce nelle Tenebre, 1943)
 
09
MARIO SOLDATI
(1906 – 1999. Turim, Piemonte / Itália)

Três Filmes:
PEQUENO MUNDO ANTIGO
(Piccolo Mondo Antico, 1941)
TRÁGICA NOITE
(Tragica Notte, 1942)
MALOMBRA
(Idem, 1942)
 
10
ROBERTO ROSSELINI
(1906 – 1977. Roma / Itália)

Três Filmes:
O NAVIO BRANCO
(La Nave Bianca, 1941)
Um PILOTO RETORNA
(Un Pilota Ritorna, 1942)
O HOMEM da CRUZ
(L'uomo dalla Croce, 1943)
 

20 FILMES do CINEMA ITALIANO
sob o REGIME FASCISTA

 
01
CAMISAS NEGRAS
(Camicia Nera, 1933)
 

direção de Giovacchino Forzano
elenco: Enrico Marroni, Antonietta Mecale e Enrico Da Rosa
 
02
1860
(Idem, 1933)
 

direção de Alessandro Blasetti
elenco: Giuseppe Gulino, Aida Bellia, Gianfranco Giachetti,
Mario Ferrari e Maria Denis
 
03
VELHA GUARDA
(Vecchia Guardia, 1935)
 

direção de Alessandro Blasetti
elenco: Gianfranco Giachetti, Mino Doro e Franco Brambilla
 
04
CONDOTTIERI
(Idem, 1937)

direção de Luis Trenker
elenco: Luis Trenker, Loris Gizzi, Carla Sveva
e Mario Ferrari
 
05
SCIPIÃO, o AFRICANO
(Scipione l'africano, 1937)
 

Direção de Carmine Gallone
elenco: Annibale Ninchi, Camillo Pilotto, Fosco Giachetti,
Francesca Braggiotti, Isa Miranda e Carlo Ninchi
 
06
ETTORE FIERAMOSCA
(Idem, 1938)

direção de Alessandro Blasetti
elenco: Gino Cervi, Mario Ferrari, Elisa Cegani,
Osvaldo Valenti e Clara Calamai
 
07
Do MESMO SANGUE
(Luciano Serra, Pilota, 1938)

direção de Goffredo Alessandrini
elenco: Amedeo Nazzari, Germana Paolieri, Mario Ferrari
e Andrea Checchi
 
08
Uma AVENTURA ROMÂNTICA
(Una Romantica Avventura, 1940)
 

direção de Mario Camerini
elenco: Assia Noris, Gino Cervi e Leonardo Cortese
 
09
Os NOIVOS
(I Promessi Sposi, 1941)

direção de Mario Camerini
elenco: Gino Cervi, Dina Sassoli, Ruggero Ruggeri        
e Carlo Ninchi
 
10
PEQUENO MUNDO ANTIGO
(Piccolo Mondo Antico, 1941)

direção de Mario Soldati
elenco: Alida Valli, Massimo Serato e Ada Dondini
 
11
TERESA VENERDÌ
(Idem, 1941)
 

direção de Vittorio De Sica
elenco: Adriana Benetti, Irasema Dilián, Anna Magnani
e Vittorio De Sica
 
12
BENGASI
(Idem, 1942)
 

direção de Augusto Genina
elenco: Fosco Giachetti, Mária Tasnádi Fekete,
Amedeo Nazzari e Vivi Gioi
 
13
A FARSA TRÁGICA
(La Cena delle Beffe, 1942)

direção de Alessandro Blasetti
elenco: Amedeo Nazzari, Osvaldo Valenti, Clara Calamai
e Valentina Cortese
 
14
Um PILOTO RETORNA
(Un Pilota Ritorna, 1942)

direção de Roberto Rossellini
elenco: Massimo Girotti e Michela Belmonte
 
15
MALOMBRA
(Idem, 1942)

direção de Mario Soldati
elenco: Isa Miranda, Andrea Checchi, Irasema Dilián
e Gualtiero Tumiati
 
16
O CORAÇÃO MANDA
(4 Passi fra le Nuvole, 1942)
 

direção de Alessandro Blasetti
elenco: Gino Cervi e Adriana Benetti
 
17
GIARABUB
(Idem, 1942)

direção de Goffredo Alessandrini
elenco: Carlo Ninchi, Mario Ferrari e Doris Duranti
 
18
ENCONTRO SANGRENTO
(Harlem, 1943)

direção de Carmine Gallone
elenco: Massimo Girotti, Amedeo Nazzari, Vivi Gioi,
Elisa Cegani e Osvaldo Valenti
 
19
O HOMEM com uma CRUZ
(L'uomo dalla Croce, 1943)

direção de Roberto Rossellini
elenco: Alberto Tavazzi, Roswita Schmidt e Attilio Dottesio
 
20
OBSESSÃO
(Ossessione, 1943)
 

direção de Luchino Visconti
elenco: Clara Calamai, Massimo Girotti e Juan de Landa
 
isa miranda