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janeiro 31, 2015

********************* O VALIOSO FALCÃO MALTÊS





TRAMA ENGENHOSA em um CLÁSSICO POLICIAL NOIR

Em 1539, os templários de Malta pagam tributo ao rei Carlos V da Espanha, enviando-lhe um falcão de ouro todo encrustado de joias raras. Mas piratas roubam este presente inestimável e seu destino permanece um mistério. Com esta introdução tem início o lendário policial noir O FALCÃO MALTÊS (The Maltese Falcon, 1941) - ou “Relíquia Macabra”, título brasileiro. O enredo gira em torno dessa preciosidade medieval valiosíssima que é levada em sigilo desde o Oriente até a cidade de San Francisco, na Califórnia. Em seu rastro seguem aventureiros gananciosos que fazem de tudo para possuí-la. O detetive particular Sam Spade (Humphrey Bogart) entra nessa batalha ao receber a visita da sedutora e esperta Brigid O’Shaughnessy (soberba Mary Astor). 

O que parecia ser mais um caso normal torna-se um emaranhado de problemas quando seu sócio é assassinado. Imune a ilusões sentimentais, habituado a lidar com gângsteres e policiais corruptos, Spade arma um jogo sutil de alianças e traições, decidido a sair vencedor. Preserva noções elementares de justiça, mas está disposto a ir até o limite. A intrincada e deliciosa narrativa, que mistura momentos sarcásticos com outros de puro suspense, estabeleceu padrões que seriam seguidos por muitos dos filmes posteriores, definindo características clássicas do gênero, como personagens ambíguos, ambientes obscuros (inspirados no expressionismo alemão) e a mulher fatal (perigosa serpente).

PERFEITO CONTROLE na DIREÇÃO

O romance policial “The Maltese Falcon”, de Dashiell Hammett, lançado em 1930, resulta da compilação de duas histórias publicadas em 1925 na revista Black Mask: “The Whosis Kid” e “The Gutting of Couffignal”. Além da versão de John Huston, existem outras três, todas fracassadas: “O Falcão Maltês / The Maltese Falcon” (1931), de Roy Del Ruth, com Bebe Daniels e Ricardo Cortez; “Satã Encontrou Uma Dama / Satan Met a Lady” (1936), de William Dieterle, com Bette Davis e Warren William; e “The Black Bird” (1975), de David Giler, com George Segal e Stephane Audran. 

O remake de Huston, filmado na Warner de Culver City, foi o primeiro longa-metragem do diretor, que até então trabalhava como roteirista (em filmes dirigidos por William Wyler, Raoul Walsh, Howard Hawks, Anatole Litvak e William Dieterle). Custou 300 mil dólares e foi rodado em oito semanas. O cineasta demonstrou um controle perfeito sobre a produção, surpreendendo o chefão do estúdio, Jack Warner. Huston entregou um roteiro detalhista, que incluía story board e material necessário para a filmagem. Em sua autobiografia, disse: “Preparei-me bastante para meu primeiro trabalho como diretor. Tinha um roteiro muito bem estruturado, não apenas cena por cena, mas também plano por plano. Fiz um esquema de cada plano; indicava inclusive se tinha de fazer uma panorâmica ou um plano com grua. Eu não queria ter dúvida diante dos atores e da equipe técnica. Apresentei meu roteiro para o produtor Henry Blanke. Tudo o que ele me disse foi: “Somente recomendo que cada cena seja tratada como a mais importante do filme”. Este é o melhor conselho que um diretor jovem pode receber”.

HUSTON e BOGART, uma PARCERIA de SUCESSO

lee patrick e bogart
A estética noir deixou marcas na cultura pop e se repete até hoje nos mais diversos tipos de narrativas cinematográficas. De modo geral, são chamadas noir (“preto”, literalmente do francês) produções criminais realizadas em larga escala nos anos 1940 e 1950 em Hollywood. Apresentam mocinhos de caráter duvidoso, mulheres perigosas e inteligentes, detetives calejados, paisagens urbanas sombrias, ambientes fechados, predomínio de cenas noturnas, trama policial e, obviamente, narrativa que gira em torno de algum crime.

Não bastasse ser considerado o primeiro e um dos mais conhecidos representantes do film noir, O FALCÃO MALTÊS ainda pavimentou o caminho de sucesso de dois importantes nomes da história do cinema: John Huston e Humphrey Bogart (que estrelaria o clássico “Casablanca / Idem” um ano depois). Por pouco, eles não tiveram a oportunidade de iniciar uma parceria de sucesso. A Warner havia oferecido primeiro George Raft para o papel de Sam Spade. Mas o ator, uma estrela na época, não aceitou o trabalho devido à inexperiência do diretor. Foi então que Huston convidou Bogart, que havia terminado o genial “Seu Último Refúgio / High Sierra” (1941), personagem também recusado por Raft. As afinidades entre a dupla foram tantas que trabalharam juntos em outros cinco filmes, sempre acompanhados de muito uísque: “Garras Amarelas / Across the Pacific” (1942), “O Tesouro da Sierra Madre / The Treasure of the Sierra Madre” (1948), “Paixões em Fúria / Key Largo” (1948), “Uma Aventura na África / The African Queen” (1951) e O Diabo Riu por Último / Beat the Devil” (1953).

ATMOSFERA TENSA

huston, peter lorre, mary astor 
e bogart
O roteiro intrincado de Huston desenvolve a trama com cuidado, nos levando lentamente para a tensa conclusão, mas já fisgando o espectador no início, com a morte do parceiro de Sam. Ele tem o cuidado de não tornar os personagens unidimensionais, deixando sempre uma dúvida no ar sobre o caráter de cada um deles. 

Através da linguagem despojada, cheia de gírias, e de atitudes ambíguas de praticamente todos os personagens, Huston jamais permite ao espectador antecipar o que acontecerá na trama, o que só colabora para que a narrativa se torne cada vez mais tensa e imprevisível. Os figurinos de Orry-Kelly e os ambientes fechados e sombrios (direção de arte de Robert M. Haas) colaboram com esta atmosfera tensa, além de criarem o visual marcante e obscuro pretendido pelo diretor. Ele faz questão de criar diversos momentos que nos colocam em dúvida a respeito do caráter dos personagens, o que só favorece o suspense criado, reforçado pela trilha sonora de Adolph Deutsch. Desta forma, fica difícil prever para onde a narrativa esta indo, o que, neste caso, torna o filme ainda mais curioso. Ainda assim, a revelação final de que Brigid é a assassina não surpreende, mas amarra bem a trama.

PERSONAGENS HOMOSSEXUAIS

peter lorre como joel cairo
Empregando um ritmo agradável ao longa, graças à montagem de Thomas Richards, e criando momentos interessantes, como quando a câmera simula o olhar embaçado de Sam antes de um desmaio, John Huston mostra muita competência atrás das câmeras e realiza um longa memorável. Destaque para as interpretações de Peter Lorre, como o nervoso, afeminado e alucinado Joel Cairo; Sydney Greenstreet, o obeso e cínico Kasper Gutman, indicado ao Oscar; Elisha Cook Jr., como o capanga-amante-psicopata de Gutman, Wilmer Cook; e Mary Astor. 

No romance, três personagens masculinos (Joel Cairo, Kasper Gutman e Wilmer) são homossexuais, mas para evitar problemas com a censura, decidiram representá-los sutilmente. O pai do diretor, o grande ator Walter Huston, faz uma participação especial como o Capitão Jacobi. O filme recebeu três indicações para o Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Sydney Greenstreet) e Melhor Roteiro Adaptado. A estatueta original do falcão foi vendida recentemente por US$ 3,5 milhões, em Nova York. O FALCÃO MALTÊS é pioneiro, tanto em estética, quanto na adaptação de roteiro. John Huston realizou um talentoso exercício de cinema que diverte e impressiona.

O ESCRITOR

DASHIELL HAMMETT
(1894 – 1961. Maryland / EUA)

Ao publicar “O Falcão Maltês” (1930), o autor transformou as histórias policiais de uma vez por todas. Com um estilo que já foi comparado ao de Ernest Hemingway, jogou os personagens nas ruas de uma cidade turbulenta, deu à trama um ritmo acelerado, usou a linguagem crua do dia-a-dia e adotou um realismo que o gênero policial até então desconhecia. Esse realismo se relaciona diretamente com a biografia do autor: Hammett abandonou a escola aos 14 anos e, após diversos trabalhos temporários, conseguiu emprego numa agência de investigações. Não se destacou como detetive, mas os oito anos em que exerceu a profissão lhe deram a matéria-prima de sua literatura.

O DIRETOR / ROTEIRISTA

JOHN HUSTON
(1906 – 1987. Nevada, Missouri / EUA) 

O FOTÓGRAFO

ARTHUR EDESON
(1891 – 1970. Nova Iorque / EUA)

O excepcional manejo de câmera utilizado pelo fotógrafo teve um papel importante no sucesso do filme. Há a presença marcante de ângulos inovadores e não usuais (como no nível do chão, por exemplo) enfatizando a personalidade dos personagens e a natureza de suas ações, além de claro, a predominância da clássica luz baixa. Edeson começou em 1914, fotografando filmes como “Sem Novidade no Front / All Quiet on the Western Front” (1930), “Frankenstein / Idem” (1931), “O Grande Motim / Mutiny on the Bounty” (1935), “Dentro da Noite / They Drive by Night” (1940) e “Casablanca / Idem” (1942).

O ELENCO

HUMPHREY BOGART
(1899 – 1957. Nova Iorque / EUA)
Sam Spade

MARY ASTOR
(1906 – 1987. Quincy, Illinois / EUA)
Brigid O`Shaughnessy

GLADYS GEORGE
(1900 – 1954. Patten, Maine / EUA)
Iva Archer 

PETER LORRE
(1904 - 1964. Ruzomberok / Eslováquia)
Joel Cairo

BARTON MacLANE
(1902 – 1969. Colúmbia, Carolina do Sul / EUA)
Tenente Dundy

LEE PATRICK
(1901 – 1982. Nova Iorque / EUA)
Effie Perine

SYDNEY GREENSTREET
(1879 – 1954. West Malling / Reino Unido)
Kasper Gutman 

WARD BOND
(1903 - 1960. Benkelman, Nebraska / EUA)
Miles Archer 

ELISHA COOK JR.
(1903 – 1995. San Francisco, Califórnia / EUA)
Wilmer Cook

DIÁLOGOS MARCANTES


Brigid (para Spade): “Tenho uma terrível confissão a fazer. O que lhe disse não passou de uma mentira.”
Spade (sobre o valor que recebeu dela para a investigação): “Realmente não acreditamos na sua história, acreditamos nos seus 200 dólares. Pagou mais do que se tivesse dito a verdade.”

Brigid (perguntando sobre o parceiro de Spade): “Ele era casado?
Spade: “Sim. Com um bom seguro e uma esposa infiel. Assim são as coisas.”

Brigid (para Spade): “Seja generoso. Você é valente e forte. Certamente irá me transmitir um pouco dessa coragem. Preciso desesperadamente de ajuda. Sei que não tenho direito de pedir, mas peço-lhe: ajude-me.”
Spade: “Você não precisa de ajuda de ninguém, você é boa nisso. Posso ver isso em seus olhos e na entonação que coloca na voz ao dizer: seja generoso.”
Brigid: “Eu mereço isso, mas a mentira está na maneira como eu disse e não no conteúdo.”

Brigid: “Thursby cobria o chão em volta da cama com jornal amassado para que ninguém entrasse no quarto silenciosamente.”

Spade: “O que tem me dado além de dinheiro? Alguma vez me disse uma verdade? Não tentou comprar minha lealdade?
Brigid: “De que outro modo posso comprá-la? ” (em resposta recebe um beijo de Spade)

Spade (para Brigid): “Não me interesso por seus segredos, mas não posso seguir em frente sem confiar em você. Precisa me convencer de que não está trapaceando.”
Brigid: “Estou cansada de mentir e inventar histórias, sem saber o que é mentira e o que é verdade.”

Brigid: “Você foi um presente dos céus.”
Spade: “Não exagere.”

Gutman: “Suspeito de gente calada. Sempre escolhe a hora errada para falar. Conversar é algo que não se faz ponderadamente sem antes colocar em prática. Gosto de falar com quem gosta de falar.”

Gutman: “Sinto muito em te perder, Wilmer. Gosto de você como um filho. Um filho pode ser substituído, mas só há um falcão maltes. Quando se é jovem não se entende estas coisas.”

Spade (para Brigid, antes de entrega-la para a polícia): “Se for boa, ficará 20 anos na cadeia. Estarei te esperando. Se te enforcarem, sempre me lembrarei de você.”

Brigid: “Você sabe se me ama ou não?
Spade: “Talvez a ame, mas acabarei esquecendo um dia.”

  O TRAILER:



a estatueta usada 
na versão de 1941

julho 29, 2011

********* GLORIA SWANSON e CECIL B. DeMILLE

gloria swanson

 
Quem gosta dos clássicos de Hollywood certamente já passou por “Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard” (1950), o mais contundente filme sobre os bastidores da capital do cinema e, em minha opinião, um dos melhores filmes de todos os tempos. Depois de passear pelos extras de sua baratíssima edição distribuída pela Paramount, é bastante provável que o espectador se sinta compelido a procurar os filmes em que Miss GLORIA SWANSON foi dirigida por Cecil B. DeMille: retratado em “Sunset Boulevard” como um atarefado diretor que nem remotamente deseja tirar do ostracismo a outrora famosa atriz muda. É também possível que esse espectador procure saber um pouco mais sobre os outros artistas esquecidos que também comparecem no filme de Billy Wilder (Erich Von Stroheim, Buster Keaton). Eu saí atrás de toda essa gente.
 
O passeio me levou até “No Alvorecer da Verdade / Don't Change Your Husband” (1919), “Macho e Fêmea / Male and Female” (1919), “Porque Trocar de Esposa? / Why Change your Wife” (1920) e “As Aventuras de Anatólio / The Affairs of Anatol”, películas em que uma GLORIA SWANSON no auge de sua juventude, beleza e popularidade é dirigida por Cecil B. DeMille. Essas películas exemplificam bastante bem as diretrizes que determinavam o trabalho de DeMille nos anos de 1910 e 1920. São comédias que seguem a linha das comédias de costumes teatrais, que buscam corrigir os vícios pelo riso. Daí a algumas delas não terem muita graça, por tentarem defender uma middle class morality de modo demasiado intencional. Por exemplo, a primeira e a terceira, “No Alvorecer da Verdade” e “Porque Trocar de Esposa?”, respectivamente. A apresentação do casal assemelha-se. No primeiro filme, a câmera delicia-se em apresentar pouco a pouco um marido relaxado: ele joga a sujeira do cachimbo no chão da sala e coloca os sapatos sujos sobre o lenço imaculado da esposa. A pobrezinha, que anseia por romance, encontra-o pouco depois no galanteador que a distraía no jantar de aniversário de casamento dela - ao qual o marido se esquecera de comparecer. 

No segundo filme é a vez de a câmera desnudar a pudica esposa que, por ser muito casta, acaba jogando o marido no colo de uma vamp (a hilária Bebe Daniels, num de seus muitos papéis de coquete espevitada). Num e noutro filme pululam as mensagens moralizantes do diretor, por meio de inúmeros intertítulos longuíssimos. A conclusão de ambos é: marido e mulher devem permanecer unidos para tentar resolver os problemas conjugais, pois nem sempre (nunca, de acordo com a filosofia demilliana) é bom negócio investir num novo consórcio. A leitura da questão é pretensamente inovadora quando DeMille propõe, em “Porque Trocar de Esposa?”, que a mulher deve deixar o puritanismo de lado para, de vez em quando, ser também “amante” do marido. Porém, a dica parece servir unicamente ao objetivo de sustentar o lar burguês num momento em que não era tão difícil de se conseguir um divórcio (tanto que, nos dois filmes, o casal se divorcia, e os litigantes são punidos com segundos consórcios pouco deleitosos).
 
cecil b. demille
Além de acreditar que o casamento deveria durar até que a morte separasse o casal - mesmo que as diferenças já os tivessem separado muito antes -, outra crença alimentada pelo Sr. DeMille é a da estratificação das classes sociais. Isso fica muito claro em “Macho e Fêmea”, conto do mordomo que deseja a patroa rica, mas, consciencioso de sua posição social, resolve casar-se com a criadinha sensaborona. O casamento entre a patroa e o empregado - enamorados um do outro - quase acontece. Isso enquanto ambos estão numa ilha deserta, onde vão parar depois que afunda o barco onde estão os ricos, o mordomo e a criada. Lá fundam uma nova sociedade, baseada na habilidade de cada um, e onde, pasmem, é a vez do esbelto mordomo tornar-se rei (literalmente). Só assim, superior à mocinha, ele poderia tê-la. O idílio dura pouco, pois os desaparecidos são resgatados, mas mesmo que não fossem, e que o casamento se consumasse, perduraria a visão machista do Sr. Cecil B. DeMille.


Mais agradável é “As Aventuras de Anatólio”, onde há mais bom humor na narração das situações em que se envolve o “cavalheiresco” jovem Anatol (interpretado pelo belo Wallace Reid num dos últimos papéis de sua breve carreira), sempre às voltas com a salvação das belas mulheres. Os intertítulos, apesar de continuarem longos, são sarcásticos: “O cavalheiro andante só quer fazer o bem, mas o que sua esposa pensa disso?”; “Se bem que ele não iria querer salvar a moça se ela não fosse tão bonita, e ela não iria querer ser salva se ele não tivesse os ombros tão largos”, coisas do tipo. Além disso, as interpretações são bastante satisfatórias. GLORIA SWANSON faz uma mocinha recém-casada bem engraçada: frívola, tímida, ciumenta. Wallace Reid tem uns trejeitos hilários - destaque para a cena em que ele, depois de ser enganado por uma Dulcinéia e abandonado na estrada pela esposa, olha para uns patos (“Greetings, brothers”, diz o intertítulo). Bebe Daniels novamente aparece, e é uma das personagens mais interessantes dos silents de DeMille: uma vamp de fachada, que habita um misto de caverna do Drácula e pirâmide do Egito, e tenta vampirizar o bobo Reid no intuito de conseguir o dinheiro para a cirurgia de seu esposo.

em macho e fêmea
No conjunto, a colaboração Swanson/DeMille deixou produções de inegável valor histórico, mas que não são vistas com muito prazer nos dias de hoje. Não me agrada o modo como ele pinta as mulheres: ou bonecas tolas, seduzidas por galanteadores baratos, ou mulheres descaradas, desejosas especialmente de limpar os bolsos dos homens. E pinta de modo grave, quase sempre com o dedo em riste. Por isso, me diverti tanto com Bebe na pele da mulher casada que amava o esposo e para quem o vampirismo era meramente uma carreira artística... Mas, por outro lado, nesses filmes DeMille pôde vestir Gloria com os trajes mais extraordinários do final de 10 e começo de 20. Trajes que, na época, fizeram tremendo sucesso inclusive por aqui. Não posso deixar de pensar o quanto a descrição de uma das personagens de João do Rio pode ter tido influência da atriz: “O seu passo tango, o exagero das modas, que lhe davam o aspecto semipersa (...)” (vide “Créssida”, de “A Mulher e os Espelhos”, 1919).


Gostei muito de ver esses filmes, que esclarecem a leitura inteligente que Billy Wilder e GLORIA SWANSON fazem da época - e a leitura irritou DeMille, que rompeu relações com Wilder, segundo a trívia hollywoodiana. Mas prefiro Gloria em “Sedução do Pecado / Sadie Thompson” (1928) ou então no sonoro “Esta Noite ou Nunca / It's Tonight or Never” (1931). Aliás, sobre este, meu preferidíssimo, ainda falarei futuramente.

texto de DANIELLE CREPALDI CARVALHO
editora do blog “Filmes, Filmes, Filmes!”

em por que trocar de esposa?

FILMES de GLORIA e DeMILLE JUNTOS

No ALVORECER da VERDADE
(Don’t Change Your Huscand, 1919)
elenco: Elliott Dexter

A RENÚNCIA
(For Better, For Worse, 1919)
elenco: Elliott Dexter

MACHO e FÊMEA
(Male and Female, 1919)
elenco: Thomas Meighan

POR que TROCAR de ESPOSA?
(Why Change Your Wife? 1920)
elenco: Thomas Meighan

ALGUMA COISA em que PENSAR
(Something to Think About, 1920)
elenco: Elliott Dexter

As AVENTURAS de ANATÓLIO
(The Affairs of Anatol, 1921)
  elenco: Wallace Reid