Mostrando postagens com marcador Ava Gardner. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ava Gardner. Mostrar todas as postagens

março 15, 2026

* SERVIÇO COMPLETO: os RAPAZES da GASOLINEIRA

scotty bowers
 


Não havia nada de culpado,
não havia nada de sujo.
Foi a coisa mais natural
e maravilhosa do mundo.
HENRY WILLSON
(1911 – 1978. Lansdowne, Pensilvânia / EUA)
agente de atores

Scotty era uma figura central
no underground gay de Hollywood
e serviu como um cafetão de confiança
de seus clientes quando eles não tinham
alternativa a não ser viver nas sombras.
MATT TYRNAUER
(Los Angeles, Califórnia / EUA)
cineasta


Acabei de ler
“Full Service: the Secret Sex Lives of Hollywood's Stars” (2012), as memórias de SCOTTY BOWERS (1923 – 2019. Ottawa, Illinois / EUA), no qual revela como ele e seus jovens e belos prostitutos tiveram como clientes, durante décadas, atores, atrizes, produtores, diretores e demais profissionais da chamada Era de Ouro de Hollywood. Interessei-me pela leitura depois de ver a minissérie “Hollywood”, de apenas sete capítulos, em que a Cidade dos Sonhos dos anos 40 e 50 é retratada. Garoto simplório, nascido numa fazenda, na infância o autor seduzido manteve um caso com o fazendeiro vizinho, amigo de seu pai, casado e pai de dois filhos. Começa aí a sua saga sexual, que passou mais tarde, em Chicago, quando adolescente, a fazer dinheiro satisfazendo senhores respeitáveis e até mesmo padres. Isso seria abuso aos olhos de todos, menos aos dele. E tudo sem que a mãe ou os irmãos desconfiassem. Ele foi para a guerra, se alistando na Marinha, lutando na Batalha de Iwo Jima, no Oceano Pacífico, e perdendo no sangrento conflito um irmão e dois amigos muito próximos.

Nessa época, homens e mulheres gays forçados a ser marginais sexuais eram publicamente evitados e muitas vezes perseguidos, ou pelo menos forçados a viver vidas duplas. A indústria cinematográfica mantinha em segredo a verdadeira identidade sexual de muitas de suas maiores estrelas, como Ramon Novarro ou Greta Garbo. A comunidade LGBTQ+ não tinha muitos lugares seguros para se conectar na década de 40. A homossexualidade foi ilegal na Califórnia até os anos 1970. Quando a divisão de narcóticos do Departamento de Polícia de Los Angeles –
“a Gestapo sexual”, como era conhecida – invadia um bar gay, os frequentadores corriam o risco de serem presos, extorquidos, internados em um hospício e possivelmente lobotomizados. Esses policiais tinham como alvo a elite de Hollywood porque tinha carreiras a proteger e dinheiro de sobra para suborná-los. Foi nesse contexto que o fuzileiro naval SCOTTY BOWERS veio de anos de guerra para morar em Los Angeles, em 1946, cidade que conheceu nas folgas da Marinha e onde, obviamente, viveu aventuras eróticas de farda.

o posto de gasolina bordel
Aos 23 anos, em 1946, ele rapidamente começou a trabalhar em um posto de gasolina em Hollywood, como atendente,
indicado por um amigo da Marinha. O Richfield Oil ficava em 5777 Hollywood Blvd., na esquina da Van Ness Avenue. Sua beleza atraiu a atenção de Walter Pidgeon, astro canadense da Metro-Goldwyn-Mayer, que o convidou para dar uma volta em seu luxuoso carro Lincoln Continental. O loiro de covinhas topou sem vacilar, marcando sua entrada para a alta sociedade local. O assédio rendeu banho de piscina, sexo e 20 dólares de gorjeta, um valor considerável na época. O mais importante desse encontro erótico foi o início de uma carreira paralela do veterano de guerra, que passou a oferecer seu corpo e os de ex-combatentes em dificuldades financeiras para as estrelas de cinema. Pidgeon recomendou o nome do amante a um círculo de amigos — e logo ele estava intermediando encontros para ele ou uma rede de profissionais do sexo. A demanda era tão alta, que teve que encaminhá-los para uma sala de espera — que, na verdade, era só um trailer estacionado.


A notícia de um jovem fuzileiro naval bonito, discreto e desinibido espalhou-se como fogo nos bastidores de Hollywood. SCOTTY BOWERS percebeu que a
“Cidade dos Sonhos” era, na verdade, uma cidade de desejos reprimidos. Para atender à demanda, ele recrutou cerca de 20 veteranos de guerra, bonitos, atléticos e discretos que, assim como ele, precisavam de dinheiro para sobreviver. Estabeleceu uma tabela fixa: 20 dólares por serviço. Diferente de um cafetão tradicional, ele não ficava com uma comissão sobre os rapazes, seu lucro vinha das gorjetas e da gratidão das estrelas, que o via como um cafetão de confiança. Esses rapazes eram enviados as mansões mais exclusivas de Beverly Hills. O posto de gasolina tornou-se a fachada perfeita: enquanto os estúdios vigiavam os passos das suas estrelas, elas abasteciam seus carros e davam um bilhete com um endereço ou colocavam um acompanhante no banco de trás. Com os anos, o gigolô passou a trabalhar como barman em festas privadas de elite, onde levava seus garotos para servir as bebidas e, mais tarde, atender aos desejos dos convidados.

tyrone power
A sua lista de clientes não fazia distinção de gênero: homens e mulheres, astros e estrelas, de galãs másculos a divas intocáveis, figuras lendárias que confiavam a um ex-fuzileiro naval os segredos que poderiam destruir suas carreiras. Entre os nomes citados em seus relatos, que foram para cama com ele ou seus pupilos, destaca-se uma lista extensa, muito extensa: Tyrone Power, Cary Grant, Bette Davis, James Dean, Charles Laughton, George Cukor, Vivien Leigh, Spencer Tracy, Lana Turner, Laurence Olivier, Rex Harrison, Gore Vidal, Montgomery Clift, Cole Porter, Tennessee Williams, Ava Gardner, Randolph Scott, Vincent Price, Raymond Burr, Gloria Swanson, Alan Ladd, Farley Granger, Bob Hope, Merle Oberon, Tom Ewell, Judith Anderson etc. A confiança realmente impulsionou seu trabalho. Nessa epopeia sexual, SCOTTY BOWERS não passava um dia sem transar. Operou seu esquema do posto de gasolina de 1946 até 1950, mas o serviço completo se estendeu muito além disso, seguindo até o final da década de 1970, atendendo muitos dos grandes nomes da indústria cinematográfica que iam fazer sexo com ele ou com outros indicados por ele.


Administrar um bordel clandestino, frequentado principalmente por gays, em um posto de gasolina, não foi nada fácil. O seu livro conta detalhes dessas peripécias. É uma publicação cativante para quem gosta de cinema e, principalmente, para quem gosta da velha e charmosa Hollywood com seus galãs e estrelas que nos faziam sonhar. O autor justificou a publicação pelo fato dessas pessoas não estarem mais neste mundo, é assim se sentiu à vontade para botar a boca no trombone. Ele desnuda mitos. Um deles, o tal romance que se supunha romântico entre Spencer Tracy e Katherine Hepburn, por exemplo. Segundo ele, mentira inventada para promover os filmes da dupla. E mais: Tracy, embora casado, transou diversas vezes com SCOTTY BOWERS, ao mesmo tempo em que Hepburn preferia
“moças jovens e morenas para a sua cama”. Todas arranjadas por ele. Outra história interessante é a transa a três com Cary Grant e um Rock Hudson ainda desconhecido, além de ter feito um ménage à trois com Lana Turner e Ava Gardner na casa de Frank Sinatra, então marido da deusa Ava. Nossa!

O livro é recheado com nomes, locais, datas e acontecimentos. Embora tenha parado de trabalhar no posto onde o povo do cinema abastecia o carro (e a cama), continuou suas atividades nas festas dos magnatas de Hollywood – e seus contatos e sua fama se intensificaram. Ele afirma que sentia prazer em realizar as preferências sexuais das pessoas numa época tão conservadora. Alguns tacharão o livro de pura fofoca e um compêndio de futilidades. Outros, como eu, vão encarar com um sorriso, pois, como SCOTTY BOWERS mesmo afirmava,
“nada mais natural neste mundo do que o sexo”. Interrogado se seu comportamento sexual seria um “distúrbio” por ter sido assediado tão cedo pelo fazendeiro amigo de seu pai, respondeu que não. Tudo para ele tinha sido muito bom e guardava lembranças agradáveis daquele senhor que o iniciara. Apesar do negócio sexual, ele era discreto, e sabia que, dessa maneira, blindava seus clientes e tornava o trabalho mais lucrativo. Alguns deles desenvolveram uma relação de confiança. E toda essa discrição e confiabilidade tornaram suas confissões mais bombásticas.

scotty powers e seus garotos de programa
Seus outrora segredos são picantes, como quando ele fez sexo com um dos diretores mais marcantes da história do FBI, J. Edgar Hoover — que estava vestido de drag queen. Todavia, o seu maior cliente era o compositor Cole Porter. Diversas orgias foram organizadas por ele a convite do músico. Além disso, a vida sexual do cafetão foi objeto de estudo do sexólogo Dr. Alfred Kinsey, que estava determinado a saber profundamente sobre a sua pansexualidade.
Ele o surpreendeu ao revelar que experimentou todos os atos sexuais de sua lista. Tinha feito de tudo diversas vezes. Com seus olhos azuis penetrantes, cabelos espessos e uma juventude irradiante, é fácil imaginar por que era popular. Revelou não ter arrependimento por passar a maioria das noites na cama de outra pessoa. Mas admite francamente que sua única verdadeira paixão era o dinheiro. Fazer sexo com celebridades por US$ 20 era um trabalho fácil e lucrativo. Era um cafetão – mas também um cara sexualmente liberado que cuidava paternalmente de seus prostitutos e facilitava sexo satisfatório para clientes célebres em uma época enrustida. 


Conhecendo os bastidores de Hollywood como ninguém, ele foi um gigolô bem-sucedido, vivenciando em primeira mão a dualidade sexual de lendas do cinema cuja imagem pública não correspondia à sua realidade íntima. Para uma figura famosa, SCOTTY BOWERS não estava interessado no negócio do entretenimento. Ele nunca quis ser um ator ou envolvido no cinema em qualquer atividade profissional. Estava contente com sua vida como ela era. Esse desinteresse era parte do que o fez tão bem-sucedido em seu trabalho. Ele não tinha desejos de estrelato ou fama. Tampouco nunca se importou com a imprensa. Em várias ocasiões recusou pagamentos em troca de informações da intimidade de celebridades. A sua carreira teve um fim no auge da AIDS, nos anos 80. Nesse período se casou. Ele havia permanecido em silêncio por décadas, até 2012, quando lançou suas memórias, intituladas
“Full Service: My Adventures in Hollywood e Secret Sex Lives of the Stars”. Este best-seller foi seguido por um documentário de 2017, “Scotty and the Secret History of Hollywood”, dirigido por Matt Tyrnauer.

scotty e suas profissionais do sexo
O autor esperou que todos os seus clientes falecessem antes de abrir a boca. Muitos deles foram gratos pela lealdade, dando presentes generosos. O ator Beach Dickerson deixou três casas para SCOTTY BOWERS, e o premiado diretor de fotografia Nestor Almendros lhe deu a estatueta do Oscar que ganhou por
“Cinzas do Paraíso / Days of Heaven” (1978). Mas o lançamento do seu livro, aos 89 anos de idade, foi um escândalo. De imediato, críticos e biógrafos oficiais o acusaram de ser um velho mentiroso em busca de atenção. Janet Maslin, no “The New York Times”, considerou o conteúdo da obra como “supostas verdades”, enquanto Lewis Jones, do “The Telegraph”, desafiou os leitores a digeri-lo “como ficção”. No entanto, a descrença durou pouco. Historiadores, jornalistas e pesquisadores começaram a investigar cada detalhe minucioso de seus relatos e o resultado foi chocante: tudo batia com a realidade. As datas em que ele dizia ter organizado festas coincidiam exatamente com as folgas de filmagem das estrelas. Amigos próximos e seus antigos garotos confirmaram os esquemas do posto de gasolina.

Em 2019, SCOTTY BOWERS morreu aos 96 anos, deixando uma história na mitologia hollywoodiana que, por muito tempo, passou despercebida. Ele partiu deixando a Cidade dos Sonhos um pouco menos misteriosa e muito mais humana, evidenciando que, por trás do glamour e moralidade fabricado pelos estúdios, existiam pessoas reais com desejos que nenhuma censura foi capaz de silenciar.
 
“As necessidades de todos eram atendidas.
Tudo o que os astros e estrelas queriam, eu tinha.
Eu podia realizar todas as suas fantasias sexuais.”

SCOTTY BOWERS
 
spencer tracy e katharine hepburn
DEZ CLIENTES de SCOTTY BOWERS
 
CARY GRANT
(1904 – 1986. Bristol / Reino Unido)
“Ele era íntimo de um ator especializado em faroestes, Randolph Scott. Eu passei um fim de semana com eles. Nós três aprontamos todo tipo de travessuras sexuais juntos. Eu gostava muito deles, e era óbvio que eles também gostavam muito um do outro. Não sei se as respectivas esposas deles chegaram a descobrir o que estava acontecendo entre eles. O cowboy Scott era o amor da vida de Grant. Viveram juntos por 12 anos.”
 
CECIL BEATON
(1904 – 1980. Hampstead, Londres / Reino Unido)
“Preparava seu chá, deitava ao seu lado, fazia uma massagem, alisava sua testa e o guiava para uma longa sessão de sexo até que ele adormecesse como um bebê.”
 
DUQUE e DUQUESA de WINDSOR
(1894 – 1972. White Lodge, Richmond / Reino Unido)
(1896 – 1986. Blue Ridge Summit, Pensilvânia / EUA)

“Eles eram homossexuais e viviam uma farsa como um casal. Eddy também gostava, de vez em quando, de sexo a três com uma garota, e outras vezes queria uma mulher a sós. Mas sua clara preferência era por garotos. Certa noite, eu trouxe para Wally uma gracinha magra e esbelta, e quando voltei mais tarde para buscá-la e levá-la para casa, ela me disse, animada, que nunca em toda a sua vida havia gostado tanto de sexo. Ela nem conseguia se lembrar de quantos orgasmos teve naquela noite.”
 
EDITH PIAFF
(1915 – 1963. Paris, /França)
“Fizemos amor quase todas as noites durante as quatro semanas que ela passou em Hollywood. Ela também era bissexual.”
 
ERROL FLYNN
(1909 – 1959. Battery Point / Austrália)
“Errol Flynn me disse que estava procurando por novos talentos. Mas ele se referia às mulheres. Eu disse que faria o possível para agradá-lo. 'Que tipo de mulher você está procurando?', perguntei. 'Bem, digamos assim', disse ele, 'eu gosto de bebida velha e mulheres jovens. Muito jovens. Os dois formam uma combinação agradável, não acha?'.”
 
KATHARINE HEPBURN
(1907 – 2003. Hartford, Connecticut / EUA)
“Durante 39 anos apresentei à atriz mais de 150 mulheres para que pudessem explorar plenamente seu lesbianismo. Ela era lésbica, e eu não conseguia imaginar aquela mulher inegavelmente masculina tendo um caso com um homem, qualquer homem. Ela gostava de moças bonitas de cabelos escuros que não usavam maquiagem. O seu caso amoroso com o bissexual Spencer Tracy, amplamente divulgado pelos tabloides, era uma cortina de fumaça para suas ardentes aventuras homossexuais.”
 
LAURENCE OLIVIER
(1907 – 1989. Dorking / Reino Unido)
“Toda vez que eu mandava um casal para o quarto de hotel dele, ele pedia uma garota diferente, mas quase sempre o mesmo cara.”
 
SPENCER TRACY
(1900 - 1967. Milwaukee, Wisconsin / EUA)
“O grande Spencer Tracy era bissexual e um amante excelente. Após uma bebedeira daquelas, eu o despi, me despi também, deitamo-nos na cama e o abracei forte como uma criança. Ele babava, xingava e reclamava. Tinha bebido tanto que eu mal conseguia entender uma palavra do que dizia. Tentei acalmá-lo, mas ele não quis saber de nada. Pelo contrário, enfiou a boca no meu pau. Ele era o último homem no mundo de quem eu esperava tal iniciativa, mas eu deixei de bom grado Esse foi o primeiro de muitos encontros sexuais que tive com Spencer.”
 
TYRONE POWER
(1914 – 1958. Cincinnati, Ohio / EUA)
“Com seus gostos escatológicos, era escandalosamente bonito. As mulheres suspiravam por ele, e ele dormia com várias delas, mas preferia mais os homens. Ele me ligava com frequência e pedia que eu lhe enviasse um rapaz. Alguns de seus gostos sexuais eram bastante estranhos e excêntricos, mas nenhum dos rapazes parecia se importar.”
 
VIVIEN LEIGH
(1913 – 1967. Darjeeling / Índia)
“A estrela de “...E o Vento Levou” era uma mulher sensual. Muito sexual e muito excitável. Quando estava no clima, exigia satisfação completa e total. Transava como se a sobrevivência do planeta dependesse disso. Ela era estrondosa. Gritava, berrava e ria. Tinha orgasmo após orgasmo, cada um mais estrondoso que o anterior.”
 

CONVERSANDO com SCOTTY BOWERS em 2012
 
Em seu livro de memórias, “Full Service: My Adventures in Hollywood and the Secret Sex Lives of the Stars”, Scotty Bowers, de 89 anos, relata de forma gloriosa e honesta suas muitas lembranças de devassidão a Lionel Friedberg, que as organizou em um texto fascinante. Abrangendo sua juventude em uma fazenda em Illinois durante a Grande Depressão, os violentos combates na Segunda Guerra Mundial e casos amorosos com algumas das figuras mais famosas de Hollywood, a sua história é uma epopeia sensual.
 
O que acha como a família, o amor e o sexo eram retratados no cinema, em comparação como as estrelas viviam suas vidas pessoais?
 
Eu sentia que muitos levavam vidas duplas. O que fingiam fazer e o que realmente faziam eram coisas diferentes. Por outro lado, havia algumas pessoas muito certinhas e conservadoras. Mas em Hollywood, era possível realizar os desejos sexuais secretos, por causa do anonimato. Ninguém conhecia ninguém no mesmo quarteirão onde moravam.
 
Ainda sente isso em Hollywood? Como se pode explorá-la sexualmente?
 
Sim, de uma forma diferente. É mais aberto agora, as pessoas não são tão tímidas. Naquela época, havia gays assumidos, mas geralmente eram reservados e se sentiam sortudos quando conseguiam encontrar alguém em quem pudiam confiar.
 
Então, era só uma questão de encontrar quem o aceitasse e o que queria?
 
Percebi com os anos que, ao conhecer alguém, uma das coisas que ela mais gosta é ser ela mesma, sem truques. As pessoas gostam disso.
 
Como seus amigos atores e famosos conciliavam os personagens que interpretavam na tela com as pessoas que realmente queriam ser?
 
Um ator é um ator, então ele pode se retratar de uma forma completamente diferente de quem é. Raramente dá para perceber quem ele realmente é. Mas é a vida. Também arranjei encontros sexuais profissionais discretos para centenas de pessoas comuns. Empresários, donas de casa, homens casados, enfim, todo tipo de gente.
 
Havia um certo nível de segredo emocionante na sua época de ouro?
 
Havia segredo, com certeza! Era por isso que as pessoas gostavam e confiavam em mim. Mas você pode dizer: “Se eles confiavam e gostavam, por que está fazendo isso agora?”. Bem, é triste, porque todos se foram. Me emociona pensar nas pessoas boas que eu conheci. Penso em Vincent Price, Randolph Scott, Cary Grant, todos gentis, cavalheiros. Gentileza, bondade, são a resposta. Pensando neles, em como eram doces, independentemente do que faziam na cama, eu publiquei esse livro.
 
Sua vida mudou. Como é se sentir mais estável agora?
 
Eu gostaria de ser mais jovem... e fazendo a mesma coisa.
 

FONTES
Ditadura e Homossexualidade: Repressão,
Resistência e a Busca da Verdade
(2014)
de James N. Green
 
Full Service: My Adventures in Hollywood
and the Secret Sex Live of the Stars
(2012)
de Scotty Bowers e Lionel Friedberg
 
randolph scott e cary grant
“Espero ter proporcionado tanto prazer
quanto o que eu mesmo recebi.
Em nenhum momento senti vergonha,
culpa ou remorso pelo que fiz.
Muito pelo contrário.”

SCOTTY BOWERS
 
 GALERIA de FOTOS
 



dezembro 20, 2025

********* ROBERT TAYLOR: BELO e CONSERVADOR

lana turner e robert taylor em 1941

 

Eu era louco por Bob Taylor....
Foi provavelmente uma das melhores
pessoas que eu conheci em toda a minha vida.
Era um bom ator. E foi o mais bonito de todos.
Ele era maravilhoso.
WILLIAM A. WELLMAN, diretor.

Eu me manifesto contra o comunismo
pela mesma razão que me manifestei
contra o nazismo: porque sou a favor
da liberdade e da decência.
ROBERT TAYLOR em 1951.

altura: 1,82 cm
olhos: azuis
cabelos: negros
apelidos: Arly, Bob, O Novo Rei
e O Homem com o Perfil Perfeito
Estrela da Metro-Goldwyn-Mayer por mais de vinte anos, foi um dos atores mais amados de Hollywood, popular entre o público e os colegas. Reconhecido como um dos galãs mais bonitos do cinema, seu pai era médico e sua mãe, uma dona de casa. Na adolescência, andava de pônei, teve aulas de violoncelo, participou de peças amadoras de teatro e venceu um concurso estadual de oratória. Em 1934, estudando música na Califórnia, foi descoberto por um agente da M-G-M, assinando um contrato de sete anos com o poderoso estúdio. Durante sua carreira, ROBERT TAYLOR (1911 – 1969. Filley, Nebraska / EUA) atuou em 72 filmes, sendo aclamado por longas românticos, de aventura e faroestes. Como ídolo das matinês, figurou como atração de bilheteria por três décadas. Recebeu um Globo de Ouro em 1954. Fora das telas, era politicamente de direita e detestava comunistas. Ávido amante da natureza, pescava no Rio Rogue, no Oregon, e caçava em Nebraska e Manitoba. Entre seus companheiros de caça, o escritor Ernest Hemingway e os atores Wallace Beery, Clark Gable e John Wayne.

Em seu primeiro filme, emprestado à 20th Century-Fox, atuou ao lado do lendário Will Rogers,
“O Prático Andy / Handy Andy” (1934). Após algumas participações menores, recebeu seu primeiro papel principal, novamente emprestado, desta vez para a Universal. O melodrama “Sublime Obsessão”, de 1935, estrelado por uma grande atriz, Irene Dunne, narra a história de um rapaz festeiro e despreocupado que, inadvertidamente, causa cegueira na jovem que deseja impressionar e, então, se torna médico para curá-la. Foi um estrondoso sucesso e o transformou em um astro da noite para o dia. Nos anos 1950, houve um remake ainda mais popular, “Sublime Obsessão / Magnificent Obsession” (1954), de Douglas Sirk, com Jane Wyman e Rock Hudson. No ano seguinte, ele protagonizou “A Dama das Camélias”, ao lado da diva Greta Garbo. Tornou-se um dos atores mais populares, recebendo cartas de fãs que superavam as do rei do cinema Clark Gable. Nos anos 1930, atuou em filmes de diferentes gêneros. A partir de 1940, mudou sua imagem de bom moço, aparecendo em personagens sombrios.

De beleza estonteante, e como acontecia com atores considerados “bonitos demais”, os críticos o viam de forma preconceituosa, como apenas um rosto bonito e não um ator genuíno (acusação feita também a seu contemporâneo, Tyrone Power, da Fox). Ele teve que suportar críticas injustas durante seus primeiros anos em Hollywood, mas era profissional – elogiado como um ator dedicado e de presença confiante e imponente – e não dava atenção a tais críticas, que ao longo dos anos desapareceriam. Após a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, fez dois filmes de guerra bem recebidos: “Às Portas do Inferno / Stand by for Action”, em 1942, e, no ano seguinte, interpretou um sargento durão em “A Patrulha de Bataan”. Patriota nato, se dedicou com fervor ao esforço de guerra, ingressando no Corpo Aéreo da Marinha dos EUA como tenente e tornando-se instrutor de voo, de 1943 a 1946. Durante esse período, estrelou e dirigiu 17 filmes de treinamento e narrou o documentário de 1944 “The Fighting Lady”, sobre a vida a bordo de um porta-aviões em tempos de guerra.

Ele tinha convicções políticas rígidas de direita. Conservador ferrenho, finalizada a guerra, se juntou à Motion Picture Alliance for the Preservation of American Ideals (Aliança Cinematográfica para a Preservação dos Ideais Americanos), fundada em 1944 por Sam Wood e Walt Disney, uma organização que exaltava o estilo tradicional de vida norte-americano e combatia a crescente onda de comunismo, nazismo, fascismo e crenças afins que buscavam, por meios subversivos, minar e mudar esse modo de sociedade familiar. Seus companheiros de ideologia incluíam Barbara Stanwyck, Ronald Reagan, John Wayne e Gary Cooper, entre dezenas de outros famosos. Durante o Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara dos Representantes (HUAC), criado em 1938 para investigar suspeitos de comunismo, ele foi convocado a depor como testemunha, já que tinha atuado em
“Canção da Rússia / Song of Russia” (1944). Ele citou três membros do Partido Comunista: os atores Howard Da Silva e Karen Morley, e o roteirista Lester Cole. Suas carreiras terminaram por ser afetadas e Cole foi preso.

Eterno cavalheiro, não se envolveu em escândalos, apesar dos breves e discretos casos com algumas estrelas durante seu primeiro casamento com a atriz Barbara Stanwyck.  Casou-se com ela em 1939. O casal namorava desde que atuaram em
“A Mulher de Meu Irmão / His Brother's Wife”, em 1936. Quando começaram a morar juntos, foram persuadidos a se casar legalmente por Louis B. Mayer, evitando fofocas e publicidade negativa. A primeira crise aconteceu em 1941, quando Bob teve um caso com Lana Turner, pedindo o divórcio. Descontrolada, Barbara cortou os pulsos, mas logo ele se arrependeu da infidelidade. Em 1944 o casamento novamente se abalou com o tórrido romance do galã com Ava Gardner. Superaram, mas seis anos depois ele a abandonou, deixando-a numa infelicidade que nunca cessou. Ela prometeu que não voltaria a se casar, e cumpriu a promessa. Citou ROBERT TAYLOR como o amor de sua vida. Após o divórcio, amargurada, leiloou a mansão do casal em Bel-Air, Los Angeles, com todo o conteúdo, e ficou com 15% dos rendimentos do ex-marido até a morte dele.

bob taylor e barbara stanwyck
Ao conhecê-lo, Barbara Stanwyck acabara de sair de um casamento traumático com o ator alcoólatra Frank Fay. Com ROBERT TAYLOR, foi amenizada pelo amor mútuo pela vida ao ar livre (eles frequentemente iam para o rancho dela no Vale de San Fernando), pela indiferença ao estrelato e pelas simpatias políticas conservadoras. Quatro anos mais velha que o marido, famosa desde 1929, ela o orientou para papéis mais vigorosos, incluindo o fora da lei em “Gentil Tirano / Billy the Kid”, de 1941, e o mafioso em “Estrada Proibida”, do mesmo ano. Durante a década de 1950, o ator protagonizou épicos de grande sucesso de bilheteria. Solteiro, se relacionou com Eleanor Parker, que fez três filmes com ele. Em 1954, casou-se com a bela alemã Ursula Thiess (seu melhor filme, Bandido / Idem, de 1956), que abandonou a carreira artística para cuidar da família, e tiveram dois filhos, um menino e uma menina. Nessa época, adquiriram um rancho na região de Brentwood, em Los Angeles, mais tarde conhecido como Rancho Robert Taylor, desfrutando de uma vida tranquila em contato com a natureza, longe dos holofotes de Hollywood.

Em 1954, ele foi eleito o astro mais popular pela Associação de Correspondentes da Imprensa Estrangeira de Hollywood. No entanto, após o êxito de
“Os Cavaleiros da Távola Redonda / Knights of the Round Table” (1953), a carreira de ROBERT TAYLOR entrou em declínio. Seu contrato com a M-G-M finalizou em 1958, e então ele migrou para a televisão, estrelando a série “The Detectives”, que foi um sucesso de audiência durante três anos. Quando seu amigo Ronald Reagan abandonou a carreira de ator para investir na política, ele assumiu seu lugar na série de televisão “Death Valley Days”, em 1966, permanecendo até sua morte em 1969. Fumante inveterado, morreu de câncer de pulmão com a idade de 57 anos. Reagan fez o elogio fúnebre. Barbara Stanwyck estava entre aqueles que compareceram ao funeral. Ele era extremamente querido em Hollywood. Joel McCrea e Clark Gable eram seus melhores amigos. Se sentindo abençoado por trabalhar na M-G-M, na época o principal estúdio do mundo, tinha “A Ponte de Waterloo” como seu filme favorito e Greta Garbo como a atriz mais admirável.
DEZ FILMES de ROBERT TAYLOR
(por ordem de preferência) 

01
A PONTE de WATERLOO
(Waterloo Bridge, 1940) 

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Vivien Leigh, Lucile Watson, Maria Ouspenskaya
e C. Aubrey Smith

02
SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1935) 

direção de John M. Stahl
elenco: Irene Dunne

03
A DAMA das CAMÉLIAS
(Camille, 1936) 

direção de George Cukor
elenco: Greta Garbo, Lionel Barrymore, Elizabeth Allan,
Jessie Ralph e Laura Hope Crews

04
QUO VADIS
(Idem, 1951) 

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Deborah Kerr, Leo Genn, Peter Ustinov,
Patricia Laffan e Marina Berti

05
MURO de TREVAS
(High Wall, 1947) 

direção de Curtis Bernhardt
elenco: Audrey Totter e Herbert Marshall

06
ESTRADA PROIBIDA
(Johnny Eager, 1941) 

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Lana Turner, Edward Arnold, Van Heflin
e Glenda Farrell

07
TRÊS CAMARADAS
(Three Comrades, 1938) 

direção de Frank Borzage
elenco: Margaret Sullavan, Franchot Tone, Robert Young,
Charley Grapewin e Monty Woolley

08
O CAMINHO do DIABO
(Devil's Doorway, 1950)

direção de Anthony Mann
elenco: Louis Calhern, Paula Raymond, Edgar Buchanan
e Spring Byington

09
A PATRULHA de BATAAN
(Bataan, 1943) 

direção de Tay Garnett
elenco: George Murphy, Lloyd Nolan, Thomas Mitchell,
Lee Bowman, Robert Walker e Desi Arnaz

10
FLOR dos TRÓPICOS
(Lady of the Tropics, 1939) 

direção de Jack Conway
elenco: Hedy Lamarr e Joseph Schildkraut
DEZ CO-ESTRELAS de ROBERT TAYLOR

AVA GARDNER
“Lábios que Escravizam / The Bribe” (1949)

BARBARA STANWYCK
“A Força do Coração / This Is My Affair” (1937)

DEBORAH KERR
“Quo Vadis” (1951)

ELIZABETH TAYLOR
“Traidor / Conspirator” (1949)

GRETA GARBO
“A Dama das Camélias” (1936)

HEDY LAMARR
“Flor dos Trópicos” (1939)

JEAN HARLOW
Seu Criado, Obrigado / Personal Property (1937) 

JOAN CRAWFORD
“De Mulher para Mulher / When Ladies Meet” (1941)

NORMA SHEARER
“Fuga / Escape” (1940)

VIVIEN LEIGH
“A Ponte de Waterloo” (1940)

DEPOIMENTOS

“Um ser humano quente, generoso e inteligente.”
AVA GARDNER, atriz.

“Quando se pensa em sua boa aparência extraordinária, ele tinha todo o direito de ser um pouco mimado, mas não Bob. Era despretensioso, de boa índole e tinha um maravilhoso senso de humor... Era um ator muito melhor do que recebeu crédito.”
DEBORAH KERR, atriz.

“Meu ator favorito. Ele era um cavalheiro. Isso é raro em Hollywood.”
GEORGE CUKOR, diretor.

“O cara mais legal do ramo do cinema... ele ficava longe de problemas, fazia seu trabalho e fazia isso bem. A equipe o amava.”
JOE PASTERNAK, produtor.

“Um verdadeiro cavalheiro e um artista mais fino do que ele admitiria para si mesmo ou para os outros. Era bem-educado, socialmente gentil e altamente inteligente. Norte-americano até o âmago, amava sua terra, mantinha a fé e procurou o melhor.”
LAWRENCE J. QUIRK, biógrafo.
“Bob é uma raridade. Realmente incrível. Além disso, ele é gentil, robusto e bonito, e isso é raro nos dias de hoje.”
RICHARD THORPE, diretor.

“Taylor era tão bonito que, como Tyrone Power, parecia quase feminino. Ele era o que poderia chamar de um homem bonito. Ele era uma pessoa maravilhosa. E um bom ator, também.”
ROBERT YOUNG, ator.

“Talvez cada um de nós tenha sua própria memória diferente de Bob, mas de alguma forma todos se somam ao ‘homem legal’.”
RONALD REAGAN, ator e presidente dos Estados Unidos.

“Ele foi o ator mais doce com quem trabalhei. Era cooperativo e compreensivo, ao contrário da maioria dos galãs de hoje, que tentam te empurrar para fora do alcance da câmera.”
SHELLEY WINTERS, atriz.

“Foi um dos grandes cavalheiros do mundo. Era sério, trabalhador e interessado. Apesar de sua boa aparência surpreendente, estava determinado a ser um bom ator, e não apenas uma estrela.”
TAY GARNETT, diretor.
FONTES
“The Films of Robert Taylor” (1975)
de Lawren”
de Lawrence J. Quirk

“The Life of Robert Taylor” (1987)
de Jane Ellen Wayne

“Relutant Witness: Robert Taylor, Hollywood, 
and Communism” (2008)
de Linda Alexander

“Robert Taylor: A Biography”
(2010)
 de Charles Tranberg

“Robert Taylor: Male Beauty, Masculinity, and 
Stardom in Hollywood” (2019)
de Gillian Kelly


GALERIA de FOTOS

JOHN WAYNE, um HERÓI de CINEMA