Nunca me deixei levar pela birra da crítica especializada em cinema. Se eu conheço bem a carreira de determinado cineasta, faço minha própria avaliação, pouco ligando se ele é admirado ou desprezado. WILLIAM WYLER (1902 - 1981. Mulhouse / França) é um desses casos. Menosprezado por muitos analistas cinematográficos de hoje, que o consideram por demais impessoal e acadêmico, eu o enxergo como um autor de longas visualmente elegantes e densos, com momentos vitais de beleza plástica a serviço da dramaturgia, ao contrário do que seus detratores dizem. Não avalio o seu cinema como envelhecido e vejo virtudes em seu perfeccionismo, que o levava a filmar somente em estúdio, controlando a imagem de seus filmes.
Suprindo uma lacuna importante para os entusiastas do cinema clássico – e para qualquer cinéfilo -, relembro a trajetória deste cineasta reconhecido pelo prestígio de “O Morro dos Ventos Uivantes / Wuthering Heights” (1939) e “Os Melhores Anos de Nossas Vidas / The Best Years of Our Lives” (1946), ou pelos sucessos retumbantes de “A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday” (1953) e “Ben-Hur / Idem” (1959). Com três Oscars de Melhor Direção - por “Rosa da Esperança / Mrs. Miniver” (1942), “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” e “Ben-Hur” -, e a Palma de Ouro em Cannes por “Sublime Tentação / Friendly Persuasion” (1956), WILLIAM WYLER ganhou os prêmios mais importantes e dirigiu as maiores estrelas de Hollywood com excelentes resultados, colocando sua arte de grande diretor de elenco a serviço de astros e estrelas.
Ainda é o cineasta com o maior número de intérpretes indicados ao prêmio Oscar em seus filmes e com o maior número de premiados em suas realizações. Realizou 46 filmes em 44 anos de carreira, quase sempre com roteiros adaptados a partir de original literário ou teatral, esculpindo sua fama e seu mito.
Suprindo uma lacuna importante para os entusiastas do cinema clássico – e para qualquer cinéfilo -, relembro a trajetória deste cineasta reconhecido pelo prestígio de “O Morro dos Ventos Uivantes / Wuthering Heights” (1939) e “Os Melhores Anos de Nossas Vidas / The Best Years of Our Lives” (1946), ou pelos sucessos retumbantes de “A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday” (1953) e “Ben-Hur / Idem” (1959). Com três Oscars de Melhor Direção - por “Rosa da Esperança / Mrs. Miniver” (1942), “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” e “Ben-Hur” -, e a Palma de Ouro em Cannes por “Sublime Tentação / Friendly Persuasion” (1956), WILLIAM WYLER ganhou os prêmios mais importantes e dirigiu as maiores estrelas de Hollywood com excelentes resultados, colocando sua arte de grande diretor de elenco a serviço de astros e estrelas.
Ainda é o cineasta com o maior número de intérpretes indicados ao prêmio Oscar em seus filmes e com o maior número de premiados em suas realizações. Realizou 46 filmes em 44 anos de carreira, quase sempre com roteiros adaptados a partir de original literário ou teatral, esculpindo sua fama e seu mito.
| merle oberon e laurence olivier em “o morro dos ventos uivantes” |
| fay bainter e bette davis em “jezebel” |
Sóbrios e inteligentes, seus filmes capricham na psicologia. O realismo também era muito importante para ele. Entrou para a história a forma como quase levou Olivia de Havilland à loucura em “Tarde Demais / The Heiress” (1949). Em busca de determinado efeito, o diretor fez com que atriz descesse uma escadaria 37 vezes. Na última, à beira de um ataque de nervos, ela deixou o leque cair, de tão cansada, e ele exclamou: “É isso!”. Ele era tão obcecado em seu perfeccionismo que, em “A Carta / The Letter” (1940), querendo obter determinado efeito - a sombra de uma árvore numa parede branca -, tentou todos os recursos de iluminação disponíveis. Ao ver que não estava conseguindo, fez com que o cenógrafo pintasse a sombra que desejava. Tudo isso faz parte da lenda desse cineasta que privilegiava os roteiros sólidos, carregados de psicologismo. Natural da Alsácia, atualmente França, WILLIAM WYLER emigrou para os Estados Unidos em 1923, a convite do presidente da Universal, seu primo em segundo grau, Carl Leammle.
Depois de alguns meses no Departamento de Publicidade, conduziu alguns filmes de baixo orçamento, até que em 1935 passou a trabalhar com o produtor Samuel Goldwyn, iniciando um novo rumo na sua carreira com “Fogo de Outono / Dodsworth” (1936), um drama que lhe permitiu a primeira nomeação ao Oscar. A longa associação com Goldwyn resultou na sua maturidade artística, assinando nessa época três dos trabalhos mais emblemáticos da carreira de Bette Davis: “Jezebel / Idem” (1938), “A Carta” e “Pérfida/ The Little Foxes” (1941). Incorporado no exército americano, lutou na Segunda Guerra Mundial. Quando regressou, apesar da inclusão na lista negra do Senador McCarthy, no período da chamada Caça às Bruxas, o seu prestígio profissional não se abalou, continuando a somar êxitos. Liberto do contrato com o produtor Samuel Goldwyn, tentou a produção independente, tendo Frank Capra e George Stevens como sócios. Mas o fracasso comercial de “A Felicidade Não se Compra / It’s a Wonderful Life” (1946), de Capra, posteriormente um dos filmes mais amados de todos os tempos, fez com que a empreitada não se consolidasse e WILLIAM WYLER assinou com a Paramount um contrato para cinco filmes - com mais liberdade de ação do que Goldwyn dava.
Depois de alguns meses no Departamento de Publicidade, conduziu alguns filmes de baixo orçamento, até que em 1935 passou a trabalhar com o produtor Samuel Goldwyn, iniciando um novo rumo na sua carreira com “Fogo de Outono / Dodsworth” (1936), um drama que lhe permitiu a primeira nomeação ao Oscar. A longa associação com Goldwyn resultou na sua maturidade artística, assinando nessa época três dos trabalhos mais emblemáticos da carreira de Bette Davis: “Jezebel / Idem” (1938), “A Carta” e “Pérfida/ The Little Foxes” (1941). Incorporado no exército americano, lutou na Segunda Guerra Mundial. Quando regressou, apesar da inclusão na lista negra do Senador McCarthy, no período da chamada Caça às Bruxas, o seu prestígio profissional não se abalou, continuando a somar êxitos. Liberto do contrato com o produtor Samuel Goldwyn, tentou a produção independente, tendo Frank Capra e George Stevens como sócios. Mas o fracasso comercial de “A Felicidade Não se Compra / It’s a Wonderful Life” (1946), de Capra, posteriormente um dos filmes mais amados de todos os tempos, fez com que a empreitada não se consolidasse e WILLIAM WYLER assinou com a Paramount um contrato para cinco filmes - com mais liberdade de ação do que Goldwyn dava.
| bette davis em “a carta” |
| olivia de havilland em “tarde demais” |
| audrey hepburn em “a princesa e o plebeu” |
Nunca me impressionei com “Rosa da Esperança”, “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” - até hoje visto como um dos mais importantes filmes do pós-Segunda Guerra - ou “Sublime Tentação”, todos sucessos de público, crítica e premiados -, mas a beleza sombria de “A Carta” me apaixona e o meu WILLIAM WYLER favorito é o romântico “O Morro dos Ventos Uivantes”, baseado no clássico gótico de Emily Bronte. Entre os inesquecíveis momentos da fita, o impetuoso Heathcliff (Laurence Olivier) carrega nos braços a sua agonizante amada Cathy (Merle Oberon, maravilhosa).
Não me canso de rever “Perdição por Amor / Carrie” (1952), com vigorosas atuações de Laurence Olivier, Jennifer Jones e Miriam Hopkins – esta subestimada atriz se destacou em vários filmes do diretor -, e os westerns “O Galante Aventureiro / The Westerner” (1940) e “Da Terra Nascem os Homens / The Big Country” (1958). A cena de luta entre Gregory Peck e Charlton Heston é antológica. Outro excepcional momento seu é “Infâmia /The Children’s Hour” (1961), apontado por Alain Resnais como um dos mais desdenhados (injustamente) filmes norte-americanos. Ele retoma a mesma história de Lillian Hellman, filmada nos anos 30, tratando o homossexualismo feminino com abertura e antológicas atuações de Shirley MacLaine (digna de Oscar) e Audrey Hepburn.
Não me canso de rever “Perdição por Amor / Carrie” (1952), com vigorosas atuações de Laurence Olivier, Jennifer Jones e Miriam Hopkins – esta subestimada atriz se destacou em vários filmes do diretor -, e os westerns “O Galante Aventureiro / The Westerner” (1940) e “Da Terra Nascem os Homens / The Big Country” (1958). A cena de luta entre Gregory Peck e Charlton Heston é antológica. Outro excepcional momento seu é “Infâmia /The Children’s Hour” (1961), apontado por Alain Resnais como um dos mais desdenhados (injustamente) filmes norte-americanos. Ele retoma a mesma história de Lillian Hellman, filmada nos anos 30, tratando o homossexualismo feminino com abertura e antológicas atuações de Shirley MacLaine (digna de Oscar) e Audrey Hepburn.
Martin Scorsese declarou que se deixou influenciar por “Tarde Demais” ao rodar o delicado “A Época da Inocência / The Age of Innocence” (1993). O cineasta japonês Kenji Mizoguchi era também admirador de WILLIAM WYLER. Na sua fase final, esse mestre do classicismo ainda assinou títulos emblemáticos como “O Colecionador / The Collector” (1965), “Funny Girl – A Garota Genial / Funny Girl” (1968) ou o drama racial “A Libertação de L. B. Jones / The Liberation of L. B. Jones” (1970). Wyler casou-se duas vezes. A primeira com a atriz Margaret Sullavan (“A Loja da Esquina / The Shop Around the Corner”, 1940, de Lubitsch), relacionamento que durou dois anos e um filme juntos, “A Boa Fada / The Good Fairy” (1935). Em 1976, recebeu do American Film Institute (AFI) um prêmio especial pelo conjunto de sua obra. Durante toda a vida, ele foi um homem simples, que não seguiu modismos. Verdadeira instituição do cinema hollywoodiano, seus filmes seguiram, coerentemente, essa filosofia de vida e arte: foi na tela, um bom contador de histórias, e nunca desejou outro rótulo.