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janeiro 27, 2026

********** MELODRAMA – o CINEMA de LÁGRIMAS

rock hudson e jane wyman em tudo o que o céu permite
 

Eu nunca vou te deixar ir.
Nunca, nunca, nunca.

ELLEN BERENT HARLAND (Gene Tierney)
em “Amar Foi a Minha Ruína”


Por muito tempo menosprezado como um gênero vulgar, destinado ao público feminino que frequentava os cinemas à tarde, enquanto os maridos trabalhavam, para fugir da realidade, sonhar (e chorar) um pouco, o MELODRAMA acabou se generalizando como símbolo de certo tipo de filme que procura efeitos de forte apelo emocional, envolvendo o público em uma teia de sentimentos excessivos e centrando-se numa vítima do destino. Histórias dramáticas, infelizes, marcadas por reviravoltas por vezes inverossímeis, sempre sob o compasso de trilhas sonoras feitas para tocar o coração, esses longas não eram levados a sério – salvo por suas fiéis espectadoras. Ambientados quase sempre em questões familiares e sociais no contexto de um lar privado, na luta de um personagem e suas escolhas. Por exemplo, um homem casado tentado a abandonar esposa dedicada e filhos por uma interesseira bela e sedutora. Figuras típicas incluem também a prostituta, a mãe solteira, o alcoólatra, a filha ingrata ou a solteirona, sempre com desafios externos.

Meu interesse pelo tema começou ao ver clássicos de Hollywood na tevê, aprofundando-me quando conheci, no Rio de Janeiro, o escritor argentino Manuel Puig, o autor de
“O Beijo da Mulher Aranha”. Ele era um aficionado do MELODRAMA e trabalhava elementos do gênero em sua literatura. Juntos, vimos e discutimos muitos filmes, entre eles “Carta de Uma Desconhecida / Letter from an Unknown Woman” (1948), de Max Ophuls. O termo foi usado pela primeira vez em 1782 e veio da palavra francesa mélodrame, que por sua vez foi derivada do grego μέλος (canção ou música) e do francês drame (drama). Nos estudos e na crítica cinematográfica, pode ser usado para se referir a diversos estilos de filmes, desde que se caracterizem pela sua ênfase em emoções e situações intensas. Muitos tratam do abandono, da figura materna, do amor impossível, da doença terminal, da chantagem ou da obsessão amorosa. Certos MELODRAMAS, conhecidos como “filmes para chorar”, são adaptações de romances românticos ou históricos.
Além das questões extremas, há moralismo, maniqueísmo e reviravoltas que comovem o público. Alguns cineastas se tornaram especialistas nesse tipo de drama, dando oportunidade a excelentes atuações de atrizes como Irene Dunne, Bette Davis, Barbara Stanwyck, Joan Crawford, Susan Hayward, Ida Lupino, Eleanor Parker, Lana Turner ou Jane Wyman, entre outras. Competentes, talentosos, injustamente esquecidos e ignorados pelos críticos, muitas de suas fitas são magistrais. Como esquecer, por exemplo, o fabuloso MELODRAMA “Amar Foi a Minha Ruína”, de John M. Stahl, que deu a estrela Gene Tierney o seu melhor papel? Além das vastas emoções esparramadas pelas tramas arrebatadas, feitas sob encomenda para emocionar, havia sutilmente contundentes comentários sobre a condição da mulher, o patriarcalismo, a distinção entre classes e o racismo, entre outras mazelas varridas para baixo dos tapetes das confortáveis residências da classe média privilegiada do pré e do pós-II Guerra Mundial.

Nos anos 1960 e 1970, cinéfilos e pesquisadores de cinema, na esteira do movimento crítico iniciado pela revista francesa
“Cahiers du Cinéma”, começaram a olhar para esses filmes como retratos críticos da sociedade de seu tempo. A partir daí, alguns dos antigos diretores passaram a influenciar diversos cineastas modernos. Na década de 1970, o alemão Rainer Werner Fassbinder, encantado com Douglas Sirk, contribuiu para o gênero. Pedro Almodóvar e Todd Haynes também se inspiraram no melodramático. Pois é, assunto tratado, vamos aos meus diretores de MELODRAMA favoritos.
DEZ MESTRES do MELODRAMA

01
CLARENCE BROWN
(1890 – 1987. Clinton, Massachusetts / EUA)

Conhecido por MELODRAMAS refinados na Metro-Goldwyn-Mayer, onde se tornou um dos principais cineastas, dirigindo mais de 50 filmes, frequentemente dirigiu Greta Garbo (sete vezes) e Joan Crawford (seis vezes), acumulando 6 indicações ao Oscar de Melhor Diretor. Ganhou o prêmio BAFTA por “O Mundo não Perdoa / Intruder in the Dust” (1949), uma denúncia contra o racismo. Conhecido por seu estilo visual elegante e habilidade em extrair grandes atuações de suas estrelas, consolidou-se como um dos diretores mais prestigiados nas décadas de 1930 e 1940. Seu último filme, de 1952, “O Veleiro da Aventura / Plymouth Adventure”, tem no elenco Spencer Tracy e Gene Tierney.

Cinco Melodramas:
ANNA CHRISTIE
(Idem, 1930)
Elenco: Greta Garbo, Charles Bickford e Marie Dressler

Uma ALMA LIVRE
(A Free Soul, 1931)
Elenco: Norma Shearer, Leslie Howard, Lionel Barrymore,
Clark Gable e James Gleason

REDIMIDA
(Letty Lynton, 1932)

Elenco: Joan Crawford, Robert Montgomery, Nils Asther
e Lewis Stone

ACORRENTADA
(Chained, 1934)
Elenco: Joan Crawford, Clark Gable, Otto Kruger,
Una O'Connor, Akim Tamiroff e Ward Bond

ANNA KARENINA
(Idem, 1935)
Elenco: Greta Garbo, Fredric March, Freddie Bartholomew,
Maureen O'Sullivan, May Robson e Basil Rathbone


02
CURTIS BERNHARDT
(1899 – 1981. Worms, Grand Duchy of Hesse / Alemanha)

Sua carreira atravessou décadas e continentes, fugindo da perseguição nazista para se tornar um diretor de destaque na Warner Bros. e Metro-Goldwyn-Mayer. Iniciou a trajetória artística como ator de teatro, antes de se tornar diretor de cinema em 1926. Rodou doze filmes na Alemanha, mas foi forçado a escapar para a França em 1933, onde produziu e dirigiu filmes, após ser preso pela Gestapo devido à sua herança judaica. Chegou a Hollywood em 1940 e rapidamente assinou contratos com poderosos estúdios. Destacou-se conduzindo magníficas atrizes em filmes dramáticos e trazendo um toque do expressionismo alemão e do realismo europeu para as produções dos EUA.

Cinco Melodramas:
Uma VIDA ROUBADA
(A Stolen Life, 1946)
Elenco: Bette Davis, Glenn Ford, Dane Clark,
Walter Brennan, Charles Ruggles e Bruce Bennett

FOGUEIRA de PAIXÃO
(Possessed, 1947)
Elenco:  Joan Crawford, Van Heflin, Raymond Massey
e Geraldine Brooks

AINDA HÁ SOL em MINHA VIDA
(The Blue Veil, 1951)

Elenco: Jane Wyman, Charles Laughton, Joan Blondell,
Richard Carlson, Agnes Moorehead, Audrey Totter,
Everett Sloane e Natalie Wood

DEPOIS da TORMENTA
(Payment on Demand, 1951)
Elenco: Bette Davis, Barry Sullivan, Frances Dee
e Otto Kruger

MELODIA INTERROMPIDA
(Interrupted Melody, 1955)
Elenco: Glenn Ford, Eleanor Parker, Roger Moore
e Cecil Kellaway

03
DOUGLAS SIRK
(1897 – 1987. Hamburgo / Alemanha)

Era um historiador da arte antes de iniciar como diretor no teatro alemão dos anos 1920 e, mais tarde, essa formação teve impacto em seus trabalhos como cineasta. Devido à perseguição nazista a sua esposa judia, emigrou em 1937 para os Estados Unidos, trabalhando inicialmente em comédias e faroestes de baixo orçamento. Obteve sucesso na Universal nos anos 50. Depois do êxito de
“Imitação da Vida”, aposentou-se e voltou a morar na Europa. Um dos mestres do MELODRAMAS, deu dignidade ao gênero e influenciou outros diretores. Seus dramas são marcados por um visual luxuoso, mise-en-scène complexa e crítica à hipocrisia da classe média alta norte-americana.

Cinco Melodramas:
SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1954)
Elenco: Jane Wyman, Rock Hudson, Agnes Moorehead,
Otto Kruger e Barbara Rush

TUDO o QUE o CÉU PERMITE
(All that Heaven Allows, 1955)
Elenco: Jane Wyman, Rock Hudson, Agnes Moorehead,
Conrad Nagel e Virginia Grey

CHAMAS que NÃO se APAGAM
(There's Always Tomorrow, 1956)
Elenco: Barbara Stanwyck, Fred MacMurray, Joan Bennett
e Jane Darwell

PALAVRAS ao VENTO
(Written on the Wind, 1956)

Elenco: Rock Hudson, Lauren Bacall, Dorothy Malone,
Robert Stack e Robert Keith

IMITAÇÃO da VIDA
(Imitation of Life, 1959)
Elenco: Lana Turner, John Gavin, Sandra Dee,
Susan Kohner, Dan O'Herlihy, Juanita Moore
e Troy Donahue


04
EDMUND GOULDING
(1891 – 1959. Feltham, Middlesex, Inglaterra / Reino Unido)

Tornou-se diretor em 1925, trabalhando na M-G-M, Warner e Fox, onde deu a Tyrone Power seus melhores papéis. Sabia aproveitar ao máximo os astros e estrelas. Não somente dirigiu alguns dos melhores dramas dos anos 30-40, mas assumiu múltiplas funções na realização de cada um deles, escrevendo roteiros e produzindo. Porém não deixou a marca de um estilo pessoal, adaptando-se sempre a cada estúdio no qual trabalhava. Na vida particular, suas orgias notórias, bissexualidade, alcoolismo e dependência de drogas foram muito faladas nos bastidores de Hollywood. Entretanto, ele fazia uma distinção entre seu comportamento privado e o que deveria mostrar ao público.

Cinco Melodramas:
VITÓRIA AMARGA
(Dark Victory, 1939)

Elenco: Bette Davis, George Brent, Humphrey Bogart,
Geraldine Fitzgerald, Ronald Reagan e Henry Travers

O ÚLTIMO ENCONTRO
('Til We Meet Again, 1940)
Elenco: Merle Oberon, George Brent, Pat O'Brien,
Geraldine Fitzgerald e Binnie Barnes

A GRANDE MENTIRA
(The Great Lie, 1941)
Elenco: Bette Davis, George Brent, Mary Astor,
Lucile Watson e Hattie McDaniel

De AMOR TAMBÉM se MORRE
(The Constant Nymph, 1943)
Elenco:  Charles Boyer, Joan Fontaine, Brenda Marshall,
Alexis Smith, Charles Corburn, Dame May Whitty,
Peter Lorre, Eduardo Ciannelli e Marcel Dalio

ESCRAVO de uma PAIXÃO
(Of Human Bondage, 1946)
Elenco: Paul Henreid, Eleanor Parker, Alexis Smith,
Edmund Gwenn, Patrick Knowles e Una O'Connor


05
FRANK BORZAGE
(1894 – 1962. Salt Lake City, Utah / EUA)

Pioneiro do cinema mudo, venceu o primeiro Oscar de Melhor Diretor por “Sétimo Céu” (1927), destacando-se por dramas românticos. Iniciou atuando em trupes teatrais itinerantes na adolescência, passando para o cinema em 1912 como ator (atuou em mais de 100 curtas-metragens) e a dirigir em 1915. Na Fox Film Corporation, a partir de 1925, estabeleceu um estilo lírico que consolidou sua carreira. Adaptou-se bem ao cinema sonoro, mantendo o foco em romances profundos e MELODRAMAS. Seus filmes retratam muitas vezes a força do amor contra a adversidade, a pobreza e a guerra, vez ou outra com um toque espiritual. Continuou a dirigir até o final dos anos 50.

Cinco Melodramas:
O SÉTIMO CÉU
(7th Heaven, 1927)
Elenco: Janet Gaynor e Charles Farrell

O ANJO das RUAS
(Street Angel, 1928)
Elenco: Janet Gaynor e Charles Farrell

ADEUS às ARMAS
(A Farewell to Arms, 1932)
Elenco: Gary Cooper, Helen Hayes e Adolphe Menjou

O PARAÍSO de um HOMEM
(Man´s Castle, 1933)

Elenco: Spencer Tracy, Loretta Young, Marjorie Rambeau,
Walter Connolly e Glenda Farrell

LABIRINTOS do DESTINO
(Big City, 1937)
Elenco: Spencer Tracy, Luise Rainer e Charley Grapewin


06
HENRY KING
(1886 – 1982. Christiansburg, Virgínia / EUA)

Um dos fundadores da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, dirigiu mais de 100 filmes. Começou no teatro e no vaudeville antes de entrar para o cinema em 1912 como ator e, logo depois, diretor de curtas. Tornou-se um dos principais diretores da 20th Century-Fox nas décadas de 1920, 30 e 40. Venceu o primeiro Globo de Ouro de Melhor Diretor por “A Canção de Bernadette / The Song of Bernadette” (1943) e recebeu duas indicações ao Oscar de Melhor Direção. Continuou ativo até o início dos anos 60. É lembrado como um dos pilares da indústria cinematográfica hollywoodiana, com uma filmografia exemplar que atravessa cinco décadas com filmes procurados ainda hoje.

Cinco Melodramas:
IRMÃ BRANCA
(The White Sister, 1923)

Elenco: Lillian Gish e Ronald Colman

O SÉTIMO CÉU
(Seventh Heaven, 1937)
Elenco: Simone Simon, James Stewart, Jean Hersholt,
Gregory Ratoff e Gale Sondergaard

SUPLÍCIO de uma SAUDADE
(Love Is a Many-Splendored Thing, 1955)
Elenco: William Holden e Jennifer Jones

O ÍDOLO de CRISTAL
(Beloved Infidel, 1959)
Elenco: Gregory Peck, Deborah Kerr e Eddie Albert

SUAVE é a NOITE
(Tender Is the Night, 1962)
Elenco: Jennifer Jones, Jason Robards, Joan Fontaine,
Tom Ewedll, Jill St. John e Paul Lukas


07
JEAN NEGULESCO
(1900 – 1993. Craiova / Romênia)

Conhecido por sua versatilidade, ganhou destaque inicial com filmes noir sombrios e, posteriormente, consolidou a carreira como um dos mestres do CinemaScope na 20th Century Fox, dirigindo sucessos românticos e MELODRAMAS. Emigrou para os EUA em 1927, trabalhando inicialmente como desenhista de esboços, roteirista e diretor de segunda unidade. Consagrou-se com “Belinda” (1948), ganhando uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor e Jane Wyman levou o Oscar de Melhor Atriz. Na década de 50, tornou-se mestre na nova técnica de tela larga e dirigiu vários sucessos. Reconhecido pelo apelo visual, elegante uso de cores e habilidade em destacar atrizes protagonistas.

Cinco Melodramas:
ACORDES do CORAÇÃO
(Humoresque, 1946)

Elenco: Joan Crawford, John Garfield, Oscar Levant
e J. Carrol Naish

O VALE do DESTINO
(Deep Valley, 1947)
Elenco: Ida Lupino, Dane Clark, Wayne Morris
e Fay Bainter

BELINDA
(Johnny Belinda, 1948)
Elenco: Jane Wyman, Lew Ayres, Charles Bickford,
Agnes Moorehead, Stephen McNally e Jan Sterling

RUA PROIBIDA
(Britannia Mews, 1949)
Elenco: Dana Andrews, Maureen O'Hara e Sybil Thorndike

DÁDIVA de AMOR
(The Gift of Love, 1958)
Elenco: Lauren Bacall, Robert Stack e Lorne Greene


08
JOHN CROMWELL
(1887 – 1989. Toledo, Ohio / EUA)

Reconhecido por sua capacidade de extrair excelentes atuações, dirigiu inúmeros clássicos. Iniciou sua carreira na Broadway em 1912 como ator e, posteriormente, diretor e produtor. Em 1928, mudou-se para Hollywood, contratado pela Paramount Pictures. Versátil, trabalhou em diversos gêneros, dando brilho especial a dramas densos e noir. Seu “Escravos do Desejo” foi a plataforma de lançamento para a brilhante carreira de Bette Davis. Sua trajetória foi prejudicada nos anos 1950 quando incluído na lista negra de Hollywood por supostas simpatias comunistas. Voltou a dirigir com “A Deusa / The Goddess” (1958) e continuou no teatro antes de se aposentar do cinema em 1961.  

Cinco Melodramas:
ANN VICKERS
(Idem, 1933)
Elenco: Irene Dunne, Walter Huston, Conrad Nagel,
Bruce Cabot, Edna May Oliver e J. Carrol Naish

ESCRAVOS do DESEJO
(Of Human Bondage, 1934)

Elenco: Bette Davis, Leslie Howard, Frances Dee,
Kay Johnson, Reginald Denny e Alan Hale

ESPOSA SÓ no NOME
(In Name Only, 1939)
Elenco: Cary Grant, Carole Lombard, Kay Francis,
Charles Coburn e Peggy Ann Garner

Seu MILAGRE DE AMOR
(The Enchanted Cottage, 1945)
Elenco: Dorothy McGuire, Robert Young, Herbert Marshall,
Mildred Natwick e Spring Byington

MELODIA da NOITE
(Night Song, 1949)
Elenco: Dana Andrews, Merle Oberon, Ethel Barrymore
e Hoagy Carmichael


09
JOHN M. STAHL
(1886 – 1950. Baki City District / Azerbaijan)

Chamado de mestre do MELODRAMA, ao longo de 43 filmes (um quarto deles perdidos), com uma fluidez e franqueza impressionantes, privilegiou uma certa simplicidade e modernidade, tanto na narrativa quanto no estilo. Sobre seu hábil método de direção, ele disse:
“a emoção toma o lugar da ação”. Começou como ator. Dirigiu seu primeiro longa-metragem em 1914. Trabalhou na Universal, M-G-M e Columbia, antes de se estabelecer na 20th Century Fox, onde permaneceu até morrer. Um dos principais diretores de filmes melodramáticos, obteve vários sucessos, incluindo o espiritualizado “As Chaves do Reino / The Keyes of the Kingdom” (1944), que lançou o jovem Gregory Peck ao estrelato.

Cinco Melodramas:
A ESQUINA do PECADO
(Back Street, 1932)
Elenco: Irene Dunne, John Boles, Zasu Pitts
e Jane Darwell

IMITAÇÃO da VIDA
(Imitation of Life, 1934)
Elenco: Claudette Colbert, Warren William, Rochelle Hudson,
Ned Sparks, Louise Beavers e Alan Hale

SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1935)
Elenco: Irene Dunne, Robert Taylor e Charles Butterworth

NOITE de PECADO
(When Tomorrow Comes, 1939)
Elenco: Irene Dunne, Charles Boyer e Barbara O'Neil

AMAR FOI a MINHA RUÍNA
(Leave her to Heaven, 1946)

Elenco: Gene Tierney, Cornel Wilde, Jeanne Crain,
Vincent Price, Gene Lockhart e Chill Wills


10
KING VIDOR
(1894 – 1982. Galveston, Texas / EUA)

A maior parte de sua obra é marcada pela luta do homem contra o destino e a natureza. Ele exerceu um maior controle sobre sua carreira a partir dos anos 30, trabalhando também como produtor e com seus projetos oscilando entre dramas intensos, comédias, faroestes, épicos e romances leves. Embora não seja tão reverenciado quanto muitos de seus contemporâneos, é difícil não se impressionar com sua filmografia talentosa. Conservador, sua arte questiona sistemas políticos. Se os homens no seu cinema alcançam o sonho norte-americano, são as mulheres que emergem como as figuras mais fascinantes, mesmo que raramente saiam vitoriosas contra as adversidades da vida.

Cinco Melodramas:
O CAMPEÃO
(The Champ, 1931)
Elenco: Wallace Beery, Jackie Cooper e Irene Rich

STELLA DALLAS, MÃE REDENTORA
(Stella Dallas, 1937)
Elenco: Barbara Stanwyck, John Boles, Anne Shirley,
Barbara O'Neil, Alan Hale, Marjorie Main
e Tim Holt

DUELO ao SOL
(Duel in the Sun, 1946)

Elenco: Jennifer Jones, Joseph Cotten, Gregory Peck,
Lionel Barrymore, Herbert Marshall, Lillian Gish,
Walter Huston, Charles Bickford e Harry Carey

A FILHA de SATÃ
(Beyond the Forest, 1949)
Elenco: Bette Davis, Joseph Cotten, David Brian
e Ruth Roman

A FÚRIA do DESEJO
(Ruby Gentry, 1952)
Elenco: Jennifer Jones, Charlton Heston,. Karl Malden
e Josephine Hutchinson

GALERIA de FOTOS
 



dezembro 20, 2025

********* ROBERT TAYLOR: BELO e CONSERVADOR

lana turner e robert taylor em 1941

 

Eu era louco por Bob Taylor....
Foi provavelmente uma das melhores
pessoas que eu conheci em toda a minha vida.
Era um bom ator. E foi o mais bonito de todos.
Ele era maravilhoso.
WILLIAM A. WELLMAN, diretor.

Eu me manifesto contra o comunismo
pela mesma razão que me manifestei
contra o nazismo: porque sou a favor
da liberdade e da decência.
ROBERT TAYLOR em 1951.

altura: 1,82 cm
olhos: azuis
cabelos: negros
apelidos: Arly, Bob, O Novo Rei
e O Homem com o Perfil Perfeito
Estrela da Metro-Goldwyn-Mayer por mais de vinte anos, foi um dos atores mais amados de Hollywood, popular entre o público e os colegas. Reconhecido como um dos galãs mais bonitos do cinema, seu pai era médico e sua mãe, uma dona de casa. Na adolescência, andava de pônei, teve aulas de violoncelo, participou de peças amadoras de teatro e venceu um concurso estadual de oratória. Em 1934, estudando música na Califórnia, foi descoberto por um agente da M-G-M, assinando um contrato de sete anos com o poderoso estúdio. Durante sua carreira, ROBERT TAYLOR (1911 – 1969. Filley, Nebraska / EUA) atuou em 72 filmes, sendo aclamado por longas românticos, de aventura e faroestes. Como ídolo das matinês, figurou como atração de bilheteria por três décadas. Recebeu um Globo de Ouro em 1954. Fora das telas, era politicamente de direita e detestava comunistas. Ávido amante da natureza, pescava no Rio Rogue, no Oregon, e caçava em Nebraska e Manitoba. Entre seus companheiros de caça, o escritor Ernest Hemingway e os atores Wallace Beery, Clark Gable e John Wayne.

Em seu primeiro filme, emprestado à 20th Century-Fox, atuou ao lado do lendário Will Rogers,
“O Prático Andy / Handy Andy” (1934). Após algumas participações menores, recebeu seu primeiro papel principal, novamente emprestado, desta vez para a Universal. O melodrama “Sublime Obsessão”, de 1935, estrelado por uma grande atriz, Irene Dunne, narra a história de um rapaz festeiro e despreocupado que, inadvertidamente, causa cegueira na jovem que deseja impressionar e, então, se torna médico para curá-la. Foi um estrondoso sucesso e o transformou em um astro da noite para o dia. Nos anos 1950, houve um remake ainda mais popular, “Sublime Obsessão / Magnificent Obsession” (1954), de Douglas Sirk, com Jane Wyman e Rock Hudson. No ano seguinte, ele protagonizou “A Dama das Camélias”, ao lado da diva Greta Garbo. Tornou-se um dos atores mais populares, recebendo cartas de fãs que superavam as do rei do cinema Clark Gable. Nos anos 1930, atuou em filmes de diferentes gêneros. A partir de 1940, mudou sua imagem de bom moço, aparecendo em personagens sombrios.

De beleza estonteante, e como acontecia com atores considerados “bonitos demais”, os críticos o viam de forma preconceituosa, como apenas um rosto bonito e não um ator genuíno (acusação feita também a seu contemporâneo, Tyrone Power, da Fox). Ele teve que suportar críticas injustas durante seus primeiros anos em Hollywood, mas era profissional – elogiado como um ator dedicado e de presença confiante e imponente – e não dava atenção a tais críticas, que ao longo dos anos desapareceriam. Após a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, fez dois filmes de guerra bem recebidos: “Às Portas do Inferno / Stand by for Action”, em 1942, e, no ano seguinte, interpretou um sargento durão em “A Patrulha de Bataan”. Patriota nato, se dedicou com fervor ao esforço de guerra, ingressando no Corpo Aéreo da Marinha dos EUA como tenente e tornando-se instrutor de voo, de 1943 a 1946. Durante esse período, estrelou e dirigiu 17 filmes de treinamento e narrou o documentário de 1944 “The Fighting Lady”, sobre a vida a bordo de um porta-aviões em tempos de guerra.

Ele tinha convicções políticas rígidas de direita. Conservador ferrenho, finalizada a guerra, se juntou à Motion Picture Alliance for the Preservation of American Ideals (Aliança Cinematográfica para a Preservação dos Ideais Americanos), fundada em 1944 por Sam Wood e Walt Disney, uma organização que exaltava o estilo tradicional de vida norte-americano e combatia a crescente onda de comunismo, nazismo, fascismo e crenças afins que buscavam, por meios subversivos, minar e mudar esse modo de sociedade familiar. Seus companheiros de ideologia incluíam Barbara Stanwyck, Ronald Reagan, John Wayne e Gary Cooper, entre dezenas de outros famosos. Durante o Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara dos Representantes (HUAC), criado em 1938 para investigar suspeitos de comunismo, ele foi convocado a depor como testemunha, já que tinha atuado em
“Canção da Rússia / Song of Russia” (1944). Ele citou três membros do Partido Comunista: os atores Howard Da Silva e Karen Morley, e o roteirista Lester Cole. Suas carreiras terminaram por ser afetadas e Cole foi preso.

Eterno cavalheiro, não se envolveu em escândalos, apesar dos breves e discretos casos com algumas estrelas durante seu primeiro casamento com a atriz Barbara Stanwyck.  Casou-se com ela em 1939. O casal namorava desde que atuaram em
“A Mulher de Meu Irmão / His Brother's Wife”, em 1936. Quando começaram a morar juntos, foram persuadidos a se casar legalmente por Louis B. Mayer, evitando fofocas e publicidade negativa. A primeira crise aconteceu em 1941, quando Bob teve um caso com Lana Turner, pedindo o divórcio. Descontrolada, Barbara cortou os pulsos, mas logo ele se arrependeu da infidelidade. Em 1944 o casamento novamente se abalou com o tórrido romance do galã com Ava Gardner. Superaram, mas seis anos depois ele a abandonou, deixando-a numa infelicidade que nunca cessou. Ela prometeu que não voltaria a se casar, e cumpriu a promessa. Citou ROBERT TAYLOR como o amor de sua vida. Após o divórcio, amargurada, leiloou a mansão do casal em Bel-Air, Los Angeles, com todo o conteúdo, e ficou com 15% dos rendimentos do ex-marido até a morte dele.

bob taylor e barbara stanwyck
Ao conhecê-lo, Barbara Stanwyck acabara de sair de um casamento traumático com o ator alcoólatra Frank Fay. Com ROBERT TAYLOR, foi amenizada pelo amor mútuo pela vida ao ar livre (eles frequentemente iam para o rancho dela no Vale de San Fernando), pela indiferença ao estrelato e pelas simpatias políticas conservadoras. Quatro anos mais velha que o marido, famosa desde 1929, ela o orientou para papéis mais vigorosos, incluindo o fora da lei em “Gentil Tirano / Billy the Kid”, de 1941, e o mafioso em “Estrada Proibida”, do mesmo ano. Durante a década de 1950, o ator protagonizou épicos de grande sucesso de bilheteria. Solteiro, se relacionou com Eleanor Parker, que fez três filmes com ele. Em 1954, casou-se com a bela alemã Ursula Thiess (seu melhor filme, Bandido / Idem, de 1956), que abandonou a carreira artística para cuidar da família, e tiveram dois filhos, um menino e uma menina. Nessa época, adquiriram um rancho na região de Brentwood, em Los Angeles, mais tarde conhecido como Rancho Robert Taylor, desfrutando de uma vida tranquila em contato com a natureza, longe dos holofotes de Hollywood.

Em 1954, ele foi eleito o astro mais popular pela Associação de Correspondentes da Imprensa Estrangeira de Hollywood. No entanto, após o êxito de
“Os Cavaleiros da Távola Redonda / Knights of the Round Table” (1953), a carreira de ROBERT TAYLOR entrou em declínio. Seu contrato com a M-G-M finalizou em 1958, e então ele migrou para a televisão, estrelando a série “The Detectives”, que foi um sucesso de audiência durante três anos. Quando seu amigo Ronald Reagan abandonou a carreira de ator para investir na política, ele assumiu seu lugar na série de televisão “Death Valley Days”, em 1966, permanecendo até sua morte em 1969. Fumante inveterado, morreu de câncer de pulmão com a idade de 57 anos. Reagan fez o elogio fúnebre. Barbara Stanwyck estava entre aqueles que compareceram ao funeral. Ele era extremamente querido em Hollywood. Joel McCrea e Clark Gable eram seus melhores amigos. Se sentindo abençoado por trabalhar na M-G-M, na época o principal estúdio do mundo, tinha “A Ponte de Waterloo” como seu filme favorito e Greta Garbo como a atriz mais admirável.
DEZ FILMES de ROBERT TAYLOR
(por ordem de preferência) 

01
A PONTE de WATERLOO
(Waterloo Bridge, 1940) 

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Vivien Leigh, Lucile Watson, Maria Ouspenskaya
e C. Aubrey Smith

02
SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1935) 

direção de John M. Stahl
elenco: Irene Dunne

03
A DAMA das CAMÉLIAS
(Camille, 1936) 

direção de George Cukor
elenco: Greta Garbo, Lionel Barrymore, Elizabeth Allan,
Jessie Ralph e Laura Hope Crews

04
QUO VADIS
(Idem, 1951) 

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Deborah Kerr, Leo Genn, Peter Ustinov,
Patricia Laffan e Marina Berti

05
MURO de TREVAS
(High Wall, 1947) 

direção de Curtis Bernhardt
elenco: Audrey Totter e Herbert Marshall

06
ESTRADA PROIBIDA
(Johnny Eager, 1941) 

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Lana Turner, Edward Arnold, Van Heflin
e Glenda Farrell

07
TRÊS CAMARADAS
(Three Comrades, 1938) 

direção de Frank Borzage
elenco: Margaret Sullavan, Franchot Tone, Robert Young,
Charley Grapewin e Monty Woolley

08
O CAMINHO do DIABO
(Devil's Doorway, 1950)

direção de Anthony Mann
elenco: Louis Calhern, Paula Raymond, Edgar Buchanan
e Spring Byington

09
A PATRULHA de BATAAN
(Bataan, 1943) 

direção de Tay Garnett
elenco: George Murphy, Lloyd Nolan, Thomas Mitchell,
Lee Bowman, Robert Walker e Desi Arnaz

10
FLOR dos TRÓPICOS
(Lady of the Tropics, 1939) 

direção de Jack Conway
elenco: Hedy Lamarr e Joseph Schildkraut
DEZ CO-ESTRELAS de ROBERT TAYLOR

AVA GARDNER
“Lábios que Escravizam / The Bribe” (1949)

BARBARA STANWYCK
“A Força do Coração / This Is My Affair” (1937)

DEBORAH KERR
“Quo Vadis” (1951)

ELIZABETH TAYLOR
“Traidor / Conspirator” (1949)

GRETA GARBO
“A Dama das Camélias” (1936)

HEDY LAMARR
“Flor dos Trópicos” (1939)

JEAN HARLOW
Seu Criado, Obrigado / Personal Property (1937) 

JOAN CRAWFORD
“De Mulher para Mulher / When Ladies Meet” (1941)

NORMA SHEARER
“Fuga / Escape” (1940)

VIVIEN LEIGH
“A Ponte de Waterloo” (1940)

DEPOIMENTOS

“Um ser humano quente, generoso e inteligente.”
AVA GARDNER, atriz.

“Quando se pensa em sua boa aparência extraordinária, ele tinha todo o direito de ser um pouco mimado, mas não Bob. Era despretensioso, de boa índole e tinha um maravilhoso senso de humor... Era um ator muito melhor do que recebeu crédito.”
DEBORAH KERR, atriz.

“Meu ator favorito. Ele era um cavalheiro. Isso é raro em Hollywood.”
GEORGE CUKOR, diretor.

“O cara mais legal do ramo do cinema... ele ficava longe de problemas, fazia seu trabalho e fazia isso bem. A equipe o amava.”
JOE PASTERNAK, produtor.

“Um verdadeiro cavalheiro e um artista mais fino do que ele admitiria para si mesmo ou para os outros. Era bem-educado, socialmente gentil e altamente inteligente. Norte-americano até o âmago, amava sua terra, mantinha a fé e procurou o melhor.”
LAWRENCE J. QUIRK, biógrafo.
“Bob é uma raridade. Realmente incrível. Além disso, ele é gentil, robusto e bonito, e isso é raro nos dias de hoje.”
RICHARD THORPE, diretor.

“Taylor era tão bonito que, como Tyrone Power, parecia quase feminino. Ele era o que poderia chamar de um homem bonito. Ele era uma pessoa maravilhosa. E um bom ator, também.”
ROBERT YOUNG, ator.

“Talvez cada um de nós tenha sua própria memória diferente de Bob, mas de alguma forma todos se somam ao ‘homem legal’.”
RONALD REAGAN, ator e presidente dos Estados Unidos.

“Ele foi o ator mais doce com quem trabalhei. Era cooperativo e compreensivo, ao contrário da maioria dos galãs de hoje, que tentam te empurrar para fora do alcance da câmera.”
SHELLEY WINTERS, atriz.

“Foi um dos grandes cavalheiros do mundo. Era sério, trabalhador e interessado. Apesar de sua boa aparência surpreendente, estava determinado a ser um bom ator, e não apenas uma estrela.”
TAY GARNETT, diretor.
FONTES
“The Films of Robert Taylor” (1975)
de Lawren”
de Lawrence J. Quirk

“The Life of Robert Taylor” (1987)
de Jane Ellen Wayne

“Relutant Witness: Robert Taylor, Hollywood, 
and Communism” (2008)
de Linda Alexander

“Robert Taylor: A Biography”
(2010)
 de Charles Tranberg

“Robert Taylor: Male Beauty, Masculinity, and 
Stardom in Hollywood” (2019)
de Gillian Kelly


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JOHN WAYNE, um HERÓI de CINEMA